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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Poluição do ar está associada à mortalidade por cânceres não pulmonares



Detalhe de árvores em primeiro plano e ao fundo vista da poluição na cidade de São Paulo. Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Detalhe de árvores em primeiro plano e ao fundo vista da poluição na cidade de São Paulo. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Um estudo epidemiológico em larga escala associa alguns poluentes do ar com morte por câncer de rim, bexiga e colorretal

Do Barcelona Institute for Global Health (ISGlobal)*
A poluição do ar é classificada como cancerígena para os seres humanos, devido à sua associação com o câncer de pulmão, mas há pouca evidência de associação com o câncer em outros sítios corporais. Em um novo estudo prospectivo em larga escala, liderado pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), uma instituição apoiada pela Fundação “la Caixa” e pela Sociedade Americana do Câncer, os pesquisadores observaram uma associação entre alguns poluentes do ar e a mortalidade por câncer do rim, bexiga e colorretal.
O estudo, publicado em Environmental Health Perspectives, incluiu mais de 600 mil adultos nos EUA que participaram do Estudo de Prevenção do Câncer II e que foram acompanhados por 22 anos (de 1982 a 2004). A equipe científica examinou as associações de mortalidade por câncer em 29 locais com exposição residencial a longo prazo a três poluentes ambientais: PM2,5, dióxido de nitrogênio (NO2) e ozônio (O3).
Mais de 43.000 mortes por câncer não pulmonar foram registradas entre os participantes. O PM2,5 esteve associado à mortalidade por câncer de rim e bexiga, com aumento de 14 e 13%, respectivamente, para cada aumento de 4,4 ?g / m3 na exposição. Por sua vez, a exposição ao NO2 foi associada à morte por câncer colorretal, com um aumento de 6% por cada incremento de 6,5 ppb. Não foram observadas associações significativas com câncer em outros locais.
Michelle Turner, pesquisadora da ISGlobal e primeira autora do estudo, explica que “embora vários estudos associem câncer de pulmão com poluição do ar, ainda há poucas evidências de associações em outros sites de câncer”.
“Esta pesquisa sugere que a poluição do ar não foi associada à morte pela maioria dos cânceres não pulmonares, mas as associações com câncer de rim, bexiga e colorretal merecem mais investigação”, ela acrescenta.
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Referência
Ambient Air Pollution and Cancer Mortality in the Cancer Prevention Study II. Turner MC, Krewski D, Diver WR, Pope CA 3rd, Burnett RT, Jerrett M, Marshall JD, Gapstur SM. Environ Health Perspect. 2017 Aug 21;125(8):087013.

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/11/2017

Crescimento do rebanho e aumento no uso de fertilizantes nitrogenados elevam emissões na Agropecuária

Crescimento recorde do rebanho e aumento de 23% no uso de fertilizantes nitrogenados elevam emissões na Agropecuária



