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terça-feira, 4 de maio de 2010

Desastre ambiental: Parte solúvel do petróleo é cancerígena e prejudica a reprodução de animais marinhos

Aprendemos na escola que água e óleo não se misturam. Mas experimente agitar um copo com os dois elementos para ter uma ideia de como pode ser difícil retirar o petróleo derramado do mar, como no acidente do Golfo do México.

“Petróleos são menos densos que a água, por isso flutuam na forma de filmes na superfície e se espalham. A agitação do mar contribui para a formação de uma emulsão muito difícil de ser removida”, explica o professor e pesquisador Divinomar Severino, que participa de um projeto no Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (Cebimar/USP), em São Sebastião, para avaliar o efeito da contaminação por petróleo em peixes. Reportagem do UOL Notícias.

Severino ensina que petróleos são pouco solúveis em água, mas a pequena parte solúvel é muito tóxica. “É potencialmente cancerígena e atrapalha o processo de crescimento, ovulação e desenvolvimento dos animais marinhos a curto e longo prazo.”

A temperatura da região do acidente também conta – quanto mais quente, pior. “O petróleo é negro porque absorve toda luz solar visível. E absorve também a luz ultravioleta”, descreve. Isso aumenta a solubilidade, aquece o óleo e contribui para maior evaporação, elevando muito a toxicidade da fração solúvel em água, segundo ele.

Estudos indicam que os efeitos tóxicos de uma maré negra podem durar até mais de um ano, de acordo com a composição do bioma. Sem contar o período de recolonização, que é bem mais longo. Entre os animais ameaçados pelo acidente no Golfo do México estão a baleia cachalote e o atum azul, espécie em alto risco de extinção que se reproduz naquele local.

Como ressalta a coordenadora da campanha de oceanos do grupo ambiental Greenpeace Leandra Gonçalves, um vazamento de óleo não é algo que se limpe. “Até hoje é possível encontrar traços do acidente com o navio da Exxon Valdez no Alasca, em 1989”, comenta.

Acidentes como o atual, de acordo com o Greenpeace, desmontam a alegação das empresas de petróleo de que já existem as mais variadas tecnologias para a contenção de vazamentos. E reforçam a importância do investimento em energias limpas, como a solar. “Mas o Brasil, em vez disso, está investindo na exploração do pré-sal”, critica a coordenadora.
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FONTE : EcoDebate, 04/05/2010

Petróleo: Especialista alemão diz que prospecções muito profundas ameaçam meio ambiente

Segundo especialistas alemães, prospecção de petróleo em grandes profundidades aumenta riscos para meio ambiente. Catástrofe ambiental no Golfo do México pode vir a superar danos com acidente do Exxon Valdez.

As primeiras manchas do óleo derramado no Golfo do México chegaram nesta sexta-feira (30/4) à costa do estado norte-americano de Louisiana, e ameaçam um ecossistema único do Delta do Mississipi. Habitantes da área temem por sua subsistência, devido às diversas tentativas sem sucesso de deter a contaminação e reparar as avarias da plataforma afundada.

Pode ser a pior catástrofe ambiental nos Estados Unidos em décadas. Pior mesmo do que o acidente com o petroleiro Exxon Valdez, no Alasca. Centenas de espécies de aves e peixes estão sob ameaça.

Há dez dias, diversos especialistas tentam deter o vazamento e a mancha de óleo em expansão. Em 20 de abril, um acidente na plataforma de petróleo Deepwater Horizon matou 11 dos 126 trabalhadores da unidade. A estação foi afundada nas águas do Golfo do México dois dias depois.

Porém três vazamentos despejam diariamente no mar cerca de 800 mil litros de petróleo. Em três meses – tempo possivelmente necessário para concluir uma segunda perfuração para vedar o vazamento – já estariam ultrapassados os 41 milhões de litros despejados no oceano em 1989 pelo petroleiro Exxon Valdez.

A secretária de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, ressaltou que a petrolífera britânica BP, responsável pela plataforma deverá arcar com os custos das operações de salvamento. A empresa pediu oficialmente auxílio ao governo americano. O presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que “o governo continuará empregando todos os meios ao seu alcance e, se necessário, também o Ministério da Defesa”.

