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sexta-feira, 9 de junho de 2023

Dia do meio ambiente – Parte 2 – As respostas

por Samyra Crespo – A primeira parte pode ser lida em: https://envolverde.com.br/dia-do-meio-ambiente-se-em-um-dia-coubesse/ No meu texto anterior, publicado pela Envolverde e pela Revista Eco 21, afirmei que para cada desafio que a crise ambiental nos lança temos dado uma resposta. O conjunto dessas respostas representa um esforço nada desprezível. Começarei por examinar, ainda que rapidamente, aquela que vem do setor produtivo. Está mesmo ocorrendo uma transição ecológica no capitalismo? A título de preâmbulo é sempre bom lembrar que a ‘sociedade sustentável’ é uma utopia. Em nenhum lugar do Planeta está plasmada a sociedade que baseia sua vida numa economia sustentável, na justiça climática, na proteção da biodiversidade e na repartição justa dos benefícios da riqueza criada. Nem mesmo indígenas, aborígenes e populações tradicionais, não me venham com a hipocrisia do estereótipo do bom selvagem. Dito isso, a transição de uma sociedade com base econômica orientada por uso de recursos fósseis (minérios, petróleo) para outra é um construto histórico, um engenho filosófico de vulto e um trabalho complexo, a ser realizado num mundo complexo, mergulhado em incertezas, a maioria delas provocadas por conflitos criados por nós mesmos. Acordar da ilusão industrialista-produtivista é um longo e penoso despertar. Como não existe nenhum modelo completo a ser seguido, mas somente experimentos e ‘balões de ensaio’, realidades parciais, vamos calçar as sandálias da humildade e parar com as demandas de uma ‘agenda ambiental total’. Não a temos viável no curto prazo. Não é viável. Essa agenda máxima é panfletária, inflamada e própria de ativistas apaixonados. O tom apocalíptico gera muita ansiedade, gastrite, insônia, mas tem mostrado pouca capacidade mobilizadora. O mundo vai acabar se ultrapassarmos 1,5 grau de aquecimento? Seguramente não. Sofreremos as consequências dramáticas do aquecimento global? Certamente sim. Sociedades inteiras poderão desaparecer? Possivelmente, em especial aquelas assoladas por secas severas ou enchentes constantes, tufões graves, e assim por diante. Como diz a música, onde era mar pode virar sertão. Mas ainda assim, a humanidade não desaparecerá e alguns, mais que outros, sobreviverão a catástrofes não mais ‘naturais’ estrito senso. Pois nossa mãozinha humana está e estará impressa nessa história de negligência, imprudência e omissão. Em geral aprendemos com a dor e com o amor. Associada a cada uma dessas pedagogias está a inteligência. Há uma inteligência conservadora que nos torna apegados ao que já existe, que nos impede de acolher mudanças, que nos convida a sermos egoístas. Há outra inteligência, progressista, que se move e age com base na evolução do conhecimento, que inova, experimenta, e que acredita na força da transformação. Ambas as inteligências estão presentes em tudo o que fazemos. E nem tudo que apela para os sentidos ou significados atávicos do conservadorismo é necessariamente ruim. Quem atua ou opera com os conceitos do Desenvolvimento Sustentável tem um enorme legado ao seu dispor para convencer, reunir aliados, provocar mudanças. Nesse legado, que vem se construindo há cerca de 40 anos (Considerando apenas o período pré e pós Conferência do Rio, em 1992), não há espaço para a lógica do inimigo, mas sim para as alianças. Nessa lógica, o debate e a melhor ação não é aquela que divide a faixa da rua entre ambientalistas e anti ambientalistas, mas aquela que organiza e dá robustez aos sustentabilistas, grupo cada vez maior e mais influente, presente em todos os segmentos da sociedade. Quando em 1987 o Relatório Bruntland apontou o modelo de produção como o grande gargalo do desenvolvimento sustentável, a solução era trazer o empresariado não como vilões mas engaja-los na mudança. Conseguimos? Vejamos algumas respostas nada triviais que esse engajamento vem dando à necessidade de mudar o modelo de produção e a atividade empresarial. Ninguém pode negar que a produção industrial ficou mais limpa e ecoeficiente, com modernização de equipamentos e adoção de novas tecnologias. Foram criadas as contabilidades ambientais e indicadores, as ISOs e as certificações e um combate aberto ao green-washing. Boom de doutrinas de mudança de mentalidade da atividade econômico-empresarial como o (Triple Bottom Line meados dos anos 90); a RSE (Responsabilidade Social Empresarial, entre 2010 e 2020) e agora o ESG, incluindo a governança ética na estratégia das empresas. Coalizões de empresários como a de clima e florestas no Brasil e adesão a protocolos internacionais de transparência e accountability. Surgimento de Think-Tanks de pensamento empresarial progressista como o CEBDS e o Instituto Ethos no Brasil. Parcerias cada vez mais robustas com governos e sociedade em projetos que visam evitar ou restaurar danos ambientais. O surgimento de milhares de negócios já plasmados numa matriz sustentável (vide plataforma do SEBRAE). Isso só a título de resumo. No nosso coração ambientalista há dois sentimentos igualmente fortes: um que pulsa por um mundo livre do capitalismo, outro que o quer reformado, ético, sustentável. Nossas utopias estão sempre relacionadas aos desejos de felicidade e bem estar, em geral generosas e altruístas. Hoje mostramos, em rápidas pinceladas, a caminhada do setor produtivo nestes anos. Uma trajetória e tanto. Amanhã falaremos do setor governamental. O sentido dessa minha explanação? Há um legado. Há que olhar para a esperança com olhos mais generosos. Samyra Crespo é cientista social, ambientalista e pesquisadora sênior do Museu de Astronomia e Ciências Afins e coordenou durante 20 anos o estudo “O que os Brasileiros pensam do Meio Ambiente”. Foi vice-presidente do Conselho do Greenpeace de 2006-2008.

