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terça-feira, 9 de maio de 2023

Envolverde – Jornalismo Ambiental na Trilha da Sustentabilidade

Por Dal Marcondes – fundador e editor do Projeto Envolverde Desde 1991, quando foi pensada pela primeira vez a marca Envolverde, tem início uma trajetória de construção de um projeto que, em sua origem, foi profundamente inovador. Uma startup em um tempo em que esse adjetivo nem existia no vocabulário dos brasileiros. A ideia de uma agência de notícias dedicada à cobertura de pautas ambientais vinha germinando durante alguns anos, até que, em 1995 o projeto se materializa a partir de um telefonema. Desde Nova York o diretor da agência Internacional Inter Press Service (IPS), Mario Lubetkin, liga para falar sobre um projeto em gestação em parceria com o Programa da Meio Ambiente da ONU (Pnuma), o Projeto Terramérica, um ambicioso produto jornalístico, em três idiomas (espanhol, inglês e português) que deveria cobrir temas socioambientais na América Latina e Caribe. Essa é a gênese da Agência Envolverde. Terramérica nasce como um tabloide de 16 páginas que deveria ser encartado em jornais do México até a Argentina. A edição principal ficou na Cidade do México e, por uma questão de especificidades de pauta e de idioma, a edição em português ficou em São Paulo. E eu, Dal Marcondes, até então um jornalista dedicado a temas econômicos, mas com um mestrado inconcluso em economia ambiental, fui convidado a ser o editor e Publisher do projeto no Brasil. Envolverde, 28 anos de jornalismo ambiental 28 anos atrás, nesta data (9 de maio), a Envolverde surgiu como semente do que seria, do que foi, do que seremos. Naquele 9 de maio de 1995 começamos a editar a primeira edição do Terramérica, dedicada à biodiversidade. Em um tempo em que o meio ambiente era uma coisa apenas para pesquisadores e abraçadores de árvores, abraçamos um projeto jornalístico para levar as pautas sobre clima, camada de ozônio, florestas, reciclagem e muitas outras ao público em geral, através de parcerias com jornais de todo o Brasil e de países das Américas, do México à Argentina. A Envolverde, uma ideia que insistia em ser mais, finalmente germinou com um convite da agência IPS e do Pnuma para florescer em milhares de páginas com pautas ambientais. São 28 anos de aventuras com dezenas de pessoas e através de caminhos antes só imaginados. A Envolverde existe porque existem os sonhos e os sonhadores. Nossas aventuras nos levaram a muitos povos, territórios e países. A aldeias e a palácios. Nosso propósito sempre foi o de contribuir com informação e contexto, abraçando inovações e respeitando tradições. Esse 28 anos são história, ou histórias, muitas. Agora devemos nos lançar para o amanhã, contribuir com o conhecer e o saber de sociedades cada vez mais conectadas pelas redes e desconexas em empatia. Tem sido um privilégio ajudar a construir uma nova dinâmica para o jornalismo no século 21. Para a Envolverde desejamos uma vida longa e próspera. Uma pequena equipe foi montada às pressas e poucos dias depois daquele telefonema estávamos trabalhando na primeira edição do Terramérica em português, a pauta dedicada a um tema ainda desconhecido da grande mídia: Biodiversidade. A primeira tiragem ficou por conta de parcerias com o Jornal do Brasil (RJ), Correio Braziliense (BSB), e Estado de Minas (MG). Aos poucos outros jornais entraram no pool para encartar mensalmente o Tarramérica, que circulou como tabloide mensal até 2003 e depois tornou-se uma página standard semanal com uma tiragem mensal que superou um milhão de exemplares. O projeto foi encerrado em 2013. Em 1998, mais precisamente em 8 de janeiro, entra no ar a página da Agência Envolverde na internet, o site www.envolverde.com.br , que foi identificado em 2020, pela organização norte americana de pesquisa em jornalismo Sembra Media, como o mais antigo projeto de jornalismo nativo digital em operação no Brasil. Na origem a Agência Envolverde distribuía reportagens e artigos produzidos pela IPS e alguns poucos textos com produção local. Era dedicada a oferecer conteúdos para jornais e revistas e distribuía para um mailing de editores. O modelo de negócios era assinatura dessas mídias. Não dava muito certo. A partir do ano 2000 o conteúdo passou a ser aberto no site e o mailing de distribuição ganhou potência, chegando perto de cem mil assinantes (que não pagavam pelo acesso). No campo do jornalismo a agência passou a produzir reportagens e captar artigos. Nesse período vou construída a reputação de ser uma agência de notícias sobre meio ambiente e sustentabilidade que tinha um forte viés de abordagem econômica. Ou seja, os jornalistas da Envolverde buscavam compreender quais são os vetores econômicos que determinavam os problemas ambientais ou sociais em cada pauta. Outro viés editorial foi assumir que o principal foco da cobertura era (e ainda é) a cobertura de políticas públicas e boas práticas em questões socioambientais. Apesar do aparente sucesso editorial fiou claro que a Agência Envolverde ainda não havia encontrado um modelo de negócios capaz de dar sustentação ao projeto jornalístico. No dia a dia a prática era (em muitos casos ainda é) prestar serviços para organizações sociais e empresas para destinar recursos à redação da agência. O dilema do “modelo de negócios” ficou explícito e não fosse a teimosia e resiliência dor profissionais envolvidos possivelmente o projeto teria sucumbido muito há muito tempo. Ao longo desses quase trinta anos de existência a projeto criou dezenas de alternativas de financiamento e ajudou a qualificar dezenas de jovens jornalistas em temas relacionados à economia ambiental, natureza, direitos humanos, povos tradicionais e outros temas socioambientais. O editorial da Agência Envolverde sempre esteve ligado à vanguarda dos movimentos de estruturação