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sábado, 30 de agosto de 2014

OMS alerta que mudança climática põe em risco saúde humana

por Edgard Júnior, da Radio ONU
Pnuma3 OMS alerta que mudança climática põe em risco saúde humana
Mudança climática afeta a saúde humana. Foto: Pnuma
Afirmação foi feita pela diretora-geral da agência da ONU na conferência sobre o assunto em Genebra; Margaret Chan disse que “as soluções existem mas o mundo precisa agir de forma decisiva para mudar a trajetória”.
A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, alertou que a mudança climática põe em risco a saúde humana.
Chan afirmou que “existem soluções para o problema mas que o mundo precisa agir de forma decisiva para mudar essa trajetória”.
Estratégias Inteligentes
A declaração da chefe da OMS foi feita, esta quarta-feira, durante conferência sobre o assunto. Mais de 300 especialistas, incluindo autoridades de governos, representantes de várias agências da ONU e de ONGs participam da reunião, em Genebra.
Os especialistas disseram que os países precisam agir rapidamente e de forma assertiva para promover estratégias inteligentes para o clima.
A diretora de saúde pública da organização, Maria Neira, disse no encontro que a “boa notícia é que reduzindo os efeitos da mudança climática pode se gerar benefícios imediatos à saúde”.
Poluição do Ar
Neira explicou que o exemplo mais forte é o da poluição do ar, que em 2012 foi responsável pela morte de 7 milhões no mundo. Segundo Neira, há provas concretas de que a mitigação da mudança climática pode reduzir muito esse número.
A OMS cita que mudanças nas políticas de transporte e energia podem salvar a vida de milhões de doenças causadas pelo alto índice de poluição atmosférica.
A agência da ONU diz que as mudanças nas políticas podem reduzir também as doenças associadas à inatividade física e aos acidentes de trânsito.
Além disso, a OMS afirma que as ações adotadas para se adaptar à mudança do clima vão ajudar a salvar vidas de várias formas. Entre elas, preparando as comunidades para enfrentar o impacto do calor, de climas extremos, doenças infecciosas e insegurança alimentar.
* Publicado originalmente no site Rádio ONU.
(Rádio ONU)

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Hora de ouvir quem está com a vida sob risco

