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quinta-feira, 4 de junho de 2020

Covid e cobiça: a importância da vida humana para a elite brasileira, ontem e hoje

Carlos Eduardo Frickmann Young, Professor Titular do Instituto de Economia da UFRJ – 
A busca da elite brasileira por manter seus privilégios econômicos acima da proteção à vida dos demais, em especial os menos favorecidos, é tão antiga quanto o próprio país. No presente momento, o objetivo do Governo Federal é acabar com as medidas de isolamento social, sob o argumento de que o “Brasil não pode parar”. Quando questionado sobre o risco de aumentar consideravelmente as mortes por COVID 19, as respostas vão desde a negação do problema (“é só uma gripezinha”) ao uso de afirmações baseadas em dados notoriamente subestimados pela subnotificação de casos no Brasil. Vale fazer uma menção especial ao obtuso texto do Ministro das Relações Exteriores, que afirma ser o novo coronavírus um “plano comunista”, “para acelerar o projeto globalista” que “já se vinha executando por meio do climatismo ou alarmismo climático, da ideologia de gênero, do dogmatismo politicamente correto, do imigracionismo, do racialismo ou reorganização da sociedade pelo princípio da raça, do antinacionalismo, do cientificismo”.

Professor Titular do Instituto de Economia da UFRJ. Membro do PPED-IE/UFRJ, PPGCA/UNEMAT e PPGCASA/UFAM. Coordenador do GEMA-IE/UFRJ.

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Quatro Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) são chave para recuperação sustentável no pós-COVID

A pandemia do coronavírus mostrou que os avanços na luta contra a pobreza e a fome e a busca pela saúde e pelo bem-estar podem ser prejudicados, caso a comunidade global não enfrente as ameaças ambientais que comprometem os sistemas – e que permitem que a humanidade e o planeta sobrevivam e prosperem.
Só é possível ter recuperação e desenvolvimento sustentável duradouros quando as respostas, os planos e as políticas ambientais recebem a devida importância. À medida que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) se une à comunidade internacional, mobilizando respostas imediatas às áreas da saúde, economia e segurança, quatro Objetivos de Desenvolvimento Sustentável serão vitais para a recuperação sustentável – Ação Contra a Mudança Global do Clima, Vida Terrestre, Vida na Água e Consumo e Produção Responsáveis.
ONU
corredor verde
Foto: Pxfuel
A pandemia do coronavírus mostrou que os avanços na luta contra a pobreza e a fome e a busca pela saúde e pelo bem-estar podem ser prejudicados, caso a comunidade global não enfrente as ameaças ambientais que comprometem os sistemas – e que permitem que a humanidade e o planeta sobrevivam e prosperem.
Só é possível ter recuperação e desenvolvimento sustentável duradouros quando as respostas, os planos e as políticas ambientais recebem a devida importância. À medida que o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) se une à comunidade internacional, mobilizando respostas imediatas às áreas da saúde, economia e segurança, quatro Objetivos de Desenvolvimento Sustentável serão vitais para a recuperação sustentável – Ação Contra a Mudança Global do Clima (ODS 13), Vida Terrestre (ODS 15), Vida na Água (ODS 14) e Consumo e Produção Responsáveis ​​(ODS 12).
“A pandemia já causou desastres e dificuldades inimagináveis e parou quase completamente nossas vidas. Por conta disso, teremos consequências econômicas e sociais profundas e duradouras em todo o mundo”, disse a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen.
Ação Contra a Mudança Global do Clima (Objetivo 13)
A crise climática pode ter efeitos mais lentos do que a pandemia, mas é provável que eles sejam piores a longo prazo. Não existe ciência, tecnologia ou financiamento para resolver o aquecimento global. Sem compromisso com a descarbonização, o planeta estará a caminho de um aumento de 3,2 graus ou mais na temperatura global, o que traz uma maior probabilidade de pandemias, eventos climáticos extremos, secas e inundações e provoca a desestabilização generalizada dos sistemas alimentares, econômicos e de segurança globais. O aquecimento global descontrolado poderá desfazer os avanços feitos em quase todos os objetivos de desenvolvimento sustentável, o que prejudicará a recuperação econômica.