da pauta ambiental, em alinhamento com os movimentos da ONU, como as conferências ambientais e climáticas e diretrizes como os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A dedicação a essas pautas e o cuidado editorial trouxe inúmeros reconhecimentos e premiações, como o Prêmio Ethos de Jornalismo por duas vezes, o Prêmio Ponto de Mídia Livre do Ministério da Cultura, o reconhecimento no Jornalista Amigo da Infância da Agência ANDI, uma comenda da Câmara Municipal de São Paulo e outros. A marca Envolverde conquistou ao longo dos anos reputação e reconhecimento pelo comprometimento do jornalismo. Com poucos recursos advindo do jornalismo, a Envolverde passou a diversificar sua atuação, sempre com o compromisso com sua gênese socioambiental. Criou uma área de eventos, que entre outras coisas realizou diversas edições do Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, em parceria com a Rede de Jornalismo Ambiental, duas dezenas de Diálogos Capitais em diversos estados em uma parceria com a Revista Carta Capital, com quem também firmou uma parceria editorial para a produção de reportagens e artigos, além do suplemento Carta Verde. Produziu dezenas de eventos Diálogos Envolverde, em parceria com a Unibes Cultural, em São Paulo, e muitos outros. As parcerias editoriais, quando a Envolverde produziu conteúdos para outras organizações jornalísticas foram feitas com o jornal O Estado de S. Paulo, o Portal IG, a revista Carta Capital, a Editora Segmento, as revistas Razão Contábil e Harvard Business Review e alguns outros projetos pontuais. No campo de coberturas direcionadas a Envolverde foi, por mais de 10 anos consecutivos, a agência de notícias oficial das Conferências Internacionais do Instituto Ethos e, também, atuou na cobertura das ações do Fórum Amazônia Sustentável (organização que reúne empresas, governos e sociedade no debate sobre a Amazônia). Esse trabalho como agência de notícias em grandes eventos levou a equipe para a cobertura dos grandes eventos da ONU no Brasil, como a Conferência da Unctad em São Paulo, a COP de Biodiversidade em Curitiba, a Rio +20 e, também, a diversas edições do Fórum Social Mundial e Porto Alegre e em Belém do Pará. Também foi desenvolvida a expertise de edição de relatórios de sustentabilidade padrão GRI (Global Reporting Iniciative) para empresas e organizações sociais. Daí à produção de estudos e pesquisas para empresas e organizações foi um passo. Estudos foram realizados para empresas como o Walmart Brasil, a B3, o Centro SEBRAE de Sustentabilidade, o Instituto Ethos e outros. Essa diversificação de atividades sempre ocorreu de forma paralela ao trabalho cotidiano de agência de notícias desenvolvido no site da Agência Envolverde, o que sempre foi considerado a atividade principal da Envolverde. A experiência da Envolverde em fazer jornalismo ambiental digital fez com que sua equipe, em especial o editor Dal Marcondes buscasse formação e conhecimento para fortalecer o projeto. Se dedicou a dois mestrados, um em Ciência Ambiental pelo Procam/USP e outro em Modelagem de Negócios em Mídias Digitais. Isso porque o mais importante desafio do jornalismo neste século é encontrar modelos de financiamento para veículos digitais. A experiência pioneira da Envolverde fez com que a organização (o mantenedor da Agência Envolverde é uma organização social, o Instituto Envolverde) buscasse atividades correlatas para garantir os recursos necessários para o projeto jornalístico. Quase trinta anos depois do primeiro trabalho com o selo Envolverde, o projeto segue se reinventando e buscando modelos para contribuir com a pauta socioambiental no Brasil – hoje a Envolverde tem seus trabalhos lastreados nos Objetivos e Metas dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O olhar no horizonte mostra que há mais a contribuir a partir do compartilhamento da experiência e da expertise em relação à transição do jornalismo analógico para o jornalismo digital, do conhecimento dos dilemas e desafios socioambientais e na construção do jornalismo necessário como lastro de um processo civilizatório cada vez mais complexo. O Projeto Envolverde não tem a pretensão de tornar-se uma grande mídia industrial, no entanto, atua para incidir na valorização da cobertura, integrada, que busca tornar acessível à sociedade temas complexos que envolvem economia, sociedade e superação dos desafios impostos pela degradação planetária. Nesta existência de quase 30 anos muitos jornalistas que atuaram sob a bandeira da Envolverde estão em grandes mídias, em organizações sociais e seguindo uma trilha que começou nas coberturas de grandes eventos e reportagens e no cotidiano da redação do site Envolverde. Essa é uma contribuição da qual nos orgulhamos. O projeto também trabalhou pelo fortalecimento da institucionalidade do jornalismo ambiental, através do apoio à Rede de Jornalistas Ambientais e da realização de 7 edições bienais do Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental. Esse evento reuniu em diversas cidades brasileiras cerca de mil profissionais de jornalismo e estudantes em cada uma de suas edições. Os próximos passos da bandeira Envolverde é tornar-se uma organização de estudos e pesquisas sobre o jornalismo ambiental, sobre jornalismo e sobre modelagem de negócios que ajudem a manter e fazer crescer a influência das mídias ambientais na formação de opinião qualificada para o enfrentamento das grandes crises socioambientais do século 21. (Envolverde) Dal-MarcondesDal Marcondes é jornalista formado pela ECA/USP, foi redator na Agence Frane Presse, repórter e editor da revista Isto É, repórter no jornal DCI, Editor de finanças na Gazeta Mercantil, editor na Agência Dinheiro Vivo, repórter e editor na revista Exame, editor na Agência Estado, editor/colunista na revista Carta Capital. Fundador e editor do Projeto Envolverde.

