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sexta-feira, 3 de junho de 2016

IBGE divulga Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2015

Estudo reúne 63 indicadores com o objetivo de traçar um panorama do país, em quatro dimensões: ambiental, social, econômica e institucional. 

Entre 2004 e 2011, as emissões de gás carbônico (CO2), um dos principais gases de efeito estufa, caíram 84,4% no setor de mudança do uso da terra e florestas. Isso ocorreu em consequência da queda do desflorestamento na Amazônia, que mostrou tendência de queda entre 2005 e 2013, atingindo o nível mais baixo em 2012 (4.571 km²).
No período de 2008 a 2013, o ano de 2013 apresentou o menor número de queimadas e incêndios, com 115.184 focos, enquanto em 2010, o ano com o maior valor, haviam sido 249.274 focos. Os incêndios se concentram em algumas regiões, sendo que a mais extensa e recorrente corresponde ao denominado Arco do Desflorestamento, que abrange o sul e o leste da Amazônia Legal.
Já a intensidade do uso de agrotóxicos mais que dobrou entre 2000 e 2012. Em 2002, ano de menor uso da série, a comercialização do produto era de 2,7 kg por hectare, enquanto em 2012 foi de 6,9 kg/ha. Os produtos considerados perigosos (medianamente) foram os mais representativosids-2015-ibge no período entre 2009 e 2012, respondendo por 64,1% dos itens comercializados em 2012.
A energia renovável perdeu participação na matriz energética brasileira, registrando, em 2012, sua menor participação em uma década (42,4%). Por outro lado, a participação de petróleo e derivados, fontes não renováveis de energia, aumentou de 36,7% para 39,2% entre 2008 e 2012.
É o que revelam alguns dos resultados da 6ª edição dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) Brasil 2015, que reúne 63 indicadores com o objetivo de traçar um panorama do país, em quatro dimensões: ambiental, social, econômica e institucional. Entre as fontes de pesquisa utilizadas para a construção dos indicadores estão a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), Produto Interno Bruto (PIB), Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) e Projeção da População do Brasil, todos do IBGE. O estudo também utiliza dados de ministérios, secretarias estaduais e municipais, Ibama, DataSUS, Iphan, Unesco e outras instituições.
Esta edição dá continuidade à série, iniciada em 2002, atualizando os indicadores já publicados e disponibilizando novas informações, além da introdução de novos dados, reafirmando o objetivo de disponibilizar um sistema de informações para o acompanhamento da sustentabilidade do padrão de desenvolvimento do país.
O estudo traz, pela primeira vez, informações sobre a diversidade cultural e ambiental brasileira, por meio do indicador de Patrimônio Cultural brasileiro, formado por 11 bens culturais e oito naturais, todos reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco).
A publicação completa pode ser acessada pelo link:  www.ibge.gov.br/home/geociencias/recursosnaturais/ids/default_2015.shtm.
Para download do arquivo PDF, clique aqui.
Dimensão Ambiental: emissões de gás carbônico diminuem 84,4% entre 2004 e 2010
Com 19 indicadores, a dimensão ambiental do IDS aborda temas ligados à emissão de gases de efeito estufa, poluição do ar e das águas, uso de agrotóxicos, queimadas, desflorestamento, além de informações sobe saneamento básico, entre outros.
Em relação à emissão de gases de efeito estufa, houve uma queda de 84,4% das emissões de dióxido de carbono (CO2) no setor de mudança do uso da terra e floresta, (de 1.579.660 Gg para 246.245 Gg) entre 2004 e 2010. Isso ocorreu em função da redução do desflorestamento na Amazônia, que chegou ao seu menor valor em 2012 (4.571 km² de desflorestamento).
O ano de 2013 apresentou o menor número de queimadas e incêndios desde 2008, com 115.184 focos, enquanto em 2010, o ano com o maior valor, foram 249.274 focos. A espacialização dos focos de calor evidencia a sua concentração em algumas regiões do país, sendo que a mais extensa e recorrente corresponde ao denominado Arco do Desflorestamento, que abrange o sul e o leste da Amazônia Legal. Nesta região, as queimadas, associadas ao desflorestamento, são responsáveis pela destruição de grandes áreas florestais. Pará (20.542), Mato Grosso (17.768) e Maranhão (16.189) são os estados com os maiores números de focos de calor em 2013.
As terras indígenas (TIs) e unidades de conservação (UCs) também sofrem queimadas, embora em menor intensidade. Em 2013, os focos de calor destas áreas corresponderam a 14,9% do total do país. No mesmo ano, registrou-se a mesma tendência observada para o Brasil, com redução do número de focos de calor em relação a 2012 (30.956 para 17.137).
A análise segundo os biomas também mostra valores oscilantes, sendo que entre 2012 e 2013 ocorreu uma redução do número de focos de calor em todos os biomas. A Amazônia registrou a maior ocorrência de focos em todos os anos analisados (48.929 em 2013), seguido pelo Cerrado, com 42.622 focos de calor em 2013. Os demais biomas somados (Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa) corresponderam a 20,0% do total de focos de calor em 2013. A Mata Atlântica vem apresentando decréscimo contínuo desde 2011, mas ainda é o bioma mais desflorestado (85,5% de sua área original até 2012).
