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sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Fundo Clima realoca recursos para combate ao efeito estufa

por Lucas Tolentino, do MMA
semiarido 300x199 Fundo Clima realoca recursos para combate ao efeito estufaDifusão tecnológica e práticas adaptativas para o desenvolvimento sustentável do semiárido estão entre as prioridades
Mais de R$ 10 milhões serão destinados, este ano, para ações de combate às emissões de gases de efeito estufa. O Comitê Gestor do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima) aprovou, nesta quinta-feira, o remanejamento dos recursos não-reembolsáveis previstos para 2014. O montante financiará projetos desenvolvidos por diversas instituições em diferentes áreas ligadas ao aquecimento global.
Pioneiro no apoio a pesquisas e programas de mitigação e adaptação, o Fundo é um dos principais instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). Com natureza contábil e vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), é administrado por um comitê formado por representantes de órgãos federais, da sociedade civil, do terceiro setor, dos estados e dos municípios.
Ciência
Os projetos contemplados envolvem desenvolvimento e difusão tecnológica, práticas adaptativas para o desenvolvimento sustentável do semiárido, monitoramento e avaliação e adaptação da sociedade e ecossistemas. Entre eles, há estudos para aproveitamento energético do biogás e de energia solar, construção de indicadores de vulnerabilidade da população e um sistema de coleta de informações oceanográficas.
O incentivo à pesquisa e à criação de novas tecnologias é uma das prioridades das linhas de financiamento do Fundo. O secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Carlos Klink, citou os projetos ligadas às energias renováveis e à capacitação como exemplos. “Há bastante empenho e o Fundo tem feito desembolsos significativos de apoio à ciência em todo o país”, destacou.
Saiba mais
Apesar de considerado um fenômeno natural, o efeito estufa tem sido intensificado nas últimas décadas acarretando mudanças climáticas. Essas alterações resultam do aumento descontrolado das emissões de gases como o dióxido de carbono e o metano. A liberação dessas substâncias é consequência de diversas atividades humanas, entre elas o transporte urbano, o desmatamento, a agricultura, a pecuária e a geração e o consumo de energia.
* Publicado originalmente no site Ministério do Meio Ambiente.
(Ministério do Meio Ambiente)

JÁ PASSOU A ÉPOCA DO CARVÃO !

por Claudia Ciobanu e Silvia Giannelli, da IPS
cadenahumana Já passou a época do carvão
Uma corrente humana contra o carvão cruzou este mês o rio Niesse, que separa a Polônia e a Alemanha. Foto: Cortesia do Greenpeace Polônia