pecuária
Foto: EBC

As emissões de gases de efeito estufa na agropecuária subiram quase 2% entre 2015 e 2016. É o maior crescimento registrado dos últimos cinco anos. Esse é um dos resultados do relatório elaborado pelo Imaflora para o 5º Seminário Nacional sobre Gases de Efeito Estufa, realizado pelo Observatório do Clima. O relatório mostra ainda que quando se toma o período de 1970 a 2016, os indicadores apontam para um crescimento anual das emissões de gases de efeito estufa, que representam 22% das emissões brutas brasileiras.
O que explicam os números atuais são, principalmente, dois fatores: o número recorde de bovinos que, ao lado da redução no abate, levou o país a ter 220 milhões de cabeças (IBGE); e o salto em 25% no uso de fertilizantes nitrogenados na agricultura (ANDA): “nunca havíamos registrado um crescimento tão grande para uma mesma fonte, de um ano para outro”, explica Ciniro Costa Júnior, pesquisador do Imaflora, que lembra que isso ocorreu em um ano de crise.
O estado do Mato Grosso é o maior emissor, com 12%, Minas Gerais fica em segundo lugar com 11% e o Pará em terceiro, com 10% do total das emissões da agropecuária brasileira.
Os cálculos levam em conta os dados fornecidos pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas e pelo Inventário Nacional, do Ministério da Ciência, Tecnolgia e Inovação. No entanto, não consideram as emissões provocadas pelas áreas degradadas e o sequestro de carbono das áreas bem manejadas (variação do estoque de carbono nos solos agrícolas) que atualmente, é negativo. O SEEG fez esse exercício de cálculo e concluiu que se essa variável fosse considerada, as emissões de gases de efeito estufa na agropecuária seriam 7% maiores. “É importante termos essa informação já que o Brasil assumiu o compromisso de recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas e da implantação de 5 milhões de hectares de sistema integrado lavoura,pecuária e floresta entre 2020 e 2030, ao assinar o Acordo de Paris”, lembra Ciniro.
Falta monitoramento – No relatório analítico do trabalho anterior (SEEG 2016), o Imaflora faz uma análise do Plano ABC e da baixa procura pelo financiamento destinado à agricultura de baixa emissão de carbono. O estudo aponta que mesmo os juros subsidiados não são suficientes para atrair o produtor, dada à complexidade da burocracia exigida. E constata que mesmo com o sistema de monitoramento do programa pronto, não é possível saber, se fato, a proposta de reduzir as emissões de gases de efeito está acontecendo, pois não chegou a ser implantado. Isso porque o sigilo em torno do tomador do crédito não permite a localizar a fazenda onde o crédito seria aplicado, portanto, informações essenciais à análise do sucesso do plano ABC, não estão disponíveis; como o tipo de solo, seu estágio de degradação, o manejo da pastagem, entre outras informações.
Por isso, essas análises sugerem que os bancos, os produtores, as processadoras e a sociedade civil, se engajem para que permitam o monitoramento e avaliação do programa que desde 2011 destinou aproximadamente 20 bilhões de reais em créditos.
Colaboração de Fátima Nunes, Imaflora, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/11/2017

Pesquisa encontra resíduos de agrotóxicos em 60% dos alimentos consumidos em São Paulo e Brasília