Desflorestamento na Amazônia Legal desacelerou de 27,8 mil km² em 2004 para 5,8 mil km² em 2013
De 1997 a 2004, o desflorestamento bruto anual na Amazônia Legal teve crescimento continuado, atingindo seu maior nível em 2004 (27.772 km²). De 2005 até 2013, a tendência foi de queda, chegando ao nível mais baixo em 2012 (4.571 km²).
Quanto ao desflorestamento bruto acumulado de 1997 a 2013, a análise das duas metades desse período de 16 anos mostra uma desaceleração: entre 1997 e 2004, a área desmatada foi de 159.078 km², enquanto de 2005 a 2013 foram desmatados 89.158 km².
Entre os biomas extra-amazônicos, o Cerrado teve 49,0% de sua área desmatada até 2010, enquanto na Caatinga, até 2009, a perda foi de 46,0%. O Pampa, único bioma restrito a uma única unidade da federação, ocupa 63,0% do Rio Grande do Sul e teve 54,0% da sua cobertura vegetal desmatada até 2009. Já o Pantanal teve 15,0% de sua área desmatada.
Brasil tem 1,5 milhão de km² de áreas protegidas
Em 2013, o país possuía 1.783 unidades de conservação (UCs), terrestres e marinhas, com cerca de 1,5 milhão de km², superando as áreas somadas de Portugal, França e Alemanha. Houve forte crescimento da área total das UCs: em 1992 elas representavam 5,4% do território nacional e, em 2013, 17,3%.
As unidades da federação com as maiores proporções dos seus territórios em áreas protegidas eram o Distrito Federal (93,5%), Amapá (62,8%), Acre (32,3%) e Pará (32,2%). Juntos, Amazonas e Pará concentravam 9,4% das áreas protegidas do país.
A Amazônia detém a maior área protegida (26,1%, das quais 16,3% são de uso sustentável e 9,4% de proteção integral), além de possuir também as maiores UCs em extensão, que ocupam uma área total de 1.093.604 km². O Pampa e o Pantanal são os biomas com as menores proporções dos seus territórios protegidos em UCs (2,7% e 4,6%, respectivamente). A Mata Atlântica, o Cerrado e a Amazônia possuem os maiores números de UCs (964, 362 e 313, respectivamente).
Brasil tem 627 espécies ameaçadas, a maioria da Mata Atlântica
Há 627 espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção, metade delas na categoria vulnerável. Os grupos que apresentam maior número de espécies ameaçadas são as aves (160), os peixes de água doce (142) e os insetos (96 espécies).
Entre os biomas, a Mata Atlântica tem o maior número de espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção (275 e 269, respectivamente), com o Cerrado (131 espécies da flora) e a Amazônia (118 espécies da fauna) a seguir.
A maioria das espécies da flora ameaçadas encontra-se no Sudeste e no Sul. De um total de 4.617 espécies, 45,9% foram classificadas como ameaçadas, nas categorias Vulnerável (VU), Em Perigo (EN) ou Criticamente em Perigo (CR).
Ozônio é o principal poluente do ar em áreas urbanas
A emissão de ozônio (O3) é um dos pontos críticos para a poluição atmosférica, pois é de difícil controle, sendo gerado na baixa atmosfera por reações oriundas da queima de combustíveis fósseis. O aumento da frota de veículos dificulta o controle das concentrações do O3, além de aumentar a emissão direta dos outros poluentes atmosféricos. Na cidade de São Paulo, por exemplo, dentre os poluentes estudados, é o que apresenta os maiores números de violações do padrão primário (576 em 2012). Em Belo Horizonte também é o poluente mais crítico em termos de número de violações (65 em 2011).
Uso de agrotóxicos mais que dobra em dez anos
Os valores de comercialização de agrotóxicos e afins por área plantada registram aumento contínuo a partir de 2009, alcançando 6,9 kg/ha em 2012. Isto representa um acréscimo de 4,2 kg/ha num período de dez anos, tendo em vista que em 2002 o valor foi de 2,7 kg/ha.
Quanto à análise por classes de periculosidade ambiental, as classes III (produto perigoso) e II (produto muito perigoso) foram as mais representativas no período 2009-2012, tendo participado com 64,1% e 27,7%, respectivamente, do total dos agrotóxicos comercializados em 2012. A classe IV (produto pouco perigoso) apresentou crescimento contínuo no período analisado. Em 2012, as classes de agrotóxicos mais comercializadas foram os herbicidas (62,6%), seguidos pelos inseticidas (12,6%) e fungicidas (7,8%).
A região Sudeste apresentou a maior comercialização de agrotóxicos por unidade de área (8,8 kg/ha), seguida pela região Centro-Oeste (6,6 kg/ha). Entre as unidades da federação, os maiores valores foram verificados em São Paulo (10,5 kg/ha), Goiás (7,9 kg/ha) e Minas Gerais (6,8 kg/ha), e os menores ocorreram no Amazonas e Ceará, com menos de 0,5 kg/ha.
