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domingo, 6 de novembro de 2022
Favelas no Brasil crescem em ritmo acelerado e ocupam 106 mil hectares
Dados do MapBiomas mostram que de cada 100 hectares de favela, 15 foram construídos em áreas de risco
Nos últimos 37 anos, as áreas urbanizadas no país passaram de 1,2 milhão de hectares para 3,7 milhões. Nesse período, as áreas informais totalizaram 106 mil hectares – uma expansão de aproximadamente três vezes a área da cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Esses dados são do mais recente levantamento do MapBiomas sobre áreas urbanizadas, feito a partir da análise deimagens de satélite captadas entre 1985 e 2021.
A maior parte da área urbanizada em favelas se concentra nas capitais. Manaus é um dos destaques: a capital do Amazonas possui o maior crescimento na série histórica, totalizando cerca de 10 mil campos de futebol em 2021. São Paulo (5.579 ha), Belém (5.450 ha), Rio de Janeiro (5.038 ha) e Salvador (4.793 ha) vêm na sequência. Todas registram crescimento semelhante em área informal, mesmo que possuindo características territoriais próprias.
A Amazônia lidera o percentual de crescimento das ocupações informais do território: 29,3% do crescimento urbano nesse bioma foi em áreas informais. A região norte possui 13 das 20 cidades com maior proporção de crescimento, com Belém entre as cinco primeiras da lista.
“O crescimento das favelas tem um comportamento parecido com o das áreas urbanizadas, mas na década de 90 as áreas informais aceleraram o avanço. A expansão da urbanização tem impactos no consumo dos recursos naturais, na qualidade de vida e, de uma maneira geral, na sustentabilidade urbana, mas quando falamos das favelas, além disso, há uma chance muito grande do aumento de ocupação de áreas de risco por populações mais vulneráveis”, explica Julio Cesar Predrassoli, um dos coordenadores do mapeamento de Áreas Urbanizadas do MapBiomas.
As imagens de satélite permitiram identificar que a ocupação urbana como um todo em áreas de risco aumentou 3 vezes entre 1985 e 2021, e em áreas informais esse avanço foi ainda maior: 3,4 vezes. De cada 100 hectares de favela, 15 foram construídos em áreas de risco.
Das 887 cidades com alguma área urbanizada em áreas de risco, apenas 20 cidades respondem por 36% de toda a área de risco ocupada nos últimos 37 anos. Salvador (BA), Ribeirão das Neves (MG), Jaboatão dos Guararapes (PE), São Paulo (SP), Recife (PE) e Belo Horizonte (MG) são as seis primeiras da lista.
O Cerrado lidera o ranking dos biomas com o maior aumento das áreas urbanizadas em risco com 382%, seguido da Caatinga com 310%, Amazônia com 303%, Mata Atlântica com 297%, Pampa com 193% e por último o Pantanal com 187%. Como o ranking é feito por área e Petrópolis tem uma extensão urbana pequena, a cidade não está no topo da lista, mas é um dos exemplos mais emblemáticos das consequências da ocupação de áreas de risco que vem ocorrendo na região desde o século XIX.
O Cerrado foi também o bioma que mais perdeu vegetação nativa para a expansão urbana. Dos mais de 558 mil hectares de formações naturais que foram convertidos para áreas urbanizadas entre 1985 e 2021, 28% (156,5 mil hectares) estavam no Cerrado. Em segundo lugar vem a Mata Atlântica (13008 mil ha), seguido pela Amazônia (123 mil ha), Caatinga (108 mil ha), Pampa (40 mil ha) e Pantanal (778 ha).
O levantamento ainda mostrou que a maior expansão das áreas urbanizadas ocorreu sobre áreas de uso agropecuário. Entre 1985 e 2021, os 2,5 milhões de hectares que foram urbanizados eram 67,8% de uso agropecuário: 30,7% eram áreas de pastagens, 30,5% mosaicos de uso e de agricultura eram6,4%.
“Apesar da agropecuária ter quase 70% de crescimento nas áreas urbanas, é o avanço sobre a vegetação nativa que nos chama atenção. Proporcionalmente, alguns estados perderam mais da metade da sua cobertura natural para as áreas urbanizadas, afetando os ecossistemas naturais em que se inserem as cidades e contribuindo para uma resposta menos eficiente aos desafios climáticos”, aponta Mayumi Hirye, coordenadora do mapeamento de Áreas Urbanizadas do MapBiomas.
A perda total das formações naturais para áreas urbanas foi de 22,2% em 37 anos. No Piauí, 68,4% (29.029 ha) da urbanização ocorreu sobre cobertura natural, as formações florestais e savânicas somam 26.421 hectares perdidos. No Amazonas, foram perdidos 59,9% (17.159 ha) da cobertura natural, como florestas e campos alagados. O Ceará perdeu 58,6% (53.845 ha), com destaque para formações savânicas. A perda no Mato Grosso foi de 51,2% (38.156 ha), as formações savânicas,campestres e florestais somam mais de 36 mil ha.
Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, localizados na Mata Atlântica, têm as duas maiores áreas urbanizadas do país e juntos eles perderam quase 38 mil hectares de vegetação nativa: foram perdidos, respectivamente, 26.655 ha e 10.982 ha.
O Pantanal e Pampa são os biomas com a maior proporção de vegetação nativa em áreas urbanas tanto de alta como de baixa densidade. Já na Amazônia observou-se a maior perda de vegetação nativa, em ambas as áreas de densidade. “As áreas de baixa densidade compreendem as áreas de expansão das cidades, onde os serviços ecossistêmicos da vegetação poderiam ser incorporados em novos bairros, mais verdes e sustentáveis”, adverte Hirye. O destaque fica para a Mata Atlântica: são cerca de 730 mil ha de vegetação nativa em áreas urbanas de baixa densidade.
A Mata Atlântica, que concentra mais da metade das áreas urbanizadas (53%), também é líder no ranking da ocupação urbana de faixas marginais (30 m) de corpos hídricos por bioma. Em 2021, o bioma correspondeu a 67% de toda a ocupação urbana que pressiona as margens dos corpos hídricos.
Além disso, 280 mil hectares da Mata Atlântica são de áreas urbanizadas de baixa densidade.
Sobre MapBiomas: iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, para buscar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas. Esta plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Todos os dados, mapas, métodos e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita no site da iniciativa: mapbiomas.org
#Envolverde
quinta-feira, 3 de novembro de 2022
‘Moratória da soja’ pouco reduziu o desmatamento na Amazônia
Mais empresas devem assumir e implementar compromissos de cadeia de suprimentos de desmatamento zero para reduzir significativamente o desmatamento e proteger diversos ecossistemas, dizem os pesquisadores.
As promessas corporativas de não comprar soja produzida em terras desmatadas após 2006 reduziram o desmatamento na Amazônia brasileira em apenas 1,6% entre 2006 e 2015.
Isso equivale a uma área protegida de 2.300 km2 na floresta amazônica.
University of Cambridge*
As descobertas, feitas ao rastrear os suprimentos de soja dos comerciantes até sua fonte, foram publicadas na revista Environmental Research Letters . O trabalho envolveu uma equipe da Universidade de Cambridge, Universidade de Boston, ETH Zurique e Universidade de Nova York.
Os pesquisadores também descobriram que no Cerrado, a savana tropical do Brasil, os compromissos de desmatamento zero não foram adotados de forma eficaz – deixando mais de 50% das florestas adequadas para soja e sua biodiversidade sem proteção.
O Brasil tem as maiores florestas tropicais remanescentes do planeta, mas elas estão sendo rapidamente desmatadas para criar gado e cultivar lavouras, incluindo soja. A demanda por soja está aumentando em todo o mundo, e cerca de 4.800 km2 de floresta tropical são desmatados a cada ano para o cultivo de soja.
A maior parte da soja é consumida indiretamente pelos seres humanos: a soja é amplamente utilizada como ração para frangos, porcos, peixes e gado criados em cativeiro. Também é responsável por cerca de 27% da produção global de óleo vegetal e, como fonte de proteína completa, muitas vezes constitui uma parte fundamental das dietas vegetarianas e veganas.
Até 2021, pelo menos 94 empresas adotaram compromissos de desmatamento zero – comprometendo-se a eliminar o desmatamento de suas cadeias de suprimentos. Mas o estudo revelou que muitos desses compromissos não são colocados em prática.
E os pesquisadores dizem que a adoção de compromissos de desmatamento zero está atrasada entre as pequenas e médias empresas de alimentos.
“As promessas de desmatamento zero são um grande primeiro passo, mas precisam ser implementadas para ter um efeito sobre as florestas – e agora são principalmente as grandes empresas que têm os recursos para fazer isso”, disse o professor Rachael Garrett, professor de Conservação da Moran. e Desenvolvimento no Instituto de Pesquisa de Conservação da Universidade de Cambridge, co-autor sênior do relatório.
Ela acrescentou: “Se os comerciantes de soja realmente implementarem seus compromissos globais para a produção de desmatamento zero, os níveis atuais de desmatamento no Brasil poderiam ser reduzidos em cerca de 40 por cento”.
O desmatamento é o segundo maior contribuinte para as emissões globais de gases de efeito estufa depois do uso de combustíveis fósseis. Também causa a perda de diversos animais e plantas, ameaça os meios de subsistência de grupos indígenas e aumenta a desigualdade e o conflito.
Os pesquisadores dizem que as cadeias de fornecimento de outros produtos alimentícios, incluindo gado, óleo de palma e cadeias de fornecimento de cacau, são mais complexas do que a soja, tornando-as ainda mais difíceis de monitorar.
“Se as políticas da cadeia de suprimentos pretendem contribuir para a tarefa de combater o desmatamento no Brasil, é crucial expandir as políticas da cadeia de suprimentos de desmatamento zero além da soja”, disse Garrett, que também é professor de Política Ambiental da ETH Zurich.
