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sábado, 27 de novembro de 2010

SANTA CATARINA : Descaso com a vida em Florianópolis

Inacreditável pensarmos que em pleno ano de 2010 alguns absurdos em nossa cidade de Florianópolis, capital de um estado da Região Sul (considerada uma região "rica" do país) vivencie situações, como dito anteriormente, absurdas.

Para exemplificação cito dois exemplos, um com consequências de danos a longo prazo e outro com danos violentamente ocorridos no cotidiano:

1) a utilização de fossas, em grande quantidade, ao invés de esgoto tratado;

2) a falta de sinalização adequada ou mínima em bairros, como os Ingleses, um dos maiores em extensão e população. Não há sequer um semáforo no bairro e as poucas faixas de pedestre são insuficientes para garantir o mínimo de segurança.

No dia 4 de novembro, o cruzamento da rua Intendente João Nunes Vieira com o início da Rodovia João Gualberto Soares foi local de mais um atropelamento (como outros tantos que inclusive ocorreram neste ano e que vitimou violentamente vidas).

Denúncias sobre a necessidade de sinalização no local e em outros já foram feitas na ouvidoria da prefeitura, mas sequer a mesma foi capaz de dar respostas. As pessoas que lá estão e deveriam zelar por tal sinalização de segurança recebem seus salários pagos pelos impostos dos mesmos cidadãos que estão perdendo a vida por falta de segurança no uso das vias urbanas sem sinalização.

Os gastos com um resgate são muito maiores do que o dinheiro que gastariam investindo em prevenção. Até quando vidas serão perdidas? Tenham um mínimo de humanidade e façam jus ao salário que recebem!
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FONTE : Paula Pereira Rotelli,Diário Catarinense on-line em 13/11/2010, às 14:43 horas.

SANTA CATARINA : Projeto Ambiental

A situação do meio ambiente no globo nos desafia a preservar os recursos naturais e, ao mesmo tempo, possibilitar um desenvolvimento social justo, permitindo que as sociedades humanas atinjam uma melhor qualidade de vida em todos os aspectos. A necessidade de consolidar novos modelos de desenvolvimento sustentável no país exige a construção de alternativas de utilização dos recursos, orientada por uma racionalidade ambiental e uma ética de solidariedade.

Como instrumento para a preservação ambiental, o ser humano tem as leis que regem a forma de agir com o meio ambiente. Embora muitas vezes estas leis sejam desobedecidas, temos que utilizar os meios existentes a fim de manter os recursos e ambientes naturais remanescentes.

As leis que regem o comportamento de uma sociedade ou de um indivíduo nem sempre são consideradas justas. Inúmeras vezes nos vemos diante de afirmações populares como "tal lei serve para todos, mas não se aplica a alguns".

A legislação brasileira avançou muito nos últimos anos. O Brasil expôs ao mundo a importância de se conservar os recursos bióticos e naturais presentes nas florestas para a manutenção da qualidade ambiental do planeta.

Neste sentido, a Plantanense Distribuidora de Insumos Agrícolas Ltda. de Campo Erê, iniciou nesta manhã o plantio de aproximadamente oito mil mudas de árvores nativas. A empresa vai implementar essa atividade em todas suas unidades. Em Campo Erê onde foi feita a abertura oficial o plantio foi as margens do rio Bicudo, rio que fornece água para o abastecimento da cidade. Ainda ocorreu o plantio na nascente do rio Marmeleiro. Esse rio nasce na divisa de Campo Erê com Marmeleiro PR e como nos outros locais os trabalhos de reflorestamento tem o objetivo de proteger os mananciais de sua área de abrangência.

O projeto foi desenvolvido pelos funcionários da empresa que alem de participar do projeto são eles que estão fazendo o plantio.

Na abertura o diretor da empresa Jucemar Borcioni destacou a importância da execução do projeto e das parcerias que aderiram o mesmo.

Já o proprietário da área que recebeu o plantio Victor Hugo Begrow destacou a sua preocupação com a proteção, e disse que 23,5% de sua área de terras esta reflorestada, principalmente as margens do rio.

O projeto Ambiental Força Verde da Plantanense continuara até que seus objetivos forem alcançados, informou Renato Turratti, que num prazo de quatro anos serão aplicados R$ 12 mil.
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FONTE : JANDIR SABEDOT (Diário Catarinense,edição on-line de 26/10/2009, às 19:57 horas).

