sábado, 31 de janeiro de 2009

PANTANAL MATOGROSSENSE


Localizado no interior da América do Sul, o pantanal matogrossense é a maior extensão úmida contínua do planeta. Hidrograficamente, todo o Pantanal faz parte da bacia do rio Paraguai constituindo-se em uma imensa planície de áreas alagáveis. Quando do período das cheias justifica a lenda sobre sua origem, que seria um imenso mar interior - o mar de Xaraés.
O clima é tipo quente no verão, com temperatura média em torno de 32°C e frio e seco no inverno, com média em torno de 21°C, ocorrendo ocasionalmente, geadas nos meses de julho e agosto. A união de fatores tais como o relevo, o clima e o regime hidrográfico da região favoreceram o desenvolvimento de numerosas espécies animais e vegetais que povoam abundantemente toda sua extensão. O Pantanal entretanto não é um só. Existem 10 (dez) tipos de pantanal na região com características diferentes de solo, vegetação e drenagem, são eles: - Nabileque - 9,4 %; - Miranda, 4,6%; - Aquidauana, 4,9 %; - Abobral - 1,6 %; - Nhecolândia - 17,8 %; - Paiaguás - 18,3 %; - Paraguai - 5,3 %; - Barão de Melgaço - 13,3 %; - Poconé - 12,9 %; - Cáceres - 11,9 %.A beleza proporcionada pela paisagem pantaneira fascina pessoas de todo o mundo fazendo com que o turismo se desenvolva em vários municípios da região. O desenvolvimento de um pensamento ambientalista e social para o pantanal matogrossense tem levado vários pesquisadores a discutirem o impacto da ocupação humana neste ecossistema. Dentre os principais problemas ambientais destacamos: - a pesca predatória; - a caça de jacarés; - a poluição dos rios da bacia do Paraguai; - os garimpos do Estado de Mato Grosso e a poluição das águas pelo mercúrio; - a hidrovia Paraguai-Paraná. Tais questões tem sido alvo de uma extensa discussão e algumas ações ambientais por parte dos órgãos ambientais e da comunidade tem coibido tais agressões.


650 espécies (no Brasil estão catalogadas 1580) - pica-pau, arara-azul (a arara-azul é uma das aves brasileiras em via de extinção, ameaçada tanto pela caça como pelo desaparecimento do seu habitat. A ave também aparece no Norte e Nordeste. Existem aproximadamente cerca de 4.000 no país e nos últimos 20 anos, mais de 15 mil araras foram retiradas do Brasil. Como é muito barulhenta, a arara-azul parece muito presente e foi difícil para os moradores do Pantanal vê-la como uma ave em extinção. Hoje, os fazendeiros e os peões ajudam a impedir o comércio das aves ), tuiuiú (chega a medir 1.10 m), tucano, periquito, cafezinho, garça-branca (ave migratória que, na época de reprodução se reúne em grandes bandos), jaburu, beija-flor (pesam 2 gramas), secós (espécie de garça de coloração castanha), jaçanã, ema (pesa cerca de 30 Kg), seriema, papagaio, colhelheiro, cardeal, gavião-fumaça, carcará, curicaca, quero-quero, joão-pinto, carão, surucuá, Gavião-Caramujeiro, Tucanaçu

Tuiuiú (Jabiru mycteria) _ Família Ciconiidae. É a ave-símbolo do Pantanal. Também chamada de jaburu. Da ponta do bico aos pés chega até 140 cm de comprimento. Tucanaçu (Ramphastos toco) _ Família Ramphastidae. São os maiores tucanos do Brasil, medindo 55 cm. Seu corpo é predominantemente preto, com garganta branca, ventre vermelho e patas azuis. O bico, alaranjado, é quase do tamanho do corpo. Gavião-Caramujeiro (Rosthramus sociabilis) _ Família accipitridae. São gaviões de médio porte, medindo cerca de 40 cm. Possuem corpo preto com faixa branca na cauda. O bico é laranja e preto, com uma longa ponta em forma de gancho. Curicaca-Pantaneira (Theristicus caudatus) _ Família Threskiornithidae. Ave do grupo dos íbis, com coloração geral cinza-chumbo, olhos e patas vermelhos e uma faixa branca na fronte. O bico é longo e recurvado para baixo, funcionando como uma pinça que é utilizada para retirar da lama os pequenos animais de que se alimentam. Encontrada frequentemente no solo, em áreas alagadas, ao contrário da outra curicaca bem comum no Pantanal, que é típica de locais mais secos. Fazem os ninhos com gravetos. O nome ``curicaca" é onomatopéico, ou seja, dado pelo som que a ave produz ao cantar.
Na região do Pantanal existem vegetações de três regiões distintas : amazônica, cerrado e chaco (paraguaio e argentino). Durante a seca, que coincide com o inverno, os campos se tornam amarelados e a temperatura pode chegar a 0ºC, influenciada pelos ventos que chegam do sul do continente. A vegetação do Pantanal não homogênea e há um padrão diferente de flora de acordo com a altitude. Nas partes mais baixas, predominam as gramíneas, que são áreas de pastagens naturais para o gado. A vegetaçãoo de cerrado, com árvores de porte médio entremeadas de arbustos e plantas rasteiras, aparece nas alturas intermediárias. A poucos metros acima das áreas inundáveis, ficam os capões de mato, com árvores maiores como o angico, ipê e aroeira. Nas altitudes maiores, o clima ?rido e seco torna a paisagem parecida com a da caatinga, apresentando espécies típicas como o mandacaru, plantas aquáticas (da famólia dos ipês com flores róseas e amarelas), palmeiras, orquídeas, figueiras e aroeiras.

Pantanal - Paisagem Natural


Formando os atrativos culturais podemos encontrar grupos folclóricos como o Chalana, um dos mais conhecidos nacionalmente e internacionalmente, a fusão étnica de São Gonçalo, cururu e siriri que fazem a festa no arrasta pé dos terreiros de Cáceres, as centenárias fazendas que marcaram a história cacerense e a cavalhada, representação montada e paramentada das lutas entre mouros e cristãos.

Possui variados ecossistemas; corixos, baías, campos, cordilheiras, praias, cerrados, campões, florestas, rios e a beleza da flora e fauna pantaneira que está dispostas nestes ambientes.

RIO MUTUM
Onde pode-se realizar pescarias, safári fotográfico e também é recomendável para banho e passeios de barcos para avistar a fauna e flora do local.

BAÍA SIÁ MARIANA
Utilizada para passeios de barcos, safáris fotográficos e pesca.

BAÍA DO RECEIO
Boa Vista para mata cerrada, com presenças de buritis e pesca.

BAÍA CHOCORORÉ
Tem 15 Km de extensão, ótima vista para a flora, composta de muitos tipos de árvores que formam um tapete verde sobre o morro.

BAÍA BURITIZAL
Boa visão para vegetação que é repleta de Buritis, o terreno é arenoso e parte dele é composto gramíneas.

BAÍA ACORIZAL
Boa vista para a linda vegetação de pombeiros e destaque aos campões que ficam sobre gramínias.

PARQUE NACIONAL DE CHAPADA DOS GUIMARÃES
Tem 70% de sua área localizada no município de Cuiabá, com acesso pela rodovia MT-251 (Rod. Emanuel Pinheiro) .
Um lugar onde a cada expressão do escultor Mor, em suas terras formam -se as mais lindas e encantadoras cachoeiras, onde seus riachos de águas cristalinas jorram no chão em exuberância e magia.

QUEDA D'ÁGUA VÉU DE NOIVA
Marco preponderante do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, na divisa dos municípios de Cuiabá e Chapada dos Guimarães, com 75 m de queda livre em vale de rara beleza.

PORTÃO DO INFERNO
No Parque Nacional de Chapada dos Guimarães município de Cuiabá, despenhadeiro que atrai o turista pela sua magnitude.

RIO MUTUCA E RIO CLARO
Localizados na rodovia que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães, ótimos locais de banho em água cristalina distante de Cuiabá 36 Km. Início do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, em Cuiabá.

SALGADEIRA
Área urbanizada com córrego e queda d'água de 15m. Possui um terminal de turismo social e de lazer com restaurantes, instalações sanitárias, área gramada e de acampamento. Distante 46 Km de Cuiabá, em seu município, no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães.

COXIPÓ DO OURO
Antigo Arraial da Forquilha, onde se encontra a primeira igreja de Mato Grosso, Nossa Senhora de Penha de França. Banhado pelo Rio Coxipó, local de lazer da população Cuiabana.

RIO CUIABÁ
Rio de integração regional, canal de desenvolvimento econômico. Acesso fluvial de Cuiabá ao Pantanal, ótimo para passeio de barco. Rio de grande pisicosidade. Às suas margens avistamos monumentos históricos como as antigas usinas do ciclo da cana-de-açúcar.

ZOOLÓGICO
Instalado em uma área no campus universitário com animais e aves do pantanal de Mato Grosso para estudo e pesquisas.

HORTO FLORESTAL
Localizado às margens do rio Coxipó, no bairro Coxipó da Ponte. Ótimo para apreciação de flora e local de pesca.

MORRO DA LUZ
Localizado no centro de Cuiabá, com belos jardins e espaços para o lazer contemplativo.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

DEVAGAR COM O ANDOR...(30/01/2009)


Mal se passou uma semana da posse majestosa de Barack Obama e o presidente americano segue enchendo os olhos (e ouvidos) de ambientalistas e de analistas do movimento da sustentabilidade mundo afora. Seu discurso de posse foi pontuado por sentenças pró energias renováveis - “Vamos fazer uso do sol, dos ventos e do solo para mover para abastecer nossos carros e mover nossas indústrias”, disse, entre outras referências à crise ambiental.

Além de falar, Obama começou a agir. Nesta segunda-feira, incomodou a indústria automobilística ao pedir à Agência de Proteção Ambiental americana (EPA) que permita que cada um dos estados teça sua própria legislação sobre padrões de eficiência energética dos carros. A idéia é que cada estado crie suas normas e que estas sejam mais rigorosas que as leis federais, como vinha pleiteando a Califórnia, de Schwarzenegger.

Também pediu às montadoras que se dediquem a fazer carros menos beberrões - o uso de gasolina representa quase a metade do consumo diário de petróleo dos EUA. “Vamos assegurar que os carros econômicos do futuro serão produzidos na América”, decretou. A indústria automobilística, que por anos lucrou com os SUVs, chiou, dizendo que os carros econômicos que o presidente pediu são os que menos dão lucro. Os republicanos também não gostaram.

Ponto para Obama. Antes da posse, montou um notável time ‘verde’, com um Nobel à frente da pasta de Energia. Steven Chu se notabilizou por seus estudos envolvendo o etanol a base de celulose, e foi parceiro do nosso José Goldemberg.

