Powered By Blogger

quinta-feira, 2 de julho de 2009

BNDES exigirá rastreabilidade da carne para concessão de empréstimos


O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e os grandes frigoríficos se preparam para anunciar um compromisso ambiental que prevê a exigência de um programa de rastreabilidade de origem da carne para a concessão de empréstimos por parte do banco. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

De acordo com o jornal, o compromisso que deve ser lançado na próxima semana, exigirá a implementação de um mecanismo de rastreabilidade que permita dizer se a carne que chega aos supermercados tem origem em fazendas que contribuem para o desmatamento da Amazônia.

O conteúdo do acordo foi determinado em reunião entre representantes dos frigoríficos e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, na última sexta-feira, em São Paulo.

A rastreabilidade é vista como a única forma de garantir que o gado não continue a ser criado em áreas desmatadas. Porém, o alto índice de sonegação no setor é um dos problemas que devem ser enfrentados. De acordo com o Estado de São Paulo, estima-se que 35% do abate realizado no País seja informal.

Outro problema é o curso da ratreabilidade, sendo que após a implantação do Sisbov, sistema de rastreamento bovino do Ministério da Agricultura, em 2002, os frigoríficos não passaram a pagar mais caro pelo boi rastreado, como se esperava.

O Sisbov foi criado para atender às exigências fitossanitárias da União Européia e sua meta era rastrear 100% do gado nacional até 2007. Em 2007, apenas 10 mil fazendas de gado, de um universo de mais de um milhão, estavam cadastradas. Uma vistoria da União Européia, no início de 2008 aprovou apenas 80 das 10 mil fazendas. o Estado.
************************************
FONTE : (Envolverde/Amazônia.org.br)

Empregos verdes despontam como aposta em nova economia mundial


A crise financeira mundial e a oportunidade de transição para uma nova economia menos carbono intensiva são temas que vêm sendo intensamente discutidos no cenário internacional. A economia verde surge como estratégia inadiável em um cenário no qual as mudanças do clima ditam a necessidade de remodelação de mercados, negócios e tecnologias. Entretanto, a urgência de medidas efetivas segue contrastando com o lento ritmo das ações implementadas pelos países.

“Esse é um caminho de mudanças que está começando a ser trilhado, mas de forma muito gradual. Não há um grande plano, mas sim iniciativas pontuais, embora seja notório que a necessidade de crescimento sustentável está sendo, cada dia mais, incorporada pelos políticos e gestores públicos, por uma questão de sobrevivência econômica”, avalia o técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), José Gustavo Feres.

Ele destaca o impacto da crise financeira: o pacote de medidas anticrise representou 7% do Produto Interno Bruto (PIB) nos Estados Unidos e na China chegou a 13%. Os percentuais da União Européia também não são animadores. Dados relativos ao primeiro trimestre de 2009, comparados ao mesmo período do ano passado mostram quedas do PIB nos países europeus. A maior economia do bloco, a Alemanha, liderou a performance negativa, com queda de 2,1%. Na França, a segunda maior economia, a redução foi de 1,2% e na Itália, a terceira maior, foi de 2,4%.

Brasil na contramão?

“As medidas do governo brasileiro para evitar mais impactos da crise financeira não consideram a questão ambiental”, avalia o diretor de políticas públicas do Greenpeace, Sérgio Leitão. Ele destaca que o país está perdendo uma grande oportunidade de estimular a chamada economia verde e de fato promover o desenvolvimento sustentável.

“O governo poderia, ao mesmo tempo, incentivar o emprego e também impulsionar uma economia moderna, que é aquela com baixo consumo de eletricidade, menos carbono intensiva”, aponta o ambientalista.

Na opinião de Leitão, o Brasil só visualiza o lado econômico da crise, sem identificar as possibilidades que podem gerar menos impacto. “As medidas adotadas para fortalecer a indústria automobilística, por exemplo, também poderiam incluir ações compensatórias do ponto de vista ambiental. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) poderia ter sido condicionada à maior rapidez no desenvolvimento e na produção de motores adaptados a diesel menos poluente”, critica.

Emprego verde: janela de oportunidades

É nesse contexto que algumas nações começam a sinalizar mudanças em seus planos de recuperação econômica, incluindo uma variável ambiental e apostando nos chamados empregos verdes.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama, destinou US$ 500 milhões do seu pacote de estímulo econômico para a criação de milhares desses empregos, estabelecendo, inclusive assessoria específica para incentivar o trabalho verde. O governo americano também anunciou, em 23 de junho de 2009, a injeção de 8 bilhões de dólares para que as montadoras Ford, Nissan e Tesla invistam em tecnologias capazes de tornar os novos carros mais eco-eficientes. O secretário de Energia Steven Chu declarou que os retornos dos investimentos serão convertidos em empregos e menor dependência de combustíveis fósseis.

Outra aposta nos empregos verdes vem do Reino Unido. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirma que boa parte dos investimentos para a recuperação econômica do país previstos no orçamento para o próximo ano fiscal será destinada às iniciativas verdes e promete a criação de 400 mil novos postos de trabalho na área.

