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terça-feira, 7 de março de 2023

Frente Parlamentar Ambientalista e governo anunciam trabalho conjunto pela agenda ambiental

Por Agência Câmara de Notícias – Instalação da frente ocorreu nesta quarta-feira, com participação do secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente Foi lançada nesta quarta-feira (1º), na Câmara dos Deputados, a Frente Parlamentar Mista Ambientalista. Este será o 16º ano de atuação da frente, que conta com a participação de 138 deputados. Coordenador da frente, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) destacou que a agenda socioambiental terá centralidade do governo Lula e que o trabalho do grupo será ajudar a mobilizar a sociedade civil e o Parlamento para implementar essa agenda, além de barrar retrocessos, como no caso de projetos de lei em tramitação que tratam do licenciamento ambiental. “Dentro do Congresso Nacional há uma série de projetos de lei que dialogam no sentido contrário a essa agenda, que colocam o Brasil na mesma situação dos últimos quatro anos, e precisamos enfrentar esse debate, tirar de pauta esse debate, e precisamos fazer o debate do licenciamento, da agricultura, do modelo de produção de alimentos, a partir de outra perspectiva, e não do ponto de vista que está sendo colocado no Congresso Nacional”, disse o deputado. Capobianco: governo assumiu compromisso de zerar desmatamento até 2030 / Pablo Valadares / Câmara dos Deputados Zerar desmatamento Secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco representou a ministra Marina Silva no evento e defendeu a parceria do Executivo com o Congresso, diante da grande quantidade de projetos que tramitam no Senado e especialmente na Câmara que têm influência direta nas políticas públicas ambientais. Como prioridade do governo na agenda ambiental, ele ressaltou o compromisso de zerar o desmatamento até 2030 em todos os biomas, com 19 ministérios atuando nesse sentido. “Temos 26 projetos tramitando só no quesito desmatamento que literalmente podem anular todo o esforço que a gente faça no Poder Executivo para enfrentar esse problema”, apontou. “Mas, por outro lado, temos 20 projetos tramitando na Câmara que, se aprovados, aumentam nossa capacidade de enfrentar o desmatamento”, completou. Projetos negativos Coordenadora da frente no Senado, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) disse que está sendo revertido o sucateamento e aparelhamento de órgãos ambientais ocorrido nos últimos quatro anos e frisou o enfrentamento duro dentro do Congresso Nacional diante da diversidade de posicionamentos no Parlamento. Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o ex-deputado Rodrigo Agostinho citou, entre os projetos negativos para a agenda ambiental, a proposta que “acaba com a Lei da Mata Atlântica” (PL 364/19), que aguarda votação na Comissão do Meio Ambiente e é um dos projetos prioritários da bancada do agronegócio. Além disso, citou o projeto que “acaba com a possibilidade de criação de novas unidades de conservação” (PL 2001/19) e o que exclui o estado de Mato Grosso da área da Amazônia Legal (PL 337/22). Malu Ribeiro, da organização SOS Mata Atlântica / Pablo Valadares/Câmara dos Deputados Pressão da sociedade civil Ricardo Young, diretor do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), afirmou que a janela de oportunidades para a área ambiental é única no atual governo, e a sociedade civil vai pressionar para que efetivamente seja implementada. Ele citou, entre as prioridades, a aprovação de uma reforma tributária sustentável, que incorpore a agenda ambiental, e a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 37/21, que inclui entre os direitos e garantias fundamentais a segurança climática. Young citou também entre as prioridades a garantia de segurança hídrica e a incorporação da agenda da economia verde. Ele pediu ainda que a frente apoie a chamada “Virada parlamentar sustentável”, a ser realizada em junho na Câmara para avaliação da atuação dos primeiros 120 dias do governo e do Parlamento. Diretora de Políticas Públicas da organização SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro acrescentou, entre as prioridades, a proposta de emenda à Constituição que torna o acesso a água potável no Brasil direito fundamental (PEC 6/21). O deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE), por sua vez, frisou a importância da aprovação da Lei do Mar (PL 6969/13) para defender o bioma marinho. Já as deputadas Tabata Amaral (PSB-SP) e Duda Salabert (PDT-MG) salientaram a importância de garantir a presidência da Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, onde os projetos da área são discutidos, para um parlamentar ligado à causa ambientalista. O evento contou com a presença de diversos outros parlamentares e representantes de organizações da sociedade civil ligadas ao meio ambiente. Reportagem – Lara Haje Edição – Roberto Seabra Fonte: Agência Câmara de Notícias #Envolverde

Lula dá a largada em nova agenda ambiental: vai funcionar?