Contudo, hoje, é possível limitá-lo. Como os planos são formulados para ajudar os países e comunidades a reconstruírem suas economias e sociedades, essa é uma oportunidade para aderir à energia renovável, às tecnologias verdes e aos novos setores sustentáveis ​​que levarão o planeta rumo à descarbonização.
Para a estabilidade climática, o PNUMA está apoiando formuladores de políticas públicas e investidores nacionais, regionais e sub-regionais e criando pacotes e financiamentos de estímulo fiscal verde. Além disso, está priorizando empregos e fontes de renda sustentáveis, incentivando investimentos em patrimônios públicos e infraestruturas sociais e ecológicas, promovendo o consumo e a produção de baixo carbono e impulsionando a responsabilidade financeira.
Esse trabalho se concentra em setores críticos para uma economia forte, como transição energética, edifícios e construções inteligentes, sistemas alimentares, gerenciamento de resíduos e mobilidade, permitindo que o mundo estabeleça a próxima geração de infraestrutura sustentável e produtiva.
Isso inclui esforços para tornar o comércio mais resiliente e sustentável ao clima e aproveitar as lições aprendidas no Novo Acordo Global Verde (Global Green New Deal, em inglês). Em colaboração com o PNUD e outros parceiros, o PNUMA também está apoiando ações em andamento para enfrentar a mudança climática, repensando energia, refrigeração, soluções baseadas na natureza e investimentos de recuperação para se alinhar ao Acordo de Paris e garantir a redução do risco do colapso do clima e da natureza.
Além disso, o PNUMA está encorajando os Estados-membros a identificarem e apoiarem essas oportunidades e reforçarem os resultados favoráveis na próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26) em 2021 e na ampla agenda de 2030.
Vida Terrestre (Objetivo 15)
Doenças transmitidas de animais para seres humanos – zoonoses como a COVID-19 – continuarão a aumentar à medida que o mundo segue destruindo os habitats selvagens para a atividade humana. Habitats degradados podem promover uma interação mais direta entre pessoas e animais, acelerando os processos evolutivos dos vírus e diversificando as doenças à medida que os patógenos se espalham facilmente para rebanhos e seres humanos.
Para evitar novas pandemias, tanto a destruição de habitats naturais para a agricultura quanto a mineração e a habitação devem se tornar sustentáveis. É essencial que os governos, o setor privado e a sociedade civil se recuperem melhor trabalhando a favor, e não contra, do meio ambiente, a fim de gerenciar e criar resiliência a futuras ameaças sistêmicas.
O PNUMA está fornecendo informações sobre as causas de transmissão de doenças zoonóticas para instruir os formuladores de políticas públicas a protegerem as populações, sensibilizando-os sobre os prejuízos causados pela destruição ambiental descontrolada. Além disso, em colaboração com o Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, o PNUMA está ajudando os governos a desenvolverem e/ou fortalecerem suas políticas e medidas reguladoras de biossegurança, a fim de detectar, prevenir, controlar e gerenciar patógenos zoonóticos, e também está comprometido a apoiar os países para garantir resultados ambiciosos na Conferência das Partes da Conferência de Biodiversidade (COP15), que está prevista para ocorrer em 2021.
Vida na Água (Objetivo 14)
Os ecossistemas que sustentam e protegem a vida debaixo d’água são tão importantes quanto sobre a terra. O declínio e a degradação desses ambientes naturais marinhos, costeiros e de água doce, e da biodiversidade que os acompanha, combinados com o aquecimento, a acidificação e a poluição generalizada dos oceanos são uma crise igualmente preocupante.
Os seres humanos dependem desses ecossistemas para proteção costeira, medicamentos, indústrias e alimentos. O estoque global de peixes nas últimas décadas está cada vez mais baixo. Os recursos genéticos marinhos são utilizados para fins farmacêuticos, incluindo antivirais, e a conservação desses ecossistemas garante a conservação dos fármacos. O escoamento excessivo de nutrientes também é uma questão que pode levar à eutrofização, ao surgimento de algas nocivas e ao aumento potencial de zonas mortas, o que pode comprometer a produção e a conservação de recursos vitais.
