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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A luta constante contra os agrotóxicos

por Cleber Folgado*
País lidera ranking mundial de uso de venenos na agricultura, prática impulsionada pelo agronegócio.
20130117 cpt1 A luta constante contra os agrotóxicos
Charges: Arquivo Coletivo de Comunicadores da Campanha contra os Agrotóxicos
Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. As quantidades jogadas nas lavouras equivalem a cerca de 5,2 litros de veneno por habitante ao ano e, no entanto, o Brasil representa apenas 5% da área agrícola entre os 20 maiores países produtores agrícolas do mundo; ou seja, nossa produtividade não justifica nossa posição de “liderança” no ranking de uso de venenos.
Essa quantidade absurda de venenos não se deu de forma natural. Ao contrário, é resultado de um processo de imposição que surge com o fim da Segunda Guerra Mundial, quando os restos de armas químicas utilizados na guerra foram adaptados para a agricultura com o objetivo principal de resolver o problema das empresas que ficariam com seus estoques e complexos industriais obsoletos com o fim da guerra. Esse processo, ocorrido em nível mundial, ficou conhecido como Revolução Verde.
No Brasil, para que esse processo fosse efetivado, teve papel determinante a criação do Sistema Nacional de Crédito Rural, em 1965, que vinculava a obtenção de crédito agrícola à obrigatoriedade da compra de insumos químicos pelos agricultores. Outro elemento chave foi a criação do II Programa Nacional de Desenvolvimento em 1975, que por sua vez disponibilizou recursos financeiros para a criação de empresas nacionais produtoras de agrotóxicos, bem como a instalação de subsidiárias de empresas transnacionais de insumos agrícolas.
Além disso, é importante lembrar que até 1989 – quando foi aprovada a lei 7.802 – tínhamos no país um marco regulatório defasado, o que facilitou o registro de centenas de substâncias tóxicas, muitas das quais já proibidas em outros países.
O uso de agrotóxicos causa um desequilíbrio ambiental que torna os agricultores e camponeses vítimas de um ciclo vicioso, em que a cada dia as “pragas” geradas pelo próprio uso de agrotóxicos exigem que sejam feitas aplicações com mais frequência, e com maiores doses.
Pronaf
20130117 cpt2 A luta constante contra os agrotóxicos
O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) é mais um exemplo de como o sistema de crédito agrícola está submisso ao pacote tecnológico, pois para que os agricultores acessem linhas de crédito para custeio e investimento no sistema produtivo, é preciso apresentar as notas de comprovação das compras de agrotóxicos, bem como outros insumos, sob o risco de não ter os recursos liberados pelo banco. Este processo fez com que o uso de venenos agrícolas fosse imposto aos pequenos agricultores. Ainda que existam linhas de crédito do Pronaf destinadas a uma produção sem veneno, em geral a burocracia para a liberação destes recursos é enorme, bem como é pequena a quantidade de recursos disponíveis.
No entanto, a grande quantidade de agrotóxicos utilizada no país é resultado das plantações do agronegócio, que é dependente do uso de venenos, já que não se pode garantir a produção de monocultivos sem a aplicação destes produtos. Segundo dados do ultimo Censo Agropecuário do IBGE, 30% das pequenas propriedades declararam usar agrotóxicos, enquanto que 70% das grandes propriedades adotam esta prática.
O aumento do uso de agrotóxicos no Brasil é reflexo direto da prioridade que o governo deu ao modelo de agricultura adotado pelo agronegócio, que tem a produção monocultora voltada para a exportação com base nas grandes propriedades, com utilização de maquinários pesados que degradam o meio ambiente, e com uso intensivo de agrotóxicos. Essa forma de produzir, ao longo dos anos, tem gerado sérios problemas no campo brasileiro: um dos principais é a contaminação das pessoas e do meio ambiente.
O crescimento desenfreado de uso de agrotóxicos no Brasil aumentou, principalmente, no período de liberação das sementes de variedades transgênicas, pois a maioria destas sementes é adaptada para utilização de algum tipo de agrotóxico. Segundo dados do IBGE e do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), entre 2004 e 2008 o crescimento da área cultivada no país foi de 4,59%, enquanto que no mesmo período o crescimento das quantidades de agrotóxicos vendidas foi de 44,6% – um aumento de quase dez vezes.
Saúde
20130117 cpt3 A luta constante contra os agrotóxicos
Um relatório apresentado pela Subcomissão Especial Sobre o Uso de Agrotóxicos e Suas Consequências à Saúde, instalada pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, afirma que os agrotóxicos representam um conjunto de problemas que afetam diretamente toda a população brasileira, apresentando vários dados que comprovam os problemas na saúde e no meio ambiente.
De acordo com o documento, 11,2 milhões de pessoas vivem em insegurança alimentar grave e reportaram alguma experiência de fome, e outros 14,3 milhões de brasileiros estão sofrendo insegurança alimentar moderada, quando há limitação de acesso quantitativo aos alimentos. Assim, 25,5 milhões de pessoas no nosso país vivem sob risco alimentar de moderado a grave.
De acordo com dados disponibilizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) à Subcomissão, o crescimento do consumo de agrotóxicos no mundo aumentou quase 100%, entre os anos de 2000 e 2009. No Brasil, a taxa de crescimento atingiu quase 200%, quando considerado o montante de recursos despendidos.