pulverização aérea de agrotóxicos

ABr
Testes toxicológicos realizados pelo Laboratório de Resíduos de Pesticidas (LRP) do Instituto Biológico de São Paulo, a pedido da organização não governamental Greenpeace, mostraram que 60% dos alimentos que a população de São Paulo e Brasília come diariamente contém resíduos de agrotóxicos. Em 36% das amostras, havia ainda alguma irregularidade, como presença de agrotóxicos banidos do país e de quantidade acima do limite máximo de resíduos permitido no Brasil.
Os alimentos foram comprados principalmente de empresas na Central de Abastecimento (Ceasa) do Distrito Federal; na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), em São Paulo; e na zona cerealista da capital paulista. No total, 113 quilos de alimentos foram analisados, divididos em 50 amostras. Os alimentos testados foram mamão formosa, tomate, couve, pimentão verde, laranja-pera, banana-prata, banana-nanica, café, arroz integral, arroz branco, feijão-preto e feijão-carioca.
“Os agrotóxicos podem causar sérios problemas de saúde. Vários estudos associam estes pesticidas com problemas como desregulação hormonal, malformação, distúrbios nos sistemas nervoso, reprodutivo e imunológico, e até o câncer. Estamos expostos a essas substâncias diariamente pelos alimentos”, disse Marina Lacôrte, especialista do Greenpeace em agricultura e alimentação.
Em diversos alimentos testados, encontrou-se mais de um resíduo de agrotóxico. A mistura de substâncias químicas no mesmo alimento pode causar o que é conhecido como efeito coquetel, cujos efeitos no corpo não são conhecidos e podem ser diferentes dos efeitos causados pelas substâncias isoladas, alertou o Greenpeace.
“Comer todos os dias, mais de uma vez por dia, algum desses alimentos que apresentaram mais de um tipo de resíduo de agrotóxicos, isso é realmente muito preocupando. Alimentar-se no Brasil hoje é uma verdadeira loteria, só que ninguém quer ganhar porque os prêmios são esses: problemas de saúde e diversos impactos ambientais”, disse.
Segundo Marina, os resultados refletem um cenário ruim de fiscalização no campo. “Essas irregularidades que apresentamos mostram que o cenário é muito ruim em termos de controle e fiscalização. Significa que boa parte das práticas que eram para ser cumpridas no campo não estão sendo cumpridas”. Em sua avaliação, este cenário pode piorar caso um conjunto de projetos de lei que tramitam na Câmara dos Deputados seja aprovado, e que inclui o PL 6.299/2002, de autoria do atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi, além de outros projetos de parlamentares da chamada bancada ruralista.
“Se esse pacote for aprovado, vão transformar o país em um mar de veneno. O pacote do veneno é, que já está tramitando na Câmara, vai causar um verdadeiro desmonte da lei atual de agrotóxicos. Ele muda uma série de regras, causa uma série de retrocessos nessa lei. Um deles é que ele pretende mudar o nome de agrotóxicos para defensivos fitossanitários, o que é bastante grave, porque isso mascara a nocividade dessas substâncias”, avaliou. Além disso, o pacote de projetos prevê retirar o Ministério do Meio Ambiente e a Anvisa do processo final de aprovação dos agrotóxicos.
“Ele [o pacote] pode permitir que substâncias cancerígenas venham a ser aprovadas. Hoje em dia, a lei traz uma série de aspectos proibitivos. Um deles é se a substância se apresentar potencialmente cancerígena. Se ela tiver essa característica, ela nem passa para frente para continuar sendo avaliada, aprovada e registrada. Esse projeto de lei pode mudar isso”, disse. Marina explicou que o chamado “pacote do veneno” dará abertura para que tais substâncias sejam aprovadas.
A proposta do Greenpeace é que a população pressione para que a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, que também é um projeto de lei e já está na Câmara, seja aprovada. É preciso que seja instalada uma comissão especial para analisar a matéria, mas, de acordo com Marina, existe uma pressão de deputados para que a comissão não se instale. “O que mostra que estamos muito na contramão, porque não só a gente não está começando a pensar no caminho de reduzir essas substâncias, ter uma agricultura menos impactante, mais regenerativa, que produza comida saudável para todo mundo, como estamos indo pelo caminho totalmente oposto, que é o de liberar substâncias mais perigosas”, disse a especialista.
O Ministério da Agricultura, sob o comando de Blairo Maggi, foi procurado, mas não retornou até a publicação da reportagem.
Por Camila Boehm, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/11/2017

Estudo mostra que é economicamente viável zerar desmatamento no Brasil

Por Maura Campanili, Instituto Escolhas

Impactos no PIB e nos salários seriam muito baixos e podem ser compensados com pequeno aumento nas taxas de intensificação da pecuária