Com lixos frequentemente acabando em mares e em outras fontes aquáticas e considerando o aumento repentino dos resíduos médicos tóxicos, como os plásticos descartáveis, principalmente devido à COVID-19, a orientação imediata do PNUMA sobre o gerenciamento seguro de químicos e resíduos é importante tanto para esse Objetivo quanto para o Objetivo 15. O PNUMA está apoiando os países para garantir que as oportunidades das economias azuis sustentáveis sejam reconhecidas e incluídas na recuperação econômica pós-COVID. Além disso, está comprometido a apoiar resultados ambiciosos para uma economia azul consciente e para a proteção de ecossistemas na Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, que teve sua data adiada de junho de 2020.
Consumo e Produção Responsáveis ​​(Objetivo 12)
Produção e consumo insustentáveis ​​são perpetuados por financiamentos, investimentos e estilos de vida. Tais práticas levaram ao esgotamento dos recursos naturais, à ruptura de ecossistemas, às economias e infraestruturas de alto carbono e de uso insustentável de recursos e aos problemas e doenças ambientais.
A pandemia mostrou as fraquezas dos nossos sistemas. Provou que, se quisermos alcançar com êxito as metas ambientais, as responsabilidades precisam se estender do governo ao setor privado, sociedade civil e indivíduos. As fronteiras fechadas, a disponibilidade de mercadorias e o confinamento nos forçaram a mudar diversos hábitos ao redor mundo.
Algumas dessas mudanças aceleraram setores novos e emergentes que apoiam o consumo responsável, como o trabalho de casa e a produção local. À medida que as pessoas retornam ao trabalho e as escolas reabrem, algumas dessas mudanças positivas podem ser mantidas. Empregadores públicos e privados e indivíduos testaram maneiras alternativas de trabalhar, estudar e consumir em uma escala que pode dar um salto duradouro em direção à sustentabilidade.
O PNUMA está trabalhando com parceiros em políticas de recuperação e investimentos para incentivar a circularidade, a abordagem inclusiva voltada para o consumo sustentável e o alinhamento das finanças públicas e privadas às economias e sociedades sustentáveis ​​e resilientes. Essa é uma oportunidade de atender a essa demanda com pacotes de estímulo que incluam energia renovável, edifícios e cidades inteligentes, transporte público verde, sistemas alimentares e agrícolas sustentáveis e opções de estilo de vida.
Agir hoje para proteger os ecossistemas terrestres e aquáticos, combater o aquecimento global e incluir medidas de biossegurança e de segurança ambiental é fundamental. Garantir que o conhecimento e o compromisso com o consumo e a produção responsáveis ​​se estendam por todos os pilares das sociedades é um elemento fundamental para o progresso e sucesso de todos os outros Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A natureza está em crise, ameaçada pela perda de biodiversidade e de habitat, pelo aquecimento global e pela poluição tóxica. Falhar em agir é falhar com a humanidade. Enfrentar a nova pandemia de coronavírus (COVID-19) e proteger as futuras ameaças globais requer o gerenciamento correto de resíduos médicos e químicos perigosos; a administração consistente e global da natureza e da biodiversidade, e o comprometimento com a reconstrução da sociedade, criando empregos verdes e facilitando a transição para uma economia neutra em carbono. A humanidade depende de ação agora para um futuro resiliente e sustentável.

Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/06/2020
Quatro Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) são chave para recuperação sustentável no pós-COVID, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 3/06/2020, https://www.ecodebate.com.br/2020/06/03/quatro-objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel-odss-sao-chave-para-recuperacao-sustentavel-no-pos-covid/.

