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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O delta do Nilo prestes a desaparecer sob o mar

por Cam McGrath, da IPS
egipto6401 O delta do Nilo prestes a desaparecer sob o mar
A menos que sejam construídas barreiras, uma elevação do nível do mar inundará boa parte do delta do Nilo no Egito. Foto: Cam McGrath/IPS

El Rashid, Egito, 30/1/2014 – Basta uma leve cobertura de água salgada para que a terra se torne estéril, por isso Mohammad Saeed vigia de perto o mar, que ano após ano avança para sua propriedade de dois hectares, no norte do Egito. O jovem agricultor, cujo campo de trevos se estende a apenas 400 metros da costa, perto da cidade de El Rachid, admite que falta menos de uma década para que seu terreno fique totalmente submerso.
No entanto, mesmo antes que isso ocorra, seus cultivos murcharão e morrerão na medida em que a água do mar se infiltre no aquífero local. O processo já começou, afirmou Saeed, pegando um punhado de solo embranquecido. “A terra adoeceu. O solo ficou salino, a água para a irrigação também, e temos de usar muitos fertilizantes para cultivar qualquer coisa”, ressaltou.
O delta do Nilo se estende ao longo de 25 mil quilômetros. É uma área densamente povoada, com 40 milhões de habitantes, considerada o celeiro do Egito por representar dois terços da produção agrícola do país. Em seu flanco norte, de 240 quilômetros entre Alexandria e Port Said, há uma das faixas costeiras mais vulneráveis do mundo, pois enfrenta a tripla ameaça da erosão costeira, da infiltração da água salgada e do aumento do nível do mar.
Segundo Jaled Ouda, geólogo da Universidade de Assiut, uma elevação de 30 centímetros no nível do mar inundaria seis mil quilômetros quadrados do delta do Nilo. As inundações criariam ilhas a partir de dois mil quilômetros quadrados adicionais de terra elevada, isolando cidades, estradas cultivos e estabelecimentos industriais. “A previsão é que a área total do delta impactada pelo aumento de um metro no nível do mar neste século será de 8.033 quilômetros quadrados, que é quase 33% da área total do delta”, destacou à IPS.
Em um relatório divulgado em setembro, o Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC) previu aumento do nível do mar entre 28 e 98 centímetros até 2100, mais que o dobro de suas projeções de 2007. Segundo algumas das estimativas mais conservadoras, isso destruiria 12,5% das áreas cultivadas do Egito e deslocaria cerca de oito milhões de pessoas, ou quase 10% da população total, de pouco mais de 83 milhões de habitantes.
Mas não é só o aumento do nível do mar que ameaça a costa norte egípcia. O próprio delta está afundando. Antes de ser construída a repressa de Assuan, nos anos 1960, mais de 120 milhões de toneladas de lama arrasaram o Nilo anualmente e se acumularam no delta. Sem esse fluxo anual de lama para voltar a enchê-lo, o delta está diminuindo. Em alguns lugares a faixa costeira está se reduzindo em 175 metros ao ano.
O governo egípcio tenta reduzir o ritmo do avanço do mar construindo uma série de quebra-ondas e diques em terra ao longo da costa norte e de seus cursos de água. Blocos de concreto ajudam a reduzir a erosão costeira, mas sem nova sedimentação a terra do delta se compactou, e milhares de hectares agora se estendem ao nível do mar.
“Você pode construir todas as muralhas que quiser, mas isso não impedirá que a água do mar avance subterraneamente”, advertiu Osman El-Rayis, professor de química na Universidade de Alexandria. “A água salgada apodrece os cultivos a partir de baixo, matando as raízes das plantas e deixando para trás, ao evaporar, sais que tornam o solo estéril”, acrescentou. O professor também destacou que o substrato do delta se tornou mais poroso, que a água do mar se infiltra no aquífero do delta do Nilo, uma fonte vital de água subterrânea que ocupa 2,5 milhões de hectares.
A água salgada sempre foi uma ameaça para a terra agrícola, mas a salinidade se manteve tradicionalmente controlada graças a um fluxo estável de água doce que cobria o solo e expulsava o sal. Com a expansão da população do Egito, aumentou a demanda águas acima, reduzindo a quantidade de água do Nilo que chega ao delta. Atualmente, a pouca água que flui está cheia de líquidos residuais e toxinas industriais.
Diante do aumento do nível do mar e da maior salinidade, muitos agricultores abandonaram seus terrenos ou passaram para a aquicultura. Outros decidiram agregar areia ou terra às suas plantações para mantê-las acima da água salgada. É o que explica o agricultor Saeed, que, no entanto, afirma que “é difícil cultivar qualquer coisa sobre a areia, por isso os agricultores usam muitos fertilizantes”.
A areia ocupa as dunas que margeiam boa parte da costa norte do Egito, e atuam como barreiras naturais contra o avanço do mar. O saque a essas dunas para obter materiais de construção deixou o delta do Nilo mais vulnerável a um aumento do nível do mar. Cientistas propõem medidas para proteger as terras baixas do delta das águas marinhas, ressaltando que a prioridade é reduzir a erosão das praias para preservar defesas costeiras naturais como as dunas, e, ao mesmo tempo, construir barreiras ao longo dos 240 quilômetros de costa, que sejam suficientemente fortes para manter o Mar Mediterrâneo sob controle.
“Essas muralhas serão construídas diante do mar, em lugares localizados ao longo da praia onde há áreas mais baixas”, explicou Ouda. Segundo ele, para que tais barreiras sejam efetivas devem incluir uma subestrutura impermeável que se estenda entre três e 13 metros abaixo do nível do mar, e que impeça que a água marinha entre nos aquíferos. A tarefa é tão grande quanto o custo estimado. Uma proposta apresentada pelo engenheiro egípcio Mamdouh Hamza situa o investimento em US$ 3 bilhões. O plano prevê a construção de uma muralha de concreto ao longo de toda a faixa costeira do delta e margeá-lo com um diafragma de plástico para impedir vazamento de água salgada.
Ouda explicou que o megaprojeto será rentável porque salva as terras do delta do Nilo, mas é improvável que atraia o capital necessário. O geólogo duvida que o governo egípcio, escasso de fundos, possa cobrir os custos, enquanto a comunidade internacional parece não estar disposta a contribuir. “O projeto de erguer as muralhas costeiras é um projeto de serviço, sem fins lucrativos e, portanto, não se encontrará um financiador para este projeto entre empresas ou governos estrangeiros”, ressaltou.
Como alguns afirmam que as nações do Ocidente são as principais responsáveis pela mudança climática, seus governos deveriam assumir a parte que lhes cabe no que ocorre com os países em desenvolvimento, que são os mais prejudicados por suas consequências, afirmam os especialistas e afetados locais. Envolverde/IPS
(IPS)

