Defendemos a tese de que os trágicos acontecimentos naquele país, na sua expressão maior, não são de natureza natural. Reafirmamos que tais ocorrências em que se perderam muitas vidas e bens materiais são conseqüência da aplicação extensa dos objetivos equivocados na atual civilização. Excesso de conforto.
Esse meio cultural, em que estamos todos imersos, comprometidos e seduzidos pelos chocalhos reluzentes dos confortos materialistas, mostra que amamos mais as atitudes tecnológicas lucrativos, que o bem maior, a Vida. Escolhemos a aparência, a casca, o deslumbrante, e desprezamos a essência.
Mas na hora da verdade, para a qual os ambientalistas vêm alertando insistentemente, ocorre o oposto. Vimos na TV cenas impressionantes e instrutivas dentro de supermercados: prateleiras de alimentos completamente vazias, enquanto as que continham cosméticos e demais supérfluos continuavam intocadas.
Transcrevemos, a propósito, trecho de uma carta enviada por uma nipo-americana (Anne Fumi Johns Stewart) aos seus familiares: “eu amo este ‘jogar fora’ de coisas não essenciais, vivendo apenas no nível básico do instinto da sobrevivência”. A missivista é sobrevivente de Sendai, onde tem residência em ponto elevado.
O maremoto, fenômeno natural e previsível pela ciência, foi apenas o estopim que causou toda essa destruição, cujo valor total está estimado pelas autoridades nipônicas em 284 bilhões de dólares, fora os prováveis danos radioativos que não têm consistência para uma avaliação, mas têm alcance planetário.
Duras e claras lições podem ser tiradas de tais ocorrências. Ação humana nenhuma é capaz de evitar ou anular os ajustes cósmicos do planeta. Isso é taxativo, definitivo. Assim, num simples exercício de raciocínio lógico, cabe submeter-nos a esses movimentos planetários e agir de forma conseqüente e humilde, reconhecendo nossa inferioridade ante a grandeza e mistério do Criador.
Quais essas atitudes conseqüentes? Como é óbvio, coragem para romper com tabus e reduzir com critério racional a população mundial (controle da natalidade,) porque a Natureza nessas horas o faz sem qualquer critério. Ou o faz de forma abrupta como vimos, ou de modo lento e insidioso pela ação da radiação nuclear liberada das usinas nucleares, essa loucura humana.
Diminuindo-se esse “formigueiro” humano que habita o planeta, diminui-se a produção de bens inúteis, dispensáveis, supérfluos e renunciáveis que, em última instância, são lixos prejudiciais à saúde planetária. Além disso, corta-se o cordão umbilical da relação consumo-crescimento que alimenta a atual civilização baseada na ganância individualista.
Coragem para renunciar a uma vida rodeada de instrumentos de conforto e opção para um viver tão natural quanto possível, com harmonia e respeito à Natureza. Note-se que um terremoto em terras habitadas por silvícolas, que não conhecem o progresso contagioso do modernismo, não causa danos significativos.
Os males e desgraças originários da atual civilização progressista e tecnológica – movimentada pelos interesses gananciosos dessa teia econômica em que estamos embaraçados – estão acumulando numa bomba-relógio o combustível necessário e suficiente para uma tragédia de caráter mundial. O exemplo nipônico está aí para nos abrir os olhos e a mente.
De modo geral, a humanidade não enxerga esse caminho da destruição e não aprende a lição nipônica por estar extasiada pelas ilusões das miçangas multicoloridas que lhe são oferecidas, tal como fizeram aos índios inocentes os gananciosos e perniciosos invasores portugueses.
A humanidade se encontra atualmente refém do destino ignóbil que a espera logo adiante. Manifestações geológicas e seus ramos em estudo ocorrem em todas as partes do mundo. São sismos, furacões, deslizamentos, inundações, vulcões, deslocamentos rápidos de ar, tempestades climáticas, impactos de meteoros e – o mais importante – o fator traiçoeiro da imponderabilidade.
Das 441 usinas nucleares existentes, apenas umas poucas desgovernadas têm potencial suficiente para causar a extinção da vida terrena. O envenenamento radioativo é extremamente severo e de ação prolongada. Não teríamos como escapar dessa situação.
E as principais vítimas de uma civilização que não sabe se comportar serão os inocentes seres da fauna e flora. Os humanos não serão vítimas, serão os autores.
*************************
FONTE : Maurício Gomide Martins, 82 anos, ambientalista e articulista do EcoDebate, residente em Belo Horizonte(MG), depois de aposentado como auditor do Banco do Brasil, já escreveu três livros. Um de crônicas chamado “Crônicas Ezkizitaz”, onde perfila questões diversas sob uma óptica filosófica. O outro, intitulado “Nas Pegadas da Vida”, é um ensaio que constrói uma conjectura sobre a identidade da Vida. E o último, chamado “Agora ou Nunca Mais”, sob o gênero “romance de tese”, onde aborda a questão ambiental sob uma visão extremamente real e indica o único caminho a seguir para a salvação da humanidade.Nota: o livro “Agora ou Nunca Mais“, está disponível para acesso integral, gratuito e no formato PDF. (EcoDebate, 30/03/2011).
Blog com notícias de Ecologia atualizado diariamente. Publica notícias de outros blogs similares, ONGs, instituições ambientalistas, notícias jornalísticas e oficiais, fotos, críticas, poemas, crônicas, opiniões. A FONTE e o AUTOR são rigorosamente citados sempre.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Alemanha: fim da energia nuclear ganha força no governo Merkel
Antes a favor das usinas nucleares, coalizão de governo agora debate o fechamento das centrais alemãs. Merkel diz que o desastre no Japão a fez repensar suas posições sobre os riscos da energia atômica.
A coalizão de governo alemão aparentemente quer ganhar de volta a confiança do eleitorado com uma rápida desativação da energia nuclear do país. O secretário-geral do Partido Liberal (FDP), Chris Lindner, pediu nesta terça-feira (29/03) o desligamento permanente das usinas nucleares desligadas pelo governo em caráter temporário. Também na CDU (União Democrata Cristã) cresce o apelo por uma rápida desativação das centrais atômicas.
De acordo com um porta-voz do FDP, Lindner se disse a favor de um acordo imediato com a indústria nuclear para desativar as usinas mais antigas.
