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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Na Amazônia De 2016, Recorde De Queimadas, Recorde De Problemas

Brasil deve enfrentar temporada recorde de queimadas este ano e o Greenpeace sobrevoou a Amazônia para documentar a gravidade do problema para a floresta, o clima e as pessoas
Todos os anos, por volta de agosto, começa a temporada de queimadas na Amazônia, evento normalmente observado no Brasil com uma calma alarmante. O fogo na região é utilizado, entre outras coisas, para promover o desmatamento, sendo parte importante do problema. Quando a floresta queima, toda a vida ali é destruída, a fumaça emitida afeta gravemente a saúde de pessoas que vivem em regiões próximas, e os gases de efeito estufa gerados aceleram o aquecimento global.
Levantamentos indicam que estamos prestes a presenciar a maior e pior temporada de queimadas e incêndios florestais da história do país.  Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que, entre janeiro e junho deste ano, o número de focos de queimada detectados foi 81% maior que média histórica para o período (medida desde 1999). Por isso, o Greenpeace foi a campo conferir de perto a situação, seguindo o rastro de fumaça e destruição, e começa hoje uma série de cinco publicações onde irá expor a íntima relação entre o aumento do número de queimadas, o avanço do desmatamento e as mudanças climáticas.
Equipe sobrevoou os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso e Pará.
Com base nos focos de queimadas e incêndios fornecidos por satélites, nossa equipe sobrevoou os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Mato Grosso e Pará, e comprovou a existência de diversas queimadas nessas regiões – com destaque para o estado do Amazonas, que no primeiro semestre contabilizou um aumento de 746% no número de focos em relação à média histórica. O estado, que costumava ter enormes porções de floresta preservada, é a nova fronteira para os desmatadores e um triste exemplo do processo que leva ao aumento da destruição da floresta, das queimadas e emissões. O cenário é resultante da combinação de baixo comprometimento com a gestão ambiental, tolerância ao desmatamento e falta de planejamento para lidar com o problema.
“O sul do Amazonas vem sendo incorporado pelo arco do desmatamento, com números cada vez maiores de alertas de desmatamento. Para piorar, no ano passado o governo estadual realizou uma série de reformas administrativas que fragilizaram o sistema de gestão e controle ambiental do estado. Um claro sinal verde para desmatadores”, observa Cristiane Mazzetti, da campanha Amazônia do Greenpeace.
O número de focos de incêndios disparou no último ano no Amazonas.
Embora o Brasil tenha avançado significativamente na redução do desmatamento na Amazônia (a taxa caiu de 27.772 km², em 2004, para 4.571 km² em 2011), o problema da destruição florestal persiste e pode colocar em risco toda essa conquista. O desmatamento encontra no Brasil um ambiente favorável para se desenvolver. Além do caso do estado do Amazonas, o sinal verde para a destruição também veio do nível federal. Além da tolerância do governo federal com o desmatamento, a ambição para eliminar o problema é baixa: não contente em anistiar aqueles que desmataram ilegalmente até o ano de 2008, com a aprovação do Novo Código Florestal, em 2012, o governo brasileiro apresentou na última Conferência de Mudanças Climáticas da ONU o fraco objetivo de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia em 2030 – o que significa aceitar o crime por mais 14 anos na Amazônia, e por tempo indefinido no resto do país.
O Brasil já desmatou e queimou demais suas florestas. Está na hora dos governos estaduais e federal aumentarem a ambição e assumirem de vez uma meta para atingir o Desmatamento Zero, a começar pela revisão imediata da meta de acabar com o desmatamento ilegal na Amazônia apenas em 2030. O fim do desmatamento também está alinhado com o desejo da sociedade, que apresentou em 2015 uma Proposta de Lei pelo Desmatamento Zero com 1,4 milhão de assinaturas.
Nuvem de fumaça proveniente de queimada cobre fazendas e floresta em Lábrea, no sul do Amazonas. (© Rogério Assis / Greenpeace)
A destruição na Amazônia continua a todo vapor e precisamos fazer com que o mundo saiba sobre a tragédia que segue em curso na floresta. Espalhe a notícia e vamos juntos pressionar governos para colocar fim do desmatamento. Faça parte do movimento pelo Desmatamento Zero

