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sábado, 21 de dezembro de 2019

Agrotóxico mais encontrado em frutas e verduras no Brasil é fatal para abelhas


morte de abelha

Sem abelhas, produção de lavouras fica prejudicada; estudo da Anvisa analisou que mais da metade das 4 mil amostras de 14 alimentos vegetais no país contém agrotóxico

Agência Pública
Um agrotóxico fatal para as abelhas foi o mais encontrado em um levantamento do governo que analisa o resíduo de pesticidas em frutas e verduras vendidas em todo país. O resultado da nova edição do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, o PARA, foi divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na semana passada e mostrou também que em 51% dos testes realizados foi encontrado alguma quantidade de resíduo de agrotóxico nos alimentos.
Na pesquisa, que testou 4.616 amostras de 14 alimentos, o ingrediente ativo Imidacloprido foi o mais encontrado. Ele é um neonicotinoides, um inseticida derivado da nicotina que tem capacidade de se espalhar por todas as partes da planta e, por isso, é fatal para os polinizadores.
Uma reportagem da Agência Pública e Repórter Brasil revelou em março deste ano que mais de 500 milhões de abelhas morreram em três meses em quatro estados brasileiros. Uma das principais causas das mortes foi justamente o contato com agrotóxicos à base de neonicotinoides, que atingem o sistema nervoso central das abelhas – afetando a capacidade de aprendizagem e memória, fazendo com que muitas delas percam a capacidade de encontrar o caminho de volta para a colmeia.
Ter um agrotóxico fatal para abelhas como o mais encontrado em alimentos é um alerta também para a saúde humana.
Primeiro porque ele acaba sendo consumido pelas pessoas. “Esse tipo de produto que se espalha por toda a planta é muito perigoso, pois lavar o alimento ou descascá-lo não é suficiente para retirar os resíduos de agrotóxico, que já circulam dentro da planta”, explica engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, vice-presidente da regional sul da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).
Outro problema desse tipo de agrotóxico ser o mais detectado no PARA é que, ao matar abelhas, se prejudica também a produção das lavouras. Isso porque elas são as principais polinizadores da maioria dos ecossistemas, promovendo a reprodução de diversas espécies. No Brasil, das 141 espécies de plantas cultivadas para alimentação humana e animal, cerca de 60% dependem em certo grau da polinização das abelhas. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 75% dos cultivos destinados à alimentação humana no mundo dependem das abelhas.
No PARA, o Imidacloprido foi encontrado em 713 amostras, ou cerca de 15% de todos os alimentos testados. Oito produtos agrotóxicos à base de Imidacloprido foram autorizados pelo governo de Jair Bolsonaro neste ano, com registros de comercialização indo para as multinacionais estrangeiras Sulphur Mills, Albaugh Agro (dois registros), Helm, Nufarm, Tide e Tradecorp, e para a nacional AllierBrasil.
Na edição anterior do PARA, com análises feitas entre 2013 e 2015, o Imidacloprido havia sido apenas o quinto ingrediente ativo mais encontrado nas amostras. Segundo a Anvisa, não é possível comparar os resultados porque a metodologia de pesquisa mudou — alimentos e períodos de análise agora são diferentes.