As pressões exercidas sobre o governo por parte das empresas produtoras de agrotóxicos são enormes, em especial sobre os órgãos de regulação. Este processo vem acompanhado com constantes propostas de flexibilização da legislação existente, principalmente no que diz respeito à liberação de novos registros de agrotóxicos. Atualmente existem 2.195 produtos registrados no Brasil, mas só 900 são comercializados. Os registros são de titularidade de 136 empresas diferentes. São cerca de 430 ingredientes ativos registrados. A comercialização desses produtos no país movimentou recursos da ordem de 7,3 bilhões de dólares, somente no ano de 2009. Frente a estes números, podemos compreender com facilidade o porquê de tanta pressão.
Como forma de enfrentar este quadro, no início de 2012 a presidenta Dilma se comprometeu com a constituição de um Grupo de Trabalho Interministerial que teria a tarefa de elaborar um Plano Nacional de Enfrentamento ao Uso dos Agrotóxicos. Infelizmente, esse grupo teve apenas uma reunião, ainda no primeiro semestre, e não mais se reuniu.
Governo
A posição do governo frente à questão dos agrotóxicos tem sido bastante frouxa, principalmente se consideramos a dimensão que o problema atinge. A única medida contundente em relação aos agrotóxicos acaba de ser derrotada: em julho de 2012, havia sido publicada no Diário Oficial da União (DOU) uma medida cautelar do Ibama que determinava uma série de condições para a aplicação aérea de agrotóxicos, e proibia o uso dos ingredientes ativos Imidacloprido, Fipronil, Tiametoxan e Clotianidina. Segundo dados do Ibama, os quatro princípios ativos correspondem a 10% do consumo brasileiro de defensivos, ou quase 7 mil toneladas de um total de 74 mil toneladas em 2011. Infelizmente, o governo cedeu frente às pressões exercidas pelo agronegócio (principalmente os setores organizados na CNA), e em 3 de outubro de 2012 publicou um ato conjunto do Ministério da Agricultura e do Ibama autorizando, em caráter temporário, o uso de produtos agrotóxicos que contenham Imidacloprido, Tiametoxan e Clotianidina para arroz, cana-de-açúcar, soja e trigo até o dia 30 de junho de 2013, obedecendo a períodos específicos de aplicação por região e por cultura. No dia 17 de dezembro de 2012, o Ministério da Agricultura apresentou uma proposta de regulação para as aplicações aéreas de produtos agrotóxicos que contêm Imidacloprido, Tiametoxam, Clotianidina e Fipronil para as culturas de algodão e de soja. Tal proposta teria sido construída entre Ibama e Ministério da Agricultura e, segundo o jornal Valor Econômico, a regulamentação será publicada em breve no DOU por meio de uma Instrução Normativa (IN).
Este não é o único caso que explicita a conivência do governo federal com as exigências feitas pelo agronegócio. Em novembro de 2012, vimos o gerente geral de Toxicologia da Anvisa, Luiz Claudio Meireles, ser exonerado por ter denunciado um esquema de corrupção existente dentro do órgão, que facilitava o registro de agrotóxicos para algumas empresas. A Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida – composta por mais de 60 entidades nacionais, entre elas Via Campesina, Contag, Fiocruz, Consea, Abrasco e Inca, entre outras – protocolou pedido de audiência com alguns ministérios e com o centro do governo para tratar do assunto, mas não foi recebida.
No Congresso Nacional, uma das principais investidas do agronegócio é representada pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, que tem exigido a criação de uma Agência Nacional de Agrotóxicos, que passaria a ser responsável pela liberação do registro dos venenos. Hoje, essa atribuição é determinada pela Lei nº 7.802/89, que divide as responsabilidades entre Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura.
Ademais, as facilidades criadas no último período para a liberação de sementes transgênicas dependentes do uso de agrotóxicos também demonstram a clara opção do governo pelo agronegócio.
Apesar das contradições existentes, uma conquista importante no processo de construção de uma nova forma de produzir alimentos sem o uso de agrotóxicos é a construção da Politica Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo), fruto da luta das organizações e da sociedade civil organizada que ao longo dos anos vem exigindo e apontando alternativas frente ao modelo hegemônico de agricultura. No entanto, é importante destacar que a Pnapo é insuficiente, pois não tem condições de garantir um processo massivo de transição para a agroecologia e, além disso, se torna frágil na medida em que não existe uma política nacional de enfrentamento ao uso de agrotóxicos, uma vez que as propriedades que adotarem uma forma de produção sem venenos estarão suscetíveis a possíveis contaminações de agrotóxicos utilizados em outras propriedades próximas. A legislação existente, que poderia proteger as áreas de produção orgânicas e agroecológicas, é fraca e constantemente desrespeitada.
Nos últimos anos, embora a sociedade tenha emitido claros sinais de que aumentou sua percepção em relação aos problemas gerados pelos agrotóxicos, as iniciativas do governo e dos alia-dos do agronegócio no Congresso Nacional têm andado na contramão. Os próximos anos serão de muita luta nesse campo; há, por exemplo, vários projetos de lei tramitando, e pouquíssimos deles objetivam diminuir ou controlar o uso abusivo de agrotóxicos. Pelo contrário, a maioria propõe a flexibilização da lei de agrotóxicos.
Em 2013, esperamos que a sociedade possa se organizar cada vez mais para enfrentar as disputas que virão em relação a este tema; afinal, não podemos deixar que o país se torne uma lixeira tóxica mundial.

