Powered By Blogger

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Dossiê EcoDebate: O colapso das colônias de abelhas e a ameaça à segurança alimentar‏

As abelhas estão entre os principais polinizadores do planeta. Sua extinção pode ameaçar também a sobrevivência do homem. Em algumas partes do mundo, estudiosos do assunto já confirmam a redução de colônias entre 30% e 70%, indício de que todas as espécies estão ameaçadas. Cientistas classificam o fenômeno da redução dessas populações de desordem de colapso da colônia (colony collapse disorder), significando sérios prejuízos para a biodiversidade, a produção de alimentos e a economia em geral*.
Este é um tema de grande relevância, em geral de pouco conhecimento público, mas que traz severas implicações para todos nós.
Em razão disto, preparamos este Dossiê, indicando as matérias e artigos que já foram publicados por nós.
Vejam, abaixo, em ordem decrescente de data:
Especísmo e ecocídio: o sumiço das abelhas, artigo de José Eustáquio Diniz Alves
Inseticidas Neonicotinoides: que são e como podem afetar você, por George Monbiot
Desordem de colapso das colônias (Colony Collapse Disorder, CCD) derruba exportações de mel do Brasil
El fenómeno global de la desaparición de las abejas, por Luis Miguel Ariza
Apicultores apontam agrotóxicos como culpados por mortes de abelhas
UE proibirá três inseticidas neonicotinoides mortais para as abelhas durante dois anos
Estudo mostra que pesticidas neonicotinoides e organofosfatos afetam o cérebro das abelhas
Estudo mostra que redução de insetos polinizadores ameaça cultivos do mundo
Pesticidas comuns diminuem sucesso de alimentação e ameaçam sobrevivência das abelhas
Publicação do Ibama aponta efeitos dos agrotóxicos sobre as abelhas silvestres no Brasil
Ibama reavalia uso de quatro tipos de agrotóxico e sua relação com o desaparecimento de abelhas no país
Contribuição dos agentes polinizadores para a biodiversidade e a agricultura
Inseticidas seriam responsáveis por morte em massa de abelhas, apontam estudos
agrotóxicos neonicotinóides: A Bayer continua matando abelhas em todo o planeta
As abelhas sumiram! Entrevista com Afonso Inácio Orth
Um mundo sem abelhas, artigo de Efraim Rodrigues
ONU alerta para a redução da população mundial de abelhas
Pesticidas exterminam as abelhas. Desaparecimento ameaça a produção agrícola do planeta
Abelhas do mundo em risco de morte
Pesquisadores alertam para danos de insumos químicos aos polinizadores
Diminuição dos enxames de abelhas preocupa cientistas e coloca o futuro da humanidade sob ameaça
Cai número de colônias de abelhas em toda a Europa, por Henrique Cortez
As abelhas estão sumindo, artigo de Hugo Penteado
Culturas geneticamente modificadas ligadas à desordem de colapso das colônias (CCD), por Henrique Cortez
A poluição atmosférica pode ser um dos responsáveis pelo colapso das populações de abelhas
Reino Unido: morte de 2 bilhões de abelhas custará £54 milhões em perdas na economia
Associação inglesa apela pela proibição de pesticidas neonicotinóides para evitar a morte de abelhas
Itália proibe agrotóxicos neonicotinóides associados à morte de abelhas
Valor econômico dos serviços dos insetos polinizadores é estimado em R$ 395 bilhões (153 bilhões de euros)
Agrotóxicos matam abelhas e envenenam nossa alimentação
Alemanha proíbe oito pesticidas neonicotinóides em razão da morte maciça de abelhas
Alemanha: Pesticidas da Bayer são acusados da morte em massa de abelhas
Morte de abelhas no Reino Unido ameaça a polinização de frutas e vegetais