por Redação do Greenpeace
JoseClaudio 300x224 Hora de ouvir quem está com a vida sob risco
José Claudio que era castanheiro fazia campanhas contra o desmatamento ilegal da Amazônia. Foto: Greenpeace/Felipe Milanez
Exibição de filme em São Paulo e audiência pública em Brasília dão voz às vítimas de violências na Amazônia
“Será que eu vou ter que ser assassinado para que vocês acreditem e tomem providências?”, disse Josias Paulino de Castro, 54 anos, em audiência realizada no dia 5 de agosto com o ouvidor Agrário Nacional de Mato Grosso, desembargador Gercino José da Silva Filho. Apenas onze dias depois da oitiva, o líder comunitário e sua esposa, Ereni da Silva Castro, 35 anos, foram mortos em uma emboscada. Josias era presidente da Associação dos Produtores Rurais Nova União (Aspronu), do Assentamento Projeto Filinto Müller, e conhecido na região por denunciar madeireiros que atuam no estado. Ele e sua esposa são as mais recentes vítimas da violência e impunidade que imperam na Amazônia.
Uma realidade que faz com que cidadãos que buscam garantir seus direitos sobre a terra, o respeito à lei e a proteção da floresta, sofram grave risco de perder a vida. A sucessão de tragédias mostra que, por mais que alertem as autoridades, os ameaçados de morte não conseguem obter a proteção necessária. Pior: na maioria dos casos, os algozes permanecem impunes e prontos para reforçar a lei do mais forte sobre o Estado de Direito.
De acordo com um levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de 1985 a 2013 foram registradas 981 tentativas de assassinato na Amazônia Legal. Nesse mesmo período, 699 mortes foram consumadas. De todos esses crimes, apenas 35 foram julgados, condenando 20 mandantes e 27 executores. “Nesse contexto, infelizmente, assistimos perplexos os moradores da região, muitos deles verdadeiros ativistas pelo meio ambiente, sair da lista de ameaçados e entrar na de assassinados. Além de Josias, Zé Claudio e outros tantos, quantos ainda vão ter que anunciar a própria morte?”, questiona Claudia Caliari, da Campanha Amazônia do Greenpeace. Ainda segundo a CPT, este ano já foram registrados 23 assassinatos em conflitos no campo, número superior ao de casos identificados no mesmo período de 2013, que somou 21 mortes.
Para chamar a atenção da opinião pública e ampliar o debate sobre a situação de insegurança em que vivem estes trabalhadores extrativistas, além buscar soluções para o problema, a Comissão de Direitos Humanos do Senado realizará, nesta quarta-feira 3 de setembro, uma Audiência Pública com a presença de lideranças de comunidades afetadas pela exploração ilegal de madeira e a violência atrelada à atividade. O Greenpeace estará presente.
Entre os convidados estão a coordenadora da CPT, que atua em Boca do Acre (AM), Maria Darlene Braga Martins, autora de denúncias sobre irregularidades em Planos de Manejo Florestal e sobre a ação de fazendeiros e madeireiros no estado. Maria Darlene está ameaçada de morte desde 2011. Também participará da audiência Antônio Vasconcelos, liderança na Reserva Extrativista Ituxi (RESEX), localizada em Lábrea, no sul do Amazonas, ameaçado de morte desde 2001, por defender a criação e manutenção da RESEX em que vive.
Claudelice Santos, irmã caçula de José Claudio, assassinado em maio de 2011, no Pará, junto com sua esposa, Maria do Espírito Santo, é outra importante presença confirmada. Zé Claudio, assim como Josias, foi morto apenas alguns meses depois de denunciar publicamente que poderia perder a vida a qualquer momento. Desde então sua irmã Claudelice luta para que os acusados do crime sejam condenados.
Antes do evento em Brasília, neste domingo 31, Claudelice passa por São Paulo para participar de um debate aberto ao público no Museu da Imagem e do Som (MIS). O debate sucede a exibição do documentário “Toxic Amazon: uma crônica de mortes anunciadas” (VICE, 2011), com entrada gratuita, e conta também com a participação do trabalhador rural e agente pastoral da CPT, Cosme Capistano da Silva, que atua em Boca do Acre e vive sob ameaça de morte desde 2013.
RacioCine Hora de ouvir quem está com a vida sob risco
O documentário “Toxic Amazon: uma crônica de mortes anunciadas” (VICE, 2011), será exibido neste domingo, no Museu da Imagem e do Som (MIS), com entrada gratuita (MIS – Avenida Europa, 158, Jardim Europa. RacioCine – Auditório LabMIS, 18h). Após a projeção acontecerá um bate-papo, com as presenças de Claudelice Santos, irmã caçula de José Claudio, e de Cosme Capistano da Silva, agente pastoral da CPT.

* Publicado originalmente no site Greenpeace.
(Greenpeace)

Solução que capta água da atmosfera e disponibiliza para o consumo estará na Virada Sustentável 2014

por Redação do EcoD
waka water ecod Solução que capta água da atmosfera e disponibiliza para o consumo estará na Virada Sustentável 2014
Em formato de torre com base modular, o projeto é feito em bambu ou talos de juncos e tem o interior forrado com uma malha plástica. Foto: Divulgação

Um dos destaques da Virada Sustentável 2014, que começou ontem (28) e vai até 31 de agosto, é o Warka Water, um projeto inovador que capta a água da atmosfera e disponibiliza para o consumo.
Desenvolvido pelo arquiteto italiano Arturo Vittori, o sistema foi criado para ajudar comunidades que sofrem com a falta de água na Etiópia e foi apresentado pela primeira vez na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2012. A Agência TUDO foi responsável pela vinda do sistema ao Brasil e pela montagem dele no Parque Villa Lobos, em São Paulo, como parte de um conjunto de ações desenvolvidas para um dos patrocinadores do evento.
Em formato de torre com base modular, o projeto é feito em bambu ou talos de juncos e tem o interior forrado com uma malha plástica, similar aos sacos usados no transporte de frutas e legumes. A umidade presente na atmosfera condensa na tela de polietileno de alta densidade, para depois ser acumulada em água para o consumo.
100 litros/dia
O processo acontece por condensação da água do orvalho, como consequência da oscilação da alta temperatura de dia para a queda de temperatura da noite.
A estimativa é de que o Warka Water seja capaz de coletar 100 litros de água por dia quando instalado em um clima como o da Etiópia, segundo o arquiteto Arturo Vittori. Um protótipo do item já foi construído no Instituto Italiano de Cultura. A previsão é a de que ele seja instalado definitivamente no continente africano em 2015.
O sistema não requer alta tecnologia e pode ser aplicado em diversos locais, sendo uma solução acessível para a população.
* Publicado originalmente no site EcoD.
(EcoD)

