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terça-feira, 7 de maio de 2019

Agrotóxicos chegam às torneiras de uma em cada quatro cidades, segundo recente levantamento de dados


Municípios brasileiros têm água contaminada por agrotóxicos

Por Pedro Teixeira, Rádio USP
As Agências Pública e Repórter Brasil fizeram levantamento de dados, em conjunto com a ONG suíça Public Eyes, no qual usaram informações do Ministério da Saúde, a fim de apurar a presença de agrotóxicos na água. O estudo constatou um coquetel de 27 pesticidas no abastecimento de um em cada quatro municípios brasileiros e 92% dos testes apontaram contaminação por esses compostos. A Rádio USP conversou com a pesquisadora Denise Piccirillo Barbosa da Veiga, doutoranda na Faculdade de Saúde Pública da USP e parte do Núcleo de Avaliação de Riscos Ambientais, para entender se há gravidade no que foi relatado.
Trata-se de uma pesquisa difícil e ostensiva, os números são alarmantes e há necessidade de adaptações, como diz a especialista, mas devemos entender que a lógica de regulamentação europeia é outra. Substâncias que apresentam qualquer chance de risco ficam sob restrições. No Brasil, as medidas baseiam-se em testes laboratoriais de risco efetivo, ainda que existam reclamações acerca do efeito combinatório de alguns agrotóxicos. Existe também outra variável: a maior restrição lá tem consequências sobre a agricultura mundial, deslocando o consumo de pesticidas, o que é verificável quando se cruzam dados históricos da União Europeia com os do Ibama, aponta Denise.
O mestrado de Denise, concluído em 2017, tratava justamente do assunto: O impacto do uso do solo na contaminação por agrotóxicos das águas superficiais de abastecimento público. Ela, então, traça um panorama qualificado das condições atuais do Brasil, sobretudo de São Paulo, em relação aos meios de contaminação. Vale lembrar que os senadores Flávio Bolsonaro e Márcio Bittar apresentaram um projeto que desprotege as matas ciliares.
O debate sobre a desregulamentação dos agrotóxicos é pauta governamental desde 2017. Fica, em vista disso, a necessidade de uma discussão qualificada e transparente sobre o tema, reforça Denise. Acompanhe a matéria na íntegra pelo link abaixo.

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Da Rádio USP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/05/2019
"Agrotóxicos chegam às torneiras de uma em cada quatro cidades, segundo recente levantamento de dados," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 7/05/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/05/07/agrotoxicos-chegam-as-torneiras-de-uma-em-cada-quatro-cidades-segundo-recente-levantamento-de-dados/.


EcoDebate - Edição 3.198 de 07 / maio / 2019


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Biodiversidade do planeta avança em direção à crise de extinção – 1 milhão de espécies em risco

A diversidade de vida em nosso planeta está se deteriorando muito mais rapidamente do que se pensava anteriormente, com até 1 milhão de espécies ameaçadas de extinção, muitas das quais poderiam se perder “dentro de décadas”, conclui uma nova avaliação científica divulgada segunda-feira em Paris.

