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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Brasil pode abrigar primeira reserva de proteção de elefantes da América Latina
Você pode se tornar parte do movimento que fará com que os elefantes da América do Sul deem um passo importante em direção à sua liberdade!
Por Redação do EcoD –
Abrigar e reabilitar animais apreendidos e recolhidos, vítimas de maus tratos, tráfico ou usados em espetáculos circenses. Este é o principal objetivo do primeiro santuário de elefantes da América Latina, que pode se tornar realidade em uma antiga fazenda de gado de mil hectares, a cerca de 40 Km do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso.
Para tanto, a iniciativa de organizações como Global Sanctuary for Elephants e Elephant Voices, busca financiamento coletivo na plataforma Kickante, o que significa que qualquer um de nós pode contribuir para viabilizá-la.
“A troco de algumas risadas e sorrisos, elefantes em cativeiro têm sua saúde e felicidade sacrificadas. Milhares desses animais extremamente inteligentes e sociáveis pagam um preço alto demais, vivendo uma vida sem nenhuma semelhança com as vidas que teriam na natureza”, explica a organização no site da campanha.

A primeira etapa inclui um Centro de Tratamento Médico e dois currais conjugados de 8 hectares cada. Foto: Divulgação
“Felizmente, boa parte do mundo está abrindo os olhos para o fato de que os cativeiros atuais não atendem às necessidade físicas e psicológicas mais básicas dos elefantes”, dizem os membros da ONG Santuário de Elefantes Brasil, responsável pelo projeto.
A exibição de animais em circos é proibida em 11 estados brasileiros e em 50 cidades. A prática também é ilegal em El Salvador, Equador, Paraguai, Bolívia e Argentina. Além da área cercada equivalente a mil campos de futebol, o Santuário contará também com um galpão para servir de centro veterinário.
É possível contribuir com valores a partir de R$10. O objetivo da campanha é arrecadar R$ 350 mil até o dia 8 de março. Até o momento foram angariados cerca de R$ 50 mil.
(EcoD/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site EcoD.
Agência da ONU vai ajudar o Brasil a implementar técnica nuclear para combater o Aedes

Técnica vai utilizar radiação para criar, em cativeiro, 12 milhões de mosquitos estéreis por semana.
Os espécimes estéreis, todos machos do Aedes aegypti, serão liberados no ambiente, mas não conseguirão se reproduzir, dificultando a proliferação do mosquito transmissor da zika, dengue e chikungunya.
Por Redação da ONU Brasil –
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou nesta terça-feira (23) que vai ajudar o Brasil na luta contra o vírus zika. O organismo facilitará a transferência para o país de um irradiador gama, equipamento capaz de tornar estéreis os espécimes machos do Aedes aegypti criados em cativeiro. Após o tratamento com radiação, os animais são liberados no ambiente, mas não conseguem se reproduzir, dificultando a proliferação do mosquito transmissor da zika, dengue e chikungunya.
Esse método de combate aos insetos, chamado Técnica do Inseto Estéril (SIT), já é utilizado há mais de 50 anos para eliminar pestes na agropecuária. A agência das Nações Unidas tem coordenado esforços globais para implementar a estratégia também no combate a mosquitos como o Aedes aegypti. O irradiador gama que o Brasil vai receber será transferido para o Moscamed, um centro de pesquisa sem fins lucrativos localizado em Juazeiro, na Bahia.
“O irradiador permitiria ao nosso centro produzir até 12 milhões de machos estéreis do Aedes aegypti por semana, alcançando até 750 mil pessoas em 15 municípios, nos estados brasileiros da Bahia e de Pernambuco, que foram atingidos de forma particularmente dura pelo zika”, afirmou o diretor do Moscamed, Jair Virginio, durante um encontro de especialistas de 12 países, realizado em Brasília e organizado pela AIEA e pelo Ministério da Saúde brasileiro.
O evento, durante o qual a agência da ONU anunciou a transferência da maquinaria para o Brasil, faz parte de uma resposta mais ampla da AIEA aos surtos de zika verificados nas Américas do Sul e Central. No início de fevereiro, o organismo internacional acordou a doação de equipamentos especiais para ajudar países caribenhos e latino-americanos a identificar o vírus.
Para o presidente da Associação Europeia de Controle de Mosquitos, Jan O. Lundstrom, a técnica de esterilização é promissora. Embora inseticidas e larvicidas tenham sido eficazes no passado, “a fumigação sozinha não pode alcançar as larvas do mosquito que se escondem em pequenos contêineres de água, ocultos e em ambientes internos”, disse.