* Fonte: MMA

sábado, 28 de setembro de 2013

LAGOA MIRIM , RS : DEFESA CONJUNTA DOS TERRITÓRIOS


Humedales da região lacunar. Foto Cintia Barenho/CEA
Encontro no interior do Uruguai sobre a bacia da Lagoa Mirim, dividida com o Brasil
Neste sábado será realizada na cidade uruguaia de Melo, departamento de Cerro Largo, o “Encontro Bi-nacional da Bacia da Lagoa Mirim e o Direito Humano à Água”, no Instituto de Formação Docente dessa localidade (Aparicio Saravia 441, de 9 a 17 horas).
“O objetivo será apresentar o Diagnóstico Socioambiental da bacia no território uruguaio realizado pela equipe da Faculdade de Ciências da Universidade da República e do Programa Uruguai Sustentável, e do outro lado da fronteira com as vozes dos nossos vizinhos brasileiros sobre a situação da bacia”, diz a convocatória à atividade.
Os organizadores são a Comissão Nacional em Defesa da Água e da Vida (CNDAV), o sindicato de trabalhadores da empresa pública de água OSE (FFOSE), REDES – Amigos da Terra Uruguai e o Programa Uruguai Sustentável, com o apoio do Instituto de Formação Docente de Melo e o Centro de Estudos Ambientais do Rio Grande do Sul. Farão uso da palavra militantes especialistas no tema, tanto do Uruguai quanto do Brasil.
 Na quarta-feira, a ecologista María Selva Ortiz, de REDES – Amigos da Terra Uruguai e da Comissão Nacional em Defesa da Água e da Vida falou com Rádio Mundo Real sobre os principais motivos deste encontro que se realizará em Melo. María Selva denunciou, entre outras coisas, os impactos que estão causando na bacia da Lagoa Mirim as atividades como as monoculturas de árvores, a agricultura em grande escala (arroz e soja), o uso de agrotóxicos, além dos potenciais impactos que podem surgir da mineração de ferro a céu aberto e a instalação de uma fábrica de celulose na zona.
Nesta quinta, Rádio Mundo Real entrevistou a ativista brasileira Cíntia Barenho, do Centro de Estudos Ambientais do Rio Grande do Sul. Ela contou da similaridade das pressões que sofre a bacia da Lagoa Mirim do lado brasileiro e analisou, dentre vários temas, os diversos impactos e a necessidade de que a população local de seu país analise com mais profundidade estes temas.
Acesse  AQUI para ouvir o audio da entrevista
Fonte: Radio Mundo Real

Nova Iorque ganha horta gigante para combater obesidade

por Redação CicloVivo
n710 300x199 Nova Iorque ganha horta gigante para combater obesidade
Parte das frutas e verduras cultivadas será distribuída entre os mais pobres, e outra quantidade será vendida. - Foto: nmourao/Flickr
Uma horta urbana foi inaugurada em Nova Iorque para estimular a população a adotar hábitos de alimentação mais saudáveis. Criada pela prefeitura da cidade norte-americana, a horta fica no distrito do Brooklyn e tem cerca de quatro mil metros quadrados. O espaço ainda conta com um centro educativo, que dará orientações à população para combater a obesidade.
Parte das frutas e verduras cultivadas será distribuída entre os mais pobres, e outra quantidade será vendida, para financiar o funcionamento da horta urbana e captar recursos de manutenção do espaço comunitário.
Para a encarregada de Saúde de Nova Iorque, Linda Gibbs, o espaço vai melhorar a distribuição de alimentos de origem natural entre a sociedade, além de fortalecer a tendência das hortas comunitárias. “Esta horta urbana permitirá aos moradores ter acesso a produtos saudáveis”, explicou Linda. Além disso, o projeto visa o desenvolvimento socioeconômico na região. “Representará também um caminho para a educação e emprego para os jovens”, completou.
Segundo dados oficiais, em Nova Iorque, uma em cada cinco crianças nos primeiros anos de vida sofre de obesidade, transtorno que afeta com maior frequência as camadas mais pobres da população. Foi comprovado que 22% dos adultos que vivem em Nova Iorque são obesos, e 34% dos nova-iorquinos maiores de idade estão acima do peso ideal.
Nos EUA, muitos alimentos de origem natural são mais caros do que as versões industrializadas ou encontradas nas redes de fast food – assim, nem todos conseguem adotar uma dieta saudável. Além disso, um estudo recentemente produzido pela ONU afirma que o tamanho das refeições servidas nos restaurantes norte-americanos vem aumentando desde 1970. Com a prática, os estabelecimentos estimulam os consumidores a comprarem porções maiores por preços acessíveis, o que aumenta o número de obesos. Com informações do New Straits Times.
* Publicado originalmente no site CicloVivo.
(CicloVivo)