Poder público poderá ser responsabilizado por dano ambiental

por Simone Franco, da Agência Senado
shutterstockdesmatamento Poder público poderá ser responsabilizado por dano ambiental
Foto: Reprodução/ ttp://www.shutterstock.com/
O poder público poderá ser responsabilizado pela degradação ambiental decorrente de sua ação ou omissão. Proposta de emenda à Constituição (PEC 36/2012) de iniciativa do senador Delcídio Amaral (PT-MS) determina a compensação por meio da criação de fundos específicos para financiar programas de recuperação do meio ambiente. A matéria está pronta para ser votada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
Apesar de avaliar a PEC 36/2012 como “meritória”, o relator, senador Luiz Henrique (PMDB-SC), decidiu alterar seu texto original para deixar claro que esse dever de proteção do meio ambiente é competência compartilhada entre União, estados, Distrito Federal e municípios.
A partir deste entendimento, apresentou emenda estabelecendo que cada ente federativo deverá criar um fundo próprio para cobrir danos ambientais sob sua responsabilidade.
“Sempre que o poder público der causa a degradação ambiental, impõe-se a obrigação de reparar o dano, por meio de programas de recuperação, financiados por fundos próprios. A preservação do meio ambiente é uma questão de grande impacto para a sociedade, que diz respeito ao bem-estar de todas as pessoas”, argumentou Luiz Henrique.
Por sua vez, Delcídio observou que existem inúmeros exemplos de responsabilidade do poder público em desastres ambientais. E creditou isso, especialmente, à omissão dos entes federados em regular a exploração econômica de certas áreas.
Depois de passar pela CCJ, a PEC 36/2012 segue para dois turnos de discussão e votação no Plenário do Senado.
* Publicado originalmente no site Agência Senado.
(Agência Senado)

MANAUS, a cidade onde onde o pedestre não tem vez !

por Regina Rocha, do Mobilize Brasil
transito foto jucara menezes Manaus: a cidade onde o pedestre não tem vez
Manaus, capital onde mais falta sinalização para pessoas. Foto: Juçara Menezes/Portal Amazônia