Por Meghie Rodrigues pqra o Diálogo Chino – Presidente quer reconstruir política climática apostando no desenvolvimentismo do passado Quando a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva foi sacramentada no segundo turno das eleições presidenciais, em 30 de outubro de 2022, cientistas e ambientalistas suspiraram aliviados após quatro anos de políticas destrutivas do governo de Jair Bolsonaro. Quinze dias depois, Lula já estava a caminho da conferência COP27 no Egito para anunciar a volta do Brasil às discussões climáticas globais. Lula fez repetidas promessas na campanha de se reaproximar da comunidade internacional, liderar a luta contra o desmatamento e renovar os investimentos em políticas ambientais. Tais esforços são urgentes após o cenário de “terra arrasada” herdado após o governo de Jair Bolsonaro, segundo Suely Araújo, especialista em políticas públicas no Observatório do Clima, uma rede de organizações ambientais. “A situação deixada pelo governo Bolsonaro, principalmente na Amazônia, é de caos e ausência do Estado”, diz Araújo. “Órgãos ambientais foram deslegitimados, desmobilizados. Diversas políticas públicas foram paralisadas. O esforço é de reconstrução completa”. Vista aérea do garimpo de ouro na rodovia Transgarimpeira, no Pará, em agosto de 2022. Incêndios devastam a floresta para abrir caminho ao avanço de atividades predatórias (Imagem: Flávia Milhorance / Diálogo Chino) Nos primeiros dois meses na presidência, Lula retomou projetos e financiamentos voltados ao desenvolvimento sustentável. Ele também indicou líderes com trajetórias ambientais reconhecidas no Brasil e exterior para coordenar ministérios, como Marina Silva, para o Meio Ambiente, e Sonia Guajajara, para a nova pasta dos Povos Indígenas. No entanto, o governo Lula também fez anúncios que alertaram ambientalistas, retomando estratégias de crescimento que usou em seus mandatos anteriores, como investimentos controversos em energia e infraestrutura. Assim, o quão realistas são os planos e promessas ambientais do novo governo Lula? Lula retoma agenda ambiental Nesse primeiro momento, o governo Lula precisará revisar ou revogar diversas normas e decretos editados pelo governo Bolsonaro que enfraqueceram a governança ambiental do Brasil, explicou Suely Araújo. Um relatório do Instituto Talanoa, think tank de política climática, listou 401 atos promulgados pela administração anterior em vários setores — como energia, biodiversidade e agropecuária — que deveriam ser revisados pelo Planalto. Posse de Lula como presidente da República, em Brasília, em 1º de janeiro de 2023 (Imagem: Ana Pessoa / Mídia Ninja / CC BY-NC) No próprio dia da posse, em 1º de janeiro, Lula assinou um pacote de medidas em que abordou alguns desses atos. O presidente revogou um decreto de 2022 que incentivava a mineração em pequena escala na Amazônia, interpretada como estímulo ao garimpo ilegal. Outra medida relançou o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Criado em 2004, quando Marina Silva esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente na primeira gestão Lula, o PPCDam ajudou a reduzir o desmatamento na floresta amazônica em 83% entre 2004 e 2012. Lula retomou ainda o Fundo Amazônia, financiado por países desenvolvidos como Noruega e Alemanha, para ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento na floresta amazônica, que havia sido suspenso sob Bolsonaro. Em fevereiro, Estados Unidos, França, Espanha e União Europeia manifestaram interesse em contribuir para o fundo. Além disso, o governo declarou estado de emergência do povo Yanomami, que enfrenta uma crise humanitária provocada pela invasão de milhares de garimpeiros ilegais ao seu território na Amazônia. Até o dia 20 de fevereiro, uma força-tarefa havia realizado mais de cinco mil atendimentos médicos aos indígenas mais vulneráveis. Lula visita Boa Vista, em Roraima, com ministros como Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas (à direita de Lula), em janeiro de 2023. O presidente anunciou ações emergenciais para o povo Yanomami (Imagem: Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto, CC BY)No dia 27 de fevereiro, autoridades do governo visitaram o Vale do Javari, também na Amazônia, onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram mortos em 2022. Embora a investigação do crime esteja quase concluída, líderes indígenas vêm cobrando uma intervenção mais ampla do Estado na região, visando combater as ameaças que sofridas e as atividades ilegais que as duas vítimas tentaram expor e prevenir. “Não temos segurança na nossa própria terra”, disse Paulo Marubo, coordenador da associação indígena Univaja, em coletiva de imprensa recente.Durante a visita, a ministra Sonia Guajajara anunciou a criação de um comitê permanente de proteção à região do Vale do Javari, que reunirá agências do governo, ministérios, forças policiais e a Univaja. “Temos que acabar com esse ciclo de violência em todos os territórios indígenas”, afirmou Guajajara. Expectativas promissoras, mas com falhas Apesar de sinalizações verdes promissoras, algumas propostas do novo governo já preocupam ambientalistas e ativistas. A administração Lula planeja fazer um investimento bilionário para a realização de obras rodoviárias e ferroviárias pelo país no primeiro semestre de 2023. O pacote inclui a controversa Ferrogrão, que transportará a produção de soja da área central da Amazônia para a costa brasileira, e de lá para os mercados internacionais, como o da China. Um dos anúncios que causou mais polêmica neste início de mandato foi o do potencial financiamento de um trecho de um gasoduto para escoar gás de xisto da reserva argentina de Vaca Muerta ao Brasil. Em visita a Buenos Aires em janeiro, sua primeira viagem ao exterior como presidente, Lula sinalizou que “vai criar condições” para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoiar o projeto, com financiamento estimado em US$ 690 milhões. A extração de gás em Vaca Muerta é realizada por fraturamento hidráulico, ou fracking, uma técnica amplamente criticada por ambientalistas