Powered By Blogger

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Diáspora: micos tidos como invasores são transferidos do Rio para a Bahia


por Redação do EcoD
n3 Diáspora: micos tidos como invasores são transferidos do Rio para a Bahia
Encontro das duas espécies pode gerar disputa por comida e áreas. Foto: Emerging Birder
Uma operação inédita no País está removendo os micos-leões-da-cara-dourada de Niterói, no Rio de Janeiro, para Belmonte, cidade situada no sul da Bahia identificada como habitat natural da espécie. A transferência é baseada em estudos que identificaram essa como a melhor maneira para evitar que os primatas se encontrem com a espécie nativa da região, o mico-leão-dourado.
A iniciativa já capturou 104 espécimes: 66 foram transferidos para a Bahia e o restante está sob suspeita de doenças
Os pesquisadores temem que o encontro entre os dois grupos possa prejudicar a manutenção de ambas as espécies. Segundo eles, o processo obedece a protocolo recomendado por instituições internacionais de proteção animal. A suspeita é que os micos-leões-da-cara-dourada foram introduzidos acidentalmente em Niterói.
A iniciativa, iniciada em 2011, já capturou 104 espécimes, mas somente 66 foram transferidas para a Bahia. O restante, que apresentou suspeita ou confirmação de doenças, está em quarentena (17) ou em cativeiro (24). Os especialistas calculam que já retiraram metade dos invasores da região e devem capturar todos até o final do ano.
Adaptação
No início do mês, de acordo com os coordenadores do programa, os primeiros filhotes dos grupos soltos foram observados na Bahia – sinal de que os indivíduos estão se adaptando bem à nova área.
O programa de remoção é conduzido pelo Instituto Pri-Matas em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação dos Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio), Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro, Instituto do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro (Inea) e secretarias municipais de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade e de Educação de Niterói.
* Publicado originalmente no site EcoD.

Preço dos alimentos é menor, mas ainda está alto e perto de pico histórico


por Leda Letra, da Rádio ONU

n2 300x258 Preço dos alimentos é menor, mas ainda está alto e perto de pico histórico
Foto: Banco Mundial
Afirmação é do Banco Mundial, que destaca que metade dos obesos vive em nove países incluindo o Brasil; valor dos alimentos caiu por seis meses consecutivos.
O preço global dos alimentos caiu por seis meses consecutivos, mas continua muito alto e perto de um pico histórico. A afirmação está em um relatório do Banco Mundial.
O órgão avaliou os preços entre outubro do ano passado e fevereiro, que estiveram 9% abaixo da alta de agosto. A queda acentuada no uso de trigo e a redução no consumo do milho para etanol nos Estados Unidos, levaram ao valor menor.
Contradição
Mas o Banco Mundial afirma que as incertezas continuam. Os estoques globais de cereais caíram 3% em 2012. Já o preço das oleaginosas aumentou por três meses seguidos.
Segundo o órgão, a volatilidade no preço dos alimentos influencia a fome e a desnutrição, mas também contribui para a obesidade. Em tempos de crise, as pessoas optam por comidas mais baratas e menos nutritivas, como fast-foods.
Número de Casos
O vice-presidente do Banco Mundial para Redução da Pobreza ressaltou que esses alimentos mais baratos tem “calorias elevadas e pouco valor nutritivo”. Otaviano Canuto afirma que metade dos obesos do mundo vivem em apenas nove países, incluindo Alemanha, Brasil, China, Estados Unidos e Rússia.
O Banco Mundial destaca que essa é uma evidência de que a obesidade não está restrita a países ricos. Em 2008, cerca de 1,5 bilhão dos adultos estavam acima do peso. Estima-se que até 2030, serão 2,1 bilhões com o peso acima do ideal e 1,1 bilhão de obesos.
Segundo o órgão, apesar da gravidade do problema, reduzir a obesidade não está no topo das políticas globais. Alguns governos não tem nenhuma iniciativa para diminuir a obesidade. Já outros impõe taxas ou restrições a alguns tipos de alimentos e promovem campanhas educativas.
* Publicado originalmente no Rádio ONU.