Resultados não são positivos

A pedido da Agência Pública e da Repórter Brasil, especialistas de organizações que estudam o tema dos agrotóxicos analisaram o relatório, disponibilizado no site da Anvisa, e afirmaram que os resultados são alarmantes, ao contrário do que fez parecer o tom otimista da divulgação oficial do relatório.
Para Melgarejo, da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), o relatório acende um alerta. “O número de 23% dos produtos apresentarem agrotóxico acima do permitido é assustador. E os 27% com veneno abaixo do limite não traz tranquilidade”, diz. “Nas definições de limites aceitáveis, é tido como base uma pessoa adulta de 50 quilos. Mas estamos alimentando crianças e bebês com esses mesmos alimentos. Estar abaixo do limite considerado seguro para um adulto de 50 quilos não significa dizer que é seguro para um bebê ou criança.”
Representantes da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida também criticaram o posicionamento da Anvisa em relação ao relatório, qualificado como “roupa bonita para um conteúdo altamente tóxico”. Em nota, a organização diz que apesar do aspecto técnico da publicação, o release divulgado no site da Anvisa é “extremamente otimista”. Segundo eles, o tom é “de uma peça de propaganda política para um relatório que, lido atentamente, traz grandes preocupações para a sociedade.”
A organização completa dizendo que “em um contexto de uso crescente de agrotóxicos ano a ano, e também de aumento sistemático das intoxicações por agrotóxicos, é lamentável ver a Agência que deveria garantir a segurança alimentar da população minimizando resultados gravíssimos sobre as condições da comida servida ao povo brasileiro”.
Para a organização não governamental Greenpeace, a comunicação dos resultados foi “maquiada”. “Os problemas continuam os mesmos, mas a forma otimista que eles divulgaram faz parecer que melhorou, e isso, infelizmente, foi replicado por muitos veículos de imprensa. Ainda temos mais de 50% dos alimentos com alguma quantidade de agrotóxicos. E os 27% com agrotóxicos abaixo do limite são questionáveis, pois esses limites são muito frágeis quando falamos de várias alimentação completas durante o dia, com mistura de alimentos e substâncias, que tem um efeito diferente de um produto isolado”, explica Marina Lacôrte, especialista em Agricultura e Alimentação do Greenpeace.
Criado em 2001, o PARA testou nesta versão 14 produtos da dieta da população brasileira — abacaxi, alface, alho, arroz, batata-doce, beterraba, cenoura, chuchu, goiaba, laranja, manga, pimentão, tomate e uva. As amostras foram recolhidas em estabelecimentos de 77 municípios, entre agosto de 2017 a junho de 2018, ou seja, antes do início do governo de Jair Bolsonaro, no qual 467 produtos agrotóxicos foram liberados em menos de um ano, um recorde histórico.
Do total de amostras analisadas (4.616), em 2.254 (49%) não foram detectados resíduos, 1.290 (28%) apresentaram resíduos com concentrações iguais ou inferiores ao Limite Máximo de Resíduos (LMR), estabelecido pela Anvisa. E em 1.072 amostras (23%) foram identificados resíduos acima do permitido, incluindo até mesmo agrotóxicos proibidos de serem comercializados no Brasil.
Em 0,89% — quase um em cada 100 casos —, foi identificado potencialidade para causar riscos agudos à saúde, com efeitos como enjoo, vômito, dor de cabeça e febre nas 24 horas seguintes ao consumo do alimento.
A visão do governo, por meio da Anvisa, é a de que o resultado do relatório é positivo. “Temos situações pontuais de riscos, mas que não geram nenhum risco a saúde da população. Os dados mostram a segurança dos alimentos que a gente consome hoje”, garantiu Bruno Rios, diretor adjunto da Anvisa, em coletiva após a divulgação dos dados.

Análise não identifica todos agrotóxicos permitidos no Brasil

As coletas analisadas no PARA foram feitas pelas vigilâncias sanitárias e encaminhadas para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens): Instituto Octávio Magalhães (IOM/FUNED/MG), Laboratório Central de Goiás (Lacen/GO) e Instituto Adolfo Lutz (IAL/SP); e para um laboratório privado contratado por processo licitatório.
Segundo o relatório, em cada amostra foram pesquisados até 270 ingredientes ativos, número bastante inferior aos 499 permitidos para serem comercializados no Brasil após avaliação da Anvisa, Ministério da Agricultura e Ibama. Foram detectados resíduos de 122 ingredientes ativos diferentes nas 4.616 amostras analisadas, o que resultou no total de 8.270 detecções de agrotóxicos — em muitos casos foram identificados mais de um tipo de pesticida em um só alimento, mas a Anvisa não especifica quais em seu relatório.
Depois do Imidacloprido, citado no início da reportagem, os ingredientes ativos mais encontrados foram os fungicidas Tebuconazol (570) e o Carbendazim (526) — este último proibido na União Europeia, Estados Unidos, Canadá e Japão por causar problemas mutagênicos e de toxicidade reprodutiva. Em 2012, os EUA proibiram a importação do suco de laranja brasileiro devido à presença deste fungicida nos produtos.
Entre os 40 ingredientes ativos mais encontrados há o Carbofurano, um produto proibido no Brasil, identificado 52 vezes na atual pesquisa — na edição 2013-2015, o Carbofurano aparecia entre os 30 ingredientes ativos mais encontrados.
Em outubro de 2017, dois meses após o começo das análises, a Anvisa desautorizou a comercialização de agrotóxicos à base de Carbofurano justamente pela persistência de seus resíduos nos alimentos, além de malefícios à saúde humana. Ele também é classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como altamente tóxico do ponto de vista agudo — a que causaria intoxicação nas 24 horas seguidas ao consumo.
De acordo com a Anvisa, a presença de agrotóxicos não autorizados nas análises tem como um dos motivos os poucos registros para culturas consideradas de baixo retorno econômico. Por isso, muitos produtores acabam utilizando agrotóxicos autorizados para uma cultura específica – soja, por exemplo, em outras culturas, caso da uva.