A BP está empregando dez robôs submarinos na região, que tentam, até agora sem sucesso, fechar os vazamentos a 1.500 metros de profundidade.

Prospecções profundas aumentam chances de acidentes

Depois do vazamento de óleo no Golfo do México, especialistas alemães alertam para outras catástrofes parecidas em plataformas do petróleo de grandes profundidades.
“Estatisticamente é muito simples. Quanto mais atividades houver, maior é a chance de ocorrerem acidentes”, resume o geoquímico alemão Lorenz Schwark, da Universidade de Kiel.

O cientista afirma que os padrões de segurança para plataformas petrolíferas são suficientemente rígidos, mas lembra que, em grandes profundidades, são enormes as dificuldades tecnológicas envolvidas, em caso de problemas.

Novas reservas, como pré-sal brasileiro, são desafios

Enquanto as reservas em águas rasas vão se exaurindo, as companhias petroleiras partem em busca de fontes cada vez mais profundas, aumentando o risco de novos desastres ecológicos no mar. Isso também diz respeito à camada de pré-sal da costa brasileira.

“Reservas gigantescas estão sendo encontradas, sobretudo, em profundidades submarinas a partir dos 2 mil metros. Nessa área, a exploração vem crescendo dramaticamente, sobretudo nas costas do Brasil e do Ocidente africano “, lembrou Schwark, em entrevista ao jornal alemão Die Tageszeitung.

“Ao mesmo tempo, ela envolve grandes desafios técnicos. Nessa região só é possível se trabalhar com robôs, porque ninguém consegue mergulhar tão fundo. Além do mais, lá é escuro e vazamentos só conseguem ser reparados com dificuldade. Isso é um problema enorme”, avalia.

Não há segurança total, apesar de tecnologia avançada

Apesar dos altos padrões tecnológicos, não há como garantir segurança absoluta. “Essas plataformas petrolíferas são projetos milionários, com enormes investimentos de segurança. Mas a tecnologia já chegou a tamanha complexidade que, apesar de todos os esforços, continua sempre existindo o risco de falha técnica ou humana”, ressalta Christian Bussau, oceanógrafo do Greenpeace. Para ele, as empresas já trabalham nos limites do possível.

Em entrevista à emissora Deutschlandfunk, Bussau observa que o vazamento verificado na costa estadunidense é muito mais difícil de ser controlado do que em plataformas no Mar do Norte, por exemplo.

“Lá, a profundidade é de, no máximo, 200 metros e, em caso de acidente, mergulhadores podem fechar o vazamento com a ajuda de robôs”, diz. O que não é mais possível no caso da Deep Water Horizon, que depende somente a assistência de máquinas. “Um robô submarino possui luzes e câmeras, mas a visão lá embaixo é extremamente ruim. E com o óleo, a visibilidade passa a ser quase zero”, afirma.
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FONTE : Marcio Damasceno / Dirk Müller (Matéria da Agência Deutsche Welle, DW-WORLD.DE, publicada pelo EcoDebate, 04/05/2010)

Estudo da USP demonstra que nível do mar na costa brasileira sobe 4 milímetros por ano

Segundo dados coletados em portos ao longo da costa brasileira, o nível do mar está aumentando no Brasil cerca de 40 centímetros (cm) por século, ou 4 milímetros (mm) por ano (mm/ano). A constatação é do Laboratório de Marés e Processos Temporais Oceânicos (Maptolab) do Instituto Oceanográfico (IO) da USP que investiga as variações no nível do mar no litoral brasileiro, a partir de séries de medições que começaram em 1980. As análises dos dados são feitas por médias de variações diárias, médias sazonais e médias anuais do nível do mar, que permitem estimar a variação local de longo prazo.