Água limpa e acessível é absolutamente essencial

Esta é, na opinião de muitos, a questão mais urgente, porque a água é essencial à vida. Óbvio não? Na verdade não é tão óbvio assim. Por Henrique Cortez Apesar das aparências, a água é um recurso finito. Em termos simplificados e para compreensão do conceito, podemos afirmar que o volume total de água é essencialmente o mesmo há milhões de anos, na medida em que praticamente não existe “produção” de novas moléculas de água, sendo que a disponibilidade de água doce variou ao longo dos períodos glaciais ou interglaciais. A água, portanto, não muda em termos de volume total, mas pode variar em seu estado físico (sólido, gasoso e líquido), distribuição geográfica e disponibilidade. O uso, no entanto, vem crescendo de acordo com o aumento da população. Há quem afirme que atualmente exploramos a água em níveis 30% superiores à reposição, através do ciclo hidrológico [processo de circulação das águas composto por: evaporação, precipitação, transporte, escoamento superficial, infiltração, retenção e percolação] e para atender aos 12 bilhões de 2050 necessitaremos de 20% acima dos níveis atuais. É evidente que quanto maior a população maior a demanda por água, que já se encontra em situação crítica na maior parte do planeta. Na última década, pelo menos, cientistas, pesquisadores e ambientalistas insistentemente alertam para os riscos de uma grave crise hídrica. Alertaram para a necessidade de revitalizar bacias hidrográficas, recuperar mananciais, ampliar ao máximo os sistemas de captação e tratamento de esgoto, conservar e proteger as áreas de recarga dos aquíferos. Isto sem falar, da redução do desperdício dos sistemas de distribuição, do uso perdulário da água pela agricultura e do desperdício pelos consumidores. Além disto, cientistas, pesquisadores e ambientalistas também alertavam que o desmatamento da floresta amazônica ameaçava os ‘rios voadores’, de fundamental importância para o clima e as chuvas na região sudeste. Alertaram em vão e foram rotulados de catastrofistas e apocalípticos, para dizer o mínimo. Os desenvolvimentistas a qualquer custo e os paladinos do agronegócio, em especial, sempre desqualificaram os alertas, por maior embasamento científico que tivessem. Sei disto muito bem porque perdi a conta de quantas vezes enfrentei esta desqualificação. Pois bem, exatamente como nos alertas, a crise hídrica chegou. Estamos diante de uma grave crise hídrica que caminha rapidamente para níveis desastrosos. No Brasil, por exemplo, sempre tivemos a fantasia que nossos imensos recursos hídricos eram inesgotáveis, que podíamos superexplorar ao infinito. Mas hoje, mesmo no Brasil, sobram provas de que a água se torna um recurso cada vez mais escasso. Isto ocorre porque a exploração é maior do que a capacidade de recarga oferecida pela natureza, causando o esgotamento de bacias e mananciais, bem como o lento esvaziamento dos reservatórios. Este processo de esvaziamento dos reservatórios é chamado de depleção [resultado da retirada de água de um reservatório superficial ou subterrâneo em ritmo mais rápido do que sua recarga / enchimento]. Além da crescente demanda, as atividades antropogênicas [atividades de origens humanas] interferem na qualidade e disponibilidade da água, principalmente, em razão de sua contaminação por poluentes, tais como, metais pesados, produtos químicos, agrotóxicos, esgotos, medicamentos e hormônios, etc. No Brasil, nossas bacias hidrográficas [conjunto de terras drenadas por um rio principal e seus afluentes. A noção de bacia hidrográfica inclui naturalmente a existência de cabeceiras ou nascentes, divisores d’ água, cursos d’ água principais, afluentes, subafluentes, etc. Em todas as bacias hidrográficas deve existir uma hierarquização na rede hídrica e a água se escoa normalmente dos pontos mais altos para os mais baixos. O conceito de bacia hidrográfica deve incluir também noção de dinamismo, por causa das modificações que ocorrem nas linhas divisórias de água sob o efeito dos agentes erosivos, alargando ou diminuindo a área da bacia – fonte CETESB] não apenas estão sendo esgotadas pela superexploração como também são contaminadas pelos efluentes líquidos industriais e pelo esgoto em natura, tornando o processo de tratamento cada vez mais difícil e caro. São Paulo e Rio de Janeiro já são abastecidas por sistemas de transposição de bacias [transferência de águas entre bacias] e tendem a buscar água em bacias cada vez mais distantes. Em escala global, os recursos hídricos, são tratados como recursos locais, ou seja, cada país desenvolve sua própria política de uso, conservação e proteção. O Brasil, por exemplo, vem investindo no aumento da captação e tratamento dos efluentes líquidos industriais e esgoto. Segundo dados de 2020 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), 63,2% da população era atendida com coleta de esgoto, enquanto 50,8% possuía tratamento de esgoto. Avançamos, mais ainda estamos longe do necessário. O retrato do Saneamento Básico no Brasil – 175,5 milhões de brasileiros têm acesso à água tratada, enquanto outros 114,6 milhões contam com coleta e tratamento de esgoto em suas residências. Além disso, 190,9 milhões de pessoas contam com coleta e manejo de resíduos sólidos urbanos. Abastecimento de água Esgotamento sanitário Manejo de resíduos sólidos urbanos Drenagem e manejo de águas pluviais urbanas % Pop. Total % Pop. Total % Pop. Total % Domicílios em situação de risco de inundação Brasil 84,1 55,0 90,5 3,9% Norte 58,9 13,1 80,7 4,0% Nordeste 74,9 30,3 83,1 3,1% Sudeste 91,3 80,5 96,1 4,1% Sul 91,0 47,4 91,5 4,1% Centro-Oeste 90,9 59,5 91,3 4,1% Fonte: SNIS, 2020 Como dissemos, a água é essencial à vida e, por isto, é necessário e cada vez mais urgentes desenvolver ações locais e globais, baseadas em conservação e tecnologia, que garantam a disponibilidade necessária, reduzindo a contaminação e o desperdício de recursos hídricos. É uma responsabilidade de governos, é claro, mas também depende de nossa participação como consumidores e cidadãos. Henrique Cortez, jornalista Editor do Portal EcoDebate Nota da Redação – Recomendamos que, sobre a crise hídrica, leiam também: Contaminantes emergentes são detectados em 12 rios da Bacia PCJ Escassez de água potável preocupa 81% dos brasileiros Seca e estresse hídrico vão dobrar até 2050 Cerrado perde água em 66% das regiões hidrográficas Impactos das mudanças climáticas são evidentes nos recursos hídricos Mudanças climáticas – Escassez global de água para agricultura vai piorar Desmatamento das florestas afeta a qualidade da água Crescente escassez aumenta os conflitos pela água Desmatamento em Bacias do Sudeste e Centro-Oeste agrava as recentes crises hídricas Pegada Hídrica: qual o impacto ambiental do nosso consumo? Em 30 anos o Brasil perdeu 15% de superfície de água; Veja a análise dos dados [ Se você gostou desse artigo, deixe um comentário. Além disso, compartilhe esse post em suas redes sociais, assim você ajuda a socializar a informação socioambiental ] in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Importância econômica da recuperação dos córregos urbanos

Os córregos urbanos são importantes recursos naturais que desempenham um papel crucial no ecossistema urbano. No entanto, muitas vezes são negligenciados e poluídos pela urbanização e desenvolvimento urbano. A recuperação desses córregos é crucial para melhorar a qualidade de vida nas áreas urbanas e para garantir a sustentabilidade econômica e ambiental das cidades Por isto, a recuperação dos córregos urbanos é um tema cada vez mais relevante na atualidade, tanto do ponto de vista ambiental como econômico. Ainda que muitas pessoas não percebam, os córregos urbanos exercem um papel fundamental na economia das cidades, e a sua degradação pode ter sérias consequências para o bem-estar dos cidadãos e para o desenvolvimento econômico da região. Os córregos urbanos, quando estão em boas condições, oferecem uma série de benefícios econômicos diretos e indiretos. Em primeiro lugar, eles ajudam a prevenir inundações, o que é especialmente importante em cidades com grande quantidade de chuvas. As inundações podem causar danos às propriedades, às estradas e às redes de infraestrutura, resultando em perdas econômicas significativas. A recuperação dos córregos urbanos pode prevenir esses danos, reduzindo assim os custos para os moradores e para as empresas. Outro benefício econômico dos córregos urbanos é que eles ajudam a manter a qualidade da água. Os córregos podem servir como filtros naturais, removendo poluentes e sedimentos da água antes que ela seja despejada em rios e mares. Isso é especialmente importante em cidades onde a água é usada para consumo humano e para atividades econômicas, como a agricultura e a indústria. Água de qualidade é fundamental para o bem-estar das pessoas e para o sucesso das atividades econômicas. Além disso, os córregos urbanos podem ser importantes para o turismo e para o lazer. Em muitas cidades, eles são utilizados como áreas de recreação e de prática de esportes, atraindo visitantes e gerando receita para a economia local. A recuperação desses córregos pode aumentar o potencial turístico da cidade e contribuir para o desenvolvimento do setor de serviços. Outra forma pela qual os córregos urbanos podem ter impacto econômico é através da sua influência na qualidade de vida dos moradores. Córregos saudáveis e bem-cuidados podem melhorar a aparência da cidade, aumentando o seu apelo como local de moradia e atraindo novos investimentos imobiliários. A qualidade de vida é um fator importante para a decisão das empresas de se instalarem em uma determinada cidade, e a recuperação dos córregos urbanos pode ser um fator de peso na escolha do local. Por fim, é importante destacar que a recuperação dos córregos urbanos pode gerar empregos e impulsionar a economia local. A realização das obras de recuperação exige a contratação de mão-de-obra qualificada, além de gerar demanda por insumos e materiais de construção. Isso pode estimular a economia local, criando novas oportunidades de trabalho e movimentando a cadeia produtiva da construção civil. A recuperação dos córregos urbanos pode ser realizada de várias maneiras, como a restauração de margens, a criação de zonas verdes nas margens, o controle de erosão, a remoção de lixo e a construção de estações de tratamento de água. Essas intervenções ajudam a melhorar a qualidade da água e a estabilizar as margens dos córregos, prevenindo inundações e garantindo a segurança das pessoas que vivem próximas a eles. Os córregos urbanos, portanto, são elementos importantes na economia das cidades, e a sua recuperação pode trazer benefícios significativos para a população e para o desenvolvimento econômico da região Henrique Cortez, editor da revista eletrônica EcoDebate, ISSN 2446-9394 [ Se você gostou desse artigo, deixe um comentário. Além disso, compartilhe esse post em suas redes sociais, assim você ajuda a socializar a informação socioambiental ] in EcoDebate, ISSN 2446-9394