Novas instituições se comprometem a não investir em combustíveis fósseis

por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
combustiveisfosseis Novas instituições se comprometem a não investir em combustíveis fósseis
Em 2013, o Banco Mundial anunciou que limitaria seus financiamentos para projetos de carvão, medida que foi seguida pelo governo norte-americano, que afirmou que só ajudaria iniciativas de carvão em outros países caso não exista outra opção energética viável.
Também no passado, um estudo da Universidade de Oxford identificou 41 fundos de pensão e grupos de investimentos que já possuíam algum tipo de ação para diminuir a participação de petróleo e carvão em seus portfólios.
Agora, 17 fundações norte-americanas, que juntas somam US$ 1,8 bilhão em recursos, se comprometeram nesta semana a não investir mais em empresas de combustíveis fósseis.
“Cada vez está ficando mais claro para as fundações que, se você possui combustíveis fósseis em seu portfólio, você é em parte responsável pelas mudanças climáticas”, afirmou Ellen Dorsey, diretora do Fundo Global Wallace, ao jornal The New York Times.
Entre as fundações que estão abandonando o carvão e o petróleo se destacam a Park Foundation, que administra US$ 335 milhões, e a Schmidt Family Foundation, com US$ 304 milhões e fundada pelo presidente do Google, Eric E. Schmidt.
Golpe duro no carvão
Outra instituição que deve dar adeus ao carvão é o fundo soberano da Noruega, o maior do mundo, com US$ 817 bilhões.
Já está em estudo no Parlamento Norueguês a proposta para proibir os investimentos do fundo em carvão, medida que é apoiada pela maior parte dos legisladores, com exceção da minoria governamental.
Porém, mesmo antes de qualquer decisão do parlamento, os gestores do fundo já divulgaram que estão parando de investir em empresas e projetos de carvão. “Limitamos a participação do carvão no nosso portfólio, e nos últimos dois anos cortamos pela metade esse tipo de investimento”, explicou Yngve Slyngstad, CEO do Banco Norueguês de Gestão e Investimentos (NBIM), que administra o fundo.
Segundo Slyngstad, atualmente US$ 405 milhões do fundo estão investidos em carvão, o equivalente a 0,08% do total do portfólio.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil)