e proibida em países como França, Alemanha e Reino Unido. O método “fratura” o xisto argiloso por meio de uma mistura de água, areia, solventes e outros produtos químicos aplicados no subsolo por jatos de alta pressão. Esses jatos desprendem o gás da rocha, permitindo que ele seja extraído. Mas a mistura é altamente tóxica, com substâncias até cancerígenas, que poluem lençóis freáticos. Devido aos seus impactos geológicos, o método de extração também pode provocar terremotos. Os indígenas Mapuche, na província argentina de Neuquén, onde as reservas de Vaca Muerta estão localizadas, têm vivido esses problemas na pele. Pelo menos 14 poços de exploração estão em suas terras, e eles têm protestado contra a contaminação das águas. Além do impacto socioambiental na região, a exploração de Vaca Muerta lança dúvidas sobre os compromissos climáticos da Argentina e as credenciais ambientais de Lula. Diante da reação negativa do anúncio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o gasoduto de Vaca Muerta não deve demandar recursos do BNDES. Em nota, o banco informou ao Diálogo Chino que, até o momento, “não existe demanda ou previsão, por parte do BNDES, de financiar projeto de serviços de infraestrutura no exterior”. Nova era desenvolvimentista? Grandes projetos de energia e infraestrutura estão no DNA dos governos Lula. Entre 2003 e 2010, a matriz energética do país cresceu 25%, com a adição de 27,9 mil megawatts de energia na comparação com 2002. Neste período, programas de obras públicas construíram ou começaram a construir algumas das maiores hidrelétricas do mundo, mais de 20 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia, mais de seis mil quilômetros de rodovias e 909 quilômetros de ferrovias. O investimento público em infraestrutura é um dos pilares do modelo desenvolvimentista que permeou não só a era petista — de Lula à sua sucessora, Dilma Rousseff (2011–2016) — mas também outros governos latino-americanos durante a chamada “onda rosa”. Hoje, muitos desses projetos, como a usina de Belo Monte, são tidos como obsoletos, com impactos socioambientais e custos financeiros que ofuscam os benefícios da obra. A ex-presidente Dilma Rousseff visitou a construção da hidrelétrica de Belo Monte durante seu mandato em 2014 (Imagem: Ichiro Guerra / Sala de Imprensa, CC BY-NC) Outro pilar do modelo é o financiamento subsidiado por bancos públicos de estímulos ao setor privado. Houve incentivos diretos, com programas de apoio financeiro ao agronegócio e à mineração, e indiretos, por meio de obras públicas ou privadas com empréstimos públicos, para facilitar o escoamento de commodities como soja e carne bovina.Embora Lula tenha “incorporado verbetes de sustentabilidade” em seus discursos, ele não deve abrir mão da estratégia que marcou seus dois primeiros mandatos, diz Daniel Neri, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais. Neri pesquisa conflitos socioambientais do Quadrilátero Ferrífero, região em Minas Gerais que extrai grande parte dos minérios do país, incluindo ouro, diamante e minério de ferro. Ele está preocupado com a indicação de Alexandre Silveira, cuja trajetória política foi financiada por mineradoras, para comandar o Ministério de Minas e Energia. Segundo o professor, Silveira “não aparenta de forma alguma” estar disposto a frear a exploração mineral para proteger o meio ambiente. Além disso, Lula deve encontrar uma política doméstica mais hostil do que em seus primeiros mandatos, lembra Jamile Coleti, doutora em desenvolvimento econômico e professora da Universidade do Estado de Minas Gerais. O abismo entre progressistas e conservadores, ilustrado pelos ataques a prédios públicos em Brasília em janeiro, pode reduzir a capacidade do governo de avançar com a agenda ambiental. “A maior dificuldade do presidente Lula será articular politicamente seus parceiros”, diz Coleti, acrescentando que será um grande desafio para o presidente “sair de um governo de extrema-direita em direção a um governo de esquerda”. Mas em várias ocasiões, Lula vem tentando convencer interlocutores de que sua missão como presidente é unir novamente o país; e Marina Silva, de que é possível aliar desenvolvimento à conservação ambiental. No Fórum Econômico Mundial, realizado na Suíça em janeiro, a ministra do Meio Ambiente reforçou que a agenda ambiental brasileira será “transversal” e se fará presente nas políticas de energia, transporte, indústria e agronegócio. “Podemos triplicar a produção agrícola do Brasil sem precisar derrubar uma árvore” destacou Silva no evento em Davos. Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no Fórum Econômico Mundial em janeiro de 2023 (Imagem: Sandra Blaser / World Economic Forum, CC BY-NC-SA)Reaproximação com a China A escolha de Silva para voltar a chefiar o ministério foi muito bem vista pela China, segundo Leila Ferreira, professora e pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Por mais de uma década, o país asiático se mantém como o principal parceiro comercial e maior mercado de exportação do Brasil, e a expectativa é que os dois estreitem suas relações bilaterais. “Agora, com o governo Lula dando prioridade para a questão ambiental, tenho absoluta certeza de que a conversa entre os dois países será benéfica”, diz Ferreira, especialista em políticas ambientais envolvendo Brasil e China. Ferreira explica que, “para a China, é muito mais interessante ter o Brasil como parceiro na liderança ambiental do que os Estados Unidos”, dadas as tensões geopolíticas entre as duas maiores economias globais. Mais pistas sobre a direção da relação China-Brasil devem surgir durante a visita de Lula a Beijing, planejada para o final de março, quando se encontrará com seu homônimo chinês, Xi Jinping. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou o potencial de se discutir investimentos chineses em energias renováveis e hidrogênio verde, entre outros setores, do Brasil. A diplomacia brasileira também se concentrará em tentar fortalecer o papel dos Brics, grupo que também inclui Rússia, Índia, China e África do Sul. #Envolverde