Grabice, Polônia e Proschim, Alemanha, 29/8/2014 – “Nos reunimos aqui para dizer aos políticos que acabou a forma como usávamos a energia e o ambiente nos séculos 19 e 20”, afirmou Radek Gawlik, um dos ecologistas mais conhecidos da Polônia. “Já passou a época da queima de carvão e, o quanto antes entendermos isso, melhor para nós”, acrescentou.
Gawlik acompanhou mais de 75 mil pessoas em uma corrente humana de oito quilômetros de comprimento que uniu, no dia 23, a localidade de Kerkwitz, na Alemanha, à de Grabice, na Polônia, em protesto contra a expansão, nos dois lados da fronteira, da mineração de lignito, um tipo de carvão com alto teor de carbono.
Os moradores das duas cidades, cujas casas ficariam destruídas pela expansão da mineração, ativistas poloneses e alemães e visitantes de outros países formaram a corrente humana, organizada pelo Greenpeace e outras ONGs ambientalistas europeias, que cruzou o rio Niesse que marca a fronteira entre os dois países.
Se prosperarem, os planos de mineração deslocarão pelo menos seis mil pessoas na parte alemã da região de Lusacia e três mil no sudoeste da Polônia. Neste país, a empresta estatal de energia Polska Grupa Energetyczna (PGE) projeta uma mina de lignito a céu aberto, que extrairá quase dois milhões de toneladas de carvão por ano, o que supera a capacidade do lado alemão.
A política energética da Alemanha é considerada um exemplo, entre outras coisas, pela Energiewende, uma estratégia para descarbonizar a economia até 2050, mediante a redução de até 95% das emissões de gases-estufa, 60% de energias renováveis no setor energético e aumento de 50% na eficiência energética. Hoje, as fontes renováveis produzem 25% da energia do país.
Ampliar a mineração do carvão, como ocorreria na região de Lusacia, contradiz os objetivos alemães, afirmam os ambientalistas. “A expansão das minas de lignito e a meta de descarbonização da Alemanha até 2050 com a Energiewende não se encaixam de forma alguma”, afirmou Gregor Kessler, do Greenpeace Alemanha.
“A Alemanha deve realizar fortes cortes na queima de carvão se deseja alcançar sua própria meta climática em 2020”, de redução das emissões de dióxido de carbono em 40%, acrescentou Kessler. “Porém, o governo ainda tem medo de dar o próximo passo lógico e anunciar um plano de eliminação do carvão”, ressaltou.
Segundo Kessler, os políticos repetem que “o carvão continuará sendo necessário durante anos para dar segurança energética. Mas, ainda hoje, uma grande quantidade da energia gerada pelo carvão é exportada para outros países, enquanto cada vez mais vem de fontes renováveis”.
A expansão de Vattenfall – maior produtora de eletricidade nos países nórdicos e a quinta maior empresa de energia na Europa – ameaça Proschim, povoado de 360 habitantes. A destruição desta pequena comunidade rodeada por minas de lignito é mais polêmica porque hoje em dia produz mais eletricidade a partir de energia renovável do que a necessária para sua população.
O aumento produtivo em Nochten e Welzow-Süd, duas minas a céu aberto da Vattenfall, destruiria Proschim e seu parque solar e eólico, além de sua unidade de biogás. “É um paradoxo. Temos tanta energia renovável em Proschim, e é este lugar que querem arrasar”, afirmou seu ex-prefeito Erhard Lehmannn.
No entanto, Proschim está dividida, já que metade de seus moradores aceitam o projeto de expansão de Vattenfall, entre eles o prefeito Volker Glaubitz e sua mulher Ingrid, oriunda de Haidemühl, um povoado vizinho que foi evacuado para permitir a expansão da mina a céu aberto Welzow-Süd. Agora Haidemühl é conhecido como “povoado fantasma”, porque a Vattenfall não pôde derrubar seus prédios abandonados devido a problemas legais vinculados à propriedade privada.
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Prédios abandonados na localidade de Haidemühl em Lusacia, na Alemanha. Foto: Silvia Giannelli/IPS

“O futuro deverá ter energia renovável, mas agora é muito cara e precisamos do lignito como tecnologia ponte. As minas trazem muitos postos de trabalho para a região. Sem o carvão, Lusacia já estaria morta”, afirmou Glaubitz à IPS.
Johannes Kapelle, agricultor de 78 anos em guerra contra a destruição de Proschim, tem opinião contrária. “O carvão já está desaparecendo, é algo que pertence ao passado”, afirmou este homem de origem sorbia. Sua casa está coberta de painéis solares e, de seu jardim, mostra com orgulho o parque eólico que abastece Proschim, com produção anual de cinco gigawatts.
Para Kapelle, a extração de lignito ameaça a cultura sorbia, vinculada esperitualmente à terra, desde que começou a industrialização da região há mais de cem anos. “Quando um sorbio tem uma casa sem jardim, terras de cultivo, florestas ou lago então já não é um verdadeiro sorbio porque carece de terra sagrada”, afirmou.
Em matéria climática, a Polônia é a ovelha negra da Europa, porque produz 90% de sua eletricidade a partir do carvão, e sua estratégia nacional de energia reserva a esse mineral o papel central nas próximas décadas. O governo polonês, dirigido pelo primeiro-ministro Donald Tusk, tentou nos últimos anos fazer com que a União Europeia (UE) não adotasse metas climáticas mais ambiciosas.
Os mais de cem mil postos de trabalho gerados pela mineração do carvão na Polônia são um argumento para manter o setor em atividade, segundo as autoridades locais. Além disso, o carvão constitui uma reserva local que pode garantir a “segurança energética” do país, acrescentam.
Mas os contrários ao carvão dizem que as energias renováveis e a eficiência energética também geram empregos. E, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o investimento na eficiência energética dos prédios por si só poderia criar até 3,5 milhões de empregos na UE e nos Estados Unidos.
Os ecologistas também argumentam que o carvão não é tão barato como seus defensores afirmam. Segundo o Instituto de Estudos Econômicos de Varsóvia, em poucos anos as subvenções da mineração do carvão na Polônia atingirão até 2% do produto interno bruto.
“Na Polônia, o lobby do carvão é muito forte”, ressaltou Gawlik. “Também tenho a impressão de que nossos políticos não entendem que as energias renováveis e a eficiência energética já se transformaram em alternativas reais e não têm custo altos”, enfatizou. Envolverde/IPS
* Com colaborações de Anja Krieger e Elena Roda (Alemanha).
(IPS)

