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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Brasil ganha Reserva Extrativista do Cassurubá


Governo federal oficializa, no Dia Mundial do Meio Ambiente, nova Unidade de Conservação que beneficia cerca de 1.000 famílias de pescadores e marisqueiros nos manguezais de Abrolhos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja a Caravelas (BA) hoje (05/06) para a criação da Reserva Extrativista (Resex) do Cassurubá, nos manguezais da região de Abrolhos. O presidente deve pousar na região com sua comitiva e seguirá para a cidade de Caravelas, localizada no sul da Bahia, onde assinará o decreto de criação da Resex. O ato público acontecerá na comunidade pesqueira de Ponta de Areia às 11 horas e será parte das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia, que se celebra em 05 de junho.

A nova unidade de conservação (UC) abrange uma área de 100.687 hectares de estuários, restingas, mangues e ambientes marinhos entre as cidades de Caravelas e Nova Viçosa (BA), beneficiando cerca de 1.000 famílias de pescadores e marisqueiros que dependem dos recursos naturais da região. Além disso, a reserva contribuirá para a proteção dos principais ambientes costeiros do Banco dos Abrolhos, onde estão 95% dos manguezais da região, considerados berçários de várias espécies de importância ecológica e econômica.

Demanda comunitária - A idéia da Resex surgiu a partir de solicitações de marisqueiros, extrativistas e pescadores preocupados com a ação de catadores de caranguejo vindos de outras regiões, com a especulação imobiliária, dentre outras ameaças aos ecossistemas que garantem o sustento das famílias locais. Um dos principais desafios da comunidade foi lutar contra a proposta de implantação na região do maior projeto de carcinicultura do país, da Cooperativa de Criadores de Camarão do Extremo Sul da Bahia – Coopex, empreendimento considerado incompatível com a conservação da área e que gerou muitos conflitos na região. Outros possíveis conflitos com os setores de óleo e gás e de celulose foram minimizados, através de ajustes nos limites da reserva.

“A decisão do governo de criar a Resex de Cassurubá merece ser parabenizada, pois consagra uma luta das comunidades locais, ONGs e representantes do governo, em um processo de grande participação popular, em que todas as consultas públicas foram cumpridas”, observa Renato Cunha, coordenador do Grupo Ambientalista da Bahia – GAMBÁ.

Atraso de mais de um ano - O decreto da Reserva do Cassurubá será publicado com um ano e meio de atraso, após três anúncios oficiais. O primeiro anúncio da criação da Resex foi feito em dezembro de 2007, junto com outras quatro UCs. Das UCs anunciadas, apenas Cassurubá não teve o seu decreto publicado em 21 de dezembro daquele ano.

Em maio de 2008 ocorreu o segundo anúncio: durante passagem pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) na Alemanha, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, mencionou a Reserva como uma das que seriam criadas no Dia Mundial do Meio Ambiente. No dia 05 de junho, o Presidente Lula assinou os decretos de criação de três unidades de conservação na Amazônia, e mais uma vez ficou faltando a Resex de Cassurubá.

Em novembro, durante a abertura da Semana da Mata Atlântica, realizada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Minc afirmou que a Reserva Extrativista seria criada até o início de dezembro. Este terceiro anúncio foi noticiado pelo ICMBio, na página do Ministério e também pelos veículos de imprensa que acompanharam o evento.

A demora e a sucessão de anúncios não-concretizados causaram estranheza, frustração e indignação em ambientalistas e nas comunidades locais, que há mais de três anos pleiteiam a criação da Reserva. “Mas agora que a Resex passa a existir na prática, temos é que comemorar” – afirma Seu José (Zequinha) Ferreira, que integra o movimento de pescadores em Caravelas. “A criação da Resex vai por uma ordem no nosso lugar de pesca, pois não tem muito peixe com tanta gente vindo de outro lugar colocar as redes de pesca. A Resex vai garantir a nossa tradição, o acesso na nossa forma de ganhar dinheiro e pensar no futuro de nossos filhos”, defende Seu Zequinha.

