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quinta-feira, 22 de março de 2012

31/03, Hora do Planeta 2012: apague suas luzes para mostrar que você se importa

© WWF-Brasil

Está chegando a hora de se unir a milhões de pessoas no mundo para mostrar sua preocupação com o meio ambiente. Março é o mês da Hora do Planeta, o movimento global promovido pela Rede WWF em que a população de países do mundo inteiro apaga as luzes em um ato simbólico contra o aquecimento global e os problemas ambientais que a humanidade enfrenta.
Pelo quarto ano consecutivo, o WWF-Brasil convoca a sociedade brasileira a participar da Hora do planeta e em 2012, a campanha conta com patrocínio do Pão de Açúcar e da TIM. O Rio de Janeiro será, mais uma vez, a cidade-âncora da campanha brasileira. Ícones da paisagem carioca, como o Cristo Redentor, a igreja da Penha, o Monumento dos Pracinhas, a orla de Copacabana e o Arpoador, ficarão apagados das 20h30 às 21h30, no dia 31.
Além do Rio, a capital do Mato Grosso do Sul, Campo Grande, confirmou sua participação e cidades no estado de São Paulo, Goiás, Paraná, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Bahia também anunciaram a adesão. No ano passado, 123 municípios, entre eles 20capitais, aderiram ao movimento, o que tornou o Brasil o país com o maior número de cidades engajadas à Hora do Planeta.
“Neste ano, a Hora do Planeta no Brasil terá um componente especial: a Rio+20, que acontece em junho. O país será anfitrião da conferência mundial da Organização das Nações Unidas que debaterá o desenvolvimento sustentável. O ato de apagar as luzes no dia 31 será mais uma forma de mostrar ao mundo que nós, brasileiros, queremos um futuro com desenvolvimento econômico que respeite os limites do planeta e gere inclusão social”, explica a superintendente de Comunicação e Engajamento do WWF-Brasil,Regina Cavini.
O engajamento para a Hora do Planeta 2012 já começou. Além dos patrocinadores, a ação conta com iniciativas desenvolvidas por parceiros que aderiram ao movimento. A Eldorado será a rádio oficial pelo quarto ano e veiculará, a partir da próxima semana, spots produzidos com exclusividade.
Outras ações de mobilização estão sendo colocadas em prática como apagar as luzes de suas sedes ou unidades, programação cultural específica voltada para o evento, divulgação e campanhas junto a clientes, colaboradores e seguidores em redes sociais. O HSBC, Mapfre, rede Meliá de Hotéis, Sanofi Farmacêutica, Sesc Teresópolis, Sheraton São Paulo, Shopping Metrô Santa Cruz , Submarino.com, TAM Nas Nuvens, Vivo, são algumas das empresas parceiras.
No mundo, a iniciativa que começou em Sidney na Austrália em 2007 se espalhou para mais 5.250 cidades pelo globo no ano passado e envolveu 1.8 bilhão de pessoas em 135 países nos sete continentes.
Não fique de fora. Participe da Hora do Planeta, apague suas luzes e reflita sobre como você pode mudar seu estilo de vida para ser mais sustentável.
Para mais informações, entre no site do movimento no Brasil: www.horadoplaneta.org.br. Cidades e empresas interessadas em apoiar a iniciativa podem se cadastrar pelo site.

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FONTE : WWF Brasil
EcoDebate, 22/03/2012

Governo lançará três programas para cumprir Plano Nacional de Resíduos Sólidos

O governo vai lançar nas próximas semanas um programa para tratamento de resíduos sólidos baseado em três eixos: Brasil sem Lixão, Recicla Brasil e Pró-Catador. A informação foi repassada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e as ações do programa estão estruturadas no sentido de cumprir as determinações do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, aprovado em 2010.
O primeiro eixo terá ações conjuntas entre estados, municípios e o governo federal e visa a eliminar os lixões de todas as cidades até agosto de 2014. O segundo irá estimular a reciclagem, e o Pró-Catador atuará para estruturar as cooperativas e tornar os catadores um elo importante para o alcance das metas do plano nacional.
O programa está na fase final de elaboração e, de acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, os próximos passos são formatar os aspectos jurídicos e discutir o texto com a presidenta Dilma Rousseff.
Ao falar sobre um dos maiores desafios do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que é a eliminação dos lixões até 2014, a ministra lembrou que, a partir do plano, essa passou a ser uma responsabilidade compartilhada entre os entes federados.
“Esse esforço não é só do governo federal, é de competência também dos estados e municípios e dá a todos a responsabilidade de lidar com a questão do fim dos lixões, de incrementar a reciclagem, a logística reversa, de discutir as regiões do país que não têm aterros sanitários”, disse ontem (21) após participar da abertura do encontro Diálogos Sociais Rumo à Rio+20. A ministra observou também que muitas cidades ainda não têm a infraestrutura para implementar o patamar necessário de reciclagem no país.
Conforme o texto do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, após o dia 2 de agosto de 2014, o Brasil não poderá ter mais lixões, que serão substituídos pelos aterros sanitários. Os aterros vão receber apenas rejeitos, ou seja, aquilo que não é possível reciclar ou reutilizar. Os aterros são estruturas que contam com preparo no solo para evitar a contaminação de lençol freático, captam o chorume que resulta da degradação do lixo e contam com a queima do metano para gerar energia.