EcoDebate - Edição 3.444 de 03/ junho / 2020


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
“Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

Mostra Ecofalante – especial Semana do Meio Ambiente promove programação online com filmes e debates

De 3 a 9 de junho, evento disponibiliza gratuitamente cinco títulos abordando conservação ambiental, emergência climática, economia e saúde
na abertura, a atração é “Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra”, mais recente trabalho do cineasta Jorge Bodanzky, com codireção de João Farkas
Fernando Meirelles, Estêvão Ciavatta, Jorge Bodanzky e Vincent Carelli debatem o papel do cinema na comunicação de questões socioambientais
exibições são acompanhadas por debates temáticos, reunindo nomes como Adriana Ramos, Paulo Artaxo, Joênia Wapichana (a confirmar) e Ladislau Dowbor
A Mostra Ecofalante de Cinema, cuja 9ª edição acontece em agosto próximo, apresenta uma programação especial de 3 a 9 de junho celebrando a Semana do Meio Ambiente.
Gratuitamente, a Mostra Ecofalante – Especial Semana do Meio Ambiente disponibiliza cinco prestigiosos títulos produzidos no Brasil, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido. Acessíveis pela plataforma Videocamp (www.videocamp.com), estão incluídos os filmes “Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra”, de Jorge Bodanzky e João Farkas; “Amazônia Sociedade Anônima”, que tem Estêvão Ciavatta como diretor e Walter Salles como produtor associado; “A Grande Muralha Verde”, de Jared P. Scott, que tem produção-executiva de Fernando Meirelles, “O Golpe Corporativo” de Fred Peabody, e “Ebola: Sobreviventes”, de Arthur Pratt.
“A 9ª edição da Mostra Ecofalante foi transferida de junho para agosto por questões operacionais, mas não poderíamos deixar a Semana do Meio Ambiente passar em branco, especialmente neste momento em que a pandemia e a crise política e econômica têm amplificado os problemas socioambientais no Brasil e no mundo”, afirma Chico Guariba, diretor da Ecofalante. “A Mostra já faz parte do calendário da cidade de São Paulo e, com esta edição online, podemos expandir o público e o debate para todo o Brasil”.
Os cinco títulos serão o ponto de partida para os debates realizados sobre os seguintes temas: conservação ambiental, emergência climática, economia e saúde. Os encontros, que serão transmitidos ao vivo pelo YouTube e pelo Facebook, têm confirmados os nomes dos cineastas Fernando Meirelles, Jorge Bodansky, Estêvão Ciavatta e Vincent Carelli; dos jornalistas Flávia Guerra, Mariluce Moura (Revista Fapesp), Daniela Chiaretti (Valor Econômico) e Claudio Angelo (da rede Observatório do Clima); de Adriana Ramos (Instituto Socioambiental – ISA), Paulo Artaxo (cientista, professor da USP), Ladislau Dowbor (professor titular de economia da PUC-SP), Daniel Azeredo (procurador do Ministério Público Federal do Pará), Júlia Boock (analista de conservação do WWF Brasil), Ana Claudia Mielke (jornalista e ativista) e Silvio Caccia Bava (editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil). Outros convidados, assim como a grade dos debates, serão oportunamente anunciados.
“Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra”
Atração de abertura da Mostra Ecofalante – Especial Semana do Meio Ambiente, no dia 3/06, quarta-feira, “Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra” tem direção de Jorge Bodanzky e codireção de João Farkas. A produção focaliza Ruivaldo Nery de Andrade, que ganhou destaque como um soldado na linha de frente da batalha pela proteção do meio ambiente. Acompanhando o dia a dia de esforços para sobreviver de Ruivaldo, o documentário, que teve lançamento mundial em setembro último na Bélgica, aborda as consequências do assoreamento do Rio Taquari (Mato Grosso do Sul). Homenageado na edição de 2015 do evento, Jorge Bodanzky afirma: “Tenho uma relação de longa data com a Mostra Ecofalante, até porque em minha obra sempre abordei temas relacionados às questões ambientais”.O filme pode ser assistido na plataforma a partir das 19h30 e fica disponível até o dia 9/06 (terça-feira).
Antes, às 19h00, o evento é apresentado pelo diretor da Mostra Ecofalante de Cinema Chico Guariba, acompanhado por Laís Bodanzky, diretora-presidente da Spcine e Mário Mantovani, .