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FONTE : * Cléber Folgado é dirigente do MPA/Via Campesina e Coordenador da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.
** Publicado originalmente no site Adital.

Quase metade dos rios na China estão poluídos

por Redação da The Diplomat
industrias Quase metade dos rios na China estão poluídos
Indústrias petroquímicas são as principais poluidoras dos rios chineses. Foto: Reprodução/The Diplomat
Ao todo, 40% dos rios do país estão seriamente poluídos e 20% são considerados tóxicos e impróprios ao contato humano
Durante as últimas semanas, o nível chocante de poluição do ar de Pequim e de outras cidades da China tem sido tema constante, tanto na mídia chinesa quanto na Ocidental.
Porém, tão assustador quanto as densas nuvens de fumaça que cobrem o céu é o aumento do nível de poluição das águas. De acordo com um relatório divulgado em 2012, “cerca de 40% dos rios chineses estão seriamente poluídos” e “20% estão tão poluídos que suas águas são tóxicas e impróprias ao contato humano”.
Parte do problema se deve às aproximadamente 10 mil indústrias petroquímicas ao longo do rio Yangtze e de outras 4 mil instaladas ao longo do Rio Amarelo. O cenário parece ainda mais alarmante se levarmos em conta que, embora extremamente poluídos, nenhum desses dois rios está entre os sete mais poluídos da China.
Segundo o Ministério de Supervisão do país, em média 1.700 acidentes industriais por ano poluem as águas da China. Os vazamentos (ou lançamentos) de poluição industrial nas águas dos rios chineses são responsáveis anualmente por cerca de 60 mil mortes prematuras.
No Brasil, esgotos dométicos são os principais poluidores
Em 2011, a fundação SOS Mata Atlântica divulgou uma análise feita com amostras de água de rios e lagos em 70 cidades de 15 estados e do Distrito Federal. O resultado é desanimador: em 4% das amostras, a qualidade da água é péssima, em 28% é ruim e em 68% regular.
De acordo com a organização, há 20 anos a poluição dos rios brasileiros era principalmente composta por resíduos industriais e produtos químicos. Hoje, esse tipo de poluição está mais controlado, mas foi substituído. Atualmente, cerca de 70% dos poluentes vêm do esgotos domésticos e 30% basicamente do lixo.

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FONTE : * Publicado originalmente na The Diplomat e retirado do site Opinião e Notícia.