De acordo com a Lei 9.985/00, as Reservas Extrativistas (Resex) são unidades de conservação de uso sustentável, categoria que tem como objetivo harmonizar a exploração dos recursos naturais renováveis e o bem-estar sócio-cultural das comunidades locais com a conservação da biodiversidade. Ronaldo Oliveira, analista ambiental do ICMBio, alerta que a criação formal da Resex é apenas um passo para alcançar esses objetivos: “A necessidade de organização comunitária agora se amplia, pois cabe à população tradicional participar ativamente da gestão da unidade. Somente com união e pressão sobre o estado brasileiro serão conquistados direitos que garantirão a sustentabilidade socioambiental da região”.

Interesse econômico e social - Guilherme Dutra, biólogo e diretor do Programa Marinho da Conservação Internacional (CI-Brasil), explica que somada à importância para a conservação da biodiversidade do Banco dos Abrolhos, o estuário do Cassurubá apresenta grande interesse econômico e social: “Abrolhos é a região mais piscosa da Bahia e grande parte das espécies de interesse para a pesca completa uma porção de seu ciclo de vida no estuário do Cassurubá”, afirma.

Segundo o professor Mário Soares, do Núcleo de Estudos em Manguezais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, as restingas da região são um importante manancial de água doce para o manguezal e para o estuário. “Diferentemente de outros estuários onde a água doce é proveniente de grandes rios, no Cassurubá esta fonte é o lençol freático, fundamental para o ecossistema e a vida das comunidades ribeirinhas".

Espécies - Na área da Resex dá-se a extração do caranguejo-uçá (Ucides cordatus), do guaiamum (Cardisoma guaiumi), do siri (Callinectes spp.), do aratu (Goniopsis cruentata) e vários moluscos. Três espécies de tartarugas-marinhas - Chelonia mydas (tartaruga-verde), Eretmochelys imbricata (tartaruga-de-pente), e Caretta caretta (tartaruga-cabeçuda) - também são frequentemente encontradas na área da Resex Cassurubá (predominantemente na zona marítima, mas eventualmente também encontradas dentro do estuário). A UC ajudará a proteger também várias espécies de crustáceos e peixes marinhos ameaçadas de extinção, tais como o camarão-rosa (Farfantepenaeus brasiliensis; F. paulensis; F. subtilis), o camarão-sete-barbas (Xiphopenaeus kroyeri), o mero (Epinephelus itajara), e a cioba (Lutjanus analis).

Outras UCs – Outras unidades de conservação também devem ser anunciadas amanhã, dentre as quais a expansão do Parque Nacional do Pau Brasil e as Resex Renascer (PA) e Prainha do Canto Verde (CE).
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FONTE : (Envolverde/Conservação Internacional)
© Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

Dia Internacional do Meio Ambiente


Nesta sexta-feira, 5 de junho, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente. A data cataliza a atenção e a ação política de povos e países para aumentar a conscientização e a preservação ambiental, focando nos seguintes objetivos:
- Mostrar o lado humano das questões ambientais;
- Capacitar as pessoas a se tornarem agentes ativos do desenvolvimento sustentável;
- Promover a compreensão de que é fundamental que comunidades e indivíduos mudem atitudes em relação ao uso dos recursos e das questões ambientais;
- Advogar parcerias para garantir que todas as nações e povos desfrutem de um futuro mais seguro e mais próspero.

Com o tema “Seu planeta precisa de você: Unidos contra as mudanças climáticas”, o ano de 2009 tem o México como sede mundial das comemorações, o que reflete o engajamento dos países da América Latina e do Caribe na luta contra as mudanças climáticas e na transição para uma sociedade de baixo carbono. O México é um dos países que mais contribuíram com a campanha “7 Bilhões de Árvores”, desenvolvida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Para parte das comemorações, o Pnuma preparou o hotsite Dia Mundial do Meio Ambiente (http://www.ipc-undp.org/dmma/), com dicas e informações de como cada um de nós pode colaborar para um meio ambiente mais saudável, garantindo assim uma melhor qualidade de vida.

Vandana Shiva, militante eco-feminista da Índia !