sábado, 4 de março de 2023

C&A estima reduzir emissão de 15.000 toneladas de CO²

Varejista utiliza energia solar para abastecimento de lojas Em compromisso com o meio ambiente, a C&A Brasil anuncia o início das operações de suas novas usinas solares, construídas em parceria com a Faro. Situadas na região de Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, as usinas abastecerão lojas da região, inicialmente, por 10 anos. Anualmente, a C&A Brasil evitará a emissão de 1.500 toneladas de CO2, montante equivalente ao plantio de nove mil árvores ou menos 360 veículos, com média de 12 mil km rodados cada, circulando pelas estradas brasileiras. Batizadas por “Cabo Frio III” e “Cabo Frio IV”, as usinas solares da C&A foram responsáveis pela geração de 156 empregos na região, considerando mão-de-obra direta e indireta. Os empreendimentos contam com sistema de reaproveitamento da água de chuva e com aproximadamente 5.544 módulos fotovoltaicos, que representam uma potência instalada de 2.000 kW no total. Por ano, as usinas terão capacidade para gerar 4,8 GWh — energia suficiente para abastecer o equivalente a 2.400 residências no mesmo período. Dentre os fatores que contribuem para alcance desses índices está o uso da chamada tecnologia tracker ou seguidores solares. Trata-se de um dispositivo que acompanha o movimento do sol ao longo do dia e altera a posição dos painéis fotovoltaicos seguindo a luz solar para potencializar a produção de energia. Outro diferencial é o uso de módulos fotovoltaicos bifaciais, responsáveis por absorver os raios solares tanto do céu quanto os refletidos pelo solo, otimizando ao máximo a captação do recurso natural e apresentando uma solução de alta eficácia. “Em 2022, inauguramos também, uma Usina no Distrito Federal. Com as três usinas em operação, estimamos uma economia potencial de R$ 32 milhões até o final do contrato, além dos ganhos socioambientais, como a redução das emissões dos gases de efeito estufa e a geração de empregos que a construção demandou. As usinas solares para abastecimento exclusivo das nossas lojas é mais um importante passo da companhia para gerar impacto positivo, em linha com nossos compromissos”, afirma Ciro Neto, diretor de Desenvolvimento e Expansão da C&A Brasil da C&A Brasil. Mercado Livre de Energia Hoje, dentre as varejistas de moda do país, a C&A é a que aparece com maior número de unidades consumidoras no Mercado Livre de Energia, que fornece energia advinda de fontes renováveis, como pequenas centrais hidrelétricas, usinas solares e eólicas. Até o momento, foram habilitadas mais de 200 lojas, o que representa mais de 60% delas para recebimento de energia limpa por meio desta modalidade, história iniciada em 2011 com as primeiras unidades migradas para esse modelo. Por meio dessa iniciativa, aumentamos nosso consumo de fontes de energia renovável em nossas operações, contribuindo para a redução de emissões de gás carbônico. Sobre a Faro Energy A Faro Energy é uma empresa do Sistema B que atua com o desenvolvimento, investimento e gestão de ativos solares. O foco da empresa é democratizar o acesso à energia solar no Brasil, através de investimentos e ações de transformação social e econômica. Localizada em São Paulo, a empresa conta com projetos em 15 estados e no Distrito Federal, que já contabilizam 271 MWp de projetos sob gestão e mais de R$ 650 milhões investidos. Além disso, a empresa conta com um um portfólio de 271 MWp de projetos maduros e em operação. Sobre a C&A A C&A é uma empresa de moda focada em propor experiências que vão além do vestir. Fundada em 1841 pelos irmãos Clemens e August na Holanda, a C&A entende e defende a moda como um dos mais fundamentais canais de conexão das pessoas consigo mesmas, com todos à sua volta e, por isso, coloca os seus clientes no centro da estratégia. Uma das maiores varejistas de moda do mundo, a C&A chegou ao Brasil em 1976 quando inaugurou a sua primeira loja no shopping Ibirapuera, em São Paulo (SP). Atualmente, a companhia opera mais de 300 lojas em todo o território nacional, além do seu E-commerce. Listada na bolsa brasileira (B3) desde outubro de 2019, a C&A é pioneira em diversas inovações em seu segmento a partir da oferta de serviços e soluções digitais e omnicanais, visando ampliar experiência on e off line dos seus clientes. Com cerca de 15 mil colaboradores em todo o país e presente na vida de um milhão de clientes por dia, a empresa se destaca ainda por oferecer uma moda jovem, inovadora, diversa e inclusiva para mulheres, homens e crianças, além da sua linha de fashiontronics, que conta com uma ampla variedade de celulares, smartphones e relógios e o Galeria C&A, marketplace que comercializa itens de decoração, pet, joias, entre outros segmentos. Ainda, a empresa tem iniciativas consolidadas de ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa), sendo uma das empresas mais premiadas e reconhecidas internacionalmente por boas práticas de sustentabilidade em prol de uma moda com impacto positivo. Já no aspecto social, por meio do seu braço filantrópico, o Instituto C&A, a varejista atua no fortalecimento de comunidades por intermédio da moda, no voluntariado corporativo, no fomento ao empreendedorismo de grupos em maior vulnerabilidade social e ajudas humanitárias. Te convidamos a conhecer mais sobre a C&A e sobre o trabalho do Instituto C&A. #Envolverde

quinta-feira, 2 de março de 2023

Livro Terra sob Pressão: A vida e a saúde humana na era do aquecimento global

Por Plurale – Livro aborda os impactos da crise climática e traz dados atualizados sobre os efeitos da pandemia da covid-19 no meio ambiente em todo o mundo Queimadas e desmatamentos, poluição de rios e mares, invasão de áreas florestais, aumento contínuo da temperatura global ao mesmo tempo em que catástrofes naturais provocam tragédias como a que vemos agora no litoral norte de São Paulo e em outras regiões do planeta. As mudanças climáticas são o foco do novo livro de Sergio Tulio Caldas, que esteve presente no evento climático extremo ocorrido na costa paulista, durante o carnaval. A obra “Terra sob Pressão: A vida e a saúde humana na era do aquecimento global”, publicada pela editora Moderna, será lançada em 2 de março, na Livraria da Vila, em Pinheiros, São Paulo. O autor, que também é jornalista e roteirista, tem especialidade em escrever sobre temáticas de ciências ambientais. Em seu novo livro, o terceiro pela Moderna (pela editora é de sua autoria “Água – Precisamos falar sobre isso” e “Com os pés na África”, ganhador do Prêmio Jabuti), Sergio Tulio utiliza linguagem descomplicada e textos informativos para alertar sobre o avanço do aquecimento global em todo o mundo. Destaca que as mudanças têm adoecido o planeta e podem comprometer, em pouco tempo, a sobrevivência humana e de outras espécies. O livro também relata o drama dos índios Yanomami pressionados pelo garimpo ilegal, já denunciado pelo líder indígena Davi Kopenawa muito antes da grave situação desse povo vir à tona em 2023. A obra, produzida durante a pandemia, traz dados atualizados e um importante olhar sobre os impactos do isolamento social na natureza. Por quase dois anos, diversos países restringiram o contato social e a circulação de suas populações como método de barreira para a propagação da covid-19. Durante esse período, o planeta deu respostas otimistas, como a queda da emissão de poluentes no ar em todo o mundo. Com ilustrações e fotos atuais dos problemas climáticos, Sergio Tulio busca alertar o leitor para a urgência de medidas de proteção ao meio ambiente e povos originários. Mas o autor também traz esperança na obra, ao apontar caminhos possíveis para mudanças reais. A ideia é que o leitor, munido de informações atualizadas, possa também se tornar um agente de proteção ao ambiente e de mudança no mundo. Sobre o autor Sergio Tulio Caldas é jornalista, escritor, roteirista e diretor de TV. Vencedor do Prêmio Jabuti, principal premiação da literatura brasileira, com o livro Com os pés na África (Moderna, 2017), Sergio Tulio tem como principal fonte de trabalho suas observações mundo afora. Seu interesse pela diversidade cultural e meio ambiente resultam em livros, reportagens e documentários. Para o canal National Geographic, entre outros, escreveu e dirigiu séries como Nos caminhos de Che e Parques de São Paulo. Trabalhou para importantes veículos de comunicação do País, como o jornal O Estado de S.Paulo, revistas Veja e Os Caminhos da Terra, TVs Gazeta, SBT e Record. Na África, onde morou, dirigiu um programa jornalístico exibido na TV Pública de Angola (TPA). Serviço: Lançamento “Terra sob Pressão: A vida e a saúde humana na era do aquecimento global” Data: 2 de março de 2023, quinta-feira, às 19h Local: Livraria da Vila – R. Fradique Coutinho, 915 – Pinheiros – São Paulo/SP Ficha técnica: Terra sob Pressão: A vida e a saúde humana na era do aquecimento global Autor: Sérgio Túlio Caldas Ilustrações: Thiago Lopes Capa: Patrícia d’Utra Páginas: 184 #Envolverde