Fem: Mudanças climáticas ganham destaque em Davos

por Jéssica Lipinski, do CarbonoBrasil
planeta Fem: Mudanças climáticas ganham destaque em Davos
Foto: Super tempestade Sandy / Nasa.
Apesar da atual conjuntura de crise financeira, assuntos relacionados ao aquecimento global e suas consequências ganham ênfase na pauta do Fórum Econômico Mundial; cerca de 30 reuniões, ou 15% do programa do Fem, abordarão o tema
Neste ano, cerca de 2.500 líderes globais de empresas, governos e ONGs se reunirão em Davos para mais uma edição do Fórum Econômico Mundial (Fem). Entre as pautas, assuntos costumeiros como segurança internacional e recessão econômica. No entanto, outro tema de igual importância parece estar finalmente recebendo a atenção merecida: as mudanças climáticas.
Cerca de 30 reuniões, ou 15% do programa do Fem, tratarão sobre as mudanças climáticas e assuntos relacionados, como resiliência ambiental, segurança alimentar e manejo de recursos naturais.
Não é para menos. Com os recentes acontecimentos de eventos climáticos extremos, como as secas e o furacão Sandy nos UEA, as secas e altas temperaturas na Austrália, e o derretimento recorde no Ártico e seus impactos na economia mundial, fica cada vez mais difícil negar as mudanças climáticas e seus efeitos não apenas no meio ambiente, mas também na vida do ser humano.
Para se ter uma ideia da gravidade da situação, um relatório lançado pelo fórum há duas semanas, baseado em uma pesquisa de mais de 1.000 especialistas da indústria, analisou 50 riscos globais em termos de impactos, probabilidade e interconexões, e classificou o aumento das emissões de gases do efeito estufa como o 3º maior risco global enfrentado atualmente.
O documento afirma que os eventos climáticos extremos, aliados às difíceis condições financeiras, representam uma combinação “cada vez mais perigosa” para a economia mundial.
“Na frente econômica, a resiliência global está sendo testada por políticas fiscais austeras. Na frente ambiental, a resiliência da Terra está sendo testada pelo aumento das temperaturas globais e eventos climáticos extremos que provavelmente se tornarão mais frequentes e severos. Um colapso grande e repentino em uma frente certamente prejudica a chance da outra de desenvolver uma solução efetiva e em longo prazo”, diz o texto.
Para lidar com esse impasse, John Drzik, diretor executivo do Fem, pediu que os criadores de políticas tomem medidas urgentes para combater os riscos ambientais e econômicos e sua relação.
“Duas tempestades – ambiental e econômica – estão a caminho de uma colisão. Se não alocarmos os recursos necessários para mitigar o crescente risco de eventos climáticos severos, a prosperidade global para futuras gerações pode ser ameaçada. Líderes políticos, líderes empresariais e cientistas precisam se unir para administrar esses riscos complexos”, comentou Drzik.
Nesse sentido, outro relatório, divulgado nesta segunda-feira (21) em Davos, declara que os US$ 5 trilhões anuais investidos em infraestrutura devem se tornar mais sustentáveis, a fim de estimular um desenvolvimento econômico ‘verde’.
De acordo com o documento, tornar a infraestrutura mais sustentável é incentivar, por exemplo, outras formas de geração de energia, como a solar e a eólica, e promover a eficiência energética em setores como a construção, a geração de energia, a indústria e os transportes. Isso, além de contribuir para um meio ambiente mais limpo, contribuiria também para um crescimento econômico maior e mais igualitário.
O texto indica que há alguns sinais positivos de mudanças, como o fato de que o investimento mundial em energias renováveis bateu um novo recorde em 2011, chegando a US$ 257 bilhões – uma alta de 17% em relação a 2010 – e que o investimento na mitigação e adaptação das mudanças climáticas chegou a US$ 268 bilhões no setor privado e US$ 96 bilhões no setor público em 2011, uma alta de 93% com relação a 2007.
No entanto, o relatório sugere que o que está sendo feito é pouco, e que ainda há muito investimento sendo feito em tecnologias e projetos poluentes e ineficientes. “Ainda há dinheiro do setor privado indo para a destruição climática”, lamentou Jake Schmidt, diretor internacional de políticas climáticas do Conselho Nacional de Defesa dos Recursos de Washington.
O documento mostra que, se uma pequena parcela dos investimentos vier do setor público, isso estimulará o setor privado a investir uma quantia muito maior. “Há muitos casos de sucesso no qual os governos orientam estrategicamente seus fundos públicos para mobilizar somas significativas de investimento privado para infraestrutura verde. É hora de ampliar essas soluções”, observou Thomas Kerr, diretor de Iniciativas de Mudanças Climáticas do Fem.
Por exemplo, o texto aponta que, se os atuais US$ 90 bilhões em gastos públicos globais contra as mudanças climáticas fossem aumentados em US$ 36 bilhões, chegando a US$ 126 bilhões, eles poderiam levar a um investimento privado de até US$ 570 bilhões anuais.
Além dos relatórios apresentados pelo Fem, documentos anteriores lançados por outros órgãos também estão sendo discutidos, como um texto do Pnuma que afirma que o planeta está a caminho de um aquecimento de 4ºC até 2100.
Outros assuntos, como a resposta do setor de seguros às mudanças climáticas, a segurança alimentar, e a necessidade de se investir em energias limpas para controlar o aquecimento global, também estão sendo abordados.