Informe do Greenpeace Brasil, in EcoDebate, 06/09/2016

Laboratório Nacional De Biociências Deixará De Utilizar Animais Em Testes

A nova tecnologia usa chips com células humanas que são interligados em circuitos e simulam as condições do organismo


No Brasil, 17 tipos de testes com animais não poderão mais ser praticados até 2019. Laboratório University of Michigan School /SNRE/ Flickr/ CC BY 2.0


O Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), está absorvendo tecnologia que utiliza chips com culturas de células humanas para testes de laboratório, em vez de animais.
Esses dispositivos são interligados em circuitos que simulam as condições do organismo. Desenvolvida por uma startup alemã, a tecnologia está alinhada com o esforço do Brasil em reduzir e substituir a utilização de animais em testes de medicamentos e cosméticos.
Denominado Human on a chip (ser humano em um chip, em inglês), o projeto é da empresa TissUse, que está transferindo a tecnologia para o LNBio. A parceria começou em 2015, com o treinamento de pesquisadores brasileiros em Berlim.
Por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o MCTIC investiu R$ 1 milhão para que o LNBio adotasse a tecnologia. O Grupo Boticário repassou mais R$ 500 mil.
Segundo o gerente de desenvolvimento de fármacos do LNBio, Eduardo Pagani, cada chip tem o tamanho aproximado ao de um smartphone com capacidade para abrigar células de órgãos diferentes em compartimentos separados. Uma solução semelhante ao sangue humano circula por canais para simular o organismo humano.
“A ideia é pegar pedacinhos dos órgãos e mantê-los vivos nessa preparação e integrados como ocorre no nosso organismo. Isso já é uma realidade”, explicou Pagani, que coordena o projeto no Brasil. “No futuro, a ideia é reproduzir um organismo humano num chip. Imaginamos poder fazer uma arquitetura celular semelhante ao do organismo vivo.”
Animais protegidos
No Brasil, 17 tipos de testes com animais não poderão mais ser praticados até 2019. Procedimentos que incluem a aplicação de substâncias em órgãos sensíveis, como os olhos, de coelhos, bois, cães e outras espécies, já estão ficando no passado, sendo substituídos por outras práticas.
Há duas semanas, o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) publicou no Diário Oficial da União uma resolução normativa que reconhece o uso de métodos alternativos validados, como testes in vitro de curta duração para danos oculares e de triagem para toxicidade reprodutiva, que tenham por finalidade a redução, substituição ou o refinamento do uso de animais em atividades de pesquisa.
De acordo com Pagani, alguns testes em animais ainda são exigidos, mas uma determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada em 2015, obriga os laboratórios a encerrarem os testes em animais nos próximos três anos.
Fonte: MCTIC
in EcoDebate, 06/09/2016

EcoDebate - Edição 2.604 de 06/ setembro / 2016

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Decreto Limitará Uso De Chumbo Presente Na Pintura De Materiais De Uso Infantil