A ‘moratória da soja’ foi o primeiro compromisso voluntário de desmatamento zero nos trópicos – ao assiná-lo, as empresas concordaram em não comprar soja produzida em terras desmatadas após 2006. Mas enquanto o compromisso foi implementado na Amazônia brasileira, a maior parte da soja brasileira é produzida no Cerrado – que é rico em biodiversidade.
Os pesquisadores dizem que suas descobertas sugerem que os esforços do setor privado não são suficientes para deter o desmatamento: a liderança política de apoio também é vital para os esforços de conservação.
“A governança da cadeia de suprimentos não deve substituir as políticas florestais lideradas pelo estado, que são críticas para permitir o monitoramento e a fiscalização do desmatamento zero, têm melhor potencial para cobrir diferentes culturas, usuários da terra e regiões”, disse Garrett.
Em 2021, a Declaração dos Líderes da COP26 Glasgow sobre Florestas e Uso da Terra se comprometeu a interromper e reverter o desmatamento até 2030. Foi assinada por mais de 100 países, representando 85% das florestas globais.
Esta pesquisa foi financiada pela US National Science Foundation, NASA Land-Cover and Land-Use Change Program e US Department of Agriculture’s National Institute of Food and Agriculture.
mudança de uso e cobertura da terra nos estados da amazônia
Mudança de uso e cobertura da terra nos estados (rótulos de duas letras) da Amazônia brasileira (a) e Cerrado (b). O uso da terra e a mudança da cobertura da terra foram derivados do Mapbiomas (MapBiomas 2020 ). Floresta, pastagem, lavouras, soja e outras categorias representam terras no ano de 2019. Floresta é dividida em áreas próprias para soja e outras florestas. O desmatamento de soja inclui toda a conversão de floresta em soja dentro de 5 anos após o desmatamento (SI §1, figura S2). Matopiba (à direita), inclui os estados do Maranhão (MA), Tocantins (TO), Piauí (PI) e Bahia (BA).
Referência:
Gollnow, F., Cammelli F., Carlson, K.M., and Garrett, R. D. ‘Gaps in Adoption and Implementation Limit the Current and Potential Effectiveness of Zero-Deforestation Supply Chain Policies for Soy.’ October 2022, Environmental Research Letters. DOI: 10.1088/1748-9326/ac97f6
Henrique Cortez *, tradução e edição.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
Proteção das florestas é fundamental para evitar secas extremas
As altas temperaturas, falta de vegetação adequada e a umidade atmosférica resultante podem bloquear os processos que sustentam as chuvas
Não haverá muitos lugares no mundo que escaparam dos recentes impactos de secas incomuns, inundações e temperaturas fora de época. Estes são frequentemente atribuídos ao papel dos gases de efeito estufa, levando às mudanças climáticas.
Mas há causas adicionais. Uma equipe de pesquisa internacional encontrou uma ameaça adicional: os impactos das mudanças na cobertura vegetal, especialmente a perda de florestas.
Para muitas partes do mundo, as chuvas dependem do que acontece com a terra e a água em países distantes. Por exemplo, uma molécula de umidade que entra na Europa a partir do Oceano Atlântico, pode cair como neve ou chuva e ser reevaporada para a atmosfera várias vezes, antes de atingir um campo de sequeiro na Ásia Central ou na China.
Um novo estudo, publicado recentemente em Heliyon , teve como objetivo identificar a vulnerabilidade dos processos de circulação atmosférica – os condutores dos “ventos” – que mantêm as chuvas no interior. A temperatura e a umidade são fundamentais e ambas fortemente influenciadas pela cobertura vegetal de uma região.
Precipitação sustentada por vegetação adequada
A principal descoberta é que as altas temperaturas, falta de vegetação adequada e a umidade atmosférica resultante podem bloquear os processos que sustentam as chuvas sobre a terra. Em contraste, umidade suficiente retornando à atmosfera sustenta esses processos e os torna mais resilientes.
A equipe de pesquisa comparou suas previsões teóricas com várias áreas do Hemisfério Norte, incluindo Europa Ocidental, América do Norte e China. Eles indicam que as condições atuais já estão próximas do limiar onde a precipitação se torna instável. A pesquisa explica a aparente instabilidade nos sistemas, levando a secas e enchentes.
Ameaças em grande escala exigem soluções em grande escala
O trabalho destaca que a perda de florestas , drenagem de áreas úmidas e outras mudanças no uso da terra exacerbam essas ameaças, enquanto a conservação e regeneração de florestas e áreas úmidas as reduz. Além disso, os resultados enfatizam que essas ameaças em larga escala requerem soluções em larga escala que reconheçam a interconexão que flui através das fronteiras e continentes nacionais.
A pesquisa internacional liderada pela Dra. Anastassia Makarieva na Universidade Técnica de Munique, Alemanha, desenvolveu as ideias fundamentais sobre as quais esta pesquisa se baseia. A equipe identificou um limite em termos de temperaturas e umidade atmosférica onde cessam os processos que mantêm os padrões de vento dominantes – algo que os autores observam já ser visto em alguns verões europeus recentes.