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FONTE : * Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.

Índios decidem combater extração ilegal de madeira no Maranhão e pedem presença da PF

por Alex Rodrigues, da Agência Brasil
madeira2 Índios decidem combater extração ilegal de madeira no Maranhão e pedem presença da PF
Madeira retirada ilegalmente de floresta no oeste paraense. Foto: Tiago Jara/Ibama
Brasília – Índios Pukobjê-Gavião da Terra Indígena Governador, em Amarante (MA), apreenderam, na semana passada, quatro caminhões e um trator que transportavam cerca de 20 metros cúbicos de ipê e de sapucaia derrubados por madeireiros que atuavam irregularmente no interior da terra indígena, localizada a cerca de 110 quilômetros de Imperatriz. Com medo de represálias dos madeireiros, os índios pedem a presença da Polícia Federal na reserva indígena.
A apreensão provocou revolta de moradores da cidade e continua gerando medo entre os índios, que, mesmo assim, prometem agir para impedir que os madeireiros continuem agindo impunemente no interior da terra indígena. “Estava demais. Eles estavam se aproximando cada vez mais das nossas aldeias, nos desrespeitando e levando nossas árvores”, disse à Agência Brasil, por telefone, Ubirajara Guará, cacique da Aldeia Nova, uma das três existentes no interior da reserva.
Os Pukobjê-Gavião temem que, sem a presença da Polícia Federal (PF) na área, os madeireiros prejudicados pela iniciativa indígena cumpram os boatos que tem corrido na cidade. “Andam dizendo que madeireiros prometeram pegar um por um os líderes das três aldeias. Isso quem disse foram as pessoas de fora da aldeia com quem temos contato. Tememos que aconteça algo como o que já ocorre em várias partes do país, onde índios são mortos. Por isso pedimos a presença da Polícia Federal”, disse o cacique.
Ubirajara afirma que ao menos um índio foi agredido durante os tumultos ocorridos em Amarante na semana passada e que, esta semana, desconhecidos sabotaram o fornecimento de energia elétrica para a Aldeia Nova e espalharam tábuas com pregos na estrada próxima à entrada da Aldeia Governador. Além disso, alguns comerciantes deixaram de atender aos índios.
Inicialmente, nem os próprios policiais federais e fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) escaparam de ser alvo dos protestos de pessoas contrárias à iniciativa indígena. Procurada, a assessoria da PF revelou que uma das viaturas policiais foi atingida por dois tiros durante os protestos da semana passada.
O gerente executivo substituto do Ibama em Imperatriz, Felippe Dias Lucas, disse à Agência Brasil que ele e outro fiscal ambiental, além de seis policiais federais, foram impedidos, por falta de segurança, de levar para Imperatriz (MA) os caminhões e o trator apreendidos pelos índios, tendo que permanecer na aldeia até que policiais militares deslocados de cidades próximas chegassem à Amarante. Segundo Lucas, ao menos 60 pessoas participavam dos protestos e muitas estavam visivelmente alcoolizadas.
“Fomos acionados pelos próprios índios e chegamos à aldeia por volta do meio-dia do dia 15. Só então soubemos da manifestação na cidade e que populares, provavelmente incitados por madeireiros, tinham feito uma barreira na estrada que liga a aldeia ao município. O delegado federal tentou negociar com alguns manifestantes o fim do bloqueio, mas como não obteve sucesso, tivemos que permanecer na aldeia até a madrugada do dia seguinte, quando chegou reforço policial e o número de manifestantes diminuiu”, disse o gerente executivo a Agência Brasil.
Após essa primeira tentativa, as autoridades retornaram a Amarante na madrugada de quinta-feira (17). Dessa vez o grupo era formado por 16 agentes federais, 30 policiais militares e servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai). Segundo a assessoria da PF em Imperatriz, o aparato policial serviu para coibir novos protestos e o grupo, enfim, conseguiu transferir os veículos apreendidos para o pátio da Funai, em Imperatriz. Já a madeira extraída ilegalmente permanece na aldeia, à espera de que o Ibama conclua o processo de apreensão.
Esta não é a primeira vez que algo parecido ocorre em Amarante. Em 2010, homens armados invadiram a aldeia Rubiácea, na mesma Terra Indígena Governador, para tentar recuperar três caminhões carregados de madeira ilegal apreendidos durante a Operação Arco de Fogo, do Ibama.
“Naquela e em outra regiões do estado há poucas áreas com potencial para fornecer madeira legalmente. Isso faz com que a pressão sobre as terras indígenas e outras áreas de proteção ambiental seja muito grande. Além disso, a Terra Indígena Governador é um alvo fácil, já que fica muito próxima a Amarante”, explica Lucas.
Para o missionário do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Maranhã, os órgãos responsáveis, sobretudo a Funai, não está conseguindo dar uma resposta satisfatória aos problemas da Terra Indígena Governador. “Daí os próprios índios estarem tomando suas medidas. Só que, com isso, a tensão tem crescido e o clima de animosidade de parte da população contra a comunidade está crescendo”.
Ubirajara disse que como as autoridades dificilmente conseguiam flagrar a extração ilegal de madeira na terra indígena, os Pukobjê-Gavião decidiram criar grupos para vigiar a área. “Nossa impressão é que os madeireiros eram avisados da operação e, por isso, os governos gastavam um dinheirão e nunca pegavam ninguém. Por isso montamos nossa própria estratégia. Não temos poder para prender ou multar ninguém, mas podemos apreender o material de quem está acostumado a ganhar dinheiro fácil desrespeitando nossa terra e comunicar as autoridades”.
Para evitar retaliações, a comunidade está limitando o acesso de pessoas estranhas ao interior da reserva, interrompendo após as 18 horas o tráfego de veículos pela estrada que corta a terra indígena e que liga Amarante a Campo Formoso. De acordo com o cacique, a passagem só é permitida à ambulâncias e em casos de emergência.
Questionada sobre o assunto, a assessoria da PF informou que a delegacia de Imperatriz tem apenas 22 agentes, um efetivo pequeno para viabilizar operações permanentes no interior da reserva indígena. A PF assegurou ainda que, sempre que acionada ou necessário, realiza ações pontuais, mas que não há, por enquanto, nenhum plano sendo discutido em função do medo dos índios de sofrerem represálias.