Alertas de desmatamento na Amazônia Legal sobem 26% em seis meses


por Heloisa Cristaldo, da Agência Brasil
n4 Alertas de desmatamento na Amazônia Legal sobem 26% em seis meses
Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal subiram 26%, entre 1º de agosto de 2012 e 28 fevereiro de 2013, em comparação ao mesmo período do ano passado, informou no último dia 28 o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Os dados foram registrados pelo Deter, sistema de detecção de desmatamento em tempo real do Inpe, que usa imagens de satélite para analisar a perda da Floresta Amazônica em nove estados. Eles incluem a degradação, referente ao desmatamento parcial da floresta, e o corte raso, quando há desmatamento total da área e o solo fica exposto. No total, foram registrados alertas de desmatamento ou degradação nos últimos seis meses em 1.695,27 quilômetros quadrados da floresta.
Segundo o diretor de Proteção Ambiental do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Luciano de Menezes Evaristo, o índice divulgado hoje ainda não comprova o aumento de desmatamento na região.
“Não se pode dizer que com o aumento de alertas houve o aumento de desmatamento. Isso porque o Deter, que tem um componente de degradação florestal que pode se tornar ou não em desmatamento. Temos que aguardar o período Prodes [Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia] em julho para ser definido se aquela degradação foi realmente corte raso [desmatamento]”, explicou.
Os campeões da lista de alertas de desmatamento são os estados de Mato Grosso, do Pará e de Rondônia. O Acre teve uma redução de 84% nos alertas – no período analisado em 2012, foram 28, e este ano, apenas quatro.
“Mato Grosso e Pará sempre foram os campeões do desmatamento. Esses alertas podem estar sendo impulsionados pelo boom das commodities, pelo aumento do preço da terra e pode ter havido uma pressão maior no mês de julho. Mas a administração ambiental reagiu, mudou as estratégias e trouxemos de novo sob o controle qualquer ameaça [de degradação da floresta]”, disse Evaristo.
Com o acréscimo de alertas para fiscalização, o Ibama adotou novas estratégias e apreendeu no mês de fevereiro R$ 15 milhões em toras de madeira. As ações da Operação Onda Verde superaram, em apenas um mês de fiscalização no oeste paraense, o volume de madeira em tora ilegal apreendido em 2012 em todo o estado. A operação tem ações em áreas críticas, que respondem a 54% de todo o desmatamento da Amazônia Legal, em Mato Grosso, Amazonas e em Rondônia e já retirou de circulação mais de 65 mil metros cúbicos de toras ilegais.
“Para onde o desmatamento caminhar, através dos alertas que o Inpe nos passar pelo Deter, nos encaminharemos para as nossas bases para conter o desmatamento. E o grande alento deste ano, entramos a partir de janeiro e em fevereiro fizemos grandes apreensões de madeira. Só no Pará, quase 22 mil m³ de tora foram apreendidos no mês de fevereiro, pegamos todos os desmatadores que fazem o corte seletivo na floresta de surpresa, na chuva, mais de 100 tratores foram apreendidos”, destacou o diretor. De acordo com Evaristo, as ações não tem data para terminar.
* Edição: Carolina Pimentel.
** Publicado originalmente no site Agência Brasil.

