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terça-feira, 21 de junho de 2016
Degelo não desliga corrente do Golfo – ainda

Nova York coberta de gelo devido ao desligamento da circulação meridional do Atlântico Norte, em cena do filme “O Dia Depois de Amanhã”. Foto: Reprodução
Derretimento da Groenlândia não é capaz de induzir o desligamento da corrente oceânica que leva calor ao hemisfério Norte, dizem cientistas; mas é questão de tempo até que isso ocorra.
Por Claudio Angelo, do OC –
Uma boa notícia no front climático, para variar: um grupo de cientistas afirmou nesta segunda-feira que ainda não é possível detectar sinais da mão do homem num dos efeitos potencialmente mais catastróficos do aquecimento global – o resfriamento global.
Os pesquisadores dizem que o degelo da Groenlândia das últimas décadas ainda não foi capaz de lançar água doce o bastante sobre o Atlântico Norte para enfraquecer um sistema de correntes marinhas responsável por transportar calor dos trópicos para a Europa. No entanto, um dos grupos alerta que isso é uma questão de tempo: a persistirem as taxas atuais de degelo, antes do meio do século essa circulação oceânica poderá ser impactada.
O desligamento da chamada esteira oceânica tem tirado o sono dos climatologistas desde a década de 1980, quando foi teorizado pelo americano Wallace Broecker, da Universidade Columbia. Segundo essa hipótese, um derretimento acelerado das geleiras do Ártico poderia diluir as águas do Atlântico Norte, reduzindo sua salinidade.
Hoje, a corrente quente e altamente salina que vem do equador afunda no oceano na altura do Canadá devido à diferença de densidade causada pelo sal e retorna aos trópicos na forma de uma corrente submarina fria. No caminho, dissipa calor o suficiente na atmosfera para permitir que a Europa tenha temperaturas amenas, apesar da latitude elevada.
No passado, porém, sabe-se que pulsos súbitos de água doce causaram o desligamento dessa corrente, mergulhando o hemisfério Norte em pequenas eras glaciais durante séculos.
Essa hipótese serviu de argumento para o filme-catástrofe O Dia Depois de Amanhã (2004), no qual o desligamento da esteira oceânica mata bilhões de pessoas de frio e obriga os moradores dos EUA a se refugiar no México (uma cena à qual mais de um latino-americano deve ter assistido com alguma Schadenfreude). Nos últimos anos, alguns cientistas têm teorizado que um processo parecido possa estar em curso.
Em 2015, por exemplo, um grupo liderado por Stefan Rahmstorf, do Instituto de Pesquisa de Impactos Climáticos de Potsdam (Alemanha), publicou um estudo apontando que, de 1970 em diante, a esteira oceânica começou a enfraquecer e, neste século, desde 2004, está em sua menor potência dos últimos mil anos. Um indício de que a culpa poderia estar no degelo da Groenlândia seria uma mancha de água fria a sul da ilha, praticamente o único lugar da Terra onde as temperaturas médias têm batido recordes de resfriamento nos últimos anos. A região é bem o local para onde circula a água resultante do derretimento do manto de gelo groenlandês.
Mas talvez não seja esse o caso, afirma o também alemão Claus Böning, do Centro Helmholtz de Pesquisa Oceanográfica, em Kiel. Num estudo publicado nesta segunda-feira na edição on-line da revista Nature Geoscience, ele e mais quatro colegas da Alemanha e do Reino Unido postulam que simplesmente não há água de degelo suficiente para produzir um declínio perceptível na força da esteira oceânica.
Os pesquisadores usaram um modelo climático que simula em computador o comportamento do degelo e o acúmulo de água doce da Groenlândia no mar do Labrador, onde a corrente quente afunda em sua “volta olímpica” rumo aos trópicos. Para alimentar o modelo, eles usaram um registro de temperaturas do ar no Ártico desde a década de 1940, os registros históricos de degelo. Também lançaram mão de um experimento curioso – no qual despejaram vários quilos de corante rosa sobre geleiras em derretimento na Groenlândia para ver aonde ia parar a água do derretimento.