Painel simplifica acesso a dados da flora brasileira ameaçada de extinção

Conserva Flora, lançado no âmbito do Pró-Espécies, disponibiliza informações sobre mais de 40 mil espécies Para facilitar o acesso aos dados de quase 7.500 espécies da flora brasileira ameaçadas de extinção, o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) lançou o painel Conserva Flora. A proposta da ferramenta, desenvolvida no âmbito do Pró-Espécies: Todos contra a extinção, é tornar mais democrática a busca por essas informações que poderão ser utilizadas tanto por pesquisadores e cientistas, como por órgãos públicos e população em geral. No mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), o instrumento surge como mais uma medida importante para proteção e conservação da biodiversidade do planeta. “A ideia é que o painel sobre flora ameaçada de extinção disponibilize informações de forma simplificada. Esses dados sempre estiveram disponíveis nos repositórios de dados institucionais, mas a proposta é reunir e disponibilizar as informações em um formato que alcance um público diverso. Acreditamos que a forma que organizamos a ferramenta tornará o processo de busca mais palatável para todos os usuários. A consulta pode ser feita de acordo com os filtros, seguindo as necessidades de cada um. Por exemplo, se uma pessoa está preocupada com terras indígenas ou alguma região ou bioma em particular, ou procura dados sobre uma espécie, gênero ou família botânica específica, basta filtrar para gerar a informação que está buscando”, explicou Thais Laque, Coordenadora-geral do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) do JBRJ. Os filtros para encontrar a informação desejada vão desde o bioma de ocorrência, passando por Unidades de Conservação (UC), origem da espécie, tipo de vegetação, forma de vida, habitat, até estado da federação. “Recebemos muitas demandas de pessoas que não têm relação direta com pesquisas na área. Para citar um exemplo, já atendemos alunos que estão realizando trabalhos escolares e até pessoas que identificaram uma espécie diferente no pátio de casa e estão interessadas em mais detalhes. Além disso, atendemos solicitações de ministérios, agências e outros órgãos governamentais. Por isso a disponibilização será fundamental para facilitar essas consultas”. O painel foi disponibilizado publicamente em outubro de 2022 e traz os dados das espécies da flora reconhecidas como em risco de extinção no Brasil. O desafio agora, segundo Thais Laque, é a avaliação do estado de conservação das mais de 40 mil espécies botânicas nativas já catalogadas no Brasil. “Ainda não conhecemos o estado de conservação de mais de 30 mil espécies botânicas, por isso é fundamental fomentar e investir em pesquisa e em projetos que proporcionem avanços nesse trabalho de avaliação do risco de extinção da flora”. A iniciativa foi concebida dentro do Pró-Espécies: Todos contra a extinção, um projeto coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA),financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, da sigla em inglês para Global Environment Facility Trust Fund), implementado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e tem o WWF-Brasil como agência executora. Avaliação O processo de avaliação do estado de conservação de espécies é feito de acordo com o sistema de critérios e categorias e as diretrizes para avaliação do risco de extinção da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), amplamente utilizada em todo o mundo. A atividade envolve vários profissionais, como pesquisadores, especialistas e avaliadores, e a prioridade é dada em função do escopo dos projetos de pesquisa financiadores. “Para a avaliação, é preciso mineralizar informações em uma diversidade de repositórios que nos disponibilize dados robustos sobre as espécies. Dados como quem coletou, quando, onde são fundamentais. A partir daí, os avaliadores podem gerar o polígono de ocorrência e encaminhar a análise unindo informações como dados biológicos, dados populacionais, os principais vetores de ameaças, como por exemplo, fogo, urbanização, agricultura, pastagem. Só então é possível definir a categoria (Criticamente em Perigo, ou Em Perigo, ou Vulnerável, ou Menos Preocupante, ou Quase Ameaçada, ou Dados Insuficientes) em que a espécie está”, adiantou a coordenadora. De acordo com Thais Laque, até 2020 o país avaliava, em média, 600 espécies por ano. Mas o método está sendo aprimorado e o número de avaliações efetivadas por ano vem aumentando significativamente, visando alcançar o total da flora brasileira nativa com risco de extinção avaliado. Em breve, 100% da flora brasileira estará com o status atualizado. “Estamos caminhando a passos largos nesse sentido e nossa expectativa é quanto mais as pessoas se conscientizarem sobre a importância de conservar nossa flora, mais teremos investimento e financiamento em ações como essa”. Biodiversidade O Conserva Flora integra uma das ações do JBRJ no âmbito do Projeto Pró-Espécies, lançado em maio de 2018 com o objetivo de adotar ações de prevenção, conservação, manejo e gestão que possam minimizar as ameaças e o risco de extinção de espécies, especialmente 290 criticamente ameaçadas, em conjunto com 13 estados do Brasil (MA, BA, PA, AM, TO, GO, SC, PR, RS, MG, SP, RJ e ES). O projeto visa compreender o estado de conservação da biodiversidade brasileira, pois é o ponto de partida para reduzir o risco de extinção das espécies e garantir a sobrevivência delas. “A biodiversidade não se sustenta de forma isolada. Em um ecossistema, em um bioma ou ambiente, todos têm papel fundamental. Se, por exemplo, um inseto é extinto e desaparece, outra espécie passa a ter risco também. Todas as interações são fundamentais para o funcionamento de um ecossistema, então quanto tira uma peça, algo fica em desequilíbrio. E não importa se é uma árvore enorme ou gramínea, todos precisam estar em estado pleno para a manutenção da biodiversidade”, reforçou Thais Laque. (Envolverde)

