Powered By Blogger

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Oceano Ártico precisa de medidas internacionais para conter derretimento do gelo

Oceano Ártico propriamente dito é governado pela lei do mar, que todas as nações aceitam como uma lei internacional estabelecida

Nenhum país será “dono” do Pólo Norte, que está localizado aproximadamente a 640 quilômetros ao norte de qualquer outra porção de terra. O Oceano Ártico central pertence à humanidade; seus desafios são responsabilidade de todas as nações. Esses desafios – de acidentes que ameaçam a vida, derramamentos de petróleo e pesca excessiva – estão aumentando o derretimento do gelo marinho e navios de todos os tipos estão ganhando acesso. Artigo de Michael Byers, no International Herald Tribune.

O Tratado Antártico, de 1959, é às vezes proposto como um modelo para a governança do Ártico. Mas o Tratado Antártico foi realizado por países que tinham desenvolvido interesses legais lá.

O Ártico já teve mais atividade do que a Antártica. Cerca de 20% do PIB da Rússia vem de seus territórios árticos, principalmente os lucros do petróleo e gás. E diferente da Antártica, o Ártico abriga populações indígenas.

O Ártico também já está substancialmente regulado por leis domésticas e internacionais. Enquanto a Antártica é um continente cercado por oceanos, o Ártico é um oceano cercado por continentes. Todas as terras pertencem incontestavelmente a uma ou outra nação ártica, com a exceção insignificante da Ilha Hans, uma ilhota rochosa no meio do caminho entre a Groenlândia e o Canadá.

O Oceano Ártico propriamente dito é governado pela lei do mar, que todas as nações aceitam como uma lei internacional estabelecida. Desenvolvidas ao longo de séculos de prática diplomática, essas regras foram codificadas na Convenção da ONU sobre a Lei do Mar, que a maioria das nações – embora os EUA ainda não – ratificou.

Como no resto do mundo, os mares territoriais das nações do Ártico se estendem 22 quilômetros a partir da costa. Dentro dessa faixa, os estados costeiros têm poderes extensivos sobre a navegação estrangeira e direitos absolutos sobre a pesca e recursos marinhos como o petróleo e o gás. Entre 22 e 370 quilômetros, na chamada zona econômica exclusiva, os estados costeiros não têm poderes sobre a navegação estrangeira, mas têm direitos absolutos sobre a pesca, petróleo e gás.

Além dos 370 quilômetros, os estados costeiros perdem seus direitos sobre a pesca, mas mantêm o direito sobre os recursos do fundo do mar – onde quer que possam demonstrar cientificamente que o fundo do oceano é uma “prolongação natural” da placa continental próxima à costa. Isso significa que colocar uma bandeira no fundo do oceano no Pólo Norte, como o explorador e político russo Artur Chilingarov fez em 2007, não tem nenhuma consequência legal a mais do que colocar uma bandeira na lua. Isso também significa que a maior parte do petróleo e do gás, que costuma ser encontrado na placa continental, está localizada dentro da jurisdição incontestada de um ou outro estado costeiro.

Os temas cruciais do Oceano Ártico central dizem respeito à segurança dos navios e o gerenciamento da pesca. Por este motivo, os Estados Unidos recentemente lideraram uma negociação de um tratado de busca e resgate envolvendo todas as nações do Ártico, inclusive a Rússia. O tratado designa zonas de responsabilidade dos estados costeiros para busca e recuperação que se estenda das águas internacionais até o Pólo Norte.

As condições do Ártico demandam padrões precisos de construção de navios, incluindo um reforço para o gelo, cascos duplos, botes salva-vidas cobertos e equipamento avançado de navegação. A Organização Marítima Internacional passou anos negociando um Código Ártico para a navegação, mas o documento foi rebaixado para um conjunto de orientações em 2002 – por conta da insistência dos EUA. O governo Obama deverá reverter essa decisão e liderar o esforço internacional para tornar as normas obrigatórias.

À medida que o Oceano Ártico se aquece, espécies de peixe valiosas como o salmão sockeye do Pacífico e o bacalhau do Atlântico estão se movendo para o norte. Essas espécies que existem no alto mar, ou se movimentam entre o alto mar e as zonas econômicas exclusivas dos estados costeiros, são extremamente vulneráveis às frotas de pesca de longo alcance dos países não árticos.

Em 2008, os senadores Ted Stevens e Lisa Murkowski do Alaska co-patrocinaram uma resolução do Senado dirigindo o governo dos EUA a negociar o estabelecimento de uma organização de gerenciamento da pesca internacional para o Oceano Ártico. Organizações similares já existem e são eficientes no Atlântico Norte e outros lugares.