Na quinta-feira, 4/06, às 17h00, entram na plataforma os filmes “Golpe Corporativo” e “Ebola: Sobreviventes”, que também ficam disponíveis até 9/06 (terça-feira).
No mesmo dia, às 19h00, os diretores de “Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra”, Jorge Bodanzky e João Farkas debatem com Júlia Boock a importância do Pantanal no primeiro debate sobre conservação, com mediação da jornalista Flávia Guerra.
Na sexta-feira, 5/06, dia Mundial do Meio Ambiente, às 15h00, acontece encontro inédito entre cineastas brasileiros que discutem O papel do cinema na comunicação de questões socioambientais. Participam representantes de alguns dos títulos da programação: Fernando Meirelles, Jorge Bodanzky e Estêvão Ciavatta, além de Vincent Carelli e mediação de Flávia Guerra.
Amazônia SA – Queimada e garças
Às 17h00 do mesmo dia, é disponibilizado por 24 horas “Amazônia Sociedade Anônima”, de Estêvão Ciavatta. O filme registra uma união inédita entre índios e ribeirinhos para salvar a floresta de máfias de roubo de terras e desmatamento ilegal. A obra mostra a resistência a invasões na Terra Indígena Sawré Muybu, entre os municípios de Itaituba e Trairão, no Pará, onde vivem cerca de 200 indígenas, além de populações ribeirinhas. Estão reunidas imagens feitas durante cinco anos, intercalando imagens da floresta, feita por drones, com reuniões que a comunidade fez para organizar o processo de autodemarcação, iniciada em 2014. Estêvão Ciavatta é referência em questões sociais e ambientais, tendo dirigido dezenas de programas de televisão, incluindo “Brasil Legal”, “Central da Periferia” e “Programa Casé”, além das séries “Preamar” e “Santos Dumont”.
Às 19h00, tem lugar um debate, com o tema “Conservação: O Ataque ao Meio Ambiente e aos Povos Tradicionais”. Conta com presença de Adriana Ramos (ISA), Daniel Azeredo (Procurador do MPF-PA), Joênia Wapichana (deputada federal da REDE-RR – a confirmar) e mediação de Claudio Angelo.
A Grande Muralha Verde
Já no sábado, 6/06, a partir das 17h00, ganha exibição por 24 horas o britânico “A Grande Muralha Verde”, com direção de Jared P. Scott e produção executiva do brasileiro Fernando Meirelles. O filme acompanha Inna Modja, cantora e ativista do Mali, em uma jornada épica pela Grande Muralha Verde da África —uma iniciativa ambiciosa para fazer crescer um “muro” de oito mil quilômetros de árvores que se estende por toda a largura do continente para restaurar a terra e fornecer um futuro para milhões de pessoas. Atravessando Senegal, Mali, Nigéria, Níger e Etiópia, o documentário revela as graves consequências da degradação severa do solo e da aceleração da mudança climática. A muralha visa combater o aumento da desertificação, da seca, da escassez de recursos, da radicalização, dos conflitos e da migração. O diretor Jared P. Scott é conhecido por trabalhos com temáticas sociais e ambientais e “A Grande Muralha Verdade” conquistou em 2019 o prêmio do público de melhor documentário internacional na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Já Inna Modja ganhou notoriedade cantando sobre a violência contra as mulheres no Mali.
Às 19h00 é debatido o tema “Emergência Climática: desertificação, conflitos, migrações e outros impactos imediatos”, com participação de Fernando Meirelles, o cientista e professor da USP Paulo Artaxo e mediação de Daniela Chiaretti.