Bexigas poderão produzir energia para 4,5 mil residências em Nova Iorque

por Redação CicloVivo
n66 300x174 Bexigas poderão produzir energia para 4,5 mil residências em Nova Iorque
Os balões vermelhos utilizados no projeto são compostos por células solares orgânicas, que transformam a luz do sol em eletricidade. Foto: Jakob E/Flickr
O céu de Nova Iorque será tomado pelas bexigas do projeto “99 Red Balloons”, que vão gerar energia limpa para a cidade de maneira inusitada. A ação ainda não tem data marcada, mas os organizadores estimam que os balões especiais produzam eletricidade suficiente para abastecer 4.500 residências da cidade norte-americana.
Os balões vermelhos utilizados no projeto foram produzidos no Canadá, e, diferentemente das bexigas convencionais, são compostos por células solares orgânicas, que transformam a luz do sol em eletricidade. Quando as bexigas ficam carregadas com energia fotovoltaica, elas perdem a cor e já podem abastecer a demanda energética dos habitantes da cidade.
O plano é lançar 99 balões no céu de Nova Iorque, que ficarão presos por cabos de aço, parados, produzindo eletricidade para a população. A ideia é soltar as bexigas em cima do aterro sanitário Fresh Kills, desativado em 2001 por não conseguir mais comportar resíduos.
Um dos objetivos do projeto é mostrar o potencial das fontes de energia limpa, até mesmo as mais inusitadas, como as bexigas. Com a ação, os organizadores do projeto também pretendem chamar atenção das pessoas para a destinação correta dos resíduos, uma vez que o aterro sanitário Fresh Kills, de onde serão soltas as bexigas, já foi considerado o maior lixão do planeta.
* Com informações da Exame.com.
** Publicado originalmente no site CicloVivo.
 

Relatório chama a atenção para desafio de produzir mais alimentos e energia com menos poluição

por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil
sa51 300x255 Relatório chama a atenção para desafio de produzir mais alimentos e energia com menos poluiçãoO CO2, o nitrogênio, o fósforo, o potássio e o zinco são importantes elementos para a agricultura mundial, pois são utilizados como fertilizantes, ajudando a aumentar a produtividade no setor de alimentos. No entanto, seu uso sem restrições pode trazer prejuízo, trazendo desequilíbrios para o meio ambiente e a saúde humana.
Como lidar com o desafio de produzir mais alimentos para a crescente população mundial utilizando-se dos benefícios desses fertilizantes, sem no entanto causar uma grande degradação ambiental? É essa questão que o relatório “Our Nutrient World”, publicado nesta semana, tenta responder.
O documento mostra como o uso excessivo de fertilizantes criou uma rede de poluição que levou a problemas ambientais, à degradação do solo e à perda de qualidade do ar e da água, o que, por sua vez, pode levar a prejuízos como a perda de segurança alimentar e de biodiversidade. Além disso, esses elementos trazem problemas a outros setores da economia, pois estão presentes também em outras cadeias de produção.
Para lidar com o problema, o relatório aponta dez ações chave que poderiam ajudar a maximizar os benefícios desses nutrientes para a humanidade e minimizar as muitas ameaças, principalmente ao setor agrícola.
Na agricultura, as ações são melhorar a eficiência do uso de nutrientes na produção agrícola; melhorar a eficiência do uso de nutrientes na produção pecuária; e aumentar o valor de equivalência dos fertilizantes de estrume animal.
Já no transporte, as ações seriam desenvolver sistemas de combustão de baixa emissão e energeticamente eficientes, incluindo fontes renováveis; e desenvolver a tecnologia e captura e utilização desses elementos.
Em se tratando de resíduos e reciclagem, as ações seriam melhorar a eficiência de nutrientes na cadeia de alimentos e reduzir o desperdício de alimentos; e reciclar o nitrogênio e o fósforo de sistemas de águas residuais em cidades, agricultura e indústria.
Nos padrões de consumo da sociedade, o documento sugere que se faça economias na energia e no transporte; e se reduza o consumo humano de proteína animal, evitando os excessos.
Por fim, o relatório diz que melhorar a eficiência no uso de nutrientes por toda a cadeia de fornecimento é um desafio para todos os países e que liga todas essas ações, contribuindo para uma economia verde. O texto sugere que até 2020 a eficiência no uso dos nutrientes melhore 20%, o que ajudaria, por exemplo, a economizar 20 milhões de toneladas de nitrogênio por ano.
O documento enfatiza que ainda há poucas ações intergovernamentais para resolver os desafios do nitrogênio, fósforo e outros nutrientes, e sugere que uma abordagem mais conjunta deve ser assumida para motivar ações comuns. No entanto, o relatório ressalta que nossas escolhas como cidadãos também fazem grande diferença, e que as iniciativas também devem partir da população.
O “Our Nutrient World”, desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), teve a contribuição do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para a pesquisa.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil)