Os democrata-cristãos – parceiros dos liberais na coalizão – receberam a sugestão de Lindner com cautela. Um porta-voz do partido lembrou que existe uma moratória de três meses, durante a qual a segurança das centrais nucleares alemãs deve ser verificada. Somente após as avaliações, agendadas para terminarem em meados de junho, o governo alemão deve decidir sobre o futuro das usinas paralisadas.
O assunto é controverso entre os democrata-cristãos. O líder do partido no Parlamento alemão, Volker Kauder, alertou para “decisões precipitadas”. Já o governador da Baixa Saxônia, David McAllister, pediu um rápido desligamento das centrais nucleares. “Devemos renunciar à energia atômica de forma mais rápida do que o planejado atualmente”, afirmou.
O ministro alemão do Meio Ambiente, Norbert Röttgen, confirmou na segunda-feira ser a favor de que a vida útil das usinas nucleares seja reduzida “o mais rapidamente possível”, contanto que a mudança seja “razoável e economicamente viável”.
Já a oposição social-democrata e verde exige que as oito usinas paralisadas permaneçam desligadas e que o fornecimento de energia restante não seja transferido para instalações atômicas mais recentes.
Mudança de política não evitou derrota nas urnas
Após o início da crise nuclear de Fukushima, no Japão, o governo alemão decidira inspecionar a segurança das 17 usinas nucleares do país e desativar temporariamente os sete reatores atômicos mais antigos da Alemanha. Além disso, a central de Krümmel, pertencente à nova geração de reatores, já está desligada desde 2007, em decorrência de uma série de panes.
A decisão não evitou a derrota dos partidos que compõem a coalizão de governo alemão nas eleições regionais realizadas no último fim de semana nos estados de Baden-Württemberg e Renânia-Palatinado. As disputas foram vencidas pela oposição, com amplo crescimento do Partido Verde, em campanhas eleitorais marcadas pela discussão em torno da energia nuclear.
Amplo diálogo político
A chanceler federal Angela Merkel anunciou um amplo diálogo político sobre a futura política energética alemã. Além das verificações de segurança das usinas, devem ser realizadas conversações com a oposição, segundo Merkel. A chanceler lembrou a reunião com todos os governadores do país, agendada para 15 de abril, na qual será discutido um rápido desenvolvimento das fontes de energia renováveis.
“Nas próximas semanas vamos debater de forma intensa uma nova política energética”, declarou a premiê. “Isso inclui decisões fundamentais sobre política energética”. Merkel, que é física, reiterou seu apoio à energia nuclear, mas disse que o desastre no Japão a forçou a repensar os riscos associados à tecnologia.
“Minha percepção sobre a energia nuclear se alterou com os acontecimentos no Japão”, disse a chanceler federal. Ela disse que mudou principalmente seu ponto de vista em relação aos riscos envolvidos e ao que pode acontecer.
Reviravolta teria desagradado eleitores conservadores
O conselho empresarial da CDU alertou o partido contra uma saída precipitada. “É preciso observar todo o contexto da economia, segurança e abertura tecnológica”, disse o presidente da entidade, Kurt Lauk. A mudança da política nuclear do governo provocou, segundo ele, a insatisfação de muitos eleitores tradicionais dos democrata-cristãos.
O deputado democrata-cristão Joachim Pfeiffer, especializado em questões econômicas, é contra o fim rápido das usinas nucleares na Alemanha. Segundo ele, a competitividade da indústria do país pode ficar comprometida com o fim da energia atômica. Ele lembrou que atualmente a Alemanha tem 80% de sua energia de fontes não renováveis.
Já o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, atribui a derrota recente do partido nas eleições regionais em Baden-Württenberg à falta de força de persuasão do governo na política nuclear. O político, também democrata-cristão, vê como correta a moratória nuclear determinada por Merkel. “Foi absolutamente correto e necessário reconsiderar nossa posição após os eventos no Japão. Depois de um evento como esse, não podemos simplesmente continuar como antes”, afirmou.
*********************************
FONTE : reportagem da Agência Deutsche Welle, publicada pelo EcoDebate, 30/03/2011
A coalizão de governo alemão aparentemente quer ganhar de volta a confiança do eleitorado com uma rápida desativação da energia nuclear do país. O secretário-geral do Partido Liberal (FDP), Chris Lindner, pediu nesta terça-feira (29/03) o desligamento permanente das usinas nucleares desligadas pelo governo em caráter temporário. Também na CDU (União Democrata Cristã) cresce o apelo por uma rápida desativação das centrais atômicas.
De acordo com um porta-voz do FDP, Lindner se disse a favor de um acordo imediato com a indústria nuclear para desativar as usinas mais antigas.
Os democrata-cristãos – parceiros dos liberais na coalizão – receberam a sugestão de Lindner com cautela. Um porta-voz do partido lembrou que existe uma moratória de três meses, durante a qual a segurança das centrais nucleares alemãs deve ser verificada. Somente após as avaliações, agendadas para terminarem em meados de junho, o governo alemão deve decidir sobre o futuro das usinas paralisadas.
O assunto é controverso entre os democrata-cristãos. O líder do partido no Parlamento alemão, Volker Kauder, alertou para “decisões precipitadas”. Já o governador da Baixa Saxônia, David McAllister, pediu um rápido desligamento das centrais nucleares. “Devemos renunciar à energia atômica de forma mais rápida do que o planejado atualmente”, afirmou.
O ministro alemão do Meio Ambiente, Norbert Röttgen, confirmou na segunda-feira ser a favor de que a vida útil das usinas nucleares seja reduzida “o mais rapidamente possível”, contanto que a mudança seja “razoável e economicamente viável”.
Já a oposição social-democrata e verde exige que as oito usinas paralisadas permaneçam desligadas e que o fornecimento de energia restante não seja transferido para instalações atômicas mais recentes.
Mudança de política não evitou derrota nas urnas
Após o início da crise nuclear de Fukushima, no Japão, o governo alemão decidira inspecionar a segurança das 17 usinas nucleares do país e desativar temporariamente os sete reatores atômicos mais antigos da Alemanha. Além disso, a central de Krümmel, pertencente à nova geração de reatores, já está desligada desde 2007, em decorrência de uma série de panes.
A decisão não evitou a derrota dos partidos que compõem a coalizão de governo alemão nas eleições regionais realizadas no último fim de semana nos estados de Baden-Württemberg e Renânia-Palatinado. As disputas foram vencidas pela oposição, com amplo crescimento do Partido Verde, em campanhas eleitorais marcadas pela discussão em torno da energia nuclear.