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FONTE : Reportagem de Yara Aquino, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 22/03/2012

Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, artigo de Roberto Naime

A palavra gestão engloba uma semântica que significa conjunto de processos e entendimentos para atingir determinado objetivo. Significa gerir, gerenciar e administrar.
Gestão Integrada de Resíduos Sólidos é a maneira de conceber, sistematizar, implementar e manter os sistemas de administração de resíduos sólidos. Para cada situação é necessário identificar as características dos resíduos e as peculiaridades da cultura local, par implantar e implementar ações adequadas e compatíveis com a situação.
Os sistemas de gerenciamento integrado são um processo que inclui as ações desde a geração, acondicionamento, coleta seletiva, triagem gerando inclusão social e renda para catadores e economia de água, energia e matérias-primas para a sociedade. Transporte, transferência, tratamento e disposição final dos resíduos sólidos, além da manutenção da limpeza dos logradouros públicos. Os resíduos industriais, embora sejam de responsabilidade de seus geradores e normalmente tem sido administrados por entidades ligadas a meios empresariais, devem estar inseridos nos sistemas integrados de gerenciamento.
A gestão integrada dos resíduos sólidos é um dos elementos do saneamento básico. Os objetivos gerais da gestão de resíduos deve ser a obtenção da máxima redução na geração, no aumento das ações de reutilização e reciclagem e o tratamento adequado para disposição final. Estas metas estão inseridas dentro do contexto de abrangência e universalização.
Neste contexto é extremamente importante as funções de educação ambiental e antes disso até a sensibilização ambiental, de forma que o trabalho integrado exige a participação da área educacional do município de forma sistêmica e não espontaneísta.
A visão sistêmica da gestão integrada dos resíduos sólidos busca integrar todos os procedimentos de saneamento básico dentro de uma visão de sustentabilidade abrangente, envolvendo as dimensões de equidade social, viabilidade econômica e qualidade ambiental.
O gerenciamento integrado dos resíduos sólidos implica numa harmonia entre as decisões políticas, normativas, operacionais e financeiras para a questão. Não é necessário a extensão de exemplos, mas é mais que comprovado que a existência de recursos financeiros sem gestão correta e sistêmica produz estragos quase tão grandes quanto a ausência de recursos.
A questão central é a necessidade de montagem e operação de um sistema de gestão integrado, permanente, eficiente e com desempenho mensurado permanentemente.
O art. 23, incisos VI e IX e o art 30, incisos I e V definem competências comuns da União, estados, distrito federal e municípios pela preservação do meio ambiente, controle de poluição e atribuição municipal de legislar sobre assuntos de interesse local como limpeza pública.
A concepção dos sistemas de gerenciamento integrado de resíduos sólidos sempre deve ser pública, mas a operacionalização pode ser diretamente administrada pela municipalidade ou através da criação de empresa de economia mista para este fim ou terceirização dos serviços.
O primeiro diploma legal sobre meio ambiente no país foi a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, que no inciso I do Art 3 define meio ambiente como “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Esta conceituação, muito influenciada por definições apreendidas da área da biologia tem prosseguimento no Art 225 da Constituição Federal (CF).
Neste artigo, a Constituição Federal explicita que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”, estabelecendo no parágrafo 1 incumbências ao poder público e discriminando especificidades nos demais parágrafos.
Atualmente o país conta com uma lei nacional instituindo a política nacional de resíduos sólidos (Lei 12.305). É inspirado nesta lei que o consórcio de saneamento básico dos municípios da bacia hidrográfica do vale do rio dos Sinos desenvolve sua estratégia quando a questão de resíduos sólidos.
Avaliar a realidade concreta de cada município para que se formulem posteriormente políticas integradas de gestão de resíduos sólidos que atuem no sentido político de desenvolver o processo de implantação e melhoria permanente dos princípios da Lei 12.305 na região, propiciando a médio e longo prazo melhorias relevantes na qualidade de vida de todos os habitantes dos municípios integrantes da bacia hidrográfica, num contexto de ações integradas de saneamento básico.