Caminhos para enfrentar o Frankenstein urbano


por Washington Novaes*
Sao Paulo 300x192 Caminhos para enfrentar o Frankenstein urbano
Muitos leitores deste jornal devem ter tomado um susto na quinta-feira da semana passada ao lerem a mais do que contundente entrevista do respeitado arquiteto João Filgueiras Lima, o Lelé, dono de um currículo admirável, que inclui, entre muitas criações, a participação no projeto de construção de Brasília, a rede de hospitais Sarah e, com Darcy Ribeiro, a criação do conceito dos centros de educação integral, os Cieps, para manter o aluno na escola durante todo o dia, fornecer alimentação, assistência médica e psicológica, esporte e muito mais – além de um sistema de ensino exemplar.
Lelé foi conciso e contundente na entrevista. “Cidades como São Paulo são um grande Frankenstein”, disse ele, apontando o “descontrole geral”, a arquitetura “correndo atrás da imagem”, com os arquitetos “a reboque dessas pressões”.
“Todo mundo quer morar onde convém e o mercado se aproveita disso para fazer um adensamento descomprometido com a cidade.” Em sua opinião, “não há mais como planejar”, até porque “as cidades estão se desintegrando” e “não oferecem soluções”. A seu ver, “o arquiteto deveria ser o (médico) clínico da cidade; no entanto, não tem uma visão global e as obras vivem um Frankenstein. A cidade é o maior Frankenstein de todos”.
Assustador o diagnóstico. Mas pode piorar se se lembrar que só nos dois primeiros meses do ano mais de 500 mil veículos saíram das fábricas para as ruas (Estado, 7/3) e que o Brasil já é o quarto maior mercado mundial. Que os espaços públicos urbanos, já congestionados ao extremo, só tendem a piorar com o agravamento das inundações – mais frequentes, mais intensas, mais duradouras. Cada enchente causa prejuízo de até R$ 1 milhão e há 749 pontos de alagamento já catalogados, diz estudo do professor Eduardo A. Haddad, da Faculdade de Economia da USP (Agência Fapesp, 15/3). Chuvas com mais de 80 milímetros eram raras; mas só na primeira década deste século foram nove. A Prefeitura promete quatro novos piscinões e enterrar a fiação dos semáforos para que não se apaguem durante os temporais (10/3). Mas como vai fazer, se toda a fiação elétrica em São Paulo chega a 38 mil quilômetros (só há uns 3 mil km enterrados em Higienópolis e imediações) e o custo seria de R$ 100 bilhões? Nova York tem mais de 150 mil km sepultados; a Alemanha, em três anos, passou a parte enterrada de 4,3% para 75%; a Grã-Bretanha, de 1,4% para 81% (Folha de S.Paulo, 24/2).
Não são as únicas soluções urbanas. No pedágio urbano de Londres o motorista tem de pagar mais de R$ 30 por dia para trafegar na área sob controle, e com isso a circulação ali caiu 25% e aumentou a velocidade dos ônibus. A prefeitura vai instalar 1.300 pontos de recarga de veículos elétricos e reduzir em 40% a emissão, por eles, de carbono. Já há muitos pontos de carros compartilhados, onde o usuário paga por hora e divide o custo com quem quiser. Mas quem quer ouvir falar dessas coisas por aqui e se arriscar a perder os votos dos adversários da proposta – como foi o caso da necessária taxa do lixo, depois renegada pelos criadores e revogada pelos sucessores -, embora seja a fórmula que tem dado certo em toda a Europa?
Que diria, então, de soluções mais radicais, como a da cidade de Drachten, na Holanda, que, com seus 50 mil habitantes, instituiu o espaço urbano sem semáforos, placas de sinalização, quebra-molas, meio-fio, lombadas elétricas, etc., segundo Antenor Pinheiro, da ANTT (O Popular, 10/3). Um espaço compartilhado por pessoas, automóveis, ônibus e motos em baixa velocidade, bicicletas. Em absoluta paz e harmonia, sem acidentes desde 2003, quando foi implantado, apenas com discretos sinais que indicam a mão de direção. Uma ideia do engenheiro Hans Moderman, falecido em 2008, mas que pode ser replicada numa parte do espaço urbano, se for o caso, em qualquer cidade.
Na verdade, caminhos há. Basta consultar a legislação vigente para verificar o quanto o poder constituído deixa de cumprir – gerando e agravando dramas nas cidades. Um bom exemplo é o da legislação em vigor para novos empreendimentos, obrigatória para todos os Poderes e empreendedores, que, se executada, evitaria ou teria evitado a maior parte dos problemas. É o caso, por exemplo, das resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Qualquer administrador público, assim como os Tribunais de Contas da União, dos Estados ou dos municípios, deveria começar seu exame dos processos que lhe chegam à mão pela Resolução n.º 1, de 23/1/1986, que contém uma norma que impediria a execução da maioria das propostas. É o inciso I do artigo 5.º, que obriga o estudo do empreendimento a “contemplar todas as alternativas tecnológicas e de localização do projeto, confrontando-as com a hipótese de não execução do projeto”. E isso vale para projetos urbanísticos com mais de cem hectares, aterros, rodovias, ferrovias, portos e terminais, oleodutos, gasodutos, emissários de esgotos, projetos agropecuários também com mais de cem hectares. Outras resoluções do Conama incluem o controle de ruídos de indústrias ou veículos e o controle da poluição do ar (que está no centro de uma polêmica paulistana).
Tão importante quanto é o artigo 6.ª dessa Resolução 1/86, que torna obrigatórias “as análises dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas (…), discriminando: os impactos positivos e negativos, diretos e indiretos, imediatos e a médio e longo prazos, temporários e permanentes; seu grau de reversibilidade; suas propriedades cumulativas e sinérgicas; a distribuição dos ônus e benefícios sociais”. Esta última disposição, por exemplo, quantos benefícios poderia trazer a uma cidade, ajudando a evitar impactos cada vez mais danosos para seus habitantes?
O professor Filgueiras Lima tem razão em suas visões. Mas há como começar a enfrentar o Frankenstein se de fato quisermos.
* Washington Novaes é jornalista.
** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.
(O Estado de S. Paulo)