Poluição e esgoto não tratado prejudicam qualidade das águas interiores
De 2001 a 2003, o percentual de esgoto tratado no Brasil era inferior a 60,0%. Em 2009, essa taxa chega a 68,4%. A parir de 2010, houve um declínio, possivelmente associado ao maior número de municípios amostrados, que eram 1.739 em 2009 e passaram a 1.948 em 2010. Em 2011, a taxa recuou para 67,9%. Assim, de 2001 a 2011, houve um incremento de aproximadamente 1,6 bilhão de m³ (ou 15,4%) no volume de esgoto tratado.
A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e o Índice de Qualidade da Água (IQA) são indicadores da qualidade da água em trechos de rios e represas. A DBO mede a quantidade de oxigênio necessária para degradar a matéria orgânica na água. Quanto maior o seu valor, pior é a qualidade da água. Já o IQA utiliza nove parâmetros (temperatura, pH, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio, coliformes termotolerantes, nitrogênio total, fósforo total, resíduo total e turbidez) e varia de 0 a 100. Quanto maior o valor, melhor a qualidade da água.
Entre os 367 pontos de monitoramento no país, 73,0% tinham DBO média dentro dos padrões do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), entre 0 e 5 mg/l. Mas o baixo percentual de tratamento dos esgotos lançados em corpos de água se reflete no alto valor de DBO e baixo IQA em trechos dos rios que cortam áreas urbanas ou industrializadas, como o Alto Tietê/Zona Metropolitana de São Paulo (inclusive a represa Billings) e o Iguaçu/Zona Metropolitana (Paraná).
Outros importantes corpos d’água mostraram valores médios anuais de DBO abaixo do limite, como rio Paraíba do Sul (no trecho que abastece a região metropolitana do Rio de Janeiro) e os rios Caí, Gravataí e Sinos (formadores do Lago Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre).
Dimensão social: mesmo com tendência de redução, doenças relacionadas ao saneamento inadequado ainda persistem
Os dados do IDS 2015 apontaram avanços na maior parte dos 21 indicadores da dimensão social, que avaliam a satisfação das necessidades humanas, melhoria da qualidade de vida e justiça social. Os indicadores se relacionam a temas como demografia, emprego, saúde, educação e violência.
Mesmo apresentando tendência de declínio, o número de internações por doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado (DRSAI) ainda é elevado. Em 2013, ocorreram 202,6 casos por 100 mil habitantes, uma redução de 37,8% na comparação com 2000 (326,1 por 100 mil habitantes). As diferenças regionais são marcantes: enquanto na região Norte, 396,1 pessoas foram internadas para cada 100 mil habitantes, no Sudeste esse número chegou a 78,3, em 2013. Em relação aos estados, alguns atingiram valores superiores a 500 (Maranhão, Piauí e Pará), enquanto em São Paulo foram 55,5 internações por 100 mil habitantes, o menor valor do país.
Desde a segunda metade da década de 1990, as coberturas de vacinas como sarampo, tríplice bacteriana e poliomielite, que antes apresentavam oscilações, passaram a um movimento de rápida ascensão, alcançando a totalidade da população alvo ou chegando próximo a isso. A BCG, desde o início do período analisado, foi uma vacina de grande amplitude, partindo de 90% e apresentando, desde 1995, cobertura plena (100%).
A década de 2000 apresentou mudanças no esquema vacinal, com a tríplice bacteriana sendo substituída pela tetravalente em 2002 e a vacina contra sarampo sendo incorporada à tríplice viral a partir de 2003. Desde sua implantação, esta última vacina tem apresentado constância na cobertura plena, enquanto a tetravalente tem mostrado certa oscilação, porém com taxas sempre elevadas, variando de 94% a 100%.
O aumento da proporção de crianças imunizadas contra o sarampo é um dos indicadores utilizados pela ONU para avaliar o atingimento da meta de redução da taxa de mortalidade infantil.
Dimensão econômica: energia não renovável amplia sua participação na matriz energética brasileira
Além de informações sobre energia e reciclagem, os 11 indicadores da dimensão econômica abordam dados relacionados ao PIB, endividamento do país e rejeitos radioativos.
O consumo final de energia per capita apresentou crescimento constante ao longo do período 2000-2012, com exceção apenas para 2009, tendo passado de 41,5 GJ/habitante em 2000 para 53,3 GJ/hab, em 2012. A população cresceu 1,2% ao ano em média, enquanto o consumo de energia exibiu um crescimento de 3,3% ao ano. A queda em 2009 (47,8 GJ/hab) possivelmente se deveu à crise mundial de 2008. O maior acesso da população aos bens de consumo essenciais e aos serviços de infraestrutura acarretou aumento do consumo de energia, o qual, por sua vez, causa impactos sobre a população e o meio ambiente.