O Primeiro Ministro também defende uma proposta para que as nações desenvolvidas e em desenvolvimento cheguem a um acordo sobre novos mecanismos para financiar o combate às mudanças climáticas. Ele pede que os países ricos trabalhem juntos em uma cifra global de cerca de 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para ajudar países em desenvolvimento a reduzir suas emissões, combater o desmatamento e adaptar às mudanças climáticas.

Em artigo, Ed Miliband, ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido afirma que o crescente consenso internacional sobre a necessidade de uma guinada para a economia de baixo carbono aponta para esperança, e não desespero.“Ao cooperarmos internacionalmente, podemos, a um só tempo, evitar mudanças climáticas perigosas e ver nossas economias em recuperação de modo sustentável. Uma das questões fundamentais para nosso sucesso continua sendo como acelerar radicalmente a disseminação de tecnologias mais limpas – boas para gerar emprego, para a economia e para o planeta”, destaca Miliband.

Cenário de otimismo

Contrastando com a estimativa de que 50 milhões de trabalhadores em todo mundo podem perder seus postos de trabalho devido à crise econômica, o estudo Empregos Verdes: Trabalho Decente em um mundo sustentável e com baixas emissões de carbono, divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2008, tem um tom de otimismo.

De acordo com o documento, nos últimos anos foram contabilizados 2,3 milhões de novos empregos gerados apenas no setor de energia renovável. Se forem confirmados investimentos previstos de 630 bilhões de dólares até 2030, podem surgir pelo menos 20 milhões de novos empregos neste setor. Na China, está a grande parte das 600 mil pessoas que estão empregadas na produção de energia térmica solar e na instalação de produtos como aquecedores solares de água; na África do Sul, 25 mil pessoas desempregadas trabalham agora em atividades de conservação como parte da iniciativa Working for Water (Trabalhando pela água). Entre as possibilidades que se abrem na Nigéria, a indústria de biocombustíveis baseada no cultivo da mandioca e da cana-de-açúcar poderia sustentar e empregar 200 mil pessoas, enquanto na Índia o relatório aponta que até 2015 poderiam ser criados 900 mil empregos na gaseificação de biomassa, dos quais 300 mil vinculados à fabricação de fornos.

Ao mesmo tempo, a OIT chama atenção para o fato de que os governos devem criar condições para que se promova uma “transição justa” em direção a uma economia verde. Neste contexto, devem ser levada em conta a responsabilidade de quem deve adaptar-se às mudanças climáticas, facilitando o acesso a oportunidades de emprego e de atividades econômicas alternativas para empresas e trabalhadores.

“É essencial um diálogo social entre governos, trabalhadores e empregadores, não somente para aliviar as tensões e propiciar a formulação de políticas ambientais, econômicas e sociais melhor informadas e mais coerentes, mas também para envolver os interlocutores no desenvolvimento destas políticas”, avalia o coordenador de Programas de Trabalho Decente e Empregos Verdes da OIT, Paulo Sérgio Muçouçah.

Ele menciona ainda que nos países onde houver apoio político consistente –incluindo objetivos, sanções e incentivos, como leis e normas de eficiência energética, além de recursos para pesquisa e desenvolvimento – serão criados mais empregos. De igual forma, a redistribuição de subsídios, os benefícios das ecotaxas e/ou a venda pública dos créditos de carbono tendem a gerar enormes fluxos de recursos da ordem de centenas de bilhões de dólares. “Esses recursos mobilizados na Europa e nos Estados Unidos seriam suficientes para apoiar economias mais verdes e para a criação de empregos verdes tanto no sul quando no norte industrializado”, argumenta.

Uma boa notícia é que a geração de empregos verdes entrou na pauta de recomendações definida no início de junho de 2009 pela OIT – em meio à 92ª Conferência Internacional do Trabalho. Em uma cúpula sobre a crise mundial e o emprego, a organização destacou a urgência de incentivar a criação de políticas de estímulo ao crescimento e também o fortalecimento de redes de proteção social ao trabalhador afetado pela crise financeira.

Estiveram reunidos em Genebra mais de 4 mil representantes de governos, trabalhadores e empresários em busca de respostas para o impacto da crise financeira sobre a empregabilidade.

Compromisso brasileiro

“O presidente Lula esteve em Genebra e se comprometeu, ao assinar termo de cooperação com a OIT, a implementar o Plano Nacional de Trabalho Decente, o qual traz uma série de iniciativas visando os empregos verdes. Podemos afirmar que este é o primeiro compromisso oficial do governo para incentivar esse tipo de trabalho no país”, explica Paulo Sérgio.

Ele também destaca que o plano apresenta como prioridades gerar mais e melhores empregos com igualdade e oportunidade de tratamento, por meio de investimentos públicos e privados, além de estímulos fiscais e financeiros direcionados a setores estratégicos. Nesse contexto se destaca a promoção do desenvolvimento sustentável, principalmente incentivando empresas e empreendimentos preocupados com a melhoria e/ou conservação da qualidade ambiental. Igualmente importantes são os estímulos para micro e pequenas empresas, cooperativas e organizações de economia solidária e agricultura familiar.

De acordo com Paulo Sérgio, o Plano Nacional de Trabalho Decente será implementado por um comitê executivo interministerial composto por 17 pastas (entre as quais a da Fazenda) e com metas a serem alcançadas em dois momentos: 2011 e 2015.