As Relações do Homem e as Questões do Ambiente no Currículo das Ciências Biológicas - Vagner Luciano Coelho de Lima ndrade

As Relações do Homem e as Questões do Ambiente no Currículo das Ciências Biológicas: a disciplina de Ecologia na educação básica como uma contribuição ambiental ao processo educativo interdisciplinar. Vagner Luciano Coelho de Lima Andrade (1) No período em que se vive, a coletividade exige respostas interdisciplinares aos problemas e questões contemporâneos que a devastam, cada vez, com maior amplitude. Ao mesmo momento, a escola, como elemento integrante da metodologia educativa interdisciplinar, é convidada a dar seu apoio no sentido de dar retornos a estes problemas ambientais. Por outro lado, percebe-se uma precisão de investigações sobre esta temática interdisciplinar na área da currículo escolar, sobretudo, estudos que procurem uma ponderação, isto é, um aprofundamento teórico sobre a questão ecológica e suas presumíveis raízes interdisciplinares. Esta pesquisa fundamenta-se em uma averiguação sobre à relação interdisciplinar ser humano/ambiente e as seus embasamentos epistemológicos. Com este estudo procura-se cooperar com subsídios teóricos para a concretização da educação ambiental via procedimento educativo interdisciplinar. Quanto a educação, a proposta implementada é a de incorporação do tema Meio Ambiente ao currículo escolar. Por meio do estudo e apreciação de obras de autores clássicos e contemporâneos buscou-se perceber os alicerces epistemológicos que colaboraram para a constituição interdisciplinar de uma determinada relação homem/meio ambiente na sociedade contemporânea. E para transpor isso para a sala de aula urge a necessidade do desmembramento da disciplina de Ciências/Biologia em duas disciplinas: Ciências/Ecologia e Ciências/Saúde para oferta regular o ensino fundamental (1º ao 9º ano) e ensino médio (1º ao 3º ano), assim como na EJAI – Educação de Jovens, Adultos e Idosos. Percebe-se que a coletividade moderna concretizou um espectro de meio ambiente como elemento a ser explorado a serviço do ser humano e de sua ciência, que se pautou majoritariamente por uma compreensão instrumental da relação predatória do homem com o ambiente. Tal visão cristalizou uma percepção exageradamente antropocêntrica e utilitarista, onde homem e natureza advieram a ser vistos como criações contrárias. A natureza advém a ser vista como aspecto externo e alheio ao mundo da cultura, da história, ou seja, um mero elemento a ser apropriado pelo privilegiado ser representante do mundo das coisas: o homem. A partir da análise da estrutura curricular do curso de Ciências Biológicas da Universidade de Franca, ofertada na modalidade EAD é possível agrupar as disciplinas em quatro grupos: disciplinas comuns: disciplinas da Ecologia, disciplinas da Educação e disciplinas da Saúde. As disciplinas comuns são 30, Atividades de Campo, Biofísica, Biologia Celular, Biologia Molecular e Biotecnologia, Educação Ambiental, Elaboração do Trabalho de Curso I, Elaboração do Trabalho de Curso II, Embriologia, Empreendedorismo, Estágio Curricular Bacharelado Profissionalizante I, Estágio Curricular Bacharelado Profissionalizante II, Filogenia e Evolução, Física Geral, Fundamentos de Bioquímica, Fundamentos de Genética, Fundamentos de Histologia, Imunologia, Metodologia de Pesquisa, Microbiologia Geral e Ambiental, Optativa I, Optativa II, Optativa III, Optativa IV, Optativa V, Parasitologia, Probabilidade e Estatística, Química, Tecnologias da Informação e da Comunicação, Trabalho de Curso I e Trabalho de Curso II. As disciplinas da Ecologia totalizam 29: Anatomia e Morfologia Vegetal, Avaliação de Impacto Ambiental, Bioética e Mundo Natural, Biogeografia, Biologia da Conservação, Biomonitoramento e Ecotoxicologia, Botânica Econômica, Cartografia Ambiental, Ciência do Ambiente e Bioclimatologia, Comportamento Animal, Direito Ambiental, Diversidade Biológica, Evolução e Conservação das Espécies, Ecologia Aquática, Ecologia da Paisagem, Ecologia de Ecossistemas, Ecologia de Populações e Comunidades, Ecologia Geral e Urbana, Fisiologia Animal Comparada, Fisiologia Vegetal, Fundamentos de Aquicultura, Geologia, Gestão Ambiental e Responsabilidade Social, Morfologia Vegetal, Paleontologia, Restauração de Áreas Degradadas, Sistemática Vegetal, Zoologia dos Invertebrados e Zoologia dos Vertebrados. As disciplinas da Saúde contam especificamente com três disciplinas: Anatomia Humana, Fisiologia e Humana Comparada e Genética Humana e as disciplinas da educação somam 21: Didática, Diversidade Étnico-Cultural, Estágio Curricular Supervisionado em Biologia no Ensino Médio I, Estágio Curricular Supervisionado em Biologia no Ensino Médio II, Estágio Curricular Supervisionado em Ciências nos Anos Finais I, Estágio Curricular Supervisionado em Ciências nos Anos Finais II, Legislação da Educação Básica e Políticas Educacionais, Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, Metodologia e Instrumentação do Ensino de Biologia, Metodologia e Instrumentação do Ensino de Ciências, Orientação de Estágio Licenciatura Supervisionado I, Orientação de Estágio Licenciatura Supervisionado II, Prática de Ensino de Biologia no Ensino Médio I, Prática de Ensino de Biologia