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FONTE : Dr. Roberto Naime, Colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
EcoDebate, 22/03/2012

terça-feira, 20 de março de 2012

Barragens: um dilema social. Entrevista com Judite da Rocha, do MAB

“Considerando esse modelo de desenvolvimento, que não leva em conta as populações atingidas e o meio ambiente, questionamos o discurso do governo de combater a pobreza. Percebemos que nas regiões onde são construídas as barragens aumenta o número de pessoas vivendo em condições precárias”, assinala a integrante da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB.
Confira a entrevista.
O projeto energético brasileiro, defendido como um dos modelos mais limpos do mundo, gerou um problema social que se arrasta há mais de duas décadas no país: os atingidos por barragens. Atualmente ribeirinhos, pescadores e extrativistas somam 150 mil famílias atingidas pela expansão energética. Dessas, “12 mil famílias não conseguiram readquirir suas terras”, informa Judite da Rocha à IHU On-Line. Na entrevista a seguir, concedida por telefone, ela assinala que aproximadamente 50 mil famílias serão atingidas por conta da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.
De acordo com Judite, um dos maiores dilemas enfrentados pelo Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB diz respeito ao fato de as populações não serem assistidas pelo Estado por meio de uma política pública ou social. “Há 20 anos estamos tentando negociar com o Estado a possibilidade de criar uma política em defesa dos direitos dos atingidos por barragens. Depois de tanta insistência, no final do mandato do governo Lula foi criado um decreto que define o conceito de atingido por barragens. Ocorre que esse decreto ainda não foi implementado”, relata.
Em sua avaliação, Judite diz que o Ministério de Minas e Energia “favorece as empresas construtoras de barragens e tem um olhar negativo em relação aos atingidos. (…) Nas negociações entre Estado, movimento dos atingidos e as empreiteiras, percebemos que as empresas são as mais favorecidas, pois são elas que dão sustentabilidade ao próprio governo e ao Ministério de Minas e Energia”, reitera.
Em virtude do Dia internacional de luta contra as barragens, entre os dias 13 e 15 de março, o MAB promove uma jornada de atividades em diversas capitais brasileiras.
Judite da Rocha é integrante da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Quais são hoje as populações mais atingidas pela construção de barragens?

Judite da Rocha – Atualmente os ribeirinhos, os pescadores e os extrativistas são as populações mais atingidas pelas barragens. A estimativa do Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB é de que, nos próximos anos, mais de 50 mil famílias sejam atingidas por conta da construção da usina de Belo Monte. O nosso maior dilema hoje é o fato de não termos conseguido definir qual é o conceito de atingido, pois ele varia de acordo com os impactos de cada barragem construída.
IHU On-Line – Quais são as principais reivindicações dos atingidos por barragens?

Judite da Rocha – Nossa luta principal é para que a barragem não seja construída, pois sabemos quais são as consequências. Entretanto, quando temos certeza de que uma hidrelétrica será construída, lutamos para que os direitos dos atingidos sejam garantidos.
Ao longo desses anos, conseguimos que algumas famílias tivessem seus direitos garantidos. Nossa luta é para que os atingidos tenham qualidade de vida, acesso à moradia adequada e condições de ter uma vida digna. Também propomos uma discussão a respeito da revisão do modelo energético brasileiro, da implementação do decreto dos atingidos e da não privatização das estatais.
IHU On-Line – É possível contabilizar o percentual de famílias atingidas pelos empreendimentos energéticos? Quais barragens causaram maior impacto ambiental e social no Brasil?

Judite da Rocha – De acordo com um levantamento preliminar do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, 12 mil famílias atingidas por barragens não conseguiram readquirir suas terras. Mas, hoje, os atingidos pelos diversos empreendimentos energéticos passam de 150 mil famílias. Certamente a região amazônica será a mais atingida em função das novas hidrelétricas previstas para os próximos anos. É provável que o número de atingidos venha aumentar.
Entre as barragens que causaram maior impacto, destaca-se o complexo do rio Madeira, no estado de Rondônia; a barragem de Estreito, que está localizada entre o Maranhão e o Tocantins; a Usina Foz do Chapecó, em Santa Catarina; e a barragem de Acauã. Belo Monte também entrará para a lista das hidrelétricas que causaram muitos impactos sociais. Nós continuamos afirmando: “Não a Belo Monte!”, porque não há necessidade de essa hidrelétrica ser construída.
As barragens geram problemas sociais, ambientais e estruturais que não serão contornados com o passar dos anos. O fato de as famílias ficaram sem casa, sem terra, sem comida, sem trabalho, sem ter um local para plantar vem contribuindo para o aumento da pobreza no país.
IHU On-Line – Qual é a postura do Estado brasileiro em relação ao atingidos por barragens? Existe alguma política pública ou política social para as pessoas que perdem suas residências em decorrência desses empreendimentos?

