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domingo, 3 de abril de 2022

A guerra da Ucrânia é o prato de entrada no banquete da indústria de armamentos

Não sabemos o quanto vai durar este massacre na Ucrânia, mas com certeza, daqui para frente a festa será da indústria militar, elevando lucros de grandes empresas e governos conservadores Quanto mais olho para a Europa, OTAN, Estados Unidos, Boris Johnson, Putin, Zelenski, mas concordo com Carl Von Clausewitz, militar e estrategista, autor da obra “Da Guerra”, publicado em 1832: “A guerra é uma simples continuação da política por outros meios.” Por trás de qualquer invasão a um país soberano, que inevitavelmente causa uma grande mortandade de civis, estão os comandos de nacionalistas autoritários, como de um Vladimir Putin. A mente deste ex-agente da KGB, não é diferente de outros psicopatas que arrasaram a Europa, como Adolf Hitler, Francisco Franco ou Benito Mussolini e seus desejos megalomaníacos. Se olharmos bem de perto, também não é diferente de um Donald Trump, que quase provocou uma guerra civil nos EUA, ao não aceitar a derrota nas eleições e incentivar a invasão ao Capitólio ou de um Jair Bolsonaro & filhos, que tentaram orquestrar uma invasão ao Supremo Tribunal Superior, para derrubar seus ministros. Em geral elegemos mal nossos representantes e vemos de tempos em tempos o despertar de novos discípulos de Maquiavel, onde “o fim justificam os meios” e para quem a formação de “gabinetes de ódio” serve como um instrumento para se criar falsas notícias e se manterem no poder. Não há dúvidas que a famosa frase de Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha Nazista, “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”, ainda orienta muitos dos senhores da guerra. Uma boa propaganda promove o ufanismo e cria “mitos”. Na era do nazismo, no início dos anos 1940, o exército alemão tinha o lema ‘Deus conosco’ e Hitler tinha como slogan: “Alemanha acima de tudo” (“Deutschland über alles”). Parentes de soldados mortos na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) recebiam uma mensagem de condolências com o slogan “Pelo líder, povo e pela pátria”. Tanto Trump quanto Bolsonaro também recorreram aos slogans que apelam para o perfil ufanista e religioso do americano e do brasileiro conservador: “Make America Great Again” não é diferente do “Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos”. Putin com o passar do tempo também aprendeu a usar bem as palavras, invertendo as acusações para quem está contra a invasão na Ucrânia: “Esses por trás dos protestos querem o poder e não vão parar por nada. Eles recorrem ao terror, aos assassinatos. São nacionalistas, neonazistas, ´russofóbicos´ e antissemitas. Narrativas são criadas para os caudilhos permanecerem no poder a qualquer custo. No entanto, é preciso ter cuidado quando tentam nos convencer sobre “mocinhos” e “bandidos”, pois é difícil distinguir a diferença de um sobre o outro, quando mísseis destroem hospitais e escolas e balas começam a voar sobre as cabeças de crianças. Não podemos esquecer que uma das maiores farsas da história foi a justificativa para a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003, após o ataque terrorista às torres gêmeas em Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001. A mentira contada pelo governo americano e britânico, apoiados pelo discurso hegemônico do jornalismo ocidental, de que o “bad boy” Saddam Hussein escondia armas químicas e biológicas para destruição em massa, custou a vida de pelo menos 200 mil pessoas (em estimativas conservadoras), sendo a maior parte de civis. Além de mais de 4 mil soldados americanos e quase 200 britânicos mortos em combate. As supostas armas nunca foram encontradas, o que desgastou mais ainda a imagem do então republicano conservador, presidente George W. Bush e causou a renúncia de Tony Blair, primeiro-ministro do Reino Unido. A guerra fabricada manteve os Estados Unidos por oito anos em território iraquiano e custou aos cofres americanos pelo menos US$800 bilhões. Por detrás de tudo isto, reservas conhecidas de 115 bilhões de barris de petróleo, o que é mais do que cinco vezes o total das reservas americanas. A saber, nem Bush, nem Blair foram condenados por crimes de guerra! Putin vem mentindo desde o início do cerco de tropas russas à Ucrânia e agora sabemos qual eram suas intenções. Chegando a um mês de lançamento de bombas sobre aquele país e centenas de mortes de civis, muitas delas crianças, já se pode acusar Putin de criminoso de guerra. Resta saber quando tudo isto acabará e se ele será condenado! As mentes distorcidas de adoradores de poder e armas estão aí na história para nos mostrar. Nos anos 80, Margaret Thatcher, a “dama de ferro”, que reprimia violentamente a greve de mineiros no Reino Unido, mandou suas tropas para o outro lado do mundo a fim de retomar as Falklands, um arquipélago cheio de pedras, invadida por argentinos sob o comando de uma ditadura militar. Na época, o general Leopoldo Galtieri tentou salvar um governo falido, apelando para o nacionalismo. No começo dos anos 90, também víamos a exaltação ufanista deixar um rastro de sangue na Europa que não se via desde a Segunda Guerra Mundial. A Guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995, que envolveu sérvios, croatas, bósnios, enrolados em bandeiras e em suas