no Ensino Médio II, Prática de Ensino de Ciências nos Anos Finais do Ensino Fundamental I, Prática de Ensino de Ciências nos Anos Finais do Ensino Fundamental II, Projeto de Iniciação à Docência em Ciências nos Anos Finais do Ensino Fundamental I, Projeto de Iniciação à Docência em Ciências nos Anos Finais do Ensino Fundamental II, Projeto de Iniciação à Docência em Ciências nos Anos Finais do Ensino Médio I, Projeto de Iniciação à Docência em Ciências nos Anos Finais do Ensino Médio II e Psicologia da Educação Finaliza-se, entre outras demandas que a ausência de entendimento desta matriz epistemológica, tem relevante papel na constituição de opções interdisciplinares de interferência na demanda ambiental, via metodologia educacional nas escolas de educação básica. A carência deste acordo leva repetidamente a representação nas propostas de educação ambiental de preconceitos e valores usurpadores que não só não transformam a conduta do homem em relação ao seu meio ambiente, como levam a solidificação de técnicas educativas em relação a temática ambiental, extremamente nocivas. Compete ao método educacional como círculo transformador dos sujeitos e construtor de cidadania, apresentar soluções interdisciplinares. Uma cidadania que não pode deixar de ponderar a temática ambiental em sua construção, conforme pressuposto no artigo 225 da Constituição Federal. Por fim, entende-se que a sociedade deve discutir a atual integralização interdisciplinar curricular dos cursos de Bacharelado/licenciatura (cursos com currículo conjugado) em instituições privadas e públicas com o desmembramento e opção aos discentes em Ciências Biológicas ênfase em Ecologia ou Ciências Biológicas ênfase em Saúde, e as escolas devem se reformular para convocar os dois tipos de professores, adequando-os ao novo currículo no qual ecologia seja oficialmente ofertada como disciplina. 1 Educador e Mobilizador da Rede Ação Ambiental. Bacharel-licenciado em Geografia e Análise Ambiental (UNI-BH), Licenciado em História (UNICESUMAR) e especialista na área de Educação, Patrimônio e Paisagem Cultural (Filosofia da Arte e Educação, Metodologia de Ensino de História, Museografia e Patrimônio Cultural, Políticas Públicas Municipais). Licenciado em Ciências Biológicas (FIAR), Tecnólogo em Gestão Ambiental (UNICESUMAR) e especialista na área de Educação, Patrimônio e Paisagem Natural (Administração escolar, Orientação e Supervisão, Ecologia e Monitoramento Ambiental, Gestão e Educação Ambiental, Metodologia de Ensino de Ciências Biológicas). CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/3803389467894439 [ Se você gostou desse artigo, deixe um comentário. Além disso, compartilhe esse post em suas redes sociais, assim você ajuda a socializar a informação socioambiental ] in EcoDebate, ISSN 2446-9394

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Cerca de 50% do desmatamento da Amazônia brasileira ocorre em terras públicas

Desmatamento em florestas públicas não destinadas ameaça conservação da Amazônia – Artigo inédito publicado na revista Nature, apresenta estratégias duradouras para conter o alto desmatamento em terras públicas. Cerca de 50% do desmatamento da Amazônia brasileira ocorre em terras públicas, particularmente nas chamadas florestas públicas não destinadas (FPND) – terras sem título que não pertencem a nenhuma categoria de posse especificada por lei, tornando-as alvo fácil para grileiros e exploração ilegal de recursos naturais. As FPND cobrem uma área de 56 milhões de hectares (o tamanho da Espanha) e armazenam um estoque de sete bilhões de toneladas de carbono — quase 1 ano de emissões globais. Um artigo publicado na revista cientifica Nature, em parceria com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), apresenta propostas para conter o desmatamento na Amazônia brasileira – em especial aquele que ocorre em terras públicas – utilizando estratégias duradouras que priorizam a segurança fundiária, o aprimoramento tecnológico e a aplicação da lei. Os autores Paulo Moutinho, diretor executivo interino do IPAM, e Claudia Azevedo-Ramos, membro do Centro de Estudos Avançados da Amazônia, da Universidade Federal do Pará, ressaltam no texto que a insegurança fundiária tem sido um desafio antigo para a conservação do bioma e raiz das dificuldades na adoção de modelos sustentáveis de uso da terra. Segundo eles, uma ação prioritária é agilizar o processo de validação do CAR (Cadastro Ambiental Rural), eliminando registros ilegais do sistema e reduzindo fraudes. “A tarefa de validação seria muito mais simplificada se o governo federal e os governos estaduais tivessem um banco de dados e um sistema CAR integrados”, complementam. De acordo com o artigo, a redução do desmatamento também está ligada à promoção do desenvolvimento sustentável com base na estabilidade socioeconômica, como manejo florestal comunitário, agregação de valor aos produtos florestais, valorização dos serviços ecossistêmicos, intensificação agrícola, dentre outros. “Práticas sustentáveis e comércio justo por produtores de grande escala também são fundamentais para a conservação e desenvolvimento da Amazônia devido ao seu impacto potencialmente grande”. O texto conclui que é fundamental focar em estratégias que garantam a proteção duradoura das florestas existentes, especialmente considerando seu papel na mitigação do aquecimento global. “Uma oportunidade para aumentar a proteção