Tem 26.500 focos de incêndios em quase todos os Estados brasileiros, Na Amazônia o Arco do Desmatamento, que vai do Pará a Rondônia é como uma flecha flamejante no coração da Amazônia. As emissoras de TV se aproveitam das imagens dramáticas de animais mortos e tufos enormes de fumaça subindo aos céus. No entanto, pouco se vai a fundo em quem são os responsáveis, a quem interessa esta sandice criminosa não apenas com a Amazônia, mas com todos os biomas brasileiros. O Cerrado também está em chamas. É preciso ir atrás dos criminosos e os expor à execração pública. Mas não, o tema é tratado quase como uma fatalidade. Um acontecimento sazonam previsível e inexorável.
O Brasil está em um Estado de Emergência Climática. Estamos emitindo milhares de toneladas de gases de efeito estufa sem nenhum controle e sem que isso sirva à sociedade brasileira. Quando ligamos uma termelétrica e emitimos CO², é ruim, mas ao menos estamos gerando eletricidade para acender lâmpadas, ligar geladeiras ou ouvir música. Mas o que ligamos ao queimar a floresta? Na verdade, desligamos. Desconectamos o bom senso, deixamos de lado os compromissos com o amanhã e passamos por cima do esforço de milhares de brasileiros e empresas que estão investindo na redução de sua “pegada de carbono”. Damos um tapa na cara das pessoas que deixam seus carros em casa e vão ao trabalho no transporte público, a pé ou de bicicleta. Desligamos o Brasil de seus compromissos internacionais de redução de emissão de gases estufa.
O que mais será preciso para que acordemos dessa letargia em berço esplêndido? Estamos em pleno processo eleitoral e não há comícios, debates, discussões acaloradas sobre o país que queremos, o modelo de desenvolvimento ou como deve ser a gestão disso ou daquilo. As pessoas se recolheram à vida privada e abandonaram os interesses públicos. As queimadas no Brasil são um escândalo ambiental tão grande ou maior do que o desastre da BP no Golfo do México. Milhões de indivíduos da flora e fauna estão morrendo. Não apenas ameaçados, mas morrendo pelo descaso de uma espécie suicida. As cidades no caminho da fumaça estão vivendo dramas humanos de fazer chorar. Crianças morrem sem conseguir respirar. Idosos que poderiam curtir netos por muito tempo estão morrendo por puro descaso não apenas dos governos, mas da sociedade brasileira com a vida.
O Brasil e sua cidadania precisam dar um basta a isso. É preciso parar de queimar o futuro não apenas do País, mas do Planeta em uma atitude absolutamente mesquinha de alguns e da incompetência de outros. Se há um momento em que o Exército deve sair dos quartéis e travar uma guerra é agora. É preciso combater o fogo onde quer que ele esteja. Não é possível continuar a assistir o fogo no Jornal Nacional e, em seguida, passar para a cotação do dólar e para o caso de amor da celebridade de plantão. Como se o incêndio que se alastra pelo País fosse apenas uma notícia de jornal.
Queimar a floresta leva a um profundo desequilíbrio do cliclo hidrológico brasileiro e nos atira em um circulo vicioso onde queima porque não chove e não chove porque queima.
É tempo de eleição. Vamos acordar e votar de forma correta, analisando o Brasil que temos e o Brasil que queremos. É tempo de indignação. Estamos queimando o Brasil. Temos de fazer protestos sobre isso, Grandes protestos que arranquem governantes e políticos de suas mesquinhas agendas eleitorais e os façam se dedicar a resolver esta emergência nacional.
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FONTE : Dal Marcondes, da Envolverde (Agência Envolverde)
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Amazônia boliviana em fogo lento
La Paz, Bolívia, 26/8/2010 – O fogo arrasa sem piedade extensas áreas da Amazônia boliviana, enquanto o governo reconhece incapacidade tanto para combater os incêndios, que já superam em quase 340 os registrados em 2009, como para punir os responsáveis. O endurecimento das sanções está entre as opções que o governo estuda, considerando o aumento dos incêndios provocados e castigados por uma legislação que não responde a esta emergência, informou à IPS o chefe de desmatamentos da Autoridade de Fiscalização e Controle Social de Florestas e Terras (ABT), José Luis Osinaga.
Embora os dados indiquem um aumento no número de focos de incêndios, de 1.972 em 2009 para 6.667 este ano, o maior registro de incêndios data de 2005, quando foram contabilizados 8.144, disse à IPS a chefe da Unidade de Previsão do Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia (Senamhi), Marisol Portugal.
No ano passado, a ABT abriu 300 processos administrativos contra supostos responsáveis pela queima de florestas e também foram organizados paineis de informação, disse José Luis ao ser consultado sobre as tarefas de prevenção. Nesta época do ano, os agricultores praticam o “chaqueo”, uma forma de preparar a terra para a semeadura mediante a queima de pastagens e mato, que muitas vezes fica descontrolado e é realizado em grandes extensões.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, reconheceu a falta de capacidade técnica para combater incêndios florestais e o desejo de adquirir no curto prazo equipamentos e aeronaves adequadas para enfrentar esta emergência. É provável que as punições leves diante do enorme dano ambiental gerado estimulem o “chaqueo”, admitiu José Luis. A regulamentação diz que a multa por superfície total queimada de um terreno é de US$ 0,20. Esta forma de definir a conduta contra o meio ambiente leva a confusões, segundo a autoridade.
Diante desse manejo inadequado de queima de mato, surgiu uma iniciativa parlamentar que tenta frear, por meio de sanções econômicas, os excessos e o descuido dos agricultores na hora de desmatar pelo método tradicional. Até o momento, continua em estudo o texto que modificará a sanção vigente.