Último lugar entre as 13 capitais avaliadas pela campanha Sinalize! (nota 0,7), capital do AM pode receber R$ 200 milhões para melhorar mobilidade e sinalização urbanas.
Capital que recebeu a pior avaliação no levantamento Sinalize!, do Mobilize Brasil, Manaus teve uma boa notícia no último dia 20: é que foi aprovado pela Câmara Municipal um projeto de lei que permite destinar mais de R$ 200 milhões à mobilidade urbana da cidade. Agora, só falta o prefeito (Arthur Neto, do PSDB) sancionar a medida.
Pelo projeto, o poder executivo poderá pedir empréstimo ao Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) para a execução de um programa de implementação de alternativas tecnológicas de transporte urbano, como o BRT (Bus Rapid Transit) ou o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), entre outras em estudo. Nada confirmado ainda, mas o anúncio sinaliza ao menos uma retomada de intenções, já que Manaus não conseguiu realizar nenhum dos projetos de mobilidade previstos para a Copa de 2014.
Ranking de 13 capitais
Manaus precisa melhorar bastante seu transporte público e também a sinalização para os que caminham ou pedalam na cidade. É o que mostrou a campanha Sinalize! que durante dois meses verificou a sinalização para usuários do transporte público, pedestres e ciclistas, e gerou o ranking das 13 capitais mais avaliadas. A capital amazonense ficou em último lugar, com nota 0,7, numa escala de 0 a 10.
O trabalho foi realizado por voluntários e avaliou 25 cidades, com destaque para as capitais, que obtiveram a seguinte colocação no ranking nacional: Curitiba (5,4); Rio de Janeiro (4,6); Porto Alegre (4,2); São Paulo (3,8); Belo Horizonte (3,6); Recife (3,3); Brasília (2,5); Natal (2,5); Salvador (2,1); Cuiabá (1,9); Maceió (1,6); Fortaleza (1,3); Manaus (0,7).
Na área de transporte público, foram verificados itens como se havia informações disponíveis nos pontos e sinalização no interior dos ônibus, na maioria sistemas de ônibus ou corredores inteligentes de ônibus (BRTs), mas também metrôs, trens urbanos e até barcas, no caso do Rio de Janeiro.
Em relação à sinalização para pedestres, os avaliadores procuraram verificar a existência de faixas de travessia, placas de advertência, semáforos específicos para os pedestres e placas indicativas para orientação de quem opta por transitar a pé pelas cidades.
Sinalização de Manaus é quase inexistente
A colaboradora Cecília Maria Xavier Pereira realizou na capital manauara nada menos que 50 avaliações para o Sinalize! Ela visitou diferentes regiões da cidade e pode observar o descaso do poder público para com pedestres, ciclistas e passageiros de ônibus. Por isso, a nota mais conferida por Cecília foi zero.
Depois de presenciar a falta total de infraestrutura de informação e segurança às pessoas nos pontos, terminais de ônibus em importantes vias da capital, como as avenidas Brasil e Presidente Kennedy, muitas vezes repetiu o mesmo comentário: “Nenhum ponto ao longo da avenida tem qualquer sinalização e em nenhum dos coletivos que por aqui circulam há informações sobre paradas, conexões, horários ou mapas”.
Situação igualmente ruim para quem pedala em Manaus. No caso da movimentada avenida Brasil, o local é passagem de muitos ciclistas, “tanto os que vão para treinar ou a passeio, como também trabalhadores, que utilizam a bicicleta como meio de transporte”. Pois em toda a extensão da via, a avaliadora não viu placas, sinalização de solo ou semáforos de pedestres. Resultado: nota zero, mais uma vez.
Também a sinalização para pedestres é precária. Cecília percorreu, por exemplo, a recém-reformada ponte sobre o igarapé da Cachoeira Grande, na zona oeste da capital amazonense. No local, próximo a escola e creche, “só existe passagem para pedestres do lado direito da ponte, o que obriga quem tiver que cruzá-la a atravessar a avenida São Jorge, que a esta altura não tem faixa de pedestre”, diz ela.
A faixa fica mau posicionada, depois da ponte, completa: “Está bem pintada, mas foi implantada no final de uma descida onde os veículos normalmente vêm em alta velocidade e não respeitam a passagem do pedestre”, desabafa. Já há relatos de atropelamentos, relata a moça, e “é frequente ver crianças e idosos tendo que atravessar a rua fora da faixa, para acessar a passagem de pedestre da ponte”.
Abaixo, separadas por modos, as avaliações da capital do AM:
quadro Manaus: a cidade onde o pedestre não tem vez
Resultados gerais do Sinalize!
O ranking atual foi baseado em 372 avaliações em (123 de ciclistas, 128 de pedestres e 121 do transporte coletivo) em 25 cidades, mas o objetivo da campanha Sinalize! é ampliar essa amostragem com a participação de voluntários de outras localidades.
Confira os resultados e formulários para avaliação, disponíveis no site da campanha Sinalize!
* Publicado originalmente no site Mobilize Brasil.
(Mobilize Brasil)

“Wildleaks”: Conservacionistas criam plataforma on-line para combater caça ilegal

por Redação do EcoD
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Em 2013, cerca de 20 mil elefantes foram mortos na África, número maior do que os de nascimentos desses animais. Foto: Arno Meintjes