ONG chama atenção para o lado humano das mudanças climáticas

por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
capa1 ONG chama atenção para o lado humano das mudanças climáticasA Environmental Justice Foundation produziu um relato sobre como as pessoas de Bangladesh já sofrem com os impactos do aquecimento global e destaca a importância de reconhecer o problema dos migrantes climáticos
Muitas vezes ficamos centrados nos estudos científicos sobre o clima e em números de variação de temperatura ou nos bilhões de dólares em prejuízos que este ou aquele fenômeno causaram e perdemos um pouco a real noção dos impactos das mudanças climáticas na vida das pessoas.
É com a intenção de chamar a atenção para esta realidade que a ONG britânica Environmental Justice Foundation (EJF) lançou no Dia dos Direitos Humanos (10 de dezembro) o relatório “A Nation Under Threat” (Uma Nação Ameaçada), que detalha como milhões de pessoas em Bangladesh já sofrem com as consequências das mudanças climáticas.
O documento aponta, por exemplo, que depois de afetadas por desastres naturais, a recuperação nas áreas rurais demora muito para acontecer, sendo que as taxas de desemprego seguem altas por até 18 meses.
As mudanças climáticas também têm tornado cada vez mais difícil a sobrevivência pela agricultura, uma vez que a imensa maioria dos produtores de Bangladesh não possui acesso a tecnologias modernas de plantio. Assim, qualquer chuva ou seca um pouco mais intensa causa a perda total das lavouras.
Outro dilema, que, segundo a EJF, é o maior desafio atual para os direitos humanos e para o desenvolvimento econômico é a intrusão de água salgada nas fontes potáveis. Muitas comunidades rurais estariam se tornando insustentáveis porque não possuem mais acesso à água para o consumo e para irrigação.
Todos esses problemas se somam e são os principais fatores para a migração de pessoas das áreas rurais para as urbanas. A capital, Daca, apresenta uma taxa de crescimento populacional de 966% nos últimos 30 anos.
Para piorar, as pessoas que vão para as cidades acabam tendo que viver de forma marginal, em periferias perigosas do ponto de vista da criminalidade e da saúde pública. Também são geralmente áreas de risco para desastres naturais. Barracos que mal podem ser chamados de casas se amontoam perto de rios que enchem ou em morros que desmoronam na primeira chuva mais forte.
“Nós fomos para casa e vimos que não havia restado nada. Não havia uma única residência na qual as pessoas poderiam morar. Somente as casas construídas aproveitando a proteção de árvores ficaram de pé, porém não estavam habitáveis. Todas as casas de pau-a-pique se foram”, disse Ataur Rahman, descrevendo o cenário após mais um ciclone assolar o país.
COP 18
Apesar de na Conferência do Clima de Doha (COP 18), que terminou no último sábado (8), os países mais ricos terem concordado em incluir no texto final que é preciso começar a liberar recursos para os mais vulneráveis se recuperarem dos impactos das mudanças climáticas, pouco de concreto foi feito.
“As negociações não foram ambiciosas o suficiente. Os delegados falharam ao não criar um caminho para facilitar a ajuda para os países mais pobres que já sofrem com as mudanças climáticas”, declarou Steve Trent, diretor do EJF.
O relatório sobre Bangladesh destaca que uma resposta mais sofisticada e coordenada da comunidade internacional é necessária. Segundo o documento, seria fundamental passar a olhar as mudanças climáticas como um drama humano, com o mesmo interesse que é dado para questões envolvendo os direitos humanos.
“Nossas falhas para lidar com as mudanças climáticas possuem um grande impacto na segurança alimentar, saúde pública e bem-estar, que são direitos essenciais de todas as pessoas. Os refugiados climáticos não possuem nenhum tipo de reconhecimento ou proteção. Precisamos identificar áreas e populações em risco climático e estudar como as estruturas ligadas aos direitos humanos podem ajudar”, afirmou Trent.
Esta visão é compartilhada por Rizwana Hasan, da Associação dos Advogados de Direito Ambiental de Bangladesh. “A mudança climática é um fenômeno que vem agravar problemas já existentes. A comunidade internacional deve buscar um novo conjunto de leis para lidar com esse desafio e com os refugiados, que vão aumentar ainda mais no futuro.”
“Acredito que toda a questão das mudanças climáticas costumava parecer algo difícil de entender, algo distante da realidade e por isso era ignorada. Mas estamos vendo sinais cada vez mais evidentes de seus impactos e temos que nos tornar mais conscientes e responsáveis pelo bem das futuras gerações”, concluiu a atriz Ashley Jensen, apoiadora da EFF.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil)