Estabelecer uma organização como esta exigiria o apoio de outras nações do Ártico, e a associação teria de ser aberta também a estados que não pertencem ao Ártico. Assim, estes países teriam acesso à pesca além das 200 milhas náuticas da costa (370 quilômetros), mas apenas se o consenso sobre quotas, baseado na ciência, for atingido.

A resolução Stevens-Murkowski determinava ainda que, no ínterim, “os Estados Unidos deveriam apoiar esforços internacionais para impedir a expansão das atividades de pesca comercial no alto mar do Oceano Ártico”. A resolução foi aprovada unanimemente e assinada como lei pelo presidente George. W. Bush. Então, em 2009, o governo Obama impôs uma moratória sobre toda a pesca comercial nas águas federais ao norte do Alaska – assinalando assim a seriedade com a qual lida com o assunto.

Até agora, tudo bem. Mas costuma ser mais fácil atingir um acordo internacional antes que os interesses dos países estejam estabelecidos. Por este motivo, a velocidade é essencial. O alto mar ao norte do Estreito de Bering já está sem gelo no final do verão – e mais próximo da Coreia do Sul, Japão e a China do que muitos dos lugares onde os barcos de pesca de longo alcance desses países operam atualmente.

O Ártico não é o Velho Oeste da imaginação popular, e tampouco é uma região onde a cooperação internacional é completa. À medida que o gelo derrete, novas regras para navegação e pesca são necessárias, rápido.

(Michael Byeres é professor de política global e lei internacional na Universidade de British Columbia em Vancouver e autor de “Quem é Dono do Ártico?”)

**************************************
FONTE : Artigo do International Herald Tribune, em UOL Notícias. Tradução: Eloise De Vylder. (EcoDebate, 23/08/2011).

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O caminho para a adaptação climática no Brasil

Vinte anos após o lançamento do 1º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), os impactos dos eventos climáticos sobre a população humana continuam sendo intensamente debatidos. Assim, medidas para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e adaptação às adversidades climáticas têm sido tomadas em vários países do mundo, seja individualmente ou cooperativamente via Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC).

Nos últimos anos, o Brasil teve grande destaque no desenvolvimento de projetos de redução de emissões de GEE, ficando em 3º lugar no ranking mundial dos países com mais projetos financiados pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) – mecanismo estabelecido pelo Protocolo de Kyoto que prevê o pagamento por tonelada de CO2 que deixa de ser emitida ou é removida da atmosfera nos países em desenvolvimento. Somente com esses projetos, estima-se que o Brasil tenha conseguido evitar a emissão de cerca de 200 milhões de toneladas de CO2 até o momento.

Contudo, o avanço do Brasil e do mundo na mitigação de emissões de GEE via mecanismos de mercado de créditos de carbono não será suficiente para impedir que as alterações climáticas atinjam de forma drástica regiões vulneráveis. A ciência diz que efeitos drásticos das mudanças climáticas serão sentidos se a temperatura média aumentar em 2ºC até o final do século. Infelizmente, o cenário atual é o pior possível. Desta forma, ações estratégicas para adaptação são urgentes para amenizar os impactos previstos para várias regiões.

Em relação à intensidade das mudanças climáticas, ainda existem muitas incertezas quanto a seu real impacto para as diferentes regiões brasileiras, dada a sua diversidade climática, biológica, social e econômica. Visto isso, atualmente, tem-se investido na criação de modelos que demonstrem, em escala regional, os efeitos das mudanças climáticas no território brasileiro, em complemento às projeções publicadas pelo 4º Relatório de Avaliação do IPCC – cuja escala é global e, portanto, não permite uma análise acurada da vulnerabilidade e impactos da mudança do clima.

Partindo destes modelos e das diferenças regionais identificadas no Brasil, as regiões Amazônica e Nordeste foram apontadas como as áreas potencialmente mais afetadas pelas alterações climáticas. Esta atribuição deve-se aos aspectos ambientais frágeis destas regiões, além do baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que as torna especialmente vulneráveis e pouco resilientes em relação aos efeitos adversos do clima. Dentre os eventos projetados para estes territórios estão o aumento de secas intensas, afetando diretamente a economia local, e o aumento da disseminação de doenças como a malária e a leishmaniose visceral e tegumentar.

Além disso, projeta-se a intensificação dos fluxos migratórios, principalmente na região Nordeste, onde espera-se que o número de emigrantes aumente, ocasionando a busca por espaço em outras regiões e, consequentemente, possíveis conflitos pelo uso e ocupação do solo.