Golpe corporativo
Domingo, 7 de junho, o tema é economia, ilustrado pelo filme “O Golpe Corporativo”, de Fred Peabody (vencedor do Emmy). Uma coprodução entre o Canadá e os Estados Unidos, o documentário narra a história por trás do “golpe corporativo” que seria a origem de muitos dos problemas na democracia atual, controlada por lobistas e pelo corporativismo. A obra parte de um tema político / histórico complexo e cria uma poderosa experiência cinematográfica que explica como o presidente Donald Trump é o resultado de políticas globalistas neoliberais fracassadas e de um “golpe”, no qual corporações e bilionários foram capazes de gradualmente assumir o controle do processo político nos Estados Unidos e em outros países, destruindo a vida de dezenas de milhões de norte-americanos que não são mais capazes de encontrar trabalho que fornece um salário digno, condenados a viver na pobreza crônica. A produção apresenta o autor canadense John Ralston Saul, que advertiu profeticamente em 1995: ‘Estamos agora no meio de um golpe de estado em câmera lenta. A democracia está enfraquecendo … o corporativismo está se fortalecendo.” O longa-metragem foi selecionado para o IDFA – Festival de Documentários de Amsterdã, o mais importante evento internacional do gênero, e finalista dos Canadian Screen Awards 2020.
Às 19h00, o debate “System Error: como o atual sistema econômico leva à destruição ambiental, ao fim do trabalho digno e ao abalo da própria democracia” conta com Ladislau Dowbor, professor titular de economia da PUC-SP, Ana Claudia Mielke, jornalista e ativista, e tem mediação de Silvio Caccia Bava.
Ebola sobreviventes
Segunda-feira, 8 de junho, encerramos a série de debates com o tema saúde, ilustrado pelo filme “Ebola: Sobreviventes”, de Arthur Pratt. O documentário norte-americano foi recebido pela crítica especializada como sendo uma produção “muito poderosa”. Através das lentes de cineastas africanos, o longa-metragem traça um retrato dos heróis da Serra Leoa ao enfrentar o Ebola durante uma das mais agudas emergências de saúde pública dos tempos modernos. A produção acompanha as histórias de três personagens no epicentro da epidemia: um motorista de ambulância, um menino de rua e uma enfermeira do centro de tratamento de ebola. O filme explora não apenas como a epidemia devastou famílias e comunidades, mas também os profundos mal-entendidos entre ONGs internacionais e as comunidades que elas atendem, além de desvelar tensões políticas latentes da longa e recente Guerra Civil no país.
Às 19h00, o debate “Como Comunicar em Tempos de Crise Sanitária e Fake News?” conta com o médico sanitarista Douglas Rodrigues, Ana Paula Morales (jornalista de ciência e fundadora da Agência Bori) e mediação de Mariluce Moura.
A Mostra Ecofalante – Especial Semana do Meio Ambiente comemora a Semana Nacional do Meio Ambiente, instituída em 1981 como sendo a primeira semana do mês de junho. Comemora também o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, criado em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, com o intuito de chamar a atenção para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais.
O Ministério da Cidadania, Secretaria Especial da Cultura, o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, e a Ecofalante apresentam a Mostra Ecofalante de Cinema, que é viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Tem patrocínio do Mercado Livre, Spcine e da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, e apoio da White Martins, Kimberly Clark e Pepsico. É uma produção da Doc & Outras Coisas e co-produção da Química Cultural. A realização é da Ecofalante, do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, do Ministério da Cidadania e do Governo Federal.
O evento tem apoio institucional dos seguintes parceiros: Videocamp, Instituto Socioambiental (ISA), WWF-Brasil, SOS Mata Atlântica, Brasil no Clima, Greenpeace Brasil, Le Monde Diplomatique Brasil, Revista Piauí, Observatório do Clima, ClimaInfo, Envolverde, GIFE, eCycle, Editora Horizonte, GreenMe, Instituto Chão, IAB-SP, Autossustentável, Engajamundo, Iniciativa Verde e Conexão Planeta.
A Ecofalante é uma ONG que atua nas áreas de cultura, educação e sustentabilidade. Produz filmes, documentários e programas de televisão de caráter cultural, educativo e socioambiental.
A instituição fornece consultorias a projetos nessas áreas e promove formação de professores, exibições e debates em escolas, universidades e aparelhos culturais. Organiza seminários e workshops sobre cinema, educação e sustentabilidade, além de realizar o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado a temas socioambientais: a Mostra Ecofalante de Cinema.