As mudanças climáticas e o mito do progresso humano

por Chris Hedges*
a31 300x221 As mudanças climáticas e o mito do progresso humanoClive Hamilton em seu “Réquiem por uma Espécie: Por que resistimos à verdade sobre a mudança climática”, descreve um alívio sombrio que vem de aceitar que a “catastrófica mudança climática é praticamente certa”. Esta obliteração de “falsas esperanças”, diz ele, exige um conhecimento intelectual e um conhecimento emocional. O primeiro é atingível. O segundo, por significar que aqueles que amamos, incluindo os nossos filhos, estão quase certamente fadados à miséria, insegurança e sofrimento dentro de poucas décadas, senão de alguns anos, é muito mais difícil de adquirir. Aceitar emocionalmente um desastre iminente, atingir a compreensão visceral que a elite do poder não vai responder de forma racional à devastação do ecossistema, é tão difícil de aceitar como nossa própria mortalidade. A luta existencial mais difícil do nosso tempo é a de ingerir esta terrível verdade – intelectualmente e emocionalmente – e continuar a resistir às forças que estão nos destruindo.
A espécie humana, liderada por europeus e euro americanos brancos, tem sido um alvoroço de 500 anos de conquistas, saques, pilhagens, explorações e poluições da Terra, bem como matando as comunidades indígenas que estavam no caminho. Mas o jogo acabou. As forças técnicas e científicas que criaram uma vida de luxo sem precedentes – bem como inigualável poder militar e econômico – para as elites industriais agora são nossa desgraça. A mania de expansão econômica e de exploração incessante tornou-se uma maldição, uma sentença de morte. Mas assim como nossos sistemas econômicos e ambientais desvendam-se, após o ano mais quente em 48 estados desde que a manutenção de registros começou há 107 anos, não temos a criatividade emocional e intelectual para desligar o motor do capitalismo global. Juntamos-nos a uma máquina do fim do mundo que tritura tudo em seu caminho, como o projeto de relatório do Comitê Consultivo Nacional do Clima e Desenvolvimento ilustra. Ilustração por Mr. Fish.
Civilizações complexas têm o mau hábito de destruírem-se. Antropólogos, incluindo Joseph Tainter em “O Colapso das Sociedades Complexas”, Charles L. Redman em “Impacto Humano em Ambientes Antigos” e Ronald Wright, em “Uma Breve História do Progresso” estabeleceram os padrões familiares que levam ao colapso do sistema. A diferença desta vez é que, quando descermos, todo o planeta irá conosco. Não haverá, com este colapso final, novas terras para explorar, nem novas civilizações para conquistar, nem novos povos para subjugar. A longa luta entre a espécie humana e a Terra terminará com os remanescentes da espécie humana aprendendo uma dolorosa lição sobre a ganância desenfreada e a autoadoração.
“Há um padrão no passado da civilização após civilização desgastando suas boas-vindas da natureza, superexplorando seu ambiente, super expandindo-se, super povoando”, disse Wright quando fiz contato com ele por telefone em sua casa em British, Columbia, Canadá. “Eles tendem a entrar em colapso pouco depois de chegarem ao seu período de maior esplendor e prosperidade. Esse padrão vale para uma série de sociedades, entre eles os romanos, os antigos maias e os sumérios do que é hoje o sul do Iraque. Há muitos outros exemplos, incluindo sociedades de menor escala como a Ilha de Páscoa. As mesmas coisas que fazem com que as sociedades prosperem no curto prazo, especialmente novas maneiras de explorar o ambiente, tais como a invenção da irrigação, levam ao desastre no longo prazo por causa de complicações imprevistas.