Mas é bom manter um certo ceticismo acerca do desempenho de Obama no que tange à sustentabilidade. E por duas razões principais. Primeiro, porque, por mais bem-intencionado que esteja, o presidente americano não governa sozinho. Há o Congresso, a oposição republicana e um sem-número de lobistas de plantão (da indústria do petróleo e automobilística aos montes, inclusive).

Ele não era ‘verde’

Segundo, porque não há garantias de que a ascensão de Obama ao poder fará com que a maior ecomomia do mundo tope assinar o Protocolo de Kyoto, ou o documento que o irá substituir, ao final deste ano. De novo o Congresso americano. E vale lembrar que, enquanto senador, Barack Obama votou contra a ratificação do acordo sobre o clima - não foi George W. Bush que vetou Kyoto, e sim o Senado americano, por 95 votos a 0. A justificativa era que reduzir as emissões de gases de efeito estufa traria um impacto significativo à economia dos EUA.

É possível que Obama tenha realmente se convertido à causa verde - e ele dá mostras de que está sensibilizado para essas questões. Em seu discurso de posse, ponderou que “não podemos consumir os recursos do mundo sem nos preocuparmos com seus efeitos. O mundo mudou, e nós precisamos mudar com ele”. Mas não houve ainda um questionamento firme sobre o quão predatório é o padrão de consumo americano, já que seu plano para levantar a economia dos EUA inclui incentivos para que a população volte a consumir.

Devagar com o andor - o santo Obama é de barro.
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FONTE : Andrea Vialli é jornalista com especialização em sustentabilidade pela Schumacher College, do Reino Unido. Desde 2004 escreve uma coluna voltada para o tema no caderno de Economia&Negócios do Estadão.

Tartarugas que comem sacolas plásticas

Há 7 espécies destes répteis marinhos, ocasionalmente as Tartaruga-comum/boba/cabeçuda e Tartaruga Verde dão à nossa costa. Conseguem mergulhar a grandes profundidades durante horas mas têm que vir à superfície encher os pulmões de ar e aí podem ficar presas em redes "fantasma" da pesca abandonadas, fazendo companhia a outros peixes e mamíferos marinhos que assim morrem de fome ou asfixia, ingerir sacos plásticos que confundem com medusas, para além de outras ameaças a que estão sujeitas nas praias de desova como caça para venda da carne (sopa) e carapaça (artefactos), captura dos ovos e juvenis por predadores e para venda ilegal, pisoteio dos ovos por veraneantes, demasiadas luzes nas praias que as desorientam ou obstáculos que lhe impedem a progressão na praia morrendo por insolação. Se já cá estão há 250 milhões de anos, não vamos agora contribuir para a sua extinção! Um pequeno gesto: rejeitem sacos plásticos, usem os de pano. -filmado na Estação Litoral da Aguda-VNGaia

Os perigos dos sacos de plástico

PLÁSTICO A PARTIR DA CANA-DE-AÇÚCAR

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

PARIS, A CIDADE VERDE

O programa Bom Dia Brasil, da Globo, exibiu uma matéria sobre Paris, a cidade luz, que também é verde.
A capital da França tem 400 praças e parques e este número deve seguir crescendo. Além disso, as novas construções, as moradias sociais, são feitas para otimizar e economizar energia. Há até um jardim no terraço deste tipo de prédio que capta a água da chuva.

>>>Assista ao vídeo:

Golpe de R$ 30 milhões com madeira ilegal no Pará

Um golpe que renderia R$ 30 milhões com extração ilegal de 20 mil árvores foi o que mostrou a reportagem, veiculada no Jornal Nacional do dia 26 de janeiro.

A fraude que ocorreu no Pará teve conivência comprovada de quem deveria combater esse tipo de crime.

Funcionários da Secretaria do Meio Ambiente do Pará receberam propina para autorizar extração em áreas impróprias.

O esquema funciona assim: os madeireiros retiram árvores de áreas próximas dos assentamentos do Incra – onde o manejo florestal sustentável é autorizado – com apoio dos funcionários da Secretaria do Meio Ambiente, depois incluem a quantidade de madeira nos papéis que certificam como extraída legalmente dos assentamentos.

>>> Assista à matéria:

FONTE : Paula Sperb (MISSÃO VERDE- clicRBS)

Papa-Pilhas recolheu 29 toneladas em dois anos


Em Porto Alegre, 29 toneladas e meia de pilhas e baterias foram recolhidas na Capital pelo Programa Real de Reciclagem de Pilhas e Baterias- Papa-Pilhas, desenvolvido pelo Banco Real, com licenciamento da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), entre 1º de janeiro de 2007 a 31 de dezembro de 2008.

– Esses dados refletem a conscientização da comunidade quanto à importância do descarte correto desse material, tendo em vista tratar-se de resíduos classe 1, perigosos – disse o secretário Professor Garcia.

Mais números:

- o mercado brasileiro consome 1 bilhão e 200 milhões de unidade de pilhas por ano

- desse total, 800 milhões são originais e 400 milhões são ilegais.

- apenas 1% da quantidade de pilha consumida é processada e tem um destino ambientalmente correto.

Curiosidades

- compostas de produtos químicos tóxicos e poluentes, as pilhas e as baterias podem vazar quando são descartadas em recipientes não-adequados.

- para serem recicladas, as pilhas são queimadas em fornos industriais de alta temperatura, dotados de filtros que impedem a emissão de gases poluentes, obtendo-se assim sais e óxidos metálicos que são utilizados na indústria de refratários, vidros, tintas, cerâmicas e química em geral.
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FONTE : Paula Sperb (MISSÃO VERDE - clicRBS)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Florianópolis tem indícios de maré vermelha - 27/01/2009



FOTOS : moluscos sendo examinados em laboratório pelos técnicos; vista aérea de uma maré vermelha.
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Produção do Ribeirão da Ilha está proibida de ser comercializada

A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) registrou indícios de foco de maré vermelha, no bairro Ribeirão da Ilha, no Sul da Ilha de Santa Catarina.

Como medida preventiva, a Vigilância Sanitária, por orientação da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (Seap) e da Epagri, determinou que não se faça a comercialização de ostras, mexilhões, berbigões, vieiras, camarões e siris produzidos no bairro.

A medida é válida para moluscos colhidos a partir da última sexta-feira, dia 23. Amostras foram coletadas e foram enviadas para análise nos laboratórios da Universidade do Vale do Itajaí (Univali). Os resultados tinham previsão de ficarem prontos na noite de ontem.

Segundo João Guzenski, coordenador de maricultura da Epagri, o problema pode não ter afetado apenas os moluscos de cultivo. De acordo com ele, o molusco do costão também pode estar contaminado. Neste caso, toda a cadeia marinha poderá estar contaminada, ou seja, siris, caranguejos e peixes herbívoros.

A notícia de uma possível ocorrência de maré vermelha causa apreensão nos produtores, que temem novos prejuízos. Em abril do ano passado, a Ilha de Santa Catarina e parte do Litoral foram atingidos pelo fenômeno.

Na época, a venda foi suspensa por quase um mês. Os produtores, revendedores e restaurantes que trabalham no setor tiveram sérios prejuízos. Mesmo após a liberação da venda, os consumidores ficaram receosos e a situação demorou a se normalizar.

A maré vermelha se dá pela floração de microalgas que liberam toxinas nocivas à saúde humana. Estas toxinas são filtradas pelos moluscos. O consumo de moluscos contaminados pode causar distúrbios gastrointestinais, vômito, náusea, diarreia e dores abdominais.
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FONTE : Diário Catarinense (27 de janeiro de 2009, N° 8328)

FILME : exemplo de maré vermelha na Bahia.

A CIDADE DAS MENINAS



FOTO : Aula de caratê em Jardim Olinda (à esq.): elas dominam a classe.
À direita, a dona-de-casa Ana Schmitz e cinco de suas seis filhas:
"Tentei demais ter um menino, mas desisti"
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Em Jardim Olinda, no Paraná, nascem muito mais
mulheres do que homens. Um estudo revela que
o motivo é a contaminação da população por
agrotóxicos. Eles desequilibram o sistema endócrino,
favorecendo o nascimento de bebês do sexo feminino

Na cidade de Jardim Olinda, no norte do Paraná, com 1 600 habitantes, há mais garotas do que garotos jogando futebol nas ruas. A maior parte das famílias tem mais mulheres do que homens e, nos fins de tarde, é comum ver grupos só de irmãs sentadas na frente das casas. Essa predominância feminina ocorre porque há duas décadas nascem muito mais meninas do que meninos em Jardim Olinda. Em 2005, só 32% dos nascimentos foram de homens. No ano anterior, apenas 26%. Na média dos últimos sete anos, 61% dos partos trouxeram à luz bebês do sexo feminino. O fenômeno não é obra do acaso. Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública mostra que em Jardim Olinda e em outras sete cidades do norte paranaense essa supremacia ocorre por causa da contaminação da população por agrotóxicos. Algumas substâncias presentes nesses produtos são confundidas com hormônios pelo organismo, desequilibrando o sistema endócrino e favorecendo a fecundação por espermatozoides com carga genética feminina. Entre os produtos com maior potencial de influir no sistema endócrino estão os inseticidas à base de cloro, como o DDT e o BHC. Na década de 80, esses inseticidas foram aplicados largamente nas plantações do norte do Paraná, deflagrando um processo que culminou na disparidade entre o nascimento de homens e mulheres. "Com grande resistência à decomposição, os pesticidas se acumulam no lençol freático e entram na cadeia alimentar humana por meio da água e dos animais que comem plantas contaminadas", explica o toxicologista Sergio Rabello, da Fundação Oswaldo Cruz.

Parte dos agrotóxicos usados no passado só agora produz efeitos nocivos. "Toneladas de BHC, enterradas pelos agricultores décadas atrás, estão chegando aos rios", diz Rasca Rodrigues, secretário do Meio Ambiente do Paraná. Embora proibidos há vinte anos, os pesticidas organoclorados ainda são usados clandestinamente e poluem os rios paranaenses – em agosto, a cidade de Arapongas teve o abastecimento de água cortado por causa da contaminação por agrotóxicos. Os irmãos Otaviano e José de Lima Pereira, agricultores, moram desde pequenos a 70 metros da roça. "Aos 12 anos eu já aplicava veneno nas plantações de algodão duas vezes por semana", diz Otaviano. Ele hoje tem dois filhos – duas meninas. Na casa ao lado mora o irmão, pai de quatro filhos (três são garotas). "Tentei até demais ter um menino, mas desisti", conta a dona-de-casa Ana Schmitz, mulher de boia-fria e mãe de seis filhas. O desequilíbrio entre os sexos altera a rotina dos moradores de Jardim Olinda. "Só dá mulher nos bailes", diz Cleuza Antonia de Oliveira, coordenadora do Clube de Mães da cidade, que tem duas filhas, um filho e três netas. "Não fossem os homens de fora, nós estaríamos perdidas", brinca a atendente da única farmácia do município, Edivaneide Marcelino. Entre os quarenta alunos da aula de caratê da prefeitura, 25 são garotas.

A pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública foi feita no Paraná porque o estado é o único que dispõe de dados sobre a venda de agrotóxicos nas décadas passadas, mas supõe-se que o mesmo fenômeno ocorra em outros lugares do Brasil. Um relatório divulgado em dezembro pela ONG inglesa Chem Trust, baseado em duas centenas de estudos internacionais, mostra que já houve aumento anormal da população feminina em regiões da Itália, Rússia, Canadá, Estados Unidos e Japão. O relatório informa que vários animais também têm seus hormônios afetados por causa do contato com determinados produtos químicos, entre eles os peixes, os sapos e as rãs. "Os vertebrados têm receptores hormonais parecidos. Por isso a alteração no sistema endócrino é comum a várias espécies", disse a VEJA a bióloga Gwynne Lyons, autora do relatório. Para as mulheres de Jardim Olinda, a expressão "está faltando homem" é uma dura realidade.
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FONTE : Leandro Narloch, de Jardim Olinda (VEJA.Edição 2094, 7 de janeiro de 2009)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

PARA VOCÊ REFLETIR...

ANA ECHEVENGUA ENTRA COM AÇÃO CAUTELAR CONTRA PREFEITURA DE SÃO JOSÉ, SC


A advogada ANA ECHEVENGUÁ entrou com ação cautelar perante a Vara de Fazenda Pública de São José (SC). Consta no processo de no. 064.07.003590-7 que a requerente é a Ambiental Acqua Bios, que tem Ana Cândida Echevenguá como advogada, e o requerido é o Município de São José (SC). O município de São José fica ao lado de Florianópolis (SC).

São palavras da advogada ANA : “Quando o eleitor catarinense da cidade de São José, na Grande Florianópolis, foi às urnas escolher os governantes do seu município pensou que estes defenderiam seus direitos, em especial seu bolso. O bolso dele, eleitor; e não o bolso dos governantes. Mas, no início de 2007, tiveram certeza de que isso não acontece. Entenda o “causu”: A Prefeitura decidiu acabar com a ‘Taxa de Coleta de Resíduos Sólidos’, que era cobrada no carnê do IPTU, e instituir uma tal de TCL (Tarifa de Coleta do Lixo), que passou a ser cobrada em carnê diferenciado. Quem não sabe do que estou falando, e pensa que esta mudança melhorou a vida do usuário, enganou-se. Os reajustes desta taxa chegaram a mais de 85% em alguns casos. Os contribuintes somente tomaram ciência deste “assalto à mão desarmada” quando receberam em suas casas os carnês de cobrança. Felizmente nem todos os eleitos são “farinha do mesmo saco”. Alguns vereadores se insurgiram contra este problema e criaram a CPI do Lixo para apurar o que há por trás desta tarifa. Até agora o contribuinte só tem certeza de uma coisa: ele pagava menos quando a cobradora da taxa era a Prefeitura; no momento em que a concessionária Engepasa passou a cobrar pelo serviço de coleta do lixo, os valores dispararam. Vamos falar de números. Toda a prestação do serviço do lixo custou em 2006, R$7 milhões para São José (quando estes valores eram cobrados nos carnês do IPTU). Em 2007, vai custar R$10,5 milhões. E – dado fundamental - somente os “custos da cobrança” vão render R$ 2,7 milhões para os cofres da Engepasa. Ou seja, para emitir carnês, enviá-los para a casa do usuário e colocar o dinheiro no bolso, a Engepasa receberá uma fatia de mais de 27% do total da despesa que São José tem com o lixo que produz. Matematicamente falando, não precisa ser muito estudado para perceber quem saiu ganhando com esta alteração nas regras do jogo, no apagar das luzes de 2006. A sujeira não apareceu em 2007. Análise superficial de alguns documentos já apurou que o contrato de concessão assinado entre a Prefeitura e a Engepasa em 2003 apresenta sérios problemas. Ele obriga, por exemplo, que esta empresa, além dos serviços de limpeza urbana, realize também a “implantação, operação, tratamento, controle tecnológico e manutenção do Aterro Sanitário, para disposição final de resíduos sólidos”. Mas, até agora, a Engepasa não fez nada disso: ela envia todo o lixo recolhido para o aterro sanitário da empresa Proactiva, em Biguaçu. Quando a imprensa passou a divulgar a inconformidade dos cidadãos, Engepasa e Prefeitura editaram um informativo chamado “Jogando limpo com São José”. Verdadeiro engodo! Quando tentam explicar o porquê do aumento tarifa de coleta de lixo em comparação a 2006, eles tripudiam com a memória do povo de São José (aliás, para muitos o povo não tem memória!!). Dizem o fechamento do ‘lixão’ – usado com a conivência do antigo prefeito - foi a causa do aumento vergonhoso da tarifa. Ora, o ‘lixão’ – que era um crime ambiental a céu aberto - foi fechado no final de 2004 e, desde então, o lixo é depositado em Biguaçu. Juridicamente falando, este DECRETO MUNICIPAL – fato gerador do assalto ao contribuinte - é nulo; já nasceu morto porque fere várias regras e princípios do Direito. A Constituição Federal é clara: não se pode exigir ou aumentar tributo através de decreto: tem que ser por lei. E decreto não é lei; é uma norma imposta pelo Executivo. Além disso, eles deram nome errado aos bois. A lei manda o contribuinte pagar uma retribuição ao serviço de coleta de lixo. E deu a esta obrigação o nome de taxa. A Prefeitura, através de um caminho ilegal, extinguiu uma taxa antiga e criou uma nova taxa batizada como tarifa. Ainda que ela fosse batizada de “Madona”, de “bode expiatório” ou de “Furtando Erias”, continuaria sendo uma taxa. Bote a boca no trombone! Por isso, torna-se imperioso que todos os prejudicados com esta ilegalidade se rebelem; unam-se em associações, ongs, grupos de vizinhanças, acompanhem de perto a CPI do Lixo; enfim, exijam seus direitos... Afinal, o cidadão ainda não sabe a força que tem! Fazendo isso, alguém que se preocupe com a defesa dos direitos dos moradores de São José, e que tenha poder nas mãos, vai suspender a exigência desta taxa apelidada, ou por ignorância ou por má-fé, de tarifa. Porque estamos diante de uma injusta – ilegal e vergonhosa - lesão financeira ao bolso do povo de São José. Por essas, e por tantas outras, o eleitor deve entender a importância de sua escolha na hora de votar. Ana Echevenguá é advogada, presidente da Ambiental Acqua Bios, apresentadora do programa ' Eco&Ação' da TV Barriga Verde/Band (SC) e coordenadora da Academia das Águas

MIRIAM PROCHNOW


A trajetória ambiental de Miriam Prochnow, que teve seu primeiro contato com a questão ambiental na infância, fazendo greve de fome quando seu pai trazia carne de caça para casa e ajudando sua mãe a plantar flores no jardim, se confunde com a trajetória das instituições que ela ajudou a criar e nas quais trabalha.

Em 1987, junto com um grupo de pessoas na cidade de Ibirama (SC), entre elas o marido Wigold B. Schaffer, resolveu fundar a Associação de Preservação do Meio Ambiente do Alto Vale do Itajaí - Apremavi. O que dera inicio a tudo, foi a devastação que ocorria na Reserva Indígena de Ibirama. Todo dia, cerca de 350 caminhões carregados de madeira saíam da Terra Indígena Xokleng em direção às serrarias da região. A indignação era grande

Próximo dali, na Serra da Abelha em Vitor Meirelles (SC), 8.000 araucárias nativas haviam sobrevivido à exploração madeireira. Uma fascinante floresta, que igualmente serviu de motor ao movimento ambientalista que iniciava. Mais tarde se descobriu que essas árvores foram salvas graças à morosidade da Justiça: tramitava de longa data um processo pela posse da área. Miriam e a Apremavi se meteram no meio, não perdendo a Serra da Abelha de vista...

No início não se sabia direito o que fazer para impedir a destruição daquelas matas. Começou-se de forma lapidar: "colocamos a boca no trombone", lembra Miriam.

No início, um Manifesto

Fez-se uma nota de imprensa. Denunciou-se o que se considerava como sendo escândalos ambientais a todas as instituições e órgãos competentes. Começou-se ali a firmar alianças, principalmente com outras ongs, pois uma luta solitária não leva a lugar algum.

Em 1988, veio a FEEC (Federação de Entidades Ecologistas Catarinenses), da qual Miriam foi a primeira Coordenadora Geral. Junto com a FEEC, vieram as discussões à esfera de Estado, as conferências estaduais de meio ambiente, as primeiras audiências públicas de EIA/RIMAs, a participação no Programa Fiscais Voluntários do Meio Ambiente, a organização e profissionalização do movimento ecológico. Miriam pode ser considerada a primeira ecologista profissional de Santa Catarina.

Ampliou-se o leque de atuação, a irreverência do "Prêmio Porco" (concedido pelos ecologistas aos agressores ambientais), mas também o reconhecimento aos benfeitores, através do Prêmio "Qualidade de Vida" são mais do que idéias: marcaram época.

A FEEC conseguiu coletar no final daquela década assinaturas suficientes para protocolar a primeira emenda popular da Constituição Estadual de Santa Catarina. Ainda representando a FEEC, Miriam teve uma participação importante nas reuniões preparatórias da RIO-92 e na construção do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais - FBOMS, fazendo parte de sua coordenação.

Com a criação da RMA (Rede de ONGs da Mata Atlântica), em plena RIO-92, a luta pela Mata Atlântica, o Bioma mais ameaçado do planeta, ganhou uma nova dimensão.
Ameaças

A boca continua no trombone, porque, apesar de reduzida e fragmentada, a floresta ainda não parou de ser derrubada. E iniciou uma parte suja do "jogo": as ameaças de morte. Miriam incomodou muita gente, principalmente madeireiros.

A situação se agravou, Miriam e sua família não se viam mais em segurança: em 1997, Amnistia Internacional lançou uma "Ação Urgente" (Urgent Action).

Tornando a Apremavi uma referência nacional

Na busca da credibilidade, mais do que argumentos, é necessário prática e comprovação de teses. Foi quando a instituição recém-formada decidiu dedicar-se a duas linhas complementares: além das meras denúncias, procurou-se construir argumentos para fundamentar as mesmas. E a oferecer alternativas.