Não menos crítica é a situação de regiões costeiras e insulares altamente vulneráveis principalmente às alterações na dinâmica marítima, que podem impactar não só comunidades a beira-mar com a destruição da costa, como também implicar um déficit generalizado do estoque de água doce devido à intrusão salina em aquíferos. No entanto, por estas serem consideradas regiões de maior resiliência, menor atenção tem sido dada a tais impactos que, de fato, podem afetar a economia local, ocasionando a redução da qualidade de vida da população.

Apesar da severidade dos cenários apresentados acima, pouco foi feito para promover a adaptação à mudança climática no Brasil. A primeira ação significativa nessa linha será realizada nesse ano de 2011, quando acontecerá a 1ª chamada pública para apresentação de projetos no âmbito do Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas – Fundo Clima. Serão selecionados projetos de adaptação às mudanças climáticas que receberão recursos financeiros a fundo perdido. São cerca de R$ 27 milhões que serão destinados a ações de adaptação como o desenvolvimento tecnológico, o combate à desertificação, a prevenção de desastres e a melhoria da gestão pública.

As políticas públicas vigentes no país poderiam amenizar, significativamente, os impactos climáticos caso fossem de fato aplicadas, visto que o desenvolvimento de um ambiente menos vulnerável depende de ações concretas no saneamento básico, gestão territorial e melhoria na saúde preventiva da população.

Este contexto, somado à criação da Política Nacional sobre Mudança do Clima, instituída pela lei 12.187/2009, que reforça a necessidade de medidas para a adaptação, recoloca em pauta a necessidade de ações para o desenvolvimento básico da população brasileira e aumento da sua qualidade de vida para que, de fato, o Brasil possa enfrentar a mudança climática global.

******************************************

FONTE : os autores Felipe Bittencourt e Fernanda Soares são consultores da WayCarbon (www.waycarbon.com).

Na Amazônia e no Código Florestal, a ciência quer ser ouvida, artigo de Washington Novaes

Ao mesmo tempo que o Senado retomava nesta semana as discussões sobre propostas de mudanças no Código Florestal, a presidente da República baixava medida provisória que altera (para reduzi-los) os limites de três parques nacionais na Amazônia, de modo a permitir que se executem neles obras das Hidrelétricas de Tabajara, Santo Antônio e Jirau. Outros dois parques deverão seguir o mesmo caminho, para permitir o licenciamento de mais quatro usinas (no complexo Tapajós).

Reabrem-se, por esses caminhos, polêmicas e temores de que a nova legislação e o novo Código Florestal estimulem o aumento do desmatamento, como parece já estar ocorrendo. Segundo o Imazon, entre agosto de 2010 e julho de 2011 a área desmatada no bioma amazônico subiu para 6.274 quilômetros quadrados. E a progressão do desmate, segundo o Ibama de Sinop (MT), está sendo estimulada “pela expectativa de anistia aos desmatadores” no código. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de áreas de soja em novos desmatamentos em Mato Grosso, Rondônia e no Pará quase dobrou (de 76 para 147 áreas) em relação a 2010.

Dizem muitos defensores das alterações no Código Florestal que as mudanças são indispensáveis para a expansão do agronegócio. É uma visão contestada por cientistas, que apontam, só em Mato Grosso, 8 milhões de hectares de pastos degradados (Estado, 20/7). É a opinião também do respeitado biólogo norte-americano Thomas Lovejoy, lembrando que na Amazônia a média é de uma cabeça de gado por hectare ocupado, muitas vezes inferior à de outros lugares, mesmo no Brasil, e pode ser melhorada, sem novos cortes. E “a Amazônia é a galinha dos ovos de ouro do agronegócio brasileiro”, diz ele (Folha de S.Paulo, 16/8). O desmatamento maior permitido pelas alterações no código, afirma, “pode ser um tiro no pé dos ruralistas”, se chegar a 20% da floresta (está em 18%), e talvez atinja um “ponto de inflexão” em que o aumento da temperatura pode estender-se até a outras áreas no Sul-Sudeste, com muitos problemas para a agropecuária.

As preocupações com a relação entre desmatamento, mudanças climáticas e “desastres naturais” estão presentes em muitos estudos científicos recentes. O Inpe é uma das instituições preocupadas – e também com um crescimento de 100% nas tempestades e catástrofes “naturais” nos próximos 60 anos no Sudeste, e mais ainda nas regiões litorâneas; três vezes mais até 2070 (Estado, 9/8). Já na Amazônia, especificamente, estudo conjunto do Inpe e do Escritório Meteorológico Hadley Centre (Grã-Bretanha) prevê forte aumento da temperatura e queda significativa na precipitação fluvial. Isso poderá significar substituição da floresta por outros tipos de vegetação.