Se todo o desmatamento – e a consequente expansão da fronteira agrícola – no Brasil acabasse imediatamente, seja legal ou ilegal, incluindo terras públicas e privadas, haveria um impacto mínimo na economia do país. Isso significaria uma redução de apenas 0,62% do PIB acumulado entre 2016 e 2030, o que corresponderia a uma diminuição do PIB de R$ 46 bilhões em 15 anos, ou R$ 3,1 bilhões por ano. Esse é o principal resultado do estudo Qual o Impacto do desmatamento zero no Brasil?, idealizado e coordenado pelo Instituto Escolhas, e realizado a partir de parceria com pesquisadores do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). O estudo foi lançado hoje (30/10), durante seminário realizado no auditório do Insper, em São Paulo.
Segundo o diretor executivo do Escolhas, Sergio Leitão, esse impacto no PIB é muito menor do que é investido pelo Estado brasileiro em diversas áreas consideradas prioritárias. “Somente os subsídios para o custeio do Plano Safra foram de aproximadamente R$ 10 bilhões em 2017. Além disso, esse valor pode ser neutralizado apenas com um pequeno incremento na taxa anual de intensificação da pecuária. Sem contar que, não parar o desmatamento também tem um alto impacto no PIB – que não foi contabilizado neste estudo. Isso significa que, não agir agora para brecar o desmatamento, pode custar ainda mais”, disse.
Além de zerar todo o desmatamento imediatamente (DZAbsoluto), o estudo simulou os impactos em outros dois cenários. Em um deles (DZ2), o desmatamento ilegal em terras públicas é zerado até 2030 e o desmatamento em terras privadas na Amazônia e no Cerrado ocorrerá neste período apenas sobre a vegetação nativa onde ele é permitido por lei e tenha maior aptidão agrícola. Nesse caso, o impacto acumulado no PIB é de menos 0,22% até 2030.
O terceiro cenário (DZ3) difere do anterior porque considera que o desmatamento legal em terras privadas na Amazônia e no Cerrado seguirá a tendência atual, independentemente da sua aptidão agrícola. Este cenário é o que mais se aproxima do compromisso do Brasil com a Convenção do Clima, mas ainda é mais restritivo, pois inclui o fim do desmatamento ilegal não apenas na Amazônia, mas também no Cerrado. Nesse caso, o impacto acumulado no PIB é de menos 0,03% até 2030.
Para zerar o desmatamento, o estudo partiu do princípio que acabar com o desmatamento significa o fim da expansão agrícola para o estabelecimento de pastagens. A área de produção agrícola e de reflorestamentos (plantios de eucalipto e pinus, ou florestas comerciais), por sua vez, continua aumentando de acordo com a média observada no período 2011-2015, mas seu avanço se dará apenas sobre áreas de pastagens, que passam a diminuir.
qual impacto do desmatamento zero no Brasil?
Segundo o estudo, o final do desmatamento tende produzir uma pequena desvalorização cambial que deve beneficiar produtos agrícola exportados (soja, café e silvicultura) e também os que têm grande parcela importada (trigo, principalmente), cuja produção pode expandir no país. Por outro lado, as simulações mostram uma queda no salário real nos três cenários, decorrente da redução da atividade econômica, expressa pela queda do PIB. Embora seja uma queda muito pequena (entre 0,08% e 1,13%), os trabalhadores menos qualificados (como é o caso dos que são empregados na agropecuária) tendem a apresentar maior queda no salário real.
Em todos os cenários, os estados da fronteira agrícola teriam maiores perdas no PIB do que os das regiões Sudeste e Sul. Rondônia (entre 0,59% no DZ3 e 3,07 no DZAbsoluto), Acre (entre 0,54% e 4,53%), Pará (entre 0,23% a 2,05%) e Mato Grosso (entre 0,14% e 3,17%) seriam os estados mais afetados. Essas assimétricas apontam para a necessidade de pensar políticas públicas que compensem tais perdas, mesmo que reduzidas.
Os principais resultados do estudo estão disponíveis no relatório completo do estudo ou em seu sumário executivo. Veja também as apresentações do Imaflora e de Joaquim Bento Ferreira Filho, da Esalq-USP.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/11/2017

Às vésperas da COP 23, ONU aponta riscos para efetivação do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas

ABr




Poluição,meio ambiente, gases
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou boletim que mostra que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera bateu recorde em 2017. Foto: Agência Brasil/Arquivo
 