Resumo diário de notícias selecionadas
dos principais jornais, revistas, sites especializados e blogs,
além de informações e análises direto do ISA
 
 
HOJE:
Agronegócio, Amazônia, Biodiversidade, Energia, Florestas, Pesca, Política Ambiental, Povos Indígenas
Ano 13
30/01/2014

 

Agronegócio

 
  Num momento em que se disseminam os benefícios de uma alimentação saudável, com frutas, verduras e legumes, especialistas alertam para os riscos dessa opção. Isso porque, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, mas a fiscalização é falha. De 2002 a 2012, o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 190%. O setor movimentou US$ 10,5 bilhões, em 2013. A análise dos alimentos que vão à mesa do consumidor, porém, é bem restrita. No último relatório da Anvisa, de 2012, foram analisadas 3.293 amostras de apenas 13 alimentos - 5% do que é avaliado por EUA e Europa. No Brasil, produtos como carnes, leite, ovos e industrializados não são sequer pesquisados, apesar de especialistas alertarem que eles podem estar contaminados por agrotóxico - O Globo, 30/1, Economia, p.21.
  Especialistas em saúde apontam uma correlação direta entre o acúmulo de agrotóxico no organismo e a propensão a desenvolver câncer de mama, de testículos e de fígado. No caso de crianças, com sistema imunológico menos desenvolvido, a contaminação pode ocorrer durante a gestação, ainda na placenta pelo leite materno. Os maiores riscos são de leucemia e linfoma. Pesquisas apontam que mulheres que apresentavam agrotóxico no organismo tinham o dobro da chance de desenvolver câncer de mama - diz Fábio Gomes, nutricionista do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Existe uma falha de fiscalização. Há uma série de agrotóxicos que já deveriam ter sido descartados, mas que ainda são permitidos por interesses econômicos - afirma Gomes - O Globo, 30/1, Economia, p.22.
  Quase metade da carne bovina produzida no Brasil está fora do alcance da fiscalização do Ministério da Agricultura e não tem o Certificado de Inspeção Federal (CIF). Todo o controle de resíduos do uso de antibióticos, vermífugos e hormônios (que são proibidos no país) nos rebanhos cabe a órgãos municipais e estaduais, que geralmente não dispõem de meios adequados para a função. Grandes empresas exportadoras, como a JBS e a BRF, dispõem de laboratórios para analisar se a carne está nos padrões do "Codex Alimentarius", da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). As empresas que exportam estão sempre fazendo análises em sua produção - O Globo, 30/1, Economia, p.22.
  O cultivo de transgênicos deve continuar ganhando espaço no Brasil. Essa é a conclusão de estudo da consultoria Céleres, que indica que a área semeada com soja, milho e algodão geneticamente modificados deverá crescer 25,8% na próxima década, de 40,7 milhões na atual safra 2013/14 para 51,2 milhões de hectares em 2022/23. Esse avanço tende a ser mais acelerado que o aumento previsto para a área total (inclui convencional) coberta por esses grãos no país, estimado em 21,6%, de 46,3 milhões para 56,3 milhões de hectares. Conforme Anderson Galvão, CEO da Céleres, a soja continuará na dianteira no intervalo analisado, entre as safras 2013/14 e 2022/23. "Hoje, 92% da área com a oleaginosa no país é transgênica, número que passará a 95% em dez anos", projeta - Valor Econômico, 30/1, Agonegócios, p.B14.
   
 