Conservar florestas e pântanos
A Dra. Anastassia Makarieva enfatiza que as florestas da Rússia têm um papel particularmente importante para o continente eurasiano: “A região vem se tornando progressivamente mais seca, sofrendo ventos e chuvas cada vez mais irregulares. Uma solução importante é proteger e recuperar as vastas florestas do norte da região”.
O professor Douglas Sheil, da Wageningen University & Research, coautor deste estudo, diz estar alarmado com as descobertas: “Nossa pesquisa mostra que estamos perto de uma grande interrupção dos processos que mantêm grande parte do mundo verde, agradável e habitável. .”
Douglas observa que, embora o estudo seja técnico, os resultados e as implicações são profundos.
“O conservacionista em mim não está surpreso que tenhamos ainda mais evidências de que interrompemos o trabalho natural por nossa conta e risco”, diz ele.
“Mas há também uma mensagem positiva: precisamos da natureza, e podemos defendê-la e obter muitos outros benefícios ao mesmo tempo. Este estudo é sobre a chuva confiável da qual todos dependemos. Mas a solução é manter e recuperar as florestas e pântanos, que também protegem a biodiversidade, armazenam carbono e fornecem muitos outros bens e serviços vitais.”
impacto da vegetação no transporte de umidade atmosférica
Circulação de ar entre (a) o oceano e uma terra quente e seca (cf. Fig. 3 daCharney, 1975) e (b) o oceano e uma terra fria e úmida. O oceano e a floresta têm taxas de evaporação mais altas (setas azuis grossas) do que a terra seca (setas azuis finas). O perfil vertical das diferenças de pressão entre a atmosfera sobre a terra e sobre o oceano em nossos (a) e (b) pode ser ilustrado qualitativamente por, respectivamente, Fig. 2c e Fig. 2b deMakarieva et al., 2015. Em (a), há um excesso de pressão sobre a terra na baixa troposfera na altura da vazão e escassez de pressão acima e abaixo; em (b), há uma falta de pressão na baixa atmosfera e um excesso de pressão na alta atmosfera.
Referência:
Anastassia M. Makarieva et al, Vegetation impact on atmospheric moisture transport under increasing land-ocean temperature contrasts, Heliyon (2022). DOI: 10.1016/j.heliyon.2022.e11173
https://doi.org/10.1016/j.heliyon.2022.e11173
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
Novos estudos sobre a ecologia das florestas amazônicas
As condições hidrológicas locais influenciam a diversidade e a composição das árvores em toda a bacia amazônica; Padrões geográficos de modos de dispersão de árvores na Amazônia e seus correlatos ecológicos
Caros colegas,
Acabam de aparecer dois importantes estudos sobre a ecologia das florestas amazônicas. Ambos são trabalhos multidisciplinares abrangentes – que estão se tornando cada vez mais viáveis nesta era de big data e grandes equipes de pesquisa.
Marca-Zevallos et al. (2022) avaliam como a precipitação e as condições do solo e topografia locais afetam a diversidade e a composição das comunidades arbóreas amazônicas. Seu estudo abrange toda a bacia amazônica, mostrando que os locais mais bem drenados suportam maior diversidade de árvores e que o solo e a topografia locais influenciam fortemente a composição das comunidades arbóreas.
Trabalhando em cerca de 2.000 parcelas de estudo, Correa et al. (2022) identificaram os meios de dispersão de sementes para mais de 5.400 espécies de árvores amazônicas. Mais uma vez, este estudo inclui toda a bacia amazônica e permite que os autores tirem importantes inferências sobre as causas e consequências de diferentes síndromes de dispersão nas florestas com maior biodiversidade do mundo.
Marca-Zevallos, M. et al. 2022. Local hydrological conditions influence tree diversity and composition across the Amazon basin. Ecography 2022:e06125.
https://doi.org/10.1111/ecog.06125
Correa, D. F. et al. 2022. Geographical patterns of tree dispersal modes in Amazonia and their ecological correlates. Global Ecology and Biogeography; DOI:10.1111/geb.13596.
https://doi.org/10.1111/geb.13596
condições hidrológicas locais influenciam a diversidade e a composição das árvores em toda a bacia amazônica
Localização de 443 parcelas de 1 ha usadas neste estudo. O mapa mostra a distribuição das parcelas (pontos coloridos) ao longo da bacia amazônica. Os limites da bacia amazônica (contorno preto) foram definidos de acordo com Mayorga et al. ( 2012 ). A informação de fundo mostra a camada de precipitação anual obtida de CHELSA ver. 1.2 (1979–2013, 30 segundos de arco de resolução, < http://chelsa-climate.org/ > [Karger et al. 2018 ]). As cores dos pontos indicam as quatro regiões geomorfológicas (de Feldpausch et al. 2011 ): Centro-Leste (azul, CA-EA = 122 parcelas), Escudo das Guianas (verde, GS = 52 parcelas), Sul (vermelho, SA = 102 parcelas) e Oeste (amarelo, WA = 167 parcelas). In https://doi.org/10.1111/ecog.06125
Por favor, se julgar que estes estudos são importantes, compartilhe a informação com seus colegas e alunos.