FOTO : Vandana Shiva
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Senhora Shiva, por que essa é uma questão global?
- A Amazônia não é só uma floresta. Não é só do Brasil. É, antes de tudo, o maior depósito de biodiversidade do mundo, a contribuição mais importante para a estabilidade climática e hidrogeológica que restou na terra. Por isso, é uma questão mundial. E posso dizer, por ter visto com os meus próprios olhos, que a destruição que está ocorrendo ali e a luta ímpar dos índios contra as empresas que querem madeira e matérias-primas e a quem não importa nada deles é uma questão global, e como tal deve ser tratada. Pelos governos em primeiro lugar.

O que deveriam fazer?
- Deveriam, sobretudo, se esquecer da palavra lucro quando se fala sobre essa área do mundo. Os únicos investimentos na Amazônia deveriam ser dirigidos para se garantir a sua sobrevivência e proteção. Só isso deveria ser considerado um ganho, em termos de estabilidade. O que eu espero concretamente é a formação de uma aliança global entre os países em nome da conservação da Amazônia.

O G8 que ocorrerá em algumas semanas na Itália tem a proteção do meio ambiente e as mudanças climáticas entre os pontos principais da sua agenda. A senhora acredita que o discurso sobre a Amazônia pode ser enfrentado ali?
- Francamente, não espero muito do G8. Espero muito mais do G20, a cúpula ampliada à qual tomam parte os países chamados emergentes e, nesse caso, o Brasil. É essa a sede para se estimular uma mudança. O que aconteceu desde setembro do ano passado até hoje – a crise dos mercados, o estouro da bolha dos empréstimos, a crise financeira global – deveria nos ensinar alguma coisa. Que o modelo de desenvolvimento cego, que destrói tudo ao seu redor, que aponta só ao lucro, não funciona. Não funciona mais. Porém, esse é o modelo de desenvolvimento que está destruindo a Amazônia. Para olhar para o futuro, devemos pensar em um modelo diferente, iluminado, eu o definiria. Onde a ideia de futuro e a de desenvolvimento convivam.

Nesse modelo, que papel tem os consumidores finais? Como a senhora sabe, o Greenpeace os chama em causa diretamente, colocando no patíbulo marcas que estão entre as mais conhecidas do mundo…
- Os consumidores podem muito. A primeira coisa a fazer é estabelecer uma moratória internacional sobre qualquer bem que esteja ligado de qualquer modo à destruição da Amazônia. Isso cabe aos governos, mas depois os consumidores também devem ir a campo. Pensemos no que ocorreu com a gripe suína no México: tomados pelo pânico, os consumidores impuseram aos supermercados de todo o mundo que não vendessem mais carne que chegava do México. As exportações entraram em queda em poucos dias. Ou pensemos no movimento que se desenvolveu em muitos países da Europa contra os transgênicos: os protestos impuseram às cadeias de distribuição que fossem “OGM free”, pelo menos em parte. Ora, o mesmo pode ser feito para a Amazônia: os consumidores podem fazer pressões sobre os negócios para que não vendam produtos que não seja “Amazon free”, que venda só aqueles que respeitam a Amazônia, que não se derivam das suas matérias-primas. E depois deveriam pedir que consumissem só carne local: desse modo, as importações do Brasil entrariam em queda.- Tudo isso criaria um dano grave à economia do país: e não podemos esquecer que falamos de um Estado em que boa parte da população ainda vive na pobreza…- A maior parte dos cultivos e das criações na Amazônia é ilegal. Quem ganha com essa economia são os que comercializam de modo ilegal, não o país.