Dia do meio Ambiente: Se em um dia coubesse…

por Samyra Crespo – Se um dia bastasse, se cada hora fosse uma era, aí sim seria um dia denso, capaz de contar com alguma fluência todo o esforço que a humanidade tem feito, ainda que mergulhada em suas contradições e contramarchas, para compreender o que a atual geração chama de crise ambiental. O ápice dessa compreensão nos é conhecida como ‘crise climática’. Nela cavalga o Apocalipse, imagem bíblica, milenarista, assombrosa. Desde que lá atrás, nos anos 70′, acreditamos ser possível tomar o conceito de ‘carrying capacity’ – capacidade de suporte – de um ramo específico da ‘biologia vegetal’, especialmente de estudos de populações, e o extrapolamos para as sociedades humanas, vivemos o pesadelo da pergunta crucial: os recursos do Planeta são suficientes para abrigar e alimentar 9,5 bilhão de pessoas (projeção da ONU para 2050)? A primeira resposta há 50 anos, com o Clube de Roma, sinalizava esgotamento dos recursos e um iminente desastre. Mas o que é ‘iminente’ no tempo da cultura humana? Uma década? Um milênio? Com o nível que assistimos de agressão (extração de recursos não renováveis como os minérios, o petróleo e a contaminação de rios, ar e solos) haverá possibilidade de assegurarmos a nossa sobrevivência na escala demandada? Vieram as Conferências de Cúpula da ONU de 70, 92, 2002, 2012 e 2022. De 10 em dez degraus, mais conhecimento, mais tecnologia e mais discursos contundentes. Também mais iniciativas, ainda que não na envergadura necessária. Com o conhecimento que temos hoje de manejo, conservação, restauração de ecossistemas degradados, seremos capazes de conter a destruição acelerada da paisagem, das populações animais e vegetais, da erosão do ‘estoque genético’ que ganhou velocidade sistêmica? Com a certeza científica obtida, ainda em meados dos anos 90′, via IPCC (International Pannel of Climate Change), que reúne o maior time de cientistas e climatologistas já visto – de que o ‘efeito estufa’ já ocorre e é irreversível, sendo que nos cabe impedir que piore… seremos capazes de deter esse tsunami de efeitos e impactos, aparentemente incontroláveis? Uma vez que em 1987, um relatório chamado ‘Nosso Futuro Comum’ já constatava que o atual modelo de produção econômico, intensiva em materiais e energia e não renováveis é a locomotiva do desastre, estamos realmente empenhados na substituição desse modo de produzir e consumir? Desde que todos os relatórios globais sobre o ‘estado do ambiente do mundo’ indicam redução na população de abelhas, pássaros, estoques pesqueiros e outros animais essenciais à manutenção da biodiversidade alimentar, estamos fazendo algo significativo para reparar ou impedir que as consequências venham em forma de doença, escassez e fome? Desde que os últimos remanescentes florestais da Terra são apontados como essenciais ao pouco que resta de equilíbrio dinâmico do regime de chuvas e da biodiversidade que elas estocam, estão os governos em nível internacional, nacional e sub nacional, cumprindo seu papel de proteção? Desde que sabemos ser necessário ‘descarbonizar’ nossa economia e nossa sociedade, estamos tocando nos aspectos essenciais da mudança de estilo de vida? Eu poderia prosseguir com as perguntas ‘ad nauseam’ e possivelmente, a primeira resposta a cada uma dessas perguntas pode ensejar um cenário pessimista e uma perspectiva desalentadora de futuro. Desesperar ou esperançar (verbo inventado por Paulo Freire)? Amanhã retomarei para demonstrar que só nos resta ser otimistas e esperançosos e que o ‘ecocídio’ é uma metáfora que se fortalecida, sonhada e alimentada, pode sim virar realidade. Como disse Carl Jung, tudo que é realidade hoje, foi sonhado um dia. Projetamos e somos parteiros do nosso futuro. Para cada desafio, tivemos e temos esforços e respostas. Há muita gente fazendo o ‘dever de casa’. Mais do que supomos. Há muita energia positiva nesse caldeirão onde se consomem esperanças e desesperanças. Há muito acúmulo e aprendizado. Samyra Crespo é cientista social, ambientalista e pesquisadora sênior do Museu de Astronomia e Ciências Afins e coordenou durante 20 anos o estudo “O que os Brasileiros pensam do Meio Ambiente”. Foi vice-presidente do Conselho do Greenpeace de 2006-2008.

