segunda-feira, 19 de abril de 2021

Como se informar sobre meio ambiente – a imprensa especializada no Brasil

por Samyra Crespo – Há duas semanas fui entrevistada por estudantes de uma universidade do Nordeste que tinha uma pequena verba para fazer uma série de episódios sobre meio ambiente para o público universitário. Fiquei comovida com o engajamento, o idealismo desses jovens – não tem como não nos vermos a nós próprios “years ago”. São um alento. A entrevista foi sobre o conceito de meio ambiente, a diferença entre este e o uso corrente da palavra ecologia, ou movimento ecológico, e entre outro, utilizado universalmente – “desenvolvimento sustentável”. Contextualizei devidamente cada um dos termos e missão cumprida. Assim que a série for ao ar aviso aos interessados. Congela. Uma pergunta feita pela jovem aluna, minha entrevistadora, me chamou atenção: ” se queremos uma informação veraz, honesta sobre as politicas ambientais no Brasil, onde podemos buscar?” Eu, há muito tempo, busco informação em alguns sites estrangeiros para complementar a informação da mídia brasileira. Não tanto por duvidar das informações por ela veiculada, mas porque nossa mídia tem um vício: além de privilegiar o que é selecionado pelas agências de notícias tipo Reuters et caterva, nem sempre cobre o que interessa a nós ambientalistas ou quem atua na área ambiental por motivos profissionais. Isso para não mencionar o vício de cobrir mais a esfera governamental. Assim, tenho e dei à aluna que mencionei uma lista de sites de notícias que acho confiáveis: a Revista Eco21 on line, porque cobre um amplo espectro de players, com noticias sobre a Rússia, a África e América do Sul, pois somos muito isolados e pró americanos – mesmo antes das bizarrices de Bolsonaro. O editor, René Capriles foi durante muitos anos presidente da Associação de Jornalistas Estrangeiros, e junto com a Lucia Chayb, sua mulher, mantém uma tribuna independente há mais de 30 anos; a Agência Envolverde, de São Paulo, com boa cobertura de temas ligados às politicas públicas e empresariais de desenvolvimento sustentável, sob a batuta do jornalista Dal Marcondes, que mantém uma reputação inatacável na Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais; o Site – naturalmente – da ONU Ambiente do Brasil , regular nas notícias sobre os eventos e campanhas apoiadas mundo afora pelas Nações Unidas; também gosto muito dos sites Ciclo Vivo e Conexão Planeta que fazem um pout porrit de matérias sobre ecologia, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida. Entre os dois Conexão Planeta, conduzido pela jornalista Mônica Nunes , é mais militante no sentido tradicional do termo, produzindo matérias mais opinativas. O ideal é ler ambos e dar uma espiada no Clima Info, como o próprio nome indica, com foco em mudanças climáticas; e também no Mar sem Fim, do jornalista João Lara Mesquita (ex Rádio Eldorado) cujo foco é mares e oceanos. Sempre dou uma olhada, sem me decepcionar, no Pick’Upau, uma turma que dá muita notícia interessante sobre manejo de fauna, especialmente pássaros. No Nordeste destaco o ECONordeste, sob a orientação da premiada jornalista Maristela Crispim. Tem outros? Claro!!! Sai muita coisa na BBC, El País, etc. As ONGs, a maioria que tem atuação nacional ou internacional, caso do Greenpeace e no âmbito nacional várias outras como SOS Mata Atlântica, ISA, etc mantém páginas, digamos corporativas, que basicamente divulgam suas campanhas e repercutem notícias dos órgãos de imprensa. E deixei as revistas e sites científicos de fora. Mas nosso tempo é limitado. Com relação a jornalistas engajados e confiáveis, leia-se éticos que militam na grande imprensa, vejo dois imbatíveis: Trigueiro e Daniela Chiaretti. Acho que essa lista, como todas aliás, é um recorte arbitrário e atende aos meus interesses. Assim de antemão me defendo de esquecimentos e discordâncias. Mas como eu disse, era uma conversa franca e bem intencionada, com universitários sobre a imprensa ambientalista independente. (#REnvolverde) Samyra Crespo é cientista social, ambientalista e pesquisadora sênior do Museu de Astronomia e Ciências Afins e coordenou durante 20 anos o estudo “O que os Brasileiros pensam do Meio Ambiente”. Foi vice-presidente do Conselho do Greenpeace de 2006-2008.

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