Geral

 
  Diante da expansão urbana na Amazônia, com o aumento da população e do êxodo para a periferia de cidades de maior porte em função da falta de oportunidades na floresta, a Caixa Econômica Federal (CEF) planeja financiar habitações populares feitas de madeira nativa, seguindo a tradição construtiva da região. A estratégia promove a geração de renda local e elimina entraves na logística para o transporte de materiais até áreas mais distantes e isoladas. O objetivo é atender inicialmente a uma demanda reprimida de 200 mil moradias, podendo chegar a 1 milhão. A iniciativa tem o potencial de dar escala ao produto regional e esquenta o debate sobre o futuro da madeira tropical, principal ativo da Floresta Amazônica, hoje em processo de substituição por materiais alternativos na construção civil e movelaria - Valor Econômico, 30/1, Especial, p.F1.
  A usina hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu (PA), está com cerca de 45% das obras concluídas, segundo balanço da Norte Energia, empresa responsável pelo empreendimento, e entra na fase de conclusão da primeira etapa da montagem eletromecânica em um dos canteiros. A empresa informou ontem que a primeira etapa da montagem eletromecânica do sítio Pimental entra em fase de conclusão e até 31 de janeiro os engenheiros e operários terminam de revestir os tubos de sucção das turbinas 5 e 6 - OESP, 30/1, Economia, p.B2.
  Estudo do Serviço Florestal Brasileiro (FSB), financiado pelo Banco Mundial, concluiu que a indústria madeireira é pouco fiscalizada pelos governos estaduais, há falhas na licença de operação e faltam transparência e critérios rigorosos e padronizados em relação à origem do insumo florestal nela processado. "É urgente mudar o foco do controle, hoje centrado da extração e transporte da madeira", afirma Antonio Carlos Hummel, diretor-geral da instituição. Em sua análise, a ênfase deve estar nas serrarias e empresas de beneficiamento: "A fiscalização do consumo é a melhor forma de matar o problema na floresta". O relatório subsidiará uma nova agenda de combate à ilegalidade da madeira, em construção pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) - Valor Econômico, 30/1, Especial, p.F2.
  Os micos-leões-da-cara-dourada estão de casa nova. Depois de viverem por dez anos espalhados pelo Parque Estadual da Serra da Tiririca e pela Reserva Ecológica Darcy Ribeiro, em Niterói, no Rio de Janeiro, eles estão sendo removidos para o sul da Bahia. A nova residência é uma área preservada da Mata Atlântica em plena costa do descobrimento do Brasil, nas proximidades de Porto Seguro. Trata-se de uma Área de Alto Valor de Conservação (AAVC), da Veracel Celulose. A mudança é compulsória e tem data para terminar: agosto. Os micos-leões-da-cara-dourada são considerados espécie exótica invasora no Rio - Valor Econômico, 30/1, Especial, p.F4.
  A Bloomberg Philantropies irá investir US$ 53 milhões, em cinco anos, para fortalecer pescadores e recuperar os estoques pesqueiros no Brasil, no Chile e nas Filipinas. O compromisso batizado de "Vibrant Ocean Initiative" é um esforço da fundação do ex-prefeito de Nova York Michael R. Bloomberg para reverter a perda de biodiversidade nos oceanos. No Brasil, a iniciativa marca também a entrada de três ONGs, a Rare, a Oceana e a Eko Asset Management, que irão implementar o programa. A Rare tem 40 anos de trajetória em conservação de espécies e trabalho com comunidades. A Oceana tem foco em políticas públicas. A EKO buscará atrair investidores e melhorar a cadeia da pesca e o preço dos produtos - Valor Econômico, 30/1, Agronegócios, p.B14.
  O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), nunca teve fama de ecologista, mas sua aliança com uma notória ativista da causa, a ex-senadora Marina Silva (PSB), suscitou interesse acerca da aptidão do presidenciável ao tema. Apesar de a nova aliada ter chegado exigindo tintas verdes no amarelo e vermelho do PSB, Campos - que vai deixar o cargo em abril para concorrer ao Planalto - já vinha reforçando a política ambiental de seu governo, cujos resultados ele quer apresentar na campanha eleitoral que se avizinha. Fiel ao seu estilo, o governador vai inundar a propaganda com números e gráficos sobre seu desempenho na área. Um dos destaques vai ser a parceria público-privada (PPP) que promete universalizar o saneamento básico nos 14 municípios da Região Metropolitana do Recife - Valor Econômico, 30/1, Política, p.A5.
  Guarani, Karajá, Kayapó, Waja, Awá Guajá, Marabu, Tukano, Kaxinawá e Yanomami. Oito artistas da companhia Oito Nova Dança e da Companhia Livre de Teatro escolheram essas etnias para uma jornada coreográfica em busca de seu corpo ancestral —que se movimenta como um pássaro, por exemplo, conforme características pessoais e história de vida. No espetáculo "Xapiri Xapiripë", em cartaz no Sesc Pinheiros, em São Paulo, os bailarinos-atores-músicos transformam mitos indígenas em dança contemporânea, movimentos em novas formas de se ver o corpo. Como num ritual xamanista, a dança é um corpo que se transforma em outros seres - FSP, 30/1, Ilustrada, p.E3.
   
 
Imagens Socioambientais
 
Anda
30/01/2014EDIÇÃO 277
 
 
Alimentação consciente
Cada vez mais tutores oferecem dieta vegana a seus cães
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Brasil, 30 de Janeiro de 2014
A vida saudável no Brasil é cara. Há sempre um remédio a ser vendido ao idoso, que acaba hipermedicado. Prometem curar até a infelicidade. Confira hoje nos destaques do caderno Saúde da Envolverde. Curta também nossa página no Facebook.
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