segunda-feira, 5 de junho de 2023

ECOLOGIA : A ÚNICA GUERRA SANTA DESTE SÉCULO SOMBRIO - James Pizarro (jornal DIÁRIO, 6.6.2023 - Santa Maria, RS)

ECOLOGIA (1) – O mais antigo inimigo de incautos pássaros em nossa cidade, como de resto em todo território gaúcho, era o estilingue ou funda, o popular " bodoque ". No final dos anos 80, início dos anos 90, uma indústria de brinquedos de SP lançou na praça uma forma moderna de estilingue, com uma peça de metal em forma de letra Y e com duas tiras de borracha de uso cirúrgico, substituindo as velhas tiras feitas de câmara de pneus de automóvel. Ainda havia um melhoramento técnico : uma empunhadura que se encaixava no antebraço do atirador. Este tipo de artefato passou a ser vendido em Santa Maria, tendo eu recebido denúncia contra os Supermercados Trevisan (denúncia feita pela Associação Protetora dos Animais, através da ativa militante, professora Vera Resende). A rede Trevisan de supermercados era a mais importante da cidade e seu Presidente, meu saudoso amigo João Trevisan, era inclusive o presidente da Associação de Supermercados do RS. Fui falar com ele pessoalmente e fiz ver que, um daqueles bodoques modernos era capaz de atirar uma bola de gude (nossa tradicional "bolita") a 80 km/hora, cerca de 25 metros por segundo, com um alcance efetivo de 30 metros. Disse que, a essa velocidade, abriria um buraco na cabeça de uma criança. Falei sobre o instinto de violência desenvolvido nas crianças, a mortandade de pássaros em nossa região, etc...Imediatamente, na minha frente, João Trevisan chamou o gerente-geral da principal loja dos supermercados que dirigia (onde hoje está localizado o Supermercado Real) e ordenou que fosse retirada das prateleiras e gôndolas todos os bodoques e que fossem devolvidos à fábrica paulista e cancelados os novos pedidos. Depois disso, fiz uma série infindável de palestras nas escolas de ensino fundamental de nossa cidade, falando sobre a necessidade da gente ter mais pássaros, mais ninhos, mais vida. Foi um golpe de morte no uso de bodoques em nossa cidade, do qual me orgulho ter participado. ECOLOGIA (2) - Sob este título, foi editado em janeiro de 1985, um informativo especial contra o uso de agrotóxicos. produzido graças à colaboração do meu particular amigo Carlos Renan Kurtz, à época presidente da Assembléia Legislativa do RS. Participaram da produção do mesmo : Comissão Pastoral da terra (CPT/RS), Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP), Ação Democrática Feminina Gaúcha (ADFG), Comissão Sindical do Alto Uruguai (COSAU) e dos Sindicatos Rurais de Erechim, Passo Fundo, Tenente Portela, Miraguaí, Três Passos e Ijuí. Também é bom relembrar a notável contribuição dos colegas engenheiros agrônomos Jorge Buffon, Lino de David e Maria José Guazzelli. O jornal era de distribuição gratuita. Consegui junto à Assembléia Legislativa milhares de cópias e fui para as ruas, parte fronteira das escolas, "garajão" da UFSM e também para o calçadão da rua Doutor Bozano e fiz a distribuição do informativo para a população santa-mariense. Também fiz a divulgação de todo o conteúdo do jornal pelo programa "Antes que a Natureza Morra", por mim produzido e apresentado pela Rádio Universidade à época. ECOLOGIA (3) - A convite da Prefeitura (Intendência) e da Câmara de Vereadores da cidade uruguaia de Punta del Este, em companhia do saudoso Dom Arturo Vetuschi, cônsul do Uruguai em Santa Maria, estive fazendo a palestra inaugural do "Primeiro Encontro de Eco-turismo e Meio Ambiente de Punta del Este". No dia seguinte, 10 de outubro de 1985, às 15:00 horas, no Ginásio Municipal de Punta del Este completamente lotado por 4000 crianças da faixa etária entre 9 e 12 anos, fiz palestra sobre a fauna e flora do Cone Sul. No final da palestra, cantei diversas músicas ecológicas em espanhol, com um coral de 4000 vozes, o que me emocionou intensamente. O fato foi presenciado pelos vereadores de Santa Maria e pelos estudantes do Curso de Turismo da faculdade das Irmãs Franciscanas, sendo transmitido ao vivo pela TV e pelas rádios da cidade uruguaia. Este fato motivou convite para fazer palestras em outras cidades uruguaias. Tenho em meus arquivos os