Pois é exatamente neste momento, de tantas advertências científicas, que vem mais um alerta da Amazônia: as instituições científicas não estão sendo ouvidas na questão do Código Florestal. Nem em outras, como a da espantosa decisão de reverter uma decisão judicial e retomar o projeto de construção de um porto diante do invejável Encontro das Águas, em Manaus, onde os Rios Solimões e Negro se encontram e correm separados por quilômetros – as águas barrentas de um ao lado das águas mais escuras do outro -, fenômeno que atrai gente do País e do mundo todo.

O perigo parecia afastado quando uma decisão judicial embargou, em julho de 2010, a pedido do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o licenciamento do porto. Mas há poucos dias outra decisão, da Justiça Federal em Manaus, alegando que não houve audiências públicas antes de ser pedida a suspensão do licenciamento ambiental, revogou o embargo. E o governo do Estado do Amazonas, favorável à instalação do porto, imediatamente concedeu a licença para o projeto. Diz o Iphan que vai recorrer da decisão, também contestada pelo Ministério da Cultura – e que vem na mesma direção do “facilitário do desenvolvimento econômico” presente no desmatamento.

E – é preciso reiterar – tudo se faz esquecendo a visão da ciência. Como em outro ângulo: um grupo do Museu da Amazônia e do Instituto de Pesquisas da Amazônia está dizendo, num paper, que existe “uma grande variedade de áreas úmidas” no País, como “áreas alagadas ao longo de grandes rios, com diferente qualidade de águas (pretas, claras, brancas), baixios ao longo de igarapés de terras firme, áreas alagáveis nos grandes interflúvios (campos, campinas e campinaranas alagáveis, campos úmidos, veredas, campos de murunduns, brejos, florestas paludosas), assim como áreas úmidas de estuário (mangues, banhados e lagoas costeiras”. Cada um desses tipos, diz o estudo, deve receber “tratamento específico em forma de artigo específico no Código Florestal, que deve conter flexibilidade suficiente para absorver os avanços do conhecimento científico”.

Mas isso não está ocorrendo, com prejuízos para a sociedade e o meio ambiente, já que as áreas úmidas “proporcionam benefícios e serviços ambientais importantes”. Como, por exemplo, estocagem de água, limpeza de água, recarga do lençol freático, regulação do clima local, manutenção da biodiversidade, regulação de ciclos biogeoquímicos, inclusive estocagem de carbono, hábitat e subsídios para populações humanas tradicionais (pesca, agricultura de subsistência, produtos madeireiros e não madeireiros e, em áreas abertas savânicas, pecuária extensiva).

Esse papel das áreas úmidas, afirma o texto, “vai aumentar ainda, considerando os impactos das mudanças climáticas previstas”. Só na bacia amazônica são 30% da área; no Pantanal, 160 mil quilômetros quadrados. Ao todo, incluindo outras áreas, 20% do território brasileiro. Por tudo isso, os usos potenciais dessas áreas “deverão ter reconhecimento específico, dentro do Código Florestal e em outras instâncias federais”.

É a voz da ciência. É preciso ouvi-la nesta nova discussão no Congresso. E no Encontro das Águas.

****************************8

FONTE : Washington Novaes é jornalista. Artigo originalmente publicado em O Estado de S.Paulo. (EcoDebate, 22/08/2011).

Em defesa da fauna costeira pesquisa alerta para poluição do mar

Há dois meses, ao norte do Rio Grande do Sul, dezenas de maçaricos-de-papo-vermelho foram encontrados mortos nas praias do litoral. Segundo observam os pesquisadores, já se constata uma redução de quase 60% nas populações dessa ave migratória, que todos os anos foge das baixas temperaturas do Ártico, voando até a Patagônia argentina e passando por toda a costa brasileira, onde faz paradas para descansar e alimentar-se. É um animal que, a ritmo acelerado, está caminhando para a extinção. As tartarugas marinhas parecem não ter melhor sorte. A cada ano, sobe o número de quelônios que aparecem mortos ou em péssimas condições de saúde na costa fluminense. Nelas, os biólogos geralmente constatam a presença de plástico no estômago e um grande número de bactérias patogênicas. “Ambos os casos são emblemáticos da alteração drástica e da rápida redução dos ambientes que essas espécies habitam, resultado das mudanças promovidas pelo homem.” Para o biólogo Salvatore Siciliano, da Fundação Oswaldo Cruz, e pesquisador visitante da FAPERJ, “parece que retrocedemos 40 anos”. “As políticas de desenvolvimento a qualquer custo, a exemplo do modelo chinês, têm significado inestimáveis prejuízos ambientais.”