Laranja, goiaba e uva: os três mais com agrotóxicos

Entre os alimentos testados, a laranja foi a que mais apresentou resíduos de agrotóxicos. De 382 análises, apenas 157 não apresentaram vestígios de pesticidas, 173 apresentaram resíduos em concentrações iguais ou inferiores ao permitido pela lei e em 52 casos os níveis de agrotóxico encontrados estavam acima do permitido.
Foram encontrados 47 agrotóxicos diferentes nas laranjas vendidas em supermercados brasileiros, que incluiu até mesmo resíduos de Carbofurano, proibido no Brasil. O mais encontrado na fruta foi o Imidacloprido. Na laranja também foi encontrado a maior exposição para risco agudo. Depois da laranja, a goiaba e a uva foram os alimentos que mais apresentaram riscos agudos.
– No Brasil, das 141 espécies de plantas cultivadas para alimentação humana, 60% dependem da polinização das abelhas –

Nova metodologia é criticada

Até 2012, os resultados do PARA eram lançados anualmente. Desde então, optou-se por divulgar o relatório compilado de três anos. O último foi divulgado em 2016, com dados de 2013 a 2015. Não houve coletas em 2016, por conta de uma reestruturação no projeto, que só voltou à ativa no segundo semestre de 2017.
Na edição anterior, onde foram analisadas 12.051 amostras em três anos, o percentual de alimentos com agrotóxicos acima do permitido pela lei era de 19,7%, menos do que o atual.
Além disso, até 2015, o PARA trabalhava com uma lista de 25 alimentos a serem analisados, que representavam 70% da cesta de alimentos de origem vegetal consumidos pela população brasileira, segundo dados brutos da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE de 2008-2009, que traça o perfil de orçamento doméstico e condição de vida da população brasileira. Agora, a partir da reestruturação, o número de alimentos foi ampliado para 36, mas nem todos os alimentos escolhidos serão analisados anualmente, pois as análises vão variar dentro de cada triênio. Nesta edição, por exemplo, apenas 14 foram analisados, e alimentos como o feijão e a batata ficaram de fora, mas devem entrar nas próximas edições.
A rotatividade é criticada por especialistas da área. “Produtos muito importantes, que estão no prato do brasileiro, não aparecem no resultado. O trigo que vai no pãozinho do dia a dia, o feijão que é um ingrediente tradicional no prato brasileiro. Não é uma boa ideia a Anvisa fracionar as análises para períodos específicos, quando a população consome esses produtos durante todo o ano”, explica o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo.
Marina Lacôrte, do Greenpeace, também criticou o baixo número de alimentos apresentados. “Esses dados têm que ser avaliados todo o ano, pois há safras todos os anos. Eles argumentam que essas alterações ocorrem por questões financeiras, mas esse é um investimento necessário que o governo deve fazer: a saúde da população. Se o problema é financeiro então que se retire a isenção de impostos para os agrotóxicos, e utilizem esses impostos para bancar programas como esse”, diz.
Esta reportagem faz parte do projeto Por Trás do Alimento, uma parceria da Agência Pública e Repórter Brasil para investigar o uso de Agrotóxicos no Brasil. A cobertura completa está no site do projeto.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/12/2019
Agrotóxico mais encontrado em frutas e verduras no Brasil é fatal para abelhas, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/12/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/12/18/agrotoxico-mais-encontrado-em-frutas-e-verduras-no-brasil-e-fatal-para-abelhas/.