Índios têm previsões prejudicadas por mudanças climáticas


por Redação do CicloVivo
indio 300x201 Índios têm previsões prejudicadas por mudanças climáticas
O conhecimento indígena tem sido passado de geração em geração há muitos anos e os resultadosdas previsões, até então, eram sempre muito precisos. Foto: Wilfred Paulse/Flickr
As noções de astronomia, aliadas às estações do ano bem definidas, sempre foram essenciais para que as comunidades indígenas planejassem o melhor período para plantar, colher, pescar e exercer outras atividades. No entanto, as mudanças climáticas têm afetado essas previsões.
Este é o resultado apresentado pelo estudo feito por Germano Afonso, doutor em Astronomia e Mecânica Celeste pela Universidade Pierre et Marie Curie, na França. O cientista analisou diferentes etnias brasileiras e comprovou que os índios têm tido mais dificuldades em alcançar exatidão em suas previsões, a razão para isso são os fenômenos consequentes das mudanças climáticas.
O conhecimento indígena tem sido passado de geração em geração há muitos anos e os resultados, até então, eram sempre muito precisos. Porém, como explicado pelos membros da etnia xamã, mesmo que as análises das constelações continuem a ser feitas da mesma forma, as chuvas ocorrem fora do tempo, assim como a seca ou cheia dos rios. Os próprios índios culpam as mudanças climáticas por esses eventos.
Com o apoio da Fundação de Apoio à pesquisa no Estado do amazonas, Afonso e sua equipe conseguiram uma aproximação das comunidades indígenas para compararem as previsões dessas etnias com as medições meteorológicas científicas para a região.
“Com essa análise percebemos que alguns fenômenos provocados pelas mudanças climáticas estavam desvirtuando as previsões, tendo em vista que a chuva se atrasada ou se antecipava por fenômenos como El Niño e o desmatamento”, informou Afonso, em declaração à agência Efe.
O pesquisador explicou que as dificuldades percebidas pelos indígenas estão diretamente associadas ao efeito estufa, ao desmatamento, à poluição e à construção de represas em meio à floresta.
As informações coletadas ajudarão os cientistas a trocarem conhecimento com os índios para ajudá-los a alcançar previsões mais eficientes, de modo que seja possível manter a cultura local sem prejudicar o planejamento vital indígena.
* Com informações da Agência Efe.
** Publicado originalmente no site CicloVivo.

