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quarta-feira, 2 de agosto de 2017




Resumo diário de notícias selecionadas
dos principais jornais, revistas, sites especializados e blogs,
além de informações e análises direto do ISA
 
 
HOJE:
Amazônia, Biodiversidade, Energia, Mudanças Climáticas, Povos Indígenas, Quilombolas, UCs
Ano 17
02/08/2017

 

Direto do ISA

 
  Em nova crônica socioambiental, o sócio fundador do ISA, Marcio Santilli, lembra que os ataques aos direitos indígenas começaram ainda durante a elaboração da nova Constituição com a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar conspirações contra a soberania nacional - Blog do PPDS/ISA, 2/8.
  
 

Quilombolas

 
  'Se não fizermos nada vamos acabar na senzala novamente.' - Makota Kidoiale - Quilombo Manzo (Belo Horizonte). "Essa frase de Makota Kidoiale expressa a forma pela qual estão reduzindo, confiscando ou ignorando direitos duramente conquistados por meio de históricas lutas sociais. Os quilombolas, por exemplo, passam por um momento de grande tensão e ameaça de perda de garantias, uma legislação que, nos últimos 14 anos, ainda não tornou mais célere a titulação dos territórios, tal como previsto na Constituição há quase 30 anos. Não aceitamos a retirada de direitos. Portanto, estamos convocando todos para somarem: seja com ajuda com transporte para a viagem a Brasília, seja com a divulgação desse julgamento e o que ele representa, seja com a assinatura da Petição que o Instituto Socioambiental leva à frente, bem como com todas as formas mais criativas possíveis para barrarmos a onda conservadora que ronda o Brasil", artigo de Lilian Gomes e Cesar Baldi - Carta Capital, 1/8, Justificando.
  
 

Mudanças Climáticas

 
  Uma pesquisa do Pew Research Center divulgada ontem aponta a milícia radical Estado Islâmico e as mudanças climáticas como as principais ameaças mundiais à segurança nacional. O levantamento, feito em quase 40 países -inclusive no Brasil-, perguntou aos entrevistados, além dos dois temas já citados, sobre mais seis possíveis ameaças: ciberataques cometidos do exterior, situação da economia global, quantidade de refugiados, o poder americano e sua influência, além do chinês e do russo. O Estado Islâmico é visto como principal ameaça em 18 dos países pesquisados. Em 13 países, concentrados na Europa, na América Latina e na África, os entrevistados identificaram a mudança climática global como a principal ameaça à sua segurança - FSP, 2/8, Mundo, p.A13.
  É improvável que o aumento de temperatura global até 2100 fique abaixo dos 2oC, segundo pesquisas publicadas ontem na revista "Nature Climate Change". Segundo uma das pesquisas, a probabilidade é que as temperaturas subam entre 2oC e 4,9oC até 2100. Para chegar a essa conclusão, os cientistas usaram dados de 1960 a 2010. A chance do aumento de temperatura ser inferior a 1,5oC é de 1%. Segundo o estudo, seria necessária uma rápida redução das emissões para limitar o aumento da temperatura a 2oC. A pesquisa ainda afirma que é pouco provável que seja alcançado o objetivo do Acordo de Paris de zerar as emissões na segunda metade do século - FSP, 2/8, Ciência, p.B5.
  
 

Pegada Ecológica

 
  A partir desta quarta-feira a Humanidade está, mais uma vez, "em dívida" com o planeta. De acordo com cálculos da organização internacional de pesquisas ambientais Global Footprint Network, é neste 2 de agosto que nosso uso dos recursos da Terra e seus ecossistemas atinge o limite da sua capacidade de renovação. Ou, em uma conta inversa, isto significa que seria preciso ter 1,7 vezes o nosso planeta para sustentar o atual nível de produção e consumo médio da população global. Mesmo com os avanços nas questões relativas ao meio ambiente nas últimas décadas, esta data a cada ano chega mais cedo - O Globo, 2/8, Sociedade, p.26.
  