Amplo diálogo político
A chanceler federal Angela Merkel anunciou um amplo diálogo político sobre a futura política energética alemã. Além das verificações de segurança das usinas, devem ser realizadas conversações com a oposição, segundo Merkel. A chanceler lembrou a reunião com todos os governadores do país, agendada para 15 de abril, na qual será discutido um rápido desenvolvimento das fontes de energia renováveis.
“Nas próximas semanas vamos debater de forma intensa uma nova política energética”, declarou a premiê. “Isso inclui decisões fundamentais sobre política energética”. Merkel, que é física, reiterou seu apoio à energia nuclear, mas disse que o desastre no Japão a forçou a repensar os riscos associados à tecnologia.
“Minha percepção sobre a energia nuclear se alterou com os acontecimentos no Japão”, disse a chanceler federal. Ela disse que mudou principalmente seu ponto de vista em relação aos riscos envolvidos e ao que pode acontecer.
Reviravolta teria desagradado eleitores conservadores
O conselho empresarial da CDU alertou o partido contra uma saída precipitada. “É preciso observar todo o contexto da economia, segurança e abertura tecnológica”, disse o presidente da entidade, Kurt Lauk. A mudança da política nuclear do governo provocou, segundo ele, a insatisfação de muitos eleitores tradicionais dos democrata-cristãos.
O deputado democrata-cristão Joachim Pfeiffer, especializado em questões econômicas, é contra o fim rápido das usinas nucleares na Alemanha. Segundo ele, a competitividade da indústria do país pode ficar comprometida com o fim da energia atômica. Ele lembrou que atualmente a Alemanha tem 80% de sua energia de fontes não renováveis.
Já o ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, atribui a derrota recente do partido nas eleições regionais em Baden-Württenberg à falta de força de persuasão do governo na política nuclear. O político, também democrata-cristão, vê como correta a moratória nuclear determinada por Merkel. “Foi absolutamente correto e necessário reconsiderar nossa posição após os eventos no Japão. Depois de um evento como esse, não podemos simplesmente continuar como antes”, afirmou.
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FONTE : reportagem da Agência Deutsche Welle, publicada pelo EcoDebate, 30/03/2011
Uma reflexão sobre a guerra urbana no cotidiano das cidades brasileiras
Viver em sociedade pressupõe, um certo grau de tolerância e respeito ao próximo e, muitas vezes, a subordinação de vontades, desejos e interesses particulares, em nome de uma convivência pacífica.
Infelizmente, não é o que vemos com freqüência em nossas cidades, notadamente, as maiores aqui em nosso país. A busca por uma relativa harmonia fica ainda mais prejudicada quando estão nítidos os gravíssimos problemas de infraestrutura, ou melhor, da falta dela, que potencializam dissabores e momentos de irritação de seus habitantes. Se a isso juntarmos a prepotência e arrogância de alguns que acreditam ter mais direitos que outros, o cenário está aí, montado sobre bases de um cotidiano cercado de batalhas e tensões permanentes.
Basta caminhar alguns metros em uma metrópole como São Paulo para flagrar inúmeros e repetitivos casos de desrespeito ao direito coletivo. São calçadas intransitáveis; lixos espalhados e jogados no chão ao lado de lixeiras; praças com bancos quebrados e monumentos depredados; além de ruas e avenidas mal sinalizadas e iluminadas, entre tantos outros problemas facilmente detectáveis.
Mesmo as pessoas menos propensas a atitudes condenáveis, acabam sendo “contaminadas” pela desordem geral, digo isso, porque não posso imaginar que sejamos todos ou a maioria composta de seres com instintos selvagens dispostos a fazer valer as máximas do “vale-tudo” e do “salve-se quem puder”.
Motoristas ensandecidos
Bem, tenho cá minhas dúvidas quanto a bipolaridade entre médico e monstro que acomete cidadãos ao adentrarem as suas máquinas maravilhosas. O pai carinhoso, o amigo fiel, o vizinho gentil e por aí vai, quando se vê solitário dentro de seu veículo, transforma-se como numa maldição, num maligno dr. Hyde pronto a exibir uma ferocidade a qualquer um que ouse manifestar os mesmos direitos.
Os iguais são rechaçados e fustigados o tempo que durar a viagem e apenas mal tolerados, pois a verdade absoluta está sentada naquele banco de motorista e todos os outros sempre estarão errados. Já aos desiguais, a esses não resta absolutamente nenhuma clemência. Pedestres que façam menção de atravessar na faixa reivindicando esse direito serão agredidos e ameaçados verbalmente, quando não atropelados, para que não restem dúvidas de sua insignificância e inferioridade. Bicicletas, também não poderão ter outro destino, vide o caso de Porto Alegre, cuja ousadia foi punida por, blasfêmia maior, reivindicar melhores condições de mobilidade.
Os motoristas histéricos que buzinam escandalosamente nas situações mais triviais, os que agem em flagrante desrespeito as leis e ainda os que colocam a sua vida e dos outros em risco devem estar, sob domínio de algum surto psicótico e têm usado seus veículos com freqüência cada vez mais assustadora, como arma letal. As autoridades do trânsito, bem como os responsáveis pelos testes para aquisição ou renovação da carteira de habilitação deveriam ter condições de punir e prevenir, alguns desses comportamentos inaceitáveis com a perda da licença para dirigir.
Triste resultado
Infelizmente ainda teremos muitas razões para crer que esse quadro deverá se agravar. Uma pesquisa divulgada no mês passado demonstra o quão longe estamos de uma mudança.
Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), um em cada quatro brasileiros afirma que, pasmem, mesmo que o transporte coletivo fosse eficiente, não deixaria de usar o carro como principal meio de deslocamento diário. Entre as diversas argumentações estão o fato dos entrevistados considerarem o transporte coletivo ruim e ineficiente. Quanto a isso não há o que discutir, até porque 44,3% dos ouvidos pela pesquisa são usuários desse tipo de transporte.
Em geral, o que a pesquisa revela, é a falsa ilusão de que todos os problemas serão resolvidos quando o cidadão adquirir seu carro. Apesar de todos os problemas do trânsito caótico das cidades brasileiras, as pessoas ainda sonham com o transporte individual como se com ele, fosse possível alcançar o nirvana, o paraíso, a felicidade suprema. Ledo engano!