Falemos das populações indígenas: como a senhora sabe, muitos defendem que a proximidade com a “civilização” é um bem para eles. Qual é a sua opinião?
Eu não estou de acordo. Se olharmos para o futuro e para aquilo que nos ajuda a ir para frente, entenderemos que o elemento fundamental é uma relação balanceada com a terra. Um sistema de conhecimento e de vida que não seja baseado na exploração, mas na harmonia. Nessa matéria, os índios têm muito a nos ensinar. Certamente não são primitivos. Primitivos me parecem ser antes aqueles que querem caçá-los.
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FONTE : Francesca Caferri (Entrevista publicada no jornal La Repubblica, 01-06-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto. Divulgada pelo IHU-Unisinos]

Nota pública contra o desmonte da política ambiental brasileira


As organizações da sociedade civil abaixo assinadas vêm a público manifestar, durante a semana do meio ambiente, sua extrema preocupação com os rumos da política socioambiental brasileira e afirmar, com pesar, que esta não é uma ocasião para se comemorar. É sim momento de repúdio à tentativa de desmonte do arcabouço legal e administrativo de proteção ao meio ambiente arduamente construído pela sociedade nas últimas décadas. Recentes medidas dos poderes Executivo e Legislativo, já aprovadas ou em processo de aprovação, demonstram claramente que a lógica do crescimento econômico a qualquer custo vem solapando o compromisso político de se construir um modelo de desenvolvimento socialmente justo, ambientalmente adequado e economicamente sustentável.

1. Já em novembro de 2008 o Governo Federal cedeu pela primeira vez à pressão do lobby da insustentabilidade ao modificar o decreto que exigia o cumprimento da legislação florestal (Decreto 6514/08) menos de cinco meses após sua edição.

2. Pouco mais de um mês depois, revogou uma legislação da década de 1990 que protegia as cavernas brasileiras para colocar em seu lugar um decreto que põe em risco a maior parte de nosso patrimônio espeleológico. A justificativa foi que a proteção das cavernas, que são bens públicos, vinha impedindo o desenvolvimento de atividades econômicas como mineração e hidrelétricas.

3. Com a chegada da crise econômica mundial, ao mesmo tempo em que contingenciava grande parte do já decadente orçamento do Ministério do Meio Ambiente (hoje menor do que 1% do orçamento federal), o governo baixava impostos para a produção de veículos automotores. Fazia isso sem qualquer exigência de melhora nos padrões de consumo de combustível ou apoio equivalente ao desenvolvimento do transporte público, indo na contramão da história e contradizendo o anúncio feito meses antes de que nosso País adotaria um plano nacional de redução de emissões de gases de efeito estufa.

4. Em fevereiro deste ano uma das medidas mais graves veio à tona: a MP 458 que, a título de regularizar as posses de pequenos agricultores ocupantes de terras públicas federais na Amazônia, abriu a possibilidade de se legalizar a situação de uma grande quantidade de grileiros, incentivando, assim, o assalto ao patrimônio público, a concentração fundiária e o avanço do desmatamento ilegal. Ontem (03/06) a MP 458 foi aprovada pelo Senado Federal.

5. Enquanto essa medida era discutida – e piorada – na Câmara dos Deputados, uma outra MP (452) trouxe, de contrabando, uma regra que acaba com o licenciamento ambiental para ampliação ou revitalização de rodovias, destruindo um dos principais instrumentos da política ambiental brasileira e feita sob medida para se possibilitar abrir a BR 319 no coração da floresta amazônica, com motivos por motivos político-eleitorais. Essa MP caiu por decurso de prazo, mas a intenção por trás dela é a mesma que guia a crescente politização dos licenciamentos ambientais de grandes obras a cargo do Ibama, cuja diretoria reiteradamente vem desconhecendo os pareceres técnicos que recomendam a não concessão de licenças para determinados empreendimentos.

6. Diante desse clima de desmonte da legislação ambiental, a bancada ruralista do Congresso Nacional, com o apoio explícito do Ministro da Agricultura, se animou a propor a revogação tácita do Código Florestal, pressionando pela diminuição da reserva legal na Amazônia e pela anistia a todas as ocupações ilegais em áreas de preservação permanente. Essa movimentação já gerou o seu primeiro produto: a aprovação do chamado Código Ambiental de Santa Catarina, que diminui a proteção às florestas que preservam os rios e encostas, justamente as que, se estivessem conservadas, poderiam ter evitado parte significativa da catástrofe ocorrida no Vale do Itajaí no final do ano passado.