Isto é o que eu chamei de “armadilha do progresso” em “Uma Breve História do Progresso”. Temos colocado em movimento uma máquina industrial de tal complexidade e tal dependência em expansão que não sabemos como fazer com menos ou mudar para um estado de equilíbrio em termos de nossas demandas da natureza. Nós temos falhado em controlar o número de humanos. Eles triplicaram durante minha vida. E o problema é muito pior pelo crescente espaço entre ricos e pobres, a concentração de riqueza garante que nunca tem o suficiente para todos. O número de pessoas em extrema pobreza, hoje, é cerca de dois bilhões, maior do que toda a população do mundo no início de 1900. Isso não é progresso”.
“Se continuarmos a não tomar conta das coisas de uma forma ordenada e racional, iremos a algum tipo de catástrofe, mais cedo ou mais tarde”, ele disse. “Se tivermos sorte, será grande o suficiente para nos despertar em todo o mundo, mas não grande o suficiente para nos eliminar. Isso é o melhor que podemos esperar. Devemos transcender a nossa história evolutiva. Nós somos caçadores da Idade do Gelo, de barba feita e vestindo um terno. Nós não somos bons pensadores para longo prazo. Nós gostaríamos de desfiladeiro sim nos de mamutes mortos conduzindo um rebanho de um penhasco que descobrir como conservar o rebanho para que ele possa alimentar a nós e aos nossos filhos para sempre. Isto é a transição que nossa civilização tem que fazer. E nós não estamos fazendo isso.”
Wright, que em seu romance “Um Romance Científico” pinta um retrato de um mundo futuro devastado pela estupidez humana, cita “arraigados interesses políticos e econômicos” e uma falha da imaginação humana, como os dois maiores obstáculos à mudança radical. E todos nós, que usamos combustíveis fósseis, que nos sustentamos através da economia formal, diz ele, estamos em Sociedades capitalistas modernas, Wright argumenta em seu livro “O que é a América?: Uma Breve História da Nova Ordem Mundial”, derivam de invasores Europeus, a pilhagem das culturas indígenas das Américas do 16 ao século 19, juntamente com o uso de escravos africanos como uma força de trabalho para substituir os nativos.
Os números desses nativos caíram mais de 90% por causa da varíola e outras pragas que não existiam antes. Os espanhóis não conquistaram nenhuma das principais sociedades até a varíola os atingir; de fato, os astecas os venceram de primeira. Se a Europa não foi capaz de aproveitar o ouro das civilizações asteca e inca, se não tivesse sido capaz de ocupar a terra e adotar culturas altamente produtivas do Novo Mundo para uso em explorações agrícolas europeias, o crescimento da sociedade industrial na Europa teria sido muito mais lento. Karl Marx e Adam Smith chamaram atenção para o fluxo de riqueza das Américas como tendo feito a Revolução Industrial e possível o início do capitalismo moderno. Foi o estupro das Américas, ressalta Wright, que acionou a orgia de expansão europeia. A Revolução Industrial também equipou os europeus com sistemas de armas tecnologicamente avançados, criando mais subjugação e pilhagem, tornando a expansão possível.