Do que iniciara no fundo do quintal, em 1987, com apenas 18 mudinhas num fundo de quintal da casa da Miriam e do Wigold, evoluiu para um viveiro: o "Jardim das Florestas".

Situado em Atalanta, no Vale do Itajaí (SC), tem capacidade para produzir mais de 600 mil mudas por ano de cerca de 120 espécies nativas diferentes. Graças a este trabalho, a Apremavi se transformou em uma referência nacional na área ambiental. Já ajudou a plantar mais de um milhão mudas nesses 18 anos de trabalho. Não estão nesta conta, outras centenas de milhares de mudas adquiridas e plantadas por terceiros. Plantas usadas principalmente para recuperação de áreas de preservação permanente e enriquecimento de florestas secundárias.

Além do viveiro e da recuperação de áreas, a Apremavi é também uma referência nacional em planejamento de propriedades e paisagens. Neste Programa, são aplicadas as experiências com enriquecimento de florestas secundárias, sistemas agroflorestais, agricultura orgânica e plantios florestais de espécies nativas, com fins econômicos.

Nestes 18 anos mais de 500 proprietários já tem trabalhos implantados nestas áreas. A metodologia de enriquecer florestas secundárias, foi gestada, testada e desenvolvida pela Apremavi e hoje pode ser aplicada em toda a Mata Atlântica.

Ainda em Atalanta, cidade onde Miriam morou durante muito tempo, a Apremavi é responsável por uma experiência muito importante de conservação. No ano de 2000 estimulou o poder público a criar um Parque Natural Municipal: o "Parque Mata Atlântica 2000". Vários projetos de educação ambiental já foram desenvolvidos e recentemente, graças à parceria com uma indústria da região, iniciou-se uma nova etapa na gestão do Parque, em mãos da Apremavi desde 2004.

Dando continuidade

Mas e a reserva indígena? Dezoito anos depois, ela continua na agenda. Na época não foi possível conter a destruição: quase toda a área foi desmatada. Atualmente a Apremavi apóia o desenvolvimento de projetos de recuperação na área.

Já a Serra da Abelha foi transformada numa ARIE (Área de Relevante Interesse Ecológico). Os posseiros que tinham chegado na área para derrubar a mata existente se transformaram em parceiros na preservação da floresta. Hoje lá são desenvolvidos projetos de educação ambiental, desenvolvimento sustentável e turismo ecológico.

O trabalho e as denúncias continuaram. Em 2004, Miriam iniciou a campanha contra a Usina Hidrelétrica de Barra Grande, uma obra construída com base em um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) contendo graves omissões: mais de 5000 ha (50 km²) de Mata Atlântica na divisa entre o RS e SC iriam ser inundados. É muita mata! Tanta, que não se viu: o EIA falava apenas de "árvores esparsas", mostrando fotos de árvores no meio de pastagens, em áreas que nem ao menos iriam ser inundadas (confira). Um crime ambiental que Miriam não se cansou de denunciar. Um livro e um video foram produzidos: "Barra Grande: a hidrelétrica que não viu a floresta".

Tanto trombone incomoda. Os incomodados trocaram o jogo, as ameaças deram lugar à difamação: Miriam foi alvo de uma matéria tendenciosa numa revista de circulação nacional que a entitulou de "Guerrilheira Verde". Em julho de 2005, foi acusada por deputados do Estado do Paraná de fazer parte de uma "quadrilha ambiental", por sua intensa luta em prol da criação de Unidades de Conservação na floresta com araucárias. Também coonhecida como Floresta Ombrófila Mista, essa formação florestal está reduzida hoje a menos de 3% de sua área original.

Miriam hoje é coordenadora geral da Rede de ONGs da Mata Atlântica, que congrega cerca de 300 ONGs. Juntas, trabalham arduamente para conseguir a aprovação do Projeto de Lei da Mata Atlântica e a implantação de projetos de proteção e recuperação desse Bioma.

Aliás, a produção de material educativo é uma das suas atividades preferidas: ajudou a produzir vários vídeos que enfocam os mais variados temas ambientais, além de cartilhas e livros: "A Mata Atlântica e Você - como preservar, recuperar e se beneficiar da mais ameaçada floresta brasileira", "Floresta com Araucárias - um símbolo da Mata Atlântica a ser salvo da extinção", além de várias cartilhas.

Miriam quase não pára. Mas sempre que pode, ela sabe relaxar: adora música e gosta de dançar. Curte acima de tudo um bom violão. Só então, ela deixa o trombone descansar.
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FONTE : http://www.brasiloeste.com.br/noticia/1685/miriam-prochnow

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Crianças em Defesa do Meio Ambiente - RIO 92


Canadense Severn Suzuki da Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente, durante a RIO 92 - Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente eo Desenvolvimento. Com 12 anos à época, ela faz um apelo aos Chefes de Estado presentes na Conferência.

SEM COMENTÁRIOS...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

As incriveis árvores da Ilha de Socrota - YEMEN


Socotra é um pequeno arquipélago formado por quatro ilhas no Oceano Índico,
em frente à costa do Chifre da África. Parece ser um dos poucos paraísos na terra,
onde ainda existe uma importante diversidade biológica com uma rica e diferente
flora e fauna: 37% das 825 espécies de plantas de Socotra, 90% de seus répteis
e 95% de seus caracóis, não existem em nenhuma outra parte do mundo..
Umas das plantas mais estranhas de Socotra é a Dracaena cinnabari,
uma árvore de estranha aparência com formas de guarda-chuva.
Sua seiva, de cor vermelha, era buscada na antiguidade para ser usada na medicina ou na tinturaria.

sábado, 17 de janeiro de 2009

ANA ECHEVENGUÁ


Ana Echevenguá é uma atuante advogada ambientalista, coordenadora do programa Eco&Ação, presidente da ong Ambiental Acqua Bios. Não mede esforços para colaborar na construção de um mundo melhor para esta e para as futuras gerações. Para isso, procura sempre informar, de forma segura, sobre os direitos e deveres de cada um.
Ana Echevenguá tem viajado por todo o Estado de Santa Catarina, constatado e lutado contra inúmeros crimes que agridem o meio ambiente e que afetam, principalmente, as pessoas mais humildes de nosso Estado.
É de sua autoria o artigo "Temos Orgulho da Florianópolis que Temos ?", que transcrevo abaixo.
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"O Brasil busca, há tempos, através de políticas medíocres e pontuais, a solução para a violência, a insegurança, a poluição, a miséria reinante nas cidades.



Embora seja normal a fuga de habitantes da cidade pequena para a grande, ou do campo para a cidade, ainda não existem dados sobre o custo humano, político e econômico disso. E nem se pensa num plano diretor único, abrangente do urbano e do rural.

Uma das tentativas pífias para solucionar estes problemas foi a criação do Ministério das Cidades, em janeiro de 2003, que se ocuparia da reforma urbana. Nasceu com as incumbências definidas:

- fazer com que as cidades efetivamente existam;

- combater as desigualdades sociais, transformando as cidades em espaços mais humanizados, ampliando o acesso da população à moradia, ao saneamento e ao transporte;

- reverter a atual ordem jurídica e urbanística excludente e viabilizar o acesso à terra;

- integrar as políticas de habitação, de transporte urbano, de saneamento básico, de controle do solo e planejamento urbano.

O discurso era candente: o Ministério, ao assegurar o direito à cidade, garantiria água tratada, coleta e tratamento de esgoto e de lixo em cada moradia. E no entorno desta, escolas, comércio, praças e acesso ao transporte público...

Muitos pensaram que finalmente o Estatuto da Cidade, de 2001, seria colocado em prática; e que teríamos cidades alicerçadas em uma lógica urbanística includente. Os holofotes voltaram-se para o Plano Diretor, eleita a melhor ferramenta para fortalecer a política fundiária e colocar nos trilhos o direcionamento econômico e socioambiental de cada pedacinho das cidades.

Estamos em 2008. E continuamos mergulhados no analfabetismo urbanístico, sofrendo com os mesmos problemas oriundos da não prestação dos serviços básicos de saneamento e do crescimento urbano irregular e socialmente desigual.

A nossa bela e cobiçada Florianópolis continua à mercê de uma política urbana local que reitera normas urbanísticas excludentes. E que, no cotidiano, mantém laços com interesses corporativos, através de práticas clientelistas e de compra/venda de projetos de leis, de decretos, de votos para os nossos representantes nos Poderes Executivo e Legislativo. O caos cresce diariamente.

Em Florianópolis, as melhores áreas habitáveis ainda são destinadas para os segmentos de maior renda. O pobre, como no resto do país, continua ocupando as áreas longínquas e/ou inaptas para urbanização (encostas de morros, mangues...).

Não deveria ser assim! Afinal, Florianópolis conta com cidadãos que lutam pela construção de uma nova cultura urbana, que sabem que o problema urbano brasileiro não é de escassez de terra: é do uso ilegal desta e da desorganização do espaço urbano.

Quando Florianópolis vai dizer não a estas estratégias fragmentadoras – impeditivas de pensar na cidade como um todo?

Quando os moradores de Florianópolis vão exigir que seus governantes intervenham sobre o território, para construir uma cidade mais justa?


Quando vamos exigir a garantia do nosso direito constitucional a uma Cidade Sustentável, ou seja, "... o direito à terra ubana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, ao transporte, e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações..." (art. 2o., inciso I da Lei 10.257/2001 – Estatuto da Cidade)."

Retrospectiva 2008: Fúria da Natureza

OS AVISOS DA NATUREZA QUE NINGUÉM QUER ESCUTAR

AS 4 ECOLOGIAS

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Corrosão das leis ambientais


"A Medida Provisória 1.710 é flagrantemente inconstitucional, além de atropelar todo um processo de discussão de regulamentação que se dava no Conama."

Com a promulgação da chamada Lei de Crimes Ambientais, a repressão dos crimes contra a natureza foi indiscutivelmente aprimorada na legislação brasileira. A Lei 9.605 - que também dispõe sobre sanções administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao ambiente - foi assinada em 12 de fevereiro de 1998, mas o projeto tramitava no Congresso Nacional desde o início da década. Anteriormente havia tipificação de crimes contra a pesca, a fauna e outras contravenções penais.