Brasil já possui mais de 1 milhão de empregos verdes

Mesmo sem ter contado até agora com incentivo do governo o Brasil registra, segundo a OIT, mais de 1 milhão de postos de trabalho considerados verdes e é citado pela organização como um dos líderes mundiais no número de vagas de trabalho na produção de energia derivada de biomassa, juntamente com Estados Unidos, Japão, Alemanha e China.

"Todas as projeções para os países, individualmente, indicam um forte potencial para geração de empregos nos próximos anos e décadas. A instalação e manutenção de painéis solares e sistemas termais solares, particularmente, oferecem uma tremenda oportunidade de empregos”, diz o Paulo Sérgio Muçouçah.

A OIT estima que 500 mil indivíduos trabalhem diretamente com biomassa no Brasil – o que inclui o processamento de cana-de-açúcar para produzir etanol. Outros 500 mil empregos foram criados pelo setor de reciclagem. Segundo o técnico da entidade esses números estão sendo revisados e devem ser bem superiores, uma vez que cerca de 840 mil pessoas trabalham atualmente no corte, colheita e processamento da cana-de-açúcar.

Um porém: a mecanização da colheita

Por outro lado, os postos de trabalho na colheita de cana-de-açúcar estão seriamente comprometidos. Quem faz essa ressalva é o diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), Antônio de Pádua Rodrigues, ao colocar que cerca de 120 mil trabalhadores, somente no estado de São Paulo, devem perder seus empregos por conta da mecanização da colheita. “Se por um lado temos benefício ambiental, por outro temos o desemprego. No Brasil, podem ser 340 mil desempregados devido à colheita mecanizada”, alerta.

Para contribuir com a solução para esse problema, a Única, em parceria com a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp) e empresas do setor, lançou em junho de 2009 um programa chamado Renovação, que capacita mão-de-obra para o trabalho em outros elos da cadeia de produção ou para atividades junto a novos setores. A meta é a requalificação de 7 mil cortadores de cana por ano.

“Esses trabalhadores serão futuros motoristas, soldadores e mecânicos e/ou também poderão atuar em outros setores, como hotelaria, apicultura, reflorestamento e construção civil”, explica Rodrigues. O projeto será gerido por um comitê executivo formado por integrantes das entidades e empresas participantes, o qual será responsável pelas definições estratégicas, monitoria e avaliação da iniciativa. No caso dos cursos para as comunidades será adotado um modelo de decisão descentralizado, a partir de propostas dos trabalhadores.

Reciclagem espera por trabalho formal

De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), 95% das latas produzidas no país são recicladas, sendo cerca de 10 milhões somente em 2008, o que representa economia de energia de 95% em relação ao que se consome na fabricação a partir do minério. Isso corresponde ao consumo energético de uma cidade do porte de Campinas.

Veja como é o processo de reciclagem de latas - http://www.scribd.com/full/16977988?access_key=key-xhe9zvxio4pv568fabk

“A cadeia da reciclagem tem mais de 2 mil empresas e mais de 800 mil trabalhadores em todo o Brasil. Boa parte deles são catadores de latas e a expectativa do setor é que o país pode ampliar seus postos de trabalho se conseguirmos formalizar esse tipo de emprego”, explica o diretor-executivo da Abralatas, Renault Castro.

Ele defende ainda que o governo aprove a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que define responsabilidades entre as esferas municipal, estadual e federal e também junto ao setor privado. Além disso, destaca a importância da valorização do trabalho de coleta enquanto emprego verde.

“Nosso setor é autoregulamentado, não temos nenhum incentivo governamental. Os catadores brasileiros precisam ser valorizados, ter a dignidade de contar com carteira assinada. Além disso, queremos que seja feito um elo entre as políticas de reciclagem e a política de mudanças climáticas. Essa relação fica num nível etéreo e não chega ao catador”, defende Castro.

Energias renováveis esperam investimentos

De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o Brasil é o maior mercado mundial de energias renováveis. Cerca de 46% de toda a energia consumida no país é proveniente de fontes limpas.

Nesse sentido, o diretor da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), Carlos Farias Café, aponta que a energia solar tem inúmeras aplicações e pode ser utilizada para aquecimento de água – que corresponde a 6% de toda energia elétrica consumida no pais – promovendo uma economia de cerca de 18 mil Mega watts (MW).

“A energia solar processada por células fotovoltaicas, converte a luz do Sol em energia elétrica diretamente e já poderia ser amplamente utilizada no Brasil. Existem alguns estudos e caminhos de sucesso consolidados no mundo inteiro, mas aqui essas tecnologias são pouco consideradas. O atual governo apenas soluça a inserção da energia solar na matriz brasileira. Se tivéssemos um governo mais pro ativo na área de energia solar, seriamos com certeza lideres nesta tecnologia”, provoca.

O diretor da Abrava menciona ainda que próprio Plano Nacional de Energia coloca metas assustadoramente pequenas para energias renováveis no Brasil. “Em uma ultima apresentação do ministério, falava-se em priorizar carvão, termelétricas e usinas nucleares. Ou seja, andamos a firmes passos na contramão, mesmo que hoje nossa matriz seja relativamente limpa do ponto de vista de emissão de gases de efeito estufa”, critica.
**************************************
FONTE : Redação da ANDI Mudanças Climáticas (Envolverde/ANDI Mudanças Climáticas)

China revela plano de US$ 140 bilhões para eólicas


Gigante asiático promete gerar 120 GW utilizando os ventos, já o Brasil, apesar de seu enorme potencial, ainda tem que ultrapassar diversos obstáculos para garantir seu lugar entre os grandes produtores mundiais.