Tudo de bom a todos(as),
Bill
William F. Laurance, PhD, FAA, FAAAS, QAAS, FRSQ
College of Science and Engineering
James Cook University
Cairns, Queensland 4878, Australia
Distinguished Research Professor
Australian Laureate & Prince Bernhard Chair in International Nature Conservation (Emeritus)
Director of the Centre for Tropical Environmental and Sustainability Science (TESS)
Director of ALERT (ALERT-conservation.org)
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
Proteger o estoque natural de CO2 das florestas é vital para zerar as emissões
Mesmo que se consiga substituir os combustíveis fósseis por fontes renováveis, será praticamente impossível zerar as emissões de carbono até 2050 sem proteger o sistema natural de estocagem de CO2 das florestas tropicais, principalmente a Amazônia, pois são elas que detêm o maior estoque de CO2 do planeta.
O alerta foi feito pelo cientista Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e autor-líder de um capítulo do mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), na última quinta-feira (27/10), em uma palestra na conferência anual do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI).
Artaxo é um dos mais influentes pesquisadores do mundo na área de meio ambiente e mudanças climáticas, e está a caminho do Egito, onde participará da 27ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 27.
Segundo ele, vários estudos, de diferentes laboratórios do mundo, com estratégicas científicas distintas, apontam que as mudanças climáticas em curso que já estão próximas de um ponto sem volta, e que o desmatamento e a degeneração das florestas são alguns dos seus principais motores. “Daqui 10, 15 anos, as mudanças que se se instalarem é que determinarão como será o clima nos próximos séculos”, disse. E as conclusões dos estudos científicos mais recentes, apresentados por ele, não são boas.
A questão climática, segundo Artaxo, é complexa e seus fatores estão extremamente conectados uns com os outros. “Dois meses atrás, foi publicado um estudo mostrando que o que se faz aqui, na Amazônia, afeta criticamente a precipitação no Himalaia, que provê água para um 1,6 bilhão de pessoas. Portanto, isso mostra que a atmosfera é uma entidade única e tudo está conectado”, afirmou.
Na Amazônia, ponto de inflexão é a capacidade da floresta de se sustentar por si própria. O processo de transição, levado pelo desmatamento, mudança do clima, já alterou vários aspectos do seu ecossistema. Um deles é a fotossíntese, processo realizado pelas plantas para a produção de energia, no qual a captura de CO2 é essencial. “Sob o estresse de temperaturas mais elevadas, a quantidade de gás carbônico assimilada pela fotossíntese da floresta está diminuindo drasticamente”, disse.
O que está sendo observado em vários estudos, segundo Artaxo, é que o fluxo líquido de carbono da Amazônia está diminuindo. “Quando eu comecei os estudos na região, 30, 35 anos atrás, a Amazônia estava absorvendo 1.5 toneladas de carbono. Agora, esse fluxo é praticamente zero. É zero por causa, principalmente, da morte das árvores que está aumentando. E está aumentando por quê? Por causa do crescimento dos extremos do clima, do aumento da temperatura e da menor precipitação de chuvas.”
Enquanto na Sibéria, exemplifica ele, o sistema de captura e remoção de CO2 na atmosfera é muito dinâmico, com diferenças no inverno e no verão, na Amazônia e na floresta tropical da África o reservatório de CO2 é permanente. Ou seja, uma vez dispersado, o CO2 ficará permanentemente na atmosfera.
A temperatura do planeta tende a aumentar entre 3.3 graus Celsius e 4 graus Celsius, e o IPPC estima uma média 4 graus Celsius. “Mas a média da temperatura não diz nada, pois ninguém vive numa temperatura média. No Brasil, uma média de temperatura como essa significa que teremos temperaturas aumentadas em 6.6 graus. No Ártico, na Sibéria, na tundra canadense a elevação poderá ser e até 7 graus. Isso é um aumento imenso”, destacou.
Processo de desertificação — Outra mudança importante é sobre a precipitação de chuvas. “Muitas áreas do nosso planeta já estão começando a ficar muito mais secas, e uma delas é a área central do Brasil e a parte oriental da Amazônia, onde há decréscimo muito significativo da precipitação. Já a área mediterrânea da Europa (sul da Espanha, Portugal e Itália) está em processo acelerado de desertificação, assim como na América Central e na parte central dos EUA. “Isso traz um ingrediente crítico para a produção de alimentos. E não se trata de uma previsão para o futuro. Isso já está acontecendo.”
Ele destaca que o sistema de produção de alimentos é responsável por 32% das emissões globais de CO2, e nas próximas décadas as emissões estimadas desse setor indicam um aumento de 50%. “Como o planeta será capaz de produzir comida para 10 bilhões de pessoas e ao mesmo tempo alcançar o net-zero. Parando de comer? Então, basicamente, essa situação é muito mais do que uma questão de sistema de energia, estamos falando da necessidade de uma sociedade sustentável.”