religiões, causou a morte de mais de 200 mil pessoas (quase 50% de civis) e quase 2 milhões de deslocados. Ao término do conflito, líderes nacionalistas bósnios sérvios como Radovan Karadžic e sérvios como Slobodan Miloševic, foram condenados por crimes de guerra, genocídio e “limpeza étnica”. Hoje a guerra é mais mediática e temos de ter um olhar crítico sobre as imagens repetidas que nos chegam na telinha do celular da tragédia humana na Ucrânia. É certo que não podemos ficar insensíveis ao desespero dos refugiados em grandes filas, caminhando para as fronteiras, com praticamente a roupa do corpo. Sem hesitar, o mundo deve condenar as ações de Putin e o absurdo que estamos assistindo em pleno século 21. Por outro lado, temos o comediante Volodymyr Zelenski, apresentado como o presidente “herói” neste conflito. Sendo ator, ele sabe muito bem desempenhar este papel, no entanto, na realidade, o candidato Zelenski, teve grande apoio de oligarcas ucranianos para se eleger e aceitou os milicianos da ultradireita no seu governo, depois da suposta “revolução” de 2014. Hoje, o Batalhão de Azov, formado por neonazistas, faz parte do exército ucraniano e tem várias acusações de abusos de direitos humanos e crimes de guerra na Guerra civil no leste do país, com denúncias de casos de torturas, estupros, saques, limpeza étnica, além de perseguição a minorias como homossexuais, judeus e russos. Sim, a Ucrânia tem o direito de se defender e de não entregar seu país a um ditador, mas a que preço, enquanto o mundo assiste a mais uma crise de milhões de refugiados? Como toda a guerra, mais uma vez aqui a grande vítima será a população civil. É preciso lembrar, que neste palco de interesses, Zelenski flertava abertamente com uma OTAM expansionista, liderada pelos Estados Unidos, com um grande medo da dependência crescente da Europa do gás russo e de perder seu domínio geopolítico no continente europeu. A pressão da águia careca do Norte sobre o urso pardo do Leste, pode estar nos levando a uma guerra muito maior e que poderá criar uma nova ordem global geopolítica e econômica. Se os Estados Unidos contavam com um conflito para poder se beneficiar e manter seu status de “xerife do mundo”, o tiro pode sair pela culatra. Pois o que vemos é uma maior aproximação da Rússia e China (ainda “neutra” no conflito), que há muito tempo desejam sair da dependência do dólar como moeda dominante nos negócios globais. Um com grandes recursos naturais e o outro com avançadas tecnologias, suficientes para quem sabe, ancorar a economia da Eurásia em outra moeda. Sabe-se que os dois países juntos têm polpudas reservas econômicas (leia-se ouro, petróleo, moedas virtuais, tecnologias de ponta e diversas commodities) para se garantirem por um bom tempo, independente das sanções do ocidente. É bom lembrar, que mesmo com os discursos dos líderes europeus condenando os ataques de Putin à Ucrânia, a Europa continua comprando petróleo da Rússia, cuja dependência é de cerca de 30%! Com este novo cenário, especialistas também preveem que haverá mudanças nas políticas de gastos dos países a nível global. Por exemplo, uma parte do orçamento da Alemanha que até o momento iria para resolver os problemas ambientais, como a redução das emissões de carbono, poderá ir para gastos militares, tendo em vista que os alemães estão abertamente se envolvendo no conflito, uma posição que não se via desde a Segunda Guerra Mundial. Já a Suíça, tradicionalmente neutra, agora enviou armas para a Ucrânia. Assim como os Estados Unidos e a Rússia, certamente irão ter mais facilidade para convencer seus parlamentos a aumentar os orçamentos para fabricação de armas. Quando olhamos para a quantidade de armamentos fabricados no mundo, não devemos ser ingênuos em pensar que não desejem usá-los. Apesar da pandemia, o gasto militar global teve um incremento de 2,6% em 2020, chegando a 1,98 trilhões de dólares. Os EUA gastaram cerca de US$ 778 bilhões desse total, enquanto a Rússia cerca de US$65 bilhões. Estes países, assim como o Reino Unido e países europeus, que também lucram com o comércio de armas, precisam saber da eficácia deles, afinal esta é a melhor propaganda de marketing para se aumentar as vendas. Não sabemos o quanto vai durar este massacre na Ucrânia e como a Europa e os Estados Unidos irão se posicionar diante do avanço russo, mas com certeza, daqui para frente a festa será da indústria militar, elevando lucros de grandes empresas e governos conservadores. Jamais imaginávamos a Europa como sendo mais uma vez o palco de uma guerra desta natureza, pois era de se pensar que haviam aprendido a lição depois das atrocidades do nazismo. A Guerra da Bósnia já tinha sido um alerta e as tensões da Ucrânia e Rússia estavam ali, gritando, mas os líderes europeus e seus representantes parlamentares, dormiram em cadeiras confortáveis dos seus escritórios luxuosos! Quando devíamos estar preocupados com o controle de emissões de gases do efeito estufa e as mudanças climáticas que ameaçam a vida no Planeta, vemos a política por outros meios aí novamente, mais bélica e com tendência a aumentar. Aquilo que começou com uma salada russa azeda, pode se tornar um grande banquete de acionistas e CEOs dos instrumentos da morte. Eloy F. Casagrande Jr., PhD Coordenador do Escritório Verde Professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/03/2022