A participação da energia não-renovável na matriz energética brasileira apresentou crescimento (de 56,1% em 2003 para 57,6% em 2012), principalmente na oferta de petróleo e derivados, que passou de 36,7% para 39,2%, entre 2008 e 2012. Os combustíveis fósseis continuam a dominar a matriz energética brasileira (57,6%), mas, analisando-se a distribuição das diferentes fontes renováveis, percebe-se que os derivados de cana-de-açúcar e carvão vegetal estão perdendo participação, em parte devido ao aumento relativo das fontes alternativas (solar, eólica, biomassa, biogás etc.). A participação destas fontes na matriz energética passou de 2,8% em 2003, para 4,1% em 2012. Já participação da lenha e do carvão vegetal caiu de 13,2% para 9,1%, entre 2004 e 2012. Embora considerados fontes renováveis, nem sempre são produzidos de forma sustentável, ou seja, a partir de florestas plantadas para tal.
Tabela 115 – Distribuição percentual da oferta interna de energia, segundo as fontes de energia
Brasil – 2003-2012
Fontes de EnergiaDistribuição percentual da oferta interna de energia (%)
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
            Total
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
Energia não-renovável
56,1
56,0
55,3
54,8
53,9
53,9
52,7
54,9
56,0
57,6
      Petróleo e derivados
40,2
39,3
38,8
37,9
37,5
36,7
37,9
37,8
38,6
39,2
      Gás natural
7,7
8,9
9,4
9,6
9,3
10,3
8,8
10,2
10,2
11,5
      Carvão mineral e derivados
6,4
6,3
6,0
5,7
5,7
5,5
4,6
5,4
5,7
5,4
      Urânio e derivados
1,8
1,5
1,2
1,6
1,4
1,5
1,4
1,4
1,5
1,5
Energia renovável
43,9
44,0
44,7
45,2
46,1
46,1
47,3
45,1
44,0
42,4
      Hidráulica e eletricidade (1)
14,7
14,5
14,9
14,9
14,9
14,1
15,2
14,0
14,7
13,8
      Lenha e carvão vegetal (2)
12,9
13,2
13,1
12,7
12,0
11,6
10,1
9,7
9,5
9,1
      Derivados da cana-de-açúcar
13,5
13,5
13,8
14,6
15,9
17,0
18,1
17,5
15,7
15,4
      Outras fontes primarias renováveis
2,8
2,8
2,9
3,0
3,2
3,4
3,9
3,9
4,1
4,1
Fonte: Balanço Energético Nacional 2013. Ano base 2012. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energética – EPE, 2013. Disponível em: . Acesso em: mar. 2015.
(1) Conversão de energia elétrica segundo o equivalente térmico teórico – primeiro princípio da termodinâmica (1 KWh = 860Kcal).
(2) Fontes consideradas renováveis embora nem toda a produção de lenha e carvão vegetal se dê de modo sustentável.
Reciclagem de latas alcança 97,9% da sua produção
Observa-se uma tendência de crescimento da reciclagem entre 1993 e 2012. As latas de alumínio mantiveram seu destaque, com o reaproveitamento de 97,9% em 2012. Em 2011, por exemplo, o Índice de Reciclagem de alumínio (não apenas latas) para o Brasil foi de 98,3%, superior ao do Japão (92,6%), Argentina (91,7%) e Estados Unidos (65,1%), conforme apresentado pelo Compromisso Empresarial para Reciclagem. Isto se deve a vários fatores, como a existência de mercado de reciclagem em todas as regiões do país, a facilidade para coletar, transportar e vender, a sua disponibilidade durante todo o ano e o alto valor de mercado da sucata de alumínio.
Aproximadamente 59,0% das embalagens pós-consumo de PET foram recicladas em 2012. Para as embalagens longa vida, também conhecidas como cartonadas ou tetrapak, de reciclagem mais recente, os valores são mais baixos, tendo alcançado 29,0% em 2012, em razão da necessidade de separar os materiais componentes (papel, alumínio, plástico), fator que dificulta a reciclagem desse tipo de embalagem.
Dimensão institucional: Unesco reconhece 11 bens culturais e oito naturais no Brasil
A dimensão institucional, com 12 indicadores, aborda temas como acordos multilaterais internacionais, legislação, serviços de tecnologia e patrimônio cultural.
O país tem, hoje, 11 bens culturais e oito bens naturais considerados patrimônio mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação (Unesco). Entre 1980 e 1987, o Brasil obteve o reconhecimento de seis deles, a maioria cidades históricas. Foi necessário o dobro do tempo (1987-2012) para outros cinco bens culturais serem considerados de importância mundial. O mais antigo é o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto (MG), de 1980, e os mais recentes são o Centro Histórico da Cidade de Goiás (GO) e a Praça de São Francisco, em São Cristóvão (SE), aprovados em 2010, e paisagens cariocas entre a montanha e o mar (RJ), aprovado em 2012.
Quanto aos bens naturais, o primeiro reconhecimento foi em 1986, o do Parque Nacional do Iguaçu (no Paraná). Em 2001, já eram oito, ano em que entraram para a lista o Parque Nacional dos Veadeiros e das Emas (GO) e o Parque Nacional de Fernando de Noronha e Atol das Rocas (PE). Com exceção da Sudeste, todas as regiões do Brasil e a maioria dos biomas, exceto o Pampa, têm pelo menos um bem natural incluído na lista.