Não há previsão de recuperação hídrica dos reservatórios, diz ONS

por Cristina Indio do Brasil, da Agência Brasil
usina1 Não há previsão de recuperação hídrica dos reservatórios, diz ONS
Usina Hidrelétrica Rondon, em Rondônia. Foto: Divulgação/pacgov

O diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, disse que o órgão não pretende alterar a decisão de preservar os reservatórios nas cabeceiras dos rios até chegar a estação de chuvas no país. Segundo ele, apesar da escassez, a medida tem dado resultado, mesmo com os conflitos de interesse. Chipp também informou que não é possível avaliar quando começará a recuperação hídrica dos reservatórios.
Chipp informou que estudos de meteorologia apontam que há possibilidade razoável da estação úmida acontecer dentro da normalidade, ou seja, em meados de setembro pode começar a transição para a estação chuvosa e a tendência é atingir a normalidade em outubro. “Certeza disso a gente nunca tem, de 15 em 15 dias a gente tem reunião, às vezes de semana em semana. A próxima reunião será no dia 2 de setembro, porque tem uma reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico e eu sempre apresento o quadro mais recente”, explicou.
O diretor disse que não é possível avaliar quando se dará a recuperação dos reservatórios após o início do período de chuvas. “A gente não pode dizer se vai chover com a mesma intensidade ou com a intensidade que a gente precisa em todas as bacias. Então a gente não tem a certeza do que vai acontecer. Tem que esperar mais um pouco até esta previsão se configurar”, disse.
Chipp participou da abertura do 5º Brazil Windpower, promovido anualmente pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), pelo Conselho Global de Energia Eólica (Gwec) e pelo Grupo CanalEnergia. O encontro reúne representantes das principais empresas da cadeia produtiva da indústria de energia eólica.
Dois períodos
Também na abertura, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que, apesar de 2014 ser um ano de hidrologia ruim, os reservatórios estão atualmente 8 pontos percentuais acima do registrado em 2001, quando houve a crise de energia no país.
Para Tolmasquim, a diferença entre os dois períodos explica-se por dois motivos: o crescimento da capacidade instalada atualmente é maior do que o aumento do consumo e a diversificação da matriz energética.
Biomassa
“Se pegarmos entre 2005 e 2014, as térmicas a combustível fóssil, que agora estão ajudando a evitar o racionamento, cresceram ao ritmo de 13% ao ano. A demanda cresceu 5% ao ano. Se pegarmos as térmicas a bagaço de cana, e agora é justamente o período da safra, elas cresceram seis vezes desde 2005. Hoje temos 11 mil megawatts de térmicas que funcionam a biomassa. É uma [Usina Hidrelétrica de] Belo Monte de térmicas a biomassa”, explicou.
Na energia eólica, o setor está prevendo terminar o ano com 7,2 gigawatts (GW) instalados. Segundo a presidenta da ABEEólica, Elbia Melo, o número é baseado no que foi vendido nos leilões e que é agregado a cada ano. Para o futuro, a perspectiva é crescer ainda mais.
“Nós vamos chegar no final de 2018, com tudo que já vendemos até agora, com 14,2 GW instalados. Isso é mais ou menos 8% da matriz [energética brasileira]”, informou, acrescentando que os atuais 5 GW de capacidade instalada representam 4% da matriz.
* Edição: Fábio Massalli.
**Publicado originalmente no site Agência Brasil.
(Agência Brasil)

Proteger a Mata Atlântica custaria menos de 0,01% do PIB

por Redação da SOS Mata Atlântica
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Animais brasileiros em risco de extinção