A barbárie do eu sozinho
Uma sociedade se constrói com a busca por soluções sustentáveis em que prevaleçam os interesses coletivos sobre os individuais. Obviamente numa democracia baseada nos pilares da livre iniciativa nos quais estamos inseridos, direitos individuais e de minorias devem ser respeitadas. Mas o que preocupa no atual cenário é a motivação, de uma parte significativa da população, pelo desejo de encontrar caminhos pessoais e particulares.
Por seu lado, as nossas autoridades públicas de olho nos votos e no atendimento a essas solicitações, gastam fortunas com obras viárias sem futuro estimulando o uso do transporte individual. Assim, as cidades vão sendo ocupadas, rasgadas e desfiguradas, para, ao invés de servir como espaço de convivência agradável para seus habitantes, transformar-se em vias congestionadas e cada vez mais estressantes e violentas.
Para que tenhamos qualidade de vida no futuro é preciso urgentemente frear esse processo insano e contraproducente. Construir as bases para uma cidade que priorize a implementação de políticas e investimentos de planejamento urbano garantindo a todos direitos iguais de acesso, mobilidade e de uso dos equipamentos e espaços públicos. Ações do poder público que não visem reduzir as enormes desigualdades e que não trilhem o caminho do desenvolvimento sustentável devem ser colocadas em segundo plano ou mesmo descartadas.
***********************
FONTE : Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de comunicação do Greenpeace e coordenador de comunicação do Instituto Akatu. É colunista de Carta Capital e colaborador da Envolverde.
**Artigo publicado originalmente na coluna Cidadania & Sustentabilidade: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/uma-reflexao-sobre-a-guerra-urbana-no-cotidiano-das-cidades-brasileiras-3. (Envolverde/Carta Capital).
Infelizmente, não é o que vemos com freqüência em nossas cidades, notadamente, as maiores aqui em nosso país. A busca por uma relativa harmonia fica ainda mais prejudicada quando estão nítidos os gravíssimos problemas de infraestrutura, ou melhor, da falta dela, que potencializam dissabores e momentos de irritação de seus habitantes. Se a isso juntarmos a prepotência e arrogância de alguns que acreditam ter mais direitos que outros, o cenário está aí, montado sobre bases de um cotidiano cercado de batalhas e tensões permanentes.
Basta caminhar alguns metros em uma metrópole como São Paulo para flagrar inúmeros e repetitivos casos de desrespeito ao direito coletivo. São calçadas intransitáveis; lixos espalhados e jogados no chão ao lado de lixeiras; praças com bancos quebrados e monumentos depredados; além de ruas e avenidas mal sinalizadas e iluminadas, entre tantos outros problemas facilmente detectáveis.
Mesmo as pessoas menos propensas a atitudes condenáveis, acabam sendo “contaminadas” pela desordem geral, digo isso, porque não posso imaginar que sejamos todos ou a maioria composta de seres com instintos selvagens dispostos a fazer valer as máximas do “vale-tudo” e do “salve-se quem puder”.
Motoristas ensandecidos
Bem, tenho cá minhas dúvidas quanto a bipolaridade entre médico e monstro que acomete cidadãos ao adentrarem as suas máquinas maravilhosas. O pai carinhoso, o amigo fiel, o vizinho gentil e por aí vai, quando se vê solitário dentro de seu veículo, transforma-se como numa maldição, num maligno dr. Hyde pronto a exibir uma ferocidade a qualquer um que ouse manifestar os mesmos direitos.
Os iguais são rechaçados e fustigados o tempo que durar a viagem e apenas mal tolerados, pois a verdade absoluta está sentada naquele banco de motorista e todos os outros sempre estarão errados. Já aos desiguais, a esses não resta absolutamente nenhuma clemência. Pedestres que façam menção de atravessar na faixa reivindicando esse direito serão agredidos e ameaçados verbalmente, quando não atropelados, para que não restem dúvidas de sua insignificância e inferioridade. Bicicletas, também não poderão ter outro destino, vide o caso de Porto Alegre, cuja ousadia foi punida por, blasfêmia maior, reivindicar melhores condições de mobilidade.
Os motoristas histéricos que buzinam escandalosamente nas situações mais triviais, os que agem em flagrante desrespeito as leis e ainda os que colocam a sua vida e dos outros em risco devem estar, sob domínio de algum surto psicótico e têm usado seus veículos com freqüência cada vez mais assustadora, como arma letal. As autoridades do trânsito, bem como os responsáveis pelos testes para aquisição ou renovação da carteira de habilitação deveriam ter condições de punir e prevenir, alguns desses comportamentos inaceitáveis com a perda da licença para dirigir.
Triste resultado
Infelizmente ainda teremos muitas razões para crer que esse quadro deverá se agravar. Uma pesquisa divulgada no mês passado demonstra o quão longe estamos de uma mudança.
Segundo o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), um em cada quatro brasileiros afirma que, pasmem, mesmo que o transporte coletivo fosse eficiente, não deixaria de usar o carro como principal meio de deslocamento diário. Entre as diversas argumentações estão o fato dos entrevistados considerarem o transporte coletivo ruim e ineficiente. Quanto a isso não há o que discutir, até porque 44,3% dos ouvidos pela pesquisa são usuários desse tipo de transporte.
Em geral, o que a pesquisa revela, é a falsa ilusão de que todos os problemas serão resolvidos quando o cidadão adquirir seu carro. Apesar de todos os problemas do trânsito caótico das cidades brasileiras, as pessoas ainda sonham com o transporte individual como se com ele, fosse possível alcançar o nirvana, o paraíso, a felicidade suprema. Ledo engano!
A barbárie do eu sozinho
Uma sociedade se constrói com a busca por soluções sustentáveis em que prevaleçam os interesses coletivos sobre os individuais. Obviamente numa democracia baseada nos pilares da livre iniciativa nos quais estamos inseridos, direitos individuais e de minorias devem ser respeitadas. Mas o que preocupa no atual cenário é a motivação, de uma parte significativa da população, pelo desejo de encontrar caminhos pessoais e particulares.
Por seu lado, as nossas autoridades públicas de olho nos votos e no atendimento a essas solicitações, gastam fortunas com obras viárias sem futuro estimulando o uso do transporte individual. Assim, as cidades vão sendo ocupadas, rasgadas e desfiguradas, para, ao invés de servir como espaço de convivência agradável para seus habitantes, transformar-se em vias congestionadas e cada vez mais estressantes e violentas.