O Código Penal Brasileiro - apesar de não tratar da matéria como exige a crescente ameaça das múltiplas formas de poluição - prevê alguns dispositivos relativos a crimes ambientais. É o caso do artigo 270, que atribui pena de reclusão de 10 a 15 anos para quem envenenar água potável, de uso comum ou particular, conduta considerada crime hediondo pela Lei 8.072/90. A Lei 7.643, de 18/12/87, proíbe a pesca ou qualquer forma de molestamento doloso de cetáceos nas águas territoriais brasileiras, prevendo pena de dois a cinco anos de reclusão. E a responsabilidade criminal por atos relacionados a atividades nucleares está prevista na Lei 6.453/77.

Do introduzido no ordenamento jurídico-ambiental brasileiro pela Lei de Crimes Ambientais, cumpre destacar: os crimes contra a administração ambiental, especialmente no que tange à conduta de funcionário público (artigos 66 a 69); a transformação de algumas contravenções penais florestais em crimes (artigos 38 a 53) e a regulamentação, ainda que tardia, da responsabilidade criminal de pessoas jurídicas, já prevista pela Constituição Federal de 1988 (§ 3º, do artigo 225).

Assim, agrega-se ao Direito Ambiental Brasileiro um entendimento contemporâneo das origens da degradação ambiental no planeta: a poluição é gerada pelo grande capital, o mesmo que exclui a maioria da população de uma vida digna. Merece ainda menção a maior possibilidade de aplicação de penas alternativas (artigos 9º e 23); a viabilidade de decretação da liquidação da pessoa jurídica quando criada e/ou utilizada para permitir ou ocultar crime ambiental (artigo 24) e a descriminalização do abate de animais silvestres para saciar a fome do agente ou de sua família (inciso I do artigo 37).

Biopirataria impune - Não podemos olvidar a criminalização da ação danosa contra o patrimônio cultural. Os avanços da lei seriam maiores caso o presidente da República não tivesse vetado alguns artigos fundamentais para o desenvolvimento ecologicamente sustentável do País. Como o que considerava crime a queimada realizada sem meios para evitar sua propagação. A queimada continua sendo contravenção penal florestal, conforme Lei 4.771, de 15/09/65, que institui o novo Código Florestal.

Outro veto significativo está relacionado ao artigo que considerava crime a biopirataria, impunemente realizada no Brasil, sem a devida coibição do Poder Público (Executivo, Judiciário e Legislativo). Não bastasse a deformação na Lei 9.605/98 pelos vetos citados, o presidente da República, num ato típico de um déspota, editou a Medida Provisória 1.710, de 7/8/98, flagrantemente inconstitucional, uma vez que não preenche os requisitos previstos na Carta Magna para sua edição (relevância e urgência), além de atropelar todo um processo de discussão que acontecia no Conama, ainda que de maneira precária e limitada.

Prazo para poluir - Na prática, a MP 1.710 colocou, inicialmente, à disposição daqueles que atentam contra a lei ambiental, um prazo de dez anos para que adaptações técnicas e legais fossem realizadas. Após protestos, principalmente das ONGs ecológicas, esse prazo foi reduzido para seis anos. Dessa forma, a aplicação da rigorosidade da nova lei ambiental é muito mais um "choro" dos poluidores, de grande ressonância na mídia, do que uma realidade posta no dia-a-dia da política ambiental brasileira.

Além disso, a Lei 6.938, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, em vigor desde 31/8/81, estabeleceu medidas legais de combate à poluição. Assim, o tempo transcorrido já foi mais que suficiente para adaptações, como a implementação de tecnologias limpas. Não precisávamos de mais uma década da MP paternalista.

Caso Bahamas - Um exemplo que ilustra muito bem o acima dito é o caso do derramamento intencional de ácido sulfúrico do navio Bahamas na Laguna dos Patos, junto ao porto de Rio Grande. Esse desastre ecológico gerou também danos sociais, trazendo à tona não só a poluição que descansava nos sedimentos da Laguna dos Patos, mas também a existência de um certo vazio na legislação ambiental, escudo impróprio da Administração Pública na adoção de medidas efetivas de prevenção e mitigação dos prejuízos.

Cabe ressaltar a aprovação por unanimidade, no Consema, de resolução proposta pelo Centro de Estudos Ambientais (CEA), organização ecológica não-governamental, que pretende prevenir e coibir danos sócio-ambientais que outros "Bahamas" possam produzir.

Só com cidadania - No Caso Bahamas, o Poder Judiciário condenou o capitão do navio. Entretanto, os demais agentes envolvidos (pessoas físicas e jurídicas) ainda não tiveram contato com a Lei 9.605/98. Aqui, cabe citar o artigo 54, que considera crime "causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou destruição significativa da flora".

A problemática ambiental no Brasil (e no planeta) não será resolvida com a prisão dos agentes poluidores. A privação da liberdade, em si, de nada serve para a construção de uma nova relação sociedade/ambiente. Precisamos repensar a forma hegemônica mundial de produzir e viver, seja nas cidades ou não, priorizando a educação ambiental transformadora, buscando mudar comportamentos e hábitos, construindo cidadania, não-atingível só por lei ou por decreto e, muito menos, por medidas provisórias.
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FONTE : Antônio C. P. Soleré advogado, especialista em Direito Ambiental, representante do Centro de Estudos Ambientais (CEA) pelas ONGs ecológicas gaúchas no Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) e pelas ONGs ecológicas da Região Sul do Brasil (RS, SC e PR) no Conselho Nacional do Meio Ambiente Ambiente (Conama). O autor agradece pela colaboração a Luis Carlos Figueiredo, advogado, e a Marlise Margô Henrich, tradutora.

“A interdisciplinaridade é uma das principais características da Educação Ambiental” - 16/01/2009


FOTO : professora Berenice Gehlen Adams e seus alunos
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Desde criança, a gaúcha Berenice Gehlen Adams sonhava em ser professora e, graças ao incentivo de seus pais, conseguiu realizar seu sonho. Ela lecionou durante 11 anos. Mas, após o nascimento de seu terceiro filho, decidiu abandonar a sala de aula. Foi quando percebeu que o trabalho com educação fazia muita falta em sua vida. Em1993, Berenice começou a escrever o livro Planejamento Ambiental, editado em 1997. Do livro, surgiu o Projeto Vida – Educação Ambiental, que atualmente é chamado de Apoema. Bere, como é conhecida, é autora de vários livros sobre Educação Ambiental e já participou de diversos congressos, seminários, cursos de atualização para professores, exposições e simpósios educacionais. Nesta entrevista à revista Impressão Pedagógica, ela fala sobre sua carreira, Educação Ambiental e projetos.

Berenice Gehlen Adams – Educação Ambiental, especificamente dentro da escola, é uma nova forma de educar, que traz aos ambientes escolares aspectos socioambientais a serem trabalhados em todas as disciplinas e séries. Isso ocorre por meio de atividades diversas, principalmente de sensibilização, reflexão,pesquisa, dinâmicas e mobilizações, que favorecem uma nova forma de enxergar o mundo do qual fazemos parte.

IP – Quais são os princípios básicos da Educação Ambiental?

Berenice - Os princípios que norteiam as práticas da Educação Ambiental são estabelecidos por documentos específicos, elaborados por diversos órgãos coletivos internacionais, dentre os quais A Carta da Terra, O Tratado de Educação Ambien-Educação Ambiental, tal para Sociedade Sustentável especificamente dentro da escola, é e Responsabilidade Global e a uma nova forma de educar, que traz própria Lei 9.795/99. Mas aos ambientes escolares aspectos destaco os princípios do socioambientais a serem pensamento crítico e inovador, trabalhados em todas as disciplinas por meio do processo perma­e séries. Isso ocorre por meio de nente e continuado de educa­atividades diversas, principalmente ção, e os valores para atrans­de sensibilização, reflexão, formação social, solidarie­pesquisa, dinâmicas e dade, igualdade, respeito e mobilizações, que favorecem uma cooperação. E, principal- nova forma de enxergar o mundo mente, a valorização das do qual fazemos parte. diferentes formas do conhecimento e do ética.

IP – Quais as finalidades da Educação Ambiental?

Berenice – A Educação Ambiental tem como finalidade promover a compreensão da sustentabilidade ambiental e da interdependência econômica, social, política e ecológica em todos os espaços sociais. E, também, difundir a importância das atitudes para proteger e melhorar o meio ambiente em relação ao consumo, à reciclagem e à degradação ambiental, enfatizando e incentivando desde pequenas até grandes ações pró-ambientais, que possam conduzir para novas formas de ver e viver.

IP – Quais as categorias e objetivos que envolvem a Educação Ambiental?

Berenice – A Educação Ambiental se desenvolve basicamente dentro das categorias Consciência, Conhecimento, Atitude, Habilidade e Participação, e sempre com o objetivo de apoiar grupos sociais e indivíduos na sensibilização para questões do meio ambiente global, promover diversidade de experiências e vivências, despertar o interesse e a preocupação com o vivendo e como estamos tratando nosso planeta. Possibilita a tomada de atitudes conscientes, voltadas à cooperação, solidariedade, consumo consciente e reciclagem. É apenas um começo para que possamos iniciar a construção de uma sociedade mais justa e sensível.

IP – Como a Educação Ambiental pode ajudar a salvar o planeta?

Berenice – Ela traz um novo olhar sobre a forma como estamos vivendo e como estamos tratando nosso planeta. Possibilita a tomada de atitudes conscientes, voltadas à cooperação, solidariedade, consumo consciente e reciclagem. É apenas um começo para que possamos iniciar a construção de uma sociedade mais justa e sensível.

A alfabetização ambiental sugere atividades desenvolvidas durante
Preservação e Reciclagem

IP – A Educação Ambiental deve ser uma disciplina ou deve ser trabalhada de forma interdisciplinar?

Berenice – Conforme a Lei 9.795/ 99, que institui a Educação Ambiental no Brasil, ela deve ser uma prática interdisciplinar. A interdisciplinaridade é uma das principais características da Educação Ambiental, portanto, deve-se priorizar sua prática interdisciplinar e orientar a sua inclusão em todas as séries do ensino formal, desde a Educação Infantil até o ensino superior.

IP – Fale sobre o projeto Apoema. Qual sua proposta?

Berenice – O Projeto Apoema – Educação Ambiental (que no início se chamava Projeto Vida) é voltado para a difusão da Educação Ambiental. Ele foi criado em 1993, a partir da elaboração de um livro para professoras, contendo uma proposta metodológica de alfabetização ambiental. Em 1999, o projeto percebe a internet como uma potente ferramenta pedagóciga para ampliar seu alcance e abrangência. O site da Apoema (www.apoema.com.br) já chegou a receber 5 mil visitantes em um dia: um dado significativo para um site educacional que não faz uso de publicidade ou propaganda.

Educadora Berenice Gehlen Adams em ação, com alunos da rede pública de ensino

IP – De onde surgiu a idéia de fazer o projeto?