recortes de um jornal uruguaio, com a manchete : "Maestro Pizarro, un fenomeno de comunicacion". O consulado do Uruguai em Santa Maria, possui a íntegra da gravação e da filmagem do fato. ECOLOGIA (4) - No final da década de 70, início da década de 80, os jornais e revistas eram pródigos em reportagens e fotos dos rios brasileiros poluídos por imensas espumas brancas. As espumas e os peixes mortos às toneladas nos rios, represas e mares era resultado - em parte - do uso dos detergentes caseiros não biodegradáveis. Fui para as rádios, jornais e TV e fiz ver à população santa-mariense de que nossas avós nunca precisaram de detergentes. Numa das viagens a Porto Alegre, eu tinha aprendido com as colegas de militância ecológica da ADFG - Ação Democrática Feminina Gaúcha, a receita de um sabão líquido para pia e máquina. Imprimi milhares de folhetos com esta receita e distribui pelas ruas da cidade (apenas para registro : todas essas publicações foram feitas às minhas custas, jamais pedi ajuda financeira de alguém, a fim de preservar minha liberdade de opinião). A título de curiosidade, reproduzo aqui a receita : " 2 pedaços de sabão de coco ou outro qualquer de pedra, suco de 2 limões, 4 colheres de sopa de amoníaco (lembro que amoníaco não polui). Modo de preparar : derreter o sabão ralado ou picado em um litro de água fervente. Juntar 5 litros de água fria, o suco dos limões e, por último, o amoníaco. Dissolva bem e guarde em garrafas." ECOLOGIA (5) - Em fevereiro de 1985 realizou-se, na cidade de Ibirubá, o "Primeiro Congresso Estadual de Ecologia, dando ênfase à educação ecológica. Fui convidado para fazer a conferência inaugural, convite que me foi feito pelo agrônomo e amigo Delvino Nolla, agente conservacionista da Secretaria de Agricultura do RS. Era governador do RS o Dr. Jair Soares e o João Salvador de Souza Jardim era o Secretário da Agricultura. Fiz uma abordagem política, isto é, fiz uma palestra sobre Ecopolítica, enumerando omissões, bandalheiras, conivências, crimes ambientais, medo de técnicos perderem seu emprego, de políticos perderem as suas mamatas. Fiz também um violento libelo contra a censura. A conferência foi feita no ginásio municipal de Ibirubá e o público predominante que lotou o ginásio era de jovens, universitários, professores e técnicos vindos de todo o interior do RS. Fui ovacionado. O prefeito municipal ficou furibundo, espumava de raiva. Tomando a palavra quis me contestar. Mas foi solenemente vaiado. Bons tempos aqueles... ECOLOGIA (6) - Numa das idas a Porto Alegre, para participar das reuniões da AGAPAN - Associação Gaúcha de Proteção Ao Ambiente Natural, José Lutzenberger me deu uma cópia de seu artigo intitulado "A Absurda Poda Anual". Neste artigo, que encontrou notável repercussão no público gaúcho, ele denuncia a estranha poda anual que se faz no inverno, fruto duma inexplicável tradição. Ele se referia à mutilação feita em árvores nas avenidas, ruas e também jardins e pátios de residências. A prática da poda é geralmente feita contra cinamomos, plátanos, jacarandás, ligustros e extremosas, etc...Uma árvore podada é uma árvore condenada. Diminui sua longevidade em anos e anos. Uma floresta não precisa de poda, não é mesmo ? Ou alguém precisou podar a Floresta Amazônica para ela se transformar na mais linda floresta do mundo ? A poda só tem sentido quando feita em fruticultura (pereira, parreira, por exemplo), uma poda científica e técnica para "educar" a copa e facilitar a insolação, além de facilitar a colheita. Fiz xerox deste trabalho do José Lutzemberger e distribui milhares por toda Santa Maria. Como ocorre diante de nova novidade, houve muita crítica. muita discordância. É o custo que todo pioneiro paga, que toda inteligência privilegiada tem de arcar. Lutzenberger morreu, foi enterrado nu, como queria, embaixo da árvore onde costumava ficar em seu sitio, no Rincão Gaia, na localidade de Pântano Grande. Mas suas ideias e seu pioneirismo ficaram imortais. Seus críticos foram relegados ao esquecimento. Orgulho-me de ter sido seu amigo, seu seguidor, propagador de suas ideias. Por isso faço estes registros no nosso DIÁRIO.. Porque sei que a memória do brasileiro é fraca.