Ao dar continuidade ao projeto, Salvatore e equipe também tem trabalhado em conjunto com Reinaldo Calixto de Campos, professor do Departamento de Química da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, no projeto “Suporte Analítico a Estudos Ambientais, de Saúde e Tecnológicos”. “Eles vêm me encaminhando amostras desses animais coletados para análise no laboratório. Os resultados têm mostrado a presença de contaminantes acima dos níveis naturais esperados, em grande parte das amostras”, fala o professor Reinaldo.

Integrante da equipe de Salvatore na Fiocruz, o doutorando Jailson Fulgencio de Moura – que contou com apoio de bolsa de mestrado da FAPERJ –, é um dos pesquisadores que vêm recolhendo amostras de boto-cinza no litoral fluminense, entre Saquarema, na região dos Lagos, e São Francisco do Itabapoana, no norte fluminense. “Na comparação com exemplares recolhidos no Amapá, nossa expectativa era de que a bacia Amazônica e do Orinoco pudessem estar distribuindo níveis expressivos de mercúrio por aquela área. Mas os resultados mostraram exatamente o contrário: as amostras do Amapá apresentavam níveis bem mais baixos para mercúrio e condições bem melhores do que as fluminenses.”

Segundo Jailson, os níveis bem maiores de metais pesados nos botos recolhidos no Rio de Janeiro podem resultar da atividade de antigos garimpos ao longo do rio Paraíba do Sul, de resíduos de agrotóxicos usados no cultivo de cana, ou mesmo do aporte de efluentes de atividade industrial na baía de Guanabara. “Pelo que pudemos constatar, a grande maioria dos 20 botos coletados, mortos em consequência de captura acidental em rede de pesca, mostrava deformidades ósseas. Só a continuidade dos estudos nos dirá se essas deformidades teriam sido provocadas por contaminantes industriais”, calcula Jailson.

Se para a fauna marinha os prejuízos da atividade humana são visíveis, eles também são perceptíveis para o homem. Um número crescente de casos recentes de lobomicose, no Acre, apontam para o ressurgimento de uma doença que se acreditava quase extinta no país. “Descrita na década de 1930 nos índios da etnia kaiabi, da região central do Xingu, e considerada rara, a lobomicose acomete humanos e também golfinhos. É um tipo de micose severa, que causa verrugas na pele que precisam ser retiradas cirurgicamente. Foram observados doentes no norte do Rio Grande do Sul, no Paraná e no Acre, onde houve dezenas de casos.” Provocada por fungos saprofíticos, presentes tanto no solo quanto na água, a doença, da mesma forma do que nos humanos, também causa anomalias sobre a pele lisa dos golfinhos. “Não se sabe exatamente o que está levando a essa incidência elevada de casos. Uma das hipóteses é que a contaminação de rios e cursos d’água vem progressivamente criando oportunidades para a reermergência de patógenos. E como a globalização do mundo moderno também significa globalização de patógenos, a água de lastro levada pelos navios dissemina espécies invasoras de um lado a outro do planeta, generalizando a contaminação.

Um levantamento bacteriológico em tartarugas e aves marinhas encontradas encalhadas ou arribadas na costa fluminense mostra quase sempre um quadro bastante sério de condições de saúde. “Como são espécies que vivem em águas costeiras – em geral, as que mais recebem todo o tipo de contaminação, seja despejo de esgotos, seja óleo resultante das atividades portuárias –, esses animais sofrem com a drástica transformação dos ambientes em que vivem ou onde se alimentam”, explica o pesquisador. Detalhando o quadro, ele fala que, no caso das tartarugas, muitas vezes elas apresentam obstrução intestinal, provocado pela ingestão de plástico. “Em geral estão com menos de metade de seu peso normal, o que lhes causa grande debilidade, a ponto de haver afundamento do plastrão (casco). Tudo isso cria condições para a proliferação de agentes patogênicos e todo o tipo de infecção. Com isso, o animal para de se alimentar, enfraquece ainda mais e termina morrendo”, diz.

Essa combinação de causas vale também para aves migratórias e baleias, por exemplo. “Os maçaricos usam as áreas de manguezal para se alimentar, mas essas regiões estão desaparecendo com a ocupação humana. Com a redução das áreas de alimentação e o aumento da presença de óleo nas áreas de suas rotas migratórias, essas aves sofrem vários tipos de agressão ambiental. Nos últimos dias, em pleno inverno, grupos da espécie foram avistados em praias do Rio Grande do Sul, o que significa que não estão conseguindo comida suficiente para seguir em frente e enfrentar as condições adversas da migração.” O resultado, aponta Salvatore, é a repetição de casos como o da mortandade recente de grupos dessas aves nas proximidades de Tramandaí, no litoral norte do Rio Grande do Sul.