Judite da Rocha – Há vinte anos estamos tentando negociar com o Estado a possibilidade de criar uma política em defesa dos direitos dos atingidos por barragens. Depois de tanta insistência, no final do mandato do governo Lula foi criado um decreto que define o conceito de atingido por barragens. Ocorre que esse decreto ainda não foi implementado.
O Ministério de Minas e Energia, responsável pelo modelo energético, favorece as empresas construtoras de barragens e tem um olhar negativo em relação aos atingidos. Tanto é que no final do governo Lula foi aprovado um relatório de violação dos direitos humanos dos atingidos por barragens, o qual apresentou 16 violações gravíssimas, mas nada foi feito.
Para solucionar essa problemática, propomos que um órgão do governo assuma a questão dos atingidos e garanta o cumprimento dos seus direitos. Por enquanto, nenhum ministério é responsável por tais populações.
Nas negociações entre Estado, movimento dos atingidos e as empreiteiras, percebemos que as empresas são as mais favorecidas, porque são elas que dão sustentabilidade ao próprio governo e ao Ministério de Minas e Energia. Por isso defendemos que o governo e as empresas se responsabilizem pelas populações atingidas.
IHU On-Line – Como avalia a postura do governo, de ampliar o projeto energético brasileiro e construir novas barragens nos próximos anos?

Judite da Rocha – O governo não vai abrir mão da expansão do projeto energético e da construção de novas hidrelétricas na região amazônica, uma vez que elas fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC. Portanto, quando se constrói uma barragem, há uma interligação com outros projetos desenvolvimentistas, tais como as hidrovias, ferrovias e a exploração da biodiversidade da região amazônica. O governo apoia e subsidia essas iniciativas.
Considerando esse modelo de desenvolvimento que não leva em conta as populações atingidas e o meio ambiente, questionamos o discurso do governo de combater a pobreza. Percebemos que, nas regiões onde são construídas as barragens, aumenta o número de pessoas vivendo em condições precárias.
IHU On-Line – Qual é a proposta do MAB para a Rio+20? Como o movimento compreende um dos principais temas a ser abordado na conferência: a economia verde como alternativa para erradicar a pobreza?
Judite da Rocha – Temos clareza de que o governo tem um discurso e uma pré-disposição de fazer o debate ambiental e social na Rio+20. Na prática, não é isso o que está acontecendo. O governo está muito mais preocupado com a mensagem que vai passar para os outros países do que com outra coisa, quer dizer, preocupa-se com a imagem de um Brasil desenvolvido, que tem um modelo energético limpo. No entanto, não mostra o passivo social gerado por esse modelo energético.
Assim, pretendemos mostrar esses impasses na Rio+20 e questionar a propaganda da energia limpa. Na verdade, ela não é sequer limpa, haja vista que dá origem a vários problemas sociais. Falamos em sustentabilidade, mas observamos, por trás da construção das hidrelétricas, uma vasta destruição do meio ambiente e das populações.
IHU On-Line – Em que consistiria uma reestruturação do projeto energético brasileiro?
Judite da Rocha – Nossa proposta é utilizar energia renovável, porque o Brasil tem um potencial de recursos naturais. Mas esse discurso não avança dentro do governo. Hoje sabemos que a construção de barragens é como a exploração de ouro antigamente: é uma atividade muito lucrativa para as empresas, porque o BNDES disponibiliza financiamento a juros baixíssimos.
A sociedade como um todo é atingida pelo atual modelo energético. Quer dizer, não são apenas os atingidos pela construção das barragens que sofrem com a situação. Sabemos da importância da energia, mas também sabemos como impacta negativamente na vida de várias famílias que são atingidas pela construção das hidrelétricas.
 
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FONTE : (Por Patricia Fachin)
(Ecodebate, 20/03/2012) publicado pela IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

Pesquisa revela que abelhas são bioindicadoras de poluição ambiental

Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, revela que as abelhas são bioindicadoras de poluição ambiental. Durante as viagens para coleta de água, néctar e pólen das flores, as abelhas são impregnadas por microrganismos e substâncias químicas presentes na atmosfera, podendo servir de indicador da qualidade do ar.