Já a lista de bens imateriais que fazem parte do Patrimônio Mundial é integrada pelo Samba de Roda do Recôncavo Baiano (BA), Expressão Oral e Gráfica dos Wajãpi (AP), Frevo do Carnaval de Recife (PE) e Círio de Nazaré (PA). Em 2011, o Comitê destacou um bem imaterial em necessidade urgente de salvaguarda: o Yaokwa, ritual do povo Enawene Nawe (MT), entre o Cerrado e a Amazônia.
A maioria dos bens materiais está nas regiões Sudeste e Nordeste, enquanto os imateriais se distribuem mais uniformemente pelo território brasileiro, com ênfase na região Norte.
(IBGE)

Clima: Meta de recuperar floresta custa até R$ 52 bi


Investimento é para restaurar 12 milhões de hectares até 2030, conforme plano anunciado pelo Brasil para o Acordo de Paris; cumprir objetivo pode gerar até 215 mil empregos, diz Instituto Escolhas
do Observatório do Clima
Em setembro do ano passado, quando lançou a meta brasileira para o Acordo de Paris, a presidente Dilma Rousseff foi questionada por jornalistas sobre o custo de implantação de uma das medidas anunciadas no plano, restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. Dilma respondeu com a candura habitual: “Se alguém tiver esse cálculo complexo de quanto vamos gastar, me passe”. Está na mão, presidente. Cumprir a meta custará, em 14 anos, algo entre R$ 31 bilhões e R$ 52 bilhões.
Os números foram produzidos pelo Instituto Escolhas, como parte de um pacote de estudos sobre o financiamento das metas climáticas brasileiras. Eles foram divulgados nesta quinta-feira pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que encomendou as contas ao Escolhas e à Fundação Getúlio Vargas.
A meta de 12 milhões de hectares de restauração, regeneração e replantio é uma das principais medidas anunciadas pelo Brasil para cumprir a INDC (Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida), segundo a qual o Brasil se compromete a cortar 37% das emissões em 2025 e 43% em 2030 em relação a 2025. O número deriva do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, o Planaveg, e corresponde a cerca de metade do passivo florestal que precisa ser restaurado no Brasil segundo o novo Código Florestal.
Até agora, porém, não havia estimativa do custo do cumprimento dessa medida. O setor produtivo tem dito que a meta é ambiciosa demais, uma vez que os custos de recuperação de um hectare de floresta nativa podem ultrapassar facilmente os R$ 25 mil na Mata Atlântica – e o país precisa reflorestar o equivalente a uma Inglaterra.
O estudo do Escolhas, coordenado pelos físicos Shigueo Watanabe Jr. e Roberto Kishinami, buscou destrinchar esses custos considerando que a recuperação seria feita nas áreas de reserva legal, que podem ser exploradas economicamente pelos produtores rurais (extraindo madeira, por exemplo), e apenas na Amazônia e na Mata Atlântica. Também foi considerado que o plantio de espécies nativas pode ser feito em consórcio com espécies exóticas como o eucalipto, algo permitido pelo Código Florestal.
Eles testaram um modelo econômico seguindo proporções diferentes de regeneração natural, plantio direto de nativas e exóticas e o chamado “adensamento e enriquecimento”, ou o plantio seletivo de espécies nativas de interesse comercial.
A conta mais barata, de R$ 31 bilhões, considera que 60% da área a recuperar será regenerada naturalmente – algo que diminui a possibilidade de ganho econômico dos produtores. O valor mais alto surge com 40% de regeneração, 30% de plantio e 30% de adensamento.
Se R$ 52 bilhões parecem muito dinheiro, Watanabe relativiza: em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, ele lembra que o dinheiro seria investido em 14 anos e que, só neste ano, o Plano Safra – o crédito à agropecuária – deve chegar a R$ 200 bilhões.
Além disso, o cumprimento da meta criaria um novo setor na economia brasileira, o de recuperação florestal, que poderia gerar até R$ 6,4 bilhões em impostos no período e 215 mil empregos.
“A floresta recuperada será fonte, ainda, de atividades econômicas, por meio das cadeias produtivas dos seus produtos, movimentando dezenas de bilhões de dólares nas próximas décadas”, escreveram os autores. “Com isso, o Brasil, ao contribuir para o combate às mudanças climáticas globais,
tem a possibilidade de dinamizar sua economia ao mesmo tempo em que se beneficia de efeitos como
a diminuição de sua exposição a crises hídricas.”
INVERTENDO O SINAL
Outro estudo encomendado pela Coalizão Brasil e coordenado por Mario Monzoni, do Centro de Estudos de Sustentabilidade da FGV, tenta calcular os custos e os benefícios da meta mais ambiciosa da INDC: recuperar 15 milhões de pastagens degradadas até 2030, considerando que outros 15 milhões deverão ser recuperados até 2020 de acordo com o Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono).