Aplicação de agrotóxicos
Aplicação de agrotóxicos. Foto: Shutterstock

Por Andrew Freedman*, Axios
Por que é importante: O relatório, da Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES), descobriu que fatores como mudança no uso da terra, sobrepesca, poluição, mudança climática e crescimento populacional estão levando a natureza à beira do abismo. Somente a “mudança transformacional” na maneira como a sociedade opera pode nos colocar de volta no caminho para atingir as metas globais de desenvolvimento sustentável, que quase todos os países da Terra se comprometeram a realizar, conclui o relatório.
Mostre menos
O quadro geral: as conclusões do IPBES chegam a ser o primeiro relatório global sobre o estado da natureza e visam fazer com que formuladores de políticas, ativistas e outros coloquem a perda de biodiversidade em uma posição mais alta na lista de prioridades globais.
  • A biodiversidade, que é a diversidade dentro das espécies, entre as espécies e os ecossistemas, está declinando no ritmo mais rápido da história humana, segundo o relatório.
  • Embora muitas das descobertas do relatório sejam sombrias, elas vêm com um pouco de esperança: ainda há tempo para evitar o futuro que ele projeta. Por exemplo, quase 100 grupos em todo o mundo estão trabalhando para designar 30% da superfície da Terra para proteção até 2030 e 50% até 2050, em um esforço para evitar a extinção de muitas espécies marinhas.
Pelos números:
  • 8 milhões: Número total estimado de espécies de plantas e animais na Terra (inclui insetos).
  • Até 1 milhão: Número total de espécies ameaçadas de extinção.
  • Dezenas a centenas de vezes: “A medida em que a atual taxa global de extinção de espécies é maior em comparação com a média dos últimos 10 milhões de anos”. Esta taxa está acelerando, o relatório encontra.
  • 40%: espécies de anfíbios ameaçadas de extinção.
  • 25%: “Proporção média de espécies ameaçadas de extinção nos grupos terrestres, de água doce e vertebrados marinhos, invertebrados e plantas que foram estudadas com detalhes suficientes.”
  • 145: Número de autores de relatórios de 50 países nos últimos 3 anos.
  • 310: Contribuindo autores para o relatório.
  • 15.000: fontes científicas, governamentais e indígenas que entraram neste relatório.
  • 130: Governos membros do IPBES, incluindo os Estados Unidos.
O que eles estão dizendo?
  • “Estamos erodindo as próprias fundações de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo”, disse Robert Watson, presidente da avaliação do IPBES, em um comunicado. “O relatório também nos diz que não é tarde demais para fazer a diferença, mas apenas se começarmos agora em todos os níveis, do local ao global”.
  • “A rede essencial e interconectada da vida na Terra está ficando menor e cada vez mais desgastada”, disse o co-presidente do estudo e biólogo Josef Settele, em um comunicado.
Detalhes: O relatório recomenda uma série de mudanças em grande escala na forma como administramos nossas terras e mares, e afirma que a mudança transformadora por si só pode colocar o mundo em um curso mais sustentável até 2050.
Segundo Watson, que trabalhou como consultor científico para os governos dos EUA e do Reino Unido e presidiu o painel climático da ONU, o relatório define mudança transformadora como: “Uma reorganização fundamental em todo o sistema entre fatores tecnológicos, econômicos e sociais, incluindo paradigmas”. , objetivos e valores “.
Seja esperto: este relatório provavelmente será descartado por alguns como apenas outro em uma longa linha de terríveis previsões ambientais. Mas seu pedido de mudança sistêmica, ao invés de avanços incrementais, provavelmente dará um impulso aos movimentos ativistas que agora ganham força em todo o mundo, particularmente em torno da mudança climática.
Um desses grupos, que é principalmente ativo na Europa, é apropriadamente chamado para essa tarefa: Rebelião da Extinção .

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/05/2019
"Biodiversidade do planeta avança em direção à crise de extinção – 1 milhão de espécies em risco," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 6/05/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/05/06/biodiversidade-do-planeta-avanca-em-direcao-a-crise-de-extincao-1-milhao-de-especies-em-risco/.


EcoDebate - Edição 3.197 de 06 / maio / 2019


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

quinta-feira, 2 de maio de 2019

RIO GRANDE DO SUL : Museu de Ciências Naturais e Jardim Botânico serão extintos

Para os especialistas, a transferência do patrimônio das instituições para uma divisão da Semai ameaça a autonomia das pesquisas e o valioso acervo científico sobre a biodiversidade rio-grandense
Por Cleber Dioni Tentardini / Publicado em 2 de maio de 2019
 
 
 
A Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul passará aa fazer parte do Departamento de Biodiversidade (DeBio), da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Semai)
A Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul passará aa fazer parte do Departamento de Biodiversidade (DeBio), da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Semai)
Foto: Cleber Dioni Tentardini
O governo do Estado vai fechar a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul e, com isso, deixam de existir as três instituições a ela vinculadas: o Museu de Ciências Naturais, o Jardim Botânico de Porto Alegre e o Parque Zoológico. As nomenclaturas irão permanecer, mas seus patrimônios material e imaterial passam a fazer parte do Departamento de Biodiversidade (DeBio), da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Semai).
A medida foi confirmada nesta manhã de quinta-feira, 2, pelo procurador do Estado Gustavo Petry, durante audiência na 10ª Vara da Fazenda Pública, do Foro Central. A reunião foi convocada pelo juiz Eugênio Couto Terra, responsável por julgar a ação civil pública do Ministério Público, ajuizada quinze dias depois que a extinção da FZB foi autorizada pelo governo Sartori, em 17 de janeiro de 2017.
Audiência na 10ª Vara da Fazenda Pública, do Foro Central que analisou o caso
Audiência na 10ª Vara da Fazenda Pública, do Foro Central que analisou o caso
Foto: Cleber Dioni Tentardini
As promotoras de Justiça Ana Maria Marchesan, Annelise Steigleder e demais colegas da Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre pedem ao Executivo uma série de medidas que garantam a continuidade das pesquisas e a preservação das coleções científicas. Tanto o MCN como o JB são instituições sexagenárias e possuem o maior acervo da biodiversidade rio-grandense. No último levantamento, de 2018, as coleções somavam mais de 600 mil exemplares da fauna e flora nativas, atual e fóssil.
“O governo precisa nos assegurar de que serão preservadas as pesquisas, os laboratórios, a biblioteca e os equipamentos, as atribuições de conservação, formação de recursos humanos, museologia e educação ambiental. Tem que nos garantir que irá manter a área física total do Jardim Botânico e providenciar a reparação do muro, o que já deveria ter sido feito há muito tempo”, destacou a promotora Ana Marchesan.
O JB é um dos cinco melhores do país e, além do arboreto, possui um banco sementes e um viveiro com produção de mudas inclusive de espécies raras, endêmicas e ameaçadas de extinção. Mas, dos 81 hectares, desde sua fundação há 61 anos, restam 36ha.
O novo diretor do DeBio, o engenheiro agrônomo Diego Melo Pereira, assegurou que a área não sofrerá qualquer redução de tamanho e que está sendo feita uma avaliação para consertar o muro. Ele garantiu que, apesar de extintos os CNPJs, as atividades do museu e do JB serão mantidas, assim como as nomenclaturas, agora vinculadas à uma nova divisão técnica criada no DeBio. Inclusive o Zoo, enquanto sua concessão não for repassada à iniciativa privada, e a Reserva Florestal Padre Balduíno Rambo, uma área de quase 600 hectares entre São Leopoldo e Sapucaia do Sul, cujo destino ainda é desconhecido.
No último levantamento, de 2018, as coleções somavam mais de 600 mil exemplares da fauna e flora nativas, atual e fóssil
Em levantamento de 2018, as coleções somavam mais de 600 mil exemplares da fauna e flora nativas, atual e fóssil
Foto: Cléber Dioni Tentardini
“A Secretaria está elaborando um diagnóstico das coleções científicas, em conjunto com os 15 curadores nomeados dentro da nova estrutura, que será concluído ainda em maio e, num segundo momento, será feito um plano de ação para ser apresentado aos servidores, aos promotores de Justiça e anexado ao processo”, afirmou Pereira.
Os 151 servidores que pertenciam à Zoobotânica passaram a compor um “Quadro Especial” vinculado diretamente à pasta do Meio Ambiente, o que é motivo de preocupação entre os servidores, que perdem a autonomia técnica ao serem integrados a um órgão da administração direta.