SANTA CATARINA : Um exemplo do legado da política ambiental brasileira nos últimos 30 anos

Considero o melhor exemplo da ideologia ambiental brasileira, com finalidade de estudar os resultados alcançados até agora com política, leis e o resto, o exemplo da evolução (neste caso, regressão) ecológica do parque da serra do Tabuleiro.

Sou frequentador, surfista, da área da Guarda do Embaú desde os anos setenta, quando o ambientalismo como o entendemos hoje em dia (uma mistura de politicagem, demagogia, corrupção e autoritarismo, ingredientes de toda sociedade fascista ou comunista que se preze, pois são iguais), estava apenas nascendo. Naquela época, era comum desmatar, aterrar, queimar, matar animais e todo o resto. O grande fator controlador do desastre ambiental era a falta de recursos da população, que não tinham carros, ferramentas e infra estrutura suficiente para destruir em grande escala, e a população não era tão grande ainda.

Com o aumento da população, do poder aquisitivo e da tecnologia, onde a maioria já poderia ter um carro, começou então a primeira onda de destruição em massa. Paraísos idílicos como Bombinhas, Quatro Ilhas, e várias outras praias do Litoral Norte catarinense foram as primeiras a cair. Hoje se transformaram em infernos irreconhecíveis. A destruição se espalhou como como fogo na palha, destruindo Florianópolis, Laguna, Imbituba, e muitas outras, com algumas que resistiram como joias de exceção protegidas pelo capital dos investidores, tipo Garopaba, praia do Rosa.

A Guarda do Embaú e a Pinheira, apesar de estarem dentro do parque da serra do Tabuleiro e com o potencial de se transformarem em exemplos de conservação, foram vítimas de uma administração altamente incompetente, destrutiva e perniciosa, que conseguiu finalmente no ano passado dar seu golpe de misericórdia, ao remarcar a área do parque, excluindo vasta área de beleza única, entregando de bandeja aos interesses comercialistas do município da Palhoça.

O personagem icônico desta administração destrutiva não poderia ser mais evidente na pessoa do promotor ambiental José Eduardo Cardoso. A pesquisa mais simples no Google revela um dos motivos desta desgraça: inúmeros , intermináveis e frívolos processos, secando todos os fundos disponíveis pelo banco mundial para a conservação do parque e destruindo a credibilidade do promotor e consequentemente, a do parque. A insistência do promotor em antagonizar a todos, se posicionando como o 'dono da verdade e da lei', abrindo mão de cooperativismo valioso com os moradores e investidores, o desdém por idéias que não fossem as suas ao se fechar ao diálogo e muitas outras barbaridades, ilustrando brilhantemente a filosofia da lei no Brasil. No final me pergunto: que time que jogava este promotor — ele quer mesmo conservar o meio ambiente ou está jogando para os interesses comerciais de terceiros?

Agora só me resta sonhar com o que poderia ter sido feito e esperar pelo pior. As prefeituras catarinenses são famosas por suas péssimas administrações, corrupção, falta total de visão para prever o crescimento populacional e turístico, não querem investir em nada nunca que não o populismo de políticos com obras ineficazes e inacabadas. Ao atravessar o rio da Madre, na Guarda do Embaú, agora completamente poluído por esgoto, ao ficar horas tentando chegar na praia pela trilha lotada de turistas que estacionam seus ônibus em qualquer lugar e não pagam nada, a água mal tratada oferecida pelo município, admiro então que pelo menos ainda não chegaram os prédios de 12 andares prometidos pela prefeitura. A casas continuam construídas irregularmente, sem leis, clandestinizadas pelo promotor autoritário, e consequentemente, assustando aqueles que possuem o capital para melhorar o a cidade mas tem medo de investir em um lugar tão sem lei e corrupto, favelando ainda mais o que sobrou.

Pelo menos tive o gosto de ver a beleza que foi Santa Catarina apenas 30 anos atrás, o que nunca mais será recuperado. E isto tudo vale para o Brasil inteiro, hoje em dia pode se contar nos dedos os lugares no litoral que não foram favelizados e destruídos por administradores públicos e especuladores.
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FONTE : Angelo Diniz (Publicado no Diário Catarinense, edição on-line, em 14/06/2010 às 19 horas).

SANTA CATARINA : Recolhimento de Embalagens Vazias de Agrotoxicos

Recolhimento de embalagens vazias de agrotóxicos na cidade de Guaramirim -SC.