florestal se apresenta após as recentes eleições presidenciais brasileiras (2022) e mudanças positivas anunciadas nas políticas ambientais. O que mais falta agora é uma demonstração prática da aparente vontade política da nova Administração Central em atender ao desejo da sociedade brasileira, assim como de muitas outras nações, de conservar a Amazônia, protegendo seu povo, sua biodiversidade e o clima global”. Leia o artigo “Untitled public forestlands threat Amazon conservation” completo aqui. Áreas protegidas, florestas públicas não designadas e o desmatamento na Amazônia brasileira Áreas protegidas, florestas públicas não designadas e o desmatamento na Amazônia brasileira, in “Untitled public forestlands threat Amazon conservation” [ Se você gostou desse artigo, deixe um comentário. Além disso, compartilhe esse post em suas redes sociais, assim você ajuda a socializar a informação socioambiental ] Do IPAM, in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Poluição plástica é um problema transfronteiriço, artigo de Carlos Augusto de Medeiros Filho

A pergunta que insiste em ser feita é se a poluição de plásticos é um problema tratável ou, em outras palavras, se a humanidade será capaz de encontrar uma saída para a crise do plástico poluição plástica Um canal bloqueado por lixo, incluindo plástico descartado, em Dhaka, Bangladesh (2). Um relatório do WWF (World Wildlife Fund) afirmava em 2022 que a poluição plástica é encontrada em todos os lugares nos oceanos e que mesmo que a poluição plástica parasse hoje, alertavam os autores, a quantidade de microplástico no oceano dobraria à medida que pedaços maiores se quebrassem. Em vista disso, a WWF solicitava a criação de um tratado internacional sobre plásticos (1). Uma alvissareira notícia foi que, em março de 2023, a Assembleia Ambiental das Nações Unidas aprovou um acordo histórico para forjar um tratado global de plásticos até o final de 2024. Esse processo envolverá a definição de políticas e formas de aplicá-las. Pesquisadores de todo o mundo agora estão trabalhando para ajudar a reduzir a poluição por plásticos. Equipes de cientistas buscam investigar as melhores políticas para reduzir a produção, uso e descarte de plásticos. Outros pesquisadores se concentram no uso da tecnologia para melhorar a reciclagem ou para criar novos tipos de plásticos (2). Em 2019, mais de dois terços dos 353 milhões de toneladas (Mt) de resíduos plásticos produzidos foram enviados para aterros ou incinerados e 22% (79 Mt) foram mal administrados – o que significa que foi deixado como lixo não coletado, jogado em locais não regulamentados em terra ou na água ou queimado a céu aberto – de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em Paris. Projeta-se que, até 2060, o aumento da produção de plástico levará a uma triplicação de resíduos anuais para mais de um bilhão de toneladas, e que a poluição anual de plástico (a parte mal administrada) poderá dobrar, se nenhuma nova política for implementada para conter a maré (3). A pergunta que insiste em ser feita é se a poluição de plásticos é um problema tratável ou, em outras palavras, se a humanidade será capaz de encontrar uma saída para a crise do plástico. Alguns especialistas (2) são otimistas, já que existem muitas equipes de pesquisa em todo o mundo trabalhando nesse problema e que se observa uma maior atenção da mídia e um crescente interesse do público sobre a gravidade do assunto. Outros têm uma perspectiva menos otimista. Os muitos obstáculos de enfrentamento com a mudança climática reduzem a confiança de que o problema dos plásticos será tratado adequadamente. Ainda assim, todos concordam, de que a resolução da ONU para criar um tratado global de plásticos é um passo na direção certa. A poluição por plásticos é, indiscutivelmente, um problema transfronteiriço, necessitando de uma ação global para uma eficiente solução. Referências Bibliográficas 1 Extreme heat and plastic pollution push oceans to brink -Deutsche Welle – https://www.dw.com/en/one-ocean-summit-climate-plastic-pollution/a-60733379 (2022) 2 Diana Kwon. Three Ways to Solve the Plastic Polution Crisis. Nature; Vol 616; 13 April 2023. 3 OECD. Global Plastics Outlook: Policy Scenarios to 2060. (OECD Publications, 2022). Carlos Augusto de Medeiros Filho, geoquímico, graduado na faculdade de geologia da UFRN e com mestrado na UFPA. Trabalha há mais de 35 anos em Geoquímica em Pesquisa Mineral e Ambiental [ Se você gostou desse artigo, deixe um comentário. Além disso, compartilhe esse post em suas redes sociais, assim você ajuda a socializar a informação socioambiental ] in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Sustentabilidade ambiental: o que é e porque é importante