‘Savanização’ da Amazônia — Segundo Artaxo, na Amazônia o desmatamento é cerca de 13.500 quilômetros quadrados por ano [dados de 2021]. E esse número tende a ser 27% maior em 2022. Essa mudança no ecossistema é crítica. “Um ponto de inflexão seria uma mudança de um ecossistema florestal para um tipo de savana, com 10% do carbono original estocado”, disse ele. Como nessa trajetória vários fatores têm influência, a pergunta que fica é: “Essa transição entre os ecossistemas será suave, abrupta, e será reversível? São questões críticas e nós ainda não temos uma resposta clara.”
A ciência, segundo ele, já tem alguma noção sobre a questão da reversibilidade. Áreas desmatadas na Amazônia há 40, 50 anos e que foram abandonadas voltaram a se regenerar, mas somente com 55% a 60% da biomassa original e com um terço da biodiversidade anterior.
Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) correlaciona o nível de precipitação, de árido para úmido, com a biomassa da Amazônia, da floresta da África e do sudeste da Asia. “As três florestas são surpreendentemente muitos diferentes, mas elas têm um padrão. Onde tem mais chuva, tem mais biomassa.”
Outro aspecto é que, entre as três florestas, a Amazônia é a que mais libera carbono pela perda da vegetação. “Estamos falando de cerca de 5,1% de carbono de um total de 120 bilhões de toneladas de carbono estocado.”
Ele lembra que a perda de carbono não está relacionada apenas às áreas desmatadas, pois as áreas próximas ao desmatamento são responsáveis por 36% das emissões de carbono na Amazônia.
Risco extremo — Segundo Artaxo, a maior parte da área da Amazônia está se tornando mais inflamável. Isso é expresso pelo déficit de pressão de vapor, que é a quantidade de água que as plantas soltam na atmosfera. “Também estamos observando mudanças significativas no ciclo hidrológico da Amazônia, com um crescimento na quantidade de quantidade de água nos rios da Amazônia nos últimos 120 anos. E se está crescendo, isso significa que menos água está sendo reprocessada pelo ecossistema.”
Outra mudança é no sistema de precipitação em cascata, que é, em síntese, quando a água vaporizada do oceano atlântico vai para a Amazônia e de lá para o restante do país, levando as chuvas necessárias às plantações. “Um estudo mostra que estaríamos próximos do ponto de inflexão se a precipitação for maior de 1 mil mililitros e se a temperatura for maior que 2.5 graus”, disse. “Outro estudo, de Carlos Nobre, traz uma estimativa que se houver um aumento de temperatura de 4 graus ou se houver um desmatamento de 40% do total das áreas de floresta, todas as áreas florestais remanescentes serão perdidas. E nós estamos no meio do caminho dessa previsão.”
Para Artaxo, o Brasil tem uma tremenda oportunidade, protegendo o estoque natural de carbono, de reduzir em 44% as emissões de carbono em cinco anos. É importante lembrar que, embora historicamente EUA e China sejam grandes emissores de CO2, o Brasil não está muito longe. Em 2021, o país foi o sétimo maior emissor em termos globais, o quarto em emissões per capita, e o sexto em emissões históricas. Apesar disso, na revisão dos acordos de meta de redução de emissões do ano passado, o Brasil foi o único país que aumentou as emissões permitidas.
“Nós temos um grande programa de biocombustível, que nenhum outro país tem; um grande potencial para absorver carbono, mas ao mesmo tempo várias vulnerabilidades, com um setor agrícola muito sensível ao clima, uma geração de energia por hidrelétricas, que depende da chuva, e 8,5 mil quilômetros de área de costa vulneráveis ao aumento do nível do mar.
Para analisar o presente e o futuro, é essencial olhar para o passado, disse Artaxo. Uma séria histórica mostra que ao logo de 500 milhões de anos o clima da terra oscilou muito, para mais quente ou mais frio, com períodos glaciais e interglaciais. “Nos últimos 10 milhões de anos, a terra permanece no período interglacial quente, que é onde estamos agora, e isso permitiu que a civilização humana prosperasse. Toda a vida na terra apareceu nos últimos 4 milhões de anos. E toda a vez que ocorreram extinções de espécies associadas ao clima, e isso ocorreu várias vezes, foram necessários milhões de anos para o ecossistema se recuperar. Então, qualquer dano, é muito difícil de ser recuperado, e isso deveria ser uma lição para nós”, destacou.
Segundo ele, análises dos últimos 800 mil anos mostram que a oscilação entre os períodos glaciais e interglaciais estão conectadas com os gases de efeito estufa e a temperatura global. O problema é que esse ciclo de oscilação está sendo rompido agora. “Nos últimos 60, 70 anos, a terra saiu deste ciclo, que vinha ocorrendo há 800 mil anos. Então, estamos trazendo a terra para fora desse sistema climático dinâmico, e não sabemos para onde estamos indo”, disse.