Para que tenhamos qualidade de vida no futuro é preciso urgentemente frear esse processo insano e contraproducente. Construir as bases para uma cidade que priorize a implementação de políticas e investimentos de planejamento urbano garantindo a todos direitos iguais de acesso, mobilidade e de uso dos equipamentos e espaços públicos. Ações do poder público que não visem reduzir as enormes desigualdades e que não trilhem o caminho do desenvolvimento sustentável devem ser colocadas em segundo plano ou mesmo descartadas.
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FONTE : Reinaldo Canto é jornalista, consultor e palestrante. Foi diretor de comunicação do Greenpeace e coordenador de comunicação do Instituto Akatu. É colunista de Carta Capital e colaborador da Envolverde.
**Artigo publicado originalmente na coluna Cidadania & Sustentabilidade: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/uma-reflexao-sobre-a-guerra-urbana-no-cotidiano-das-cidades-brasileiras-3. (Envolverde/Carta Capital).
terça-feira, 29 de março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
ESCLARECIMENTO AOS CATARINENSES : INSTITUTO CHICO MENDES (ICMBio) E O ESTALEIRO OSX
NOTA AOS CATARINENSES
Considerando-se as últimas notícias referentes à possível mudança do estaleiro OSX para o estado do Rio de Janeiro em decorrência da negativa do Instituto Chico Mendes (ICMBio) para sua instalação na Baia Norte (município de Biguaçu/SC), vimos por meio deste informar que:
1 O Instituto Chico Mendes (ICMBio) é um órgão do governo federal, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Foi criado em 2007, resultado da reestruturação do Ibama e tem a missão institucional de “proteger o patrimônio natural e promover o desenvolvimento socioambiental”.
2 O Instituto Chico Mendes (ICMBio) é responsável pela gestão de 310 unidades de conservação federais - o que totaliza aproximadamente 78 milhões de hectares - além de 15 centros de pesquisa relacionados à conservação da biodiversidade e ao uso sustentável dos recursos naturais.
3 Nos processos de licenciamento em que ocorrem impactos às unidades de conservação e seus objetivos, ou às espécies ameaçadas de extinção, o Instituto Chico Mendes (ICMBio) é obrigado legalmente a se manifestar.
4 A implantação do estaleiro OSX, na alternativa locacional proposta, impacta três unidades de conservação federais (Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e Estação Ecológica de Carijós), por isso a FATMA solicitou a manifestação do Instituto Chico Mendes (ICMBio).
5 Após criteriosa análise técnica do Estudo de Impacto Ambiental, observou-se que o mesmo identifica uma série de conseqüências irreversíveis e não mitigáveis a estas unidades e a seus objetivos.
6 Reunindo a enorme possibilidade de permanente contaminação biológica dos atributos bióticos da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, os indícios irrefutáveis de modificações nos atributos físicos e bióticos da Estação Ecológica de Carijós (ambas unidades de conservação de proteção integral) e os impactos negativos irreversíveis e diretos (inclusive podendo ocasionar a extinção local) do grupo de indivíduos de golfinhos cinza Sotalia guianensis, que foi o objetivo principal de criação da Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, o empreendimento na alternativa locacional proposta torna-se totalmente incompatível com a existência dessas unidades de conservação.
7 Além do acima exposto, ainda pesam contra a instalação do empreendimento no local todos os outros impactos à biota e às comunidades do entorno e a impossibilidade de mitigação de grande parte desses impactos.
8 Por estes motivos o Instituto Chico Mendes (ICMBio) concluiu pela inviabilidade ambiental do empreendimento e recomendou a não autorização na alternativa locacional proposta.
9 Outrossim, cabe destacar que o mesmo Estudo de Impacto Ambiental apresenta outras três alternativas locacionais para o empreendimento, todas no estado de Santa Catarina. E dentre todas as alternativas locacionais, a escolhida pelo empreendedor é, sem sombra de dúvidas, a mais impactante do ponto de vista ambiental, pois gerará impactos permanentes a três unidades de conservação, cada uma com seus atributos bióticos a abióticos únicos, que suscitaram suas criações. Neste contexto, em verdade, torna-se difícil conceber local mais sensível na costa catarinense para a instalação de empreendimento dessa natureza.
10 Diante do exposto, vimos informar à sociedade catarinense que a posição do Instituto Chico Mendes (ICMBio) não é “contra o estaleiro”, ou “contra Santa Catarina”, como vem sendo exposto em alguns meios de comunicação. Somos contrários ao empreendimento no local proposto para sua instalação (Baía Norte), caracterizado atualmente por uma rica biodiversidade e por atividades de maricultura, pesca artesanal e turismo.
11 Ficamos à disposição para todos os esclarecimentos que se fizerem necessários e reiteramos os compromissos estabelecidos com nossa missão institucional.
APA Anhatomirim
ESEC Carijós
REBIO Arvoredo
Coordenação Regional 09
FONTE :
UNIDADES MARINHO-COSTEIRAS DE SANTA CATARINA
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Rod. Maurício Sirotsky Sobrinho s/n°, km 02, Jurerê.
CEP: 88053-700 - Florianópolis-SC
Tel. (48)3282-1863 Fax. (48) 3282-9002
Considerando-se as últimas notícias referentes à possível mudança do estaleiro OSX para o estado do Rio de Janeiro em decorrência da negativa do Instituto Chico Mendes (ICMBio) para sua instalação na Baia Norte (município de Biguaçu/SC), vimos por meio deste informar que:
1 O Instituto Chico Mendes (ICMBio) é um órgão do governo federal, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. Foi criado em 2007, resultado da reestruturação do Ibama e tem a missão institucional de “proteger o patrimônio natural e promover o desenvolvimento socioambiental”.
2 O Instituto Chico Mendes (ICMBio) é responsável pela gestão de 310 unidades de conservação federais - o que totaliza aproximadamente 78 milhões de hectares - além de 15 centros de pesquisa relacionados à conservação da biodiversidade e ao uso sustentável dos recursos naturais.
3 Nos processos de licenciamento em que ocorrem impactos às unidades de conservação e seus objetivos, ou às espécies ameaçadas de extinção, o Instituto Chico Mendes (ICMBio) é obrigado legalmente a se manifestar.
4 A implantação do estaleiro OSX, na alternativa locacional proposta, impacta três unidades de conservação federais (Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e Estação Ecológica de Carijós), por isso a FATMA solicitou a manifestação do Instituto Chico Mendes (ICMBio).