Os pesquisadores que se reuniram em Brasília concordaram que a SIT é eficiente, segura, sustentável e ambientalmente neutra. (ONU Brasil/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site ONU
Pnud busca desenvolvimento sustentável

Mulheres dormem em um trem na Birmânia. Cerca de 1,2 bilhão de pessoas vivem com menos de US$ 1,25 por dia no mundo. Foto: AmanthaPerera/IPS
O mundo ainda não se desfez da pobreza e da fome e existem ecossistemas que sofrem muita pressão. A boa notícia é que nosso planeta tem mais riqueza, mais conhecimentos e mais tecnologias ao seu alcance do que nunca teve para poder fazer algo a respeito desses desafios.Falta liderança na busca dos fundos necessários. O dinheiro não é tudo, mas, sem dúvida, ajuda, inclusive mediante a assistência oficial para o desenvolvimento.
Por Helen Clark*
Nações Unidas, 25/2/2016 – Há 50 anos, uma em cada três pessoas no planeta vivia na pobreza. Foi nesse contexto que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) foi criado em 1966. Desde então, o Pnud lidera o trabalho por um mundo mais justo e próspero para todos e para todas. Trabalhamos com os governos, a sociedade civil, o setor privado e os filantropos para empoderar as pessoas e construir nações resistentes.
Agora que o Pnud começa seu segundo meio século, a quantidade de pessoas em situação de pobreza diminuiu aproximadamente para um em cada oito habitantes. O Pnud tem orgulho de ter trabalhado com muitos sócios comprometidos com a erradicação da pobreza.De fato, durante 50 anos, o Pnud esteve na vanguarda do trabalho para erradicar a pobreza, a fome e as enfermidades, criar postos de trabalho e meios de vida, empoderar a mulher, apoiar a recuperação em casos de desastres e outras crises, proteger o ambiente, e muito mais.
A maior parte desse trabalho é possível graças à dedicação de nosso pessoal e às milhares de organizações com as quais nos associamos em todo o mundo e que fazem o trabalho diário de desenvolvimento. Tenho o orgulho de dirigir uma organização que transformou tantas vidas para melhor, oferecendo-lhes oportunidades, esperança e dignidade.
Entretanto, há muito trabalho a ser feito. O mundo ainda não se desfez da pobreza e da fome e existem ecossistemas que sofrem muita pressão. A boa notícia é que nosso planeta tem mais riqueza, mais conhecimentos e mais tecnologias ao seu alcance do que nunca teve para poder fazer algo a respeito desses desafios.Falta liderança na busca dos fundos necessários. O dinheiro não é tudo, mas, sem dúvida, ajuda, inclusive mediante a assistência oficial para o desenvolvimento.
Faltam grandes coalizões para o desenvolvimento sustentável. Os governos que atuam por si só não podem conseguir os objetivos fixados no novo programa mundial, a Agenda 2030. Sua liderança é vital, mas insuficiente. A sociedade civil, o setor privado, os filantropos, os pesquisadores – são necessárias todas as mãos para a tarefa.E, mais do que nunca, falta a liderança do sistema multilateral, incluído o do Pnud.
Nossa tarefa consiste em apoiar os países na erradicação da pobreza, e fazê-lo de tal maneira que também se reduza a desigualdade e a exclusão, e se evite a destruição dos ecossistemas dos quais depende a vida.
Trabalhando juntos, com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como guia, pode-se construir um mundo no qual as economias e as sociedades sejam mais inclusivas e se proteja o planeta dos piores efeitos da mudança climática e de outras formas de degradação ambiental. Agora, quando comemora seu 50º aniversário, o Pnud reafirma seu compromisso com essa tarefa. Envolverde/IPS
*Helen Clark é administradora do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Clima: cidades têm papel de destaque
Por Edwirges Nogueira, da Agência Brasil
Gestores municipais, pesquisadores e entidades nacionais e internacionais debatem, em Fortaleza, as responsabilidades, os desafios e as oportunidades dos governos locais diante dessa realidade.
A 2ª Jornada sobre Cidades e Mudanças Climáticas ocorre após a 21ª Conferência das Partes da Convenção da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 21), realizada em dezembro de 2015, na França, quando os governos estaduais e municipais foram considerados atores fundamentais na construção de ações sustentáveis no ambiente urbano.
“O engajamento dos governos locais foi acontecendo paulatinamente nos últimos cinco, dez anos. Começamos a ver algumas prefeituras tomando à frente em ações, fazendo inventários de emissões de gases [de efeito estufa] e começando a discutir o que pode ser feito para assegurar que a qualidade de vida da população não seja tão impactada pela intensificação dos desastres naturais”, disse o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Ritll.