O modelo também reconstituiu um episódio natural de redução da salinidade da corrente que aconteceu em 1970, que causou um enfraquecimento da esteira oceânica. Pelas contas de Böning e colegas, naquela época o aporte de água doce (vinda principalmente do gelo marinho) foi de 1.700 quilômetros cúbicos, o equivalente a 89 vezes o volume do lago de Itaipu. Hoje, a água aportada pelo degelo groenlandês equivale a metade desse volume.
Dois outros estudos publicados na mesma edição da Nature Geoscience sugerem que o enfraquecimento da esteira oceânica é periódico e natural – ocorre mais ou menos a cada década, mas só recentemente é que os cientistas juntaram um volume de medições grande o suficiente para perceber isso. A redução observada a partir de 2004 na força da corrente de circulação não seria extraordinária, e sim parte dessa oscilação decadal.
No entanto, Böning diz que não há motivo para respirarmos aliviados. Mantido o atual ritmo de degelo – a tendência, na verdade, é que ele acelere, à medida que o planeta esquenta –, já em 2040 haverá água doce suficiente para impactar a esteira oceânica e causar problemas no hemisfério Norte. Pior ainda, dizem os cientistas, a pancada tende a vir sem aviso prévio.
“O aumento na quantidade de água doce nas águas de superfície do Atlântico Norte subpolar, que está em curso e talvez em aceleração, pode começar a afetar a formação de águas profundas (…) antes que sinais claros de tendências nas propriedades hidrográficas sejam identificáveis”, escrevem os cientistas.(Observatório do Clima/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.
Quase 3 milhões de hectares de floresta podem ficar sem proteção

© Foto: Arquivo WWF
Deputados do Amazonas querem revogar quase 3 milhões de hectares de áreas protegidas no estado.
Por Redação do WWF Brasil –
Cinco unidades de conservação federais no estado do Amazonas criadas pela presidente afastada Dilma Rousseff dias antes do início do processo de impeachment correm o risco de serem anuladas. O território corresponde a 2,83 milhões de hectares – equivalente ao estado de Alagoas.
O pedido foi formalizado ontem à noite à Casa Civil da Presidência da República por parlamentares federais e estaduais do Amazonas para atender à reivindicação de entidades ligadas ao setor rural no estado, que se diz prejudicado com a criação das áreas protegidas. Elas estão localizadas nos municípios de Apuí, Novo Aripuanã, Borba, Manicoré e Maués.
Os decretos da presidente Dilma foram publicados no Diário Oficial da União nos dias 11 e 12 de maio deste ano, antes do seu afastamento. No dia 13, ela foi afastada. Assim que assumiu interinamente o cargo, o presidente em exercício, Michel Temer prometeu rever os atos de sua antecessora.
Estão na mira a Área de Proteção Ambiental (APA) Campos de Manicoré, a Reserva Biológica (Rebio) Manicoré, o Parque Nacional (Parna) do Acari e as Florestas Nacionais (Flona) do Aripuanã e de Urupadi, além da ampliação da Flona Amana. Duas terras indígenas recém-criadas em Autazes e Careiro da Várzea também podem ser revogadas. Ao assumir a Presidência da República interinamente até a decisão final sobre o impeachment, o presidente Michel Temer prometeu rever todos os atos de Dilma Rousseff.
Estudos conssistentes
As unidades de conservação criadas no sul do Amazonas apontam para o desenvolvimento sustentável, com estudos significativos sobre potencial de manejo florestal sustentável, por comunidades de populações tradicionais e por concessões, e turismo.
Além de ser uma frente de desmatamento, trata-se de uma região de riquíssima biodiversidade, com grande número de espécies de aves (800) e mamíferos, particularmente macacos, com descobertas recentes e potencial para novas espécies, ainda não conhecidas.