TERRAMÉRICA – Atacama, riqueza ambiental e turística


por Marianela Jarroud*

am2 300x199 TERRAMÉRICA   Atacama, riqueza ambiental e turística
Uma vicunha bebendo em um dos mangues de San Pedro de Atacama. Foto: Cortesia da Secretaria Regional Ministerial do Meio Ambiente de Antofagasta
O ecossistema altiplano de San Pedro de Atacama, no norte do Chile, é objeto de estudos para aprender a administrar suas maravilhas e melhorar a vida de seus habitantes.
Santiago, Chile, 1º de abril de 2013 (Terramérica).- Dois projetos pretendem converter San Pedro de Atacama, capital do turismo, da arqueologia e da astronomia no norte do Chile, em uma comunidade sustentável que melhore a vida dos indígenas que a habitam. Esses são os atributos que definem San Pedro de Atacama, segundo sua prefeita, Sandra Berna. As iniciativas, no valor de US$ 2,7 milhões, poderiam agregar mais um: capital do conhecimento científico aplicado a um manejo sábio da riqueza natural.
Os 4.797 habitantes, 60,9% indígenas de Atacama, duplicam na temporada turística, quando os estrangeiros chegam atraídos pelos mistérios do deserto, seus vulcões e gêiseres. O município faz parte de uma paisagem de salinas, dunas e cristas rochosas, gêiseres, águas termais e montanhas nevadas, a 2.600 metros de altitude e 1.500 quilômetros ao norte de Santiago. Ali também está o céu mais limpo do planeta e o Observatório Alma (Atacama Large Millimeter/Submillimeter Array, ou Grande Conjunto Milimétrico/Submilimétrico de Atacama), que com seus 66 radiotelescópios tenta decifrar enigmas do espaço.
Rico em diversidade biológica, San Pedro atraiu iniciativas para dar-lhe sustentabilidade e um planejamento turístico adequado. “Pode-se racionalizar o turismo e gerar políticas de controle de acesso aos lugares protegidos, se conhecer os serviços ecossistêmicos da área e de que maneira podem se tornar vulneráveis”, explicou ao Terramérica o secretário regional ministerial do Meio Ambiente de Antofagasta, Hugo Thenoux.
A primeira iniciativa faz parte do Project for Ecosystem Services (ProEcoServ), financiado pelo Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF) e implantado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A inspiração veio dos resultados da Avaliação dos Ecossistemas do Milênio (global e subglobal), que recopilou informação científica sobre as mudanças ambientais e as opções para responder a elas.
De novembro de 2011 até 2014 serão geradas ferramentas para avaliar e valorizar os serviços que o ecossistema presta e pode prestar à comunidade. A natureza e as espécies que a habitam fornecem serviços fundamentais para a vida humana: água e ar puros, alimentos e energia, entre outros. O projeto se centrou em dois: provisão de água e ecoturismo e recreação, para estimar sua resposta diante de eventos naturais como secas ou aluviões.
“A ideia é avaliar como determinamos a situação que temos hoje em dia destes serviços, e com fazemos um uso racional deles, de maneira a não colocá-los em risco”, explicou Thenoux. A partir das conclusões, “as comunidades terão informação direta do Estado se tiverem um projeto que queiram desenvolver no lugar”. Essas ferramentas serão usadas para planejar e implantar políticas de desenvolvimento, melhorando a capacidade pública e privada para tomar decisões.