Uma espécie de WikiLeaks para o meio ambiente, assim pode ser definida a plataforma de denúncias Wildleaks, recém criada por um grupo de conservacionistas com o objetivo de combater à caça ilegal.
Os caçadores ilegais, que devastam populações de rinocerontes e elefantes na África, são muitas vezes protegidos da polícia por suas conexões com o poder. Enquanto guardas florestais encaram criminosos armados, o projeto on-line quer mirar os maiores traficantes de chifres de rinocerontes e presas de elefantes, que lucram milhões de dólares com sua atividade.
Segundo o conservacionista Andrea Crosta, um dos criadores da iniciativa, a plataforma recebe todo tipo de denúncia. Diretor executivo da Elephant Action League, baseada na Califórnia, o pesquisador tem 25 anos de experiência em projetos de conservação e pesquisa, e 15 anos de treino em segurança de alto nível e gerenciamento de riscos.
Uma das denúncias, por exemplo, envolve um homem muito poderoso no Quênia ligado ao governo, e que está por trás do comércio de marfim. Há denúncias de caça a tigres no norte de Sumatra, de contrabando de macacos, em particular chimpanzés, na África Central, atividades madeireiras ilegais no México, Malawi e Rússia, pesca ilegal na costa do Alasca.
Opções
Uma vez verificada a confiabilidade da informação, a organização tem três opções, diz Crosta.
Pode iniciar uma investigação com seus próprios recursos em colaboração com seus parceiros, partilhar a denúncia com outros grupos ou com agências de execução da lei.
“Esta parece ser uma nova abordagem para a questão das gangues criminosas”, afirmou ao jornal alemão Deutsche Welle Richard Thomas, da Traffic, o principal grupo mundial de monitoramento do comércio de vida selvagem. “Pode se provar útil com o tempo.”
Otimistas
Representantes do Grupo de Conservação do Instituto Max Plank de Antropologia Evolucionária também se mostram otimistas em relação à plataforma, da qual são parceiros.
“Acho uma ideia verdadeiramente inteligente”, ressalta Mimi Arandjelovic, membro da iniciativa. Mas um dos problemas do projeto é que, para ter sucesso, precisa se tornar conhecido, admite Crosta.
Em 2013, cerca de 20 mil elefantes foram mortos na África, número maior do que os de nascimentos desses animais, enquanto que 1.004 rinocerontes foram abatidos na África do Sul, na razão de três por dia – afirmou a secretária americana do Interior, Sally Jewell.
- Conheça a plataforma Wildleaks -
* Publicado originalmente no site EcoD.
(EcoD)

Diversidade genética em áreas restauradas de Mata Atlântica surpreende pesquisadores