Produtos naturais não são inócuos e podem causar danos ao organismo

A frase “porque é natural não faz mal” não corresponde à realidade Daniel Demarque lembra que produtos naturais não são inócuos e podem causar danos ao organismo, principalmente quando interagem com outros medicamentos Por Simone Lemos / Jornal da USP no Ar / Rádio USP Tocador de áudio 00:00 00:00 Use as setas para cima ou para baixo para aumentar ou diminuir o volume. O uso de produtos ditos “naturais” sem indicação médica é um risco à saúde, podendo levar a óbito. As pessoas costumam entrar em uma loja de produtos naturais, manipulados ou até mesmo em farmácias para procurar o que pode ajudar a emagrecer, melhorar a pele, crescer cabelo ou minimizar sua queda sem conhecer ou saber exatamente o que está sendo consumido. A compra também é facilitada com a venda pela internet. Daniel Demarque, professor do Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, lembra que aquela frase “porque é natural não faz mal” não existe. Os venenos e as plantas tóxicas também são naturais. “Quando nós consumimos os produtos ditos naturais, nós precisamos ter em mente que esses produtos não são inócuos, ou seja, ainda que naturais são produtos químicos que vão ter efeito no nosso organismo, que o nosso fígado precisa metabolizar para excretar. Não é porque ele é natural que não vai ter nenhum risco ou não vai ter nenhum efeito no nosso organismo.” Muita gente tem o hábito de tomar um chazinho e acaba aproveitando para tomar um remédio, mas essa é uma combinação perigosa e que deve ser evitada. “Os chás muitas vezes têm substâncias chamadas de taninos, muito comuns nos vinhos, e essas substâncias podem se complexar com os medicamentos e evitar sua absorção.” Registro na Anvisa Os produtos naturais, mesmo na forma de chá, de cápsula, contendo um extrato fabricado a partir de uma matéria vegetal, devem ter registro na Anvisa, não podem e não devem ser comercializados sem controle. Seu consumo só deve ser realizado com a orientação de um profissional de saúde. O professor Demarque conta que “existem fitoterápicos, medicamentos feitos a partir de plantas, que podem interagir, por exemplo, com contraceptivos. A erva de São João, ou Hypericum perforatum, é uma erva utilizada no tratamento de ansiedade e depressão que, quando utilizada com contraceptivos, diminui sua ação, permitindo que a pessoa engravide; Ginkgo biloba fitoterápico, muito utilizado para circulação venosa, auxilia também em distúrbios cognitivos, quando utilizado com anticoagulantes pode levar a quadros hemorrágicos. Esses produtos vão ter um efeito no nosso organismo, vão interagir com outros medicamentos que vamos tomar, por esse motivo é importante buscar informações com profissionais de saúde”. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/03/2022

Estudo conclui que reduzir as emissões de carbono não prejudicará o crescimento econômico

Um novo estudo indica que os países podem chegar a zero emissões líquidas de carbono até 2050, mantendo o crescimento econômico. Oxford University Press USA* Emissões líquidas zero até 2050 são a meta para a política climática agora perseguida por muitos países, em linha com o objetivo do Acordo de Paris de 2015 de “manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais e buscar esforços limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais”. Este artigo relata um estudo que usou sistemas de energia e modelos macroeconômicos para explorar como esses objetivos podem ser alcançados e se é possível alcançá-los com o crescimento econômico contínuo até 2100. Enquanto alguns estudiosos argumentam que a resolução da crise climática não é consistente com o crescimento econômico contínuo nos países ricos, entre 1990 e 2016 a economia da União Europeia cresceu mais de 50%, enquanto as emissões de CO2 caíram 25%. No Reino Unido e na Finlândia, por exemplo, as emissões baseadas no consumo caíram de 2007 a 2016, enquanto suas economias cresceram de 2010 a 2016. Os pesquisadores aqui modelaram vários cenários para desacelerar o crescimento da demanda global de energia primária, de modo que em 2100 a demanda de energia primária estivesse apenas 30% acima do nível de 2020. Os pesquisadores também modelaram a implantação de tecnologias renováveis ??necessárias para descarbonizar quase completamente a geração de eletricidade até 2100 e produzir sete vezes mais energia do que o mundo usava em 2010, para substituir os combustíveis fósseis no transporte, aquecimento e em alguns processos industriais. Finalmente, eles modelaram a redução gradual do carvão globalmente tão rápido quanto os Estados Unidos reduziram seu uso nos últimos anos. Os resultados do estudo foram consistentes com os muitos cenários de 1,5° C no banco de dados dos pesquisadores, todos os quais mostraram um crescimento contínuo da economia mundial, enquanto cumpriam a meta climática de 1,5° C. Em geral, a redução do crescimento econômico até 2100 a partir de uma linha de base sem descarbonização e que ignora os danos climáticos foi pequena. Nenhum dos cenários chegou perto de declínios na produção econômica em relação ao nível de 2020. No cenário central, o crescimento econômico após 2020 cai de 3,5% para pouco mais de 1% em 2100. Esse declínio se deve principalmente à estabilização da população humana nesse período. O crescimento per capita quase cai pela metade nesses 80 anos, à medida que o crescimento do investimento (que é essencial para a descarbonização) diminui, principalmente após 2040. A taxa média de crescimento anual no período 2020-2100 é consistente com um sistema de energia que atinge 1,5°C em 2100 (após o pico de 1,87°C entre 2050 e 2060) é de 1,76%. Em 2100, a economia global é cinco vezes maior do que era em 2015. Com uma redução gradual do carvão, ainda seria possível atingir a meta de 1,5 °C até 2100, mas apenas fazendo uso significativamente maior de captura e armazenamento de carbono e tecnologias de emissão negativa. A temperatura de pico neste cenário aumenta de 1,87°C para 1,89°C. Se a captura de carbono não estiver disponível, mesmo com a rápida redução gradual do carvão, as emissões cumulativas de CO2 dobram em relação ao cenário central, e não seria mais possível manter o aumento da temperatura em 1,5 ° C até 2100 – sobe para 1,74 ° C. Os resultados da modelagem deste estudo sugerem que, com políticas públicas rigorosas, a meta de Paris de limitar o aquecimento a 1,5°C em 2100 é viável e que isso pode ser alcançado com um crescimento econômico robusto. Para conseguir isso, as políticas dos países precisariam estimular aumentos significativos na eficiência energética e de recursos e a rápida implantação de tecnologias de baixo carbono, com cooperação global, política ambiental forte e baixo crescimento populacional. “A continuidade do crescimento econômico global é claramente compatível com o cumprimento da meta de temperatura no Acordo de Paris”, disse Paul Ekins, que liderou o estudo. “Os governos agora precisam se intensificar para colocar em prática as políticas para estimular os investimentos necessários para transformar essas projeções em realidade.” Referência: Paul Ekins, Paul Drummond, Daniel Scamman, Leonidas Paroussos, Ilkka Keppo, 1.5oC Climate and Energy Scenarios: Impacts on Economic Growth, Oxford Open Energy, 2022;, oiac005, https://doi.org/10.1093/ooenergy/oiac005 & Article has an altmetric score of 106 Henrique Cortez *, tradução e edição. in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/04/2022