Informações do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), in EcoDebate, ISSN 2446-9394
Coisas que um cientista climático quer que os líderes mundiais saibam
Se a humanidade continuar em seu caminho atual, deixaremos um mundo mais quente e mortal para as crianças de hoje e todas as gerações futuras
Por André Rei*
Professor Sênior em Ciência do Clima, Universidade de Melbourne
Líderes mundiais e especialistas em clima estão se reunindo para conversas cruciais sobre mudanças climáticas das Nações Unidas no Egito. Conhecida como COP27, a conferência terá como objetivo colocar a Terra no caminho para emissões líquidas zero e manter o aquecimento global bem abaixo de 2℃ neste século.
O mundo deve descarbonizar rapidamente para evitar os danos mais perigosos das mudanças climáticas. Os líderes mundiais sabem disso. Mas esse conhecimento deve se transformar urgentemente em compromissos e planos concretos.
Se a humanidade continuar em seu caminho atual, deixaremos um mundo mais quente e mortal para as crianças de hoje e todas as gerações futuras.
A Terra precisa desesperadamente da COP27 para ter sucesso. Sou um cientista climático e acredito que os líderes mundiais deveriam ter essas três coisas em mente antes da conferência.
1. Nosso planeta está inegavelmente em crise
Até agora, a Terra aqueceu pouco mais de 1℃ em relação aos níveis pré-industriais, o que significa que já danificamos o sistema climático. Nossas emissões de gases de efeito estufa já fizeram com que o nível do mar subisse, o gelo do mar encolhesse e o oceano se tornasse mais ácido.
Eventos extremos nos últimos anos – particularmente ondas de calor – têm as impressões digitais das mudanças climáticas em todos eles. O calor recorde no oeste da América do Norte em 2021 viu grandes incêndios florestais e sobrecarregando a infraestrutura. E no início deste ano, as temperaturas no Reino Unido atingiram 40℃ mortais pela primeira vez registrada.
O oceano também sofreu uma sucessão de ondas de calor marinhas que branquearam os recifes de coral e reduziram a diversidade de espécies que eles hospedam. As ondas de calor vão piorar enquanto continuarmos aquecendo o planeta.
Assustadoramente, corremos o risco de levar o clima a um novo regime perigoso, trazendo consequências ainda piores. Pesquisas de setembro descobriram que estamos à beira de passar por cinco grandes “pontos de inflexão” climáticos, como o colapso da camada de gelo da Groenlândia. Passar por esses pontos irá bloquear o planeta em danos contínuos ao clima, mesmo que todas as emissões de gases de efeito estufa cessem.
A saúde humana também está em jogo. Pesquisas realizadas no mês passado revelaram que a crise climática está prejudicando a saúde pública por meio, por exemplo, da maior disseminação de doenças infecciosas, poluição do ar e escassez de alimentos.
Entre suas descobertas preocupantes, as mortes relacionadas ao calor em bebês com menos de um ano e adultos com mais de 65 anos aumentaram 68% em 2017-2021, em comparação com 2000-2004.
As gerações futuras não podem se dar ao luxo de hesitar em ações para reduzir as emissões.
2. A redução de emissões é muito lenta
Alguns países, particularmente na Europa, estão conseguindo reduzir as emissões de gases de efeito estufa por meio da transição para energia renovável.
Mas globalmente isso não está acontecendo rápido o suficiente. Um relatório da ONU esta semana descobriu que se as nações cumprirem suas metas de ação climática para 2030, a Terra ainda aquecerá cerca de 2,5 ℃ neste século – superando a meta do Acordo de Paris de manter o aquecimento global bem abaixo de 2 ℃.
Icebergs no oceano perto de um vale
A elevação do nível do mar devido ao derretimento da calota de gelo da Groenlândia é agora considerada inevitável. Foto AP/Mstyslav Chernov, Arquivo
Esse aquecimento seria desastroso , especialmente nas partes mais pobres do mundo que pouco contribuíram para as emissões globais.
Por décadas, o mundo tem falado em reduzir as emissões de dióxido de carbono. Mas as emissões globais anuais aumentaram mais de 50% na minha vida, e desde a primeira COP em 1992. A ONU adverte que ainda não há “nenhum caminho crível” para limitar o aquecimento a 1,5 ℃.
Até chegarmos perto de emissões líquidas zero, a quantidade de CO₂ em nossa atmosfera aumentará e o planeta aquecerá. Na nossa taxa atual, estamos aquecendo o planeta em cerca de 0,2 ℃ a cada década.
As emissões globais de dióxido de carbono
As emissões globais de dióxido de carbono permanecem próximas de recordes e quase quadruplicaram desde 1960. Global Carbon Project
3. A falta de progresso nas negociações climáticas globais deve terminar
Com tantos desafios que o mundo enfrenta, incluindo a invasão russa da Ucrânia e a crise do custo de vida, pode ser tentador ver as mudanças climáticas como um problema que pode esperar. Esta seria uma ideia terrível.
A mudança climática só vai piorar. Cada ano de atraso torna muito mais difícil impedir que as projeções climáticas mais perigosas se tornem realidade.