7. A última medida aprovada nesse sentido foi o Decreto 6848, que, ao estipular um teto para a compensação ambiental de grandes empreendimentos, contraria decisão do Supremo Tribunal Federal, que vincula o pagamento ao grau dos impactos ambientais, e rasga um dos pontos principais da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, assinada pelo País em 1992, e que determina que aquele que causa a degradação deve ser responsável, integralmente, pelos custos sociais dela derivados (princípio do poluidor-pagador). Agora, independentemente do prejuízo imposto à sociedade, o empreendedor não terá que desembolsar mais do que 0,5% do valor da obra, o que desincentiva a adoção de tecnologias mais limpas, porém mais caras.

8. Não fosse pouco, há um ano não são criadas unidades de conservação, e várias propostas de criação, apesar de prontas e justificadas na sua importância ecológica e social, se encontram paralisadas na Casa Civil por supostamente interferirem em futuras obras de infra-estrutura, como é o caso das RESEX Renascer (PA), Montanha-Mangabal (PA), do Baixo Rio Branco-Jauaperi (RR/AM), do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi (PR) e do Refúgio de Vida Silvestre do Rio Pelotas (SC/RS).

Diante de tudo isso, e de outras propostas em gestação, não podemos ficar calados, e muito menos comemorar. Esse conjunto de medidas, se não for revertido, jogará por terra os tênues esforços dos últimos anos para tirar o País do caminho da insustentabilidade e da dilapidação dos recursos naturais em prol de um crescimento econômico ilusório e imediatista, que não considera a necessidade de se manter as bases para que ele possa efetivamente gerar bem-estar e se perpetuar no tempo.

Queremos andar para frente, e não para trás. Há um conjunto de iniciativas importantes, que poderiam efetivamente introduzir a variável ambiental em nosso modelo de desenvolvimento, mas que não recebem a devida prioridade política, seja por parte do Executivo ou do Legislativo federal. Há anos aguarda votação pela Câmara dos Deputados o projeto do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE) Verde, que premia financeiramente os estados que possuam unidades de conservação ou terras indígenas. Nessa mesma fila estão dezenas de outros projetos, como o que institui a possibilidade de incentivo fiscal a projetos ambientais, o que cria o marco legal para as fontes de energia alternativa, o que cria um sistema de pagamento por serviços ambientais, dentre tantos que poderiam fazer a diferença, mas que ficam obscurecidos entre uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e outra. E enquanto o BNDES ainda tem em sua carteira preferencial os tradicionais projetos de grande impacto ambiental, os pequenos projetos sustentáveis não têm a mesma facilidade e os bancos públicos não conseguem implementar sequer uma linha de crédito facilitada para recuperação ambiental em imóveis rurais.

Nesse dia 5 de junho, dia do meio ambiente, convocamos todos os cidadãos brasileiros a refletirem sobre as opções que estão sendo tomadas por nossas autoridades nesse momento, e para se manifestarem veementemente contra o retrocesso na política ambiental e a favor de um desenvolvimento justo e responsável.

Brasil, 04 de junho de 2009.

Assinam:
Amigos da Terra / Amazônia Brasileira
Associação Movimento Ecológico Carijós – AMECA
Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida – APREMAVI
Conservação Internacional Brasil
Fundação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional – FASE
Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento –
FBOMS
Fórum das ONGs Ambientalistas do Distrito Federal e Entorno
Greenpeace
Grupo Ambiental da Bahia – GAMBA
Grupo Pau Campeche
Grupo de Trabalho Amazônico – GTA
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – IMAZON
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM
Instituto Socioambiental – ISA
Instituto Terra Azul
Mater Natura
Movimento de Olho na Justiça – MOJUS
Rede de ONGs da Mata Atlântica
Sociedade Brasileira de Espeleologia
Via Campesina Brasil
WWF Brasil