Esse engajamento, segundo Ritll, não passa somente pela adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. Para ele, as cidades precisam com urgência realizar ações para mitigar a emissão de gases de efeito estufa, que agravam o aquecimento global.
Como exemplo dessa urgência, Ritll lembrou que 30% das cidades brasileiras decretaram situação de calamidade devido a desastres naturais. No Ceará, segundo Observatório do Clima, 83% dos municípios estão em emergência por conta da seca, que já se estende pelo quinto ano seguido.
Ações locais
Segundo o especialista, poucas cidades brasileiras têm políticas voltadas para a sustentabilidade e, diante do atual cenário, é preciso que elas se apressem para dar conta dos desafios do meio ambiente.
“As cidades começam a perceber a seriedade do assunto, mas são poucas as que pensam o caminho do seu desenvolvimento voltado para um momento em que o clima fica cada vez mais difícil. Existe uma evolução clara, mas ainda muito lenta. Precisamos que essa agenda ande mais rápida”, avaliou.
Para o prefeito de Belo Horizonte e presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Márcio Lacerda, há soluções que as cidades podem desenvolver de forma independente, mas é importante haver um alinhamento com políticas nacionais mais amplas.
“As questões sobre saneamento, áreas verdes, resíduos sólidos e transporte são parte de um conjunto muito grande de ações que podem ser tomadas localmente e que não dependem de políticas nacionais. Há esse espaço de criatividade e de mobilização local, mas é importante a coordenação nacional de uma série de políticas”.
Na COP 21, o Brasil apresentou metas ambiciosas de redução de emissões. O país quer, por exemplo, alcançar 23% de participação de fontes renováveis (excluindo hidrelétricas) na matriz energética, o dobro do percentual atual. De acordo com o secretário interino de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Adriano Santhiago de Oliveira, o alcance dessas metas passa pela contribuição das cidades.
“As cidades terão um papel fundamental no alcance de todos os objetivos, como reflorestamento, recuperação de áreas degradadas. Mais do que isso, os municípios precisam estar preparados para a questão da adaptação. Existe uma mudança do clima que já está comprometida, vai acontecer, e os municípios terão que estar preparados porque, no final das contas, o impacto de um problema que é causado globalmente vai acontecer localmente”. (Agência Brasil/ #Envolverde)
* Edição: Luana Lourenço.
** Publicado originalmente no sie Agência Brasil.
Soda cáustica restaura coral vítima de CO2

Platô coralino tingido durante experimento na Austrália. Foto: Ken Caldeira/Nature
Pesquisadores simularam condições químicas da água do mar no período pré-industrial e viram recife crescer; estudo sugere que acidificação dos oceanos já impacta esses ecossistemas.
Por Claudio Angelo, do OC –
Despejar uma mistura de soda cáustica e corante sobre um recife de coral numa região que é patrimônio da humanidade parece uma péssima ideia. Mas um grupo internacional de cientistas acaba de anunciar que realizou esse experimento na Austrália, com o objetivo de tentar entender como os gases de efeito estufa afetam a vida marinha. Os corais, aparentemente, aprovaram o teste.
O trabalho foi liderado por Rebecca Albright, da Instituição Carnegie, nos EUA, e seu orientador, Ken Caldeira, um pioneiro do estudo da chamada acidificação dos oceanos. A ideia dos dois era mexer na química da água de uma lagoa na Grande Barreira de Coral australiana, de forma a simular as condições pré-industriais. Então eles mediriam a reação do recife.
Os cientistas sabem que os oceanos estão mais ácidos no mundo inteiro. Isso é um efeito colateral das emissões de gases de efeito estufa que causam o aquecimento global. Grande parte das emissões humanas de CO2 é absorvida pelo mar, onde o gás carbônico reage com a água (H2O) e forma ácido carbônico (H2CO3). Isso reduz o pH da água do mar, ou seja, ela fica mais ácida.
Para organismos que formam carapaças de calcário, como moluscos, corais e várias espécies de plâncton, isso é mortal. A água mais ácida dissolve lentamente essas estruturas, num fenômeno que já foi comparado a uma grande osteoporose oceânica.
Mas existe um efeito adicional da acidificação, igualmente perverso para os corais e outras criaturas: esses animais formam suas carapaças ao absorver íons de carbonato (CO3–) da água e combiná-los com cálcio para formar um mineral chamado aragonita. A reação do gás carbônico com a água do mar também captura os íons de carbonato para formar duas moléculas de bicarbonato (2HCO3–), essencialmente tirando o carbonato de circulação. O bicarbonato é imprestável para fazer aragonita. Sem a matéria-prima, os corais não conseguem formar sua carapaça – portanto, não crescem.