Um estudo publicado na edição desta semana da revista Science, liderado pela bióloga brasileira Cristina Banks-Leite, professora da Imperial College London, na Inglaterra, e professora visitante na Universidade de São Paulo (USP) investigou custos relacionados à conservação da Mata Atlântica brasileira.
Resultado de uma extensa pesquisa sobre dados ecológicos e econômicos e do mapeamento de áreas estratégicas para a conservação, o trabalho concluiu que ações de conservação e recuperação da Mata Atlântica custariam ao Brasil 443 milhões de reais – o que equivale a menos de 0,01% do PIB. Esse valor seria destinado a esforços de restauração florestal e iniciativas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e valeria para os 3 primeiros anos – após esse período o investimento diminuiria para menos de 0,0026% do PIB.
“Esse custo é mínimo considerando que o investimento em ações de conservação da floresta traz inúmeros benefícios para mais de 69% da população brasileira que vive na área de abrangência da Mata Atlântica. Estamos falando de serviços ambientais como regulação do clima, prevenção de enchentes e deslizamentos, melhoria na qualidade do ar e proteção do abastecimento de água”, explica Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.
O estudo está disponível no site da Revista Science.
Artigo científico citado:
BANKS-LEITE, C. et al. Using ecological thresholds to evaluate the costs and benefits of set-asides in a biodiversity hotspot. Science, v. 345, n. 6200, 29 ago 2014.
* Publicado originalmente no site SOS Mata Atlântica.
(SOS Mata Atlântica)

Comer ou apenas nutrir-se? Eis a questão

por Juliana Dias*
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Foto: Pieter Brueguel, O Casamento do Camponês, 1567