Geração distribuída bate novo recorde no Brasil em 2019 com placas solares

Por: Ruy Fontes – Agência #movidos
O segmento de geração distribuída no Brasil registrou novo recorde de instalações em 2019, sendo mais de 99% de sistemas solares.
energia solar
Gerar a própria energia elétrica, algo impensável até alguns anos atrás, está rapidamente se tornando a realidade para mais brasileiros que a cada ano adentram o segmento de geração distribuída.
Em 2019, o número de instalações bateu novo recorde, sendo mais de 92 mil conexões até o final de novembro segundo os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Entre as fontes de energia renováveis incentivadas pelo segmento, a energia solar novamente ficou com a liderança e respondeu por mais de 99% de todos os geradores conectados.
Foram quase 276 sistemas fotovoltaicos instalados por dia no país e conectados à rede elétrica, que juntos somaram uma capacidade instalada de mais de 1,1 Gigawatts (GW).
Com a grande disponibilidade de sol em todas as regiões do país, as placas solares se mostraram a tecnologia mais viável para quem deseja gerar a própria energia.
Somam-se a isso as vantagens da fotovoltaica, como longa vida útil e adaptabilidade, além de incentivos para a energia solar, como a isenção de tributos e linhas de financiamento.
Desde 2012, ano em que a Aneel promulgou as regras da Geração Distribuída (GD), o segmento já registrou um crescimento acumulado de mais de 789.000%.
Em busca de uma saída para o alto preço da energia no país, os consumidores apostam na autogeração para economizar na conta de luz, economia que pode chegar a até 95%.
Outro benefício é a proteção contra a inflação energética, que entre 1995 e 2017 foi 50% maior que a inflação do país, segundo pesquisa do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina).
Com os novos aumentos no preço da energia esperado para os próximos anos e a contínua queda dos preços da tecnologia fotovoltaica, o público da GD deverá continuar crescendo.
De acordo com o último Plano Decenal de Expansão Energia realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil deverá registrar 1,3 milhão de consumidores com autogeração elétrica até 2029.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/12/2019
Geração distribuída bate novo recorde no Brasil em 2019 com placas solares, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/12/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/12/20/geracao-distribuida-bate-novo-recorde-no-brasil-em-2019-com-placas-solares/.

Parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) permite produção agropecuária na Mata Atlântica


Mata Atlântica
O presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou ontem (19), durante transmissão ao vivo na internet, que a Advocacia-Geral da União (AGU) emitiu parecer para dar segurança jurídica a produtores rurais que desenvolvem atividades no bioma Mata Atlântica. Segundo a AGU, “o parecer destaca que o Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) admite a produção agropecuária na Mata Atlântica, uma vez que os artigos 61-A e 61-B da norma preveem a continuidade de atividades agropecuárias em áreas de preservação ambiental que tenham sido fixadas no bioma até 22 de julho de 2008”.
O presidente Jair Bolsonaro disse, durante sua live semanal no Facebook, que o parecer beneficia mais de 200 mil agricultores em 936 municípios de 10 estados do país, que também poderão ter multas extintas com a mudança de entendimento.
“Esse parecer atinge aproximadamente 220 mil agricultores no Brasil, que poderão voltar a produzir nas suas terras. E o mais importante, quem foi multado lá atrás pode recorrer agora e, em função desse parecer, vai ficar isento de multa”, afirmou.
Em reunião no Palácio do Planalto com parlamentares e produtores rurais, o advogado-geral da União, André Mendonça, afirmou que parecer jurídico traz impacto social importante, ao beneficiar produtores que atuavam em áreas que já estavam consolidadas para a agricultura.
“Esse parecer reconhece que o Código Florestal tem aplicabilidade como norma geral em relação a área de Mata Atlântica e que áreas que já estavam consolidadas como produtivas até julho de 2008 não só podem como devem ser utilizadas para a produção”, pontuou.
O parecer será publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (20).

Por Pedro Rafael Vilela, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/12/2019
Parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) permite produção agropecuária na Mata Atlântica, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/12/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/12/20/parecer-da-advocacia-geral-da-uniao-agu-permite-producao-agropecuaria-na-mata-atlantica/.

Amazônia: As florestas secundárias estão cada vez mais fragmentadas e isoladas das florestas primárias restantes

O crescimento da floresta secundária na Amazônia é muito mais lento do que se pensava