Berenice – Quando parei de lecionar, em 1992, após o nascimento do meu terceiro filho, senti necessidade de contribuir com a educação de outra forma, já que, com três pequenos em casa e com outra atividade profissional, eu tive que deixar a sala de aula. Na mesma época, acompanhei pela mídia a importante conferência internacional conhecida como ECO-92, no Rio, e foi o que me motivou a elaborar uma proposta educacional que incluísse o meio ambiente nas atividades escolares, desde as séries iniciais. Desta proposta, nasceu o projeto.

IP – Quais são suas principais propostas?

Berenice – Uma das principais propostas do projeto é divulgar e difundir, por meio da internet, a Educação Ambiental de uma forma simples e prática para todos. Recentemente, o projeto oficializou-se como ONG e agora está iniciando algumas ações locais, promovendo encontros educacionais e formações de redes de Educação Ambiental locais e regionais (RS).

IP – Como funciona a alfabetização ambiental?

Berenice – A alfabetização ambiental sugere a inclusão de quatro enfoques nas atividades desenvolvidas durante todo o ano letivo: Ambiente, Ecologia, Preservação e Reciclagem. Para cada enfoque, que representa uma etapa, sugere-se temas específicos que podem ser aprofundados e associados aos conteúdos curriculares das séries iniciais da educação básica (incluindo Educação Infantil), alinhando métodos e processos de alfabetização às questões ambientais. Assim, a criança aprende a ler e, ao mesmo tempo, desenvolve sua consciência crítica em relação ao meio ambiente. É preciso tomar cuidado, porém, para não dar uma ênfase maior aos problemas ambientais; sempre é divulgam ações sobre Educação Ambiental. Ele existe desde 2000 e desse grupo foi criada a revista eletrônica Educação Ambiental em Ação, que pode ser conferida no endereço www.revistaea.org . É um trabalho feito todo pela internet, de publicação trimestral, e que tem dado grande contribuição para as ações de Educação Ambiental de todo Brasil.

IP – O que é o Grupo de Educação Ambiental da internet?

Berenice – É um grupo de pessoas que trocam mensagens e divulgam ações sobre Educação Ambiental. Ele existe desde 2000 e desse grupo foi criada a revista eletrônica Educação Ambiental em Ação, que pode ser conferida no endereço www.revistaea.org . É um trabalho feito todo pela internet, de publicação trimestral, e que tem dado grande contribuição para as ações de Educação Ambiental de todo Brasil.

IP – Qual a proposta da revista?

Berenice – Conforme apresentamos aos que querem colaborar com a revista nas normas de publicação, ela pretende ser instrumento para divulgar, difundir e incentivar ações de Educação Ambiental integradas e de conscientização em todos os espaços sociais. Tem a intenção de mostrar o que muitas pessoas, de diferentes Estados do Brasil e alguns estrangeiros, pensam e fazem para a consolidação da Educação Ambiental. Por fim, pretende ser um jardim de idéias, um solo fértil onde germinem sementes de sensibilização, ação, reflexão, tolerância e confiança na construção de um mundo melhor.
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FONTE : Baixe a REVISTA IMPRESSÃO PEDAGÓGICA e leia na íntegra esta entrevista: http://www.escolainterativa.com.br/canais/19_impressao_pedagogica/IP/IP-43.pdf
(Envolverde/Portal do Meio Ambiente)

Preservação da Amazônia pode evitar eventos climáticos extremos no país - 16/01/2009


A preservação da Amazônia pode evitar eventos climáticos extremos no centro-sul do Brasil, por causa do papel da floresta na manutenção do equilíbrio do clima na América Latina. De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Antonio Nobre, a floresta tem papel fundamental no equilíbrio do sistema hidrológico da região.

“No funcionamento do clima na América do Sul, a Amazônia tem um papel muito grande na exportação de umidade, por meio da atmosfera, dos ventos. As nuvens saem da Amazônia para irrigar as regiões no centro-sul da América Latina: Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, norte da Argentina. Toda essa região depende das águas que vêm da Amazônia”, apontou Nobre em entrevista à Rádio Nacional da Amazônia.

De acordo com dados do pesquisador, por dia, a Amazônia chega a jogar na atmosfera 20 bilhões de toneladas de água em forma de vapor.

O bom funcionamento desse sistema de regulação do regime de chuvas depende da manutenção da floresta em pé, sem desmatamentos, segundo Nobre. “O que está em curso hoje ameaça gravemente o funcionamento dessa máquina gigantesca”, avaliou.

O cientista compara o desmate da Amazônia à retirada de partes do fígado de uma pessoa que ingere muito álcool e depende do bom funcionamento do órgão para se recuperar dos excessos. “A floresta amazônica é como um fígado gigantesco, uma bomba, um pulmão. As árvores têm um papel muito importante no funcionamento da atmosfera, do transporte de água, do clima. E o que estamos fazendo é como cortar um pedaço do fígado, que passa a ter muito menos capacidade de lidar com os abusos, que nesse caso são o aquecimento global e todas as agressões que são decorrentes da atividade humana na Terra”, explicou.

Segundo Nobre, apesar de não ser possível traçar precisamente uma relação direta entre o desmatamento da floresta e as recentes chuvas que atingiram Santa Catarina, por exemplo, a ocorrência de eventos climáticos extremos como esse está relacionada a um desequilíbrio ambiental, que pode ser evitado.

“O que a Amazônia provê não são apenas serviços [ambientais] para o cinturão agrícola, para as hidrelétricas, para a atividade industrial; o que a Amazônia provê é um sistema de estabilização climática que consegue manter a região toda em equilíbrio. Não se tem nem excesso de água nem falta. E também impede que ocorram secas prolongadas, que criariam os desertos”, acrescentou.

Nobre defende que, mesmo diante de incertezas científicas, há fatos suficientes para justificar a demanda urgente pela preservação. “O que a ciência já sabe é mais do que suficiente para comprar várias apólices de seguro. E o seguro se chama proteger a floresta. Estamos destruindo o sistema hidrológico e o clima da América do Sul”, alertou.
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FONTE : Luana Lourenço, da Agência Brasil (Envolverde/Agência Brasil)

O oceano Ártico está bombeando mais calor na atmosfera - 16/01/2009


A calota polar do Ártico nunca foi tão pequena quanto atualmente. Um estudo da WWF apontou que em 2008 o nível de cobertura de gelo do Pólo Norte está inferior aos 4,13 milhões de quilômetros quadrados do ano anterior. A espessura do gelo na região é tão fina que já se prevê que, em alguns dias do verão, o Ártico pode ficar praticamente sem gelo.

“Em comparação com o resto do Planeta, o Ártico é a via rápida para as consequências das alterações climáticas”, disse-nos o professor de Geografia da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, Mark Serreze. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Serreze explicou qual a situação do Ártico e da Antártida hoje, além de falar sobre como o aquecimento global está atingindo o pólo norte e que consequências isso gera para o Planeta. “A cobertura do gero marinho funciona como uma barreira, um isolante, entre a atmosfera quente e o frio bastante intenso abaixo do oceano de gelo. Quando perdemos essa cobertura de gelo sobre o mar, perdemos o isolador. Com isso, o oceano começa o bombeamento de calor na atmosfera, contribuindo para o aquecimento do Planeta”, relatou ele.

Mark Serreze é pós-graduado em geografia e professor e pesquisador da Universidade do Colorado, nos Estado Unidos. É também cientista sênior do Centro Nacional de Monitoramento de Neve e Gelo (NSIDC). Recentemente, desenvolveu uma pesquisa, juntamente com a professora Julienne Stroeve, em que revelou provas importantes de que as temperaturas da região do Ártico estão se elevando numa velocidade maior do que as do restante do mundo.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Em que situação está, atualmente, o degelo do Ártico?

Mark Serreze - Em comparação com o resto do Planeta, o Ártico é a via rápida para as consequências das alterações climáticas. Em setembro de 2008, o nível do mar de gelo foi o segundo mais baixo registrado pelos satélites, apenas um pouco mais elevado do que o registrado um ano antes. O mar de gelo da Groenlândia está começando a derreter por baixo, contribuindo para o aumento do nível do mar. O Permafrost [1] (o solo congelado que subjaz as terras do Ártico) está aquecendo e descongelando. Áreas que antigamente eram desarborizadas estão, hoje, tomadas por arbustos. Essa é a situação geral do Ártico, atualmente.

IHU On-Line - O gelo Ártico pode desaparecer?

Mark Serreze - A capa de gelo do mar Ártico é suscetível ao desaparecimento durante o final do verão e o princípio do outono (nos meses de agosto e setembro) em, provavelmente, 30 anos ou mais. No entanto, ainda haverá gelo no inverno durante séculos, mesmo com o aquecimento global, e este continuará sendo frio e escuro. Porém, o gelo que se forma no inverno vai derreter durante o verão.

IHU On-Line - Por que a temperatura no Ártico sobe mais rapidamente do que o resto do mundo?

Mark Serreze - Há uma série de razões que explicam o motivo pelo qual a temperatura do Ártico irá aumentar mais do que em outras regiões do Planeta, mas o mais importante é o efeito de perda da capa de gelo marítimo flutuante. A cobertura do gero marinho funciona como uma barreira, um isolante, entre a atmosfera quente e o frio bastante intenso abaixo do oceano de gelo. Quando perdemos essa cobertura de gelo sobre o mar, perdemos o isolador. Com isso, o oceano começa o bombeamento de calor na atmosfera, contribuindo para o aquecimento do Planeta. Isso é conhecido como amplificação do Ártico. Observações que fizemos mostram que a amplificação do Ártico já começou.

IHU On-Line - Num plano mais amplo, qual é a situação dos oceanos?

Mark Serreze - Como disse antes, o oceano Ártico está bombeando mais calor na atmosfera e, com isso, todos os oceanos estão aquecendo também. O gelo do mar está sendo “machucado” de duas formas: com o clima quente e com a temperatura mais quente do Oceano Ártico. Ambos significam que o verão tende a derreter mais gelo e o crescimento de gelo no inverno será menor.

IHU On-Line - O Pólo Sul está na mesma situação do Pólo Norte? Qual é o estado atual de gelo no sul dos oceanos?

Mark Serreze - O mar de gelo antártico é o que aumentou ligeiramente, em grande parte em resposta às mudanças na circulação da atmosfera. Não há surpresa alguma nisso. Todos os nossos modelos climáticos mostram que é no Ártico onde os sinais de aquecimento global se apresentarão de modo mais acentuado e que a Antártica vai mudar de forma muito mais lenta. Ao sul, o gelo marinho pode mesmo aumentar por algum tempo. Os céticos com relação às mudanças climáticas gostam de argumentar que, já que a Antártica não está realmente mudando como o Ártico, os cientistas que estudam o clima devem estar errados. Mas são eles quem estão errados, uma vez que, em relação às mudanças climáticas, a Antártida sempre comportou-se muito bem.