Alimentar-se e cozinhar não podem ser apenas atos “saudáveis”. Envolvem autonomias, escolhas culturais, atitudes diante do outro e do mundo
A abordagem da alimentação na escola não deveria se limitar a cultivar hábitos saudáveis, numa visão que coloca o alimento como nutriente e a responsabilidade nos ombros do sujeito que come. A escola é o lugar das interações sociais, produtora de sentido (CARRANO, 2009) e instituição cultural (PÉREZ, 1999). Portanto, é necessário ampliar os olhares para o valor da Alimentação Escolar. Esta é uma poderosa ferramenta para matar a fome de conhecimento, renovando o entendimento sobre a relação com a comida, afim de engajar e transformar pessoas, comunidades e sociedades.
Desde 2009, a Lei de Alimentação Escolar (11.947) oficializa o olhar cultural sobre o comer e inclui a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) no processo de ensino-aprendizagem, que deve perpassar o currículo escolar. Essa política pública estimula o respeito às tradições alimentares e à preferência alimentar local saudável; o desenvolvimento biopsicossocial; e amplia a presença de outros profissionais na escola, com proposta interdisciplinar e intersetorial. Também determina que ao menos 30% dos alimentos comprados para a refeição escolar venham da agricultura familiar local, preferencialmente produzidos de forma agroecológica ou orgânica.
A esta legislação soma-se uma nova Resolução (Nº26 de 17/06/2013) do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Ela permitirá à escola colocar a comida no centro do debate sobre os desafios contemporâneos. O alimento passa a ser considerado “ferramenta pedagógica” para as ações de Educação Alimentar Nutricional, que deve ser “transdisciplinar, intersetorial, multiprofissional, de prática contínua e permanente” (art. 13). Nesse sentido, justifica-se a ampliação do significado desse aprendizado alimentar, em busca de uma articulação mais integrada com os membros da comunidade escolar e a sociedade civil.
Outro ponto importante da Resolução é estimular a formação de pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, com a alimentação na escola. Aqui, podemos considerar professores, inspetores, gestores, pais, entre outros. Dinamizar o currículo; promover metodologias inovadoras para o trabalho pedagógico; e estimular o desenvolvimento de tecnologias sociais, voltadas para o campo da Alimentação Escolar são algumas das recomendações. Falar de alimentação e escola, portanto, é olhar para o indivíduo e a sociedade.
O sociólogo francês Claude Fischler1 comentou que nos últimos anos tem se dedicado a pesquisas sobre alimentação no contexto escolar. Para ele, a sociedade depende da escola para a educação alimentar das crianças. Por isso, o tema está em alta nas pesquisas acadêmicas, em congressos científicos e debates com lideranças políticas internacionais, como a primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama; e a chef norte-americana, Alice Waters, idealizadora do projeto Edible Schoolyard, que influenciou diretamente o posicionamento de Michele neste campo. Trata-se de um novo tema de investigação e debates, que no Brasil está sendo estudada em diversas áreas de conhecimento. Fischler aponta que, antes, não comer era um problema; agora, configura-se num desafio diário e ameaçador.
Comer e conhecer estão entrelaçados no processo educativo para a vida, e na construção da cidadania. As palavras sabor e saber vêm da mesma fonte etimológica: sapere. Sabedoria (Sapientia) quer dizer conhecimento saboroso; e o sábio (sapio) é aquele que saboreia. Aprender tem gosto. Deve ser saboroso e com prazer. Por isso, há de se reconhecer a existência das intenções culinárias na busca pelo sentido da Educação em Saúde.
Saber o que se come diz respeito à identidade cultural, autonomia e consciência crítica para deliberar sobre o que se coloca no prato e participar das tomadas de decisões sobre o rumo do sistema alimentar moderno. É o caso, por exemplo, do debate sobre os transgênicos, pautado por controvérsias que colocam em xeque as implicações e compromissos entre ciência e democracia. O Brasil é o segundo maior produtor de transgênicos, Soja, milho e algodão modificados geneticamente ocupam 40,7 milhões de hectares, segundo estudo da consultoria Céleres2. Já o diálogo com a sociedade, sobre a positividade ou negatividade de seu uso,avança lentamente.
Buscar sentido em comer, cozinhar e compartilhar as refeições se faz urgente num tempo em que o indivíduo se sobrepõe ao coletivo e as refeições em casa são compartimentadas e herméticas, assim como as pedagogias que segmentam o conhecimento. Faz sentido acessar a memória gustativa para refletir sobre a contemporaneidade; convocar os poetas, educadores, artistas e literatos para ampliar a visão e os significados sobre o ato de se alimentar.
Para prosseguir nessa empreitada, é preciso resgatar o sentido das palavras educar e crítica. Educar vem do latim educare, que originalmente significava criar, nutrir, amamentar, cuidar. Depois, passou a significar instruir, ensinar. Educare também tem o sentido de ex-ductere (educere) que significa conduzir para fora, lançar, “tirar de dentro”, parir, produzir. Tais significados parecem completar-se demonstrando, por um lado, que para educar seria necessário alimentar, nutrir. Aquele que está sendo educado nutre-se de conhecimentos. Por outro, indica que este processo deve partir de dentro, sendo necessário ter fome e demonstrá-la (GARCIA, 2001, p. 95 e 96).