“Desde que comecei meus estudos no País, eu e outros pesquisadores temos feito apenas constatações das consequências desse padrão agressivo de desenvolvimento a qualquer preço, que tem sido predominante no País”, critica Salvatore. Segundo afirma, a ocupação humana em zonas costeiras, a implantação de portos, tudo isso tem mudado substancialmente os hábitats de diversas espécies. “O lixão, instalado há décadas em Gramacho, ocupa o que já foi uma área de manguezal. São situações em que não se vêem iniciativas para atenuar ou reverter”, critica Salvatore. Ele exemplifica com a atual construção de Porto Açu, no norte fluminense, na região de São João da Barra, ou a dragagem do canal da Barra do Furado, em Campos dos Goytacazes, na divisa com Quissamã.

“No primeiro caso, serão quase 70 km de restinga que darão lugar às atividades portuárias. Isso significa alterar toda a dinâmica de um ecossistema. Grande parte da diversidade da fauna que vive ali, tanto quanto na lagoa Feia, em Campos, se perderá, ficará sem alimento e abrigo. Dificilmente haverá realocação das espécies para outras áreas”, explica. Salvatore acredita ainda que os 40 km do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba – entre Macaé, Quissamã e Carapebus, e o mais próximo dessas regiões – já estão em sua capacidade limite.

Para contrabalançar, Salvatore acha que se deve estimular iniciativas sérias de preservação, como é o caso das RPPN, ou seja, as reservas particulares do patrimônio natural. “Existem várias dessas reservas ao longo do trecho fluminense da BR 101, no entorno da Reserva Biológica de Poço das Antas. A partir de compromissos contratuais, temos vistos sérios esforços de conservação de áreas de Mata Atlântica em cada uma delas. Iniciativas desse tipo precisam ser multiplicadas.”

************************

FONTE : Reportagem deVilma Homero, da Agência Faperj, publicada pelo EcoDebate, 22/08/2011

Água, o desprezado manancial da vida, artigo de Américo Canhoto

Num planeta predominantemente aquático, somos constituídos basicamente desse elemento. Nosso comportamento beira a esquizofrenia: seres mais aquáticos do que terrestres desprezamos o principal elemento que nos dá forma e permite a vida em 3D. Haverá no cosmos; seres tão ingratos e estúpidos quanto nós?

Água é quase sinônimo de vida, basta observar a relação entre ela e os outros elementos presentes em todos os seres vivos. Gulosamente nos preocupamos com a alimentação e pouco ou nenhum valor lhe damos, principalmente os viciados em sabor doce que só bebem sucos e refrigerantes.

Esse distúrbio se deve em parte á ciência médica: introduzir sucos na dieta infantil; com um quase desprezo pela água e sua qualidade – criou um DNA cultural difícil de ser erradicado e que contribui de forma decisiva para a desvalorização nos cuidados em manter saudável o principal elemento do nosso corpo planetário e do próprio organismo físico: a água. As pessoas comuns acham um absurdo que uma garrafa de água de custe o mesmo preço que uma de refrigerante ou suco.

Na dúvida entre uma verdade científica da moda e outra; prefiro ficar sempre com a da mãe natureza: Fruta é para comer; se fosse para beber já vinha engarrafado na árvore.

É possível sobreviver alguns meses sem comer; mas sem água duramos poucos dias. Para manter um estado de sanidade necessitamos mais de água do que de alimento.

Apenas algumas de suas funções:

Transportar nutrientes celulares; carrear restos do metabolismo jogando-os fora; excretando-os; regular o equilíbrio ácido – básico; transportar energia vital para as células.

Além disso; é um importante condutor das energias da natureza; percebemos como “recarregamos as baterias” estando à beira-mar, próximo de cachoeiras ou durante o banho quando logo desaparece a sensação de cansaço.

Gulosamente, é comum confundirmos a ingestão de líquidos com água; mas suco não é água; chá não é água; refrigerante não é água. Alguém que bebe num dia dois litros de suco ingeriu dois litros de líquido e zero de água.

Fervida ou “tratada” perde suas propriedades vitais.

Mesmo com o problema de transporte, armazenamento e contaminação pelo plástico das embalagens; na relação custo/benefício ainda é interessante fazer uso de água mineral sempre que possível.

Atenção, naturebas de plantão:

Cuidado com o uso abusivo de chás sem saber qual é a indicação. Forma de uso; e por quanto tempo deve ser tomado; pois só devem ser bebidos com conhecimento de sua finalidade terapêutica.

Juízo, “acadêmicos corporais” e atletas da moda:

O uso freqüente de bebidas enriquecidas de sais minerais pode comprometer a função renal; e todo momento; vemos crianças usando-as como se fossem água, até sem praticar esporte.