 
Imagens Socioambientais

02/08/2017  
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terça-feira, 1 de agosto de 2017




Resumo diário de notícias selecionadas
dos principais jornais, revistas, sites especializados e blogs,
além de informações e análises direto do ISA
 
 
HOJE:
Amazônia, Energia, Ferrovias, Mudanças Climáticas, Povos Indígenas, Quilombolas, UCs, Política Socioambiental
Ano 17
01/08/2017

 

Política Socioambiental

 
  Em artigo publicado originalmente no jornal El País, nesta terça-feira (1º/8), o sócio fundador do ISA, Márcio Santilli, analisa os retrocessos em curso promovidos pelo governo Temer. Quanto mais fragilizado, mais o presidente entrega órgãos e orçamentos para serem trucidados por escusos interesses pessoais e partidários - Blog do PPDS/ISA, 1/8.
  No Twitter, o presidente Temer garantiu à modelo que a floresta de Jamanxim não seria reduzida. Mas, às vésperas da votação de sua denúncia na Câmara, ele mudou de ideia - Veja, 2/8, Geral, p.94 e 95.
  O Supremo Tribunal Federal retoma hoje as sessões de julgamento com uma pauta repleta de temas sociais. Quase metade das 57 ações pautadas para as 12 sessões deste mês é classificada como "ordem social" ou envolvem direitos fundamentais. Entre os assuntos estão a limitação de uso do amianto, terras quilombolas e ensino religioso em escolas públicas. Alguns temas sensíveis aguardam análise há muito tempo - como a questão dos quilombolas, cujo julgamento foi suspenso em 2015 por pedido de vista do ministro Dias Toffoli, depois de ficar parado por três anos. Na ação direta de inconstitucionalidade, o Democratas (DEM) contesta a legalidade do Decreto no 4.887, de 2003, que regulamenta a identificação, demarcação e titulação de terras ocupadas por quilombolas. Há dois votos, um pela constitucionalidade da norma e outro contrário - Valor Econômico, 1/8, Legislação & Tributos, p.E1.
  "A Terra Indígena Vale do Javari é um imenso território de 8.544 hectares, situado na faixa de fronteira com o Peru e habitado por aproximadamente 4.400 índios dos povos Marubo, Kanamari, Korubo, Matis, Mayoruna, Kulina e Tsohom Djapá, além de possuir uma das maiores populações de isolados do mundo. Até pouco tempo atrás, a Frente do Javari garantia uma proteção fundamental da área indígena com relação ao seu exterior sombrio, agora ameaçada pelo desmonte da Funai conduzido pelo governo federal. O Vale do Javari é um exemplo da importância decisiva de outras tantas áreas indígenas, que o governo de Michel Temer desprotege ao ceder de maneira insensata à avidez de ruralistas", artigo de Pedro de Niemeyer Cesarino - Folha de S.Paulo Online, 1/8, Tendências/Debates.
  
 