Os advogados Marcelo Mosmann e Nilton Silva, que representam a Associação dos Funcionários da FZB e quatro entidades ambientalistas, advertem que até o momento o Estado não tem um plano definitivo de como as funções da FZB serão assumidas pela Semai. “O governo pretende determinar quais temas serão estudados pelos pesquisadores, e isso interfere na autonomia das pesquisas e vai prejudicar as políticas públicas ambientais”, ressaltam.
O juiz Eugênio Terra permitiu o ingresso das entidades Agapan, Inga, União pela Vida e Igre para atuarem ao lado do Ministério Público no processo, que já possui 1.587 páginas em oito volumes. Deu um prazo de 60 dias para que promotores e o governo realizem reuniões extrajudiciais a fim de tentar chegar a um acordo. Depois, realizará nova audiência.
O biólogo Marco Azevedo, especialista em peixes no Museu de Ciências Naturais, diz que há incertezas quanto à continuidade de algumas atividades. “Ao perdermos o caráter jurídico da fundação e do museu, ficando apenas com a nomenclatura, poderemos participar de editais voltados ao financiamento de projetos de pesquisa, de bolsas de estudo para estudantes? Como fica a captação, gerenciamento e destinação de recursos, já que com a extinção da FZB não temos mais orçamento próprio? Teremos o reconhecimento das agências de fomento enquanto pesquisadores?”, questiona Azevedo.
Azevedo lembra ainda do curso de mestrado acadêmico, Sistemática e Conservação da Diversidade Biológica, aprovado pela Capes no ano passado, que seria oferecido pela Uergs em parceria com a FZB, agora extinta. O corpo docente envolve 13 pesquisadores da FZB e quatro da Uergs. “Isso será autorizado?”, indaga o pesquisador. E a proposta de que a Universidade absorva o patrimônio e os serviços da Fundação?”, complementa.
Cientistas lamentam ataque ao conhecimento científico
Ludwig Buckup, um dos idealizadores do Museu Ciências Naturais: “Qual é o interesse em acabar com esse gigantesco e valiosíssimo acervo documental da diversidade biológica rio-grandense? Acredito que o objetivo é atacar a autonomia técnica dos pesquisadores, que estão a serviço do Estado e não de interesses corporativos desta ou daquela gestão.”
Bióloga e professora Carla Suertegaray Fontana, curadora da Coleção de Aves e Mamíferos da PUCRS e presidente da Sociedade Brasileira de Ornitologia: “As coleções biológicas são patrimônio ambiental da humanidade. Os Museus são fiéis depositários deste patrimônio, que é de todos nós. O MCN é uma dessas instituições e sua coleção de aves, por exemplo, ocupa o sexto lugar no ranking das 38 melhores coleções brasileiras de aves.”
Coleção de bromélias
Foto: Cleber Dioni Tentardini
Biólogo e professor Luiz Malabarba, vice-diretor do Instituto de Biociências da UFRGS e presidente da Sociedade Brasileira de Ictiologia: “Os acervos guardados por curadores especializados contêm testemunhos insubstituíveis de incontáveis estudos e publicações produzidos ao longo de décadas, pois seus autores depositaram sua confiança na solidez de uma instituição pública histórica, como é o Museu de Ciências Naturais.”
Historiadora Zita Possamai, professora de Museologia e Patrimônio da Ufrgs: “Aqui, no Estado, a ignorância parece imperar na vontade de desmontar uma instituição que produz conhecimento inestimável para que as futuras gerações aprendam a proteger nosso meio ambiente.”
Professor Fernando Becker, da Ecologia da Ufrgs: A extinção do MCN compromete a possibilidade do Estado cumprir sua função de gestor e formulador de políticas públicas em meio ambiente, já que são os pesquisadores qualificados e treinados do MCN que analisam e sintetizam as informações sobre biodiversidade do RS. “Essas tarefas não podem ser terceirizadas, em projetos de curto prazo, que são, cada vez, realizados por empresas diferentes, com qualificação imprevisível, e cuja memória técnica e o conhecimento se perdem com o fim do contrato, assim como a possibilidade de uso e reuso em longo prazo.”

EcoDebate - Edição 3.195 de 02 / maio / 2019


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]