O professor Afranio Rubens de Mesquita, pesquisador do Maptolab, explica que as medições de nível do mar dependem de um conjunto de variáveis tais como: a variação do volume de água doce presente no mar decorrente do degelo; a variação da salinidade da água; a variação de temperatura decorrente do aquecimento global; a variação vertical da crosta em relação ao centro da Terra; a variação devido aos ventos e outros fenômenos atmosféricos; a variação oceanográfica decorrente das ondas e correntes oceânicas; a variação astronômica, devido ao Sol e a Lua (marés) e o posicionamento das órbitas dos planetas (causador das Glaciações) em relação à Terra, entre outras variáveis.

As medições do nível do mar da Costa Brasileira são feitas em estações permanentes distribuídas ao longo da costa por diferentes instituições: Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), Diretoria e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil, Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o IO, que realiza, além das medições permanentes nas estações de Cananéia e de Ubatuba, no litoral Sul do Estado de São Paulo, medições de caráter não permanente em oceano profundo, ao longo da plataforma continental.

As medições feitas pela equipe do professor Mesquita na região de Cananéia, e publicadas em 2009, mostram um movimento de afundamento vertical da crosta na ordem de 0,11 cm por ano. Isso faz com que o nível do mar suba em relação à crosta a 0,38 cm por ano. “A variação de 0,38 cm por ano é preocupante e ameaça as praias, talvez, de toda a costa brasileira”, explica o pesquisador.

Outras séries de medições de nível do mar ao longo do litoral brasileiro indicam a mesma tendência de elevação de uma média de 40 cm por século, ou 4 mm por ano, que é mais evidente a partir dos anos 1960.

Sessão Capricórnio
O professor enumera várias dificuldades para se fazer essas medições em caráter global. Uma delas são as poucas estações de medições que há no hemisfério sul e os poucos recursos financeiros, que não permitem que medições de salinidade e de variação da temperatura da água sejam feitas ao longo da profundidade oceânica. Com essas medições seria possível estimar a razão com que, na atualidade, se dá a incorporação de água doce na região decorrente do degelo polar.

Para isso, o professor explica que é necessária a medição anual, durante um período mínimo de dez anos, na chamada Sessão Capricórnio, que é um conjunto de estações oceanográficas ao longo de uma radial oceânica (a partir de Santos até 500 quilômetros [Km] fora da costa), que permite a realização de medições ao longo da profundidade dos oceanos durante os dez anos do programa. “Não há dinheiro para que façamos essas medições todo ano e de forma contínua. Nossos pedidos de recursos junto a órgãos financiadores são constantemente negados, e isso atrasa o andamento e a qualidade das nossas medições e pesquisas sobre as variações do mar”, lamenta o professor.

“Estas medições profundas em mar aberto são mais limpas, livres de interferências geradas pelas correntes de marés junto à costa. Em comparação com medições feitas na costa, elas permitem o estudo mais acurado das componentes periódicas de natureza ‘astronômica’, que são ainda um grande enigma da Física nos dias de hoje”, explica o pesquisador.

Mais informações: (11) 3091-6648, email ardmesqu@usp.br, site www.mares.io.usp.br
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FONTE : reportagem de Paulo Roberto Andrade, da Agência USP de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 04/05/2010

Anvisa autua Monsanto por omissão de informações relacionadas ao processo de produção do agrotóxico Glifosato

A empresa norte-americana Monsanto foi autuada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por omissão de informações. Durante fiscalização realizada na fábrica da empresa, em São José dos Campos (SP), na última semana, a Anvisa constatou que a Monsanto omitiu informações relacionadas ao processo de produção do agrotóxico Glifosato Técnico Monsanto.

Mesmo quando essas informações foram solicitadas à empresa, no ano de 2007, a Monsanto não apresentou o detalhamento do processo de formulação do produto. “O objetivo de conhecer o detalhamento do processo de síntese do Glifosato Técnico tinha a finalidade de definir o produto como sendo de referência para a concessão de registros por equivalência de outros agrotóxicos com o mesmo ingrediente ativo”, explica o diretor da Anvisa José Agenor Álvares.

A empresa também foi notificada a efetuar ajustes no sistema informatizado de controle de qualidade, para que constem os números dos lotes dos produtos no sistema e para que seja controlado o limite mínimo de ingrediente ativo do Glifosato Dry Técnico. Atualmente, o sistema só apresenta a data de produção dos agrotóxicos.