Geral

 
  A temperatura mundial provavelmente aumentará mais de 2 graus Celsius até o fim do século, desobedecendo o Acordo de Paris, compromisso assinado por 195 países para que os termômetros não atinjam este patamar. Segundo um novo estudo da Universidade de Washington, há 90% de chances de que a Terra sofra um aquecimento entre 2 e 4,9 graus Celsius. Ainda de acordo com o levantamento, a possibilidade de que as metas de Paris sejam atingidas é inferior a 5%. E as chances de que o aquecimento seja inferior a 1,5 grau Celsius, o compromisso preferencial do Acordo de Paris, é de apenas 1%. O estudo foi realizado a partir de projeções estatísticas baseadas na população mundial total, PIB per capita e a quantidade de carbono emitida por cada dólar de atividade econômica - O Globo, 1/8, Sociedade, p.28.
  A Agência Nacional de Transportes Terrestres começou a avaliar um pleito apresentado pela concessionária de ferrovias Rumo para construção de uma extensão de aproximadamente 600 km de Rondonópolis até o centro do Estado do Mato Grosso. Além do trecho Rondonópolis-Sorriso, uma alternativa em análise é um ramal de Rondonópolis a Lucas do Rio Verde. A definição do trajeto, contudo, não está fechada, com possibilidades de traçados ainda em estudo. O trecho seria feito dentro do contrato de concessão da Malha Norte (antiga Ferronorte), sob administração da Rumo, e poderá, no futuro, se conectar à ferrovia Ferrogrão, projeto greenfield a ser feito entre Sinop (MT) e Miritituba (PA) e que está listado no Programa de Parcerias de Investimentos - Valor Econômico, 1/8, Empresas, p.B2.
  Na opinião de especialistas, o risco ambiental pode afetar o resultado da 14ª rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), marcada para 27 de setembro. Até hoje, nenhum dos blocos licitados desde a 11ª rodada, em 2013, obteve aval dos órgãos ambientais para iniciar os trabalhos exploratórios. Um dessas casos é o da petroleira francesa Total, que encontra dificuldades para receber licença ambiental para iniciar a perfuração na foz do rio Amazonas, região considerada sensível devido à proximidade a um recife de coral - Valor Econômico, 1/8, Brasil, p.A3.
  Um grupo de investidores brasileiros e portugueses anuncia hoje o lançamento de um banco de investimentos global dedicado exclusivamente a projetos com retorno não só financeiro como social e ambiental. Sediado em Londres, o Granito&Capital nasce com um mandato para captar US$ 2 bilhões para projetos nas áreas de energia renovável, saúde, desenvolvimento urbano, infraestrutura e finanças. No mundo, já somam US$ 28 trilhões os recursos geridos dentro de estratégia de investimento responsável -que levam em consideração o impacto ambiental, social e de governança justa - FSP, 1/8, Mercado, p.A20.
  
 
Imagens Socioambientais

Novo estudo indica que o aquecimento do planeta provavelmente será maior do que 2°C até o final do século

Por Hannah Hickey*, Universidade de Washington
O aquecimento do planeta em 2 graus Celsius geralmente é visto como um “ponto de inflexão”, que as pessoas devem tentar evitar, limitando as emissões de gases de efeito estufa. Mas é muito provável que a Terra exceda essa mudança, de acordo com a nova pesquisa da Universidade de Washington.


A nova mudança global de temperatura global projetada em 2100 é de 3,2 C (5,8 F), com uma chance de 90% de cair dentro de 2,0-4,9°C (3,6-8,8 F). Adrian Raftery / Universidade de Washington
A nova mudança global de temperatura global projetada em 2100 é de 3,2 C (5,8 F), com uma chance de 90% de ficar dentro de 2,0-4,9°C (3,6-8,8 F). Adrian Raftery / Universidade de Washington