Há dois anos, 195 países firmaram o Acordo de Paris, fruto da Conferência Mundial do Clima (COP21) sobre a redução de emissões de gases de efeito estufa. Era a primeira vez na história que governos reconheciam conjuntamente os riscos associadas ao aquecimento global e pactuavam um acordo global sobre o clima.
Apesar da relevância do acordo, um estudo divulgado hoje (31), pela ONU Meio Ambiente afirma que o acordo está em risco. Mesmo se fossem cumpridos todos os compromissos assumidos, isso representaria apenas um terço do que é necessário alcançar até 2030 para que os piores impactos das mudanças climáticas sejam evitados, de acordo com a agência da ONU que é a principal autoridade global em meio ambiente.
Divulgada a uma semana do início da COP 23, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que ocorre em Bonn, na Alemanha, entre 6 e 17 de novembro, a oitava edição do Relatório da ONU Meio Ambiente sobre a lacuna das emissões, intitulada Emissions Gap Report, alerta que são necessárias medidas urgentes para que o acordo possa entrar em vigor em 2020, conforme previsto na COP 21. “Os governos e os atores não estatais precisam aumentar urgentemente sua ambição para garantir que os objetivos do Acordo de Paris ainda possam ser alcançados, de acordo com uma nova avaliação da ONU”, diz o relatório.
A principal meta em questão é limitar o aquecimento máximo do planeta a uma temperatura média “bem abaixo de 2 graus Célsius (°C) acima dos níveis pré-revolução industrial”, com esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C, nos termos fixados em 2015.
“As ações para se chegar à redução proposta em Paris são definidas por cada país, que diz como pode contribuir com esse objetivo global comum”, explica o coordenador de emissões do Observatório do Clima, Tasso Azevedo. Ele detalha que as propostas atuais fazem com que as emissões de 2030 provavelmente alcancem 11 a 13,5 gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e) acima do nível necessário à adoção de uma trajetória condizente com o objetivo de evitar o aquecimento de 2ºC.
Nesse rumo, de acordo com as Nações Unidas, é “muito provável” que haja aumento da temperatura de pelo menos 3°C até 2100. O cenário pode se tornar ainda mais grave caso os Estados Unidos sustentem a intenção declarada de deixar o Acordo de Paris em 2020, alerta o estudo. “Ainda falta muito esforço a ser feito, por isso o que o relatório apresenta um apelo para que, até 2020, quando vai ocorrer a primeira revisão das metas, elas sejam fortalecidas para a gente diminuir essa distância entre as propostas fixadas pelos países e a meta global”, destaca Azevedo, que antecipa que, “se a gente não der mais ambição para essa metas, estaremos numa situação ruim”.
Dióxido de carbono
Nesse contexto, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou boletim ontem (30) que mostra que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera bateu recorde neste ano, chegando a 403,3 partes por milhão (ppm).
O relatório apresenta formas práticas de envolver diversos agentes, inclusive municípios e setor privado, no esforço de reduzir as emissões em diferentes setores, por meio de ações como adoção de energia solar e eólica, desenvolvimento de carros de passageiros eficientes e reflorestamento.
Esses agentes também podem contribuir com o fim do desmatamento, a eliminação do uso e produção de hidrofluorcarbonos – produtos químicos usados principalmente em aparelhos de ar-condicionado, refrigeração e isolamento de espuma – e reduzindo poluentes climáticos como o carbono preto e o metano.
Para a ONU, é preciso garantir investimentos para a adotação de tecnologias limpas. A organização calcula que o investimento de menos de US$ 100 por tonelada de CO2 evitado poderia economizar até 36 GtCO2e, a cada ano, até 2030.
Outro ponto que o relatório destaca é a necessidade de efetivação de mudanças na matriz energética. Evitar novas usinas a carvão e eliminar as já existentes é uma das recomendações das Nações Unidas nesse sentido. O relatório aponta que existem cerca de 6.683 usinas a carvão em funcionamento no mundo, com uma capacidade combinada de 1.964 gigawatt (GW).
Se essas usinas funcionarem até o final de sua vida útil sem se adaptar à Captura e Armazenamento de Carbono, de acordo com o estudo, elas vão emitir um total de 190 gigatonelada (Gt) de CO2.

Por Helena Martins, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/11/2017

EcoDebate - Edição 2.862 de 01 / novembro / 2017

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Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]


Iº/11/2017    
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