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FONTE : * Edição: Fábio Massalli.
** Publicado originalmente no site Agência Brasil.

Manchetes Socioambientais - 24/jan/2013



Lúcio Flávio Pinto é novamente condenado pela Justiça
Depois de receber no final do ano passado o Prêmio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, o jornalista paraense, que edita há 25 anos o Jornal Pessoal, foi novamente condenado pelo judiciário paraense a pagar R$ 410 mil (ou 600 salários mínimos) ao empresário Romulo Maiorana Júnior e à empresa Delta Publicidade S/A, de propriedade da família dele, dona de um dos maiores grupos de comunicação da Região Norte e Nordeste - Notícias Socioambientais, 24/1.


Amazônia

Megaprojeto privado cria rota exportadora no Norte
Empresas privadas lançaram um megaprojeto para criação de um novo corredor logístico, capaz de escoar até 20 milhões de toneladas de grãos do Mato Grosso pela Região Norte. O plano se tornou viável com o avanço das obras de pavimentação da BR-163 e vai exigir investimentos de R$ 3 bilhões na construção de estações de transbordo, armazéns, terminais portuários, empurradores e barcaças. Boa parte dos recursos deve ser investida no município paraense de Itaituba, especificamente no distrito de Miritituba, na margem direita do Tapajós, próximo ao entroncamento entre as rodovias BR-163 e BR-230. O município será uma espécie de "hub", capaz de receber a produção da região e distribuí-la, em comboios de barcaças, para os grandes portos fluviais exportadores da Bacia Amazônica - Valor Econômico, 24/1, Empresas, p.A1 e B14.