sábado, 2 de abril de 2022

"O GRITO DO BICHO" - Boletim Informativo do dia 1.4.2022

Queridos leitores do Blog "O Grito do Bicho” Publicamos matérias superinteressantes e selecionadas que levam vocês a terem conhecimento das questões ligadas aos animais e meio ambiente no mundo todo. Podem ler no nosso blog www.ogritodobicho3.com ou diretamente nos títulos abaixo. • Estudante ucraniano se recusa a deixar o país sem o amado cachorro • Retrospectiva da Semana • Filhote de gato é resgatado após ficar preso em encanamento • RJ PET faz balanço dos resgates de animais após fortes chuvas em Petrópolis • Cães da guerra: conflito na Ucrânia desaloja pessoas e animais de estimação • Animais em estado de abandono são flagrados no CCZ de Ourilândia do Norte (PA) • Justiça determina que responsáveis por mais de 1.000 bois maltratados adotem medidas de reparação • Zoológico ucraniano apela por ajuda para salvar animais • Cão solitário passa o dia na praia com olhar fixo no oceano e o motivo é comovente • Mulher puxa cachorro pela coleira e o arremessa contra o chão em rua • Nasce filhote da onça-pintada que simbolizou o drama das queimadas no Pantanal em 2020 • Idoso dedica vida ao cuidado de dezenas de cães que precisam de um lar • Abrigo de animais é atingido por deslizamento em São Paulo • Abrigos de animais na Ucrânia: "Não vamos embora. Ficamos com os animais" Não deixem de compartilhar nossas publicações. Abração a todos e obrigado pelo carinho com nosso trabalho. sheila moura