floresta secundária na Amazônia
© Marizilda Cruppe / Rede Amazônia Sustentável
Lancaster University*
O novo crescimento das florestas amazônicas após o desmatamento pode acontecer muito mais lentamente do que se pensava anteriormente, mostra um novo estudo.
As descobertas podem ter impactos significativos nas previsões de mudanças climáticas, já que a capacidade das florestas secundárias de absorver carbono da atmosfera pode ter sido superestimada.
O estudo, que monitorou o crescimento da floresta ao longo de duas décadas, mostra que as mudanças climáticas e a perda maior de florestas podem estar prejudicando o crescimento da Amazônia.
Ao retirar grandes quantidades de carbono da atmosfera, as florestas que cresceram após o desmatamento – comumente chamadas florestas secundárias – foram consideradas uma ferramenta importante no combate às mudanças climáticas causadas pelo homem.
No entanto, o estudo de um grupo de pesquisadores brasileiros e britânicos mostra que, mesmo após 60 anos de rebrota, as florestas secundárias estudadas retinham apenas 40% do carbono em florestas que não haviam sido perturbadas por seres humanos. Se as tendências atuais continuarem, levará mais de um século para que as florestas se recuperem completamente, o que significa que sua capacidade de ajudar a combater as mudanças climáticas pode ter sido superestimada.
O estudo, publicado na revista Ecology , também mostra que as florestas secundárias retiram menos carbono da atmosfera durante as secas. No entanto, as mudanças climáticas estão aumentando o número de anos de seca na Amazônia.
O primeiro autor Fernando Elias, da Universidade Federal do Pará, explicou: “A região que estudamos na Amazônia registrou um aumento na temperatura de 0,1 C por década e o crescimento das árvores foi menor durante os períodos de seca. Com previsões de mais secas no futuro, devemos ser cautelosos quanto à capacidade das florestas secundárias de mitigar as mudanças climáticas. Nossos resultados destacam a necessidade de acordos internacionais que minimizem os impactos das mudanças climáticas. ”
Além de ajudar a combater as mudanças climáticas, as florestas secundárias também podem fornecer um habitat importante para as espécies ameaçadas. No entanto, os pesquisadores descobriram que os níveis de biodiversidade nas florestas secundárias eram apenas 56% daqueles observados nas florestas locais não perturbadas, sem aumento na diversidade de espécies durante os 20 anos de monitoramento.
Muitos países fizeram grandes promessas de reflorestamento nos últimos anos, e o Brasil se comprometeu a restaurar 12 milhões de ha de floresta sob o acordo climático de Paris. Tomados em conjunto, esses resultados sugerem que essas grandes promessas de restauração florestal precisam ser acompanhadas por ações mais firmes contra o desmatamento de florestas primárias e uma consideração cuidadosa sobre onde e como reflorestar.
A pesquisa foi realizada em Bragança, Brasil, a mais antiga região de fronteira de desmatamento da Amazônia que perdeu quase toda a sua cobertura florestal original.
A bióloga Joice Ferreira, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, disse: “Nosso estudo mostra que em áreas fortemente desmatadas, a recuperação florestal precisa de apoio e investimento adicionais para superar a falta de fontes de sementes e de animais dispersadores de sementes. Isso é diferente de outras áreas que estudamos, nas quais o desmatamento histórico é muito menor e as florestas secundárias se recuperam muito mais rapidamente sem nenhuma intervenção humana. ”
Jos Barlow , professor de ciências da conservação no Lancaster Environment Center , destaca a necessidade de mais estudos de longo prazo. Ele disse: “As florestas secundárias são cada vez mais difundidas na Amazônia, e seu potencial de mitigação das mudanças climáticas as torna de importância global. São necessários mais estudos de longo prazo como o nosso para entender melhor a resiliência florestal secundária e direcionar a restauração às áreas que mais farão para combater as mudanças climáticas e preservar a biodiversidade. ”
Referência:
Elias, F., Ferreira, J., Lennox, G.D., Berenguer, E., Ferreira, S., Schwartz, G., de Oliveira Melo, L., do Nascimento Reis Júnior, D., do Nascimento, R.O., Ferreira, F.N., Espirito Santo, F., Smith, C.C. and Barlow, J. (2019), Assessing the growth and climate sensitivity of secondary forests in highly deforested Amazonian landscapes. Ecology. Accepted Author Manuscript. doi:10.1002/ecy.2954
https://doi.org/10.1002/ecy.2954

* Da Lancaster University, com tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/12/2019
Amazônia: As florestas secundárias estão cada vez mais fragmentadas e isoladas das florestas primárias restantes, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/12/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/12/20/amazonia-as-florestas-secundarias-estao-cada-vez-mais-fragmentadas-e-isoladas-das-florestas-primarias-restantes/.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

O GRITO DO BICHO - Boletim do dia 18.12.2019.



Boletim do dia 18/12/2019
Queridos leitores do Blog  "O Grito do Bicho"
Confiram as postagens de hoje na página principal de www.ogritodobicho3.com ou diretamente nos títulos abaixo:

·         Três vídeos sobre o amor e carência dos animais.....

·         Matéria excelente apresentada no Programa Encontro com Fátima Bernardes

·         Dossier sobre o caso da rinha de cães em Mariporã. Esculhambação da polícia nos participantes. Adorei!

·         Polícia acha, em Itu, 33 pitbulls em sítio de preso por rinha de cachorros

·         Matérias que valem a pena para nosso conhecimento

·         Tradição do Festival de Evala está no sangue dos cães

·         Gato é encontrado com tornozeleira eletrônica em Fortaleza

·         Campanha contra fogos de artifício

·         Nós comemos microplásticos o tempo todo. O planeta que estamos matando.

·         Polícia Civil do Paraná resgata 19 cães em rinha de SP; churrasco com carne de cachorro era servido

·         TORUK - Cirque du Soleil

·         Uma foto fala por mil palavras

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Abração a todos e obrigado pelo carinho com nosso trabalho.
sheila moura