Partículas suspensas no ar são interceptadas pelas abelhas
O estudo realizado pela bióloga Talita Antonia da Silveira foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Entomologia, com o objetivo de verificar se o pólen apícola coletado por abelhas Apis Mellifera pode ser utilizado como bioindicador de poluição ambiental. Orientado pelo professor Luís Carlos Marchini, o trabalho foi realizado no apiário do Departamento de Entomologia e Acarologia (LEA), contendo na proximidade áreas agrícolas, industriais e urbana, com plantas ornamentais e frutíferas, em um fragmento de mata nativa.
Talita explica que as abelhas operárias realizam viagens exploratórias em áreas que cercam seu habitat, recolhendo o néctar, a água e o pólen das flores. Com isto, quase todos os setores ambientais — solo, vegetação, água e ar — são explorados. “Durante este processo, diversos microrganismos, produtos químicos e partículas suspensas no ar são interceptados pelas abelhas e podem ficar aderidos ao seu corpo ou ser ingeridos pelas mesmas”, explica a pesquisadora.
AnálisesPautado neste fato, os produtos apícolas podem ser usados como bioindicadores para monitoramento de impacto ambiental causado por fatores biológicos, químicos e físicos. “A analise de elementos traço no pólen podem biomonitorar o ambiente em questão. Esse monitoramento com produtos apícolas pode ser uma das formas de prevenir a contaminação ambiental”, afirma.
As abelhas são insetos sociais que contribuem para o ambiente por meio da polinização, ajudam na agricultura e, de quebra, ainda fornecem mel, geléia real, cera, própolis e pólen. Quanto aos resultados obtidos pelo estudo, Talita salienta que o armazenamento de mel e pólen, a postura da rainha e a ocupação dos favos estão sujeitos às variações sazonais, já que as características produtivas e reprodutivas de colônias de abelhas são influenciadas pelo clima e pela disponibilidade de alimento na região em que são criadas.
“As abelhas utilizaram vegetação de diversos tipos presentes no ambiente, aproveitaram as plantas ruderais como fonte de coleta de pólen para manutenção de suas colônias e acrescentaram à sua dieta o pólen de outras plantas arbóreas, arbustivas e herbáceas, conforme o recurso tornou-se disponível na área”, contou a pesquisadora.
“Quanto à interferência do clima nos parâmetros físico-químicos, o estudo mostrou que as condições meteorológicas do ambiente influenciam a qualidade e a coleta do pólen”, conclui Talita.
Mais informações: (19) 3429 – 4199, ramal 220 / 8849-4530 / 8327-3090; email tasilveira@usp.br, com Talita Antonia da Silveira

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FONTE : Matéria de Ana Carolina Miotto, da Esalq/ Agência USP de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 20/03/2012