A tão desejada consciência crítica, da qual espera-se incutir nos aprendizes, também tem relação com o comer. Crítica deriva do grego krinein, que quer dizer julgar, separar, distinguir. Ora, o degustador profissional de comida ou vinho exerce a crítica. Ele não come indiscriminadamente tudo que lhe chega à mesa. Apenas prova. E ao corpo caberá fazer o julgamento e dar sua sentença: é bom ou ruim. O sabor tem sempre a palavra final, sob esse aspecto (ALVES, 2011, p.61). Trazendo essa ideia para o aprendizado, as informações que chegam aos aprendizes devem, da mesma forma, ser degustadas, ao invés de incorporadas, sem julgamento ou crítica.
A partir dos significados de educação, saber e crítica é oportuno propor uma associação entre o comedor biológico e o comedor cultural, tal como o sociólogo Claude Fischler definiu o homem onívoro. Assim, educar é nutrir, aspecto fisiológico e vital para a sobrevivência humana. Da mesma maneira, as disciplinas são elementares para o conhecimento escolar. Saber é descobrir sabores, característica social, construída pelo convívio entre alunos, professores, amigos e família, tal qual o ambiente escolar proporciona. Trata-se de um conhecimento que não está apenas no conteúdo. É apreendido na experiência saborosa da sociabilidade e do aprendizado com o cotidiano. Portanto, educar, saber e exercer um olhar crítico para o mundo não podem ser dissociados. Essa ligação inerente pode ser aquecida pelo sabor do conhecimento, escolar, científico e popular, além do calor do fogão.
Cozinhar é um exercício de autonomia e consciência de si, do outro e do mundo. Em novo livro, Cozinhar: uma história natural da transformação (Editora Intrínseca), o jornalista e ativista alimentar Michael Pollan, que tem investigado o modo como os norte-americanos se alimentam, conclui que encontrou resposta para suas inquietações na cozinha. Ela começa em questões particulares: como cuidar da saúde e bem-estar, e melhorar o relacionamento com o filho adolescente. Mas avança para temas políticos: por exemplo, qual seria a orientação mais importante para ajudar a mudar o sistema alimentar de um país, tornando-o mais saudável e sustentável. Outras questões são de ordem filsolófica: como compreender a relação do homem com o mundo natural. Foi à beira do fogão que suas perguntas foram sendo cozidas. Em entrevistas concedidas durante sua passagem pelo Brasil, em agosto, Pollan destacou que em 30 minutos dá para preparar uma boa refeição – não é complicado, nem pesaroso. Mas tem que praticar. O autor eitera em seus comentários que as refeições é que devem se encaixar nas agendas e não o contrário. Defende a cultura como ferramenta para conscientização. Mandar todo mundo para cozinha não é utopia – mas é revolucionário…
Ao refletir sobre as relações entre educar/nutrir, saber/sabor e crítica/degustação, o pensamento de Paulo Freire é pertinentem ao considerar que não se deve separar o cognitivo do emocional no aprendizado:
“Estudamos, aprendemos, ensinamos e conhecemos (…) com o nosso corpo inteiro. Com os sentimentos, com as emoções, com os desejos, com os medos, com as dúvidas, com a paixão e com a razão crítica” (1998, p. 8).
Tendo em vista as demandas da Lei de Alimentação Escolar e uma reflexão a respeito da interseção entre alimentação e educação, busco apontar a sinergia entre esses dois campos. É vital estreitar e evidenciar os elos por meio da interdisciplinaridade, visando uma atitude transdisciplinar, considerar a memória, o afeto e os sentidos, seja no refeitório ou na sala de aula.
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Referências bibliográficas
____BRASIL. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Lei 11.947, de 16 de junho de 2009.
____BRASIL. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Resolução Nº26 de 17 de junho de 2013.
____BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Marco de referência de educação alimentar e nutricional para as políticas públicas.
CARRANO, Paulo César Rodrigues. Identidades Culturais juvenis e escolas: arenas de conflitos e possibilidades. Diversia, Nº1, CIDPA Valparaíso, Abril 2009, pp. 159-184.
FISCHLER, Claude. El (h)omnívoro – El gusto, lacocina y elcuerpo. Editora Anagrama: Barcelona,1995.
FREIRE, Paulo. Professora sim, Tia não: Cartas a quem ousa ensinar. Editora Olho d’ água, São Paulo, 1998.
GARCIA, M. A. A. Saber, agir e educar: o ensino-aprendizagem em serviços de saúde. Rev. Interface – Comunicação, Saúde e Educação. v.5, n.8, p.89-100, 2001.
PÉREZ, G. A. La cultura escolar em la sociedad neoliberal. Madrid. Ed. Morata, 1999.
POLLAN, M. Cozinhar: uma história natural da transformação. Trad.: Cláudio Figueredo. Ed. Intrínseca: Rio de Janeiro, 2014.
–
1Comunicação oral durante o I Congresso Comer en la Escuela, realizado em Barcelona, na Espanha, em maio de 2012
2Matéria “Área com transgênicos no país deve crescer 25,8% nos próximos dez anos”, publicado em 31/01/2014, disponível em http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=4&cid=187288.
* Juliana Dias é editora do site Malagueta
** Publicado originalmente no site Outras Palavras.
(Outras Palavras)