Tintas: presença de chumbo. Fote: Gilberto Soares/MMA


Presente na pintura de materiais infantis, como lápis de cor e parquinhos, metal pesado causa danos à saúde e ao meio ambiente.
A presença de chumbo em tintas e os riscos que o metal representa para o meio ambiente e a saúde, especialmente das crianças, está mobilizando especialistas do governo, de empresas fabricantes de tintas e da sociedade civil organizada para a regulamentação da lei que está em vigor desde 2008. A legislação limitou a presença de chumbo nos materiais de uso infantil, como brinquedos, material escolar, tintas imobiliárias, vernizes e materiais similares de revestimento utilizadas em locais frequentados por crianças.
Os lápis de cor e as tintas usadas nas aulas de arte que estão no pula-pula, no balanço e no escorregador dos parquinhos, além das tintas de parede e de móveis, são exemplos citados pelos especialistas para defender rigor na aplicação da lei.
As pesquisas mostram que crianças são mais vulneráveis que os adultos à exposição ao chumbo, pois praticam mais atividades que levam a mão à boca, consomem mais alimentos e bebidas, absorvem de quatro a cinco vezes mais o chumbo no estômago e respiram mais ar por quilo de massa corpórea. A exposição pode ainda ocorrer na fase uterina, ocasionando danos irreversíveis durante o desenvolvimento dos órgãos e distúrbios neurológicos.
A lei nº 11.762/08 começou a ser analisada nesta semana pelo Grupo de Trabalho Chumbo em Tintas, da Comissão Nacional de Segurança Química (CONASQ), coordenado pela diretora de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Letícia Carvalho.
A diretora fez uma avaliação positiva da primeira reunião do grupo. “Enquanto se espera pela regulamentação, que iremos propor via decreto, os próprios fabricantes já estão adotando a autorregulamentação para se adequar à lei”, afirmou Letícia. Durante a reunião, representantes da Associação Brasileira de Tintas (Abrafati) informaram que, hoje, 90% dos produtos comercializados pelas 56 empresas ligadas à associação já estão adequadas ao limite fixado em lei.
CONTROLE
A preocupação maior, segundo a Abrafati, é com as atividades das micro e pequenas empresas, menos fiscalizadas, já que existem hoje cerca de mil CNPJs de fabricantes de tintas espalhados pelo país. “Nessa reunião ficou decidido que o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – INMETRO – terá o poder de polícia na aplicação da lei e na fiscalização das questões a ela pertinentes”, adiantou Letícia Carvalho.
Caberá ao GT elaborar os regulamentos sugeridos pelo INMETRO para estabelecer a metodologia de avaliação dos agentes e dos produtos da cadeia de tintas imobiliárias, materiais similares e tintas infantis e escolares; as regras específicas da certificação compulsória desses produtos no Brasil e os protocolos de fiscalização, inclusive o controle das importações de formulações e de produtos acabados.
O GT também poderá rever dispositivo da lei de 2008, que não incluiu a limitação de chumbo em vernizes e materiais similares de revestimento de superfícies para uso em equipamentos agrícolas e industriais; estruturas metálicas industriais, agrícolas e comerciais e tratamento anticorrosivo à base de pintura.
Tampouco foram abrangidas pela legislação as tintas usadas na sinalização de trânsito e de segurança; veículos automotores, aviões, embarcações e vagões de transporte ferroviário; artes gráficas; eletrodomésticos e móveis metálicos; tintas e materiais similares de uso exclusivo artístico; e tintas gráficas.
Letícia Carvalho afirmou que o GT deverá concluir o seu trabalho em fevereiro de 2017. “Já são oito anos desde a aprovação da lei. Não podemos procrastinar mais a sua regulamentação”, defendeu.
O secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (SRHU), Ricardo Soavinski, defendeu a importância de o governo dar uma resposta à sociedade sobre os riscos do chumbo para o meio ambiente e a saúde. “A contaminação pelo chumbo pode afetar, especialmente as crianças, com o cérebro ainda em formação, causando danos permanentes”, alertou.
No meio ambiente, o chumbo causa contaminação do solo e da água, além de gerar impactos negativos nos animais, incluindo mudanças comportamentais, alterações neurológicas, desordens renais, reprodutivas e até morte. A bioacumulação de chumbo ocorre principalmente na biota que se alimenta de presas ou pequenas partículas contaminadas com chumbo.
“A orientação do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, é para que haja sempre um amplo diálogo com todos os setores envolvidos, quando se trata de deliberar sobre questões que envolvam riscos como é o caso do chumbo”, afirmou o secretário.
SAIBA MAIS:
Danos causados pelo chumbo
Além dos riscos representados pelas tintas, o chumbo pode entrar no corpo humano por diversas rotas de exposição. As principais são os encanamentos contendo ligas metálicas com chumbo, tintas com chumbo, gasolina com chumbo, meio industrial, soldas contendo chumbo, cerâmicas esmaltadas com chumbo e cosméticos e medicamentos diversos. As principais vias de exposição são a água, o ar, comida, solo e poeira.
No corpo humano o chumbo se liga às células vermelhas e é distribuído aos tecidos moles e aos ossos. Nos ossos o chumbo tem uma meia-vida longa entre 10 e 25 anos, estabelecendo um equilíbrio com a concentração sanguínea. O chumbo presente nos ossos pode também ser remobilizado durante a gravidez e lactação, criando-se novas vias de exposição fetal e para crianças em fase de amamentação.
Entre os principais efeitos do chumbo no organismo humano estão os danos ao sistema nervoso; problemas de audição e de fala; problemas de aprendizado; danos renais; problemas digestivos; anemia; aumento da pressão arterial; e problemas reprodutivos.
Fonte: MMA
in EcoDebate, 05/09/2016