Um estudo usando ferramentas estatísticas mostra apenas uma chance de 5% de que a Terra aqueça 2 graus ou menos até o final deste século. Isso mostra uma mera chance de 1 por cento de que o aquecimento poderia ser igual ou inferior a 1,5 graus, o objetivo estabelecido pelo Acordo de Paris de 2016.
“Nossa análise mostra que o objetivo de 2 graus é o melhor cenário”, disse o autor principal, Adrian Raftery , professora de estatística e sociologia da UW. “É possível, mas apenas com esforço maior e sustentado em todas as frentes nos próximos 80 anos”.
As novas projeções baseadas em estatística , publicadas em 31 de julho em Nature Climate Change , mostram uma chance de 90 por cento de que as temperaturas irão aumentar neste século em de 2,0 a 4,9 C.
“Nossa análise é compatível com estimativas anteriores, mas conclui que as projeções mais otimistas são improváveis de acontecer”, disse Raftery. “Estamos mais perto da margem do que pensamos”.
O relatório mais recente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas incluiu as futuras taxas de aquecimento com base em quatro cenários para futuras emissões de carbono. Os cenários variaram desde as emissões “comerciais e habituais” das economias em crescimento, a sérios esforços mundiais para a transição longe dos combustíveis fósseis.
“O IPCC ficou claro que esses cenários não eram previsões”, disse Raftery. “O grande problema com os cenários é que você não sabe o quão provável eles são, e se eles abrangem toda a gama de possibilidades ou são apenas alguns exemplos. Cientificamente, esse tipo de abordagem narrativa não era totalmente satisfatória “.
O novo artigo concentra-se em três quantidades que sustentam os cenários para futuras emissões: população mundial total, produto interno bruto por pessoa e a quantidade de carbono emitida por cada dólar de atividade econômica, conhecida como intensidade de carbono.
Usando projeções estatísticas para cada uma dessas três quantidades, com base em 50 anos de dados passados em países de todo o mundo, o estudo encontra um valor médio de aquecimento de 3,2 C (5,8 F) até 2100 e uma chance de 90% de que o aquecimento deste século caia entre 2,0 a 4,9 C (3,6 a 8,8 F).
“Os países defenderam o alvo de 1,5 C por causa dos impactos severos em seus meios de subsistência que resultariam de exceder esse limiar. De fato, os danos causados pelos extremos do calor, a seca, o clima extremo e o aumento do nível do mar serão muito mais severos se 2°C ou maior aumento de temperatura for permitido “, disse o coautor Dargan Frierson , professor associado das ciências atmosféricas da UW. “Nossos resultados mostram que é necessária uma mudança de curso abrupta para alcançar esses objetivos”.
Raftery anteriormente trabalhou nas projeções das Nações Unidas para a futura população mundial. Seu estudo de 2014 usou as estatísticas bayesianas, uma ferramenta comum usada nas estatísticas modernas, para mostrar que a população mundial provavelmente não se estabilizará neste século. O planeta provavelmente alcançará 11 bilhões de pessoas até 2100.
No novo estudo, Raftery esperava que as populações mais elevadas aumentassem as projeções para o aquecimento global. Em vez disso, ele ficou surpreso ao saber que a população tem um impacto bastante pequeno. Isso ocorre porque a maior parte do aumento da população estará em países que usam poucos combustíveis fósseis.
O que importa mais para o aquecimento futuro é a intensidade do carbono, a quantidade de emissões de carbono produzidas para cada dólar de atividade econômica. Esse valor caiu nas últimas décadas à medida que os países aumentam a eficiência e estabelecem padrões para reduzir as emissões de carbono. Quão rápido esse valor diminuirá nas próximas décadas será crucial para determinar o aquecimento futuro.
O estudo encontra uma ampla gama de possíveis valores de intensidade de carbono nas próximas décadas, dependendo do progresso tecnológico e dos compromissos dos países em relação à implementação de mudanças.
“Em geral, os objetivos expressados no Acordo de Paris são ambiciosos, mas realistas”, disse Raftery. “A má notícia é que eles são improváveis para alcançar o objetivo de manter o aquecimento em ou abaixo de 1,5 graus”.
A pesquisa foi financiada pelo National Institutes of Health. Outros coautores são Alec Zimmer , graduado da UW, agora em Upstart Networks em Palo Alto, Califórnia; Richard Startz , um professor emérito de economia da UW que agora ocupa um cargo na Universidade da Califórnia, Santa Bárbara; E Peiran Liu , um estudante de doutorado da UW em estatísticas.
Referência:
Less than 2°C warming by 2100 unlikely
Nature Climate Change (2017) doi:10.1038/nclimate3352
Received 06 January 2017 Accepted 22 June 2017 Published online 31 July 2017
https://www.nature.com/nclimate/journal/vaop/ncurrent/full/nclimate3352.html

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/08/2017


01/08/2017  
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