IHU On-Line - Em sua opinião, com que perspectiva o homem deve olhar e tratar o ecossistema?

Mark Serreze - Quanto mais tempo esperarmos para enfrentar as alterações climáticas, o problema será pior. Esta questão não diz respeito simplesmente ao aquecimento, mas como este aquecimento mudará o Planeta (como, por exemplo, nos padrões de precipitação), afetando tanto a parte terrestre quanto os oceanos e os ecossistemas.

IHU On-Line - O sistema político mundial está dando que tipo de resposta para o problema dos oceanos e, sobretudo, o problema do aquecimento global?

Mark Serreze - Para que finalmente os nossos líderes eleitos nos Estados Unidos aceitem que o aquecimento global é real e que precisamos fazer algo sobre isso. O aquecimento global é um problema mundial e exige uma solução global. No entanto, os Estados Unidos têm de assumir a liderança em relação às soluções para o aquecimento global. Tenho esperança de que agora finalmente fará isso.
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Notas:
[1] Permafrost é um termo inglês para nomear o tipo de solo encontrado na região do Ártico. É constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congelados. Esta camada é recoberta por uma camada de gelo e neve que, se no inverno chega a atingir 300 metros de profundidade em alguns locais, ao se derreter no verão, reduz-se para de 0,5 a 2 metros, tornando a superfície do solo pantanosa, uma vez que as águas não são absorvidas pelo solo congelado.
FONTE : (Envolverde/IHU - Instituto Humanitas Unisinos)

BIODIESEL FEITO DE ALGAS


Embora, entre as matrizes vegetais, a soja seja a principal base do biodiesel do Brasil, sua escala de produtividade é baixa – de 400 a 600 quilos de óleo por hectare – e tem apenas um ciclo anual. O girassol pode produzir um pouco mais, de 630 a 900 quilos. No entanto, pesquisa realizada no Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) indica que microalgas encontradas no litoral brasileiro têm potencial energético para produzir 90 mil quilos de óleo por hectare.

E, segundo o estudo, elas têm diversas outras vantagens. Do ponto de vista ambiental, o biodiesel de microalgas libera menos gás carbônico na atmosfera do que os combustíveis fósseis, além de combater o efeito estufa e o superaquecimento.

A alternativa também não entra em conflito com a agricultura, pode ser cultivada no solo pobre e com a água salobra do semi-árido brasileiro – para onde a água do mar também pode ser canalizada – e abre possibilidades para que países tropicais (como a Polinésia e nações africanas) possam começar a produzir matriz energética. Além disso, as algas crescem mais rápido do que qualquer outra planta.

“O biodiesel de microalgas ainda não é viável, mas em cinco anos haverá empresas produzindo em larga escala”, estima o biólogo Sergio Lourenço, do Departamento de Biologia Marinha da UFF, responsável pelo estudo.

Lourenço identificou dezenas de espécies com potencial para produzir o biodiesel em larga escala. O problema é que a porcentagem de lipídios de cada alga não é alta – poucas espécies chegam a 20% de concentração. Mas a soja (18%) e o dendê (22%) também concentram baixas quantidades de lipídios. O amendoim concentra 40%.

“Se a matriz tem baixa concentração de lipídios, temos que acumular muito mais massa”, explica o biólogo. Por isso, ele e sua equipe trabalham em métodos para estimular a concentração de lipídios. “Por meio de técnicas de manipulação das condições de cultivo, conseguimos alterar a composição química nos meios de cultura, aumentando assim a concentração de lipídios. Em dez dias a biomassa está apta a ser colhida.”

Há pouco mais de um ano, o projeto vem sendo articulado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Ministério da Agricultura, a Secretaria Especial de Água e Pesca e a Casa Civil, que conduz o Programa Nacional de Biodiesel.

Conversas têm sido feitas com a Petrobras para apoiar o projeto. O financiamento permitiria o cultivo em grande densidade, em tanques de 20 mil litros, primeiramente em uma unidade da UFF, antes de ser levada ao semi-árido. Há também, segundo Lourenço, outra vantagem ecológica nesse cultivo: para fazê-las crescer, é necessário tirar carbono da atmosfera.

As microalgas são usadas há décadas na produção de encapsulantes e na aquacultura, para alimentar peixes e outros animais. Segundo o pesquisador, desde a década de 1970, depois da primeira grande crise do petróleo de 1973, já se pensava na aplicação desses organismos marinhos para a produção de energia a partir da biomassa.

“Perdemos terreno por nunca ter investido o suficiente nessa frente. Hoje, o barril do petróleo custa US$ 70 e já chegou a custar US$ 143 este ano, batendo um recorde histórico. O Brasil tem tudo para se tornar a potência energética mundial. Nos encontramos na vanguarda dos biocombustíveis: além de termos alcançado a auto-suficiência na produção de petróleo, temos o maior programa de álcool do mundo”, destacou.

De acordo com Lourenço, outra vantagem é que, assim como a cana-de-açúcar, matéria-prima do etanol, as microalgas demandam uma área pequena para seu cultivo e podem produzir uma quantidade de biocombustível bem maior.

“A cana-de-açúcar ocupa 2% da área agrícola do Brasil, aproximadamente 45 milhões de hectares. A Embrapa indica que o país tem ainda 100 milhões de hectares que pode ocupar. O programa energético prevê mais 2 milhões de hectares, ainda assim uma fração da área total disponível. Com o cultivo das microalgas ocupando apenas 1% da área que a soja utiliza hoje, pode-se produzir a mesma quantidade de biodiesel que ela produz ao ano”, afirmou.

Algas para aviação - Presidente da Associação Brasileira de Biologia Marinha e autor do livro Cultivo de Microalgas Marinhas: princípio e aplicações (2006), Sergio Lourenço explica que não são todas as espécies de microalgas com potencial para biocombustível, mas conta que aquelas que identificou também poderiam ser aplicadas para a produção do bioquerosene, maior interesse do setor da aviação na atualidade.

Em fevereiro de 2008, um Boeing da companhia aérea Virgin Atlantic fez um vôo entre Londres e Amsterdã movido a bioquerosene à base de óleo vegetal – uma mistura de babaçu e coco. As empresas aéreas gastam 85 bilhões de galões de querosene tradicional por ano e são responsáveis por 3,5% das emissões de dióxido de carbono no mundo.

“O setor tem que diminuir as emissões e pretende trabalhar com uma mistura de 20% de bioquerosene, hoje feita à base de óleos vegetais, com o querosene tradicional, que custa o equivalente a 40% do preço de uma passagem aérea”, disse Lourenço.

Segundo ele, o processo de produção do bioquerosene é semelhante ao do biodiesel – ambas as moléculas estão presentes nas microalgas, com a diferença de que as do biodiesel são maiores.

“Elas têm a mesma classe de moléculas, mas com características químicas diferentes; uma alga descartada para aplicação de biodiesel pode ser usada para bioquerosene”, disse.

Em fevereiro de 2009, o setor aeronáutico estará reunido em Montreal, no Canadá, no Congresso da Associação Internacional de Aviação (Iata) para discutir, entre outros assuntos, o uso das microalgas na produção de bioquerosene. Esse foi também o destaque de um evento promovido pela Boeing em outubro passado.

O projeto da UFF será um dos destaques de um Congresso da Associação Brasileira de Biologia Marinha que será realizado em abril de 2009, na cidade de Búzios, no Rio de Janeiro.

Lei municipal aprova “Prêmio Ecologia e Ambientalismo”


Já está sancionada pelo prefeito Carlos Stüpp, a lei que institui no âmbito do município de Tubarão, o “Premio Ecologia e Ambientalismo”, que será outorgado, anualmente, pela Câmara de Vereadores a pessoas, entidades não-governamentais e empresas tubaronenses que tenham se destacado em ações de interesse na área de preservação do meio ambiente.

O prêmio, em forma de diploma e troféu, será entregue, preferencialmente, no dia 5 do mês de junho, data alusiva a Ecologia: Dia Mundial do Meio Ambiente, em sessão solene no Plenário da Câmara de Vereadores.

Cada vereador poderá efetuar uma indicação por sessão legislativa e a proposição de concessão deverá estar acompanhada de justificativa escrita, que evidencie suficientemente o mérito do homenageado e será submetida à apreciação das comissões competentes.

A lei nº. 3.184, é de autoria do vereador Jefferson Medeiros Brunato.

SOBRE TUBARÃO :

A cidade de Tubarão tem sua localização privilegiada. Próxima ao mar, à serra e às águas termais, é cortada pela rodovia BR-101 e pelo rio Tubarão de sul a leste, que em seu percurso vai desembocar na Lagoa Santo Antonio, em Laguna. É a segunda cidade em população do sul do Estado, sendo importante pólo comercial da região. Tem sua principal atividade econômica ligada ao comércio, à agricultura e à pecuária, com destaque também para empresas do setor de cerâmica. É a cidade sede da Unisul - importante universidade de Santa Catarina.

Conta com duas estâncias termais: da Guarda e do Rio do Pouso; bons hotéis e ainda, passeio turístico ferroviário com locomotiva a vapor (Maria Fumaça) e muitos eventos culturais e esportivos. Apresenta ótima infra-estrutura urbana, hoteleira e gastronômica. Tubarão possui também diversos atrativos culturais, entre eles, o Centro Municipal de Cultura, o Museu Ferroviário e o museu Willy Zumblick, que abriga parte da obra do artista plástico tubaronense.

Epagri conquista dois prêmios de ecologia

A Epagri conquistou dois troféus na décima sexta edição do Prêmio Expressão de Ecologia – a sede de Itajaí venceu na categoria Agropecuária com o case "Controle Biológico do Moleque-da-Bananeira com Fungo Entomopatogênico Beauveria Bassiana" e a Epagri de Lages venceu na categoria Inovação Tecnológica - Setor Público com o case "Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologias Homeopáticas/Fitoterápicas e de Substituição aos Fertilizantes Solúveis". A conquista dos prêmios foi comunicada a Epagri, pela editora Expressão, nesta sexta-feira (12).
O Prêmio Expressão de Ecologia surgiu em 1993, um ano após a Rio Eco-92, e consolidou-se ao longo dos anos como a maior premiação ambiental da região Sul. A edição de 2008 teve o recorde histórico de 164 projetos participantes.
Os cases vencedores do 16º Prêmio Expressão de Ecologia serão retratados no Anuário Expressão de Ecologia 2008. A edição de ecologia estará em circulação em novembro próximo, quando os vencedores serão homenageados em cerimônia de premiação.