Como o mercado de trabalho exclui as pessoas trans

Por Wérica Lima para o Amazônia Real – No País que mais mata pessoas trans no mundo, o Brasil abandona Wendy, Thiago, Swamy, Louise, Minzo e tantas outras à própria sorte. Sem políticas públicas efetivas que garantam o acesso e a permanência dessas pessoas em espaços sociais, políticos e culturais, elas também têm de travar uma luta diária para conseguir sobreviver. Travestis, transexuais e transgêneros não conseguem emprego porque a transfobia fala mais alto, ainda que disfarçada de silêncio. Conseguir uma vaga no mercado de trabalho é uma conquista comemorada por muitos. Para pessoas trans, pode representar uma prisão. Wendy Dias, uma travesti e trans de 40 anos, deixou a comunidade ribeirinha chamada Pesquisa, às margens do rio Arraiolos, interior do município de Almeirim, ainda criança. Aos 12 anos, virou babá em Monte Dourado, município paraense. Nunca viu um salário naquele “primeiro emprego”. “Recebia comida, moradia e estudo para cuidar dos filhos de uma dona da casa, mas vivenciei o trabalho escravo infanto-juvenil”, diz. A jornada era cruel. Acordava 5 horas para preparar as coisas das crianças que cuidava. Podia estudar, das 13 horas às 17h30, mas ao voltar já tinha de fazer janta e passar roupa. Seu único tempo para estudar era de madrugada. Os dois anos como babá foram marcados por episódios de transfobia. Fiel de uma Igreja Católica, a patroa pregava a “cura gay” de Wendy, que era trans interssexual (quando nasce ou desenvolve características sexuais biológicas que não se encaixam na norma binária de masculino e feminino). “Ela [a dona da casa] colocava o garfo quente nos meus seios para baixar”, relata. Wendy não tinha apoio da família. Virar babá foi uma forma de ajudar o pai, que ela o via sempre trabalhando muito e não queria ser um peso para a família. “Quando eu consegui emprego voltei pra casa, contei as histórias, eles ficaram muito arrasados”, explica. Aos 19 anos, Wendy Dias viajou para Manaus, tentando finalmente arrumar um emprego decente. Mas entrevista após entrevista era nítido pelo olhar dos entrevistadores que ela jamais iria ser chamada. Ela resolveu, então, fazer bijuterias regionais e tradicionais, além de pintar unhas artísticas. “Foi quando realmente comecei uma vida financeira. Com a ajuda da minha irmã, fiz o curso de cabeleireira e comecei meu pequeno empreendimento”, lembra. O trabalho por conta própria abriu oportunidades, inclusive algumas adormecidas. Com a experiência em cantar na Igreja Católica desde criança, Wendy decidiu formar uma banda com outros músicos já aos 25 anos. Mas nada foi tão fácil. Cantando em bailes, bares e no interior do Amazonas por três anos, a artista decidiu deixar a recém-carreira de lado. “Abandonei a música por conta de assédio sexual de contratantes e outros homens que assistiam ao show. Eu era nova e não tinha forças pra lutar contra aquilo. Os contratantes achavam que junto com o show eu podia ir para a cama com eles”, diz. Wendy durante os protestos contra o presidente Jair Bolsonaro em Manaus (Foto: Wérica Lima/Amazônia Real) Lutando contra a hipersexualização de corpos transgeneres e a cultura do estupro, Wendy decidiu enfrentar os desafios que viriam pela frente nas tentativas de ocupar espaços, seguidos de muitos “nãos”. “Recebi propostas, sim. Mas nunca o fiz, porque, acredito na força da educação, e acredito posso fugir desse estigma da sociedade que nossos corpos foram feitos para a prostituição”, conta. Acreditando nos estudos, Wendy formou-se em Design de Moda em Manaus e fez pós-graduação em Moda e Styling no Rio de Janeiro. A formação não foi suficiente para Wendy largar o trabalho de cabeleireira. Na verdade, foi ele que a salvou de não passar fome. “No dia 17 de maio de 2020, eu sozinha em casa, com uma depressão muito forte, só tinha como válvula de escape as lives da cantora Teresa Cristina. E foi nesse dia que meu amigo puxou o coro para que eu fosse chamada para falar algo, afinal era dia de combate a homofobia”, lembra. Desde então, Wendy passou a ser fixa em transmissões de streaming, as “lives”, uma motivação que serviu para voltar a cantar. Com apoio da própria Teresa, seus fãs e amigos que fez, começou a fazer aulas de canto. “Aos poucos estou me recolocando no mercado da música, com muita luta, colocando tijolo por tijolo”, explica. “Apesar dessas histórias eu ressignifiquei e sou feliz, vivo cada segundo pra frente, para novas histórias”, diz. Agora, a artista, cantora e compositora da Amazônia, pegou um voo para agregar na sua carreira teatro, dança, instrumentos e técnicas vocais. “Estou indo pro Rio de Janeiro, para estudar e ser uma artista mais completa”. Wendy nutre grandes ambições. Ela quer ajudar a fortalecer a cultura do Norte. “Pretendo ficar na ponte aérea até que consigamos fortalecer a cena artística do Amazonas, a ponto de sermos um mercado fonográfico e visual tão grande quanto o Sudeste”, afirma. A dura transição Thiago Costa dando informações para comunidade LGBTQIA+ de refugiados migrantes sobre o acesso a direitos básicos no Brasil (Foto: Victor Auzie/Instituto Mana) Thiago Costa também viu sua carreira por um instante decair quando começou a transição. Antes, ele trabalhava de forma independente como nutricionista. De uma hora para outra, começou a perder clientes. “As pessoas não falavam por que não queriam mais atendimento comigo, até que eu não tive mais opção nenhuma”, lembra. A situação se agravou tanto que foi obrigado a abandonar sua profissão e passou a vender incenso na feira da Eduardo Ribeiro, em Manaus. “Eu vivia com 200 reais por mês vendendo na feira”, relata. Por dois anos, vender incenso foi a sua única fonte de renda. Sem um salário digno, ele começou a participar de rodas de conversa e reuniões sobre ativismo promovidas por organizações não-governamentais (ONGs). Foi quando junto com os movimentos LGBTQIAP+ reivindicou cotas para pessoas trans na pós-graduação em direitos humanos da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Foi a entrada na universidade