O governo chinês anunciou nesta segunda-feira (29) um programa para a construção de sete fazendas eólicas até 2020, cada uma com capacidade mínima de 10GW. Assim que entrarem em operação, as usinas gerarão cerca de 120GW, sendo então responsáveis por aproximadamente 8% de toda a energia gerada no país daqui a 10 anos, estimada em 1500GW.

Segundo o diretor adjunto de energias renováveis da Administração Nacional de Energia, Shi Pengfei, os locais escolhidos para a construção das usinas são propositadamente distantes entre si - variando da província ocidental de Jilin até o interior da Mongólia- , para ajudar a espalhar o desenvolvimento econômico pelo país. Entretanto Shi não deixou claro se as novas usinas fazem parte do plano de estímulo econômico chinês de US$ 586 bilhões.

Caso façam parte do programa de estímulo, dificilmente fabricantes de turbinas de fora da China poderão participar do empreendimento. Foi aprovada em junho uma política em que projetos bancados pelo estado devem pedir permissão para o governo para a compra de qualquer produto estrangeiro.

A política não deixa claro se poderiam participar companhias estrangeiras com fábricas na China. Suzlon, Vestas e Gamesa são algumas das empresas nessa situação, mas todo o mercado espera conseguir algum espaço no futuro das energias renováveis da China.

Estados Unidos

O cenário nos EUA também parece bastante favorável. Em um artigo divulgado na terça-feira (30/06), Jeff Anthony, gerente do programa de fornecedoras da Associação Americana de Energia Eólica, apresentou diversos estudos que comprovariam a confiabilidade da geração de energia pelo vento.

Segundo Anthony, a experiência européia já mostra que as fornecedoras de energia podem adicionar as fontes eólicas à geração sem grandes adaptações nas suas instalações e que isso apenas contribui para a confiabilidade de todo o sistema.

De acordo com dados da Associação Americana de Energia Eólica, em 2008 foram instalados 8,4GW em capacidade de geração nos EUA, energia suficiente para alimentar dois milhões de residências. Novos projetos eólicos contaram no ano passado por mais de 40% de toda a nova geração de energia no país. Atualmente a capacidade eólica dos EUA está em 25,2GW.

A previsão é que a energia eólica continue a crescer com força, um relatório do Departamento de Energia intitulado “20% Wind Energy by 2030” afirma que eólicas podem ter um papel decisivo para ajudar os EUA a conseguir abastecer sua demanda energética.

Para Anthony, este cenário de 20% projeta um agressivo crescimento das eólicas no país. Esse mesmo estudo deixaria claro que esse tipo de energia e sua integração à rede elétrica pode ser alcançada com custos dentro de uma faixa aceitável, confirmando as experiências que já estão documentadas pelo mundo.

Brasil

Um relatório do Pnuma divulgado recentemente demonstrou que a energia eólica já movimenta cerca de R$ 50 bilhões no Brasil, porém ainda não é suficiente para explorar o grande potencial do país.

Os custos dos equipamentos, por exemplo, ainda é um empecilho e uma reivindicação antiga dos estados produtores. Na última semana, dias depois de o ministro Carlos Minc assinar a “Carta dos Ventos”, documento que promete maior participação da energia eólica na matriz elétrica nacional, o Ministério de Desenvolvimento Econômico, Comércio e Indústria mudou as regras para a importação de aerogeradores.

As novas regras aumentaram o imposto de importação dos aerogeradores – que serão usados nos projetos dos leilões de energia eólica - para 14%. A medida foi duramente criticada pelo Greenpeace, que a considerou um retrocesso para o setor, já que entre 2006 e 2007, a taxa tinha sido eliminada.

Para o coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace, Ricardo Baitelo, a mudança das regras provocam incertezas sobre a realização de novos leilões. O primeiro deles está marcado para novembro, porém ainda não foram definidas as regras e nem divulgado o preço.

A Carta dos Ventos foi assinada durante o Fórum Nacional Eólico, no qual também foi acertados a realização anual de leilões de energia eólica e a analise da adoção de um marco regulatório para o setor.

“Neste momento, estamos defendendo que a energia eólica seja um páreo próprio. Ou seja, que ela não dispute com ninguém, fazendo um leilão só de energia eólica. Mas daqui há algum tempo, ela terá de disputar com outros fontes. Esse é o marco regulatório”, afirmou à Agência Brasil o secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro, Julio Bueno.

Estão no Rio os dois mais recentes empreendimentos eólicos no Brasil, com previsão de entrarem em funcionamento em 2010. O total de investimentos ultrapassa os R$ 400 milhões e juntos os dois projetos serão capazes de gerar 168MW.
********************************************
FONTE : Fabiano Ávila (Envolverde/CarbonoBrasil)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Proposta de Gordon Brown para os países ricos divide ambientalistas


O primeiro-ministro britânico Gordon Brown anunciou recentemente uma proposta de financiamento às ações necessárias para combater a mudança climática. Ele quer que os países ricos invistam 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para ajudar países em desenvolvimento a reduzir suas emissões e combater o desmatamento, além de dar aporte para os mais pobres se adaptarem aos efeitos do aquecimento global.

