Desde agosto estamos consumindo mais do que a Terra poderia nos fornecer para o ano; também passamos dos 400 ppm de CO2 (partes por milhão), nível considerado limite pelos cientistas para evitar os piores cenários do clima, e agora a temperatura média do planeta poderá subir entre 2 e 6 graus centígrados até o final deste século.
No ritmo que estamos consumindo, no longo prazo vamos culminar na exaustão dos recursos naturais. Já estamos colocando nossa qualidade de vida, dos nossos descendentes e o nosso futuro em risco. Todos esses fatores relacionados às atividades humanas (queima de gases de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural) são as principais causas do aquecimento global que intensifica o efeito estufa e ameaça a segurança alimentar global, já que aumenta o surgimento e a disseminação de pragas e doenças, sugere um novo estudo publicado no periódico científico Nature Climate Change.
Nos últimos seis anos foram realizados estudos do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas para projetar como o Brasil sofrerá com os impactos do aumento das temperaturas provocadas pelo aquecimento global. Os resultados mostram que o país ficará mais quente e terá uma mudança no regime de chuvas afetando muito a agricultura, parte fundamental do PIB brasileiro. No Sul e no Sudeste do Brasil, regiões que costumam sofrer com enchentes e deslizamentos, poderão sofrer ainda mais já que as chuvas se tornarão mais fortes e frequentes. Já no Nordeste, tende a ocorrer o oposto: mais diminuição no regime de chuvas e secas mais frequentes.
E afirmando o que outros estudos apontavam, nossa maior preocupação é com a Amazônia, onde a área mais ameaçada pelas mudanças será na parte mais suscetível à expansão da fronteira agrícola. Outra ameaça à Amazônia é a continuidade do desmatamento pela alteração na temperatura. Caso a Amazônia perca cerca de 40% da cobertura florestal, poderá existir uma mudança drástica na temperatura e um aquecimento regional de até 4ºC.
Quanto à agricultura, as previsões científicas apontam que se as emissões continuarem no mesmo patamar, nos próximos sete anos o plantio de soja perderia 20% de sua produtividade e 24% até 2050. Pragas e doenças estariam aliadas às mudanças climáticas já que se tornariam presentes em locais que antes não existiam. Hoje em dia é comum países altamente desenvolvidos na área agrícola serem capazes de monitorar e administrar pragas e doenças emergentes. O problema é que com o aumento da temperatura da Terra se as pragas forem em direção aos polos (onde estão os países que possuem os melhores rendimentos em suas plantações) o efeito seria o aumento na perda de colheitas, o que representaria uma ameaça à segurança alimentar devido ao crescente aumento da população global.
O setor agrícola é o que tem se preparado melhor para as mudanças climáticas, tem planos de adaptação e mitigação mais avançados até o momento. Algumas das soluções passam pela adaptação, como manejo diferenciado e consorciado, modificações genéticas e adubação correta. O cuidado com novas infestações e o controle para minimizar a disseminação de doenças devem ter esforços renovados e maior monitoramento já que as mudanças climáticas facilitam a disseminação de pragas. O governo deve estar atento às mudanças climáticas, alertar que os impactos não ocorrem só fora do Brasil e para o fato de que os danos podem ser sociais, ambientais e econômicos.
* Fernanda Pinheiro Monteiro é consultora de sustentabilidade da Keyassociados.
(A autora)
No ritmo que estamos consumindo, no longo prazo vamos culminar na exaustão dos recursos naturais. Já estamos colocando nossa qualidade de vida, dos nossos descendentes e o nosso futuro em risco. Todos esses fatores relacionados às atividades humanas (queima de gases de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão mineral e gás natural) são as principais causas do aquecimento global que intensifica o efeito estufa e ameaça a segurança alimentar global, já que aumenta o surgimento e a disseminação de pragas e doenças, sugere um novo estudo publicado no periódico científico Nature Climate Change.
Nos últimos seis anos foram realizados estudos do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas para projetar como o Brasil sofrerá com os impactos do aumento das temperaturas provocadas pelo aquecimento global. Os resultados mostram que o país ficará mais quente e terá uma mudança no regime de chuvas afetando muito a agricultura, parte fundamental do PIB brasileiro. No Sul e no Sudeste do Brasil, regiões que costumam sofrer com enchentes e deslizamentos, poderão sofrer ainda mais já que as chuvas se tornarão mais fortes e frequentes. Já no Nordeste, tende a ocorrer o oposto: mais diminuição no regime de chuvas e secas mais frequentes.
E afirmando o que outros estudos apontavam, nossa maior preocupação é com a Amazônia, onde a área mais ameaçada pelas mudanças será na parte mais suscetível à expansão da fronteira agrícola. Outra ameaça à Amazônia é a continuidade do desmatamento pela alteração na temperatura. Caso a Amazônia perca cerca de 40% da cobertura florestal, poderá existir uma mudança drástica na temperatura e um aquecimento regional de até 4ºC.
Quanto à agricultura, as previsões científicas apontam que se as emissões continuarem no mesmo patamar, nos próximos sete anos o plantio de soja perderia 20% de sua produtividade e 24% até 2050. Pragas e doenças estariam aliadas às mudanças climáticas já que se tornariam presentes em locais que antes não existiam. Hoje em dia é comum países altamente desenvolvidos na área agrícola serem capazes de monitorar e administrar pragas e doenças emergentes. O problema é que com o aumento da temperatura da Terra se as pragas forem em direção aos polos (onde estão os países que possuem os melhores rendimentos em suas plantações) o efeito seria o aumento na perda de colheitas, o que representaria uma ameaça à segurança alimentar devido ao crescente aumento da população global.
O setor agrícola é o que tem se preparado melhor para as mudanças climáticas, tem planos de adaptação e mitigação mais avançados até o momento. Algumas das soluções passam pela adaptação, como manejo diferenciado e consorciado, modificações genéticas e adubação correta. O cuidado com novas infestações e o controle para minimizar a disseminação de doenças devem ter esforços renovados e maior monitoramento já que as mudanças climáticas facilitam a disseminação de pragas. O governo deve estar atento às mudanças climáticas, alertar que os impactos não ocorrem só fora do Brasil e para o fato de que os danos podem ser sociais, ambientais e econômicos.
* Fernanda Pinheiro Monteiro é consultora de sustentabilidade da Keyassociados.
(A autora)

Nenhum comentário:
Postar um comentário