para cursar uma pós-graduação obtida por meio da cota cedida que permitiu a Thiago retornar ao mercado de trabalho. Ele começou a trabalhar com refugiados imigrantes no Instituto Mana. Os desafios do hoje ativista Thiago Costa estão longe de serem superados, mesmo estando empregado. Conhecedor de sua realidade, ele não deixa de se preocupar com os muitos travestis, transexuais e transgêneros que vivem o drama de serem excluídos do mercado de trabalho. “A gente sabe que a maioria da população trans está em situação de rua por causa do preconceito. Todas as outras questões de saúde, educação e tudo mais se resolvem a partir da autonomia que o emprego dá para a gente. Então, se não tem emprego, a gente não tem dignidade nos outros setores e nem no amoroso”, explica. Os estereótipos impostos pela sociedade de como uma pessoa trans ou travesti deve se vestir ou ser para ser validada é outro desafio a ser rompido. Por vezes as pessoas trans não têm nem mesmo como comer, muito menos o que vestir ou como fazer tratamento hormonal sem recursos financeiros. “Esse trabalho me deu uma oportunidade de mudar de vida, porque eu comecei a ter acessos que nem enquanto pessoa cis eu tinha, saber o fluxo dos acessos [na saúde], os meus direitos, as legislações e tudo mais me ajudou muito nesse processo de conseguir o emprego e de me manter nele também”, afirma Costa. “A autonomia que o dinheiro gerado pelo emprego dá é muito importante para eu conseguir continuar com os meus hormônios, porque os hormônios bioidênticos que têm testosterona custam 450 reais ou mais, dependendo da farmácia e o SUS não dá esse hormônio aqui em Manaus”, acrescenta, ao revelar que chega a gastar 700 mensais por mês com a hormonização. Instabilidade financeira Louise Manicongo (à esq), empreendedora que montou uma confecção com a mãe Maria de Nazaré Costa (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real) Um técnico em Administração e quase 50 cursos profissionalizantes não foram o suficiente para dar a Swamy Almeida, 38, um emprego formal. Ela já tentou de tudo, mas sua existência é sempre o que a faz ser demitida sem justa causa. Para ela, não há outra explicação senão o preconceito e a transfobia. A competência de cumprir com os horários, seguir as regras não é o suficiente para quem é travesti. Antes da retificação do seu nome, Swamy precisou lidar com períodos conturbados em que não teve respeitada sua travestilidade (que ultrapassa as fronteiras de gênero esperadas e construídas culturalmente para um e para outro sexo). “Ainda há um preconceito muito grande, um tabu enorme para ser quebrado, e vários protocolos a serem revistos. Hoje em dia quando uma pessoa como eu, trans, vai a uma entrevista de emprego eles já julgam com o olhar e por aí você já tem a certeza que não vai ficar. Isso acontece muito nos RHs (recursos humanos), gente despreparada sem treinamento algum para receber esse público”, relata. Para Swamy, passam-se os anos, a sociedade evolui, mas não encontra meios de oferecer reais oportunidades a pessoas trans. “Vamos ficando idosos e nossos conhecimentos e estudos não valeram de nada, vai tudo para lata de lixo, se torna um tempo perdido e sem trabalho formal dependemos do dom que Deus nos deu e nos viramos no que a gente já sabe fazer de melhor”, diz. Empreender tem se tornado uma das saídas mais honrosas para esse público. Trabalhar como contratada sempre foi um horizonte muito distante para Louise Manicongo. Ela nunca teve carteira assinada, nem imagina que terá um dia. Mas nunca deixou de pensar em conseguir uma colocação no mercado. Desde muito tempo, Louise já cogitava ter uma loja de calcinhas para pessoas trans. Na pandemia, a dificuldade financeira se agravou com a demissão da sua mãe. Foi nesse momento, de necessidade, que fez as duas começarem a produzir numa oficina caseira os produtos da hoje loja online “Louise Pantie”. “Depois de empreender as coisas mudam, porque é quando eu já consigo ter uma visão de possibilidades, de que encontrei o meu lugar, de que com a minha ideia, com a minha marca, posso ter como pagar minhas contas e no futuro poder empregar outras travestis”, diz. Louise conta que empreender é uma luta diária, pois precisou aprender do zero e sozinha como gerir um negócio. O único recurso que chegou a ter acesso foi um curso online oferecido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), sobre como começar uma loja online. “Trabalho com Shopee, com envio pelos Correios e são coisas que às vezes tenho algumas dúvidas. Para eu buscar esses conhecimentos têm que ser pela internet ou pesquisar em algum lugar, porque não consigo ter com quem falar sobre essas questões”, explica. Na fala de Louise está implícito o drama da transfobia, uma das barreiras que podem limitar o campo de atuação de pessoas trans e travestis no mercado de trabalho. Esse sentimento continua perseguindo sua vida. “Eu tinha muito medo, muito receio de ter que trabalhar com pessoas cis, de servir pessoas héteras porque eu ficava na minha cabeça imaginando: Será que algumas pessoas algumas gostariam de comprar de uma loja sabendo que que quem trabalha naquela loja é travesti?”, já se perguntou. Mercado transfóbico Barraca LGBTQIAP+ na Ponta Negra, em Manaus (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real) O mesmo questionamento de Louise, até hoje é a insegurança de Minzo Serique, transmasculino técnico de informática e microempreendedor de uma loja virtual e física. Ele prefere se manter o mais reservado possível. “Comecei minha transição em 2014 e atualmente já com um corpo transicionado e dentro do mercado de trabalho atuando como empreendedor ainda prezo por ser reservado, é um desafio e tanto para eu viver no país como o Brasil, um país transfóbico, onde eu não me sinto ainda na autonomia para alcançar o público LGBTQIA+ por conta de boicotarem a loja ao saberem que o dono da Loja é um homem”, afirma. A decisão de Minzo de sair do trabalho formal, no qual era vendedor e auxiliar de estoque desde 2014, veio de uma pressão estética. Ele não se esquece das várias vezes que queriam que ele usasse maquiagem e se vestisse com roupas femininas. Não era um ambiente receptivo. “As empresas não querem ter uma pessoa trans atuando ali dentro por medo de repressão e por não querer que a empresa saia de um padrão construído pelo capitalismo”, afirma. Em 2020, ele começou as vendas virtuais de equipamentos eletrônicos na pandemia, com a loja JappaStore. Desde o início, ele não tinha nenhuma instrução, apoio ou capacitação que pudessem ajudá-lo a empreender. “Na minha lojinha não sofro transfobia por parte de ninguém, nem dos meus colaboradores, alguns sabem do meu gênero outros não sabem e assim vou seguindo em paz, pois se dermos atenção demais para os problemas da transfobia que nos cerca nunca iremos construir nada na sombra da transfobia nesse País”, conclui. Atualmente, Minzo faz a inclusão de pessoas trans e não bináries no negócio da loja por meio de um grupo de vendas home office da loja, com o objetivo de ajudar as pessoas a terem uma renda extra e fortalecer a comunidade na qual faz parte. “Já passei por dificuldade e sei como é não ter de onde tirar uma renda extra boa”, conta. Louise Manicongo consegue enxergar em meio aos desafios o crescimento do empreendedorismo trans. “Eu me sinto ainda um pouco solitária nesse ramo. Eu tenho visões de futuro onde eu consigo ver uma feira cultural com muitos empreendedores trans, onde a gente tenha também uma rede de apoio, onde a gente consiga ter trocas, né sobre empreendedorismo, trocas de conhecimento”, diz. Fora do radar oficial Enquanto a comunidade LGBTQIAP+ se vê refém da violência, o Brasil se consolida mais uma vez na liderança do ranking de assassinato a trans pelo 14º ano consecutivo entre 80 países, conforme relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (Antra), lançado em 27 de janeiro. Só em 2022, o mapeamento registrou 131 assassinatos de pessoas trans e continua 8% acima da média anual, sendo 130 transexuais e travestis mulheres e um homem trans mortos. O Amazonas é o estado da Amazônia Legal que se destaca dos demais por maior número de assassinatos em 2022. Desta vez, subiu no ranking, saindo do 10º para o 6º lugar. Conforme os registros da Antra entre 2017 a 2022, essa é a primeira vez que o Amazonas se aproxima tanto da liderança. Em 2022, uma pesquisa ‘inédita’ realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) descartou a transgeneridade na primeira pesquisa voltada a orientação sexual, levando em consideração apenas a cisgeneridade (pessoa que se identifica com o sexo biológico com o qual nasceu) ao invisibilizar a existência de pessoas trans. “A gente não tem nenhuma secretaria que trabalha especificamente com esses dados porque a partir do momento que você reconhece, supostamente teria que propor políticas públicas direcionadas. Eu vejo como uma maneira de apagar essas identidades, fingir que não que não existem”, revela Joyce Gomes, presidenta da Associação de Travestis, transexuais e transgêneros do Amazonas (Assotram). Sem dados oficiais do governo e sem levar em conta a exclusão dessas pessoas nos espaços de trabalho, educação, saúde e moradia, as pessoas trans acabam sendo estereotipadas por grande parte trabalhar com prostituição. “A gente não tem nenhuma política específica que trabalhe essa questão da empregabilidade direcionado para a população LGBT. E aí a gente vê aquele famoso dado que as organizações colocam que 90% da população transexual ainda vive exclusivamente da prostituição, lembrando que viver da prostituição não é um problema, o problema é quando ela é a única solução dessas pessoas”, ressalta Joyce. Para a presidenta da Assotram, é preciso analisar o que desencadeia dados como esses, incluindo a formação, a expulsão de casa e o preconceito institucional. “Elas estão gerenciando os seus negócios, salão, empreendimentos, porque é uma válvula de escape. Como o mercado de trabalho formal não acolhe, a própria população LGBT busca estratégias para romper esse ciclo é lgbfóbico, então a maioria dessa população vai pela clandestinidade ou então monta seu negócio, que é para poder se sustentar e sustentar a sua família”, frisa. “Eles [governo] falam muito de inclusão, diversidade e nada acontece. É uma coisa que eles sempre enfiam na gaveta e colocam no esquecimento,nunca muda e não dá em nada, entra governo e sai governo, prometem mundos e fundos, várias mudanças e continuamos mais esquecidas ainda pagando impostos, consumindo e gastando o pouco que temos para enriquecer os cofres públicos”, afirma Swamy Almeida. “Nossa dignidade, direito de expressão, direito de ir e vir, de ter um trabalho digno, ninguém tem, muito menos respeito nesse País que só se afunda cada dia mais.” Wendy Dias faz uma análise da luta que é preciso travar para alcançar na sua área o reconhecimento. “No Brasil, realmente a gente ainda tem invisibilidade, não tem muito acesso, é só olhar os streamings das meninas trans que são da música, não é tanto quanto de pessoas cis. É um bater em portas, prosseguir e lutar para conseguir. Claro que não vai ser fácil, o Brasil é o País que mais nos mata. Por que que ele vai nos dar o aval como artistas da música? Eu vejo que é um mercado que ainda está começando”, explica. A Amazônia Real procurou a Secretaria Executiva do Trabalho e Empreendedorismo – Setemp do Amazonas e encaminhou perguntas sobre como o governo estadual está garantindo a presença e a permanência de pessoas trans, travestis e transexuais no mercado de trabalho, bem como se são feitas capacitações para receberem essa população nos recursos humanos das empresas. Até a publicação desta reportagem, a secretaria, como de resto a sociedade, permaneceu em silêncio. *Crédito da imagem destacada: A dura sobrevivência de pessoas travestis, transexuais e transgêneros se dá, na maioria das vezes, pelo caminho do empreendedorismo, uma das poucas formas de tentar superar a barreira da transfobia na sociedade. Na imagem acima, Louise Manicongo em sua confecção (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real). #Envolverde

Florestas públicas não destinadas ameaçam conservação da Amazônia

Por IPAM – Artigo inédito publicado na revista Nature, com colaboração do IPAM, apresenta estratégias duradouras para conter o alto desmatamento em terras públicas. Cerca de 50% do desmatamento da Amazônia brasileira ocorre em terras públicas, particularmente nas chamadas florestas públicas não destinadas (FPND) – terras sem título que não pertencem a nenhuma categoria de posse especificada por lei, tornando-as alvo fácil para grileiros e exploração ilegal de recursos naturais. As FPND cobrem uma área de 56 milhões de hectares (o tamanho da Espanha) e armazenam um estoque de sete bilhões de toneladas de carbono — quase 1 ano de emissões globais. Um artigo publicado na revista cientifica Nature nesta quarta-feira (01/03), em parceria com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), apresenta propostas para conter o desmatamento na Amazônia brasileira – em especial aquele que ocorre em terras públicas – utilizando estratégias duradouras que priorizam a segurança fundiária, o aprimoramento tecnológico e a aplicação da lei. Os autores Paulo Moutinho, diretor executivo interino do IPAM, e Claudia Azevedo-Ramos, membro do Centro de Estudos Avançados da Amazônia, da Universidade Federal do Pará, ressaltam no texto que a insegurança fundiária tem sido um desafio antigo para a conservação do bioma e raiz das dificuldades na adoção de modelos sustentáveis de uso da terra. Segundo eles, uma ação prioritária é agilizar o processo de validação do CAR (Cadastro Ambiental Rural), eliminando registros ilegais do sistema e reduzindo fraudes. “A tarefa de validação seria muito mais simplificada se o governo federal e os governos estaduais tivessem um banco de dados e um sistema CAR integrados”, complementam. De acordo com o artigo, a redução do desmatamento também está ligada à promoção do desenvolvimento sustentável com base na estabilidade socioeconômica, como manejo florestal comunitário, agregação de valor aos produtos florestais, valorização dos serviços ecossistêmicos, intensificação agrícola, dentre outros. “Práticas sustentáveis e comércio justo por produtores de grande escala também são fundamentais para a conservação e desenvolvimento da Amazônia devido ao seu impacto potencialmente grande”. O texto conclui que é fundamental focar em estratégias que garantam a proteção duradoura das florestas existentes, especialmente considerando seu papel na mitigação do aquecimento global. “Uma oportunidade para aumentar a proteção florestal se apresenta após as recentes eleições presidenciais brasileiras (2022) e mudanças positivas anunciadas nas políticas ambientais. O que mais falta agora é uma demonstração prática da aparente vontade política da nova Administração Central em atender ao desejo da sociedade brasileira, assim como de muitas outras nações, de conservar a Amazônia, protegendo seu povo, sua biodiversidade e o clima global”. Leia o artigo completo aqui. #Envolverde

Mais de 2,3 mil ribeirinhos recebem atendimento via telessaúde na Amazônia

Além dos atendimentos, iniciativa da FAS promove a capacitação de profissionais de saúde Cuidar das pessoas que cuidam da floresta é a missão da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), organização que completou, em 2023, 15 anos de atuação em prol da melhoria da qualidade de vida das populações da floresta. A saúde é um dos aspectos dessa missão e, para isso, um dos projetos que a FAS executa é o de telessaúde, que já atendeu 2.373 moradores de comunidades remotas, além de capacitar 1.216 profissionais de saúde que ali atuam e comunitários. Esse trabalho é realizado com a ajuda da tecnologia, por meio de 97 pontos de conectividade, instalados pela FAS e parceiros em 22 municípios, 22 Unidades de Conservação (UCs) e 18 Terras Indígenas (TIs) na Amazônia. Os locais são equipados com estrutura de atendimento e acesso à internet para consultas online, e tem à disposição as especialidades de medicina, enfermagem e psicologia. “Os pontos de teleatendimento são um dos grandes avanços da FAS. Antes, quando chegava atendimento médico na comunidade, era apenas uma especialidade, geralmente um clínico geral. Hoje, eles já conseguem ter atendimento psicológico, médico e de enfermagem. Foi um avanço considerável, porque essa plataforma também possibilitou qualificar os agentes comunitários de saúde e levar um atendimento mais adequado a esses locais”, afirma a superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da FAS, Valcléia Solidade. Os agentes comunitários de saúde e comunitários recebem formação continuada em temas como vacinação, fisiologia, primeiros socorros, saúde da mulher e infantil. No total, 1.216 profissionais da região, de agentes a médicos, e comunitários já foram receberam conhecimentos ou atualizações em oficinas e treinamentos da FAS. A instituição também atua na implementação de sistemas de energias limpas e renováveis, como as de origem solar, que garantem o funcionamento de unidades de atendimento em áreas ribeirinhas e rurais da região. “A falta de energia é um problema muito grande para nós como profissionais. Quando a gente tem uma criança, por exemplo, com pneumonia, é uma doença que a gente pode tratar aqui mesmo no polo, só que devido à falta de energia, não tem como fazer a nebulização, então a gente tem que remover a criança para o município mais próximo”, explica a enfermeira do Polo Base do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Médio Rio Solimões e Afluentes (MRSA), Claudia Mariscal. Em 2020, placas solares foram instaladas no polo, que atende mais de 105 famílias do povo Madija Kulina. Sobre a FAS Fundada em 2008 e com sede em Manaus/AM, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil e sem fins lucrativos que dissemina e implementa conhecimentos sobre desenvolvimento sustentável, contribuindo para a conservação da Amazônia. A instituição atua com projetos voltados para educação, empreendedorismo, turismo sustentável, inovação, saúde e outras áreas prioritárias. Por meio da valorização da floresta em pé e de sua sociobiodiversidade, a FAS desenvolve trabalhos que promovem a melhoria da qualidade de vida de comunidades ribeirinhas, indígenas e periféricas da Amazônia. #Envolverde