Nasa Adverte Que Seca Na Amazônia Pode Ser Histórica Em 2016


podcast

Por Ariane Póvoa, da Radiogência Nacional
A seca na região amazônica pode bater recorde histórico neste ano. A conclusão é de pesquisadores da Nasa, a Agência Espacial Norte-Americana.
A estiagem de 2016 deve ser ainda mais severa do que a seca registrada na Amazônia nos anos de 2005 e 2010.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento divulgou que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou, nos últimos dois anos, chuvas abaixo do normal em quase todos os estados brasileiros, em especial na região amazônica.
O agravamento da falta de chuva é provocado pelo El Niño, fenômeno climático que causa o aquecimento das águas da superfície do Oceano Pacífico.
Com isso, a Amazônia está com menos umidade e as árvores se tornam mais vulneráveis às queimadas. Na região amazônica as precipitações da estação chuvosa verificadas no último trimestre de 2005 diminuíram cerca de 50% comparadas a média normal.
Este cenário de redução da intensidade da chuva não era registrado desde 2002.
Tocador de áudio

in EcoDebate, 05/09/2016

Operação Desmonta Esquema De Caça Ilegal E Venda De Animais No Pará

Operação encontrou 16 onças pintadas mortas, além de carcaças de outros animais e aves em gaiolas; essa foi a maior apreensão já registrada no País