quinta-feira, 4 de junho de 2009

"TEORIA DA BOLHA" -

"Imagine que uma bolha gigante envolva toda a cidade e o Estado onde você mora. Agora imagine que essa bolha é criada a partir da mente de todos os moradores desse lugar, sendo que nessa comunidade, em alguns pontos específicos, a maioria compartilha da mesma visão sobre a vida - a partir da qual interpretam tudo que acontece no mundo. Quem é criado dentro dessa bolha, automaticamente, desenvolve idéias, sentimentos e noções a respeito da vida, do ponto de vista comum aos que vivem dentro da bolha. É uma interpretaçao ilusória da realidade (porque é o mundo visto de dentro da bolha), mas parece verdade absoluta para seus habitantes. Essa "Teoria da Bolha" é do estudante gaúcho Lucas Kafruni, no seu primeiro ano na Inglaterra, em email para os amigos brasileiros. Ele está descrevendo sua própria experiência, é claro, saindo da "bolha" do sul do Brasil e vivenciando a "bolha" de Londres, de Cambridge. E não está dizendo nada de novo, que cada um de nós já não tenha percebido, de algum jeito. (Meus amigos de Taquari, por exemplo, me contaram que o Oceano Atlântico foi formado por uma enchente do rio Taquari). Mas o interessante na metáfora da bolha é que a imagem que ela cria torna mais "didática" a compreensão do quanto somos influenciáveis pelo meio, de que pertencemos a uma determinada cultura e que em outras partes desse mundo - e do universo - existem modos muito diferentes de interpretar a realidade. Lucas também pediu aos amigos que lhe indicassem livros. (Um "choque cultural" ajuda a repensar nossa interpretação do mundo). Ao fazer minha lista de sugestões pensei em outra bolha, a "Bolha do Tempo", que envolve todo planeta nessa Era da chamada "globalização". Que livros podem ajudar a compreender essa "bolha globalizada", desses tempos em que estamos vivendo ? George Orwell, em "1984" (de onde vem o termo "Big Brother") fez um retrato simbólico da sociedade atual e do futuro. Assim como Aldous Huxley, em "Admirável Mundo Novo", e Machado de Assis em "O Alienista". Outras formas profundas de refletir sobre nossos problemas estão em "O Homem à Procura de Si Mesmo", de Rollo May, e em "Sobre o Poder Pessoal", de Carl Rogers. Cada livro destes mereceria um comentário sobre o que nos mostram, quanto ao comportamento das pessoas no mundo de hoje. Mas hoje só lembramos de citá-los, aqui, como exemplos de leituras capazes de "ampliar" a bolha em que vivemos, aumentando nossa capacidade de reflexão. De onde vem a expressão de que a leitura (como uma viagem) é capaz de ampliar horizontes."
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AUTOR : Montserrat Martins, psiquiatra (meu amigo e conterrâneo; publica uma seção semanal, chamada "COMPORTAMENTO")

segunda-feira, 1 de junho de 2009

21 TEXTOS ECOLÓGICOS PARA REFLETIR


Neste início do século 21, em que a Humanidade enfrenta o esgotamento acelerado dos recursos naturais do planeta num ritmo sem precedentes na História, 21 autores de renomado prestígio nos meios em que atuam foram desafiados a explicar de forma clara e objetiva como a questão ambiental se insere nas suas respectivas áreas de conhecimento.

O surpreendente resultado está no livro Meio Ambiente no Século 21, coordenado pelo jornalista André Trigueiro, com prefácio da Ministra Marina Silva e um glossário com verbetes que traduzem o "ecologês" para o grande público.

Depois de 17 mil exemplares vendidos, saiu a quarta edição do livro "Meio Ambiente no século 21", pela Editora Autores Associados. 21 autores de renomado prestígio nos meios em que atuam, foram desafiados a explicar de forma clara e objetiva como a questão ambiental se insere em suas respectivas áreas de conhecimento.

"Meio ambiente é uma daquelas expressões que, embora bastante conhecidas, não costumam ser definidas com clareza. Neste caso a clareza não é mero preciosismo. Em se tratando de um assunto que vem conquistando cada vez mais espaço e prestígio no mundo moderno, é urgente que todos possamos perceber a ordem de grandeza em que se situa hoje a questão ambiental e, talvez surpreendidos, nos darmos conta de como isso nos alcança de forma profunda, visceral.