Neocolonialismo hídrico… artigo de Nelson Tembra

Enquanto a reportagem de Carlos Mendes publicada no “Caderno A 3” do DIÁRIO DO PARÁ deste domingo, 18/03/2012, denuncia que “sem cobrar as mineradoras pelo uso dos recursos hídricos o Estado do Pará ignora R$ 5 bi ao ano”; o Caderno “MERCADO” de O LIBERAL publicou na mesma data, na primeira página: “Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará – SIMINERAL lança Anuário Mineral do Pará”, dizendo que, “pela primeira vez, iniciativa pioneira para o setor incentiva a difusão da cultura mineral no Estado do Pará” com o mote “a informação a serviço do desenvolvimento sustentável da mineração”.
O lançamento do anuário reuniu o vice-governador Helenilson Pontes, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado estadual Manoel Pioneiro, parlamentares federais, estaduais e municipais, prefeitos, secretários de Estado, dirigentes do Consulado do Japão no Pará, do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e de empresas da cadeia produtiva e de mineração. Entre os presentes, estava o diretor de Metais Básicos do Atlântico Sul – Vale (cobre e níquel), Nelcindo Gonsalez (ex-presidente da Albras), e o diretor da siderúrgica Alpa/Vale, José Carlos Soares.
O Blog Espaço Aberto publicou que a Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Pará protocolou pedido na Secretaria de Estado de Meio Ambiente, que determinou à sua diretoria de Recursos Hídricos o fornecimento de cópias de todos os processos de outorga de recursos hídricos, em todas as etapas, para utilização no mineroduto de empresa Hydro S.A., que se estende dos municípios de Paragominas a Barcarena.
Os recursos hídricos – águas superficiais e subterrâneas – constituem bens públicos que toda pessoa física ou jurídica tem direito ao acesso e utilização, cabendo ao Poder Público a sua administração e controle, o que não vem acontecendo no Estado do Pará com relação aos grandes consumidores deste recurso natural em vias de extinção.
Se uma pessoa quiser fazer uso das águas de um rio, lago ou mesmo de águas subterrâneas, terá que solicitar uma autorização, concessão ou licença (Outorga) ao Poder Público. O uso mencionado refere-se, por exemplo, à captação de água para processo industrial ou irrigação, ao lançamento de efluentes industriais ou urbanos, ou ainda, à construção de obras hidráulicas como barragens, canalizações de rios, execução de poços profundos, etc.
Paragominas, no Pará, é a terceira maior mina de bauxita do mundo, com capacidade de produção da ordem de 9,9 milhões de toneladas anuais. O projeto de expansão previsto para atender a demanda da futura refinaria Companhia de Alumina do Pará vai aumentar essa capacidade para 15 milhões de toneladas.
Para que se tenha uma ideia aproximada dos números estratosféricos envolvidos, tomando como referência apenas os dados obtidos do Plano de Gestão de Recursos Hídricos – PGRH para implantação e operação da mina, lavra a céu aberto, e da usina de beneficiamento de minério do Projeto Bauxita de Paragominas, concebido para ter capacidade de produção inicial de 4,5 MTPA (Milhões de Toneladas Métricas por Ano – sigla em Inglês) e expansão para 9 MTPA, e que fundamentou a expedição da licença de instalação para o Platô Miltônia 3 – e existem outros platôs em toda a região – verifica-se que o sistema de suprimento de água nova, já descontada a água reciclada, seria da ordem de 3.400 metros cúbicos, ou 3.400.000 litros de água por hora, compreendendo Água Bruta para o Beneficiamento de Bauxita Cristalizada, Água Bruta para a área do Mineroduto, Água Potável e Água de Combate a Incêndios.
Considerando, hipoteticamente, que o projeto Bauxita Paragominas tenha entrado em operação em janeiro de 2010, em um regime de 24 horas por dia, teríamos, até janeiro de 2012, cerca de 730 dias vezes 24 horas vezes 3.400.000 litros por hora, ou 59.568.000.000 (cinquenta e nove bilhões quinhentos e sessenta e oito milhões) de litros d’água utilizados, e baseado no valor que pagamos em nossa conta mensal à COSANPA, sem falar na energia elétrica que é subsidiada para a mineradora e também paga pelo consumidor residencial e exportada na forma de subsídios, isso que o Estado deveria cobrar deve ultrapassar a casa dos bilhões de reai$$$$.
Extrapolando os dados para uma capacidade atual de 9,9 MTPA temos um consumo de água nova de 7.480.000 litros por hora ou 65.524.800.000 (sessenta e cinco bilhões quinhentos e vinte e quatro milhões e oitocentos mil) litros por ano e, no caso da ampliação para 15 milhões de toneladas, outros 11.333.330 litros de água por hora ou 99.280.000.000 (noventa e nove bilhões duzentos e oitenta milhões) de litros d’água por ano.
Isto sem considerar os diversos outros empreendimentos minerais em operação no Estado do Pará, e sem considerar a outorga de lançamento de efluentes, já que a captação da água pode ser tanto superficial como subterrânea e já estaria computada nos cálculos acima.
Com a palavra as autoridades competentes.

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FONTE :  Nelson Tembra, Belém/Pa, Eng. Agrônomo, é colaborador do EcoDebate.
EcoDebate, 20/03/2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

‘O consumidor deve aprender a avaliar quando há ou não necessidade de usar sacola plástica’. Entrevista com Ludmila Frateschi