O prêmio da Epagri de Itajaí

A Estação Experimental da Epagri de Itajaí conquistou o Prêmio Expressão de Ecologia 2008, com o trabalho sobre controle biológico de praga da bananeira, que já vem sendo desenvolvido há dez anos, iniciado pelo pesquisador Honório Prando e conduzido atualmente pelo pesquisador, o engenheiro agrônomo e entomologista, José Maria Milanez.
Segundo Milanez, o trabalho premiado é sobre um programa de pesquisa e produção do fungo entomopatogênico Beauveria bassiana, empregado no controle biológico da principal praga da bananeira no mundo, a espécie Cosmopolites sordidus, vulgarmente conhecida como moleque-da-bananeira, que, na fase larval, ataca o rizoma da planta e pode causar perdas significativas na produção, se não controlada.

O prêmio da Epagri de Lages

O Laboratório de Homeopatia e Saúde Vegetal da Estação Experimental da Epagri de Lages ganhou o Prêmio Expressão de Ecologia, na categoria Inovação Tecnológica pelo trabalho “Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologias Homeopáticas/Fitoterápicas e de Substituição aos Fertilizantes Solúveis”, desenvolvido por uma equipe de 29 pessoas, entre pesquisadores, apoio técnico e estudantes, com parceria da Cav/Udesc e Uniplac.

A pesquisa vem sendo desenvolvida desde 2004 e atualmente está sendo apoiada pelo Projeto Rede Guarani/Serra Geral, que tem apoio da Fapesc e está sendo executada pelo Laboratório de Homeopatia e Saúde Vegetal. O projeto compreende 35 experimentos distribuídos em 12 subprojetos, nas áreas de Homeopatia Vegetal (Agro Homeopatia), Homeopatia Animal, Adubação não residual. “O prêmio nos dá um estímulo muito grande de continuar a pesquisa em homeopatia aplicada a plantas, animais, solos e água, no sentido da revitalização e cura dos sistemas vivos”, comemora o coordenador do projeto premiado, Pedro Boff que considera a pesquisa em homeopatia como tecnologia de ponta, uma vez que não deixa resíduos químicos no meio ambiente e restabelece o seu equilíbrio dinâmico.
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FONTE : Secretaria de Comunicação EPAGRI (http://www.epagri.rct-sc.br/)

Em Santa Catarina 15 mil casas de João-de-barro são destruídas




"Em Santa Catarina a CELESC - Centrais Elétricas de Santa Catarina - está retirando nada mais, nada menos que 15 mil casinhas de João-de-barro e, todo o estado.

A ação tem autorização do IBAMA e é realizada anualmente. Segundo a empresa, eles estão colocando obstáculos de plástico para evitar que os pássaros morram eletrocutados e também causem curto-circuito na rede de energia.

Em Angelina, cidade onde moro, já presenciei vários pássaros mortos por choque elétrico.
Mas fica a pergunta: Houve um estudo aprofundado sobre o imenso impacto desse "desalojamento" em massa?

No vídeo uma bonita, comovente e dramática cena de um João-de-barro alimentando um chupim que ficou preso no poste."
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FONTE : Fernando José Pimentel Teixeira - 23/07/2008 (http://www.sosma.org.br/blog/blog.php?param=view&blogintID=76&pagina=1)Fernando José Pimentel Teixeira é proprietário da RPPN Rio das Lontras - www.rppnriodaslontras.blogspot.com

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"Fertilizar" os oceanos é a aposta para reduzir CO2 - 14/01/2009


Sob uma avalanche de protestos, um navio de pesquisa alemão carregado com 20 toneladas de sulfato de ferro partiu em direção à Antártica na última semana com o objetivo de injetar o material no fundo do oceano.

A idéia é incentivar o crescimento das algas nesta região pobre em nutrientes, para que capturem mais dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e, assim, mitiguem o aquecimento global. O experimento, batizado de Lohafez, em referência a palavra Hindu loha, que significa ferro, é visto por ambientalistas como uma violação à lei internacional.

Ainda não existem provas concretas sobre a eficiência de tal medida para o clima e nem mesmo das conseqüências para a biodiversidade marinha. Mas, segundo especialistas, um dos efeitos seria a redução de oxigênio na água, que poderia ser ocasionada pela elevada taxa de decomposição do fitoplâncton.

Apesar das críticas de ambientalistas, uma consulta realizada recentemente pelo jornal britânico "The Independent" com 80 cientistas renomados mostra que a maioria concorda que será preciso investir em projetos de geoengenharia, que forcem a absorção de CO2 pela natureza, como o de fertilização dos oceanos, para mitigar o aquecimento global.
Lohafez

A bordo do navio Polarstern estão 50 cientistas da Alemanha, Índia, Itália, Espanha, Chile, França e Reino Unido que partiram de Cidade do Cabo, na África do Sul, no dia 7 de janeiro, em direção ao mar da Escócia, entre a Argentina e a Península Antártica. Eles ficarão em alto mar durante as próximas oito semanas observando a reação dos organismos à colocação do ferro na água.

Os pesquisadores calculam que, se todo o Oceano Antártico fosse “regado” com sulfato de ferro, seriam removidos até um bilhão de toneladas de carbono da atmosfera a cada ano. Para os ambientalistas, contudo, não há justificativa científica para um projeto em tal escala.

A proposta surgiu no início da década de 90 e, desde então, cinco experimentos já foram realizados. Em 2007, a empresa Planktos levantou a ira de ambientalistas ao anunciar que colocaria ferro nas águas da costa das ilhas de Galápagos. Segundo as organizações ambientais, o projeto afetaria a base da cadeia alimentar do ecossistema, que são os plânctons, o que poderia trazer conseqüências devastadoras. Devido à má publicidade, a empresa fechou as portas e os planos para a costa do Equador nunca se concretizaram.

Moratória da ONU

Na Convenção de Diversidade Biológica das Nações Unidas realizada no ano passado, os 191 países que a compõe concordaram em fazer uma moratória contra todas as atividades de fertilização dos oceanos.

Segundo a Nature, diversas empresas dos Estados Unidos e da Austrália planejavam seqüestrar carbono desta maneira e, assim, vender as neutralizações no mercado de créditos de carbono.

Uma estimativa feita por especialistas em políticas marinhas dos Estados Unidos mostra que se as reduções de emissões de gases do efeito estufa promovidas pela fertilização dos oceanos geraria até US$ 110 bilhões em créditos de carbono. Porém, este tipo de projeto ainda não é aceito nos atuais esquemas de comércio.

Riscos ambientais

Os ambientalistas que fazem campanha contra o Lohafex argumentam que o experimento de 300 quilômetros quadrados não deveria receber permissão por não estar dentro das regras estabelecidas pela convenção - não é de pequena escala e nem está restrito ao litoral.

A diretora do Centro Africano para a Biosegurança de Johannesburg, Mariam Mayet, afirma que o projeto é retrógrado. Mayet tentou pedir ao ministro do meio ambiente da África do Sul que impedisse a saída do navio, porém não obteve sucesso.

O Instituto de Pesquisa Polar e Marinha de Alfred Wegener, responsável pelo Polarstern, nega que o experimento desrespeite a moratória das Nações Unidas.

Segundo a diretora do Instituto, Karin Lochte, o estudo irá analisar a biologia marinha, o fluxo de partículas de carbono e irá tirar dúvidas sobre o impacto a biodiversidade. “Estas são exatamente as informações que precisamos para dizer se um projeto em larga escala de fertilização dos oceanos é justificado”, disse à revista Nature.
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FONTE : Paula Scheidt, do CarbonoBrasil (Com informações da Nature, New Scientist e Wired)


(Envolverde/CarbonoBrasil)

Gado na Amazônia aumentou 88% em 16 anos, alerta estudo - 14/01/2009


Crescimento foi motivado pela ocupação de terras ilegais e créditos subsidiados.

Relatório divulgado nessa terça-feira (13/01) pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon) mostra que o rebanho bovino na Amazônia Legal representa 36% do gado em todo o país, um crescimento de 88% entre 1990 e 2006. Denominado "A Pecuária e o Desmatamento na Amazônia na Era das Mudanças Climáticas", o estudo revela que a pecuária é a principal ocupação das áreas desmatadas na Amazônia e que deve ser prioridade das políticas públicas para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

"Entender a pecuária é peça chave para entender o desmatamento", comenta um dos pesquisadores responsável pelo estudo, Paulo Barreto. Segundo ele, um dos fatores importantes para entender a expansão é o crédito subsidiado. "Tem fatores bem regionais ligados aos créditos subsidiados, mesmo que esse crédito não seja destinado oficialmente existem estudos mostrando que tem uma relação com o desmatamento", afirma Barreto.

Outro fator considerado chave para entender a expansão da cultura é a ocupação irregular da região, "nas fronteiras da Amazônia a pessoa forma uma fazenda e começa a atividade ocupando uma terra pública indevidamente, isso faz com que o lucro seja anormal e facilita uma expansão maior na região" esclarece o pesquisador.

Para Barreto, a perspectiva é que a demanda mundial por carne seja ainda maior. "A tendência é que aumente, porque há países que estão crescendo economicamente e que estão consumindo mais carne", afirma ele, baseando-se nas projeções da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

De acordo com o pesquisador, é possível encontrar uma solução para aumentar a produção sem que seja preciso desmatar novas áreas. O governo vem tomando essas ações, mas em 2006, as medidas para reduzir o desflorestamento tiveram poucos resultados, pois a redução da taxa de desmatamento foi concomitante à queda de preços do gado e/ou da soja, segundo aponta o relatório. O aumento do desmatamento no fim de 2007, associado ao aumento de preço do gado e soja, levou o governo federal a reforçar medidas contra o desmatamento em 2008. Barreto afirma que em junho e julho estas medidas começaram a repercutir, mas que ainda não existe um estudo sobre isso.

Destino da carne

A produção de carne a partir de gado da Amazônia ficou em torno de 2,8 milhões de toneladas em 2005, segundo o estudo. Estima-se que os frigoríficos que passaram pelo Serviço de Inspeção Federal destinaram 95% da produção para o mercado nacional e 5% para outros países.

Dois milhões de toneladas, ou 71%, foram processados por 65 frigoríficos inspecionados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) conforme o levantamento de campo realizado em 2005 e o restante, cerca de 800 mil toneladas, foi comercializado como boi vivo e a carne processada por frigoríficos com inspeção estadual e por matadouros informais.
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FONTE : Aldrey Riechel, do Amazônia.org.br (Leia o estudo: A Pecuária e o Desmatamento na Amazônia na Era das Mudanças Climáticas)(Envolverde/Amazônia.org.br)