O primeiro-ministro também propôs a criação de arranjos institucionais para aumentar a participação dos países em desenvolvimento no processo decisório do uso do dinheiro e também melhorar a coordenação entre todas as instituições que lidam com o financiamento para mudanças climáticas.

“Todos os países devem agir, mas para ajudar aqueles em desenvolvimento a ter um crescimento de baixo carbono e resistente ao clima, precisaremos de um novo sistema de apoio financeiro para tecnologias sustentáveis, desmatamento e adaptação”, diz Brown defendendo um acordo “ambicioso” para o encontro de Copenhague, em dezembro próximo.

O braço do Greenpeace no Reino Unido mostra ceticismo em relação às declarações do primeiro-ministro. Em nota oficial, a organização diz já ter ouvido histórias como essa e que ficaria mais satisfeita se Brown arregaçasse as mangas e fizesse sua parte para levar a comunidade global em direção a algum tipo de decisão realmente significativa.

Para o grupo, a quantia proposta pelo é significativa, mas não passa de um simples trocado se comparada aos trilhões de dólares já destinados aos bancos e corporações.

A política doméstica do Reino Unido também foi bastante criticada. O Greenpeace diz que não há bom senso no discurso de diminuir as emissões de carbono no mundo, se no próprio quintal há expansão de aeroportos, construção de novas estações de energia a carvão e pouco investimento em fontes renováveis de energia.

Já a chefe de mudança climática da WWF, Keith Allott, acredita que o governo britânico mostrou que o combate ao aquecimento global deve ser a maior prioridade do mundo. “Gordon Brown deveria ser aplaudido por ser o primeiro líder de um país desenvolvido a reconhecer claramente que não haverá acordo em Copenhague sem uma ajuda financeira substancial aos países em desenvolvimento”, comemora. “O desafio agora é para os outros países desenvolvidos, que deveriam igualar ou, mesmo, melhorar a proposta de Brown”, completa.

Allot diz ainda que se o projeto for realmente implementado, os países desenvolvidos também terão que se comprometer em reduzir muito mais as emissões em seus próprios territórios. “Nossa preocupação é que a proposta do Reino Unido baseie-se muito nos mercados de carbono, disponibilizando recursos financeiros. Mas não há garantia de que isso realmente possa cortar as emissões que tanto precisamos”, conclui.
**************************************
FONTE : Henrique Andrade Camargo (Envolverde/Mercado Ético)

Ônibus que não polui começa a rodar em SP


Corredor em São Paulo estreia coletivo movido a hidrogênio em 1º de julho; Brasil é um dos seis países capazes de construir veículo do tipo.

A partir de 1º de julho, os usuários do corredor de ônibus Jabaquara-São Matheus (que vai da zona sul à zona leste da cidade de São Paulo, cortando 33 km) poderão encontrar um coletivo diferente. Silencioso, de cor azul clara , vidros escuros, com ar-condicionado, é assim que o primeiro ônibus movido a hidrogênio do Brasil se apresentará a seus passageiros.

Fruto de cinco anos de trabalho de um projeto que envolve Ministério do Meio Ambiente, EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), PNUD e GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente), o ônibus não emite um miligrama de poluição. O hidrogênio é combinado, por meio de reações químicas, com o oxigênio da atmosfera, gerando uma corrente elétrica que move os motores e liberando, no lugar do CO2, vapor de água.

O veículo que teve lançamento adiado (a previsão inicial em 2008) em razão de atrasos na fabricação já está pronto para rodar. Com capacidade para levar 63 passageiros, funcionará por 60 dias em caráter de teste, e depois será incorporado à frota da cidade, como um ônibus comum. A partir daí começam a ser fabricados mais três veículos do tipo, que devem ser entregues entre maio e julho de 2010. “O objetivo agora não é substituir a frota atual, mas estudar o comportamento do transporte limpo numa cidade como São Paulo, em comparação com outros combustíveis, como o diesel”, explica Carlos Zündt, gerente de planejamento da EMTU e coordenador do projeto.

Além dos outros três coletivos, o projeto pressupõe ainda a construção de um fábrica para produzir hidrogênio a partir da eletrólise da água (separação dos átomos de hidrogênio e oxigênio). Com previsão para início das obras em julho, a fábrica deve ficar pronta em seis meses. Até lá, o ônibus que começa a rodar no dia 1º usará hidrogênio produzido a partir do gás natural, um combustível fóssil. “A premissa é ser totalmente limpo, num ciclo fechado. Começa com água e energia e termina com água e energia”, define Zündt.

Por ser abundante e não poluir, o hidrogênio é considerado como uma alternativa promissora aos combustíveis fósseis. De acordo com o gerente de planejamento da EMTU, já existem no mundo mais de 5 mil veículos que usam este gás para conseguir energia. Ele cita dados da IPHE (Sociedade Internacional para a Economia do Hidrogênio , que afirma que em 2015 o combustível já deverá ter uma distribuição em escala, estando presente em postos da Europa e dos EUA (no Brasil, a previsão é que isso ocorra em 2020). Zündt cita ainda outra estimativa do renomado físico italiano Cesare Merchetti (um dos pioneiros na pesquisa do hidrogênio como alternativa energética) de que, em 2080, 90% dos veículos do mundo serão movidos a hidrogênio.