PROGRAMAÇÃO
MOSTRA ECOFALANTE – ESPECIAL SEMANA DO MEIO AMBIENTE
3 de junho (quarta-feira)
19h00 – Abertura com Chico Guariba e Laís Bodanzky
19h30 – “Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra” – Jorge Bodanzky e João Farkas (Brasil, 2019, 45 min, livre) *disponibilizado até o final do dia 09/06 (terça-feira)
4 de junho (quinta-feira)
17h00 – “Golpe Corporativo” – Fred Peabody (“The Corporate Coup d’Etat”, Canadá/EUA, 90 min, 2018, livre) e “Ebola: Sobreviventes” – Arthur Pratt (“Survivors”, EUA, 83 min, 2018, 12 anos) *disponibilizados até o final do dia 9/06 (terça-feira).
19h00 – Debate com Jorge Bodanzky e João Farkas, diretores de “Ruivaldo, o Homem que Salvou a Terra”, Júlia Boock (analista de conservação da WWF Brasil) e mediação de Flávia Guerra.
5 de junho (sexta-feira)
15h00 – Debate “O papel do cinema na comunicação de questões socioambientais” com os diretores Fernando Meirelles, Jorge Bodanzky, Estêvão Ciavatta e Vincent Carelli e mediação de Flávia Guerra.
17h00 – “Amazônia Sociedade Anônima” – Estevão Ciavatta (Brasil, 72 min, 2019, livre) *disponibilizado por 24 horas, até às 17h00 do dia 6/06 (sábado).
19h00 – Debate “Conservação: Ataque ao Meio Ambiente e aos Povos Tradicionais”, com Adriana Ramos (ISA), Daniel Azeredo (procurador do Ministério Público Federal do Pará) e Joênia Wapichana (deputada federal da REDE-RR –a confirmar), com mediação de Claudio Angelo.
6 de junho (sábado)
17h00 – “A Grande Muralha Verde” – Jared P. Scott (“The Great Green Wall”, Reino Unido, 92 min, 2019, livre) *disponibilizado por 24 horas, até às 17h do dia 7/06 (domingo).
19h00 – Debate “Emergência Climática: desertificação, conflitos, migrações e outros impactos imediatos”, com Fernando Meirelles, Paulo Artaxo, mediação de Daniela Chiaretti.
7 de junho (domingo)
19h00 – Debate “System Error: como o atual sistema econômico leva à destruição ambiental, ao fim do trabalho digno e ao abalo da própria democracia”, com Ladislau Dowbor, Ana Claudia Mielke e mediação de Silvio Caccia Bava.
8 de junho (segunda-feira).
19h00 – Debate “Saúde – Como Comunicar em Tempos de Crise Sanitária e Fake News?”, com Douglas Rodrigues, Ana Paula Morales e mediação de Mariluce Moura.

Serviço:
Mostra Ecofalante – Especial Semana do Meio Ambiente
de 3 a 9 de junho de 2020
grátis
evento online acessível através da plataforma Videocamp (www.videocamp.com)
#Envolverde

A quem serve a transposição das águas do São Francisco ?

por Aziz Ab’Saber, especial para a Envolverde – 
O professor Aziz Ab’Saber, falecido em 2012,  escreveu em 2007, especial para a Envolverde,  um artigo sobre a transposição do Rio São Francisco, um texto que ainda hoje se mantém atual por sua percepção de como age a tecnocracia nas decisões que afetam a natureza e a vida de comunidades.
É compreensível que em um país de dimensões tão grandiosas, no contexto da tropicalidade, surjam muitas ideias e propostas incompletas para atenuar ou procurar resolver problemas de regiões críticas. Entretanto, é impossível tolerar propostas demagógicas de pseudotécnicos não preparados para prever os múltiplos impactos sociais, econômicos e ecológicos de projetos teimosamente enfatizados.
Nesse sentido, bons projetos são todos aqueles que possam atender às expectativas de todas as classes sociais regionais, de modo equilibrado e justo, longe de favorecer apenas alguns especuladores contumazes. Pessoalmente, estou cansado de ouvir propostas ocasionais, mal pensadas, dirigidas a altas lideranças governamentais. Nas discussões que ora se travam sobre a questão da transposição de águas do São Francisco para o setor norte do Nordeste Seco, existem alguns argumentos tão fantasiosos e mentirosos que merecem ser corrigidos em primeiro lugar. Referimo-nos ao fato de que a transposição das águas resolveria os grandes problemas sociais existentes na região semi-árida do Brasil.