“Falar de serviço ecossistêmico é bastante novo”, lembrou Thenoux. “Este projeto também é realizado no Vietnã, Tobago e África do Sul. Portanto, também há conclusões que teremos em níveis nacional e internacional em manejo de sustentabilidade”, destacou. O desenvolvimento está a cargo do Centro de Estudos Avançados em Zonas Áridas, com a coordenação da Secretaria Regional Ministerial do Meio Ambiente da região de Antofagasta.
Estes “temas emergentes” estão em linha com as políticas do Ministério do Meio Ambiente “de melhorar a sustentabilidade de nosso país e a qualidade de vida”, pontuou o funcionário. O ProEcoServ também contará com matrizes de compromisso, que descrevem o comportamento entre dois serviços ecossistêmicos e definem se esta relação é dependente ou independente e se esta dependência é direta ou indireta.
“Tudo que é planejamento, ou estudos nos quais possamos melhorar e ter consciência do que temos e do que ocorre em todo o ecossistema, é valioso”, afirmou a prefeita Berna ao Terramérica. Contudo, lamentou que a participação popular não seja maciça. “Gostaria que as pessoas se conscientizassem, que vissem na ciência, nos estudos, o que se diz de nosso ecossistema”, enfatizou.
As autoridades também licitam a execução de dois projetos para a proteção de mangues alto-andinos, fontes de água das comunidades que habitam a Salina de Atacama, além de serem um dos ecossistemas mais frágeis e suscetíveis à mudança climática. Um desses projetos busca analisar, identificar e aplicar medidas-piloto de restauração e conservação dos mangues. “A ideia é avaliar como a mudança climática pode afetar os mangues e como trabalharmos com as comunidades para que nos adaptemos”, explicou Thenoux.
Um segundo estudo analisará o sistema de acompanhamento ambiental desses ecossistemas, com vistas a desenhar um novo modelo de gestão para fortalecer a capacidade pública e privada de conservar e fazer bom uso dos mangues. Segundo Thenoux, “muitos monitoramentos que são feitos nos mangues não necessariamente dão uma visão ecossistêmica do lugar”.
Berna espera que todo este conhecimento ajude a lidar com as manifestações cada vez mais duras do inverno no altiplano, que em 2012 provocou o transbordamento de rios e riachos, e afetou e isolou comunidades indígenas e turistas. “Pedimos às Nações Unidas que possamos fazer um estudo sobre estes recursos e ver como direcionar as águas para aproveitá-las” sem que causem estragos, afirmou a prefeita.
As comunidades indígenas e outros atores que fazem uso do meio ambiente participarão, porque “não há nenhuma ação humana que não afete o território se não for adequadamente manejada”, ressaltou Thenoux. Os indígenas do Chile “administram o território há vários séculos e existe um conhecimento ancestral que vamos redescobrir e recapturar”, ressaltou. Envolverde/Terramérica
* A autora é correspondente da IPS.