sexta-feira, 1 de abril de 2022

As técnicas agrícolas capazes de reduzir dependência do Brasil por fertilizantes

Por João Fellet por BBC News Brasil – O risco de que a guerra entre Rússia e Ucrânia reduza a oferta de fertilizantes para a agricultura brasileira vem gerando temores sobre a produção de alimentos no país. Para uma corrente de pesquisadores e agricultores, porém, a crise é uma oportunidade para a expansão de técnicas capazes de reduzir, substituir ou até mesmo eliminar o uso de adubos químicos nas lavouras. Vários desses métodos já são praticados no país – alguns deles, há vários séculos. Outros têm avançado inclusive entre expoentes do agronegócio, que buscam cortar custos e diversificar a produção. ‘Agriculturas invisíveis’ Para o engenheiro agrônomo Walter Steenbock, doutor em recursos genéticos vegetais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), as incertezas quanto à oferta de fertilizantes jogam luz sobre práticas agrícolas “que não necessitam de tantos insumos ou dispensam insumos, e que estão presentes na agricultura familiar e em comunidades tradicionais”. No livro “A Arte de Guardar o Sol – Padrões da Natureza na reconexão entre florestas, cultivos e gentes” (ed. Bambual), lançado em 2021, Steenbock lista várias dessas práticas. Uma delas é o faxinal, sistema presente no Paraná em que animais (principalmente porcos) são criados em meio à floresta de araucárias, alimentando-se do pinhão e de outros frutos nativos. Outro é a cabruca, na Bahia, na qual a mata é raleada para o cultivo de cacau em meio a outras árvores, em condições mais próximas ao ambiente original da espécie. Casa e estufa cercadas por floresta em área de faxinal no Paraná GOVERNO DO PR / Estabelecimento rural no Paraná onde se pratica o faxinal, no qual animais são criados em meio a matas de araucárias Ele afirma que, embora sejam comprovadamente eficientes, muitas dessas práticas ainda não são reconhecidas pela agronomia tradicional como agriculturas – por isso ele as chama de “agriculturas invisíveis”. Outros desses métodos são vistos como “atrasados”, diz Steenbock. É o caso da coivara, técnica amplamente difundida entre comunidades rurais e indígenas brasileiras, na qual abrem-se clareiras na mata com auxílio do fogo e se cultivam espécies perenes como a mandioca, a batata-doce e o inhame. As roças são depois abandonadas até que a floresta se regenere, enquanto uma nova clareira é aberta em outro lugar. Steenbock diz que, em comum, essas técnicas usam a “diversidade e a abundância da biomassa vegetal como base para a fertilidade do sistema produtivo”. Ainda que “invisíveis”, as técnicas têm permitido que muitos agricultores brasileiros produzam alimentos sem recorrer a adubos químicos, afirma o agrônomo. Além disso, diz ele, conceitos presentes nessas agriculturas têm sido adotados inclusive por alguns setores do agronegócio, reduzindo impactos ambientais e permitindo ganhos de produtividade. É o caso, por exemplo, da chamada Integração Lavoura-Pecuária (ILP), na qual culturas como soja e milho são consorciadas com pastagens e, em certos casos, com linhas de árvores. De 2005 a 2021, segundo a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a área onde a ILP é praticada passou de 2 milhões de hectares para 17,4 milhões. Outro exemplo são as técnicas agroflorestais incorporadas por grandes empresas como o Grupo Pão de Açúcar (no cultivo de alimentos orgânicos) e a fabricante de pneus Michelin (na produção de borracha a partir de seringueiras). Agricultora trabalha em roça circular composta por hortaliças e bananeiras GOVERNO DE TOCANTINS / Quintal agroecológico em Tocantins onde alimentos são cultivados sem fertilizantes químicos Agricultura familiar Dados do último Censo Agropecuário, divulgado em 2017 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indicam que uma eventual redução na oferta de fertilizantes teria impactos bastante desiguais nas diferentes formas de agricultura praticadas no país. Segundo o Censo, 70% dos estabelecimentos rurais brasileiros não usam fertilizantes químicos. O número é puxado pela agricultura familiar, que responde por 77% dos estabelecimentos rurais no país e é composta por pequenas propriedades. Nessas unidades, 69,1% dos agricultores relataram não usar adubos químicos, e 11,7% disseram usar só adubos orgânicos. Agricultor usa regador para molhar plantas GOVERNO DO RN / Agricultor familiar no Rio Grande do Norte, um dos vários Estados brasileiros onde uso de fertilizantes químicos é minoritário entre agricultores Embora ocupe só 23% da área agrícola do país, a agricultura familiar tem participação significativa na produção de alimentos que vão para a mesa dos brasileiros, segundo o IBGE. O segmento responde, por exemplo, por 48% do valor da produção de café e banana, 80% do valor de produção da mandioca, 69% do abacaxi e 42% do feijão. Por outro lado, fertilizantes químicos são um dos pilares da produção em larga escala de commodities agrícolas como soja, milho, cana-de-açúcar e algodão – produtos que respondem pela maior parte do valor da produção vegetal no país. Em entrevista recente à BBC, o pesquisador da Embrapa Solos José Carlos Polidoro afirmou que essas quatro culturas respondem por 90% dos fertilizantes consumidos no Brasil. Revolução Verde Agricultores familiares em roça de mandioca GOVERNO DA BA / Roça de mandioca na Bahia; agricultura familiar responde por 80% do valor da produção do tubérculo no Brasil O uso de fertilizantes cresceu no país com a chegada da chamada Revolução Verde – um conjunto de técnicas agrícolas desenvolvidas nos EUA e na Europa a partir dos anos 1930 e hoje presentes no mundo todo. Uma das principais técnicas difundidas foi o uso de fertilizantes químicos, extraídos principalmente por mineração e processados por indústrias. Os três principais são o nitrogênio (N), o fósforo (P) e o potássio (K), também chamados de NPK, conforme suas iniciais na tabela periódica. Para os adeptos da Revolução Verde, corrente hoje majoritária nas faculdades de Agronomia do país, os solos brasileiros são naturalmente pobres em nutrientes e precisam de fertilizantes para produzir de forma satisfatória. Na entrevista à BBC, José Carlos Polidoro, da Embrapa, afirmou que esse é o caso especialmente do Cerrado, “onde estão nossos melhores solos para agricultura — (eles) têm muita água, são solos profundos, planos, mas têm essa limitação natural de nutrientes, que é algo próprio da natureza tropical”. Dependência de importações Bois pastam com linha de árvores ao fundo CASA CIVIL DO PR / Propriedade rural no Paraná onde se pratica a Integração Lavoura-Pecuária, onde há cultivo de grãos em consórcio com a criação de bois Com o conflito entre Rússia e Ucrânia, porém, o fornecimento de fertilizantes ao Brasil se tornou incerto. Responsável por 23% das importações brasileiras de adubos químicos, a Rússia orientou suas empresas a suspender as exportações dos itens após sofrer uma série de sanções internacionais. A instabilidade jogou os preços dos produtos para os valores mais altos da história e estimulou o governo brasileiro a buscar outros países que possam ampliar as vendas ao Brasil no curto prazo. Em