O Nordeste Seco, delimitado pelo espaço até onde se estendem as caatingas e os rios intermitentes, sazonários e exoreicos (que chegam ao mar), abrange um espaço fisiográfico socioambiental da ordem de 750.000 quilômetros quadrados, enquanto a área que pretensamente receberá grandes benefícios abrange dois projetos lineares que somam apenas alguns milhares de quilômetros nas bacias do rio Jaguaribe (Ceará) e Piranhas/Açu, no Rio Grande do Norte. Portanto, dizer que o projeto de transposição de águas do São Francisco para além Araripe vai resolver problemas do espaço total do semi-árido brasileiro não passa de uma distorção falaciosa.
Um problema essencial na discussão das questões envolvidas no projeto de transposição de águas do São Francisco para os rios do Ceará e Rio Grande do Norte diz respeito ao equilíbrio que deveria ser mantido entre as águas que seriam obrigatórias para as importantíssimas hidrelétricas já implantadas no médio/baixo vale do rio – Paulo Afonso, Itaparica, Xingó.
Devendo ser registrado que as barragens ali implantadas são fatos pontuais, mas a energia ali produzida, e transmitida para todo o Nordeste, constitui um tipo de planejamento da mais alta relevância para o espaço total da região. De forma que o novo projeto não pode, em hipótese alguma, prejudicar o mais antigo, que reconhecidamente é de uma importância areolar.
Segue-se na ordem dos tratamentos exigidos pela ideia de transpor águas do São Francisco para além Araripe a questão essencial a ser feita para políticos, técnicos acoplados e demagogos: a quem vai servir a transposição das águas?
Os “vazanteiros” que fazem horticultura no leito dos rios que “cortam” – que perdem fluxo durante o ano-serão os primeiros a ser totalmente prejudicados. Mas os técnicos insensíveis dirão com enfado: “A cultura de vazante já era”.
Sem ao menos dar qualquer prioridade para a realocação dos heróis que abastecem as feiras dos sertões. A eles se deve conceder a prioridade maior em relação aos espaços irrigáveis que viessem a ser identificados e implantados. De imediato, porém, serão os fazendeiros pecuaristas da beira alta e colinas sertanejas que terão água disponível para o gado, nos cinco ou seis meses que os rios da região não correm.
Um projeto inteligente e viável sobre transposição de águas, captação e utilização de águas da estação chuvosa e multiplicação de poços ou cisternas tem que envolver obrigatoriamente conhecimento sobre a dinâmica climática regional do Nordeste. No caso de projetos de transposição de águas, há de ter consciência que o período de maior necessidade será aquele que os rios sertanejos intermitentes perdem correnteza por cinco a sete meses.
Trata-se, porém, do mesmo período que o rio São Francisco torna-se menos volumoso e mais esquálido. Entretanto, é nesta época do ano que haverá maior necessidade de reservas do mesmo para hidrelétricas regionais.
A afoiteza com que se está pressionando o governo para se conceder grandes verbas para início das obras de transposição das águas do São Francisco terá conseqüências imediatas para os especuladores de todos os naipes. Existindo dinheiro – em uma época de escassez generalizada para projetos necessários e de valor certo -, todos julgam que deve ser democrática a oferta de serviços, se possível bem rentosos. Será assim, repetindo fatos do passado, que acontecerá a disputa pelos R$ 2 bilhões pretendidos para o começo das obras.


*Aziz Ab´Sáber , falecido em 2012, foi geógrafo, professor e escritor, uma das figuras mais proeminentes do ambientalismo brasileiro. Professor-Doutor em Geografia Física (USP), ganhador do prêmio Ciência e Meio Ambiente da Unesco, tem mais de 300 trabalhos publicados sobre a geografia brasileira, também foi presidente da SBPC e do Condephaat e diretor do Instituto de Geografia da USP. (#Envolverde)