“Considero um avanço o fato de que a maioria dos brasileiros seja a favor de utilizar as sacolas reutilizáveis. O próximo passo é fazer com que isso se torne um hábito”, avalia a gerente de comunicação do Instituto Akatu.Confira a entrevista.
“A briga contra as sacolinhas plásticas não é uma briga com o plástico em si, é uma briga contra a descartabilidade”, esclarece a gerente de comunicação do Instituto Akatu, que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente. Em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone, Ludmila Frateschi explica que as sacolas plásticas geram impactos ambientais em dois momentos: primeiro, ao serem fabricadas, pois demandam uma série de recursos naturais; e, posteriormente, ao serem descartadas após pouco tempo de uso. “Cada uma demora mais de cem anos para se decompor no meio ambiente”, alerta. No entanto, enfatiza, o setor do plástico desempenha um papel fundamental ao oferecer a matéria-prima para desenvolver material descartável para hospitais, pois evita a contaminação. “Os produtores de plástico não deveriam estar tão preocupados com a mudança, porque nós precisamos muito do plástico para viver”, frisa.
Além do lento processo de decomposição, Ludmila enfatiza que o “plástico tem uma tendência de se fragmentar em pequenos espaços, fazendo com que ele se espalhe rapidamente, contaminando muitos ambientes. Além de contaminar a água, ele acaba matando a fauna e a flora que vivem na água. Por essas e outras razões, as sacolas plásticas estão sendo consideradas um problema”.
Segundo ela, os sacos de lixo preto e azul são menos agressivos ao meio ambiente, uma vez que são fabricados a partir de um plástico que já foi utilizado. Entretanto, assegura, as sacolas reutilizáveis continuam sendo a melhor alternativa para minimizar os impactos ambientais. “As sacolas biodegradáveis não deveriam ser uma opção; elas deveriam ser uma escolha para quem esqueceu a sua sacola, fez uma pequena compra, teve algum imprevisto. No dia a dia, a opção deveria ser utilizar a mesma sacola reutilizável várias vezes”, destaca.
Ludmila Frateschi é psicóloga, formada pela Universidade de São Paulo USP, e especialista em comunicação corporativa, formada pela Escola de Comunicação e Artes da mesma instituição. Há oito anos atua em planejamento e gestão de comunicação para a sustentabilidade, construção de reputação e relacionamento institucional. Trabalha no Akatu desde 2007, onde é gerente de comunicação do instituto.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Qual é o impacto das sacolinhas plásticas no meio ambiente?
Ludmila Frateschi – O impacto das sacolas é muito grande, pois como são descartáveis, elas são utilizadas uma vez e, posteriormente, são jogadas no lixo. Isso significa que todo o processo produtivo que envolve a fabricação das sacolinhas é desperdiçado, desde a água que é utilizada até a matéria-prima do plástico, a mão de obra e o transporte.
Depois que as sacolas são descartadas, elas geram outro impacto ambiental, porque cada uma demora mais de 100 anos para se decompor no meio ambiente. Isso significa que a quantidade de sacolas utilizadas gera uma grande quantidade de lixo, que sobrecarrega os lixões e aterros sanitários. O mundo está em uma situação em que não há mais espaço para depositar o lixo que se produz. Tal material fica no aterro sanitário e não se degrada. Pior do que isso, é que o plástico tem uma tendência de se fragmentar em pequenos espaços, fazendo com que ele se espalhe rapidamente, contaminando muitos ambientes. Além de contaminar a água, ele acaba matando a fauna e a flora que vivem na água. Por essas e outras razões, as sacolas plásticas estão sendo consideradas um problema.
IHU On-Line – O argumento da indústria de que a sacola plástica é reutilizável em lixeiras domésticas e não é descartável é um bom argumento?
Ludmila Frateschi – Esse é um argumento frágil, primeiro porque o problema é justamente utilizar a sacola plástica uma ou duas vezes. Há diferença entre utilizar uma sacola duas vezes e 30 ou 50 vezes, por exemplo. Usar um produto uma ou duas vezes faz com que ele seja descartável.
No que se refere a encontrar uma maneira de acomodar o lixo, temos muitas questões a serem discutidas. De fato, precisamos de uma alternativa mais adequada para o descarte do lixo. As empresas precisariam desenvolver sacos grandes de lixo biodegradáveis. Além disso, precisaríamos demandar do poder público uma coleta seletiva adequada.
IHU On-Line – Os sacos de lixo que são vendidos no supermercado têm uma composição diferente da sacolinha plástica? Ele é menos danoso ao meio ambiente, ou na prática acaba causando os mesmos problemas?
Ludmila Frateschi – Os sacos de lixo preto e azul são feitos de material reciclado e causam um impacto menor ao meio ambiente, porque eles são produzidos a partir de um plástico que já foi utilizado antes. Então, há uma sustentabilidade maior nesse processo, apesar de não ser uma alternativa biodegradável.
IHU On-Line – Por que a indústria plástica é tão refratária ao banimento das sacolas plásticas?
Ludmila Frateschi – As sacolas plásticas são um produto bastante disseminado e lucrativo. Então é natural que os produtores, que talvez terão de se adaptar a produzir outros produtos de plástico, se sintam atrapalhados com essa mudança de comportamento do consumidor. Do ponto de vista do Akatu e nós temos dialogado bastante com essa área da indústria , os produtores de plástico não deveriam estar tão preocupados com a mudança, porque nós precisamos muito do plástico para viver. Ele é importante quando produz material descartável para hospitais, uma vez que evita contaminação; é importante quando é utilizado como matéria-prima de coisas duráveis, limpas, laváveis, que podem ser utilizadas várias vezes. Então, a briga contra as sacolinhas plásticas não é uma briga com o plástico em si, é uma briga contra a descartabilidade. Não deveríamos produzir facilmente os produtos descartáveis. Deveríamos ter um modelo de consumo que valorizassem a reutilização.