outra frente, o governo anunciou um plano para reduzir de 85% para 60% a fatia ocupada por fertilizantes importados no país nos próximos 30 anos. O plano tem como principal objetivo ampliar a produção de fertilizantes no Brasil e inclui o Projeto de Lei 191/20, que autorizaria a mineração em terras indígenas. ‘Recursos finitos’ A iniciativa do governo foi elogiada por entidades do agronegócio, mas duramente criticada pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA). Em nota, a associação diz que o aumento da produção de fertilizantes no Brasil não resolveria o que ela considera um problema central desse modelo de agricultura: sua dependência por recursos naturais finitos. A ABA cita estimativas de que nos próximos 50 a 100 anos as reservas mundiais de fósforo se esgotarão ou terão custos de exploração inviáveis. Agricultor em agrofloresta EMATERDF / Sistema agroflorestal no Distrito Federal; sistema concilia produção de alimentos com regeneração de florestas Afirma ainda que os fertilizantes nitrogenados são produzidos industrialmente com o uso de gás natural ou nafta, combustíveis fósseis associados ao aquecimento global. “Se este modelo agrícola não garante condições de existência para as gerações futuras, ele não é sustentável”, diz a associação. Solos pobres? Ex-presidente da ABA e professora aposentada do Departamento de Solos da Universidade Federal de Viçosa, a agrônoma Irene Maria Cardoso afirma à BBC que é plenamente possível produzir alimentos no Brasil sem recorrer a fertilizantes químicos. Para isso, diz ela, primeiro se deve combater a noção de que os solos brasileiros são pobres. “Se você analisar os 20 primeiros centímetros de solo, a quantidade de nutrientes disponíveis é pouca. Acontece que nossos solos são muito profundos, então os nutrientes estão lá, mas estão dispersos”, afirma. Plantação de couve cultivada sobre palha GOVERNO DO ES / Hortaliças cultivadas em sistema de plantio direto no Espírito Santo; cobertura de palha protege o solo e amplia oferta de matéria orgânica para microorganismos Essa característica, diz ela, não impede que esses solos sejam cultivados nem produzam alimentos em abundância. Basta que nele se preservem suas condições naturais, como a existência de árvores com raízes extensas, que acessem os nutrientes nas profundezas e os levem para suas folhas e galhos. Assim, quando essas plantas soltarem folhas ou forem podadas, os nutrientes voltarão à superfície do solo, podendo ser absorvidos por espécies com raízes mais curtas que o agricultor deseje cultivar em meio às árvores. O funcionamento do sistema também exige que a atividade biológica do solo seja intensa. Afinal, segundo Cardoso, são microorganismos que vivem no solo – como bactérias e fungos – os principais responsáveis por reciclar a matéria orgânica, garantindo que as plantas obtenham os nutrientes de que precisam. A agrônoma afirma que esses seres e suas complexas interações permitiram o surgimento de alguns dos ecossistemas mais ricos do globo, como a Amazônia e o Cerrado, em solos que a agronomia tradicional considera pobres. Homem quilombola em meio a bananeiras GOVERNO DE SP / Agricultor quilombola em plantação de bananeiras no Vale do Ribeira Mas ela diz que o sistema entra em colapso quando o solo é transformado por técnicas agrícolas modernas, como o revolvimento por máquinas pesadas, o uso de agrotóxicos e o monocultivo. As novas condições prejudicam a atividade biológica: revirado, o solo fica ressecado e compactado. Com a remoção de árvores, cai a quantidade de matéria orgânica para alimentar os microorganismos. E, com a destruição de plantas vistas como “daninhas”, o solo fica exposto a ventos e chuvas. As plantas passam então a precisar de “suplementos” que reponham os nutrientes absorvidos pela safra anterior ou perdidos pela erosão. Transição gradual Para Cardoso, há formas de suavizar a transição para outro modelo agrícola, substituindo gradualmente fertilizantes químicos por adubos orgânicos. Ela defende que resíduos domésticos produzidos nas cidades, como restos de alimentos e árvores podadas, sejam direcionados para a agricultura. Diz ainda que subprodutos da construção civil, como pós de rochas gerados pela extração de granito ou gnaisse, têm nutrientes valiosos e já são usados com bons resultados por muitos agricultores. “Não trabalhamos com ideia de romper com esse modelo de um dia pro outro. O importante é que as coisas caminhem na direção correta”, afirma Cardoso. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), porém, o Brasil não tem como abrir mão dos fertilizantes químicos nem substituí-los por outros produtos no curto prazo. Em entrevista à BBC, o diretor técnico adjunto da entidade, Reginaldo Minaré, diz que a busca por fontes alternativas aos fertilizantes químicos é bem-vinda. Afirma ainda que a produção de fertilizantes orgânicos – como estercos e compostos – pode ser ampliada no país, “mas não tem a escala do que seria preciso para resolver a safra do final do ano”. Além disso, ele afirma que essas alternativas precisam ser “economicamente viáveis”. “Precisamos de uma abordagem profissional até chegarmos em uma modelagem que permita a produção desses itens em grande escala e que não encareça os alimentos”, diz Minaré. O diretor da CNA cita técnicas que já vêm sendo adotadas nos últimos anos por setores do agronegócio para proteger a vida nos solos e reduzir a necessidade de fertilizantes. Uma delas é o chamado plantio direto, na qual as sementes são plantadas sobre a palha da safra anterior. O método, bastante difundido entre produtores de soja, evita que os solos fiquem expostos entre a colheita e a semeadura, além de ampliar a quantidade de matéria orgânica disponível. Outra tecnologia adotada por sojicultores é a inoculação de bactérias capazes de fixar o nitrogênio do ar no solo. Segundo a Embrapa, a técnica permite ao Brasil economizar cerca de US$ 8 bilhões ao ano nas compras de fertilizantes nitrogenados. Minaré diz, porém, que a mudança do “modelo agrícola de base química para um modelo de base biológica” não é simples e leva tempo. Ele afirma que o modelo de base química foi desenvolvido ao longo de quase cem anos no Hemisfério Norte e que o Brasil levou décadas para adaptá-lo às condições do país. “Foi esse conjunto de ferramentas que permitiu não só à agricultura brasileira, mas à agricultura mundial, chegar onde chegou”, afirma. Uma mudança nessa matriz, segundo Minaré, exigirá tempo semelhante ao que se usou para construir a matriz de base química – além de muito investimento em pesquisa. Walter Steenbock, o agrônomo entusiasta das “agriculturas invisíveis” de indígenas e comunidades rurais, concorda com a importância de investir em pesquisa, mas diz que o país caminha a passos lentos. “Precisamos de professores que ensinem a fazer agrofloresta nas universidades”, defende o agrônomo, que também cobra mais políticas de crédito para o setor e maior abertura de órgãos que assessoram agricultores às práticas agroecológicas. “É uma eutanásia continuar buscando gás do outro lado do mundo para produzir alimentos. Se não pararmos por causa da guerra, teremos que parar por outro motivo”, afirma. #Envolverde