Em que pesem os argumentos dos parlamentares que pedem a revogação das áreas protegidas de que os estudos que deram base técnica e legal às UCs seriam “frágeis” e “simplórios”, o processo seguiu seu curso normal, inclusive com consultas públicas nos municípios, reuniões em Manaus, oitivas aos outros órgãos federais (SPU, Incra, Funai, MME, MAPA), negociações bilaterais, passagem por crivos legais no ICMBio, no Ministério do Meio Ambiente e na Casa Civil da Presidência da República. (WWF Brasil/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site WWF Brasil.
Mesmo com a proibição constitucional, órgãos federais têm posição oposta sobre a validade de registrar processos minerários em território indígena. Atualmente, um terço dessas áreas na Amazônia Legal é cobiçado; o Pará é o campeão nacional. Leia hoje nos destaques da Envolverde a reportagem de Caco Bressane, Ciro Barros e Iuri Barcelos, da Agência Pública. Curta também nossa página no Facebook.
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Brasil lidera ranking de mortes de ambientalistas em 2015, diz a ONG Global Witnes
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O Brasil está no topo da lista dos países onde mais ativistas ambientais e da terra foram mortos em 2015, com 50 casos, segundo o levantamento Em terreno perigoso, divulgado ontem (20) pela organização não governamental Global Witness. Em todo o mundo, foram 185 ativistas assassinados no período, segundo a entidade. É o maior número de mortes por ano de ambientalistas já registrado pela entidade e representa aumento de 59% na comparação com 2014.
“Em 2015 mais de três pessoas por semana foram assassinados por defender suas terras, florestas e rios contra indústrias destrutivas”, diz a publicação.
O Brasil é seguido no ranking pelas Filipinas, com 33 assassinatos; Colômbia, com 26; Peru e Nicarágua, com 12 casos; e a República Democrática do Congo, onde 11 ativistas dessas causas foram assassinados.
De acordo com a Global Witness, as principais causas de morte dos ativistas de causas ambientais e ligadas à terra em 2015 foram o envolvimento das vítimas em conflitos contra a atividade de mineração (42 mortes), agronegócio (20), exploração madeireira, com 15 assassinatos, e projetos de energia hidrelétrica, também com 15 casos. A organização atua contra abusos de direitos humanos e ambientais na exploração de recursos naturais no mundo e estima que os números são ainda maiores, levando em conta as dificuldades para se obter informações sobre essas mortes.
Entre os assassinatos no Brasil está o do líder comunitário Antônio Isídio Pereira da Silva, encontrado morto na véspera do Natal no povoado de Vergel, no município de Codó (MA), após uma semana desaparecido. “Este líder de uma comunidade de pequenos agricultores do estado do Maranhão sofreu ameaças de morte durante anos por denunciar a exploração ilegal de madeira em suas terras. A polícia nunca investigou o assassinato dele”, denuncia a Global Witness no relatório.
Indígenas são mais vulneráveis
A vulnerabilidade dos povos indígenas em conflitos agrários, agravada por muitos casos de posse precária da terra e isolamento geográfico, recebeu destaque no documento, que aponta que cerca de 40% das vítimas de 2015 eram indígenas.
No Brasil, o relatório cita o caso do Guarani-Kaiowá Simeão Vilhalva, 24 anos, morto em 29 de agosto do ano passado no município de Antônio João, em Mato Grosso do Sul. O crime ocorreu quando um grupo de fazendeiros tentou retomar à força fazendas ocupadas por indígenas em uma área que faz parte da Terra Indígena Nhanderu Marangatu. A terra foi homologada em 2005 pelo governo federal, mas o decreto foi suspenso e os índios aguardam decisão final do Supremo Tribunal Federal em terra provisória.
Conflitos na Amazônia
As mortes de ativistas na Amazônia brasileira tiveram destaque no documento, segundo o qual a luta para salvar a floresta está se tornando cada vez mais uma briga contra organizações criminosas que aterrorizam as populações locais. Nem mesmo as forças policiais são respeitadas na região, na avaliação da ONG.