LINKS
Radiotelescópio promete revelar origem do universo
Indígenas chilenas instalam energia solar no deserto de Atacama
Observatório Alma, em espanhol e inglês
ProEcoServ, em inglês
Avaliação dos Ecossistemas do Milênio, em espanhol, francês e inglês
Centro de Estudos Avançados em Zonas Áridas, em espanhol
Ministério do Meio Ambiente do Chile, em espanhol

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.
(IPS)

Canadá abandonará a Convenção Contra a Desertificação


por Stephen Leahy, da IPS
seca 300x181 Canadá abandonará a Convenção Contra a Desertificação
Foto: Reprodução/ www.caestamosnos.org
Uxbridge, Canadá, 1/4/2013 – O Canadá abandonará no próximo ano a Convenção das Nações Unidas de Luta Contra a Desertificação (CNULD), se convertendo no primeiro país a dar esse passo, informou no dia 28 o governo do primeiro-ministro Stephen Harper. A decisão foi tomada em uma reunião a portas fechadas, por recomendação do ministro das Relações Exteriores, John Baird, mas ainda não foi enviada notificação oficial à Convenção. Ottawa argumenta burocracia e falta de eficácia da CNULD, à qual aderiu em 1994 e ratificou no ano seguinte.
Esta decisão agrava a preocupação da sociedade civil depois que o governo decidiu, também na semana passada, mudar a agência oficial de ajuda ao desenvolvimento, Cida, para a órbita do Ministério de Assuntos Exteriores e Comércio Internacional. Isto foi muito criticado por ativistas, para os quais Ottawa vincula, dessa forma, a ajuda ao comércio exterior.
A desertificação e a degradação da terra constituem um enorme problema que se agrava com a mudança climática, alertou Robert Fox, da Oxfam Canadá. “Estou abatido por essa atitude do Canadá”, declarou à IPS. Anualmente, 12 milhões de hectares de terra, onde seria possível cultivar 20 milhões de toneladas de grãos, são perdidos devido à desertificação. A degradação da terra é a pior crise silenciosa mundial, pois prejudica a produção de alimentos, aumenta a escassez de água, empobrece centenas de milhões de pessoas e afeta dois bilhões no total.
“Nossa meta é construir um mundo sem degradação de terras”, disse à IPS o secretário-executivo da CNULD, Luc Gnacadja. A Convenção pretende atingir esse objetivo em 2030. O Canadá entregava US$ 350 mil anuais à CNULD, disse à IPS a Secretaria da Convenção. Os compromissos do Canadá com a Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática e com o Convênio sobre a Diversidade Biológica não serão afetados em absoluto, assegurou Amy Mills, da Cida, por email enviado à IPS.
“Queremos usar os recursos da forma mais efetiva possível. O Canadá continuará desempenhando um papel de liderança, promovendo a agenda de segurança alimentar e nutrição. Por exemplo, ajudamos quase quatro milhões de famílias agrícolas em toda África a obter sementes mais resistentes à seca”, ressaltou Mills. “No passado, o Canadá se esforçou várias vezes para posicionar a Convenção Contra Desertificação como um meio significativo para promover as prioridades globais e canadenses para melhorar a segurança alimentar e combater a degradação de terras”, destacou Mills. Mas, agora, “acreditamos que outros esforços podem conseguir melhores resultados”, acrescentou.
No ano passado, o governo de Harper gastou US$ 28 milhões para comemorar o aniversário da Guerra de 1812, um conflito bélico menor que colocou frente a frente este país e os Estados Unidos. “O Canadá fazer isto (deixar a CNULD) é realmente um escândalo”, disse Christoph Bals, diretor de políticas da organização não governamental alemã Germanwatch, dedicada a temas de desenvolvimento e equidade global. O Canadá foi por muito tempo líder e defensor do multilateralismo e da Organização das Nações Unidas (ONU), que são a única via para tratar temas como pobreza, fome e mudança climática, disse à IPS de seu escritório em Berlim.
Em 2011, o governo de Harper também se retirou do Protocolo de Kyoto, único instrumento internacional contra a mudança climática. “Ouvi de muitos canadenses que estão envergonhados pela decisão de abandonar o Protocolo de Kyoto”, disse Bals. “Na minha opinião, essa decisão e a relacionada à CNULD não refletem o desejo da maioria dos canadenses”, afirmou. Por outro lado, refletem os interesses da indústria de combustíveis fósseis, acrescentou Bals.
A retirada do Canadá da Convenção poderia ter grandes consequências no longo prazo, alertou Bals. O Canadá é um país rico, mas outras nações com dificuldades econômicas poderiam seguir seu exemplo e também deixar a CNULD. “Envia um sinal negativo. Haverá consequências para pessoas em muitas partes do mundo”, pontuou. Para Fox, a governança global é fraca e precisa de apoio, não de abandono. “Na ONU surgem dificuldades para fazer as coisas, mas a solução não é se retirar”, afirmou.
O Canadá acaba de comprometer US$ 250 milhões anuais para o novo Convênio sobre Ajuda Alimentar da ONU. Também tem sido generoso em ajudar nos casos de fome como a que afeta o Chifre da África. Paradoxalmente, o governo de Harper rechaça a Convenção, cujo objetivo principal é prevenir e reduzir a fome e os impactos da seca. Com esta decisão, Ottawa está dizendo que não se interessa em prevenir ou solucionar o problema, disse Fox. “Espero que haja suficiente pressão local e internacional para que o governo reconsidere isto”, ressaltou. Envolverde/IPS