A má notícia é que, considerando apenas as condições de crédito e de negócios atuais, a pecuária sustentável não é viável economicamente. A boa é que, se o país descobrir como financiar a atividade, o ganho no PIB em 2030 poderá ser de R$ 145 bilhões e mais de 6 milhões de ocupações seriam criadas. “O sucesso nas iniciativas de integração dos sistemas agropecuário e florestal e na recuperação de pastagens pode impulsionar o Brasil à posição de protagonista global da economia sustentável. É um tema importantíssimo na agenda de um país em que o agronegócio responde por 23% do PIB e por 40% das exportações”, conclui Annelise Vendramini, coordenadora de pesquisa em clima e finanças sustentáveis no GVCES.
“O alcance das metas indica uma inversão do sinal de carbono do setor agropecuário no período de 15 anos. O ganho ambiental pode ainda potencializar a competitividade do Brasil diante das exigências de mercados internacionais que buscam uma oferta de carne com sua pegada neutralizada”, afirma o estudo.

 
Anda
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EcoDebate - Edição 2.540 de 03/ junho / 2016

“Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Poluição de Manaus inibe a fotossíntese da floresta e reduz a formação de chuvas


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Por Peter Moon | Agência FAPESP
Artigo publicado na PNAS apresenta resultados de pesquisas realizadas no âmbito do experimento GoAmazon (Foto:Equipamento instalado em Manacapuru (sítio T3), uma das áreas onde se realiza o experimento GOAmazon/Eduardo Cesar/Pesquisa FAPESP)

Está comprovado: a poluição urbana produzida pela cidade de Manaus tem influência direta – e potencialmente prejudicial – sobre a biogeoquímica da floresta amazônica. Por onde passa, a pluma de poluição que emana da capital amazonense interfere nos mecanismos de produção de partículas de aerossóis, com consequências nos mecanismos de formação de nuvens, sua evolução e a produção de chuva. A interação da pluma urbana com as emissões naturais da floresta produz ozônio em níveis que podem ser fitotóxicos para a vegetação.
É o que mostra o artigo “Fotoquímica do isopreno sobre a Floresta Amazônica”, que acaba de ser publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Trata-se de um dos primeiros resultados da campanha científica internacional GoAmazon, um grande experimento realizada ao longo de 2014 e 2015 ao redor de Manaus, envolvendo vários projetos financiados pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês), a FAPESP e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), entre outros parceiros.
O projeto liderado por Artaxo, “GoAmazon: Interação da pluma urbana de Manaus com emissões biogênicas da Floresta Amazônica”, foi desenvolvido no âmbito do Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas da FAPESP, e utilizou, entre outros recursos, dois aviões de pesquisa com instrumentos de última geração que sobrevoaram extensivamente a Amazônia central ao longo de 2014 (Mais informações em: agencia.fapesp.br/20150/).
“O foco dos estudos foi desvendar os mecanismos de interação entre as emissões de Manaus e as da floresta”, diz Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos coordenadores do experimento GoAmazon. Com cerca de 400 trabalhos publicados e mais de 12 mil citações, Artaxo foi um dos quatro brasileiros citados no início do ano entre os pesquisadores “mais influentes” do mundo pela empresa Thomson Reuters.
Segundo Artaxo, a floresta emite naturalmente os chamados compostos orgânicos voláteis (VOCs) como parte do seu metabolismo. Uma vez na atmosfera, os VOCs interagem com outros gases e são oxidados. Esse processo tem papel fundamental na formação de nuvens e, consequentemente, da chuva que cai na região.
É neste ponto que a pluma de poluição manauara mostra a sua influência. As emissões que saem das chaminés industriais e dos escapamentos da frota de veículos formam uma pluma de poluentes na troposfera sobre Manaus. Tal pluma é continuamente transportada pelos ventos para longe da cidade, geralmente na direção oeste, formando uma mancha atmosférica que se estende por 100, 200 e até 300 quilômetros (km) de distância.
Os gases poluentes da pluma alteram as reações químicas dos VOCs na atmosfera, produzindo mais ozônio e mais partículas de aerossóis do que ocorreria naturalmente longe da presença da pluma de poluição. “O ozônio é um gás fitotóxico. Ele é tóxico para as plantas em altas concentrações”, diz Artaxo.
A concentração normal de ozônio na troposfera da Amazônia é muito baixa, de 10 a 15 partes por bilhão (ppb) no meio do dia. Por onde passa a pluma poluente de Manaus, as concentrações de ozônio quadruplicam, saltando para 40 a 50 ppb. “A maior concentração de ozônio inibe a fotossíntese, pois faz com que os estômatos não se abram para a realização da fotossíntese. Como resultado, as plantas absorvem menos carbono da atmosfera. Nessas condições, a vegetação tem a fotossíntese reduzida”, afirma Artaxo. “Uma exposição de longo prazo da vegetação a elevadas concentrações de ozônio levaria a uma redução na quantidade de biomassa da floresta que estiver sob a influência da pluma de Manaus.”