domingo, 4 de junho de 2023

Impactos das mudanças climáticas na saúde humana

As mudanças climáticas afetam não apenas o meio ambiente, mas também a saúde e o bem-estar das pessoas e, neste artigo, vamos explorar alguns dos impactos mais evidentes na saúde humana Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mudanças climáticas podem causar cerca de 250 mil mortes adicionais por ano entre 2030 e 2050, devido a fatores como ondas de calor, mal nutrição, doenças infecciosas e desastres naturais. Ondas de calor As ondas de calor são períodos de temperaturas extremamente altas que podem causar estresse térmico, desidratação, insolação e até morte. As ondas de calor são cada vez mais frequentes e intensas devido ao aquecimento global, e podem afetar especialmente os idosos, as crianças, os doentes crônicos e os trabalhadores ao ar livre. Um exemplo de onda de calor devastadora foi a que ocorreu na Europa em 2003, que causou a morte estimada de 70 mil pessoas. Outro exemplo foi a que atingiu o Brasil em 2014, que provocou um aumento de 21% nas internações por doenças respiratórias e cardiovasculares. Doenças infecciosas As mudanças climáticas também podem alterar a distribuição e a transmissão de doenças infecciosas, especialmente aquelas transmitidas por vetores como mosquitos, carrapatos e roedores. Isso ocorre porque as mudanças na temperatura, na umidade, na precipitação e na vegetação podem afetar o ciclo de vida e o comportamento desses vetores, bem como a susceptibilidade dos hospedeiros humanos. Algumas das doenças infecciosas que podem ser influenciadas pelas mudanças climáticas são: dengue, malária, zika, chikungunya, febre amarela, leishmaniose, doença de Lyme, hantavirose e leptospirose. Essas doenças podem causar sintomas como febre, dor de cabeça, erupções cutâneas, sangramentos, anemia, insuficiência renal e até morte. Desastres naturais As mudanças climáticas também podem aumentar a frequência e a intensidade de desastres naturais como secas, inundações, furacões, incêndios florestais e terremotos. Esses desastres podem ter consequências diretas e indiretas na saúde humana. As consequências diretas incluem lesões, traumas e mortes causadas pelo impacto físico dos desastres. As consequências indiretas incluem perda de moradia, infraestrutura, serviços básicos, alimentos e água potável; aumento do risco de doenças transmitidas por água ou alimentos contaminados; deslocamento forçado; violência; conflitos; e problemas de saúde mental. Saúde mental As mudanças climáticas também representam uma ameaça para a saúde mental das pessoas. O estresse de viver em um clima em constante mudança pode levar à ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático. Além disso, as pessoas que sofrem os impactos diretos ou indiretos dos desastres naturais podem desenvolver luto, culpa, medo, raiva e desesperança. Um estudo com pessoas afetadas pelo furacão Katrina nos Estados Unidos descobriu que elas tinham maior probabilidade de enfrentar problemas de saúde mental do que pessoas que não foram afetadas pelo furacão. Outro estudo com agricultores brasileiros afetados pela seca revelou que eles apresentavam sintomas de depressão e ansiedade. Conclusão As mudanças climáticas são um problema urgente que requer ações imediatas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar os seus efeitos. Também é preciso investir em medidas de adaptação para proteger a saúde das pessoas dos impactos das mudanças climáticas. Algumas dessas medidas são: monitorar os riscos à saúde; fortalecer os sistemas de saúde; promover a educação e a conscientização; melhorar a qualidade do ar; garantir o acesso à água potável e ao saneamento; apoiar a segurança alimentar; e oferecer assistência psicossocial. A saúde humana depende da saúde do planeta. Ao cuidarmos do meio ambiente, cuidamos também de nós mesmos e das futuras gerações. [ Se você gostou desse artigo, deixe um comentário. Além disso, compartilhe esse post em suas redes sociais, assim você ajuda a socializar a informação socioambiental ] in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Cidades brasileiras com maiores quantidades de lixo plástico que chegam ao mar