5 Após criteriosa análise técnica do Estudo de Impacto Ambiental, observou-se que o mesmo identifica uma série de conseqüências irreversíveis e não mitigáveis a estas unidades e a seus objetivos.
6 Reunindo a enorme possibilidade de permanente contaminação biológica dos atributos bióticos da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, os indícios irrefutáveis de modificações nos atributos físicos e bióticos da Estação Ecológica de Carijós (ambas unidades de conservação de proteção integral) e os impactos negativos irreversíveis e diretos (inclusive podendo ocasionar a extinção local) do grupo de indivíduos de golfinhos cinza Sotalia guianensis, que foi o objetivo principal de criação da Área de Proteção Ambiental do Anhatomirim, o empreendimento na alternativa locacional proposta torna-se totalmente incompatível com a existência dessas unidades de conservação.
7 Além do acima exposto, ainda pesam contra a instalação do empreendimento no local todos os outros impactos à biota e às comunidades do entorno e a impossibilidade de mitigação de grande parte desses impactos.
8 Por estes motivos o Instituto Chico Mendes (ICMBio) concluiu pela inviabilidade ambiental do empreendimento e recomendou a não autorização na alternativa locacional proposta.
9 Outrossim, cabe destacar que o mesmo Estudo de Impacto Ambiental apresenta outras três alternativas locacionais para o empreendimento, todas no estado de Santa Catarina. E dentre todas as alternativas locacionais, a escolhida pelo empreendedor é, sem sombra de dúvidas, a mais impactante do ponto de vista ambiental, pois gerará impactos permanentes a três unidades de conservação, cada uma com seus atributos bióticos a abióticos únicos, que suscitaram suas criações. Neste contexto, em verdade, torna-se difícil conceber local mais sensível na costa catarinense para a instalação de empreendimento dessa natureza.
10 Diante do exposto, vimos informar à sociedade catarinense que a posição do Instituto Chico Mendes (ICMBio) não é “contra o estaleiro”, ou “contra Santa Catarina”, como vem sendo exposto em alguns meios de comunicação. Somos contrários ao empreendimento no local proposto para sua instalação (Baía Norte), caracterizado atualmente por uma rica biodiversidade e por atividades de maricultura, pesca artesanal e turismo.
11 Ficamos à disposição para todos os esclarecimentos que se fizerem necessários e reiteramos os compromissos estabelecidos com nossa missão institucional.
APA Anhatomirim
ESEC Carijós
REBIO Arvoredo
Coordenação Regional 09
FONTE :
UNIDADES MARINHO-COSTEIRAS DE SANTA CATARINA
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Rod. Maurício Sirotsky Sobrinho s/n°, km 02, Jurerê.
CEP: 88053-700 - Florianópolis-SC
Tel. (48)3282-1863 Fax. (48) 3282-9002
Estudantes protestam no Rio contra construção de usinas nucleares
Um grupo de manifestantes se reuniu na manhã deste domingo (27) na orla do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, para protestar contra a construção de usinas nucleares no país. Eles caminharam, de mãos dadas, formando uma corrente humana, em direção à Praia do Arpoador.
A ação foi inspirada na manifestação realizada em algumas cidades da Alemanha, quando milhares de pessoas foram às ruas exigindo o fechamento das centrais nucleares do país, logo após o acidente na Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, no Leste do Japão, em consequência de um terremoto seguido de tsunami. Com isso, o governo alemão anunciou o fechamento temporário de sete usinas nucleares no país e a realização de rigorosas vistorias nas unidades.
Para convocar a população, as organizadoras, que são três entidades estudantis do ensino médio, utilizaram a internet. Elas criaram um blog e divulgaram a iniciativa em redes sociais.
De acordo com Manuela Moritz, uma das idealizadoras do movimento, o governo brasileiro deveria investir mais em pesquisas e no desenvolvimento de outras fontes energéticas, como a eólica e a solar.
No blog, elas destacam, em relação ao acidente no Japão, que “as mais graves consequências desta tragédia ainda estão por vir, e prometem perdurar entre gerações e gerações da população japonesa”, referindo-se às contaminações por material radioativo em função das explosões dos reatores da usina.
As estudantes também cobram do governo brasileiro um plebiscito sobre a construção de usinas nucleares. Elas pretendem promover um novo protesto e esperam mobilizar mais gente. Do evento de hoje participaram cerca de 50 pessoas.
“Quase 800 pessoas confirmaram pela internet que viriam à manifestação, então o público não correspondeu às nossas expectativas. Mas foi importante ter plantado essa semente, porque chamamos a atenção de muita gente que estava na praia e muitas pessoas se mostraram solidárias com a nossa causa”.
O Brasil tem as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 em funcionamento. O programa nuclear brasileiro, além de Angra 3, no Rio de Janeiro, que deve ficar pronta em 2015, prevê a construção de mais quatro usinas, duas no Nordeste e duas no Sudeste.
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FONTE : Thais Leitão, da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo.(Envolverde/Agência Brasil).
A ação foi inspirada na manifestação realizada em algumas cidades da Alemanha, quando milhares de pessoas foram às ruas exigindo o fechamento das centrais nucleares do país, logo após o acidente na Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, no Leste do Japão, em consequência de um terremoto seguido de tsunami. Com isso, o governo alemão anunciou o fechamento temporário de sete usinas nucleares no país e a realização de rigorosas vistorias nas unidades.
Para convocar a população, as organizadoras, que são três entidades estudantis do ensino médio, utilizaram a internet. Elas criaram um blog e divulgaram a iniciativa em redes sociais.
De acordo com Manuela Moritz, uma das idealizadoras do movimento, o governo brasileiro deveria investir mais em pesquisas e no desenvolvimento de outras fontes energéticas, como a eólica e a solar.
No blog, elas destacam, em relação ao acidente no Japão, que “as mais graves consequências desta tragédia ainda estão por vir, e prometem perdurar entre gerações e gerações da população japonesa”, referindo-se às contaminações por material radioativo em função das explosões dos reatores da usina.
As estudantes também cobram do governo brasileiro um plebiscito sobre a construção de usinas nucleares. Elas pretendem promover um novo protesto e esperam mobilizar mais gente. Do evento de hoje participaram cerca de 50 pessoas.
“Quase 800 pessoas confirmaram pela internet que viriam à manifestação, então o público não correspondeu às nossas expectativas. Mas foi importante ter plantado essa semente, porque chamamos a atenção de muita gente que estava na praia e muitas pessoas se mostraram solidárias com a nossa causa”.