Somente esforços conjuntos de todas as nações evitarão a destruição de nossos ecossistemas mais sensíveis, como os recifes de coral. Devemos fazer tudo o que pudermos para impedir isso, abandonando os combustíveis fósseis. Qualquer novo desenvolvimento de combustível fóssil está apenas piorando o problema e custará muito mais à humanidade e ao meio ambiente no futuro.
E, no entanto, a Agência Internacional de Energia projetou na semana passada que a receita líquida dos produtores de petróleo e gás dobrará em 2022 “para US$ 4 trilhões sem precedentes”, um ganho inesperado de US$ 2 trilhões.
Não podemos, como a ativista climática Greta Thunberg disse, apenas ter mais “ blá, blá, blá ” dos líderes mundiais na COP27 – precisamos de ações concretas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
E agora?
A COP27 deve levar a uma rápida transição dos combustíveis fósseis, sem incluir novos desenvolvimentos de combustíveis fósseis, e mais apoio aos países que lidam com os maiores impactos das mudanças climáticas. Devemos estar em um caminho confiável para alcançar emissões líquidas globais zero nas próximas décadas.
A falta de progresso nas negociações climáticas globais anteriores significa que não estou otimista de que a COP27 alcançará o que é necessário. Mas espero que os líderes mundiais provem que estou errado e não decepcionem suas nações.
Henrique Cortez *, tradução e edição.
* Este artigo foi publicado originalmente no site The Conversation e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original em inglês: https://theconversation.com/3-things-a-climate-scientist-wants-world-leaders-to-know-ahead-of-cop27-193534
in EcoDebate, ISSN 2446-9394
Guia “Cuidando das árvores da floresta” é um convite para o setor financeiro aderir ao combate ao desmatamento
Iniciativa do WWF-Internacional, o documento serve como referência para empresas da área financeira se engajarem em uma economia mais verde
Diante dos sucessivos índices de desmatamento no mundo, é natural chamar as empresas à responsabilidade pela preservação do meio ambiente e da natureza. Mas o guia prático “Cuidando das árvores da floresta” vai além.
Dá um passo importante em direção às instituições financeiras, convidando-as a empreender ações contra os riscos de desmatamento e de conversão de vegetação nativa. Iniciativa do WWF, o guia mostra de que forma os ecossistemas do planeta sustentam o sistema econômico.
Estima-se que mais da metade do PIB mundial é altamente dependente da natureza e de seus serviços, que são fundamentais para limitar o aquecimento global a 1,5°C.
Por isso, o estudo destaca o papel do setor financeiro na sustentação do sistema econômico, citando os principais riscos, como: perdas, a partir do desmatamento, para os negócios e para as instituições financeiras que os apoiam e impacto financeiro de medidas políticas, litígios e mudanças nas preferências dos consumidores.
O guia não se prende aos riscos, mas cita as possibilidades de investimentos – algumas se adequam ao modelo brasileiro de negócios. Entre as oportunidades estão:
Títulos verdes: instrumentos de renda fixa voltados à captação de recursos para projetos que ofereçam benefícios ambientais;
Investimento de impacto: carteiras de ações ou títulos nos quais os fatores socioambientais são fundamentais para o investimento;
Produtos de seguros inovadores: ofertas de seguros que facilitam a gestão de riscos para promover a sustentabilidade ambiental;
Empréstimos vinculados à sustentabilidade: instrumentos de empréstimo que vinculam suas condições ao desempenho do mutuário em relação a um conjunto de objetivos de sustentabilidade previamente determinados.
O guia aborda também o que é considerado positivo em termos de desenvolvimento sustentável para o setor financeiro não apenas para a organização como também para seus clientes e parceiros.
Os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos ao redor do globo, como também no Brasil e na América Latina. Portanto, o que em um passado não muito distante era considerado predição sombria, hoje é sentido em diversos setores.
Segundo Fabrício de Campos, especialista em Finanças Verdes do WWF-Brasil, é imprescindível manter o aquecimento global ao máximo em 1,5 graus para evitar riscos sistêmicos sobre a natureza, as pessoas, a economia e o mercado financeiro.
“O Brasil tem uma importante contribuição e um compromisso com a comunidade global: acabar com o desmatamento e a conversão da vegetação nativa, nossa maior contribuição para as emissões de gases de efeito estufa. O setor financeiro brasileiro tem uma importante missão nessa agenda que é eliminar o desmatamento de seu portfólio e desenvolver produtos financeiros verdes para reverter a curva de degradação ambiental no uso do solo no Brasil”, explica Fabrício de Campos.
“Portanto, está publicação é um guia prático com cinco passos concretos, além de casos e exemplos, para ajudar instituições financeiras no caminho rumo ao desmatamento e conversão zero”, conclui. O relatório fornece ainda dicas de fontes que podem servir de referência nesse processo de transição para empresas do setor que querem ser mais sustentáveis.
Para conferir o documento na íntegra, clique aqui: Link
Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 26 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática.
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