Tal redução ainda não foi verificada in loco, sublinha o físico brasileiro. “Esta aferição é muito difícil. Requer um monitoramento de longo prazo. Sabemos do efeito nocivo das altas concentrações de ozônio sobre as plantas graças aos estudos em estufas artificiais. Quando as plantas são submetidas a concentrações de ozônio de 40 a 50 ppb, a fotossíntese é reduzida. Estamos neste momento desenhando novos experimentos que vão tentar quantificar qual seria o efeito da pluma de Manaus na floresta,” completa Artaxo.
Interações entre partículas
Um segundo efeito importante observado no experimento GoAmazon diz respeito às interações entre as partículas formadas pela interação dos VOCs naturais da floresta com os óxidos de nitrogênio emitidos pelos carros e indústrias. Foi observada uma produção alta de partículas como resultado da interação da poluição com as emissões da floresta.
Essas partículas afetam os mecanismos de formações de nuvens, formando gotas menores, que demoram mais para crescer e evoluir, potencialmente diminuindo a chuva para nuvens formadas a partir da interação entre a poluição com as emissões da floresta. “Ainda não temos uma quantificação precisa do efeito, só estudamos os mecanismos até o momento”, afirma Artaxo.
A compreensão de tais efeitos terá aplicação em toda a Amazônia, dado que a pluma de poluição sobre a floresta não é uma exclusividade da área urbana de Manaus. Ela existe, em menor grau, em todas as outras cidades amazônicas, como Belém, Santarém, Porto Velho e Rio Branco.
O artigo Isoprene photochemistry over the Amazon rainforest (doi: 10.1073/pnas.1524136113), assinado por Artaxo e Yingjun Liu, Joel Brito, Matthew R. Dorris, Jean C. Rivera-Rios, Roger Seco, Kelvin H. Bates, Sergio Duvoisin Jr, Frank N. Keutsch, Saewung Kim, Allen H. Goldstein, Alex B. Guenther, Antonio O. Manzi, Rodrigo A. F. Souza, Stephen R. Springston, Thomas B. Watson, Karena A. McKinney, and Scot T. Martin, publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences, está acessível no endereço:http://www.pnas.org/content/early/2016/05/10/1524136113.abstract.

in EcoDebate, 02/06/2016

Novo enfoque para uso do capital natural

Os recursos minerais da África, utilizados com inteligência, podem impulsionar seu desenvolvimento sustentável. Foto: Busani Bafana/IPS
Os recursos minerais da África, utilizados com inteligência, podem impulsionar seu desenvolvimento sustentável. Foto: Busani Bafana/IPS
por Busani Bafana, da IPS –
Bulawayo, Zimbábue, 31/5/2016 – Terminar com a falta de fundos da África para acelerar seu desenvolvimento econômico e social requer um novo enfoque para o uso de seu capital natural, afirmaram na semana passada especialistas reunidos na capital do Quênia para a segunda Assembleia da ONU sobre Meio Ambiente (Unea 2). É hora deste continente investir milhares de milhões de dólares, parte dos US$ 50 bilhões perdidos pelo fluxo ilegal de fundos, para agregar valor aos seus recursos naturais e minerais.
“O capital natural da África pode significar uma contribuição ambiental, social e econômica ao desenvolvimento sustentável e alcançar os ODS se for aproveitado de forma sustentável”, afirmou Richard Munang, especialista em mudança climática e políticas de desenvolvimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
Munang se referia aos ambiciosos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aprovados no ano passado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. Aproveitar o capital natural da África de forma sustentável implica, entre outras ações, uma sólida gestão ambiental dos recursos, redução da perda de alimentos, fim da fuga financeira ilegal e dos crimes contra a vida silvestre, explicou Munang à IPS, antes da Unea 2, o fórum de decisão de maior peso em matéria ambiental.
Realizada a cada dois anos, a Unea reuniu, entre os dias 23 e 27 deste mês, cerca de 1.700 participantes de 155 países na sede do Pnuma, em Nairóbi, a fim de adotar medidas concretas em escala internacional para fazer frente aos principais desafios ambientais. Nessa reunião também se discutiu sobre áreas estratégicas para a implantação do Acordo de Paris sobre mudança climática e para a gestão do capital natural que, segundo Munang, será um fórum de política global para a África pelo qual se mobilizará apoio e se fixará uma agenda que a ajude a concretizar suas prioridades.
A declaração da Conferência Ministerial da África sobre Meio Ambiente (Amcen) pede, em relação ao capital natural deste continente, a criação de associações e adoção de medidas em escalas nacional, regional e global para reverter a atual perda de recursos naturais. Os dados revelam que a degradação dos ecossistemas custa à África cerca de US$ 68 bilhões ao ano e que a perda de alimentos colhidos retira US$ 4 bilhões anuais do setor agrícola.
A maior perda econômica foi em Fluxos Financeiros Ilícitos (FFI), que representa perda anual de US$ 50 bilhões. Para a África, custa US$ 20 bilhões por ano combater os crimes contra a vida silvestre, a exploração madeireira, a pesca e a mineração.