O Brasil tem as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 em funcionamento. O programa nuclear brasileiro, além de Angra 3, no Rio de Janeiro, que deve ficar pronta em 2015, prevê a construção de mais quatro usinas, duas no Nordeste e duas no Sudeste.
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FONTE : Thais Leitão, da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo.(Envolverde/Agência Brasil).
ARGENTINA : Vanguarda na proteção
Uma organização não governamental está encarregada de dirigir um governo integrado de todas as áreas protegidas marinho-costeiras da Argentina.
Buenos Aires, Argentina, 28 de março de 2011 (Terramérica).- Governantes, ecologistas e empresários têm pouco menos de quatro anos para estabelecer a gestão conjunta de 43 áreas protegidas da costa atlântica argentina, um dos biomas mais produtivos e melhor conservados do mundo. De Punta Rasa, na oriental província de Buenos Aires, até o austral Canal de Beagle, estas áreas somam 1,6 milhão de hectares, metade mar e metade terra, em quase cinco mil quilômetros de costas no Oceano Atlântico.
Algumas são mundialmente vitais, porque protegem espécies únicas, como 50% das colônias de pinguins de Magalhães (Spheniscus magellanicus) ou o único local costeiro de reprodução da ave petrel gigante do Sul (Macronectes giganteus). Entretanto, são insuficientes. Menos de 1% do mar está protegido, e as porções sob proteção se distribuem de forma desigual entre diferentes regiões biológicas.
Com a finalidade de superar esta e outras debilidades, desde outubro de 2010 está sendo executado um programa para criar o Sistema Interjurisdicional de Áreas Protegidas Costeiro-Marinhas da Argentina. A direção do programa não está com o governo, mas com uma organização não governamental, a Fundação Patagônia Natural, com financiamento do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF) e administração do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
“As áreas protegidas estão divididas, mas a ideia é colocá-las em rede e desenvolver uma estratégia de gestão que possa ser ampliada para todo o espaço costeiro marinho”, explicou ao Terramérica o coordenador do projeto, José María Musmeci. Durante quatro anos, se reunirão governadores das províncias de Buenos Aires, Chubut, Rio Negro, Santa Cruz e Terra do Fogo, e prefeitos dos municípios ribeirinhos. Também participarão os ministérios de Meio Ambiente, Pesca, Turismo e Relações Exteriores do governo argentino.
Na faixa costeira, são 25 cidades com mais de dez mil habitantes, com terminais portuários importantes, como Mar del Plata ou Bahía Blanca, em Buenos Aires, Puerto Madryn, em Chubut, e Ushuaia, na Terra do Fogo. Trata-se de fortalecer os acordos institucionais e sociais da governabilidade das reservas naturais, melhorar as formas de financiamento de longo prazo, e selecionar áreas protegidas para fortalecê-las, redesenhá-las ou ampliá-las. Também é preciso convencer as empresas do valor que tem a biodiversidade.
O cenário atrai pela cor sempre azul de suas águas e suas costas variadas, com pontas rochosas e abruptas. Pinguins, baleias, orcas, cormorões, lobos e elefantes marinhos são exemplos de espécies das costas patagônias. Mar adentro, podem ser encontradas enormes existências de espécies comerciais, como merluzas (Merluccius hubbsi), lulas (Illex argentinus) ou lagostins.
Esta riqueza está ameaçada por exploração de petróleo, pesca, turismo e contaminação urbana e industrial, disse ao Terramérica o oceanógrafo Guillermo Caille, coordenador técnico do projeto. A extração de petróleo produz renda anual de US$ 2 bilhões e responde por 70% da atividade econômica baseada nos recursos naturais da área costeira. A pesca, que contribui com 20% da economia costeira e exporta US$ 500 milhões ao ano, vê diminuir as existências ano a ano por descontrole na captura.
O turismo gera US$ 100 milhões por ano e 10% da atividade econômica. Todos estes setores vivem dos recursos que se busca proteger. Só o avistamento de fauna atrai um milhão de visitantes por ano. Os cruzeiros, cerca de “50 barcos que levam anualmente entre mil e cinco mil passageiros”, atracam em Buenos Aires, Puerto Madryn e Ushuaia, informou Guillermo. Algumas empresas deste ramo realizam boas práticas para conscientizar o pessoal e os turistas.
Outra ameaça são os resíduos sólidos e líquidos das cidades e indústrias. Para Guillermo, no setor público houve “avanços significativos” nos últimos 20 anos, mas no setor privado “faltam maiores progressos”, por isto, esta iniciativa busca um vigoroso intercâmbio com as empresas. Os vazamentos e a contaminação crônica de petróleo são os problemas mais graves da exploração petrolífera. “Os que se beneficiam dos serviços de um ecossistema devem contribuir também para sua conservação”, ressaltou Guillermo.
A empresa de capital argentino e chinês Pan American Energy – segunda produtora de hidrocarbonos deste país e primeira operadora na costa – baixou a guarda. Há dois anos, a Fundação Patagônia Natural capacitou especialistas da companhia e navios de exploração levaram a bordo dois observadores da entidade para que estudassem o impacto da atividade nos mamíferos marinhos, disse ao Terramérica a encarregada de Meio Ambiente da empresa, Elena Vicente.
Agora é preparada nova atividade conjunta: especialistas da Fundação vão monitorar um projeto de exploração a partir de uma plataforma petroleira em alto mar, para prevenir “qualquer contingência”, explicou Elena. O empresário da pesca Gerardo Dietrich, da Alpesca, filial do grupo sul-africano Irvin & Johnson, disse ao Terramérica que sua companhia também acompanhará o esforço.
“Estes projetos sempre são proveitosos porque permitem um conhecimento mais profundo da área”, ressaltou Gerardo. Além disso, a gestão integrada ajudará os governos a tomarem medidas que “disciplinem” todos igualmente, de maneira que o compromisso de conservação não se limite a uns poucos.
* A autora é correspondente da IPS.
Crédito da imagem: Creative Commons
Legenda: Albatroz de sobrancelha negra perto do canal de Beagel, na Argentina.