IHU On-Line – Qual é o papel que os grandes supermercados desempenham nesse contexto?
Ludmila Frateschi – Os supermercados podem desempenhar alguns papéis. Em São Paulo, por exemplo, foi feito um acordo entre o governo do estado e a Associação Paulista de Supermercados – APAS, que acabou motivando a retirada das sacolas plásticas dos supermercados. Foi um acordo setorial de alta regulamentação, ou seja, não se trata de uma lei, mas os supermercados optaram por banir as sacolas plásticas das lojas.
Outro caminho importante é o da conscientização do consumidor. As pessoas precisam ter consciência de que existem alternativas para carregar as compras (sacolas retornáveis, caixas).
IHU On-Line – E nessa questão da conscientização, como vê a cultura do brasileiro e a compulsividade no consumo de sacolas plásticas? É possível vencer essa cultura?
Ludmila Frateschi – Acredito que sim. Se as pessoas tiverem consciência do impacto que as sacolas plásticas provocam e tiverem alternativas que não pesem no bolso, que não modifiquem a vida delas de uma maneira complicada, podem, sim, adquirir um comportamento mais consciente. Os nossos trabalhos vêm mostrando que, quando as pessoas têm noção dos impactos, tendem a se mobilizar e conseguem modificar os comportamentos do cotidiano.
IHU On-Line – Como as pessoas estão reagindo a essa decisão de banir as sacolas do supermercado?
Ludmila Frateschi – As pessoas têm algumas dificuldades, e as mudanças são difíceis. Nas primeiras semanas de janeiro, a reação dos consumidores foi mais complexa. Eles estavam incomodados, principalmente porque as sacolas biodegradáveis e as reutilizáveis estavam sendo vendidas. O consumidor sentiu que foi obrigado a mudar de comportamento rápido demais, sem uma contrapartida do supermercado. No entanto, foi feito um acordo entre o Programa de Orientação e Proteção ao Consumidor – Procom e a APAS para que, durante dois meses, existisse um período de adaptação do consumidor. Ficou estabelecido que o supermercado seria obrigado a oferecer alternativas gratuitas e também oferecer sacolas reutilizáveis a preço de custo. Depois dessa iniciativa, os consumidores ficaram um pouco mais calmos e estão se esforçando para se adaptar. Há algumas dificuldades práticas. Algumas delas são: “Como organizar as minhas compras numa única sacola? É melhor ter uma ou duas sacolas?”. Elaboramos um texto, que está publicado no nosso site, o qual responde aos seis maiores incômodos do consumidor. Quem tiver interesse, pode acessar em http://www.akatu.org.br.
IHU On-Line – Não é contraditório o fato de que a maioria dos brasileiros apoie o fim das sacolinhas, mas ao mesmo tempo não utilizem a sacola retornável e tampouco se disponha a pagar pelas sacolas biodegradáveis?
Ludmila Frateschi – Acredito que isso não seja exatamente uma contradição. Todo processo de mudança acontece desta maneira: primeiro, nos conscientizamos que temos que fazer uma mudança, e depois vamos conseguindo mudar na prática, até que a nova atividade vire um hábito. Todos os processos de conscientização passam por esse processo. Então, considero um avanço o fato de que a maioria dos brasileiros seja a favor de utilizar as sacolas reutilizáveis. O próximo passo é fazer com que isso se torne um hábito. As sacolas biodegradáveis não deveriam ser uma opção; elas deveriam ser uma alternativa para quem esqueceu a sua sacola, fez uma pequena compra, teve algum imprevisto. No dia a dia, a opção deveria ser utilizar a mesma sacola reutilizável várias vezes. Nesse sentido, planejar as compras é importante. São essas mudanças de hábito que o consumidor deve fazer.
IHU On-Line – Em sua opinião quais são os passos a serem dados para uma política de superação do uso das sacolas plásticas?
Ludmila Frateschi – Em primeiro lugar, é preciso uma campanha de conscientização em que se apresenta o problema gerado pelo uso das sacolas plásticas, seja no âmbito ambiental ou econômico. Posteriormente, é preciso convidar as pessoas a avaliar o impacto das mudanças de suas atitudes e, enfim, o impacto da mudança de atitude da sociedade como um todo. Passando por essa fase de conscientização, há uma fase complementar que é a oferta de alternativas fáceis, possíveis e com um preço acessível para as pessoas, como as sacolas reutilizáveis.
IHU On-Line – Quando compramos verduras e frutas, elas vão dentro de um saco e depois ainda vão dentro da sacola. Esse também é um problema?
Ludmila Frateschi – Em alguns casos, os saquinhos plásticos das frutas, legumes e verduras se justificam. Por exemplo, quando a vida útil do produto é muito frágil, como da ameixa ou do pêssego, a sacola aumenta essa vida útil. Isso é bom, porque reduz o desperdício de alimentos. O ideal é que esse saco tenha o mínimo de plástico possível e seja feito com uma matéria prima que possa ser biodegradável. Em outros casos, como a banana, não há necessidade de sacolinha plástica. O consumidor deve aprender a avaliar quando há ou não necessidade de usar sacola plástica.

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FONTE : (Ecodebate, 19/03/2012) publicado pela IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos - IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]