Cada brasileiro descarta em média 16 quilogramas de materiais plásticos por ano, dos quais boa parte apresenta alto risco de chegar ao mar É produtivo examinar os municípios do interior do país e as redes de rios para saber de onde vêm as garrafas plásticas, embalagens de xampus, cotonetes, sacolas, copos e talheres descartáveis, partes de caixas de isopor e outros materiais plásticos que chegam à costa brasileira e poluem o mar. Em um elaborado pela Blue Keepers, projeto da Plataforma de Ação pela Água e Oceano do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, sete cidades sem praias marinhas – Manaus (AM), Teresina (PI), Brasília (DF), Goiânia (GO), Campo Grande (MS), Belo Horizonte e Contagem (MG) – despontaram como as cidades com maiores quantidades de lixo plástico descartado que chegam ao mar principalmente por meio dos rios Amazonas, Tocantins, São Francisco, Tietê e Paraná e seus afluentes. A elas se somam as cidades costeiras, desde Belém (PA) até Porto Alegre (RS), e duas capitais próximas ao litoral, São Paulo e Curitiba (PR). Elaborado com base na renda per capita da população, no índice de saneamento e outros indicadores detalhados em um artigo publicado em outubro na Journal of Environmental Management, o diagnóstico aponta a região Norte como uma das principais fontes de materiais plásticos descartados no ambiente. Isso ocorre por falta de centrais de reciclagem e da vasta rede hidrográfica. A área com maior lançamento de lixo, por causa da grande densidade populacional, é a região Sudeste, além de partes da Centro-Oeste e Sul, cujos rios desaguam no rio Paraná. A foz do rio Amazonas, a cidade de Belém, a foz do rio São Francisco, a baía de Guanabara, a lagoa dos Patos e a foz do rio da Prata, continuação do Paraná, foram indicadas como os locais com maior risco de vazamento de lixo plástico para o oceano, segundo o trabalho da Blue Keepers. Pesquisadores dos institutos Oceanográfico (IO) e de Estudos Avançados (IEA), da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), todos da Universidade de São Paulo (USP), e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) participaram de sua elaboração, com apoio da Braskem e da Ocean Pact “O movimento dos plásticos rumo aos rios e ao mar depende muito da chuva, da inclinação do terreno e do vento”, disse Alexander Turra, do IO e da cátedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano do IEA, ao apresentar os resultados preliminares do levantamento no congresso Diálogos da Cultura Oceânica, realizado em Santos (SP) em outubro. Segundo ele, o vento pode transportar resíduos de aterros sanitários que estejam à beira de rios. “O problema não é só das populações costeiras, mas também do interior do país; precisamos levar essas informações para dentro da casa de cada brasileiro, para evitar o escape de resíduos plásticos”, comentou Gabriela Otero, coordenadora da Blue Keepers. As duas principais metas desse projeto da ONU até 2030 são reduzir 30% da quantidade de plástico que chega à costa do Brasil e fortalecer a gestão de resíduos sólidos em 100 municípios brasileiros. Cidades prioritárias A primeira cidade a ser monitorada é o Rio de Janeiro. Outros municípios prioritários são Manaus, Belém, São Luís (MA), Fortaleza (CE), Natal (RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Maceió (AL), Aracaju (SE), Salvador (BA), Vitória (ES), São Paulo, Baixada Santista (SP) e Porto Alegre (RS). As medidas para reduzir a quantidade de lixo plástico fazem parte dos objetivos da Década do Oceano, criada pela ONU em 2020. Estima-se que, globalmente, 150 milhões de toneladas de plástico circulem nas águas marinhas atualmente. De acordo com o estudo da Blue Keepers, cada brasileiro descarta em média 16 quilogramas de materiais plásticos por ano, dos quais boa parte apresenta alto risco de chegar ao mar. Valores mais altos foram registrados em municípios do litoral das regiões Sudeste e Sul que registram um grande aumento populacional durante o verão e feriados. Ainda de acordo com esse levantamento, chegam ao mar 3,4 milhões de toneladas de materiais plásticos descartados pelos brasileiros por ano, o equivalente a 47,8% dos 7,1 milhões de toneladas de plástico processado em 2021 no país, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). O estudo indicou que a coleta de resíduos plásticos deveria ser pensada regionalmente e não apenas em cada município, que pode não ser necessariamente a fonte, mas o destino dos materiais indesejados. Marcos Libório, secretário de Meio Ambiente da prefeitura de Santos, concordou: “Nossa praia é limpa diariamente, mas não é o suficiente. Precisamos trabalhar com os nove municípios da Baixada Santista”. Por ser uma cidade turística, a população de Santos pode passar dos atuais 433 mil moradores para cerca de 1,5 milhão nas temporadas de verão com sol, aumentando o risco de produtos plásticos chegarem ao mar. Em campanhas realizadas entre o outono de 2019 e o verão de 2020, uma equipe formada por pesquisadores das universidades federais de São Paulo (Unifesp) e de Pernambuco (UFPE) e do Instituto Mar Azul (IMA) coletou 62.638 itens de lixo marinho nas praias da cidade. Desse volume, a proporção de materiais plásticos, incluindo espuma de poliestireno, usada em embalagens, variou de 64,8% a 72,5%, como descrito em um estudo publicado em fevereiro de 2021 na Marine Pollution Bulletin. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010, prevê a definição de metas de redução, reutilização, reciclagem e a destinação ambientalmente adequada de materiais descartados para os próximos 20 anos. Em 2020, 74,4% dos municípios brasileiros haviam implantado, ainda que parcialmente, a coleta seletiva, uma das formas de atingir esses objetivos, mas 25,6% continuavam descartando os resíduos sem nenhum tratamento prévio, contrariando as normas vigentes, de acordo com o Panorama de Resíduos Sólidos 2021 da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Karen de Oliveira Silverwood-Cope, coordenadora-geral de Oceano, Antártica e Geociências do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), lembrou que ainda não há regulação para a gestão do plástico já despejado no ambiente. regiões populosas tem maior potencial de material descartado no ambiente O site da revista Pesquisa FAPESP traz uma versão resumida desta reportagem. Artigos científicos ALENCAR, M. V. et al. How far are we from robust estimates of plastic litter leakage to the environment. Journal of Environmental Management. v. 323, 116195, p. 1-11. 2 out. 2022. RIBEIRO, V. V. et al. Marine litter on a highly urbanized beach at Southeast Brazil. Marine Pollution Bulletin. 163, 111978, p. 1-8. set. 2021. Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui. in EcoDebate, ISSN 2446-9394

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Pesquisa revela individualismo da Geração Z e consequências da exposição à tecnologia

