sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Manchetes Socioambientais - 27/12/2012‏

Mineradoras aceleram seu avanço na Amazônia brasileira 
Gigantes da mineração como a Vale SA e a britânica Anglo American PLC estão se esforçando para extrair minerais da floresta amazônica brasileira, apostando alto numa das regiões mais remotas e de meio ambiente mais sensível do mundo. Ao todo, as mineradoras vão investir cerca de US$ 24 bilhões entre 2012 e 2016 para aumentar a produção de minério de ferro, bauxita e outros metais encontrados na bacia do Amazonas, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração. O Brasil já recebe hoje um quinto dos investimentos em mineração no mundo, e a Amazônia representa para muitos o maior potencial ainda inexplorado do país. Mudanças na lei e empréstimos do governo ajudarão a abrir caminho para mais minas na região - Valor Econômico, 26/12, Empresas, p.B10. 

Efeitos da seca podem durar anos na Amazônia 
A Floresta Amazônica pode demorar vários anos para se recuperar dos efeitos de uma grande seca, colocando em risco a sua própria sobrevivência caso esses eventos passem a ocorrer com mais frequência - como preveem alguns modelos de mudanças climáticas para a região. O alerta é de um estudo publicado na última edição da revista PNAS, que avaliou os efeitos a longo prazo da grande seca de 2005 na Amazônia. Os impactos da estiagem ainda eram perceptíveis no dossel da floresta quatro anos depois, em 2009, na véspera de uma outra grande seca, em 2010. Se as estiagens continuarem a acontecer numa frequência de 5 a 10 anos, o efeito cumulativo poderá alterar permanentemente a estrutura biológica da floresta - OESP, 26/12, Vida, p.A12. 


 ÁGUA 

São Francisco pode ser extinto, diz biólogo 
Após quatro anos de monitoramento do rio e das obras de transposição de parte das águas do São Francisco, o biólogo José Alves Siqueira e outros 99 pesquisadores alertam: o rio está em processo de "extinção inexorável". O professor integra a equipe da Universidade Federal do Vale do São Francisco, contratada pelo governo federal para fazer o inventário da flora e da fauna ao longo de todo o trecho da obra. Siqueira afirma, em entrevista, que os programas de recuperação de áreas degradadas não estão sendo implementados - FSP, 26/12, Poder, p.A7. 

Governo afirma que área afetada por transposição será recuperada 
O Ministério da Integração Nacional declarou que as ações de recuperação de áreas afetadas pelas obras de transposição do rio São Francisco serão implementadas pelas empreiteiras após a aprovação dos Prads (Planos de Recuperação de Áreas Degradadas) pelo Ibama. O órgão ambiental, no entanto, informou que eles fazem parte de outro plano aprovado em 2007. O ministério também informou que pretende investir R$ 968,6 milhões na execução de programas ambientais relacionados às obras de transposição - FSP, 26/12, Poder, p.A7. 


 ÁREAS PROTEGIDAS 

Ibama facilitou licença de projeto em ilha de Santos 
O Ibama ignorou parecer de seu corpo técnico e concedeu uma licença em outubro deste ano para a construção de um complexo portuário na ilha de Bagres, no porto de Santos, no litoral paulista. O principal interessado no empreendimento, de R$ 2 bilhões, é o ex-senador Gilberto Miranda, acusado pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro de pagar propina para obter pareceres favoráveis para ocupar duas ilhas no litoral paulista -a de Bagres e a de Cabras. Há indícios de que o grupo denunciado na Operação Porto Seguro tenha atuado no Ibama para licenciar o projeto - FSP, 26/12, Poder, p.A4. 

Tramitação legal foi obedecida, afirma instituto 
O Ibama afirma que toda a tramitação cronológica e legal do licenciamento do projeto de Bagres foi seguida e que ainda há tempo, nas demais licenças futuras (principalmente a de instalação do empreendimento), para que todos os pontos sejam rediscutidos, caso haja dúvidas a respeito do processo - FSP, 26/12, Poder, p.A4. 


 GERAL 

Temperatura na Antártida sobe mais que a média global 
O oeste da Antártida está esquentando em um ritmo que é o dobro do estimado anteriormente, segundo estudo publicado nesta semana na "Nature Geoscience". A média anual de temperaturas na estação de pesquisa Byrd, no oeste do continente, aumentou 2,4ºC desde a década de 1950, um dos crescimentos mais rápidos do planeta e três vezes mais veloz que a média global, segundo a pesquisa. O achado dá força ao temor de que a camada de gelo esteja sujeita a derretimento. O oeste da Antártida contém gelo suficiente para aumentar o nível do mar em 3,3 metros se um dia derretesse, um processo que pode levar séculos - FSP, 26/12, Ciência, p.B9. 

EUA dão sinal verde a salmão transgênico 
A FDA (agência que regula remédios e alimentos nos EUA) afirmou que um salmão transgênico que cresce duas vezes mais rápido que o normal não causaria grande impacto ambiental, o que abre caminho para a aprovação do primeiro animal geneticamente modificado para ser consumido por humanos. A agência ainda fará uma consulta pública sobre o tema, mas especialistas veem a declaração como o último passo antes da aprovação. Críticos, que chamam o salmão de "frankenpeixe", temem que ele possa causar alergias ou até dizimar a população natural de salmões se a variedade transgênica procriar na natureza -FSP, 26/12, Ciência, p.B9. 

Cientistas debatem se vivemos nova época geológica 
Um grupo de cientistas na Comissão Internacional de Estatigrafia - disciplina que analisa as marcas da passagem do tempo no planeta está estudando tornar oficial nos registros geológicos que ações antropogênicas - aquelas induzidas ou alteradas pela presença e atividade do homem - já causaram tamanho impacto nos ciclos naturais do planeta que são suficientes para marcar o surgimento de uma nova época na escala de tempo da Terra. Estamos no Holoceno, iniciado após o fim da última era do gelo e caracterizado por uma relativa estabilidade climática. O grupo analisa as evidências científicas para poder dizer se o impacto das ações humanas foi significativo o bastante para dar início a uma nova época, chamada Antropoceno - OESP, 26/12, Vida, p.A12. 

Oito hidrelétricas do governo FHC podem sair do papel 
Oito usinas hidrelétricas, com capacidade total de 2 mil MW, leiloadas no governo Fernando Henrique Cardoso, podem finalmente sair do papel. Para tentar viabilizá-las, a Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia, entidade que representa empresas como Vale e Alcoa, conseguiu aprovar no Congresso um dispositivo na lei que renova as concessões do setor elétrico. O texto deve ser sancionado nesta semana pela presidente Dilma Rousseff. Se não houver vetos, haverá mais prazo para os projetos. As usinas tiveram dificuldades para obter a licença ambiental. O principal empreendimento é a usina Santa Isabel, no rio Araguaia (TO) - FSP, 26/12, Mercado, p.A15. 

ONGs na linha 
Fruto de discussões envolvendo a Secretaria-Geral da Presidência, a Casa Civil e outros sete ministérios, chegou à presidente Dilma Rousseff uma minuta de projeto de lei para regulamentar as relações entre governo e ONGs. Entre as medidas, destacam-se a exigência de que os dirigentes de ONGs tenham "ficha limpa" na Justiça e concordem que seus salários observem normas fixadas pelo governo. Além disso, as organizações não poderão transferir outros recursos a seus integrantes. É saudável que o Executivo se preocupe em instituir regras para as relações com ONGs. Leis, entretanto, não bastam para evitar desvios. Muitas vezes acarretam excesso burocrático e intervencionista", editorial - FSP, 26/12, Editorial, p.A2. 

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