A produção de alimentos para uma população em constante crescimento é hoje o desafio básico da agricultura, que passa necessariamente pelo compromisso com a utilização de procedimentos e tecnologias capazes de assegurar o respeito pela saúde humana e pelo meio ambiente e também a sustentabilidade da agricultura.

Segundo o Instituto Nacional de processamento de Embalagens Vazias (Impev), em 2008, a taxa de retorno no Brasil chegou a 95%, bem superior a de outros países que têm programas semelhantes.

O instituto também informa que aproximadamente 95% das embalagens recolhidas no Brasil são recicladas e as restantes incineradas. O ganho ambiental gerado pelo volume reciclado em seis anos do programa equivale ao plantio de 491 mil árvores, ou 98 mil toneladas de gás carbônico.

Depois de utilizados os defensivos agrícolas, suas embalagens devem ser devolvidas corretamente, e poderão ter dois destinos: reciclagem ou incineração. Jogados nos campos e nos rios essas embalagens causam danos ao ambiente e á saúde humana e animal.

Sempre que um produtor compra um agrotóxico, ele assume a responsabilidade de devolver a embalagem vazia e tríplice lavada na loja onde comprou, o problema é que, muitas vezes voltar até a loja para fazer a devolução custa tempo e dinheiro.

Diante do exposto, a Secretaria da Agricultura e Pecuária e o Governo Municipal de Guaramirim, com o apoio do Conselho Municipal de Desenvolvimento Agropecuário (Condag), Associação dos Comerciantes de Defensivos Agrícolas do Planalto Norte (Acodeplan), e das agropecuárias do município, dará início a campanha anual de recolhimento de embalagens de agrotóxicos.

Campanha esta, a divulgação está muito boa e a aceitação entre os agricultores está ótima. Os dias de recolhimento acontecerão em junho nos dias 16, 17 e 18.Queremos conscientizar o agricultor que estes vasilhames tem um destino diferente dos vasilhames comuns, um Destino Certo.
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FONTE : Vanderlei Edson da Rosa (publicado em: 15/06/2010, às 16:00, na edição on-line do Diário Catarinense).

SANTA CATARINA : Cerco do Ibama já localizou 218 aves através da "Operação Batendo Asas"

Operação Batendo Asas foi realizada em cinco cidades de Santa Catarina.
No cerco que o Ibama está fazendo aos criadores ilegais de pássaros em Santa Catarina, mais uma grande apreensão aconteceu ontem. A operação Batendo Asas foi realizada simultaneamente em Três Barras, no Norte, Bom Retiro, no Planalto Serrano, e Alfredo Wagner, Blumenau e Pomerode, no Vale do Itajaí.

Durante uma semana de operação foram 218 pássaros apreendidos. Entre as aves recuperadas, há cinco pixoxós, espécie ameaçada de extinção, dez pintassilgos, cinco graúnas, três bicos-de-pimenta, oito tico-ticos, 11 canários, 14 coleirinhos, 16 sabiás, 19 azulões e 21 trinca-ferros.

Todos os bichos estavam com anilhas (anéis colocados nas animais de criação recém-nascidos, onde consta sua procedência) adulteradas ou falsificadas. Havia também um pintassilgo venezuelano, espécie silvestre exótica sem autorização do Ibama. Foram emitidos oito autos de infração, duas notificações e R$ 195 mil em multas, até agora.

Além de responder por crime ambiental, o infrator que adultera ou falsifica anilhas, se condenado, cumpre pena de dois a seis anos de prisão, além do pagamento de pesadas multas. Cada pássaro apreendido origina penalidade de R$ 500 e, se estiver ameaçado de extinção, o valor passa para R$ 5 mil por animal.

Os interessados em ajudar no combate a crimes ambientais, podem fazer denúncias na Linha Verde, no telefone 0800-618080. O denunciante não precisa se identificar.
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FONTE : Diário Catarinense, 27/11/2010.

NO SEU ANIVERSÁRIO A AGAPAN HOMENAGEIA AUGUSTO CARNEIRO.