por Karina Toledo, da Agência Fapesp
diversidadebiologica Diversidade genética em áreas restauradas de Mata Atlântica surpreende pesquisadores
Parâmetros encontrados são semelhantes aos de remanescentes florestais. Análise teve como foco quatro espécies de plantas com potencial fitoterápico. Foto: divulgação/APTA
Agência Fapesp – Ao comparar a diversidade genética vegetal de três remanescentes florestais de Mata Atlântica com a de duas áreas em processo de restauração, todas no interior de São Paulo, pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) não observaram diferença significativa na maioria dos parâmetros analisados.
Apenas em termos de riqueza alélica (número de alelos diferentes para uma mesma região do genoma) e de riqueza de alelos privados (exclusivos de uma determinada população) as porcentagens encontradas nas áreas nativas foram maiores em relação às reflorestadas.
A análise, realizada com apoio da FAPESP, foi centrada em quatro espécies com potencial fitoterápico: araribá (Centrolobium tomentuosum, anti-inflamatório e anti-leishimania), cabreúva (Myroxylon peruiferum, antibiótica e analgésica), guaçatonga (Casearia sylvestris, anticancerígena) e pau-jacaré (Piptadenia gonoacantha, antioxidante).
Os dados foram apresentados pela pesquisadora Maria Imaculada Zucchi, da APTA, durante a 7ª Reunião de Avaliação do Programa BIOTA-FAPESP, realizada em São Paulo no dia 7 de agosto.
“A diversidade genética está diretamente relacionada com a longevidade de uma população e com a sua capacidade de evoluir em resposta a mudanças ambientais. No entanto, há algumas décadas, os projetos de restauração foram implantados com alta diversidade interespecífica [muitas espécies diferentes], mas pouca ou nenhuma atenção foi dada à diversidade intraespecífica [sementes oriundas de poucas matrizes de cada espécie]. Por esse motivo o resultado do estudo nos surpreendeu”, disse Zucchi.
O uso de sementes coletadas de um pequeno número de matrizes, explicou a pesquisadora, pode restringir a base genética nas áreas de restauração florestal, resultando em uma população constituída de plantas aparentadas.
“Inicialmente, não se observa nenhum problema. Contudo, ao chegar à fase reprodutiva, haverá grande número de cruzamentos entre indivíduos aparentados, causando a endogamia e podendo aumentar a frequência de alelos deletérios ou letais nessas populações, levando-as à diminuição ou ao declínio”, explicou Zucchi.
Outra consequência da utilização de plantas com base genética restrita em áreas de reflorestamento é o chamado “efeito fundador”, ou seja, o estabelecimento de uma nova população formada por um pequeno número de genótipos.
Para verificar se áreas reflorestadas de São Paulo estavam sofrendo com esse fenômeno, os cientistas da APTA e alunos do programa de Pós-graduação em Genética e Biologia Molecular do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) coletaram amostras das quatro espécies fitoterápicas na região de Cosmópolis, em processo de restauração há 54 anos, e em Iracemápolis, em restauração há 24 anos.
Também foram feitas coletas nos remanescentes da Estação Ecológica de Caetetus, ligada ao Instituto Florestal e situada na região de Gália; na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Tietê (UPD-Tietê), da APTA; e na Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Mata de Santa Genebra, no município de Campinas.
Ao todo, foram coletadas 414 amostras de araribá, 182 de cabreúva, 546 de guaçatonga e 394 de pau-jacaré. Desse total, foram selecionadas 20 matrizes produtoras de sementes de cada espécie com o intuito de estudar a taxa de cruzamento. O passo seguinte foi fazer a extração de DNA das amostras, a genotipagem – por um método semelhante ao usado nos testes de paternidade humanos – e o cálculo das frequências dos diferentes alelos encontrados.
De acordo com Zucchi, não houve diferença significativa entre as áreas estudadas na maioria dos parâmetros de diversidade genética – que leva em conta vários fatores populacionais como, por exemplo, o número de indivíduos heterozigotos encontrados.
Uma diferença pequena foi encontrada nas porcentagens de riqueza alélica. No caso da guaçatonga, os números foram 64% nas áreas naturais e 36% nas áreas restauradas. Para a cabreúva, as porcentagens foram de 54% e 46%, respectivamente. Para o araribá, foram 52% e 48% e, para o pau-jacaré, 56% e 44%.
Os pesquisadores também compararam os valores dos chamados alelos privados – aqueles que são exclusivos da população estudada. Nesse caso ficou mais evidente a discrepância entre áreas sendo que, para a guaçatonga, as porcentagens foram 92% nos remanescentes em relação a 8% nas áreas restauradas. No caso da cabreúva, as porcentagens foram 74% e 26%, respectivamente. Para o araribá foram 70% e 30% e, para o pau-jacaré, 68% e 32%.
Uma possível explicação para a pouca variação nos parâmetros de diversidade genética seria a ocorrência de fluxo de genes de remanescentes para as áreas reflorestadas próximas – processo que, segundo Zucchi, ficou evidente ao analisar os dados da cabreúva.
“Os indivíduos jovens das áreas restauradas possuíam alelos que não eram comuns aos indivíduos adultos da mesma área, mas eram semelhantes aos alelos encontrados em adultos de remanescentes florestais próximos, sugerindo a ocorrência de fluxo gênico da área natural para a restaurada”, comentou a pesquisadora.
O estudo da taxa de cruzamento mostrou que as espécies estudadas apresentam sistema misto de cruzamento, ou seja, podem tanto se autofecundar (autogamia) quanto cruzar com outros indivíduos da mesma espécie (alogamia). A exceção foi o araribá, que apresentou tendência à alogamia.
“Ao elaborar um projeto de conservação, uma das primeiras coisas a serem estudadas é a taxa de cruzamento, para entender como as espécies se reproduzem. Isso é importante, por exemplo, para calcular quantas matrizes diferentes serão utilizadas em uma determinada área a fim de garantir a diversidade genética necessária”, explicou Zucchi.
Genômica populacional
Nas últimas décadas, segundo Zucchi, a restauração florestal deixou de constituir o simples plantio de árvores para recobrir uma área desmatada, transformando-se na ciência que visa a reconstruir interações ecológicas complexas em comunidades vegetais degradadas pelas ações antrópicas.
Em artigo publicado no Journal od Biotechnology and Biodiversity, pesquisadores da APTA e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) discutem como os conceitos de genética de populações podem contribuir para tornar as políticas de restauração ainda mais eficientes.
“Indicadores de diversidade genética de populações, associados a outras ferramentas de conservação, são importantes para que consigamos implantar áreas reflorestadas com os níveis mínimos de riqueza alélica e de diversidade genética, que auxiliarão a conexão de remanescentes naturais, restaurando os processos ecológicos e garantindo ecossistemas funcionais, biologicamente viáveis e perpetuados no tempo”, opinou Zucchi.
* Publicado originalmente no site Agência Fapesp.
(Agência Fapesp)