Como os recifes de coral são fundamentais para a teia alimentar marinha e para a alimentação e os empregos de milhões de pessoas no mundo inteiro, entender como a acidificação dos oceanos impacta esses ecossistemas é importante. Mas isso tem sido difícil de quantificar, já que o fenômeno da acidificação só foi descoberto na década passada, quando a química do oceano já diferia muito da da era pré-industrial. Para saber quanto a “osteoporose marinha” já havia afetado a taxa de crescimento dos recifes seria preciso usar uma máquina do tempo.
Foi exatamente o que fizeram Albright, Caldeira e colegas, num experimento descrito na edição de hoje do periódico Nature.
O grupo descobriu um recife na Grande Barreira de Coral que poderia ser devolvido ao passado, por assim dizer. Formado por três lagoas, o recife fica isolado do resto do oceano algumas horas por dia, durante a maré baixa. Por acaso, a lagoa maior é também mais alta que a menor, e a água escorre daquela para esta durante a maré baixa, por cima de um pequeno banco de corais.
Os biólogos da Carnegie tiveram uma sacada: já havia estimativas de quanto o pH da água da região havia caído desde o período pré-industrial. O que eles precisavam fazer era corrigir esse pH. Para isso, lançaram mão de um recurso velho conhecido de donos de aquário no mundo todo: o hidróxido de sódio – a popular soda cáustica.
Num tanque de 15 mil litros instalado na lagoa maior, os cientistas misturaram água do mar, um corante cor-de-rosa e 600 gramas de soda cáustica. Durante uma hora por dia, na maré baixa, essa mistura fluía por cima do recife até a lagoa menor, em cuja borda os pesquisadores coletavam amostras de água. Medindo a proporção entre corante e soda cáustica na mistura entre uma lagoa e outra no começo e no final do experimento, durante 22 dias, eles conseguiriam estimar quanto da alcalinidade adicional fora absorvida pelo recife.
Ao final do experimento, o grupo descobriu que a taxa de crescimento dos corais cresceu 7% no período com soda cáustica. A implicação disso é que, se os mares não estivessem mais ácidos, os corais estariam crescendo mais – pelo menos naquela parte do mundo. É a primeira vez que se consegue estimar de maneira experimental o efeito isolado da acidificação sobre esse ecossistema.
“A acidificação dos oceanos já está cobrando seu preço nas comunidades de recife de coral”, disse Albright em comunicado do centro de pesquisas. “Isso não é mais um temor para o futuro; é a realidade hoje.”
Essa correção de pH já foi cogitada por alguns como um esquema de engenharia planetária para reverter a acidificação em áreas-chave dos oceanos. Caldeira descarta a ideia. “A única maneira real e duradoura de proteger os recifes é fazer cortes profundos nas nossas emissões de dióxido de carbono.” (Observatório do Clima/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.
O preço do petróleo e o futuro da energia

Parque Eólico de Aracati, no Ceará. ©Greenpeace/Otávio Almeida
A volatilidade do valor do barril não altera uma certeza: as energias renováveis seguirão em alta. E o Brasil não pode mais perder tempo.
Por Pedro Telles*
A forte queda do preço do petróleo em mercados internacionais, observada no último ano e meio, tem trazido dúvidas sobre o futuro das energias renováveis. Desde meados de 2014, o valor do barril de petróleo caiu de US$ 100 para US$ 30. E pode cair mais. Nesse cenário, muitos se perguntam se fontes como a solar e a eólica manterão sua competitividade e o impressionante ritmo de expansão observado em anos recentes.
Juntas, as fontes solar e eólica viram sua capacidade instalada crescer cerca 1.000% no mundo ao longo da última década. Felizmente, há plenas condições para esse ciclo virtuoso continuar, e diversas razões para isso podem ser destacadas.
Na maioria dos países, as novas energias renováveis ainda crescem sem competir tão diretamente com o petróleo. Enquanto mais de metade do petróleo produzido no mundo é consumido como combustível para os transportes e outra grande fatia vai para atividades industriais, as novas renováveis ganham espaço com mais força na geração de eletricidade –na qual a competição central é com carvão, gás natural e energia nuclear. O preço de petróleo pode até exercer alguma influência, mas não é determinante.
Com o avanço das tecnologias, é esperado que as novas renováveis passem a competir mais diretamente com o petróleo. Os veículos elétricos, que ainda não ganharam grande escala mas devem fazê-lo em alguns anos, são um exemplo. Contudo, a redução de preços das fontes mais modernas de energia também tem sido notável: desde a década de 1980, o custo de painéis solares vem caindo cerca de 10% ao ano. E deve seguir nessa tendência, segundo estudo de pesquisadores da Universidade de Oxford publicado neste ano.