“Comemorando esses 38 anos de ativismo, vamos homenagear Augusto Carneiro que, apesar dos seus 87 anos, segue incansável na militância ambiental, participando ativamente nos problemas ecológicos locais, regionais, nacionais e planetários, vendendo livros, distribuindo artigos, interagindo com as pessoas, comunicando-se, canalizando e passando informações ecológicas importantes. Isto é o que o Carneiro há dezenove anos vem fazendo todos os sábados de manhã, na Feira dos Produtores Ecológicos, no bairro Bonfim, em Porto Alegre”, explica Edi Fonseca, presidente da entidade.

CARNEIRO: A MILITÂNCIA ECOLÓGICA COMO TRABALHO DE FORMIGA.

Augusto Carneiro e José Lutzenberger formaram uma dupla decisiva no processo de criação da Agapan e nos rumos tomados pelo movimento ecológico gaúcho e brasileiro. Enquanto Lutzenberger trilhava o caminho que o levou a ser um dos ecologistas mais conhecidos do mundo, Carneiro fazia o seu trabalho de formiga na retaguarda, mandando materiais por correspondência, preparando contatos, atendendo às necessidades burocráticas, administrativas e contábeis da Agapan, enfim dando cobertura à atuação pioneira de José Lutzenberger e fazendo sua atuação ecológica própria. Este, nos tempos heróicos do movimento ecológico, uma vez demonstrou cientificamente para a Hilda Zimermann a importância ecológica das formigas nos processos de mineralização do solo. Diferentemente do Lutz, o Carneiro tem passado ensinando com o próprio exemplo importância ecológica não da formiga mas do trabalho de formiga. Neste grande formigueiro que se transformou a civilização, as vidas Lutzenberger e de Carneiro nos ensinam a valorizar a importância ecológica da ação individual. Normalmente a gente tende a se considerar impotente em termos individuais diante da complexidade e da possível irreversibilidade da crise ecológica. Lutzenberger dizia que mesmo que ele soubesse que o mundo iria acabar em três dias, ele continuaria fazendo tudo o que vinha fazendo ao longo de toda a sua vida: o que ele considerava certo, digno e correto como expressão de sua consciência ecológica. Como Lutz, o que Carneiro nos ensina com seu exemplo é uma lição de coragem, dignidade e coerência: cada cidadão expressa um poder imenso, possivelmente o único capaz de enfrentar a crise ecológica, fazendo o que pode e deve ser feito, sem se preocupar com os resultados. Cada cidadão é uma formiguinha indispensável. Ela conta muito mais do que se costuma pensar para a consciência da soberania e a vida do formigueiro… Hoje, depois de 38 anos, cabe perguntar: “Será que o movimento ecológico, a Agapan e Lutzenberger teriam existido sem as décadas de trabalho voluntário realizado pelo Carneiro ?” A simples constatação de que esta pergunta faz sentido, dá a medida do poder e da responsabilidade de cada um de nós. Esta é a lição deste ecologista gaúcho e cidadão do mundo. Carneiro age fazendo educação ecológica, que é muito mais ampla e radical do que a chamada educação ambiental. E educação se faz com exemplo e com o testemunho histórico de uma coletividade.

CARNEIRO: MEMÓRIA VIVA DA CIDADE

O Carneiro é um profundo observador da natureza. Instituiu a prática educativa de fazer viagens e passeios para observar in loco as maravilhas da nossa natureza e os horrores que a sociedade de consumo vem fazendo. Ele gosta muito de conversar e é um banco de dados insubstituível para a ecologia urbana, cultural e natural de Porto Alegre. Na sua condição de octogenário absolutamente lúcido, ele pode nos falar com riqueza de detalhes, por exemplo, da época em que os morros de Porto Alegre eram cobertos de matas, havia pacas e quatis no bairro da Glória e capivaras à beira do Guaíba no Menino Deus. Ele ainda se lembra perfeitamente da época em que ainda não existia o serviço municipal de recolhimento do lixo doméstico em Porto Alegre. Espantem-se ao ouvir ele contar: “Não havia nada de lixo procedente de embalagens, não havia papéis nem plásticos. Todo o lixo orgânico de Porto Alegre, era dispersado e decomposto nos pátios das próprias casas. Os restos de comida eram alimentação para cachorros, galinhas e gatos… Naquela época havia muita mosca em Porto Alegre… sinal de que não havia uma preocupação em controlar os detritos domésticos com a finalidade de prevenir a proliferação destes insetos.” O envolvimento de Carneiro com a questão do lixo o levou a representar a Agapan por muitos anos no Conselho Deliberativo do Departamento Municipal de Limpeza Urbana da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, DMLU. Nesta condição sempre lutou na defesa dos papeleiros e do seu trabalho de reciclagem de papel e papelão, bem como da reciclagem de latas e garrafas plásticas.