As perdas não foram quantificadas, mas só o reflorestamento das áreas devastadas pode exigir cerca de US$ 200 milhões, segundo estimativas do diretor-geral de Gestão e Desenvolvimento Florestal do vice-Ministério do Meio Ambiente, Weimar Becerra. Até o dia 24, 29 dos 38 aeroportos em sete departamentos haviam suspendido operações por falta de visibilidade em uma distância mínima de cinco mil metros.
As avaliações via satélite da organização não governamental Herencia demonstram preocupação por um “desastre de maior grau” no município de Ixiamas, norte do departamento de La Paz, onde se estima que a destruição atingiu cerca de 90 mil hectares de floresta. Na cidade de Cochabamba, a 403 quilômetros de La Paz, um incêndio voraz destroi a natureza do Parque Nacional Tunari, que fica em uma montanha próxima da zona urbana.
As autoridades regionais temem que o fogo tenha começado acidentalmente, embora não seja descartada a possibilidade de uma ação de narcotraficantes que operavam fábricas clandestinas de droga.
A comunidade La Cachuela, do município El Puente, na província de Guarayos do departamento de Santa Cruz, foi declarada zona de desastre após o incêndio que destruiu 27 casas de famílias indígenas, além de floresta e plantação. Com a declaração de desastre, as autoridades municipais esperam obter alimentos e barracas do governo departamental, e uma campanha de solidariedade para reconstruir as casas.
Às margens do Rio Manuripi, no município de Puerto Rico, departamento de Pando, 1.200 hectares de floresta estão em chamas há duas semanas, segundo estimativas do diretor-executivo da Herencia, Juan Fernando Reyes, transmitidas à IPS. O governador de Pando, Luis Flores, informou que dez dos 15 municípios da região sofrem queimadas indiscriminadas, que poderiam ser atribuídas a ações de agricultores que buscam ganhar espaços para plantar.
Em 2005, foram 15 focos de incêndio e 50 mil hectares afetados na Reserva Manuripi. Presume-se que os caçadores de tartaruga de rio (petas) usam fogo para obrigá-las a sair da floresta, disse Juan Fernando. O coordenador de capacitação da não governamental Liga do Meio Ambiente (Lidema), Edwin Alvarado, disse à IPS que as causas dos incêndios florestais podem ser várias, incluindo a mudança climática, já que deixa a vegetação seca e causa escassez de água.
A zona florestal de Pando sofre enormes danos, como a destruição de castanheiras e outras espécies florestais de valor econômico como açaí (Euterpe precatória), seringueira (Hevea brasiliensis) e ubim (Geonoma sp.), além da morte de animais silvestres. “Em um nível maior, estas queimadas emitem grande quantidade de gases, contribuindo para o aquecimento global”, disse Juan Fernando.
A extinção dos incêndios florestais geralmente chega com as chuvas da última semana de agosto e começo de setembro, mas este ano é particular, porque não haverá chuva e as frentes frias serão secas, anunciou Marisol. A fumaça também dissipa com as chuvas da primavera, mas tudo indica que o processo será lento, podendo prolongar-se até outubro, segundo o Senamhi.
A densa fumaceira que cobre grande parte da Amazônia, e que chega até as regiões ocidentais, contribui para elevar a temperatura em até dois graus centígrados. Na Amazônia a média é de 36 graus.
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FONTE : Franz Chávez, da IPS (Envolverde/IPS)
Embora os dados indiquem um aumento no número de focos de incêndios, de 1.972 em 2009 para 6.667 este ano, o maior registro de incêndios data de 2005, quando foram contabilizados 8.144, disse à IPS a chefe da Unidade de Previsão do Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia (Senamhi), Marisol Portugal.
No ano passado, a ABT abriu 300 processos administrativos contra supostos responsáveis pela queima de florestas e também foram organizados paineis de informação, disse José Luis ao ser consultado sobre as tarefas de prevenção. Nesta época do ano, os agricultores praticam o “chaqueo”, uma forma de preparar a terra para a semeadura mediante a queima de pastagens e mato, que muitas vezes fica descontrolado e é realizado em grandes extensões.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, reconheceu a falta de capacidade técnica para combater incêndios florestais e o desejo de adquirir no curto prazo equipamentos e aeronaves adequadas para enfrentar esta emergência. É provável que as punições leves diante do enorme dano ambiental gerado estimulem o “chaqueo”, admitiu José Luis. A regulamentação diz que a multa por superfície total queimada de um terreno é de US$ 0,20. Esta forma de definir a conduta contra o meio ambiente leva a confusões, segundo a autoridade.
Diante desse manejo inadequado de queima de mato, surgiu uma iniciativa parlamentar que tenta frear, por meio de sanções econômicas, os excessos e o descuido dos agricultores na hora de desmatar pelo método tradicional. Até o momento, continua em estudo o texto que modificará a sanção vigente.
As perdas não foram quantificadas, mas só o reflorestamento das áreas devastadas pode exigir cerca de US$ 200 milhões, segundo estimativas do diretor-geral de Gestão e Desenvolvimento Florestal do vice-Ministério do Meio Ambiente, Weimar Becerra. Até o dia 24, 29 dos 38 aeroportos em sete departamentos haviam suspendido operações por falta de visibilidade em uma distância mínima de cinco mil metros.
As avaliações via satélite da organização não governamental Herencia demonstram preocupação por um “desastre de maior grau” no município de Ixiamas, norte do departamento de La Paz, onde se estima que a destruição atingiu cerca de 90 mil hectares de floresta. Na cidade de Cochabamba, a 403 quilômetros de La Paz, um incêndio voraz destroi a natureza do Parque Nacional Tunari, que fica em uma montanha próxima da zona urbana.
As autoridades regionais temem que o fogo tenha começado acidentalmente, embora não seja descartada a possibilidade de uma ação de narcotraficantes que operavam fábricas clandestinas de droga.
A comunidade La Cachuela, do município El Puente, na província de Guarayos do departamento de Santa Cruz, foi declarada zona de desastre após o incêndio que destruiu 27 casas de famílias indígenas, além de floresta e plantação. Com a declaração de desastre, as autoridades municipais esperam obter alimentos e barracas do governo departamental, e uma campanha de solidariedade para reconstruir as casas.
Às margens do Rio Manuripi, no município de Puerto Rico, departamento de Pando, 1.200 hectares de floresta estão em chamas há duas semanas, segundo estimativas do diretor-executivo da Herencia, Juan Fernando Reyes, transmitidas à IPS. O governador de Pando, Luis Flores, informou que dez dos 15 municípios da região sofrem queimadas indiscriminadas, que poderiam ser atribuídas a ações de agricultores que buscam ganhar espaços para plantar.
Em 2005, foram 15 focos de incêndio e 50 mil hectares afetados na Reserva Manuripi. Presume-se que os caçadores de tartaruga de rio (petas) usam fogo para obrigá-las a sair da floresta, disse Juan Fernando. O coordenador de capacitação da não governamental Liga do Meio Ambiente (Lidema), Edwin Alvarado, disse à IPS que as causas dos incêndios florestais podem ser várias, incluindo a mudança climática, já que deixa a vegetação seca e causa escassez de água.
A zona florestal de Pando sofre enormes danos, como a destruição de castanheiras e outras espécies florestais de valor econômico como açaí (Euterpe precatória), seringueira (Hevea brasiliensis) e ubim (Geonoma sp.), além da morte de animais silvestres. “Em um nível maior, estas queimadas emitem grande quantidade de gases, contribuindo para o aquecimento global”, disse Juan Fernando.
A extinção dos incêndios florestais geralmente chega com as chuvas da última semana de agosto e começo de setembro, mas este ano é particular, porque não haverá chuva e as frentes frias serão secas, anunciou Marisol. A fumaça também dissipa com as chuvas da primavera, mas tudo indica que o processo será lento, podendo prolongar-se até outubro, segundo o Senamhi.
A densa fumaceira que cobre grande parte da Amazônia, e que chega até as regiões ocidentais, contribui para elevar a temperatura em até dois graus centígrados. Na Amazônia a média é de 36 graus.
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FONTE : Franz Chávez, da IPS (Envolverde/IPS)
Queimadas atingem 11 estados e preocupam senadores
Na semana que passou, as queimadas no Cerrado foram destaque na imprensa nacional. Dados impressionantes, como o referente ao índice de poluição do ar da cidade de Brasília - equiparado ao da capital paulista - davam a medida da crise. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onze estados brasileiros foram atingidos em agosto. Os que mais sofreram foram Tocantins, Mato Grosso e Pará.
Ainda segundo o Inpe, o total de queimadas no Brasil, acumulado até 17 agosto, era de 30.857, 94% acima do registrado no mesmo período de 2009. Além do evidente prejuízo para a biodiversidade das áreas atingidas, as queimadas afetam a qualidade de vida das populações das cidades próximas. Sob um índice de umidade do ar que tem estado abaixo dos 20% no Distrito Federal - o que, segundo a Organização Mundial de Saúde, configura estado de alerta - cresce a cada dia a procura pela emergência dos hospitais por parte de pessoas com doenças respiratórias e problemas oculares.
Senadores das regiões atingidas expressaram sua preocupação em relação ao tema. Para o senador José Nery (PSOL-PA), em entrevista à Agência Senado, a ausência de um controle mais efetivo por parte do Poder Público é o fator responsável pela proliferação de queimadas na Amazônia.
- É preciso haver maior intervenção do governo federal. Não podemos pensar só em ações emergenciais, como a Operação Arco Verde [projeto do governo federal para prevenir e controlar o desmatamento ilegal na Amazônia Legal], mas em medidas de caráter permanente - disse.
Ele sugeriu melhor estruturação dos órgãos de fiscalização e punição efetiva para quem descumprir a lei.
- As multas para quem faz queimadas não estão sendo aplicadas - alertou.
Em pronunciamentos recentes, os senadores Acir Gurgacz (PDT-RO) e Jorge Yanai (DEM-MT) forneceram relatos da situação em seus respectivos estados. De acordo com Gurgacz, que foi à tribuna na última quarta-feira (18), a fumaça das queimadas tem causado problemas respiratórios à população de Roraima e aumentado o número de acidentes nas rodovias.
O senador assinalou que há alguns anos a fumaça vinha de queimadas irregulares, mas agora, garante, a seca é a grande responsável.
- Com a vegetação tão seca, pequenos focos de incêndios acidentais ganham proporções assustadoras - disse.
Jorge Yanai, por sua vez, chamou a atenção para o incêndio que no dia 12 de agosto atingiu o município de Marcelândia, no Mato Grosso. 40% do setor industrial da cidade foi destruído e mais de cem famílias ficaram desabrigadas. Iniciado em um lixão, disse Yanai, as chamas se alastraram rapidamente devido à seca na região.
Mudança do clima
O fenômeno pode afetar até regiões distantes. Nesta semana, no Rio Grande do Sul, chuvas de cor alaranjada e negra, que caíram sobre Porto Alegre e outras cidades, foram atribuídas por especialistas à fuligem de queimadas em estados do Centro-Oeste.
A longo prazo, as queimadas podem se reverter em estiagens mais prolongadas nas Regiões Norte e Centro-Oeste e em mudanças de clima mais acentuadas em todo o país. É que durante o processo de queima são liberadas grandes quantidades de gás carbônico, causador do fenômeno do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.
Com o objetivo de minimizar as causas e as consequências das mudanças climáticas, o Congresso Nacional aprovou e o governo promulgou no final de 2009 a Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei 12.187, de dezembro de 2009). Uma das principais metas da política é reduzir as "emissões antrópicas de gases de efeito estufa em relação às suas diferentes fontes". Emissões antrópicas são aquelas causadas pela ação humana.
A lei também prevê a "preservação, conservação e recuperação dos recursos ambientais, com particular atenção aos grandes biomas naturais tidos como Patrimônio Nacional", e a consolidação e a expansão das áreas legalmente protegidas, além do incentivo aos reflorestamentos e a recomposição da cobertura vegetal em áreas degradadas.
A depender da extensão da destruição até fim do período da seca, esses dispositivos legais podem contribuir com a recuperação da biodiversidade da Amazônia, considerada patrimônio nacional. Para que o Cerrado, imensamente atingido pelas queimadas, possa gozar do mesmo benefício, a Câmara dos Deputados precisa aprovar a Proposta de Emenda à Constituição 51/03, já aprovada pelo Senado, que inclui o Cerrado e a Caatinga entre os biomas considerados patrimônio nacional.
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FONTE : (Envolverde/Agência Senado)
Ainda segundo o Inpe, o total de queimadas no Brasil, acumulado até 17 agosto, era de 30.857, 94% acima do registrado no mesmo período de 2009. Além do evidente prejuízo para a biodiversidade das áreas atingidas, as queimadas afetam a qualidade de vida das populações das cidades próximas. Sob um índice de umidade do ar que tem estado abaixo dos 20% no Distrito Federal - o que, segundo a Organização Mundial de Saúde, configura estado de alerta - cresce a cada dia a procura pela emergência dos hospitais por parte de pessoas com doenças respiratórias e problemas oculares.
Senadores das regiões atingidas expressaram sua preocupação em relação ao tema. Para o senador José Nery (PSOL-PA), em entrevista à Agência Senado, a ausência de um controle mais efetivo por parte do Poder Público é o fator responsável pela proliferação de queimadas na Amazônia.
- É preciso haver maior intervenção do governo federal. Não podemos pensar só em ações emergenciais, como a Operação Arco Verde [projeto do governo federal para prevenir e controlar o desmatamento ilegal na Amazônia Legal], mas em medidas de caráter permanente - disse.
Ele sugeriu melhor estruturação dos órgãos de fiscalização e punição efetiva para quem descumprir a lei.
- As multas para quem faz queimadas não estão sendo aplicadas - alertou.
Em pronunciamentos recentes, os senadores Acir Gurgacz (PDT-RO) e Jorge Yanai (DEM-MT) forneceram relatos da situação em seus respectivos estados. De acordo com Gurgacz, que foi à tribuna na última quarta-feira (18), a fumaça das queimadas tem causado problemas respiratórios à população de Roraima e aumentado o número de acidentes nas rodovias.
O senador assinalou que há alguns anos a fumaça vinha de queimadas irregulares, mas agora, garante, a seca é a grande responsável.
- Com a vegetação tão seca, pequenos focos de incêndios acidentais ganham proporções assustadoras - disse.
Jorge Yanai, por sua vez, chamou a atenção para o incêndio que no dia 12 de agosto atingiu o município de Marcelândia, no Mato Grosso. 40% do setor industrial da cidade foi destruído e mais de cem famílias ficaram desabrigadas. Iniciado em um lixão, disse Yanai, as chamas se alastraram rapidamente devido à seca na região.
Mudança do clima
O fenômeno pode afetar até regiões distantes. Nesta semana, no Rio Grande do Sul, chuvas de cor alaranjada e negra, que caíram sobre Porto Alegre e outras cidades, foram atribuídas por especialistas à fuligem de queimadas em estados do Centro-Oeste.
A longo prazo, as queimadas podem se reverter em estiagens mais prolongadas nas Regiões Norte e Centro-Oeste e em mudanças de clima mais acentuadas em todo o país. É que durante o processo de queima são liberadas grandes quantidades de gás carbônico, causador do fenômeno do efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.
Com o objetivo de minimizar as causas e as consequências das mudanças climáticas, o Congresso Nacional aprovou e o governo promulgou no final de 2009 a Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei 12.187, de dezembro de 2009). Uma das principais metas da política é reduzir as "emissões antrópicas de gases de efeito estufa em relação às suas diferentes fontes". Emissões antrópicas são aquelas causadas pela ação humana.
A lei também prevê a "preservação, conservação e recuperação dos recursos ambientais, com particular atenção aos grandes biomas naturais tidos como Patrimônio Nacional", e a consolidação e a expansão das áreas legalmente protegidas, além do incentivo aos reflorestamentos e a recomposição da cobertura vegetal em áreas degradadas.
A depender da extensão da destruição até fim do período da seca, esses dispositivos legais podem contribuir com a recuperação da biodiversidade da Amazônia, considerada patrimônio nacional. Para que o Cerrado, imensamente atingido pelas queimadas, possa gozar do mesmo benefício, a Câmara dos Deputados precisa aprovar a Proposta de Emenda à Constituição 51/03, já aprovada pelo Senado, que inclui o Cerrado e a Caatinga entre os biomas considerados patrimônio nacional.
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FONTE : (Envolverde/Agência Senado)
Ameaçada de extinção, onça-pintada se torna símbolo da biodiversidade
Depois do mico-leão dourado, do panda, da baleia, chegou a vez da onça-pintada. Maior felino das Américas e rainha das florestas brasileiras, a onça-pintada se tornou símbolo de campanhas pela preservação da biodiversidade. Ela consta como "vulnerável" na lista de animais ameaçados de extinção do Ministério do Meio Ambiente.
Mas na Caatinga e na Mata Atlântica está à beira da extinção. No Pantanal, a onça é vítima de caçadores e da expansão das pastagens. Só na Amazônia a população é razoável, mas pouco estudada. Aliás, a onça-pintada, um animal naturalmente esquivo e misterioso, ainda tem muitos de seus hábitos desconhecidos. Sem medidas emergenciais, a espécie poderia desaparecer de todo o país - à exceção da Amazônia - nos próximos 100 anos.
O estado crítico da onça-pintada mobilizou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que lançará, ainda este ano, um livro com mais de 200 ações de socorro à espécie, entre medidas de curto e longo prazo. As propostas foram esboçadas desde o fim do ano passado, quando o animal foi tema de um workshop em Atibaia, em São Paulo. A cidade sedia o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), órgão do ICMBio responsável pelo estudo de grandes felinos brasileiros.
Salvar a onça-pintada custará R$ 12 milhões, entre o investimento em pesquisas, criação de novas unidades de conservação e educação ambiental. Outra medida cobrada pelo Cenap é o reconhecimento, em até três anos, do animal como símbolo da conservação da biodiversidade brasileira.
Até agora, porém, a espécie está em risco. Estima-se que restem menos de 13 mil onças-pintadas no país - a conta não inclui o Pantanal. Os pesquisadores são cautelosos ao analisar esta contagem, considerando as dificuldades em estudar um animal que percorre áreas tão grandes e embrenha-se na mata virgem da Amazônia. De certo se sabe mesmo que a onça, de predadora temida, tornou-se caça, perseguida por fazendeiros.
- As pesquisas mais recentes mostram que, no Pantanal e na Amazônia, a situação da espécie não é favorável como se imaginava - alerta Rogério Cunha de Paula, chefe-substituto do Cenap. - Sem esses biomas, portanto, a onça-pintada ocuparia um estágio ainda pior do que vulnerável. Se não agirmos, vamos seguir o caminho de Uruguai e Argentina, onde este animal já desapareceu.
Um dos maiores problemas da onça-pintada é a falta de um lugar para chamar de seu. Mais da metade (54%) das áreas de habitat desses felinos não existe mais. O desmatamento pode fazer com que a espécie desapareça, em até cinco anos, de algumas regiões.
Segundo os pesquisadores, uma maneira de garantir a sobrevivência das pequenas populações do animal, cada vez mais isoladas pela expansão de centros urbanos e outras atividades econômicas, seria interligar as unidades de conservação. O Cenap dedica-se há três anos à construção do Corredor da Onça, uma estrutura que cumpriria este papel na Caatinga.
- É um projeto que precisa ser negociado cuidadosamente, porque a proteção da onça-pintada não pode restringir o desenvolvimento da população humana que vive entre as unidades de conservação - pondera Rogério Cunha de Paula, do Cenap. - Precisamos do apoio de outros ministérios. Com o projeto, teremos garantida a conservação do felino em uma área de 133 mil de km², que abrange quatro parques nacionais, além de outro ainda em desenvolvimento.
O escudo para a onça seria mais do que bem-vindo. Das 17 unidades de conservação existentes na Caatinga, apenas três têm manejo apropriado para proteger espécies ameaçadas. Nas outras, portanto, o animal está em risco. A consequência imediata é a fragmentação das populações, o que a expõe ainda mais à caça. Na região de Bom Jesus da Lapa (BA), por exemplo, sobraram apenas três felinos.
O Cerrado tampouco é seguro. Neste bioma, a população de onças-pintadas caiu pela metade em apenas 25 anos - sobraram 949, de acordo com o Cenap. Em poucas décadas, 2 milhões de km² desta região (uma área quatro vezes maior do que a Espanha) foram adaptados à agropecuária. Uma baixa significativa para os felinos e suas presas.
As pastagens já chegaram ao extremo sul e ao leste da Amazônia, onde o número de onças-pintadas é uma incógnita. Como toda a floresta ainda de pé serve de habitat para a espécie, estima-se que mais de 10 mil indivíduos adultos vivam por lá. Mas o relatório da Cenap faz um alerta: se o cenário de degradação ambiental continuar, os felinos ficarão praticamente restritos à área ocupada por cinco unidades de conservação. Neste cenário pessimista, a população de onças-pintadas poderia cair para menos de 3 mil indivíduos.
- A Amazônia é uma incógnita - define Ricardo Boulhosa, coordenador-executivo do Instituto Pró-Carnívoros, ONG que participa, com o Cenap, de levantamentos relacionados às onças. - Ainda não sabemos os territórios em que vive a espécie, nem a sua densidade. Estamos preocupados com o Arco do Desmatamento, como é chamada a borda da floresta, uma área muito conflituosa. Ainda sabemos pouco sobre as onças, mas é muito provável que sua situação nunca tenha sido tão arriscada.
No Pantanal, as onças, não raro, são recebidas a tiros. Em pesquisas realizadas ao longo da década, fazendeiros e peões afirmaram que o número de felinos teria aumentado. No embalo dessa impressão popular (e com a revolta aos ataques dos predadores a animais domésticos), jornais locais sugeriram que os animais fossem caçados.
- O suposto aumento populacional não tem comprovação científica - ressalta Sandra Cavalcanti, que coordenou estudos com onças-pintadas do Pantanal para o Instituto Pró-Carnívoros. - Naquele bioma, as grandes propriedades têm sido divididas entre membros da mesma família. Áreas antes remotas, onde não era possível chegar de carro, estão sendo mais exploradas. Hoje, porém, há mais contato do homem com estes animais. Isso pode explicar a crença de que existem mais felinos por ali.
Não há estimativas sobre a quantidade de onças-pintadas em todo o Pantanal. Na área de estudos de Sandra, há, em média, seis delas a cada 100 quilômetros quadrados. Além de monitorá-las, a pesquisadora lidava com julgamentos praticamente imutáveis sobre os felinos.
- Uma questão fortemente arraigada na cultura pantaneira é dar status para quem caça onças - lamenta. - E ainda temos de nos preocupar com a caça comercial e a esportiva, claramente proibidas e feitas às escondidas .
A matança clandestina de onças-pintadas atrai até estrangeiros. No início do mês, o Ibama e a Polícia Federal desmantelaram uma quadrilha que organizava safáris clandestinos no Pantanal. O abate a um indivíduo da espécie custava até US$ 1.500. O número de animais mortos pelo grupo e seus clientes ainda é desconhecido.
Mata Atlântica é campo minado para o felino
A Mata Atlântica não traz qualquer expectativa para os felinos que ainda a habitam. Este é o mais isolado dos grandes biomas e o que sofre maior pressão dos centros urbanos. A perda de habitat é tamanha que não há mais de 170 onças-pintadas adultas em toda a Mata Atlântica.
- Se não promovermos conexões dos locais onde há mais onças para aqueles em que sobraram poucas, há grande chance de acelerarmos o desaparecimento da espécie - alerta Rogério Cunha de Paula, do Cenap. - A Mata Atlântica está isolada, por isso sua situação é bem pior do que a observada nos outros biomas.
A ocupação humana, as queimadas e algumas atividades econômicas produziram efeitos irreversíveis na Mata Atlântica. Apenas 20,4% deste bioma seriam adequados hoje para servir de habitat a uma onça-pintada.
É um índice bem menor do que o registrado na Amazônia (84,9%) ou no Cerrado (40,7%), por exemplo.
Uma das regiões mais emblemáticas do bioma é o Alto Paraná, onde a população de felinos caiu 90% em 15 anos. As várzeas do Rio Paraná, habitat mais propício para as onças-pintadas por lá, estão dando lugar a usinas hidrelétricas. Já são 26 represas, com reservatórios de mais de 100 quilômetros quadrados cada.
O Cenap, junto à ONG americana Panthera e ao Instituto Pró-Carnívoros, desenvolveu um software para calcular a longevidade das diversas populações de onças-pintadas do Brasil. Para estimar as chances de sobrevivência da onça, considerou fatores como o número de filhotes, a quantidade de animais caçados e o índice de atropelamentos.
O estudo qualificou como urgentes as áreas que, se não receberem operações substanciais, podem perder suas onças em cinco anos. Uma delas vai da Costa Verde fluminense ao norte de Santa Catarina.
- Essas simulações facilitam a tomada de algumas medidas - explica Ricardo Boulhosa, coordenador-executivo do Instituto Pró-Carnívoros. - Se constatarmos, por exemplo, que atropelamentos são frequentes, podemos reivindicar maior sinalização nas estradas.
Outra alternativa, segundo Rogério, seria a construção de passagens subterrâneas sob rodovias, solução já adotada nos EUA.
- É uma forma de interferirmos na vegetação natural e em estruturas já existentes sem trazer risco aos animais - ressalta. - Precisamos lembrar que as medidas discutidas têm a vantagem de não proteger unicamente as onças-pintadas, e sim todo o meio em que ela está inserida.
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FONTE : Renato Grandelle, do Renctas (Envolverde/Renctas)
Mas na Caatinga e na Mata Atlântica está à beira da extinção. No Pantanal, a onça é vítima de caçadores e da expansão das pastagens. Só na Amazônia a população é razoável, mas pouco estudada. Aliás, a onça-pintada, um animal naturalmente esquivo e misterioso, ainda tem muitos de seus hábitos desconhecidos. Sem medidas emergenciais, a espécie poderia desaparecer de todo o país - à exceção da Amazônia - nos próximos 100 anos.
O estado crítico da onça-pintada mobilizou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que lançará, ainda este ano, um livro com mais de 200 ações de socorro à espécie, entre medidas de curto e longo prazo. As propostas foram esboçadas desde o fim do ano passado, quando o animal foi tema de um workshop em Atibaia, em São Paulo. A cidade sedia o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), órgão do ICMBio responsável pelo estudo de grandes felinos brasileiros.
Salvar a onça-pintada custará R$ 12 milhões, entre o investimento em pesquisas, criação de novas unidades de conservação e educação ambiental. Outra medida cobrada pelo Cenap é o reconhecimento, em até três anos, do animal como símbolo da conservação da biodiversidade brasileira.
Até agora, porém, a espécie está em risco. Estima-se que restem menos de 13 mil onças-pintadas no país - a conta não inclui o Pantanal. Os pesquisadores são cautelosos ao analisar esta contagem, considerando as dificuldades em estudar um animal que percorre áreas tão grandes e embrenha-se na mata virgem da Amazônia. De certo se sabe mesmo que a onça, de predadora temida, tornou-se caça, perseguida por fazendeiros.
- As pesquisas mais recentes mostram que, no Pantanal e na Amazônia, a situação da espécie não é favorável como se imaginava - alerta Rogério Cunha de Paula, chefe-substituto do Cenap. - Sem esses biomas, portanto, a onça-pintada ocuparia um estágio ainda pior do que vulnerável. Se não agirmos, vamos seguir o caminho de Uruguai e Argentina, onde este animal já desapareceu.
Um dos maiores problemas da onça-pintada é a falta de um lugar para chamar de seu. Mais da metade (54%) das áreas de habitat desses felinos não existe mais. O desmatamento pode fazer com que a espécie desapareça, em até cinco anos, de algumas regiões.
Segundo os pesquisadores, uma maneira de garantir a sobrevivência das pequenas populações do animal, cada vez mais isoladas pela expansão de centros urbanos e outras atividades econômicas, seria interligar as unidades de conservação. O Cenap dedica-se há três anos à construção do Corredor da Onça, uma estrutura que cumpriria este papel na Caatinga.
- É um projeto que precisa ser negociado cuidadosamente, porque a proteção da onça-pintada não pode restringir o desenvolvimento da população humana que vive entre as unidades de conservação - pondera Rogério Cunha de Paula, do Cenap. - Precisamos do apoio de outros ministérios. Com o projeto, teremos garantida a conservação do felino em uma área de 133 mil de km², que abrange quatro parques nacionais, além de outro ainda em desenvolvimento.
O escudo para a onça seria mais do que bem-vindo. Das 17 unidades de conservação existentes na Caatinga, apenas três têm manejo apropriado para proteger espécies ameaçadas. Nas outras, portanto, o animal está em risco. A consequência imediata é a fragmentação das populações, o que a expõe ainda mais à caça. Na região de Bom Jesus da Lapa (BA), por exemplo, sobraram apenas três felinos.
O Cerrado tampouco é seguro. Neste bioma, a população de onças-pintadas caiu pela metade em apenas 25 anos - sobraram 949, de acordo com o Cenap. Em poucas décadas, 2 milhões de km² desta região (uma área quatro vezes maior do que a Espanha) foram adaptados à agropecuária. Uma baixa significativa para os felinos e suas presas.
As pastagens já chegaram ao extremo sul e ao leste da Amazônia, onde o número de onças-pintadas é uma incógnita. Como toda a floresta ainda de pé serve de habitat para a espécie, estima-se que mais de 10 mil indivíduos adultos vivam por lá. Mas o relatório da Cenap faz um alerta: se o cenário de degradação ambiental continuar, os felinos ficarão praticamente restritos à área ocupada por cinco unidades de conservação. Neste cenário pessimista, a população de onças-pintadas poderia cair para menos de 3 mil indivíduos.
- A Amazônia é uma incógnita - define Ricardo Boulhosa, coordenador-executivo do Instituto Pró-Carnívoros, ONG que participa, com o Cenap, de levantamentos relacionados às onças. - Ainda não sabemos os territórios em que vive a espécie, nem a sua densidade. Estamos preocupados com o Arco do Desmatamento, como é chamada a borda da floresta, uma área muito conflituosa. Ainda sabemos pouco sobre as onças, mas é muito provável que sua situação nunca tenha sido tão arriscada.
No Pantanal, as onças, não raro, são recebidas a tiros. Em pesquisas realizadas ao longo da década, fazendeiros e peões afirmaram que o número de felinos teria aumentado. No embalo dessa impressão popular (e com a revolta aos ataques dos predadores a animais domésticos), jornais locais sugeriram que os animais fossem caçados.
- O suposto aumento populacional não tem comprovação científica - ressalta Sandra Cavalcanti, que coordenou estudos com onças-pintadas do Pantanal para o Instituto Pró-Carnívoros. - Naquele bioma, as grandes propriedades têm sido divididas entre membros da mesma família. Áreas antes remotas, onde não era possível chegar de carro, estão sendo mais exploradas. Hoje, porém, há mais contato do homem com estes animais. Isso pode explicar a crença de que existem mais felinos por ali.
Não há estimativas sobre a quantidade de onças-pintadas em todo o Pantanal. Na área de estudos de Sandra, há, em média, seis delas a cada 100 quilômetros quadrados. Além de monitorá-las, a pesquisadora lidava com julgamentos praticamente imutáveis sobre os felinos.
- Uma questão fortemente arraigada na cultura pantaneira é dar status para quem caça onças - lamenta. - E ainda temos de nos preocupar com a caça comercial e a esportiva, claramente proibidas e feitas às escondidas .
A matança clandestina de onças-pintadas atrai até estrangeiros. No início do mês, o Ibama e a Polícia Federal desmantelaram uma quadrilha que organizava safáris clandestinos no Pantanal. O abate a um indivíduo da espécie custava até US$ 1.500. O número de animais mortos pelo grupo e seus clientes ainda é desconhecido.
Mata Atlântica é campo minado para o felino
A Mata Atlântica não traz qualquer expectativa para os felinos que ainda a habitam. Este é o mais isolado dos grandes biomas e o que sofre maior pressão dos centros urbanos. A perda de habitat é tamanha que não há mais de 170 onças-pintadas adultas em toda a Mata Atlântica.
- Se não promovermos conexões dos locais onde há mais onças para aqueles em que sobraram poucas, há grande chance de acelerarmos o desaparecimento da espécie - alerta Rogério Cunha de Paula, do Cenap. - A Mata Atlântica está isolada, por isso sua situação é bem pior do que a observada nos outros biomas.
A ocupação humana, as queimadas e algumas atividades econômicas produziram efeitos irreversíveis na Mata Atlântica. Apenas 20,4% deste bioma seriam adequados hoje para servir de habitat a uma onça-pintada.
É um índice bem menor do que o registrado na Amazônia (84,9%) ou no Cerrado (40,7%), por exemplo.
Uma das regiões mais emblemáticas do bioma é o Alto Paraná, onde a população de felinos caiu 90% em 15 anos. As várzeas do Rio Paraná, habitat mais propício para as onças-pintadas por lá, estão dando lugar a usinas hidrelétricas. Já são 26 represas, com reservatórios de mais de 100 quilômetros quadrados cada.
O Cenap, junto à ONG americana Panthera e ao Instituto Pró-Carnívoros, desenvolveu um software para calcular a longevidade das diversas populações de onças-pintadas do Brasil. Para estimar as chances de sobrevivência da onça, considerou fatores como o número de filhotes, a quantidade de animais caçados e o índice de atropelamentos.
O estudo qualificou como urgentes as áreas que, se não receberem operações substanciais, podem perder suas onças em cinco anos. Uma delas vai da Costa Verde fluminense ao norte de Santa Catarina.
- Essas simulações facilitam a tomada de algumas medidas - explica Ricardo Boulhosa, coordenador-executivo do Instituto Pró-Carnívoros. - Se constatarmos, por exemplo, que atropelamentos são frequentes, podemos reivindicar maior sinalização nas estradas.
Outra alternativa, segundo Rogério, seria a construção de passagens subterrâneas sob rodovias, solução já adotada nos EUA.
- É uma forma de interferirmos na vegetação natural e em estruturas já existentes sem trazer risco aos animais - ressalta. - Precisamos lembrar que as medidas discutidas têm a vantagem de não proteger unicamente as onças-pintadas, e sim todo o meio em que ela está inserida.
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FONTE : Renato Grandelle, do Renctas (Envolverde/Renctas)
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
VEJAM O QUE ESTA PSICOPATA FEZ !!!
Na Inglaterra, esta mulher foi flagrada pelas câmeras de vigilância colocando o pobre bichano no lixo, onde ele ficou aprisionado por 15 horas conforme notícias nos jornais. Ela foi descoberta, denunciada,presa e teve de pagar fiança para ser liberada e responder processo em liberdade por crueldade contra animais. Assim é nos países civilizados.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Últimos dias para se inscrever no Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais
Estudantes engajados em projetos socioambientais podem se inscrever até 27 de agosto e concorrer a um intercâmbio na Alemanha
As inscrições para a 7ª edição do Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais terminam na sexta-feira, dia 27. Em uma parceria mundial entre a empresa alemã e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os vencedores dos quatro melhores projetos socioambientais irão representar o Brasil no Encontro Internacional de Jovens Embaixadores Ambientais na Alemanha, em novembro deste ano. O programa possibilitará o intercâmbio com os vencedores de outros 17 países da América Latina, Ásia e África, além de palestras e visitas a instituições com as melhores práticas ambientais germânicas. Todas as despesas da viagem serão pagas pela Bayer.
Para se inscrever, o jovem deve acessar o site bayer.com.br/bayerjovens e descrever o projeto ambiental ou de responsabilidade social do qual participa, incluindo quais atividades realiza, os benefícios da iniciativa e quais resultados já alcançados. O projeto pode ser uma iniciativa própria ou conduzida por intermédio da iniciativa privada, de associações, entidades e/ou Organizações Não Governamentais (ONGs). Também é necessário que o jovem esteja regularmente matriculado no ensino médio, cursos universitários ou de pós-graduação reconhecidos pelo MEC, além de ter entre 18 e 24 anos de idade e falar inglês.
Conheça mais sobre o Bayer Jovens acessando as seguintes redes sociais :
Site: www.bayer.com.br/bayerjovens
Blog: http://portaldovoluntario.org.br/blogs/83968
Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=104503165
Twitter: http://twitter.com/bayerjovens
Facebook: http://www.facebook.com/bayerjovens
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FONTE : Victor Romualdo Francisco (Account Executive) (+55 (11) 2165-1649)
As inscrições para a 7ª edição do Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais terminam na sexta-feira, dia 27. Em uma parceria mundial entre a empresa alemã e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os vencedores dos quatro melhores projetos socioambientais irão representar o Brasil no Encontro Internacional de Jovens Embaixadores Ambientais na Alemanha, em novembro deste ano. O programa possibilitará o intercâmbio com os vencedores de outros 17 países da América Latina, Ásia e África, além de palestras e visitas a instituições com as melhores práticas ambientais germânicas. Todas as despesas da viagem serão pagas pela Bayer.
Para se inscrever, o jovem deve acessar o site bayer.com.br/bayerjovens e descrever o projeto ambiental ou de responsabilidade social do qual participa, incluindo quais atividades realiza, os benefícios da iniciativa e quais resultados já alcançados. O projeto pode ser uma iniciativa própria ou conduzida por intermédio da iniciativa privada, de associações, entidades e/ou Organizações Não Governamentais (ONGs). Também é necessário que o jovem esteja regularmente matriculado no ensino médio, cursos universitários ou de pós-graduação reconhecidos pelo MEC, além de ter entre 18 e 24 anos de idade e falar inglês.
Conheça mais sobre o Bayer Jovens acessando as seguintes redes sociais :
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