LINKS
Mar Patagônio um pouco mais preservado
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3647
Argentina cria seu primeiro parque marítimo
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=1269
Argentina quer ampliar sua fronteira marítima
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=918
Fundação Patagônia Natural, em espanhol
http://www.patagonianatural.org/
Pan American Energy, em espanhol e inglês
http://www.pan-energy.com/
Alpesca, em espanhol e inglês
http://www.alpesca.com.ar/
Irvin & Johnson, em inglês
http://www.ij.co.za
********************************
FONTE : Marcela Valente. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.(Envolverde/Terramérica).
Buenos Aires, Argentina, 28 de março de 2011 (Terramérica).- Governantes, ecologistas e empresários têm pouco menos de quatro anos para estabelecer a gestão conjunta de 43 áreas protegidas da costa atlântica argentina, um dos biomas mais produtivos e melhor conservados do mundo. De Punta Rasa, na oriental província de Buenos Aires, até o austral Canal de Beagle, estas áreas somam 1,6 milhão de hectares, metade mar e metade terra, em quase cinco mil quilômetros de costas no Oceano Atlântico.
Algumas são mundialmente vitais, porque protegem espécies únicas, como 50% das colônias de pinguins de Magalhães (Spheniscus magellanicus) ou o único local costeiro de reprodução da ave petrel gigante do Sul (Macronectes giganteus). Entretanto, são insuficientes. Menos de 1% do mar está protegido, e as porções sob proteção se distribuem de forma desigual entre diferentes regiões biológicas.
Com a finalidade de superar esta e outras debilidades, desde outubro de 2010 está sendo executado um programa para criar o Sistema Interjurisdicional de Áreas Protegidas Costeiro-Marinhas da Argentina. A direção do programa não está com o governo, mas com uma organização não governamental, a Fundação Patagônia Natural, com financiamento do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF) e administração do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
“As áreas protegidas estão divididas, mas a ideia é colocá-las em rede e desenvolver uma estratégia de gestão que possa ser ampliada para todo o espaço costeiro marinho”, explicou ao Terramérica o coordenador do projeto, José María Musmeci. Durante quatro anos, se reunirão governadores das províncias de Buenos Aires, Chubut, Rio Negro, Santa Cruz e Terra do Fogo, e prefeitos dos municípios ribeirinhos. Também participarão os ministérios de Meio Ambiente, Pesca, Turismo e Relações Exteriores do governo argentino.
Na faixa costeira, são 25 cidades com mais de dez mil habitantes, com terminais portuários importantes, como Mar del Plata ou Bahía Blanca, em Buenos Aires, Puerto Madryn, em Chubut, e Ushuaia, na Terra do Fogo. Trata-se de fortalecer os acordos institucionais e sociais da governabilidade das reservas naturais, melhorar as formas de financiamento de longo prazo, e selecionar áreas protegidas para fortalecê-las, redesenhá-las ou ampliá-las. Também é preciso convencer as empresas do valor que tem a biodiversidade.
O cenário atrai pela cor sempre azul de suas águas e suas costas variadas, com pontas rochosas e abruptas. Pinguins, baleias, orcas, cormorões, lobos e elefantes marinhos são exemplos de espécies das costas patagônias. Mar adentro, podem ser encontradas enormes existências de espécies comerciais, como merluzas (Merluccius hubbsi), lulas (Illex argentinus) ou lagostins.
Esta riqueza está ameaçada por exploração de petróleo, pesca, turismo e contaminação urbana e industrial, disse ao Terramérica o oceanógrafo Guillermo Caille, coordenador técnico do projeto. A extração de petróleo produz renda anual de US$ 2 bilhões e responde por 70% da atividade econômica baseada nos recursos naturais da área costeira. A pesca, que contribui com 20% da economia costeira e exporta US$ 500 milhões ao ano, vê diminuir as existências ano a ano por descontrole na captura.
O turismo gera US$ 100 milhões por ano e 10% da atividade econômica. Todos estes setores vivem dos recursos que se busca proteger. Só o avistamento de fauna atrai um milhão de visitantes por ano. Os cruzeiros, cerca de “50 barcos que levam anualmente entre mil e cinco mil passageiros”, atracam em Buenos Aires, Puerto Madryn e Ushuaia, informou Guillermo. Algumas empresas deste ramo realizam boas práticas para conscientizar o pessoal e os turistas.
Outra ameaça são os resíduos sólidos e líquidos das cidades e indústrias. Para Guillermo, no setor público houve “avanços significativos” nos últimos 20 anos, mas no setor privado “faltam maiores progressos”, por isto, esta iniciativa busca um vigoroso intercâmbio com as empresas. Os vazamentos e a contaminação crônica de petróleo são os problemas mais graves da exploração petrolífera. “Os que se beneficiam dos serviços de um ecossistema devem contribuir também para sua conservação”, ressaltou Guillermo.
A empresa de capital argentino e chinês Pan American Energy – segunda produtora de hidrocarbonos deste país e primeira operadora na costa – baixou a guarda. Há dois anos, a Fundação Patagônia Natural capacitou especialistas da companhia e navios de exploração levaram a bordo dois observadores da entidade para que estudassem o impacto da atividade nos mamíferos marinhos, disse ao Terramérica a encarregada de Meio Ambiente da empresa, Elena Vicente.
Agora é preparada nova atividade conjunta: especialistas da Fundação vão monitorar um projeto de exploração a partir de uma plataforma petroleira em alto mar, para prevenir “qualquer contingência”, explicou Elena. O empresário da pesca Gerardo Dietrich, da Alpesca, filial do grupo sul-africano Irvin & Johnson, disse ao Terramérica que sua companhia também acompanhará o esforço.
“Estes projetos sempre são proveitosos porque permitem um conhecimento mais profundo da área”, ressaltou Gerardo. Além disso, a gestão integrada ajudará os governos a tomarem medidas que “disciplinem” todos igualmente, de maneira que o compromisso de conservação não se limite a uns poucos.
* A autora é correspondente da IPS.
Crédito da imagem: Creative Commons
Legenda: Albatroz de sobrancelha negra perto do canal de Beagel, na Argentina.
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Mar Patagônio um pouco mais preservado
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Argentina cria seu primeiro parque marítimo
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Argentina quer ampliar sua fronteira marítima
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=918
Fundação Patagônia Natural, em espanhol
http://www.patagonianatural.org/
Pan American Energy, em espanhol e inglês
http://www.pan-energy.com/
Alpesca, em espanhol e inglês
http://www.alpesca.com.ar/
Irvin & Johnson, em inglês
http://www.ij.co.za
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FONTE : Marcela Valente. Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.(Envolverde/Terramérica).
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