Mas, se o hidrogênio é tão abundante e tão limpo, porque usamos petróleo e seus derivados até hoje como combustível? Um dos motivos é o alto custo de produção do hidrogênio. O processo de extrair hidrogênio da água através da eletrólise é caro. Zündt, entretanto, coloca outros fatores na conta: “O diesel só é muito mais barato [que o hidrogênio] para os leigos. Ele é o pior combustível que existe. É preciso considerar o gasto público com doenças respiratórias em função da poluição, do enxofre, da chuva ácida. Somando isso, o diesel tem um custo 200 vezes maior do que o hidrogênio”, argumenta.

“Os países já acordaram para essa questão e estão investindo pesado nisso”, afirma o coordenador do projeto. Segundo ele, o Brasil já foi contatado por empresas interessadas em comprar veículos do tipo. A tecnologia do “ecoônibus”, porém, não é somente brasileira. A construção foi possível graças a uma parceira entre diversas empresas (nacionais e internacionais) que trouxeram de fora tecnologia essencial para o projeto, como as células de hidrogênio, responsáveis por “tirar” energia do gás. “Não fabricamos, mas sabemos como grudar as partes”, brinca Zündt. O simples “grudar” não é pouca coisa. É graças à maneira nacional de construção do veículo que o ônibus a hidrogênio brasileiro é o mais barato do mundo, ressalta o gerente da EMTU. A produção desse tipo de ônibus está restrita a um grupo de apenas seis países, do qual o Brasil faz parte e tem ainda China, EUA, Alemanha, Holanda e Japão.
**********************************
FONTE : Mariana Desidério, do Pnud (Envolverde/PNUD Brasil)

Ecovila: a vida com emissão zero (ou quase)


Que o planeta passa por um momento decisivo em sua história, isso todo mundo sabe. O que poucos têm conhecimento - pelo menos aqueles que vivem nos grandes centros - é de que existem possibilidades de viver com menor impacto ambiental. Uma delas é vislumbrada pela permacultura, termo que significa cultura permanente, ou, em outras palavras, sustentável. Para conhecer uma comunidade baseada nesse preceito, decidimos deixar o conforto insustentável da cidade grande para conhecer como é a vida com emissão zero (ou quase) de CO2.

São três horas da tarde de segunda-feira (8/6). Estamos chegando ao IPEMA (Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica), um centro focado em educação de permacultura que fica cravado na Mata Atlântica de Ubatuba, no litoral Norte de São Paulo. Apenas uma pequena estrada onde mal cabem dois carros e com asfalto aparentemente novo ligam a rodovia Rio-Santos à estrada de terra que dá acesso ao nosso destino final.

Percebemos que estamos literalmente no meio da floresta, com árvores nativas abraçando toda a redondeza. Um pequeno rio de águas cristalinas passa à nossa esquerda. Logo adiante, pouco depois da placa que indica o início das terras da ecovila, uma casa de pau-a-pique - técnica de construção em que as paredes são erguidas com madeira, cipó e barro - revela a rusticidade de tudo o que veríamos dali para frente. Depois de mais ou menos quatro horas de estrada, é nítido que o corre-corre de São Paulo ficou para trás.

Procuramos alguém para nos receber. A nossa frente, uma casa de dois andares, feita de madeira. Cercado pelo paisagismo natural da área, no térreo, a casa tem uma cozinha e o refeitório, onde eles (os permacultores) se encontram para diversas atividades. É um espaço comum, onde há música, comida e conversa - digna que uma boa cozinha. No andar de cima, o dormitório ou alojamento, como é “oficialmente” chamado o espaço. Há camas e boas cômodas vazadas. Vamos passar a noite ali.

Marcelo Duarte, um engenheiro agrônomo que faz estágio no IPEMA, é quem nos recebe. Marcelo Bueno, o bioarquiteto fundador da ecovila, está em reunião com os funcionários do programa educacional em permacultura. Enquanto isso, Duarte mostra a horta nos fundos da cozinha, onde também está o centro de triagem de material reciclável. Ele fala sobre as bioconstruções erguidas pelos estagiários na propriedade, a captação e reciclagem de água, a produção de energia etc. Mas, talvez o mais importante, o agrônomo nos conta sobre o drama pessoal que muitos enfrentam ao mudar de vida.

Com e a favor da natureza

Duarte, assim como os outros permacultores, trabalha com um princípio básico que é estar “com” e “a favor da” natureza, e não “contra” ela. Na fala, o engenheiro agrônomo mostra naturalidade. Para ele é importante explicar que os sistemas desenvolvidos são feitos para durar tanto quanto seja possível, com o mínimo de intervenção.

O agrônomo, que, em suas próprias palavras, é bicho-do-mato, fez um caminho tranqüilo até o IPEMA. Mas essa não é a regra. Muitos dos que chegam à ecovila para realizar o curso estão acostumados com certo nível de conforto e de consumo, que está longe da realidade vivida no instituto. Os conflitos pessoais e em grupo começam a aparecer.