A fiscalização da Anvisa contou com apoio da Polícia Federal. Após apuração do caso, caso seja comprovada culpa da empresa, a multa pode chegar até R$ 1,5 milhão.

Essa é a primeira empresa de agrotóxico fiscalizada pela Anvisa em que produtos não apresentaram indícios de adulteração e linhas de produção não foram interditadas. “Acreditamos no caráter educativo que nossas fiscalizações têm representado para todo setor de agrotóxicos e esperamos fazer fiscalizações nas quais nenhuma irregularidade seja encontrada”, afirma Álvares.
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FONTE : nota da Anvisa publicada pelo EcoDebate, 04/05/2010

domingo, 2 de maio de 2010

POR FAVOR ! ENTENDAM QUE TODOS SOMOS APENAS...UM !!!


A NATUREZA EM NÚMEROS...

ONDAS GIGANTES ATINGIRÃO O BRASIL


LONDRES - Todos os elementos que se poderia querer para um filme clichê de desastre estão ali: uma linda ilha vulcânica no Atlântico, à beira de um colapso catastrófico, ameaçando propagar ondas gigantescas que vão avançar pelo globo em questão de horas. E enquanto os cientistas tentam em vão tornar audível seus alertas, os governos olham para o outro lado.

Segundo Bill McGuire, diretor do Centro de Pesquisa de Riscos Benfield Grieg, da University College of London, um grande bloco de terra, aproximadamente do tamanho da ilha britânica de Man (572 km²), está prestes a se desgarrar da ilha de La Palma, nas Canárias, após uma erupção do vulcão Cumbre Vieja.

Quando - McGuire garante que a questão não é ''se'' - o bloco cair, vai gerar ondas gigantes chamadas megatsunamis. Viajando a 900 km/h, as imensas paredes de água vão atravessar os oceanos e atingir ilhas e continentes, deixando um rastro de destruição como os vistos no cinema. As megatsunami são ondas muito maiores do que as que o homem está acostumado a ver.

- Quando uma destas surge, se mantém de 10 a 15 minutos. É como uma grande parede de água em direção ao litoral - descreve McGuire.

Modelos feitos em computador do colapso da ilha mostram as primeiras regiões a serem afetadas por ondas de até 100 metros de altura: as ilhas vizinhas do arquipélago espanhol das Canárias. Em poucas horas, a costa ocidental da África será golpeada por ondas similares.

Entre nove e 12 horas depois do colapso em La Palma, ondas de 20 a 50 metros vão cruzar 6.500 km de oceano e atingir as ilhas caribenhas e a costa Leste dos Estados Unidos e Canadá. Ao chegar a portos e estuários, a água será canalizada para o interior. Mortes de pessoas e destruição de bens serão imensas, de acordo com McGuire.

Até 19 horas depois da erupção, ondas de 4 a 18 metros vão atingir a costa Norte e Nordeste do Brasil, do Pará à Paraíba. A ilha de Fernando de Noronha será um dos locais onde a tsunami chegará com mais força no Atlântico Sul.

A Europa também será golpeada. O litoral Sul de Portugal, Espanha e o Oeste da Grã-Bretanha vão experimentar ondas de até 10 metros, quatro ou cinco horas depois do evento geológico nas Canárias. Portos serão destruídos. Desastres naturais como estes são raros, ocorrem a cada 10 mil anos. Mas La Palma pode entrar em colapso muito antes.

- O que sabemos é que está em processo de acontecer - garante McGuire.

A ilha chamou a atenção dos cientistas em 1949, quando seu vulcão, o Cumbre Vieja, entrou em erupção, causando um desabamento de parte de seu flanco Oeste, que afundou quatro metros oceano abaixo. Especialistas acreditam que placas de terreno continuam escorregando lentamente para o mar e dizem que uma próxima erupção deve fazer toda a lateral ocidental da montanha desabar.

- Quando acontecer, não vai levar mais que 90 segundos - disse McGuire.
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FONTE : JB Internacional: