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sábado, 10 de junho de 2023

Seminário discute a energia solar na cidade de São Paulo

A realização é do Instituto Envolverde em parceria com a UMAPAZ, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente e conta com o apoio do gabinete do vereador Eliseu Gabriel A energia solar é uma realidade no presente e um grande projeto para o futuro! No Seminário O Futuro é Solar – Cidade de São Paulo, vamos conversar com todos os envolvidos na construção deste cenário. Teremos poder público, entidades representativas do setor e da sociedade civil à mesa para olhar juntos para aspectos econômicos, sociais e ambientais desta fonte energética sustentável. A pauta inclui políticas públicas, investimentos privados, incentivos, mitigação de riscos e tudo o mais que é necessário para tornar a geração de energia solar uma potência na maior metrópole do país. Também será discutido o projeto de lei 107/2019, encabeçado pelo vereador Eliseu Gabriel, que propõe a criação da Política Municipal de Energia Solar, a fim de que a cidade de São Paulo seja pioneira na disseminação desta fonte energética sustentável de forma ampla e capilarizada. Diversas organizações e entidades participam dos esforços para a implantação dessa política, entre elas, ABSOLAR, ABRASOL, ICLEI, WWF, IPT e Sindicato dos Engenheiros. O encontro será realizado em formato híbrido, sendo possível participar presencialmente, ou acompanhar online pelas redes da Envolverde e pelo Portal da @camarasaopaulo. O Seminário O Futuro é Solar – Cidade de São Paulo é uma realização do Instituto Envolverde e a @svmasp, por meio da @umapaz, com o apoio do vereador @profeliseugabriel. O evento é parte da programação da @viradaods, o maior evento internacional em prol dos ODS da ONU. Estão confirmadas as presenças de representantes das organizações e entidades UMAPAZ, ABSOLAR, ABRASOL, ICLEI, WWF, IPT e Sindicato dos Engenheiros e também dos Secretários Antonio Pedro, de Mudanças Climáticas e Rodrigo Ravena, do Verde e Meio Ambiente. Serviço: Data: 16 de junho – sexta-feira Horário: Das 10 às 13hs Local: Auditório Prestes Maia – Câmara Municipal de São Paulo (Viaduto Jacareí, 100 – 1º Andar – centro da capital) Mais informações: Reinaldo Canto – 11 99976-1610 e reinaldo@envolverde.com.br (#Envolverde)

Dia do Meio Ambiente – Parte 3 – Existe um ‘ambientalismo governamental’ ?

por Samyra Crespo – Dia do Meio Ambiente – Parte 1 – https://envolverde.com.br/dia-do-meio-ambiente-se-em-um-dia-coubesse/ Dia do Meio Ambiente – Parte 2 – https://envolverde.com.br/dia-do-meio-ambiente-parte-2-as-respostas/ Parte 3 – Governo não é estado: a institucionalização da área ambiental no Brasil e o ambientalismo tecnocrático, Incluindo as ‘burrocracias ‘ e heróis da resistência está para ser escrita. Instituições governamentais são aparatos ou ‘aparelhos’ do estado para implantar as políticas consagradas por legislações específicas. Cada legislação ou regulação, em tese vem da demanda do povo ou de suas elites dirigentes. Minha ambição aqui modesta: é mostrar o quanto evoluímos e quanto cimento e tijolo colocamos numa construção coletiva que tem por finalidade proteger a natureza e regular o uso dos recursos naturais, além das atividades que afetam o bem estar e a saúde da população humana, como é o caso da atividade industrial. A primeira grande dificuldade de uma tarefa de avaliação como essa é estabelecer o que é governamental no Brasil e abranger as realidades específicas das três esferas: nacional, estadual, municipal e ainda algumas instituições que atuam regionalmente. Desenho complexo. Por isso, e para fins didáticos, falarei especialmente do SISNAMA, este nosso ‘work in progress’ já que ganha e perde institucionalidade aqui e ali. Um exemplo bem atual? A perda da ANA, Agência Nacional de Águas – que vai ser retirada da esfera de poder do Ministério do Meio Ambiente. Em termos institucionais, a história toda começa com legislações dos anos 30′ e 40′, que buscam regular a atividade da agricultura e que rapidamente se tornam obsoletas. Por isso tomo como marco inicial a Conferência de Estocolmo em 1970 que recomenda aos países membros a criação de agências de regulação ambiental. Mesmo sob o regime militar, e sem participação alguma da sociedade, foi criada a SEMA – Secretaria Nacional de Meio Ambiente e à sua semelhança outras nas principais capitais, notadamente Rio e São Paulo (todas em meados dos anos 70′). À frente da SEMA doutor Paulo Nogueira Neto, ‘de confiança ‘ do regime militar que dava as cartas. Cientista, ilustrado, ele foi a pessoa que mais criou áreas protegidas no país com o poder de sua caneta, ainda que não passassem naquele momento de ‘diplomas legais’. Em 1981, é criado o CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente, já um aceno à redemocratização que soprou ventos fortes na década. Em 1989 é criado o IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, à imagem e semelhança da EPA (agência de proteção ambiental americana). Aos poucos o IBAMA ganhou complexidade e a envergadura de quase-ministério: o tema dos 80′ e parte dos 90′ era o licenciamento das grandes obras, e os instrumentos da época eram de ‘comando e controle’. A palavra chave: busca da conformidade ambiental. Licença para operar, com multa e penalidades para os não-conformes. A Constituição Brasileira de 1988 consagra um capítulo aos direitos ambientais dos cidadãos. Cravados na carta magna esses direitos empoderam os órgãos existentes, mas também expõem seus limites. Como, por exemplo, precisar extrapolar a expertise tecno-burocrática e atuar politicamente – competir com as outras agendas e enfrentar a dinâmica canibal da Esplanada (disputa por recursos e influência). Dois fatores convergentes contribuíram para um novo desenho institucional: o primeiro tem a ver com a ‘regra de ouro da administração pública’ – que se aprende em qualquer escola de governo: ‘quem formula não executa, quem executa não fiscaliza’. Ocorre que o IBAMA fazia as três coisas. E então, vem da decisão das Nações Unidas o fator decisivo para se criar o Ministério do Meio Ambiente: realizar a Conferência de Cúpula sobre meio ambiente e desenvolvimento no Brasil em 1992. O governo Colllor cria por decreto em 1991 a Secretária Especial de Meio Ambiente, embrião do Ministério do Meio Ambiente criado em 1992. O MMA recebe a missão de formular as políticas ambientais do País, infladas pelas atribuições das três grandes agendas herdadas da Rio 92: azul, verde e marrom. Traduzindo: mares, florestas, cidades. Poucos sabem ou notam, que existem cerca de 300 acordos internacionais relacionados ao meio ambiente e que todos eles demandam a expertise de especialistas e acompanhamento técnico. Com a criação do MMA ganha-se fôlego e robustez política. Todo um esforço de modernização do arcabouço legal é então empreendido: a aprovação da Lei dos Crimes Ambientais (1998), a Lei Nacional dos Recursos (1997) Hídricos, a criação do SNUC (Sistema nacional da unidades de conservação), em 2000, a Lei Nacional dos Resíduos Sólidos (2010) e o Novo Código Florestal (2012). Entre 2000 e 2010, mais dois filhotes: as criações da ANA e do ICMBio – Instituto Chico Mendes (2007) com a atribuição específica de cuidar da agenda verde (conservação e áreas protegidas). Em 2012, com a realização da Rio+20 no Brasil, foi inegável o protagonismo do MMA coordenando, junto com o Itamaraty, toda a participação governamental – convocando todos os demais ministérios. Atuou como o ‘Ministério das interfaces ‘ – um feito memorável, um ensaio de gestão transversal – tão sonhado por Marina Silva. Agora imaginem as novas expertise, centenas de técnicos que tiveram de ser recrutados nas universidades e nas ONGs, neste período. O IBAMA criou cursos próprios de formação de seus técnicos, o ICMbio idem. Culturas corporativas foram criadas. As universidades correram para oferecer cursos multidisciplinares. 30 anos de formação, consolidação de expertises, de incentivo ao surgimento de novas lideranças. Tudo isso na vigência da democracia plena, sob o signo da inclusão política, na regência da doutrina da ‘responsabilidade compartilhada’ quando centenas de conselhos e comitês foram instituídos nas três esferas de governo. Exercício árduo, imperfeito, mas salutar de um novo paradigma. No solo fértil da democracia. Não foi uma revolução? Por acaso passou desapercebida aos olhos dos cidadãos comuns? Um imenso e inegável legado construído principalmente nas últimas três décadas. Amanhã eu volto para descrever com mais carne e osso, e pulsação sanguínea, sobre como o estado brasileiro se organizou e reage, em termos de dinâmicas políticas, para responder à pressão internacional e às da sociedade brasileira. Parece complexo? Nem tanto. E vamos dizer por que. Samyra Crespo é cientista social, ambientalista e pesquisadora sênior do Museu de Astronomia e Ciências Afins e coordenou durante 20 anos o estudo “O que os Brasileiros pensam do Meio Ambiente”. Foi vice-presidente do Conselho do Greenpeace de 2006-2008.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Risco de incêndios florestais está aumentando globalmente

O clima de fogo – as condições quentes e secas propícias a incêndios florestais – está aumentando sob as mudanças climáticas, aumentando o risco de grandes incêndios florestais Novas pesquisas destacam como o risco de incêndios florestais está aumentando globalmente devido às mudanças climáticas – mas também como as ações e políticas humanas podem desempenhar um papel crítico na regulação dos impactos regionais. Por University of East Anglia* O estudo , conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores liderados pela Universidade de East Anglia (UEA), no Reino Unido, mostra que a mudança climática antropogênica é um fator de ‘impulso’ que aumenta o risco de incêndios florestais globalmente. O clima de fogo – as condições quentes e secas propícias a incêndios florestais – está aumentando sob as mudanças climáticas, aumentando o risco de grandes incêndios florestais, tornando as paisagens mais suscetíveis a queimadas com mais frequência e gravidade. Prevê-se que os impactos das mudanças climáticas sobre o risco de incêndio aumentem no futuro, com cada grau adicionado aumentando o risco de incêndios florestais. Modelos climáticos sugerem que em algumas regiões do mundo, por exemplo, no Mediterrâneo e na Amazônia, a frequência de condições climáticas de incêndio no período moderno é sem precedentes em comparação com o clima histórico recente, devido ao aquecimento global induzido pelo homem de cerca de 1,1°C. Mais importante, este será o caso em praticamente todas as regiões do mundo se as temperaturas globais atingirem 2-3°C de aquecimento conforme a trajetória atual. Os modelos climáticos também mostraram que a probabilidade de alguns dos incêndios florestais mais recentes e catastróficos no oeste dos EUA, Austrália e Canadá tem sido significativamente maior devido às mudanças climáticas históricas. O artigo, publicado hoje na revista Reviews of Geophysics, envolveu cientistas da UEA, Swansea University, University of Exeter e Met Office no Reino Unido, CSIRO Climate Science Center na Austrália, juntamente com colegas dos EUA, Alemanha, Espanha e da Holanda. Explora a relação entre as tendências do fogo – passado, presente e futuro – e uma série de controles sobre a atividade do fogo, incluindo o clima, mas também a atividade humana, o uso da terra e a mudança na produtividade da vegetação, que têm impactos importantes na ignição de incêndios florestais e sua propagação pelas paisagens. O autor principal, Dr. Matthew Jones , do Tyndall Center for Climate Change Research da UEA, disse: “Os incêndios florestais podem ter impactos prejudiciais maciços na sociedade, na economia, na saúde humana e nos meios de subsistência, na biodiversidade e no armazenamento de carbono. Esses impactos geralmente são ampliados no caso de incêndios florestais. “Esclarecer a ligação entre as tendências dos incêndios florestais e as mudanças climáticas é fundamental para entender as ameaças de incêndios florestais em climas futuros. As sociedades podem apoiar ou lutar contra os riscos crescentes de incêndio sob as mudanças climáticas, e as ações e políticas regionais certamente podem ser importantes para prevenir incêndios florestais ou reduzir sua gravidade. “Em última análise, porém, estaremos lutando contra a maré de crescentes riscos de incêndio à medida que o mundo se aquece ainda mais. Dobrar os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aquecimento abaixo de 2°C é a coisa mais eficaz que podemos fazer para evitar os piores riscos de incêndios florestais em escala global”. Os autores destacam que os seres humanos têm importantes efeitos regionais na atividade de incêndios florestais em um mundo em aquecimento. Por exemplo, eles aumentaram as ignições do fogo e reduziram a resiliência natural de alguns ecossistemas ao fogo, principalmente nas principais zonas de desmatamento tropical da Amazônia e da Indonésia. Em contraste, os humanos também reduziram a propagação de incêndios florestais através de paisagens naturalmente propensas ao fogo, convertendo a terra em agricultura e fragmentando a vegetação natural, como visto em campos de savana na África, Brasil e norte da Austrália durante as últimas décadas. Eles também podem reduzir ignições indesejadas ou usar o combate a incêndios para suprimir incêndios florestais, como historicamente feito em florestas dos EUA, Austrália e Europa mediterrânea. No entanto, os autores dizem que isso pode ter consequências não intencionais em regiões onde o fogo é um componente natural do funcionamento dos ecossistemas. Por exemplo, políticas que excluíram agressivamente o fogo da paisagem ocidental dos EUA durante o século 20 resultaram em florestas que agora estão sobrecarregadas com combustíveis vegetais, contribuindo para incêndios florestais mais graves durante as secas recentes. O uso de incêndios de baixa intensidade em momentos com condições climáticas seguras é cada vez mais visto como uma ferramenta importante para manter os combustíveis sob controle e, ao mesmo tempo, facilitar as funções dos ecossistemas naturais. As principais conclusões das análises incluem: • A duração da temporada anual de clima de incêndio aumentou em 14 dias por ano (27%) durante 1979-2019 em média globalmente e a frequência de dias com clima de incêndio extremo aumentou 10 dias por ano (54%) durante 1979- 2019 em média globalmente. • O clima de incêndio aumentou significativamente na maioria das regiões do mundo desde a década de 1980. Os aumentos foram particularmente pronunciados no oeste da América do Norte, na Amazônia e no Mediterrâneo. O clima de fogo já emergiu além de sua variabilidade natural no Mediterrâneo e na Amazônia devido ao aquecimento histórico. • A 2°C, este também será o caso nas florestas boreais da Sibéria, Canadá e Alasca e nas florestas temperadas do oeste dos EUA. A 3°C, praticamente todas as regiões do mundo experimentarão um clima de incêndio sem precedentes. • Globalmente, a área queimada por incêndios diminuiu cerca de um quarto – ou 1,1 milhão de km2 – durante 2001-2019. Grande parte da diminuição – 590.000 km2 – ocorreu nas savanas africanas, onde 60-70% da área queimada pelo fogo ocorre anualmente. Os impactos humanos locais/regionais reduziram a área queimada pelo fogo nas savanas tropicais, em combinação com a menor produtividade das pastagens durante as estações chuvosas (cada vez mais secas). • Grandes aumentos na área queimada foram observados em outros lugares, especialmente em florestas temperadas e boreais. Por exemplo, a área queimada pelo fogo aumentou 21.400 km2 (93%) nas florestas do leste da Sibéria e 3.400 km2 (54%) nas florestas do oeste da América do Norte (Pacífico Canadá e EUA combinados). A coautora Drª Cristina Santín, da Universidade de Swansea e do Conselho Nacional de Pesquisa da Espanha, acrescentou: “Apesar do fato de que as condições climáticas que promovem incêndios florestais já aumentaram em quase todas as regiões do globo e continuarão a fazê-lo, os fatores humanos ainda mediam ou anular os climáticos em muitas regiões. “Esperamos que esta pesquisa ajude a resolver as visões arraigadas e conflitantes sobre as mudanças climáticas versus o manejo da terra sendo a causa raiz desses incêndios catastróficos”. O estudo avaliou 500 trabalhos de pesquisa anteriores e realiza uma reanálise de conjuntos de dados de última geração a partir de observações e modelos de satélite. Inclui análises de tendências no clima de incêndio e área queimada para regiões do mundo cobrindo todos os países, macrorregiões de escala continental e ecossistemas regionais chave para atividade ou impacto do fogo. Para essas mesmas regiões, as mudanças futuras no clima de incêndio são examinadas em incrementos de aquecimento relevantes para as políticas de 1,5°C, 2°C, 3°C e 4°C, fornecendo informações sobre como o sucesso ou fracasso das políticas climáticas correspondem aos riscos de incêndios florestais com os quais precisaremos conviver no futuro. Referência: Jones, M. W., Abatzoglou, J. T., Veraverbeke, S., Andela, N., Lasslop, G., Forkel, M., et al. (2022). Global and regional trends and drivers of fire under climate change. Reviews of Geophysics, 60, e2020RG000726. https://doi.org/10.1029/2020RG000726 Henrique Cortez *, tradução e edição. in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Mudança climática desacelera a circulação oceânica

À medida que o oceano esquenta e o gelo terrestre derrete, a circulação oceânica – o movimento do calor ao redor do planeta pelas correntes – pode ser afetada. Por Angela Colbert*, Ph.D., Laboratório de Propulsão a Jato da NASA Dinâmico e poderoso, o oceano desempenha um papel vital no clima da Terra. Ele ajuda a regular a temperatura da Terra, absorve dióxido de carbono (CO 2 ) da atmosfera e alimenta o ciclo da água . Uma das funções mais importantes do oceano é mover o calor ao redor do planeta através das correntes. As correntes do Oceano Atlântico desempenham um papel especialmente importante em nosso clima global. O movimento da água de norte a sul ao longo do Atlântico pode estar a enfraquecer devido às alterações climáticas, o que pode tornar-se um problema. Para ajudar a entender o porquê, vamos explorar o que impulsiona a circulação oceânica em larga escala. Global_Ocean_Circulation_GIF Uma ilustração simplificada da “correia transportadora” global de correntes oceânicas que transportam calor ao redor da Terra. Vermelho mostra correntes de superfície e azul mostra correntes profundas. As águas profundas se formam onde a superfície do mar é mais densa. A cor de fundo mostra a densidade da superfície do mar. Crédito: NASA/ Goddard Space Flight Center Estúdio de Visualização Científica (Fundo) Os ventos e a rotação da Terra criam correntes superficiais de grande escala no oceano. Correntes quentes e rápidas ao longo das bordas ocidentais das bacias oceânicas movem o calor do equador em direção aos polos norte e sul. Uma dessas correntes é a Corrente do Golfo, que viaja ao longo da costa leste da América do Norte enquanto transporta águas quentes dos trópicos para a Europa. Essa água quente e o calor que ela libera na atmosfera são a principal razão pela qual a Europa experimenta um clima mais temperado do que o nordeste dos EUA e o Canadá. Por exemplo, compare os climas da cidade de Nova York e de Madri, na Espanha, que estão aproximadamente à mesma distância ao norte do equador. Deep_Water_Formation_Density_GIF Esta ilustração destaca como a densidade afeta a capacidade da água de afundar no Atlântico Norte. Uma combinação de água fria e salgada o torna denso o suficiente para afundar. Mudanças nessa densidade significam que menos água será densa o suficiente para afundar. Crédito: NASA Diferenças na densidade impulsionam correntes oceânicas lentas no oceano profundo. Densidade é a massa de um objeto (quanta matéria ele tem) por unidade de volume (quanto espaço ele ocupa). Tanto a temperatura quanto a salinidade (salinidade) afetam a densidade da água. A água fria é mais densa que a água quente, e a água salgada é mais densa que a água doce. Assim, as correntes profundas são tipicamente feitas de água fria e salgada que afundou da superfície. Um local onde a água da superfície afunda no oceano profundo é no Atlântico Norte. Quando a água evapora e cede algum calor ao ar, o mar fica mais frio e um pouco mais salgado. Além disso, quando o gelo marinho se forma, ele congela a água da superfície, deixando para trás o sal, o que torna a água do mar restante mais salgada. Uma vez que essa água mais fria e salgada se torna densa o suficiente, ela afunda no oceano profundo. A água mais quente e menos densa da Corrente do Golfo corre para substituir a água que afunda. Esse movimento ajuda a alimentar uma “esteira transportadora” global de correntes oceânicas – conhecida como circulação termohalina – que move o calor ao redor da Terra. Os cientistas medem o fluxo das águas do Atlântico ao norte e ao sul, na superfície e no fundo, para avaliar a força dessa Circulação Meridional do Oceano Atlântico (AMOC). North_Atlantic_Deep_Water_Formation_GIF A temperatura da superfície do mar e a salinidade da superfície do mar determinam a densidade da superfície do mar. A combinação de água fria e salgada da costa da Groenlândia torna a água altamente densa e, portanto, capaz de afundar para alimentar a correia transportadora global. Crédito: NASA/ Goddard Space Flight Center Scientific Visualization Studio À medida que a concentração de dióxido de carbono aumenta na atmosfera devido às ações humanas, as temperaturas globais do ar e dos oceanos aumentam. A água mais quente é menos densa e, portanto, mais difícil de afundar. Ao mesmo tempo, a camada de gelo da Groenlândia está derretendo devido ao aquecimento do ar e da temperatura do oceano, e o gelo derretido está adicionando água fresca ao Atlântico Norte. Essa mudança reduz a salinidade da água, tornando-a menos densa e mais difícil de afundar. Se água suficiente parar de afundar, o AMOC enfraquecerá. Dependendo de quanto o AMOC enfraquece, ele pode alterar os padrões climáticos regionais, como chuvas, e afetar onde e quão bem as plantações podem crescer. De acordo com o último relatório do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC) – que inclui pesquisas de centenas de cientistas – o AMOC “provavelmente enfraquecerá ao longo do século 21 ” devido às mudanças climáticas. Cientistas usando registros de temperatura e nível do mar inferiram a força do AMOC ao longo do século passado, e as evidências sugerem que ele pode já ter enfraquecido. No entanto, medições diretas nos últimos 30 anos ainda não confirmaram tal declínio. Quando e quanto o AMOC enfraquecerá é uma área de pesquisa em andamento. Satélites como o Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE) , GRACE-FO , e altímetros de medição da altura do oceano podem observar características oceânicas relacionadas ao AMOC – complementando medições de bóias oceânicas e navios. As projeções atuais do IPCC mostram que é improvável que o AMOC pare ou entre em colapso antes do ano 2100. No entanto, “se tal colapso ocorresse”, diz o IPCC, “provavelmente causaria mudanças abruptas nos padrões climáticos regionais e o ciclo da água”. Isso pode incluir “uma mudança para o sul no cinturão de chuvas tropicais, enfraquecimento das monções africanas e asiáticas, fortalecimento das monções do hemisfério sul e seca na Europa”, impactos que alterariam muito a produção de alimentos em todo o mundo. À medida que mais dados são coletados e analisados, os cientistas serão capazes de prever melhor as mudanças atuais e os impactos dessas mudanças no futuro. Henrique Cortez *, tradução e edição. [ Se você gostou desse artigo, deixe um comentário. Além disso, compartilhe esse post em suas redes sociais, assim você ajuda a socializar a informação socioambiental ] in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Ameaças aos direitos dos indígenas também afetam o clima na Amazônia

Além das perdas para as comunidades tradicionais, PL 490 e Marco Temporal colocam em risco a segurança climática da Amazônia e do país Por Bibiana Alcântara Garrido e Marcelo Freitas Um estudo inédito produzido pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) alerta para um potencial de destruição futura da vegetação nativa na Amazônia Legal – abrangendo também parte do Cerrado e Pantanal -, caso sejam aprovados o projeto de lei (490/2007 na Câmara dos Deputados, encaminhado como 2903/2023 no Senado Federal), que restringe a demarcação de terras indígenas, e a fixação do marco temporal pelo Supremo Tribunal Federal. A estimativa é que entre 23 milhões de hectares e 55 milhões de hectares de áreas nativas sejam desmatados e possam desaparecer, resultando na emissão de 7,6 a 18,7 bilhões de toneladas de carbono, equivalentes a 5 e 14 anos de emissões do Brasil, ou a 90 e 200 anos de emissões dos processos industriais, respectivamente. “Além de serem totalmente descabidas à luz da Constituição Federal, que protege o direito dos povos indígenas às suas terras, o projeto de lei e a tese do marco temporal ainda colocarão em risco o equilíbrio climático da região Amazônica, afetando o país como um todo. Podemos dar adeus à meta de desmatamento zero do atual governo e ao compromisso do país em reduzir as emissões de carbono. Nos aproximaremos perigosamente do “ponto sem retorno” que dezenas de cientistas vêm preconizando; estas iniciativas esdrúxulas ameaçam a segurança nacional”, afirmou Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM e coordenador do estudo. A análise do IPAM levou em consideração 385 terras indígenas, cujo decreto de homologação foi assinado após a Constituição Federal de 1988. Os pesquisadores levantaram dois cenários para as TIs existentes: I. grave, com previsão de desmatamento futuro de 20% nas terras indígenas na Amazônia e de 50% para Cerrado e Pantanal; e II. muito grave, com desmatamento de 50% nas terras indígenas da Amazônia e de 70% para Cerrado e Pantanal. O avanço da destruição da vegetação nativa, previsto pelo estudo, trará implicações para o regime de chuvas na região, com consequentes alterações nas condições climáticas em todo o país. Os impactos na agricultura, pecuária e geração de energia poderão ser particularmente relevantes. Efeitos das mudanças climáticas em curso já afetam a produção em 28% das áreas agrícolas de soja e milho no centro-oeste brasileiro. Sem adaptação, a porcentagem de agricultura fora do ideal climático no Brasil pode chegar a 50% na próxima década e a 70% em trinta anos. “É preciso entender que respeitar os direitos originários é essencial para todos. Povos indígenas são as raízes da nossa sociedade e seus conhecimentos tradicionais são a base para mantermos o clima equilibrado. Diversos países e cientistas já reconhecem essa importância, agora o Brasil precisa fazer seu dever de casa“, acrescentou Martha Fellows, coordenadora do núcleo de estudos indígenas do IPAM. Terras indígenas ocupam apenas 13% do território nacional e são as categorias fundiárias com as menores taxas de desmatamento (< 2%) da região amazônica, quando comparadas com o desmatamento em áreas privadas (> 30%). Porém, de 2019 a 2021, só na Amazônia, o aumento do desmatamento em terras indígenas foi de 153% em comparação com o triênio anterior. O cenário, causado, sobretudo, pelo aumento da grilagem e do desmatamento ilegal, poderá se agravar se as alterações na legislação sobre os direitos indígenas forem aprovadas. Recomendações Para além da manutenção dos direitos indígenas, tanto pelo Congresso Nacional quanto pelo Supremo Tribunal Federal, o estudo recomenda providências imediatas: – Extinguir toda e qualquer tentativa de reduzir ou retirar direitos originários; – A demarcação e proteção de todos os territórios tradicionais que aguardam o processo de demarcação e aplicar a destinação correta das Florestas Públicas Não Destinadas de acordo com os usos, costumes e natureza de cada área; – Fim das atividades ilegais em terras indígenas, uma vez que interesses privados elevam o grau de insegurança dentro dos territórios criando conflitos, e isso é especialmente grave em territórios onde vivem povos indígena isolados; – Fortalecimento da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e o recém-criado Ministério dos Povos Indígenas enquanto órgãos que têm competência para administrar uma agenda que demanda conhecimentos específicos. – Promover mais pesquisa para compreender a interdependência dos regimes de chuva que irriga a agricultura e a cobertura florestal. Distribuição de Terras Indígenas, tipos de vegetação e desmatamento na Amazônia Legal Distribuição de Terras Indígenas, tipos de vegetação e desmatamento na Amazônia Legal (Fonte dos dados: FUNAI (2022) e MapBiomas (2023)/IPAM Confira o estudo completo aqui [ Se você gostou desse artigo, deixe um comentário. Além disso, compartilhe esse post em suas redes sociais, assim você ajuda a socializar a informação socioambiental ] in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Importância e significado do Dia Mundial dos Oceanos, por Juacy da Silva e Aline Grasielli Monçale

Existe o conhecimento da gravidade quanto à degradação acelerada dos oceanos, mas parece que ainda não existe uma real consciência desta gravidade e da urgência em confrontá-la Vista do espaço, a Terra é considerada o Planeta Azul não apenas devido ao volume de água doce, dos rios, córregos e lagoas, mas principalmente pela quantidade de água salgada dos mares e dos oceanos que a recobrem. Da massa total do Planeta Terra ou da chamada Mãe Terra, Pacha Mama ou Gaia, 76% são cobertos por água; sendo que deste volume em torno de 95% são dos oceanos e mares e apenas 3,5% de água doce superficiais e subterrâneas representadas pelos aquíferos, com destaque para um dos mais importantes para o Brasil e parte da América do Sul que é o Aquífero Guarani. Os oceanos ou o que alguns cientistas e estudiosos costumam denominar de apenas um grande oceano que se conecta ao redor do planeta terra, ainda é bastante desconhecido em todas as suas profundidades; mas do que se conhece até a atualidade é o suficiente para que seja feito um inventário das espécies animais e vegetais e fiquemos sabendo que a biodiversidade vegetal e animal existente nos oceanos pode chegar a mais de 2,5 milhões, ou seja, corresponde a aproximadamente 20% da biodiversidade do planeta Terra que é estimada em 8,7 milhões. No último século e, principalmente, nas últimas cinco décadas, essa biodiversidade tem enfrentando sérios desafios, centenas de milhares de espécies já foram extintas e outras tantas continuam ameaçadas de extinção, devido a um processo contínuo e acelerado de degradação ambiental. O Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano de 2023 está focado na questão da produção do lixo plástico que, principalmente a partir de meados do século passado, tem aumentado em um volume e rapidez alarmante, muito maior do que o crescimento da população do planeta, da população urbana e do crescimento do PIB (produto interno bruto) mundial. Anualmente estima-se que são produzidas 400 milhões de toneladas de lixo plástico, além de outras formas de resíduos sólidos (lixo) e também efluentes e gases urbanos e industriais, afetando o planeta Terra como um todo, mas principalmente os oceanos e mares. Só para se ter uma ideia, em 1950 início do surgimento do plástico como um componente da produção industrial, paralelamente à explosão da indústria automobilística e do uso dos combustíveis fósseis, a produção de lixo plástico no mundo era de 2,5 milhões de toneladas/ano, atingindo 400 milhões em 2022; estando projetada a produção de 470 milhões de toneladas em 2030 e, nada menos do que 1,050 bilhão de toneladas em 2050. Grande parte deste imenso volume acaba por se acumular nos rios, lagos, lagoas, baías e, principalmente, nos oceanos. A produção de lixo plástico das cidades, que sorteadores a 90% do total mundial, e também os resíduos dessa natureza do meio rural acabam sendo transportadas pelos mais de dois mil rios que deságuam nos oceanos. Desde 1972, quando da primeira Conferência Mundial sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente realizada em Estocolmo, na Suécia, sob os auspícios e coordenação da ONU – Organização das Nações Unidas, passando pela ECO-92 no Rio de Janeiro, pelas diversas outras conferências, pela Carta da Terra e acordos internacionais como o de Kyoto e, mais recentemente, o Acordo de Paris; o mundo vem despertando para a gravidade da destruição dos ecossistemas, dos biomas, da desertificação, das secas prolongadas, do desmatamento das florestas, principalmente nos trópicos , do descongelamento das geleiras, enfim, um processo intenso e perigoso de degradação global do planeta Terra. Enquanto o conhecimento e preocupações com os biomas e ecossistemas terrestres têm avançado, a degradação pela qual tem passado e continua passando os oceanos não tem sido acompanhada na mesma intensidade e profundidade que merece. Tanto cientistas quanto inúmeras autoridades, incluindo, por exemplo o Papa Francisco, quando da publicação da Encíclica Laudato Si, tem chamado a nossa atenção para o fato de que o planeta Terra é um sistema fechado, ou seja, “tudo está interligado”, afinal, o que acontece em um bioma ou ecossistema acaba afetando os demais. Quando se fala em degradação ambiental planetária não tem sentido a ideia e o conceito de soberania nacional, como se a degradação em um país não ultrapassasse as fronteiras nacionais. Assim, podemos perceber que a ação humana ao procurar produzir bens e serviços para satisfazer as necessidades da população mundial, que mesmo tendo reduzido seu ritmo de crescimento, ainda é um fator importante nas diversas análises das questões ambientais e ecológicas. Além do crescimento populacional em si, existem três outros aspectos que fazem parte desta equação ecológica que é o crescimento da urbanização, da industrialização, do aumento da renda per capita e de um apelo exagerado pelo consumismo, que acaba gerando um enorme desperdício e geração de resíduos sólidos, que, por sua vez contribuem para a destruição da biodiversidade e a degradação do planeta Terra, incluindo os oceanos e mares. Muita gente pode ficar imaginando, “ah eu moro em Cuiabá, na Baixada Cuiabana ou em qualquer outro lugar bem distante, milhares e milhares de quilômetros dos oceanos e mares, o que eu tenho a ver com esta questão? Isto deve ser um problema e um desafio para quem vive nas proximidades do litoral, das chamadas cidades costeiras etc”. Todavia, como percebemos existem mais de dois mil rios, córregos e ribeirões cujas águas deságuam nos oceanos e mares e, levam ou trazem com elas toda sorte de resíduos sólidos, principalmente o lixo plástico, que atualmente é um dos ou o maior desafio para a sobrevivência de centenas de milhares de espécies vegetais e animais que estão relacionados com os oceanos e mares. Diante deste desafio da degradação acelerada dos oceanos e mares foi que, pela primeira vez, de uma maneira formal, durante a ECO-92, realizada no Rio de Janeiro, que a Delegação do Canadá, com dados estatísticos que fundamentaram a proposta, incluiu na pauta das discussões, dos resultados e acordos daquela Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, este tema. Esta foi a origem da criação, do surgimento do DIA MUNDIAL DOS OCEANOS, quando o mundo inteiro deveria debruçar-se sobre a gravidade deste desafio e da necessidade de um acordo internacional quanto aos oceanos, acordo este que até a atualidade não tem avançado tanto como os que já se efetivaram sobre diversos outros temas, também importantes e graves para a vida, inclusive a vida humana, no planeta Terra. Apesar da ideia da criação de um dia especial para que possamos refletir sobre o que está acontecendo com os nossos oceanos, oficialmente, o DIA MUNDIAL DOS OCEANOS só foi reconhecido oficialmente pela ONU em 2008 e pela primeira vez foi celebrado em 2009, sendo celebrado, desde então, anualmente em 08 de Junho, coincidindo com a Semana Mundial do Meio Ambiente e com o JUNHO VERDE. Anualmente por ocasião do DIA MUNDIAL DOS OCEANOS é escolhido um tema, em torno do qual, todas as reflexões e “preocupações” mundiais devem ser realizadas. Alguns desses temas podem lançar luzes sobre a realidade dos oceanos e dar uma boa ideia da gravidade que a degradação dos mares e oceanos representa para a saúde do planeta Terra em geral e as consequências deste processo de degradação tanto em termos econômicos e financeiros, para os sistemas produtivos e também para a alimentação e a saúde humana, da mesma forma que para a produção de gases de efeito estufa, para o aquecimento global e para as terríveis e temíveis mudanças climáticas que já atingem toda a humanidade, diante da crise climática que não comporta mais procrastinação e nem desconhecimento tanto por parte da população em geral, do setor empresarial, dos governos nacionais, regionais e locais, bem como dos organismos internacionais. Só para conhecimento mais geral destacamos os temas de alguns anos que serviram de base para as reflexões em relação ao DIA MUNDIAL DOS OCEANOS: 2009 – Nossos oceanos, nossa responsabilidade; 2012 – Convenção da ONU sobre os Oceanos; 2014 – Sustentabilidade dos oceanos, vamos garantir que os oceanos podem nos sustentar no futuro; 2015 (ano em que a ONU definiu e estabeleceu os ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, incluindo o de número 14. Vida na água – Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares, e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável), cujo tema foi “Oceanos sadios, planeta sadio”; 2017 – Nossos oceanos, nosso futuro; 2019 – Gênero e os oceanos; 2020 – Inovação para a sustentabilidade ambiental dos oceanos; 2021 – Vida nos oceanos e, agora, neste 08 de Junho de 2023, em que mais um DIA MUNDIAL DOS OCEANOS deve ser celebrado, o tema é “Planeta Oceano: As marés estão mudando”. Como podemos perceber, existe o conhecimento da gravidade quanto à degradação acelerada dos oceanos, mas parece que ainda não existe uma real consciência desta gravidade e da urgência em confrontá-la, tanto por parte da população que, aparentemente, “continua vivendo em outro planeta”, tamanha é alienação em torno dessas questões ecológicas graves; quanto por parte dos empresários, os responsáveis diretos pelos sistemas de produção que não dão o devido respeito e nem responsabilidade em relação ao meio ambiente, à ecologia integral; nem mesmo por parte dos governantes que continuam omissos ou coniventes com as práticas predatórias, degradadoras e criminosas e, também pela falta de um consenso internacional quanto ao que fazer para mitigar e também acabar com essas formas de poluição e degradação que estão destruindo a biodiversidade animal e vegetal dos oceanos. Antes de finalizar esta reflexão, gostaríamos de destacar que os oceanos são responsáveis por mais de 50% do oxigênio que respiramos; absorvem e ou sequestram mais de 30% dos gases de efeito estufa que os países produzem e lançam na atmosfera; é responsável ainda por mais de 40 a 50 milhões de postos de trabalho, mais de 15% de toda a produção de petróleo, por 90% do comércio mundial de bens e produtos, e por um potencial incalculável para a produção de energia limpa e renovável, em suma, mais de três bilhões de pessoas, ou seja, 37,5% da população mundial em 2022, tinham suas vidas e sua sobrevivência relacionadas com os oceanos e mares. Todavia, precisamos também identificar as grandes ameaças a vida dos e nos oceanos, que incluem: a) mudanças climáticas que contribuem para o aumento da temperatura e o nível dos oceanos e mares, que podem levar ao desaparecimento de milhares de povoados e cidades, afetando mais de dois bilhões de pessoas que vivem em regiões costeiras; b) acidificação das águas e branqueamento dos corais, afetando o equilíbrio da vida marinha; c) pesca predatória que tem contribuído para o desaparecimento de milhares de espécies; d) derramamento, poluição por óleo e outros resíduos sólidos/lixo, com destaque, novamente, para a questão do lixo plástico, que representa 85% de todo o lixo e que tem como destino final os oceanos. Os nossos oceanos e mares, da mesma forma que nossos rios, como os Rios Tietê em São Paulo e o nosso lendário e importante Rio Cuiabá, já se transformaram ou estão se transformando em grandes lixeiras ou esgotos a céu aberto, ante a passividade tanto por parte da população quanto de nossos governantes e empresários. Este fato foi destacado há dois anos quando, durante as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente, o Secretário-geral da ONU, António Guterres, disse em seu pronunciamento que nos oceanos e mares já existe mais plástico do que peixes. E, finalmente, a última ameaça a vida nos oceanos são as mudanças dos ciclos de chuva e dos ciclos oceânicos que produzem fenômenos que alteram tanto o clima, o regime das chuvas e também os sistemas produtivos mundiais como La niña e El niño, fenômenos que provocam chuvas em demasia ou seca em demasia, afetando a vida no planeta. Para, finalizar, deixamos esta reflexão: O futuro dos oceanos depende de nós, e a humanidade só vai sobreviver se cuidar e preservar os oceanos, eles são responsáveis pelo equilíbrio do planeta e a garantia da vida, inclusive da vida humana no planeta Terra. Lembremo-nos, não existe planeta B, se destruirmos, como estamos destruindo todos os biomas e ecossistemas, inclusive os oceanos e mares, estamos destruindo a nós mesmos, inclusive inviabilizando a vida das próximas gerações. Pare um pouco e reflita crítica e profundamente sobre tudo isso. Juacy da Silva é professor aposentado UFMT, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, articulador da PEI Pastoral da Ecologia Integral, Região Centro Oeste. Email profjuacy@yahoo.com.br Instagram @profjuacy Whats app 65 9 9272 0052 Aline Grasielli Monçale é Médica Dermatologista SBD, Mestre em Saúde Coletiva UFMT, Miss Beleza Baixada Cuiabana – MT, comunicadora, palestrante e fundadora do projeto social Dermatroller. Whats app 65 9 9981 1204 Email alinemoncale@gmail.com Instagram @alinemoncale_dermato [ Se você gostou desse artigo, deixe um comentário. Além disso, compartilhe esse post em suas redes sociais, assim você ajuda a socializar a informação socioambiental ] in EcoDebate, ISSN 2446-9394

Censo de onças-pintadas 2022 indica estabilidade da população de onças-pintadas na fronteira entre Argentina e Brasil

Censo de onças-pintadas 2022 indica estabilidade da população de onças-pintadas na fronteira entre Argentina e Brasil Estudo foi conduzido no Brasil e na Argentina e mapeou uma área de 582.123 hectares Na década de 90 a primeira onça-pintada do Parque Nacional do Iguaçu foi capturada para pesquisa e conservação. De lá pra cá muita coisa aconteceu. Nos últimos 20 anos os projetos Yaguareté (Argentina) e Onças do Iguaçu (antigo Carnívoros do Iguaçu) monitoram a flutuação da população da espécie na região do Corredor Verde, maior núcleo remanescente de onças-pintadas na Mata Atlântica em nível mundial. Os censos bianuais simultâneos nos dois países são um dos maiores esforços mundiais para acompanhamento da espécie, tanto em área quanto em período de amostragem. Entre 1990 e 1995 estimava-se que a região abrigava entre 400 e 800 onças-pintadas, mas no final dessa década essa população apresentou um declínio alarmante, e a estimativa em 2005 era de que em toda a área do Corredor Verde houvesse apenas cerca de 40 onças-pintadas, um cenário desanimador e preocupante. No Parque Nacional do Iguaçu, em 2009 restavam entre 9 e 11 onças-pintadas, e a espécie estava perto da extinção local. No entanto, nos últimos quinze anos temos observado uma tendência de importante crescimento da população. Em 2016 a população estimada para o Corredor Verde era de em média 90 animais (entre 71 e 107), e passou para 105 (entre 84 e 125) em 2018 e para 90 animais (entre 76 e 106) em 2020. Para o Parque Nacional do Iguaçu a estimativa média do Censo 2020 foi de 24 onças-pintadas (entre 20 e 28). O Censo 2022 de onças-pintadas foi desenvolvido pelos Projetos Onças do Iguaçu e Yaguareté (Argentina), com a cooperação do WWF-Brasil, Fundación Vida Silvestre Argentina, Parque Nacional do Iguaçu/ICMBio Parque Nacional Iguazú e a empresa florestal Arauco Argentina. As equipes dos dois projetos realizaram o maior censo já conduzido até o momento, com 224 pontos de amostragem nos dois países (72 no Brasil e 152 na Argentina), uma área de 582.123 hectares avaliados e 11.803 dias/câmera de amostragem. Foram obtidas mais de 450.000 imagens, sendo 3763 fotografias de 55 onças-pintadas adultas. Após a compilação de todas as onças registradas, é feito um cruzamento de informações com base na quantidade de hectares que foram cobertos com a amostragem e na quantidade de onças-pintadas diferentes registradas. Isso gera “faixas populacionais” que indicam o número mínimo e máximo de indivíduos que a população poderia ter, uma vez que por questões metodológicas e estatísticas da pesquisa não é possível obter dados exatos. O resultado de 2022 indicou uma estimativa média, com 95% de certeza, de 93 onças-pintadas (entre 73 e 122) no Corredor Verde de Argentina e Brasil. Para o Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil, o número médio foi de 25 animais (entre 19 e 33). O que significam os números do Censo 2022? Os resultados das análises indicam que a estimativa de densidade obtida em 2022 praticamente não variou em relação à obtida em 2020. É animador o fato de que após a grande queda populacional sofrida no início deste século, a população de onças-pintadas no Corredor Verde vem se recuperando há mais de uma década, tendo conseguido dobrar entre 2005 e 2016 (de 40 para 90 animais). A partir de 2016, a população parece estar estabilizada em valores próximos a 100 animais. Considerando todas as ameaças e pressões que existem, conseguir manter estável essa população de onças-pintadas do Corredor Verde, que é a maior da Mata Atlântica, é um resultado de sucesso, e ressalta a importância de se manterem os esforços empreendidos para a conservação da espécie na região. Fatores que influenciam na flutuação populacional As principais causas do declínio da população de onças-pintadas na década de 90 foram a caça e o abate de onças-pintadas por retaliação, devido à predação de gado. A caça reduz ainda a disponibilidade de presas para as onças-pintadas. No Brasil, no Parque Nacional do Iguaçu e cercanias, o queixada, principal item alimentar da onça-pintada, esteve extinto nos últimos 20 anos, e só a partir de 2016 começou a retornar à região, o que pode ter influenciado o subsequente aumento da população de onças. O crescimento da população de onças-pintadas no Corredor Verde nos últimos 15 anos tem sido possível também graças a esforços de numerosas instituições dos dois países, que envolvem desde fiscalização para redução das ameaças, como a caça, até ações de engajamento, coexistência, manejo e pesquisa. Outro fator foi a mudança no uso do solo: muitas propriedades que criavam gado agora se dedicam ao plantio de soja e milho, o que reduziu um pouco os conflitos. Um fator também a ser considerado é que a capacidade de suporte estimada para o Corredor Verde (ou seja, quantas onças podem viver na região) é de 250 animais. À medida que nos aproximamos desse número, o crescimento da população tende a ser mais lento e dispendioso. O Corredor Verde abriga cerca de um terço de todas as onças-pintadas da Mata Atlântica, e é a região com o habitat mais adequado para a espécie no bioma. No entanto, a conservação desses felinos depende de ações intensas e constantes de conservação. É imperativo que sejam mitigadas as ameaças à espécie na região, e que seja priorizada a manutenção da integridade do que resta se seu hábitat, além de aumento da conectividade com áreas adequadas. Controlar as ameaças e concentrar esforços nas ações de conservação no Corredor Verde vai aos poucos afastando a possibilidade de extinção local desse felino fantástico, mas o caminho é longo. Onde tem onça tem vida, e é orgulho e responsabilidade desta região manter uma população tão importante do maior carnívoro das Américas. Sobre o Projeto Onças do Iguaçu O Projeto Onças do Iguaçu é um projeto institucional do ICMBio, desenvolvido em parceria entre o Parque Nacional do Iguaçu e o Instituto Pró Carnívoros, e tem como parceiros executores o CENAP/ICMBio e WWF Brasil. Em 2023, os principais patrocinadores do projeto são: WWF Brasil (principal patrocinador), Instituto Conhecer para Conserva, Urbia + Cataratas, Fundação Beauval Nature, Ron Magill Conservation Endowment e Helisul Aviação. Sobre o Proyecto Yaguareté O Projeto Yaguareté é um programa de pesquisa e conservação da Associação Civil Centro de Investigaciones del Bosque Atlántico (CeIBA), liderado por pesquisadores do CONICET. Seu principal objetivo é a conservação da espécie e dos ambientes em que ela habita no Norte da Argentina e em países vizinhos. Para obter mais informações: Link Link