CARNEIRO E A MEMÓRIA DE ROESSLER

Entre os grandes feitos da sua carreira de ecologista, Carneiro foi o grande divulgador da figura e da obra pioneira de Roessler. O movimento ecológico gaúcho, brasileiro e mundial teve como um dos seus precursores o gaúcho Henrique Luís Roessler (1896-1963), ativista que nasceu e viveu em São Leopoldo (RS) e atuou no Rio Grande do Sul. Numa época de total inconsciência, Roessler se sensibilizou profundamente com os crimes e agressões à natureza que ele via em toda a parte, tais como a caça e a pesca predatórias, o desmatamento, as queimadas florestais e a poluição dos nossos rios pelas indústrias e esgotos domésticos. O primeiro ecologista brasileiro publicou 301 crônicas semanais no Suplemento Rural do Correio do Povo, no período de 15 de fevereiro de 1957 a 8 de novembro de 1963. A história e a obra deste pioneiro foi resgatada em 1986 por Augusto Carneiro, através da edição e publicação do livro “O Rio Grande do Sul e a Ecologia – Crônicas Escolhidas de Um Naturalista Contemporâneo”, uma antologia dos principais textos publicados por Roessler. A Fepam, Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler, órgão executivo da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do RS, ostenta no seu próprio nome a homenagem pública e oficial a este gaúcho, pioneiro mundial da ecologia. Mas é necessário lembrar que sem o trabalho editorial meticuloso do Carneiro, certamente o nome de Roessler hoje estaria esquecido.

A atuação de Roessler na imprensa originou as bases de onde surgiram a Agapan e o movimento ecológico gaúcho. Em 1971, graças à iniciativa de Carneiro e de alguns admiradores, foi fundada a Agapan sob a liderança de José Lutzenberger, dando continuidade à obra iniciada por Roessler. Mas por trás de toda esta história temos este trabalho incansável de formiguinha sem o qual nada teria acontecido. Por estas razões, no próximo dia 27 de abril, a Agapan estará comemorando seus 38 anos de lutas e homenageando Augusto Carneiro.
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FONTE : Blog AGIR AZUL, 274/2009.

PORTO ALEGRE : 21 Anos da pioneira Feira Ecológica

Fruto da visão de Nelson Diehl, Glaci Campos Alves, Jacques Saldanha, e outros, há 21 anos, no canteiro central do final da av. José Bonifácio, em Porto Alegre, iniciou-se, timidamente, a Feira Ecológica da Coolméia. Os produtores da Coolméia, cooperativa pioneira fundada em 1978 e que por isso e muito mais fez história no Brasil, já produziam mais do que o entreposto podia comercializar - os consumidores de comida sem agrotóxicos pediam mais e mais quantidade e diversidade. As primeiras feiras foram mensais, depois quinzenais e depois semanais. No canteiro, aos sábados, a Coolméia foi a primeira a ocupar o espaço…apenas aos domingos existia o Bric da Redenção e a Feira de Antiguidades. Mas aos sábados, não havia nada. A Feira ocupava exatamente o mesmo espaço da atual. E mais não pode ocupar porque alguns anos depois de iniciar a Prefeitura Municipal resolveu adonar-se dos outros espaços com o apoio de uma cooperativa criada praticamente para isto, com produtores da zona sul da capital. E o inacreditável é que os produtores são na maioria exatamente os mesmos que resolveram acreditar na idéia desde o início. A eles e ao Nelson, a Glaci, Jacques e outros, os nossos cumprimentos.

Abaixo um texto sobre a própria Coolméia, entidade que hoje está na História, a raiz de tudo:

A COOLMÉIA FOI CRIADA NA ERA DE AQUARIUS
O depoimento de uma fundadora
(por João Batista Santafé Aguiar, jornalista, agosto 2002)

Um mapa astrológico definiu a data e o horário de fundação da Coolméia - Cooperativa Ecológica, em 23 de janeiro de 1978, às 11h30min. No início do signo de Aquário a Cooperativa foi articulada por 23 pessoas, a maioria participantes da Grande Fraternidade Universal, Fundação Dr. Serge Raynaud de la Ferrière, com sede mundial em Caracas, Venezuela. A Coolméia teve um berço espiritualista e tem como destino viver e realizar uma das caracteristicas da Nova Era que é a "Cooperação" entre os seres, em vez da "competição".

Zuleica Degani, sócia fundadora de nº 23, na época com 29 anos de idade, Administradora de Empresas e grande articuladora comunitária chegou a fazer uma especialização em Cooperativismo na UNISINOS, para aprender como fazer acontecer uma cooperativa.

A Coolméia recebeu influências de várias dimensões, explica Zuleica. Da GFU, refletiu no seu Estatuto a valorização da Educação Integral, pois o grande diferencial do sistema cooperativista de outros sistemas econômicos é a aplicação de parte do resultado das operações em um fundo destinado à educação dos membros da cooperativa. O Sistema Cooperativo está portanto em perfeita harmonia com a nova Era de Aquárius cuja palavra chave é o SABER.

O estatuto da Coolméia foi levado em mãos para o INCRA, em Brasília, para um professor da UNISINOS que lá trabalhava, com a intenção de que fosse aprovado sem cortes, permitindo assim, à Cooperativa, atuar nas 3 áreas: produção, consumo e serviço. O sistema cooperativista não era bem visto pela ditadura porque explicitamente se propõe a educar para a democracia. A exigência de registro das cooperativas junto ao Governo Federal caiu apenas na Constituição de 1988.

O pensamento de José Antonio Lutzenberger, fundador da AGAPAN, também significou uma importante influência no início da Coolméia. Alguns sócios fundadores freqüentavam as históricas reuniões das segundas-feiras da Agapan quando Lutzenberger alertava sobre os malefícios dos agrotóxicos. "Compreendemos, então, o estado de intoxicação do planeta e a urgente necessidade de viabilizar a agricultura orgânica e de divulgar massivamente os seus princípos e práticas para o bem da coletividade", afirma Zuleica.

Ela lembra que a questão da alimentação sempre foi ressaltada na GFU, não de forma dogmática, mas como um motivo de estudo e pesquisa. Naquela época era muito difícil ser vegetariano pois os produtos integrais e naturais não eram facilmente encontrados, como hoje em dia.

Assim, a Coolméia nasceu também com a motivação de viabilizar os gêneros alimentícios aos seus associados, fomentando os produtores de alimentos orgânicos e a rede de solidariedade, respeito mútuo e comprometimento entre produtor e consumidor.

Outra motivação, lembra, é que o sistema cooperativista representa também uma opção para um país como o Brasil. Naquela época, a República Cooperativa do Suriname era um exemplo de como o cooperativismo pode significar uma opção para o sistema econômico de toda uma nação. A divulgação da existência deste modelo "alternativo" não interessa aos meios de comunicação convencionais, diz.

"Quando em 1975 visitamos um restaurante vegetariano de uma Cooperativa de Bogotá, do tamanho de um RU, pensamos que no Brasil poderíamos fazer o mesmo em muitas cidades, se os brasileiros tomassem consciência do seu "poder como consumidores" e se organizassem, unindo o produtor ao consumidor, ganhando em qualidade e viabilizando a vida no campo", afirma. "Tenho a certeza que a Coolméia é uma semente para isto”.

Na época da fundação foi feito o mapa astrológico. Zuleica afirma que o Mapa Natal da fundação da Coolméia indicava o Sol ajudando a projeção social e a missão pública; o Mercúrio, a boa comunicação, e também emprestando um aspecto intelectual à missão; a conjunção do Sol com Vênus, este regendo a segunda casa, ajudando as economias. Como é dificil ter um mapa perfeito, a Lua em Câncer ajuda a Coolméia a ter um lugar de boa comida, onde todos se sentem em casa, mas também traz aquele sentido maternal que, as vezes pode dar pouca firmeza na fiscalização e controle em geral.

Como no ano que vem, nossa Cooperativa comemorará suas bodas de prata, Zuleica conclama a pensar-se em uma sede própria, e à união para viabilizar este projeto. "Uma sede abriria, com certeza, novas possibilidades de ampliar as atividades dentro de suas três áreas de atuação (produção, consumo e serviços) para melhor atender todas as necessidades de produtos e serviços, dos sócios e da comunidade, dentro de um enfoque ético, sustentável e educativo que sempre caracterizou sua atuação", conclui.
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FONTE : Blog AGIR AZUL, http://blog.agirazul.com.br/, 9/11/2010.