Sustentabilidade ambiental é baseada na ideia de que o desenvolvimento econômico e social deve estar em equilíbrio com a preservação do meio ambiente Sustentabilidade ambiental é um conceito que se refere ao uso responsável dos recursos naturais, de forma a garantir que eles continuem existindo e possam ser aproveitados pelas gerações futuras. A sustentabilidade ambiental é baseada na ideia de que o desenvolvimento econômico e social deve estar em equilíbrio com a preservação do meio ambiente. Isso significa que as atividades humanas devem respeitar os limites e as capacidades dos ecossistemas, evitando causar danos irreversíveis à natureza. O conceito surgiu como uma preocupação na década de 1970, quando se percebeu os prejuízos causados pelo aumento da industrialização e do consumo. Em 1987, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU criou o termo desenvolvimento sustentável, que significa atender às necessidades do presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras. Para alcançar a sustentabilidade ambiental, é preciso considerar três pilares: o ambiental, o social e o econômico. Esses pilares devem estar integrados e harmonizados, de modo que as medidas adotadas sejam benéficas para todos os envolvidos. O pilar ambiental diz respeito à conservação e à recuperação dos recursos naturais; o pilar social diz respeito à melhoria da qualidade de vida das pessoas; e o pilar econômico diz respeito à geração de renda e de emprego. Existem diversas ações individuais que podem ser realizadas para colaborar com a sustentabilidade ambiental no Brasil e no mundo. Algumas delas são: Usar água com cuidado, evitando o desperdício e reaproveitando sempre que possível; Não jogar lixo no chão ou na natureza, pois ele pode contaminar o solo e os rios; Separar e reciclar o lixo doméstico, reduzindo a quantidade de resíduos que vão para os aterros sanitários; Evitar consumir produtos com embalagens ou sacolas plásticas, pois esse material demora muito tempo para se decompor e prejudica a vida marinha; Usar transportes públicos ou alternativos, como bicicletas ou caronas compartilhadas, para diminuir as emissões de gases poluentes na atmosfera; Usar fontes de energia renováveis, como solar ou eólica, que não geram impactos negativos ao meio ambiente; Repensar os hábitos de consumo e optar por produtos mais sustentáveis, que tenham origem orgânica ou certificada; Fazer compostagem dos resíduos orgânicos, transformando-os em adubo natural para as plantas; Apoiar iniciativas de educação ambiental, conscientizando as pessoas sobre a importância da sustentabilidade ambiental. As ações individuais são importantes e necessárias, mas não são suficientes. Nesse contexto, as políticas públicas são fundamentais para orientar as ações do Estado e da sociedade na gestão ambiental, visando garantir os direitos e deveres de todos em relação ao meio ambiente. As políticas públicas ambientais podem ser definidas como um conjunto de normas, instrumentos, programas e projetos que visam a preservação, conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente, bem como a prevenção e controle da poluição, dos danos ambientais e dos riscos ecológicos. As políticas públicas ambientais devem se basear nos princípios do desenvolvimento sustentável, da precaução, da prevenção, da participação, da informação, da educação e da responsabilidade. No Brasil, as políticas públicas ambientais têm origem na Constituição Federal de 1988, que estabelece o meio ambiente ecologicamente equilibrado como um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (art. 225). A Constituição também prevê que a política nacional do meio ambiente será definida por lei (art. 174, §3º). A lei que regulamenta a política nacional do meio ambiente é a Lei nº 6.938/81, que institui o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), composto pelos órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade ambiental. O SISNAMA é coordenado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), que é o órgão consultivo e deliberativo responsável por estabelecer normas e critérios para o licenciamento de atividades potencialmente poluidoras ou degradadoras do meio ambiente, bem como por editar resoluções sobre matérias de relevante interesse ambiental. Além da Lei nº 6.938/81, existem outras leis que compõem o arcabouço jurídico das políticas públicas ambientais no Brasil, tais como: a Lei nº 4.771/65 (Código Florestal), que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; a Lei nº 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais), que define as infrações administrativas e penais contra o meio ambiente; a Lei nº 11.105/05 (Lei de Biossegurança), que estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre atividades que envolvam organismos geneticamente modificados; a Lei nº 12.651/12 (Novo Código Florestal), que altera dispositivos da Lei nº 4.771/65; entre outras. As políticas públicas ambientais também são influenciadas pelos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a Convenção sobre Diversidade Biológica (1992), a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (1992), o Protocolo de Quioto (1997), a Agenda 21 (1992), os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (2015), entre outros. As políticas públicas ambientais têm como principais objetivos: promover o uso racional dos recursos naturais; prevenir e controlar a poluição e os danos ambientais; conservar e recuperar a biodiversidade; integrar as dimensões econômica, social e ambiental no planejamento e na gestão do território; incentivar a participação social na formulação, implementação e avaliação das políticas públicas ambientais; fomentar a educação ambiental em todos os níveis. A sustentabilidade ambiental é um desafio que exige a participação de todos: governos, empresas e sociedade civil. Somente assim será possível construir um futuro mais justo e saudável para as próximas gerações. [ Se você gostou desse artigo, deixe um comentário. Além disso, compartilhe esse post em suas redes sociais, assim você ajuda a socializar a informação socioambiental ] in EcoDebate, ISSN 2446-9394