Guilherme Miranda, designer gráfico e também estagiário, começou a questionar sua intervenção no mundo. Decidido a mudar de vida, ele abriu mão da estabilidade do trabalho e do conforto da vida que levava no Rio de Janeiro. Ele acredita que é hora de quebrar os paradigmas da vida pós-moderna ligados ao consumo. Com voz pausada e tranqüila, Miranda, hoje, questiona a forma como a sociedade vive e se relaciona. Para ele, uma questão chave é que a população não tem noção do que entra e sai de suas casas. “Hoje, quando vou ao supermercado, não vejo comida nas prateleiras, apenas propaganda, plástico, metal e muita energia desperdiçada”, conta ele. Assim que acabar seu estágio, não pretende voltar para o Rio. Seu objetivo é se integrar a alguma ecovila do país ajudando a divulgar o conceito da permacultura para outras pessoas e comunidades.

Uma decisão difícil

Mas não é todo mundo que segue o mesmo pensamento de Monteverde. Marcelo Bueno, o bio-arquiteto fundador da ecovila, conta que há ainda muito romantismo com relação à permacultura. A adaptação é difícil. Conflitos são inevitáveis.

Segundo Bueno, as “brigas” fazem parte do processo de aprendizado. No começo, quando tudo é novidade, todos ficam bem. Os problemas vão surgindo quando se vive junto por um tempo mais longo. Mas a própria convivência faz com que as diferenças sejam equalizadas e o relacionamento torna-se mais consistente quando cada um passa a entender melhor as necessidades do grupo. O indivíduo volta ao coletivo e o coletivo, ao ecossistema. Inicia-se um ciclo produtivo harmonioso, onde o “eu” está em sintonia com o “nosso”.

Aparentemente, chegamos ao IPEMA com o pessoal já nesse último estágio. Tanto que o grupo prepara agora uma festa de aniversário para um dos funcionários do local. A reunião não vai ser no local de trabalho, mas sim na casa de duas ex-estagiárias, que agora desenvolvem projetos com a equipe da ecovila.

Festa, agrofloresta e uma tal de Jussara

Por volta das seis da tarde, uma das estagiárias nos guia até a festa. O dia está escurecendo, mas ainda há luz o suficiente para ver o caminho das pedras e cruzar o riozinho em segurança. Esse é um atalho, que encurta a jornada em aproximadamente 10 minutos.

Somos uns dos primeiros a chegar. Mas logo outra turma mostra a cara. Trazem cerveja, servem cachaça orgânica e decidem preparar um bolo de fubá e jussara. Era a primeira vez que ouvíamos falar da tal fruta que, como descobrimos mais tarde, é a atração principal do IPEMA. A jussara tem aparência e sabor semelhantes ao açaí. Assim como o primo, vem de uma palmeira que, até então, era usada apenas para se extrair o palmito.

A atividade quase dizimou as palmeiras da região. O que antes era farto, agora é raro. Quando a comunidade local descobriu que era possível viver da cultura do fruto da árvore, a situação começou a mudar. A palmeira derrubada, que é o fim de toda a extração do palmito, deixou de ser interessante. A polpa da fruta rende muito mais em termos monetários e a árvore intacta oferece o produto todos os anos sem cobrar nada por isso.

Para ter uma idéia, uma palmeira adulta, de aproximadamente sete anos de idade, com até 20 metros de altura, rende um palmito de 80 centímetros, grande o suficiente para dois vidros do produto. Vale algo em torno de R$ 1,25 real no mercado negro. A mesma árvore rende 15 vezes mais com a extração da jussara. Essas coisas, enfatiza Marcelo Duarte, não se aprendem nas universidades.

Algumas horas depois, o bolo finalmente fica pronto. O aroma é convidativo. “Parabéns a Você” e o aniversariante começa a servir os convidados.

Desculpem-nos o lugar-comum, mas que delícia de bolo!

Recursos renováveis

A escuridão toma conta da floresta. Não é para menos, já são 10 e meia da noite, e desde as seis e trinta não se vê muito sem a ajuda de lâmpadas e lanternas. Tomamos o rumo do alojamento. Achamos melhor não arriscar pelo rio e pegamos o caminho mais longo, porém mais seguro há essas horas.

De longe, dá para ver uma luz acesa. Vem da casa onde fica o refeitório e o alojamento. Estranhamos. Não seria aquilo um desperdício de energia, péssimo exemplo de uma comunidade que prega a sustentabilidade?

Abordamos o assunto com Guilherme Vieira. Ele explica que o IPEMA conta com dois sistemas de geração elétrica. O mais antigo vem de painéis solares, que não é muito eficiente na região. Chuvas constantes e até mesmo a sombra das árvores impedem que as placas fotovoltáicas trabalhem em sua capacidade máxima.

Mas existe outro recurso abundante na região, esse sim capaz de gerar três vezes mais eletricidade do que se gasta no local: a água. Por meio de uma mini-hidrelétrica, o IPEMA só fica sabendo de colapsos no sistema de distribuição de energia quando alguém leva a notícia ao centro. Com ela, é possível manter aquela luz acesa a noite toda - como um ponto de referência para os estagiários que circulam pelo lugar durante a noite - e abastecer todo o escritório, que conta com computadores, telefone, conexão à internet e data-show.