Guerra da Ucrânia desidrata três décadas da Nova Ordem Mundial

Por Nilson Brandão* – O mundo globalizado não será como antes e o multilateralismo, embora continue vivo, sairá cada vez mais violado depois da Guerra da Ucrânia. Golpe para a economia global, a invasão russa desidrata um pouco mais a ordem mundial iniciada com a queda do Muro de Berlim e o esfacelamento da antiga União Soviética. Emerge um mundo mais dividido e preocupado com formas autossuficiência, o que, aliás, foi grifado pelo CEO do BlackRock, Larry Fink, na recém-divulgada carta anual aos acionistas. Para o CEO da maior gestora de ativos do mundo (US$ 9,5 trilhões), companhias e governos em todo o globo reavaliarão suas dependências e repensarão suas pegadas de fabricação e montagem – o que fará sentido assumir ou fazer mais perto? “Enquanto a dependência da energia russa está no centro das atenções, empresas e governos também estarão olhando mais amplamente para suas dependências de outras nações”, diz Fink. Desglobalização, inflação elevada e transição energética são mudanças estruturais. Até então, as ameaças à globalização eram governos populistas e protecionistas, além das barreiras à China Para Adam Posen, presidente do Peterson Institute for International Economics, as reações econômicas à Rússia podem colapsar o país, mas também implicar feias e duradouras consequências sistêmicas para o mundo. Quanto ao multilateralismo, conta um experiente diplomata brasileiro, parece que ele seguirá adiante, com mais violações do que progressos, embora ainda como referência para um mundo obstinado em ampliar trocas comerciais. Mas qual a importância para o leitor comum dos impactos indiretos, talvez menos sentidos na primeira hora, da Guerra da Ucrânia, desde o fim de fevereiro? Toda. Preços mais altos em energia e alimentos para famílias ao redor do globo. Interrupções no comércio internacional principalmente de insumos para produção de bens finais. Expectativas menos otimistas para a economia global. No dia a dia, preço alto cala fundo no bolso do consumidor. Fica mais difícil fechar as contas do fim de mês. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) já rebaixou o crescimento econômico esperado para o mundo este ano e amplificou a projeção de inflação. Um rally de juros altos nas economias desenvolvidas termina por impactar economias em desenvolvimento, porque dificulta a atração de capitais, com o risco de desencadear novas crises. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta sobre os impactos nos preços de commodities, corrosão da renda, interrupções de comércios e crise de refugiados no entorno do conflito, incertezas sobre preço dos ativos, fuga de capital de mercados emergentes. Na economia real, multinacionais que bateram em retirada da Rússia, com receio da opinião pública, enfrentarão baixas contábeis, novas estimativas de fluxo de caixa, depreciação de ativos e revisões de lucros. Isso não é trivial. Sem precedentes históricos e unindo tantos países ao mesmo tempo, o volume de sanções governamentais faz crescer a demanda por consultoria jurídica e de compliance às normas restritivas impostas pelos países. Essa busca explodiu. A conflagração no Leste Europeu produziu um choque na cadeia global de suprimentos. Rússia e Ucrânia respondem por um quarto das exportações globais de trigo e quase um terço da cevada. Da Ucrânia, sai metade do neon usado em microchips. A guerra deixa rastro de destruição econômica para trás e gera extraordinário deslocamento potencial de ucranianos, que, estima-se, pode chegar a seis milhões. Seria a maior crise migratória, com todos seus efeitos, na Europa. O risco de corte ou redução do fornecimento do gás natural russo desembainha cálculos e estudos na busca de autossuficiência energética. Países voltam a olhar mais para dentro. O sistema internacional apaziguado e integrado está sob suspeita. “Com menos interconexão econômica, o mundo verá uma tendência de crescimento menor e menos inovação”, projetou Posen, na Foreign Affairs dessa semana. Quão poderosa seria a troca e interconexão científica de diferentes países – russos inclusos –, em bases correntes, e que apenas um mundo menos dividido faria prosperar? Conhecimento atuando em bloco e gerando enormes ganhos de produtividade na busca de solução para desafios humanitários, que não são poucos. A pandemia, ao menos, beneficiou-se disso. Rússia e China somam 2,5 milhões de pesquisadores, enquanto Estados Unidos e aliados, 5,3 milhões. A China, no entanto, forma mais em ciências e engenharias do que os seis principais países ocidentais e asiáticos, segundo a Barron´s desta semana. Analistas indicam o risco de que o mundo acabe mais ou menos organizado em torno dos Estados Unidos com liderança internacional revigorada e uma China pujante. Uma polaridade antagônica prejudica a integração sobre a qual processos produtivos se estruturaram nas últimas décadas. Com a guerra, nações ocidentais se organizaram em torno da liderança americana, projetada na defesa de sanções à Rússia. No extremo oriente, a China ouviu repetidas convocações para interceder no curso da guerra e foi comedida. Um mundo no pós-guerra da Ucrânia, organizado em torno destas duas grandes potências, Estados Unidos e China, esta talvez junto com a Rússia, poderá exigir a escolha por parte dos demais países por um ou outro bloco. Quando melhor seria não ter de escolher. * Nilson Brandão é advogado e jornalista, atua como consultor em Comunicação Corporativa e Reputação. #Envolverde