“Redirecionar os fundos recuperados para a economia significará uma injeção de até US$ 150 bilhões ao ano para reinvestir em áreas de elevado custo inicial, cruciais para o desenvolvimento sustentável, como saúde e educação, que necessitam, respectivamente, de investimentos de US$ 32 bilhões e US$ 26 bilhões anuais para atingir os ODS de números 3 e 4, ou como a infraestrutura, onde são necessários US$ 83 bilhões por ano para atingir o ODS 9”, pontuou Munang.
O presidente do Grupo de Países Menos Adiantados, Tosi Mpanu-Mpanu, fala em dois cenários de desenvolvimento possíveis na África: um “verde” e outro “cinza”. Foto: Busani Bafana/IPS
O presidente do Grupo de Países Menos Adiantados, Tosi Mpanu-Mpanu, fala em dois cenários de desenvolvimento possíveis na África: um “verde” e outro “cinza”. Foto: Busani Bafana/IPS
Os chefes de Estado e de governo africanos adotaram, em maio de 2012, junto a sócios dos setores público e privado, a Declaração de Gaborone para a Sustentabilidade na África, na qual se comprometem a promover o desenvolvimento sustentável. A declaração, avalizada pela Amcen como veículo para um desenvolvimento verde.
Antes desta última Unea, o ministro de Meio Ambiente, Vida Silvestre e Turismo de Botswana, Tshekedi Khama, afirmou que as vastas reservas naturais da África poderiam impulsionar a transformação social e econômica do continente. “Mas só a exploração dos recursos não bastará para gerar uma mudança duradoura”, ressaltou.
“Com as tendências atuais de consumo e crescimento populacional, a humanidade necessitará de dois planetas Terra para se abastecer em 2030”, apontou Khama, cujo governo, junto com os de Zimbábue e República Democrática do Congo, apresentou um plano claro sobre a melhor forma de administrar o capital natural para impulsionar o desenvolvimento sustentável e erradicar a pobreza.
Segundo Khama, “é crucial o mundo se unir para aprovar a resolução, a fim de expandir e diversificar nossas economias, criar emprego, conseguir a segurança alimentar, melhorar a produtividade de nossos ecossistemas e criar uma sociedade mais inclusiva”. Os incentivos econômicos para que a África administre melhor seus recursos naturais são convincentes: só esse continente poderia economizar até US$ 103 bilhões ao ano, com os quais seria possível financiar programas de desenvolvimento, acrescentou.
Munang destacou que uma associação de sucesso entre os atores do desenvolvimento, articulados na plataforma Adaptação baseada no ecossistema para a Assembleia da Segurança Alimentar, criada pela Comissão da União Africana, ajudará o continente a superar a falta de tecnologia, fundos, capacidades e políticas ótimas, que são barreiras para mobilizar o investimento no desenvolvimento sustentável.
A África precisa lidar com a segurança alimentar e nutricional, além da pobreza energética, tudo o que se pode resolver mediante um investimento adequado e sustentado, que possa destravar as rendas derivadas do capital natural. O Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) citou a energia renovável como uma das chaves para fazer frente à mudança climática.
A África tem uma grande oportunidade de impulsionar uma mudança limpa progressiva dos combustíveis fósseis para as energias renováveis, pois conta com grande radiação solar e vento, que não emitem gases-estufa, nem contaminam a atmosfera. Mais de 620 milhões de pessoas na África não têm eletricidade, o que o ex-secretário-geral da ONU e presidente do Painel para o Progresso da África, Kofi Annan, qualificou de injustiça, porque rouba a dignidade de milhões de pessoas.
Segundo o informe do Progresso da África – Energia, Pessoas, Planeta: Aproveitar a Energia da África e As Oportunidades Climáticas –, a África subsaariana sofre uma elevada pobreza energética, com mais de 60% de sua população sem serviço elétrico e 80% sem fogões limpos. Além de sua importância para enfrentar a mudança climática, há outra razão fundamental para desenvolver os recursos renováveis na África: a demanda por energia que aumenta rapidamente.
Ao mencionar que o apoio econômico aos países africanos elevou o controle sobre a gestão de seus recursos naturais, o presidente do Grupo de Países Menos Adiantados, Tosi Mpanu-Mpanu, pontuou à IPS que esses fundos não devem ferir a autonomia local. E explicou que “a chave para garantir que os países africanos se beneficiem de seus recurso naturais, e protejam sua prosperidade e o crescimento no longo prazo, é encontrar a ligação correta entre o crescimento dos recursos naturais e o desenvolvimento sustentável”.
“Imagine dois cenários, um ‘verde’, com elevado grau de energia renovável e muito pouca contaminação pelos combustíveis fósseis, e outro ‘cinza’, com elevada exploração de recursos naturais, que impulsione um forte crescimento econômico de curto prazo”, explicou Mpanu-Mpanu. “O cenário verde pode implicar um elevado custo inicial, com grandes benefícios no longo prazo, enquanto o cinza será mais barato no começo, mas acabará arruinando o clima, nossos ambientes e nossas economias”. Envolverde/IPS