Um erro bastante comum é confundir meio ambiente com fauna e flora, como se fossem sinônimos. É grave também a constatação de que a maioria dos brasileiros não se percebe como parte do meio ambiente, normalmente entendido como algo de fora, que não nos inclui. A expansão da consciência ambiental se dá na exata proporção em que percebemos meio ambiente como algo que começa dentro de cada um de nós, alcançando tudo o que nos cerca e as relações que estabelecemos com o universo. Trata-se de um assunto tão rico e vasto que suas ramificações atingem de forma transversal todas as áreas do conhecimento.

A pretensão do livro Meio ambiente no século 21 é oferecer as ferramentas necessárias para que pessoas de diferentes faixas etárias, níveis de instrução e de interesse sobre o assunto possam ampliar a sua consciência ambiental e a sua participação cidadã. Neste início do século 21, em que a Humanidade enfrenta o esgotamento acelerado dos recursos naturais do planeta num ritmo sem precedentes na História, reunimos 21 textos inéditos de autores que foram desafiados a explicar de forma clara e objetiva como a questão ambiental se insere nas suas respectivas áreas de conhecimento e nos meios em que atuam. Os textos constituem um todo articulado em função do objetivo central do livro, mas não foram concebidos a partir de uma mesma forma de apresentação. Cada um deles traz uma feição própria, refletindo a maneira como cada autor escolheu abordar o tema que lhe foi atribuído. E, apesar de comporem um mosaico, os 21 textos são autônomos, o que permite que sua leitura se faça sem a obrigatoriedade de uma seriação.

Os capítulos são assinados por Fritjof Capra, Leonardo Boff, Gilberto Gil, Samyra Crespo, André Trigueiro, Sérgio Besserman, Rubens Harry Born, Fernando Almeida, Fábio Feldmann, Ibsen de Gusmão Câmara, José Goldemberg,
Eduardo Viola, José Eli da Veiga, Alfredo Sirkis, Carlos Minc, Moacyr Duarte, José Carlos Carvalho, Fernando Gabeira, Renato Nalini, Aspásia Camargo e Washington Novaes.

A reincidência de temas em capítulos diferentes pode ser uma das pistas para se entender o caráter multidisciplinar e transversal dos assuntos ambientais. Neste caleidoscópio de idéias e visões de mundo, é interessante observar um outro aspecto presente nos textos de todos os autores: o convite à reflexão sobre os rumos do desenvolvimento e a necessidade de se buscar com coragem e determinação um novo modelo de civilização.

O livro é, portanto, propositivo. Ao mesmo tempo em que denuncia e alerta, sinaliza com clareza os caminhos para que possamos alcançar a utopia da sustentabilidade num mundo complexo e dinâmico. É importante ressaltar que os textos reúnem um precioso estoque de informações que embasam diagnósticos invariavelmente preocupantes, mas vai-se além. É flagrante o envolvimento espiritual dos autores com os temas, a forma muitas vezes contundente com que enfrentam as questões propostas em cada capítulo e a coerência de suas trajetórias: a contribuição no campo das idéias encontra respaldo na realidade concreta das atitudes que marcam suas biografias.

Atitude que se manifesta também na cessão dos direitos autorais deste livro: todos os autores indicaram uma organização não-governamental ou projeto ligado à área da sustentabilidade para receber a parte que lhes caberia na venda do livro. Dentre os nomes apontados, o Instituto Socioambiental (www.socioambiental.org) foi o que recebeu o maior número de indicações, e a ele serão encaminhados os pagamentos referentes aos direitos autorais desta edição.

É óbvio que os 21 temas reunidos neste livro não encerram em si o universo da transversalidade, mas todos os capítulos abordam questões estratégicas, recorrentes nos grandes debates da atualidade e de valor inestimável na compreensão dos problemas que pautam a agenda da humanidade neste início de milênio.

Esse entendimento mais amplo do que seja meio ambiente nos revela um universo apaixonante onde tudo está conectado, cada pequena parte constitui o todo e o conhecimento não é estanque. A percepção dessa visão ambiental mais abrangente nos insere num movimento virtuoso de construção da cidadania no seu sentido superlativo: a cidadania ecológica planetária, tão necessária e bem-vinda no século 21."