Na última sexta-feira (17), durante uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, em Novo Progresso, no Pará, a equipe de fiscalização foi atacada a tiros em uma emboscada que levou à morte o sargento da Polícia Militar João Luiz de Maria Pereira.
O relatório também destaca que na Amazônia há milhares de campos de extração ilegal de madeira, que acaba chegando ao mercado internacional.
Papel dos governos
Segundo a Global Witness, os interesses em comum de governos e empresas muitas vezes protegem os responsáveis pelas mortes de ativistas envolvidos em conflitos de terra ou com a proteção do meio ambiente e que pouco se faz para levar os autores à Justiça. A organização alerta que, se não houver intervenção estatal, os números serão cada vez maiores.
Segundo a organização, entre os casos de morte de ativistas mais bem documentados no mundo no ano passado, 16 estão relacionados com grupos paramilitares, 13 com o Exército, 11 com policiais e 11 guardas de segurança privada.
Para enfrentar a questão, a Global Witness pede providências dos governos dos países envolvidos e aponta caminhos para diminuir o número de mortes, como garantir maior proteção aos ativistas da terra e do meio ambiente que estiverem sob risco de violência, investigar os crimes, garantir que as empresas consultem as comunidades antes de fazerem empreendimentos que as afetem, entre outros.
A assessoria de imprensa do Ministério da Justiça e Cidadania informou que “ainda não possui posicionamento sobre o relatório”.
Por Maiana Diniz, da Agência Brasil, in EcoDebate, 21/06/2016
EcoDebate - Edição 2.552 de 21/ junho / 2016
Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
“Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Um balanço inquietante na área do meio ambiente
Cientistas, ONGs, ex-ministros do Meio Ambiente, médicos e empresários enviaram no início desta semana a uma comissão especial da Câmara dos Deputados, em Brasília, um manifesto de repúdio ao Projeto de Lei 1.013/2011, que pretende liberar no País a fabricação e venda de automóveis movidos a diesel.
Por Washington Novaes*
Necessário e muito oportuno o manifesto, que considera o projeto “um atentado aos interesses da sociedade brasileira e deve ser arquivado”, para que não coloque o Brasil “na contramão da tendência mundial de reduzir a poluição no setor de transportes”, dificultando o cumprimento das metas nacionais no Acordo de Paris e encarecendo o transporte de cargas, além de outros despropósitos.
Poluição do ar é uma das áreas chamadas de “ambientais” que evidenciam a crise de valores em que vivem o Brasil e muitos outros países. Estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a qualidade do ar no planeta em 3 mil cidades de 103 países evidencia que 80% dos moradores dessas cidades estão expostos a níveis de poluição bem acima dos admitidos (o dobro, na verdade). No mundo, 55% da população urbana está, por isso, mais sujeita a doenças coronarianas e pulmonares, que provocam 3 milhões de mortes por ano – e serão 70% em 2050. Nos países europeus (OCDE), a poluição gerada por automóveis responde por metade das mortes precoces.
Há pouco, quando se comemorava o Dia Mundial dos Oceanos (8 de junho), mostrou-se que problemas “ambientais” dessa ordem não estão apenas no ar das metrópoles.
Relatórios sobre Japão, França e Espanha evidenciaram que orlas costeiras, praias e até o fundo de oceanos estão cobertos de garrafas, sacos plásticos e tampas de garrafas. Os plásticos são 80% do lixo encontrado em muitas das locações estudadas – e não poderia ser de outra forma, já que todos os dias milhões de toneladas de lixo, produto de atividades humanas, acabam nos oceanos (Eco-Finanças, 18/4), onde já estão 150 milhões de toneladas. Estudo da revista Pnas estima em 580 mil as peças de plástico por quilômetro quadrado no fundo de mares.