Mesmo o consumo de sucos naturais deve ser consciente quanto à quantidade e finalidades; pois tudo que em pequena quantidade cura em quantidade maior pode fazer mal.

Sob a “isca de marketing” da extremamente oxidável vitamina C; o suco mais consumido é o de laranja que é danoso à saúde de muitas pessoas. A laranja é fruta de excepcional valor alimentício curativo; e rica em fibras; certamente consumir laranja é bom para manter a saúde – Mas, o que é “comer” laranja? É mastigar, mastigar bem, engolir o bagaço e, jogar fora apenas o caroço. Ao comermos laranja, conseguimos devorar apenas uma ou duas; já quando se trata de chupar laranja uma só não basta e, só nos satisfazemos com duas ou três; o suco dela contém o sumo de seis ou sete cuja acidez e fermentação é danosa à saúde; certamente, respeitada a tolerância individual, além disso, é uma lavoura muito envenenada por agrotóxicos (Quem esfrega e lava a laranja antes de descascá-la ou de espremê-la?).

Sucos artificiais que imitam o sabor das frutas dispensam comentários (como disse o sábio Jesus: “não dê pérolas aos porcos…”)…

Preservar a vida implica necessariamente em preservar a qualidade da água.

Sem dúvida ao menos algumas das previsões de seleção humana em andamento vão se concretizar – e tudo leva a crer que uma das formas que o planeta vai encontrar para faxinar em larga escala os seres humanos de pouca qualidade que o habitam será a água.

Não se trata apenas de economizar água – mas, principalmente cuidar da sua qualidade. As besteiras que fazemos nos cuidados com a água são as mesmas que fazemos nos cuidados com nossa saúde. Não adianta submeter periodicamente a água a mil exames e tratá-la com remédios e venenos – é preciso cuidar dela com inteligência e amor.

Todo juízo é pouco.

Embora a Justiça Natural seja eminentemente educativa e não punitiva ela jamais esquece nem perdoa sem reparação.

Quem quiser bancar o filho pródigo esteja á vontade – será bem recebido de volta á Nova Terra, na renovada casa do pai – mas, antes vai ter que comer o pão que o diabo amassou em pocilgas cósmicas secas; bem secas.

Nestas bandas do universo, água é sinônimo de vida.

O que está fazendo da sua?

Namastê.

**********************************
FONTE : Américo Canhoto - Clínico Geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde holística. Uso a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC. Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão, angústia crônica e pânico. (Colaboração de Américo Canhoto para o EcoDebate, 22/08/2011).

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

‘Economia Verde’: Professor alerta para necessidade de mudança em padrão de consumo

O professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo Ricardo Abramovay defendeu, nesta quinta-feira, um debate em torno da construção de uma “economia verde”. O conceito é focado na busca pelo acesso igualitário aos recursos naturais como instrumento capaz de promover um “descasamento” entre o crescimento da produção e o uso de materiais e de energia.

Durante seminário promovido pela Subcomissão Rio+20, da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, o professor alertou para o fato de que, apesar da importância estratégica de a economia verde ocupar o centro da inovação, “isso não afasta o desafio de repensar os padrões de consumo e os estilos de vida das sociedades contemporâneas”.

Segundo ele, inovação e limite são as “duas palavras-chave da economia verde” neste momento. O professor considera que o grande problema da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20 que ocorrerá em junho de 2012, será convencer os atores econômicos da necessidade de se reduzir o uso de matéria e energia em seus processos produtivos, e construir “uma ponte de transição” para uma economia menos intensiva em carbono e mais respeitosa ao ecossistema.

Papel do Congresso Nacional
O presidente da subcomissão, deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), afirmou que o Congresso Nacional tem papel de destaque nos debates preparatórios para o encontro, inclusive evitando que a imagem brasileira seja comprometida pela votação de projetos polêmicos, como o novo Código Florestal.

Ele avaliou que a proposta aprovada pela Câmara e agora em análise no Senado traz retrocessos do ponto de vista da proteção ambiental e dos compromissos voluntários assumidos pelo Brasil para reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. O deputado explicou que, até a realização da Conferência Rio + 20, a subcomissão vai reunir propostas de entidades da sociedade civil para levar aos organizadores do evento, no governo e na própria ONU.

Temor de vexame na conferência
O representante do Instituto Socioambiental no seminário, Tony Gross, avaliou que as discussões evoluíram bastante nas últimas décadas, mas enfatizou que o desafio agora é implementar ações concretas. “Estamos em uma situação paradoxal. A partir da Conferência de 1992, mas especialmente a partir da Conferência do Rio, 20 anos atrás, no plano intergovernamental criou-se toda uma estrutura, o arcabouço legal, jurídico necessário para que os países possam conformar suas políticas públicas à questão do desenvolvimento sustentável. Mas apesar de todo esse investimento, os resultados são pífios”.