Um terço da América Latina pode cair na pobreza, alerta Pnud

por Edgard Júnior, da Radio ONU
pobreza Um terço da América Latina pode cair na pobreza, alerta Pnud
A redução da pobreza é um dos eixos da agenda de desenvolvimento pós-2015. Crianças na favela de Kallayanpur, uma das favelas urbanas em Daca, Bangladesh. Foto: ONU/Kibae Park

Agência da ONU diz que apesar da região ter reduzido problema quase pela metade, 200 milhões correm risco; Brasil registrou progresso em relação à redução da pobreza e aumento da classe média.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, alertou que um terço da América Latina pode cair na pobreza.
Um estudo da agência da ONU divulgado essa quinta-feira mostrou que apesar da região ter conseguido reduzir o problema quase pela metade, 200 milhões de pessoas correm risco de se tornarem pobres.
Avanço
A assessora de imprensa do Pnud em Nova York, Carolina Azevedo, disse em entrevista à Rádio ONU que o Brasil registrou um avanço acima da média entre 2000 e 2012.
“A pobreza caiu drasticamente no Brasil entre 2000 e 2012, de 43,1% da população que vivia abaixo de US$ 4 por dia, no ano 2000, essa proporção caiu para 24,5%, em 2012. Ao mesmo tempo a classe média aumentou de 22% da população em 2000 para quase 35% em 2012.”
Mas Azevedo diz que o estudo chama a atenção daqueles que são chamados de vulneráveis, pessoas que vivem entre US$ 4 e US$ 10, por dia. Ela explicou que os pobres são os que sobrevivem com menos de US$ 4 por dia e a classe média fica entre US$ 10 e US$ 50 diários.
Vulneráveis
O Pnud está preocupado com os vulneráveis porque eles não conseguem viver com o nível da classe média, mas também não são mais classificados como pobres.
A assessora disse que sem uma rede de proteção social, no caso de uma crise financeira ou um desastre natural essa classe cairá na pobreza. Por isso a agência da ONU pediu aos países que aumentem a resiliência para proteger esse grupo.
Carolina Azevedo explicou como foi feita a avaliação para encontrar as razões para os progressos e avanços obtidos não só pelo Brasil mas por toda a região.
“A gente pode dizer que mais ou menos 62% da queda da pobreza na América Latina foi resultado do crescimento econômico e , por outro lado, 38% foi efeito da distribuição de renda. O Brasil segue mais ou menos essa tendência. Mais ou menos 63% da redução da pobreza foi um efeito do crescimento econômico enquanto 37% dessa queda na pobreza foi um efeito de distribuição de renda.”
América Latina
O estudo do Pnud mostra que no geral, em toda a América Latina, a classe média cresceu de 21% para 34% entre 2000 e 2012. A população de vulneráveis subiu de 35% para 38% e a de pobres caiu de 42% para 25% durante o mesmo período.
O Peru foi o país da região que registrou o maior número de pessoas saindo da pobreza e entrando na classe média. A Bolívia foi o que teve a maior queda no número de pobres mas ao mesmo tempo computou o maior aumento de vulneráveis.
Chile e Argentina reduziram tanto o número de pobres quanto o de vulneráveis. A República Dominicana teve uma queda na classe média e em El Salvador, o número de pessoas vulneráveis aumentou devido a redução da pobreza e da classe média.
Em metade dos 18 países pesquisados, mais de 20% da população jovem entre 15 e 24 anos não trabalha nem estuda. O maior índice foi registrado na Guatemala, com 25% e o menor, 15,3% no Uruguai e no Peru.
* Publicado originalmente no site Rádio ONU.
(Rádio ONU)

NOVA VIDA : Cão mais triste da Grã-Bretanha é adotado após passar meses em abrigo de animais

29 de agosto de 2014


cão
Os funcionários do abrigo de animais Battersea Dogs & Cats temiam que a rottweiler, Bless, não encontrasse um novo lar, devido à sua expressão triste.
Depois de passar cinco meses no instituto de caridade, bem acima da média de permanência dos cães, que é de 29 dias, o local procurou a mídia, na esperança de encontrar alguém disposto a adotar o animal. Felizmente a tentativa deu certo.
Geoff e Sylvia viram Bless pela primeira vez na TV, mas, inicialmente, pensaram que muitas pessoas já estariam na fila para adotá-la. Quando resolveram entrar em contato, tiveram a feliz surpresa de poder adotá-la a tempo.
Cadela Bless, conhecida como a mais triste da Grã-Bretanha devido à sua expressão, finalmente encontrou novo lar após o abrigo de animais temer que ninguém fosse a adotar.
O casal disse que a cadela, agora chamada Bess, é fantástica, e mudou até o semblante na fotografia tirada por eles.
O animal agora tem um novo lar e esperança de uma vida mais alegre.
Fonte: R7