Foto: Ibama
Foto: Ibama


Uma operação na cidade de Curionópolis, sudeste do Pará, desbaratou esquema de caça ilegal e venda de partes de animais silvestres. Cerca de 30 homens do 23º Batalhão da PM, Grupamento Tático Operacional (TGO) e da Policia Rodoviária encontraram numa residência diversos animais abatidos, entre eles, 16 onças pintadas, carcaças e aves em gaiolas, além de armamentos e munições. Segundo o Ibama, essa foi a maior apreensão de felinos caçados desde a criação do órgão.
Em um freezer, havia cinco cabeças de onças pintadas, cinco couros com cabeças de onça pintada e uma de onça preta, 25 patas de felinos, outras partes e carcaças de várias espécies de felinos e de um jacaré e várias espécies de aves nativas mantidas em cativeiro. Segundo a perícia, o caso está ligado a tráfico ilegal de animais silvestres.
Contudo, há prática de caça profissional na região, embora não existam estatísticas oficiais. Os órgãos ambientais e de segurança pública reconhecem que ocorre, também, abate clandestino de animais silvestres, provocado pela caça esportiva ou muitas vezes a mando de fazendeiros para defender seus rebanhos.
Para Frederico Drumond, chefe da Floresta Nacional (Flona) de Carajás, o crime extrapola a caça de subsistência e proteção de animais de fazenda. “A quantidade de animais, os cortes de pele, as carcaças, as cabeças de uma espécie ameaçada de extinção preparadas para a venda mostram que o caso é mais grave. Até porque, no caso de felinos, como a onça pintada, na maior parte do tempo são animais solitários e territorialistas e 16 onças pintadas foram abatidas em um território muito grande, e não em uma pequena área de extensão”, disse ele.
Segundo Drumond, quando um animal como a onça pintada é retirada da natureza dessa forma há um impacto muito negativo, pois é um animal que já tem população reduzida. “Embora exista a fiscalização, a proteção é insuficiente para combater as inúmeras ações de predar os recursos da floresta”, afirmou o chefe da Flona.
Este foi o maior crime contra a fauna já identificado no sudeste do Pará. Algumas áreas das unidades de conservação (UCs) da região de Carajás estão sob constante pressão populacional e rodeados fazendas e pastos, onde há remanescentes de florestas.
Fiscalização
O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, afirmou, por meio de nota, que pretende reforçar a fiscalização de crimes de tráfico de animais. “O perigo de extinção da onça pintada aponta, de forma dramática, para a necessidade urgente de aumentarmos, em quantidade e qualidade, a proteção de nossa biodiversidade. O Ministério do Meio Ambiente entende que essa proteção passa, necessariamente, pelo fortalecimento da estrutura de fiscalização do Ibama e do ICMbio”, disse.
De acordo com a Polícia Militar, as buscas foram deflagradas depois que foram encontrados armas ilegais dentro do veículo de um dos suspeitos em uma revista, o que levou a buscas no local dos abates.
Três pessoas foram presas em flagrante. A suspeita é de que elas integram uma quadrilha especializada em tráfico de animais. Duas delas pagaram fiança e foram liberadas na segunda-feira (29). Apenas uma continua presa. Foram apreendidas ainda armas e munições e aplicadas multas que, somadas, chegam a 594 mil. As penas por tráfico de animais variam de seis meses a um ano de prisão e pagamento de multa.
O material de fauna apreendido ficou sob custódia do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e foi periciado pelo Centro de Perícia Científica Renato Chaves, na terça-feira (30). Em seguida, será preservado e liberado para aproveitamento científico em pesquisas e análises genéticas que podem contribuir para o conhecimento de populações de onças no Brasil e para educação ambiental. O Ibama, que conta com um serviço de inteligência, continua à frente das investigações para identificação e punição de outros envolvidos.
Fonte: Portal Brasil, com informações do ICMBio
in EcoDebate, 05/09/2016

Acusado De Maior Abate De Felinos Já Registrado Pelo Ibama É Preso E Multado No Pará



Onças são apreendidas em operação do Ibama - Divulgação/Ibama
Onças são apreendidas em operação do Ibama. Foto: Divulgação/Ibama

Após ter sido preso em flagrante por crimes ambientais e posse ilegal de armas, o caçador Júlio César da Silva foi multado em R$ 494 mil pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). As buscas de policiais militares e agentes ambientais resultaram na maior quantidade de grandes felinos já encontrada em uma operação, de acordo com o órgão.
Júlio César da Silva e mais duas pessoas foram presas no último dia 26 em Curionópolis (PA), que fica na Amazônia Legal, durante uma investigação que apurava a posse ilegal de armas. O acusado armazenava cabeças, crânios, couros e patas de onças, jaguatirica e um jacaré, e mantinha sob cativeiro sete aves silvestres, que levaram à aplicação da multa.
Os agentes ambientais suspeitam de que o crime esteja relacionado ao tráfico de fauna, mas a polícia também investiga outras atividades irregulares, já que nas residências localizadas atrás de uma serralheria foram encontrados materiais ilegais, como 50 espingardas e munições.
Júlio César da Silva foi autuado por ter cometido as infrações de matar, mutilar e manter animais silvestres em depósito. De acordo com o Ibama, pelo menos 20 animais foram abatidos: “16 onças (Panthera onca), duas suçuaranas (Puma concolor), uma jaguatirica (Leopardus pardalis) e um jacaré (Caimam sp.)”.
Nos próximos dias, exames genéticos serão feitos nos corpos dos animais para determinar as espécies e, após a perícia, a destinação final das apreensões será definida.
Por Paulo Victor Chagas, da Agência Brasil, in EcoDebate, 05/09/2016