Gross destacou que o cenário atual é bastante diferente da Rio 92, quando um clima de esperança pós-guerra fria permitiu avanços significativos.

Atualmente, na avaliação de Gros, “há conhecimento científico sobre a gravidade dos problemas climáticos e de perda de biodiversidade, mas os governos pouco fazem para implementar medidas eficazes”. Segundo ele, faltam recursos financeiros e de pessoal direcionados pelos países para o estabelecimento de uma economia verde.

Aron Belinky, do Instituto Vitae Civilis, revelou seu temor de vexame na conferência do ano que vem, agravado pelo cenário de crise econômica mundial. Apesar do pessimismo, Belinky considera que a sociedade civil pode assumir o protagonismo do encontro e fazer dele um ponto de convergência e cobrança política por uma transição justa para uma economia verde, de respeito ao homem e ao meio ambiente.

Belinky também manifestou cautela em relação às expectativas para a Rio+20, mas destacou que a conferência pode ser uma oportunidade de se canalizar as insatisfações percebidas na sociedade. “Todo mundo percebe que algo está errado quando você não consegue andar na rua com o carro que acabou de comprar à prestação para pagar em 15 anos, que você não tem onde colocar tanto lixo, que não tem como alimentar as pessoas apesar de ter comida sendo jogada fora. Essa insatisfação com o modelo é latente. O desafio da Rio+20 é conseguir traduzir isso em propostas de ação, para conectar a oportunidade política e de mobilização da conferência com o anseio que a sociedade tem de fato”.

Duas décadas depois da Eco-92, também realizada no Rio de Janeiro, a Rio+20 reunirá governantes, cientistas, técnicos, ONGs, movimentos sociais e parlamentares para discutir a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e, também, a sua vinculação com a erradicação da pobreza.

A subcomissão vai realizar vários debates preparatórios para a conferência. A ideia, segundo o relator do grupo, deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), é ouvir propostas que possam ser levadas para a cúpula pelo Parlamento.

*************************************

FONTE : Da Reportagem/ RCA. (Agência Câmara de Notícias, publicado pelo EcoDebate, 12/08/2011).

Greenpeace Brasil inicia uma campanha contra exploração de petróleo em Abrolhos

O Greenpeace Brasil criou a campanha Deixe as baleias namorarem com o objetivo de conquistar a moratória na exploração de gás e petróleo nos arredores do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. No dias 13 e 14 de agosto serão realizados protestos nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife.

A campanha lançou uma página online, em que está recolhendo assinaturas da população a favor da moratória. Esta petição será levada às empresas e autoridades.

Dentro desta área estará banida apenas a exploração de gás e petróleo, evitando que um desastre ambiental contamine ecossistemas sensíveis, responsáveis pela reposição dos estoques pesqueiros e reprodução de inúmeras espécies ameaças de extinção.

A moratória depende de um acordo entre o governo e as empresas como a Petrobrás, Vipetro, Perenco, OGX, HRT, Shell, Vale, Cowan, Sonangol e Repsol – blocos de exploração nesta região.

O Greenpeace enviou cartas às empresas expondo a importância e a necessidade desta ação. Até a sexta-feira, 5 de agosto (data limite para obtenção de respostas), nenhuma corporação se posicionou.

Abrolhos foi loteada em 2003 pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e, sob concessão do governo, 13 blocos estão prontos para começar a exploração.

Abrolhos

Zona de maior biodiversidade do Atlântico Sul, Abrolhos está localizado no litoral sul da Bahia, na região identificada como a Costa do Descobrimento. O local foi declarado Parque Nacional Marinho a ser criado no Brasil, em 1983 – o primeiro a ser criado no Brasil.

Com uma extensão de 913 km², o parque abrange o arquipélago dos Abrolhos, os recifes de Timbebas e é considerado o lar de mais de 1300 espécies de aves, tartarugas, peixes e mamíferos marinhos (45 delas estão consideradas em risco de extinção).

Estudos recentes revelaram que a área de proteção atual representa apenas 2% de todo o banco, o que é insuficiente para sua preservação.

O ecossistema é sensível a mudanças de temperatura e a poluição, os corais tem papel fundamental para a biodiversidade de Abrolhos. Juntamente com as extensas áreas de manguezais, eles garantem a reposição do estoque pesqueiro que fazem desta uma das regiões mais importantes para a pesca no Estado da Bahia.

*******************************************

FONTE : Publicado originalmente no site EcoD.