Energia

Dilma desafia críticos e antecipa desconto na luz
A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem, em cadeia nacional de rádio e televisão, que as contas de luz das famílias brasileiras cairão 18% e as do setor produtivo (indústria, agricultura, comércio e serviços) até 32%, já a partir de hoje. Os percentuais são maiores do que ela divulgara em setembro e o prazo para vigência da medida foi antecipado em 13 dias. Em setembro, ela anunciara redução de 16,2% nas tarifas residenciais e de até 28% na indústria. A pretensão do governo era adotar a medida a partir de 5 de fevereiro. Ontem, em tom enfático e desafiador, a presidente classificou de "sem fundamento" as previsões de que o governo não conseguiria reduzir as tarifas de energia e descartou qualquer risco de racionamento energético, afirmando que o sistema brasileiro é "um dos mais seguros do mundo" - O Globo, 24/1, Economia, p.23; OESP, 24/1, Economia, p.B1; FSP, 24/1, Mercado, p.B1.

As alternativas na crise energética
"Mais uma vez, o risco vivido pelo país de sofrer uma crise de energia elétrica, por conta da falta de chuvas, mostrou a necessidade de se manter uma matriz energética diversificada. Essa matriz deve contemplar todas as fontes disponíveis para a geração de eletricidade, reduzindo a dependência das condições climáticas, cada vez mais adversas com o progressivo aumento do aquecimento global. É inevitável que as térmicas aumentem seu peso na matriz elétrica, e a ampliação do parque nuclear, dentro desse contexto, é uma decisão racional e natural para dar maior segurança ao sistema elétrico brasileiro", artigo de Ruth Alves e Edson Kuramoto, dirigentes da Associação Brasileira de Energia Nuclear - O Globo, 24/1, Opinião, p.21.


Política Socioambiental

Angra e Paraty fazem despejo do lixo em locais impróprios
Angra dos Reis e Paraty (RJ) convivem, desde o início do ano, com um problema diário de 270 toneladas. Ambos os municípios estão despejando seus resíduos em locais inapropriados, segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). A presidente do órgão, Marilene Ramos, afirma que o destino dos detritos, o aterro de Ariró, em Angra, opera em condições precárias, semelhantes às de um lixão, sem controle ambiental. A solução emergencial pode vir acompanhada de um alto custo, o aterro de Seropédica, destino recomendado pelo Inea, fica a 116 quilômetros de Angra e 196 de Paraty, pode ser o mais próximo das cidades. Com isso, as despesas para descartar o lixo vão mais do que triplicar, de acordo com estimativas das prefeituras - O Globo, 24/1, Rio, p.13.

Brasil não doa dinheiro prometido, diz Pnuma
Seis meses após o encerramento da Rio+20, a cúpula do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) revela que não recebeu nenhum centavo da doação de US$ 6 milhões prometida pela presidente Dilma Rousseff ao fim da conferência. Um dos pontos centrais do debate na cúpula foi justamente a disposição dos governos em apoiar financeiramente ações nos países emergentes para que consigam reduzir suas emissões de gases de efeito estufa e diminuir as consequências das mudanças climáticas. Em nota, o Ministério do Meio Ambiente disse que os US$ 6 milhões estão no orçamento do órgão e que o repasse será efetuado ainda no primeiro trimestre de 2013 - OESP, 24/1, Vida, p.A19.

Obama e a História
"O presidente dos EUA recém-eleito pode usar a força do seu governo para garantir que o país terá, sim, metas ambiciosas de redução das emissões de gases de efeito estufa. Mesmo que seja só depois de 2015. Há dias, o negociador americano nas rodadas do clima, Todd Stern, praticamente sugeriu o fim dos eventos internacionais para discutir o assunto. Para ele, as metas para redução das emissões devem ser decididas internamente, em cada país. Estes planos seriam apresentados às outras nações seis meses antes de serem implantados. Somente para que os outros pudessem comentar. Parece brincadeira, mas não é. A hora é essa. Ou Obama entra para a História pelas coisas relevantes que fez ou será sempre e apenas o primeiro presidente negro dos Estados Unidos", coluna de Agostinho Vieira - O Globo, 24/1, Economia, p.28.     

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FONTE : Manchetes Socioambientais, Boletim de 24/janeiro/2013.