“A experiência de 500 anos relativamente fáceis de expansão e colonização, a constante assunção de novas terras, levou ao mito capitalista moderno que você pode expandir para sempre”, disse Wright. “É um mito absurdo. Nós vivemos neste planeta. Nós não podemos deixá-lo e ir para outro lugar. Temos que trazer nossas economias e demandas da natureza dentro dos limites naturais, mas nós tivemos 500 anos em que os europeus, euro americanos e outros colonos invadiram o mundo e o dominaram. Esta execução de 500 anos fez com que a situação parecesse não só fácil, como normal. Nós acreditamos que as coisas vão sempre ficar maior e melhor. Temos que entender que este longo período de expansão e prosperidade era uma anomalia. Ele raramente aconteceu na história e nunca vai acontecer de novo. Temos que reajustar nossa civilização inteira para viver em um mundo finito. Mas nós não estamos fazendo isso, porque nós estamos carregando bagagem demais, versões míticas demais da história deliberadamente distorcidas e um sentimento profundamente arraigado de que ser moderno é ter mais. Isto é o que os antropólogos chamam uma patologia ideológica, uma crença autodestrutiva que leva sociedades a se destruírem e queimarem. Estas sociedades continuam fazendo coisas que são realmente estúpidas, porque elas não podem mudar sua maneira de pensar. E é aí que nós estamos”.
E, enquanto o colapso se torna palpável, se a história humana é um guia, nós como sociedades passadas em perigo vamos recuar em que os antropólogos chamam de “cultos de crise.” A impotência que sentiremos do caos ecológico e econômico irá desencadear delírios mais coletivos, como a crença fundamentalista em um deus ou deuses que vão voltar à Terra e nos salvar.
“Sociedades em colapso muitas vezes acreditam que se certos rituais são realizados todas as coisas ruins vão embora”, disse Wright. “Há muitos exemplos disso ao longo da história. No passado, estes cultos de crise aconteceram entre as pessoas que haviam sido colonizadas, atacadas e mortas por pessoas de fora, que perderam o controle de suas vidas. Eles veem nesses rituais a capacidade de trazer de volta o mundo passado, o que enxergam como uma espécie de paraíso. Eles procuram voltar ao modo de como as coisas eram. Cultos de crise espalharam-se rapidamente entre as sociedades americanas nativas no século 19, quando os búfalos e os índios estavam sendo mortos, por fuzis e pistolas, armas de fogo. As pessoas passaram a acreditar, como aconteceu no Ghost Dance, que se fizessem as coisas certas, o mundo moderno, que era intolerável, – o arame farpado, as ferrovias, o homem branco, a metralhadora – desapareceria”.
“Nós todos temos a mesma fiação psicológica básica”, disse Wright. “Isso nos faz muito mal em planejamento de longo prazo e nos leva a apegar-nos a ilusões irracionais, quando confrontado com uma ameaça séria. Olhe para a crença da extrema direita de que se o governo desaparecesse, o paraíso perdido da década de 1950 iria voltar. Olhe para a forma de como estamos deixando a exploração de petróleo e gás seguir em frente, quando sabemos que a expansão da economia do carbono é suicida para os nossos filhos e netos. Os resultados já podem ser sentidos. Quando se chega ao ponto onde grande parte da Terra experimenta quebra de safra ao mesmo tempo, teremos fome e colapsos em massa. Isso é o que está por vir se não lidarmos com as mudanças climáticas.”
“Se falharmos neste grande experimento, esta experiência de macacos se tornarem inteligentes o suficiente para assumir o comando do seu próprio destino, a natureza não se importará e dirá que foi divertido por um tempo deixar os macacos executar o laboratório, mas no final foi uma má ideia”, disse Wright.
* Chris Hedges é colunista para Truthdig.com. Hedge se formou em Harvard Divinity School e foi durante quase duas décadas correspondente estrangeiro para o New York Times. Ele é o autor de muitos livros, incluindo: A Guerra É Aquela Força Que Nos Dá Sentido, O Que Todos Deveriam Saber Sobre Guerra, e Fascistas Americanos: A Direita Cristã e a Guerra na América. Seu livro mais recente é Império da Ilusão.
** Publicado originalmente no site Carta Maior.
(Carta Maior)