É importante ressaltar que, enquanto os preços das renováveis só tendem a cair, a história nos mostra que o preço do petróleo é oscilante, sendo muito difícil dizer em qual patamar estará daqui a poucos anos ou até mesmo meses. Investir em petróleo, portanto, é um negócio arriscado. Mas apostar nas novas renováveis é uma estratégia cada vez mais segura, especialmente no longo prazo, que é para onde governos e empresas do setor geralmente olham.
Outra razão para manter o otimismo com relação às novas renováveis é a consolidação do setor. Seu crescimento na última década superou as expectativas mais otimistas. Uma das principais barreiras à popularização das energias solar e eólica, o armazenamento de energia em baterias compactas para momentos em que o sol não brilha ou o vento não sopra, já está sendo superada por produtos lançados recentemente.
Além disso, a previsibilidade dessas fontes de energia vem sendo estudada e equacionada há muito tempo, e é uma área de conhecimento avançada. Para citar um exemplo, em 2014, temia-se o risco de um eclipse desestabilizar a rede elétrica da Alemanha, que conta com participação significativa de energia solar. O impacto, no entanto, foi mínimo e pontual, reforçando a confiança na matriz.
Fim da era do petróleo
Para além de aspectos econômicos e técnicos, as esferas política e socioambiental da discussão também apontam cada vez mais na direção de energias como a solar e a eólica. A nível global, as renováveis são a principal saída para o desafio das mudanças climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis como o petróleo.
No final do ano passado, governos de 195 países assinaram o importante Acordo de Paris, assumindo os compromissos de evitar um aquecimento global superior a 1,5°C e, na segunda metade do século, neutralizar emissões de gases de efeito estufa. Em termos práticos, a única forma realista de atingir esses objetivos é zerando o consumo de combustíveis fósseis até 2050. Ou seja, o mundo já assinou o fim da era do petróleo.
Existe ainda espaço para governos aproveitarem os baixos preços do petróleo e removerem subsídios ao seu consumo. Com a drástica queda dos preços, esses subsídios simplesmente perdem sentido. Diversos países como Índia, Indonésia e Malásia já fizeram isso, e muitos outros podem seguir o exemplo.
Os recursos que iriam para as grandes empresas petrolíferas podem, então, ser direcionados justamente para as novas renováveis, acelerando a transição para uma matriz energética mais moderna e limpa. E se os preços do petróleo voltarem a subir, o mercado já estará operando sob novas condições. E se reequilibrará, sem contar com um apoio que custa caro à sociedade e perpetua o grave problema das mudanças climáticas.
Em resumo, o cenário continua notavelmente favorável às renováveis, e cada vez mais desfavorável para o petróleo. Não à toa o investimento em renováveis quebrou um novo recorde em 2015, chegando a US$ 329 bilhões, com China e Estados Unidos na liderança. Enquanto isso, cresce exponencialmente um movimento internacional de retirada de investimentos em petróleo, que já conta com o apoio de organizações como o Rockefeller Brothers Fund, a Universidade de Glasgow e o Conselho Mundial de Igrejas.
O Brasil tem tudo para se tornar um dos protagonistas dessa revolução energética. Poucos países contam com condições tão favoráveis às energias solar e eólica. Alguns de nossos governantes já começam a perceber isso. Um deles é José Fortunati, prefeito de Porto Alegre, que há menos de um mês assumiu o compromisso de ter 100% dos prédios municipais gerando ou consumindo energias limpas e renováveis até 2050.
Ainda assim o governo federal continua olhando para o passado. E destinará aos combustíveis fósseis cerca de 70% dos investimentos públicos em energia previstos para a próxima década. Outro exemplo dos equívocos cometidos é o fato da presidente Dilma ter vetado uma séria de medidas favoráveis às energias renováveis no Plano Plurianual para 2016-2019, sancionado há poucas semanas.
Está totalmente ao alcance de Dilma e sua equipe mudar de postura e investir de fato no futuro. Basta abrir os olhos para os enormes benefícios econômicos, sociais e ambientais oferecidos pelas renováveis. (Greenpeace Brasil/ #Envolverde)
* Pedro Telles é coordenador de Clima e Energia do Greenpeace.
* Artigo publicado originalmente no site UOL Notícias e retirado do site Greenpeace Brasil.
clima, petróleo, crise do petróleo, energias renováveis, renováveis
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