Nesse panorama, verifica-se também que a elevação do nível do mar pode obrigar três vezes mais pessoas (13,1 milhões, até agora) a se deslocarem para outros lugares. E cientistas controversos preveem elevação de dois metros no nível das águas do mar nos próximos séculos. Nesse futuro, 95% do material plástico já estará em embalagens.
Carlton Hall, cientista-chefe de pesquisa ecológica no Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA), lembra que há algumas décadas a praia ali tinha pelo menos 48 metros de largura de areia – que tem sido levada pela elevação das águas. Até o fim deste século, diz ele, a elevação das águas poderá ficar entre 1,5 metro e 2 metros, prejudicando até as atividades de pesquisa espacial da Nasa na região.
Para todos os problemas, inclusive na acidificação das águas oceânicas, contribui o desperdício humano no descarte de embalagens logo após o primeiro uso: só 14% das embalagens plásticas são recicladas; “plástico verde” contém biomassa na produção e emite menos gases do “efeito estufa” que materiais advindos do petróleo; e um terço das embalagens plásticas não é coletado pelos sistemas de limpeza; mas os vilões da história se associam no lixo, a partir dos restos de alimentos que se decompõem com facilidade.
E tudo poderia ter destinação melhor. O capitão Marius Smit, um holandês que criou a Plastic Whale em Amsterdã (Eco21, abril de 2016), dedica-se a pescar garrafas plásticas e a levar turistas e habitantes da cidade a bordo de um de seus sete barcos construídos com “plástico pescado em mais de 100 canais da cidade”. Desde 2011 ele já “pescou” ali, nos canais, mais de 50 mil garrafas plásticas e mais de 50 mil quilos de lixo.
Hoje, os problemas do desperdício mundial de alimentos ainda são muito graves. Ele leva a que se percam 95% das embalagens do setor – enquanto há perda de 55%, no caso do papel; e de 90%, no de ferro e aço. Outras questões estão (Portal DBO, 10/6) na pecuária, em que também há perdas e desperdícios que a Embrapa tem pesquisado. Uma dessas pesquisas já mostrou que se usam 15.500 litros de água para produzir 1 quilo de carne. E o Brasil é o maior exportador de carne para todos os continentes. A criação em confinamento pode reduzir esses números, como pode baixar a geração de poluentes pelas reses, que se concentram na atmosfera (mais de 50 quilos diários por rês). A introdução de árvores nas áreas de pastagem por onde circula 1,2 boi por hectare pode ajudar.
O balanço é inquietante em toda a área ambiental. A revista Eco21 publicou, em abril deste ano, que quase 80% dos empregos no mundo dependem da água, como repetiu no Dia Mundial da Água a ONU. Mas 2 bilhões de pessoas não têm ainda acesso a água de boa qualidade em sua casa. O drama no esgotamento é ainda maior, já que 40% das pessoas não têm instalações sanitárias para coleta de esgoto e encaminhamento a estações de tratamento. Quanto ao desmatamento, no último balanço mundial ele respondeu por 13 milhões de hectares anuais. As taxas vinham baixando, mas no último levantamento voltaram a subir na Amazônia, em quase todas as áreas detectadas por satélite para formação de pastagens.
A ONU não se cansa de alertar (28/5): “A degradação ambiental causa 12,6 milhões de mortes prematuras por ano”. No relatório lançado em conferência no Quênia ficaram evidentes as diferenças: os países da OCDE responderam por 11% das mortes e o sudeste asiático, por 28%. A poluição do ar é a principal causa, com 7 milhões de casos relacionados com o meio ambiente; e diarreias também têm número alto. Na poluição do ar temos um índice da OMS de 150 gramas de material particulado inalável por metro cúbico no ar, quando a recomendação da OMS é de 50 microgramas. Se reduzirmos as emissões de gases do “efeito estufa”, será possível salvar a vida de 2,4 milhões de pessoas por ano até 2030. Mãos à obra. (O Estado de S. Paulo/ #Envolverde)
* Washington Novaes é jornalista.
** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.
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