As consequências ambientais da guerra Rússia x Ucrânia

Por Míriam Duailibi para o Instituto Ecoar – Para além da questão humanitária dos combates na guerra da Ucrânia, e de todas as outras guerras, como perda de vidas de soldados/as e civis, dor e sequelas dos ferimentos, medo e desespero causados pelos bombardeios, outras questões são facilmente percebidas pelo senso comum. As consequências econômicas que se estendem sobre o mundo globalizado, atingindo mesmo países distantes do território em disputa, como o Brasil por exemplo, a inflação nos preços do petróleo, gás natural, fertilizantes, insumos, commodities como o trigo, milho entre outros. A subida dos preços em pouco tempo se reflete no custo de vida de populações que sequer sabem onde é a Ucrânia. Os/as pobres ficam mais pobres. Infelizmente, existe pouca consciência sobre outra questão de importância a médio e longo prazo capaz de provocar consequências tão ou mais devastadoras na vida dos/as habitantes da Terra: a nossa espécie e as outras que conosco dividem o mesmo planeta. Estamos falando da deterioração ambiental provocada pela guerra. Vejamos algumas delas: Aumento significativo da emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE) para a atmosfera advindos de explosões e incêndios causados por bombas e mísseis, assim como pela queima de combustíveis fósseis dos veículos de guerra. Poluição do ar por materiais particulados e gases tóxicos prejudicando a capacidade respiratória de pessoas, animais e plantas. Poluição sonora causada por sirenes, aviões e bombardeios, provocando perda auditiva e stress em humanos/as e animais. Destruição da infraestrutura construída o que acarretará mais extração dos já escassos recursos naturais, terra, pedra, areia, minérios, para sua reconstrução. Poluição de rios, represas e mares devido ao trânsito de barcos e navios e interferência em represas para direcionamento ou interrupção do fornecimento de água para consumo humano e animal. Compactação do solo e destruição de áreas agrícolas. A intensa migração dos/as habitantes das regiões em conflito para países vizinhos, engrossando ainda mais o número de refugiados/as no mundo. Esta questão para além da humanitária e econômica também é ambiental aumentando a pressão sobre recursos naturais: terra, energia, água, combustível e comida. Mesmo com o fim das batalhas, estas são consequências que continuarão a cobrar seu preço por décadas. E assim, grande parte do esforço dos últimos anos para combater o aquecimento global e minimizar o efeito das mudanças climáticas se perde na catástrofe da guerra. Uma quantia imoral de recursos financeiros é gasta com armas, bombas, aviões e outras máquinas de morte; outro tanto tem que ser dirigido à reparação dos danos imediatos causados pelos ataques: remédios, abrigos, alimentação, hospitais de campanha, vestimentas, entre outros. Computando a quantidade enorme de dólares destinados para causar morte e destruição e outros tantos para aliviar o sofrimento imediato, ficam as perguntas: E se todos esses recursos fossem destinados ao combate da fome e da miséria mundial, mas também à mudança de tecnologia capaz de baixar rapidamente a emissão de GEE? E para a contenção do desmatamento e queimadas criminosas? E também para adequar a infraestrutura especialmente das comunidades vulneráveis aos eventos extremos, evitando mortes por deslizamentos e inundações? E se ainda, os recursos fossem investidos em recuperação de solos e em plantios de árvores em áreas de secas? Ou em recuperação e proteção de nascentes? Com certeza a qualidade de vida e da saúde das populações melhoraria consideravelmente, contribuindo para a recuperação do equilíbrio da Mãe-Terra. Como se sabe, quando somos felizes e vivemos em harmonia com a Natureza, valorizamos o que temos e promovemos a segurança e a paz. #Envolverde