Levantamento com 28 mil crianças e jovens mostram ambição por questões como qualidade de vida, bem-estar físico e mental; cuidado com os outros e a contribuição para a construção de um país e de um mundo melhor estão entre as últimas prioridades Uma pesquisa que acaba de ser divulgada em parceria pelo Grupo Rabbit, maior consultoria em gestão escolar da América Latina, juntamente com a Explora Pesquisas Educacionais, traz dados reveladores do momento atual de crianças e jovens brasileiros. Com mais de 28 mil questionários preenchidos por alunos de escolas particulares do país e por seus responsáveis, o estudo identificou as expectativas, o propósito e a qualidade de vida de crianças e de adolescentes em idade escolar para conhecer melhor os alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio a fim de que as famílias e os educadores possam auxiliá-los na busca de uma vida promissora e feliz. A amostragem considerou o Berçário e Educação Infantil (19% dos consultados), Ensinos Fundamental I e II (com 30% e 38% dos entrevistados, respectivamente) e Ensino Médio (13%), sendo 51,4% das pessoas do sexo feminino e 47,8% do sexo masculino. Ao longo do questionário, tanto os pais quanto as crianças e os adolescentes foram submetidos a perguntas relacionadas a todo o âmbito escolar, passando por assuntos relacionados à alimentação, ao sono, à exposição de telas, baixa interação social, entre outros. Baixa interação social na escola Uma grande parcela da interação social dos jovens está relacionada aos colegas de escola. A pesquisa retrata que metade deles acham que interagem pouco. “Este dado é de grande relevância, pois a baixa interação social pode ter um impacto significativo na saúde mental dos adolescentes. Estudos mostram que aqueles que têm mais dificuldade em se relacionar tendem a apresentar maiores níveis de estresse, ansiedade, depressão e agressividade”, alerta o CEO do grupo Rabbit. A interação social, principalmente a presencial, é importante para o desenvolvimento da inteligência emocional dos alunos. Durante essas fases da vida, as relações ajudam a moldar a personalidade, a desenvolver habilidades sociais e emocionais, e a construir uma rede de apoio. Mapeamento das áreas de interesse Questionados sobre as áreas de interesse para futuros empregos, é possível notar que os alunos levam em conta variados motivos para buscar uma carreira profissional. Além de considerarem o gosto pessoal e as habilidades, também são influenciados pelo meio e pelos familiares e prestam atenção no prestígio social, nas tendências de mercado e na tradição. A questão de escolha x gênero também apareceu nas respostas: 33% dos alunos do sexo masculino optaram por Tecnologia da Informação, Ciências de Dados e Inteligência Artificial (IA), enquanto 44% das participantes do sexo feminino escolheram Ciências da Saúde como uma possível profissão. Para o CEO do Grupo Rabbit, as diferenças de interesses nas áreas de atuação profissional conforme o gênero podem ser explicadas por alguns fatores, incluindo estereótipos de gênero, desigualdades de gênero, barreiras culturais e sociais, entre outros. “Desde a infância, meninos e meninas são socializados de maneiras diferentes, o que pode levar a diferenças nas expectativas e nos interesses profissionais. Por exemplo, as meninas são muitas vezes incentivadas a buscar profissões relacionadas ao cuidado com outras pessoas, como enfermagem e educação, enquanto os meninos são incentivados a buscar profissões relacionadas à tecnologia e à ciência”, acrescenta. Ainda sobre a perspectiva futura dos adolescentes, quando indagados a respeito da prioridade daquilo que consideram mais importante na vida adulta, associando aspectos profissionais, pessoais e sociais, todos os segmentos consideraram a ‘qualidade de vida, bem-estar físico e mental’ como mais importante; na sequência, optam por ‘ter paixão pelo que faz’. A obtenção de uma remuneração adequada, capaz de dar tranquilidade financeira, está bem colocada no ranking. “O que chama atenção, entretanto, são os últimos lugares em termos de preocupação: para os jovens do Ensino Médio, contribuir para um Brasil e para um mundo melhor ficou em 9º lugar de dez e cuidar ou melhorar a vida de outras pessoas ocupou o 7 º lugar, o que mostra pouca empatia”, alega Coelho. Essa falta de empatia traz um alerta importante, a geração Z possui um foco extremamente individualista. Todas as prioridades estão ligadas ao “ter” e não ao “ser”, para se sentirem felizes e realizados necessitam de satisfação pessoal, seja em ter bens materiais ou imateriais. Exposição às telas Quando a temática se volta para a exposição de telas, compreendendo televisão, celular, tablet e computador, 41% das crianças do Berçário e da Educação Infantil ficam de 1 a 2 horas por dia nelas; quando o foco está nas crianças do Ensino Fundamental I, 43% passam de 2 a 4 horas consumindo as tecnologias. Esse tempo de exposição é maior que o recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (Manual de Orientação de 2021). “Os números mostram um excesso claro na exposição desde os primeiros anos, o que pode trazer consequências para a saúde física diversas e também no âmbito comportamental. É uma geração mais imersa no mundo virtual do que as anteriores, que se vê com maior dificuldade de interação social, como o próprio estudo mostra”, diz Coelho. “E o distanciamento é revelador na falta de empatia, na necessidade de olhar mais para questões individuais do que coletivas, em mais ter que ser”, completa o especialista. Sobre o Grupo Rabbit: é a maior consultoria em gestão educacional da América Latina, que auxilia instituições de ensino em todo o Brasil. Ao todo, mais de 1,5 mil escolas são associadas ao grupo, e dispõem de apoio a processos de recursos humanos, pesquisa, comercial, marketing, jurídico, financeiro, atendimento e propaganda, entre as principais soluções. A Rabbit tem como CEO Christian Coelho, especialista em andragogia e membro do União Pelas Escolas Particulares de Pequeno e Médio Porte. (#Envolverde)