Hora de dormir. Há uma pia ao ar livre, bem em frente ao refeitório, onde todos escovam os dentes. A água que sai da torneira, a mesma que abastece todo o instituto, vem de uma nascente, no alto da montanha. É limpa e cristalina. No IPEMA, a água não é desperdiçada. Quando escorre cano abaixo, seja o da pia, cozinha ou chuveiro, ela segue para uma usina de tratamento, feita com plantas e bactérias (sistema anaeróbico). Depois de tratada, é reutilizada. Com 98% de pureza, seu fim agora é regar as plantas do viveiro, horta e pomar.

Um novo dia

Às sete e meia da manhã de terça-feira, já estamos de pé. A noite de sono foi boa. Ouvimos vozes lá em baixo, no refeitório. É a cozinheira que começa a preparar o café da manhã.

O resto da turma chega apenas às oito e meia da manhã. A festa na noite anterior havia ido até de madrugada. Decidiram começar às atividades um pouco mais tarde. Em um dia típico, começariam às oito em ponto.

Banheiros secos

Marcelo Bueno acaba de chegar. São nove da manhã e todos preparam-se para trabalhar em uma outra casinha de pau-a-pique, que receberá um grupo de pessoas no feriadão para estudar bioconstruções. A construção e melhoria das moradias são tocadas em esquema de mutirão.

As paredes de barro e materiais reciclados, como janelas, telhados e vigas de sustentação, dão o tom à obra. Na sala, Bueno vai quebrando tijolos feitos de barro para cobrir o chão.

Enquanto trabalham, a natureza faz um chamado a um de nós: o Henrique.

“Vou ao banheiro. Aquele que tem descarga tradicional não está funcionando adequadamente. Decido arriscar no tal do banheiro seco. Espio com certa desconfiança o interior da salinha. Tudo parece bem, sem mau cheiro nem fumaça. Entro, sento e pronto. As fezes caem em uma caixa com serragem e minhocas. Ali, ficam armazenadas por um ano. No fim do processo, serão fertilizantes tão ricos quanto os das galinhas, um dos melhores que existe, de acordo com Bueno.”

Despedida

É quase hora do almoço. A cozinheira prepara receitas vegetarianas, como arroz integral e legumes. Apesar do IPEMA contar com alguma produção de alimento, ainda é preciso comprar comida fora dali. Mas Bueno conta que dá preferência a pequenos produtores e vendas da região. Para ele, essa rede de relacionamento é fundamental para a sustentabilidade. “Procuramos nos abastecer com produtos que conhecemos a origem.

Além de mais saudáveis por serem orgânicos, também evitam a emissão de carbono, que seria produzido com o transporte de um ponto a outro”, explica.

Deixamos o IPEMA com a impressão de que não é tão difícil adotar práticas sustentáveis no dia-a-dia.

Claro que não é de esperar que toda a população de uma cidade mude-se para o campo e passe a praticar a permacultura. Mas algumas ações são possíveis mesmo nos grandes centros: como a criação de hortas comunitárias, implementação de sistemas solares de aquecimento de água e a já conhecida reciclagem.

Complicado mesmo é a mudança de hábitos de consumo.

Permacultura em essência

Entende-se que tanto o habitante quanto a sua moradia e também o meio ambiente em que estão inseridos fazem parte de um mesmo e único organismo vivo. Assim, a permacultura trata os homens e outros animais, as plantas, construções, infraestruturas (água, energia, comunicações) não apenas como elementos isolados, mas como sendo todos parte de um grande sistema intrinsecamente relacionado.

Para que a permacultura ocorra de fato, é necessário a observação e a combinação de vários aspectos: os ecossistemas, a sabedoria ancestral e também o conhecimento científico, aproveitando as qualidades inerentes das plantas e animais, combinando suas características naturais com os elementos que compõem a paisagem, e mais a infra-estrutura existente, para que se possa produzir assim um sistema que suporte o desenvolvimento da vida, tanto na cidade quanto no campo, utilizando o mínimo de recursos possíveis.

A Permacultura aproveita todos os recursos disponíveis, e faz uso da maior quantidade de funções possíveis de se aproveitar de cada elemento presente na composição natural do espaço. Mesmo os excedentes e dejetos produzidos por plantas, animais e atividades humanas são utilizados para beneficiar outras partes do sistema.

As plantações são organizadas de modo que se aproveite da melhor maneira possível toda a água e a luz disponíveis. Elas são arranjadas num padrão circular em forma de mandalas, com acesso facilitado por todos os lados. Os pomares são cobertos de leguminosas imitando o ambiente das florestas. Os galinheiros são rotativos, para que as galinhas sejam deslocadas para outro ponto após terem estercado a terra, que será usada para outro fim, enquanto que as galinhas preparam e adubam uma nova área. Enfim, essa técnica trata a vida como algo em permanente cultura, ou seja, em desenvolvimento sustentável.

Para saber mais :

Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica - http://www.ipemabrasil.org.br/
*********************************
FONTE : Crédito de imagem: Letícia Freire. Para ver mais fotos, acesse:http://envolverde.ig.com.br/anexos/60161.doc (Envolverde/Mercado Ético)

Pink Shiba Sakura - Beleza da natureza




Na Primavera (em maio) em alguns parques do Japão, na província de Hokkaido e Saitama, florescem essas lindas flores do tipo sakura (cerejeiras) todas em pink, formando um tapete rosa, criando uma paisagem deslumbrante.