Blog com notícias de Ecologia atualizado diariamente. Publica notícias de outros blogs similares, ONGs, instituições ambientalistas, notícias jornalísticas e oficiais, fotos, críticas, poemas, crônicas, opiniões. A FONTE e o AUTOR são rigorosamente citados sempre.
quarta-feira, 6 de julho de 2022
Festival de cinema inédito no Brasil convida o espectador a uma mudança de hábitos e defende a bicicleta como meio sustentável de transporte
Exibições de filmes inéditos e clássicos produzidos na França, Holanda, Portugal, Inglaterra, Suécia, Itália, Alemanha e Brasil
“Pensar global, agir local”. A partir dessa máxima nasceu o CINE BIKE – Festival Internacional de Cinema e Mobilidade Urbana, que o Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília realiza de 19 a 31 de julho, com exibições de filmes ao ar livre e no cinema, mostra virtual, oficinas, debates, passeio ciclístico e várias atividades educativas. A ideia é propor a reflexão e a tomada de consciência ambiental em nome da sustentabilidade, investindo na educação, na informação e no divertimento.
A abertura será às 19h30 do dia 19 de julho, com a exibição de “O garoto e a bicicleta”, primeiro filme dirigido por Ridley Scott em 1965 (com o irmão Tom Scott no elenco) e da produção inédita portuguesa “A alma de um ciclista”, dirigida por Nuno Tavares. CINE BIKE conta com o patrocínio do Banco do Brasil. Todas as atividades têm entrada franca.
Ao longo de duas semanas, serão exibidos filmes inéditos sobre mobilidade urbana realizados por diretores independentes de várias partes do mundo, clássicos do cinema que têm a bicicleta como um elemento relevante da narrativa, ficções, animações e títulos especialmente selecionados para o público infantil.
Grande parte das atividades acontecerá ao ar livre, fazendo um convite a pessoas de todas as idades. Estão na programação exibições em telão especialmente montado para o evento nos jardins do CCBB e numa tela de LED dedicada à programação infantil; passeio ciclístico contando com o apoio do Detran-DF; atividades educativas para crianças (como aprender a andar de bicicleta, por exemplo); área para food-bikes e várias outras ações.
E ainda palestras com nomes de ponta do pensamento sobre mobilidade urbana no Brasil e em Brasília, oficinas de manutenção básica para pequenos consertos de bicicletas, lançamento de livro, painel de debates e muito mais. Um grande evento de cinema, mas também um fórum de discussão, tendo a bicicleta como protagonista, dentro e fora da tela. A curadoria é do professor e crítico de cinema Sérgio Moriconi.
O Festival
Pela tela do CINE BIKE será possível assistir a filmes produzidos na França, Holanda, Portugal, Grã-Bretanha, Suécia, Itália, Alemanha e Brasil, em diferentes épocas do século XX e XXI. São títulos como “Carrossel da Esperança”, de 1949, comédia escrita e protagonizada por Jacques Tati; o premiado holandês “Porque pedalamos”; a célebre animação As Bicicletas de Belleville; o clássico italiano “Ladrões de Bicicleta”, de Vittorio de Sica; a produção inédita portuguesa “A alma de um ciclista”, de Nuno Tavares; e o sueco “Bikes vs Carros”, de Fredrik Gertten.
Também integram a programação a comédia francesa “Pânico na cidade”, de Yann Le Quellec; o curioso “Velotopia”, do francês Erik Fretel; o histórico “Meu segredo italiano”, do italiano Oren Jacoby, e a produção alemã “O quadro invisível”, de Cynthia Beatt, além de “A Rainha bicicleta”, de Laurent Védrine, o brasileiro “A volta em Minas”, a produção brasiliense “No rastro das cargueiras”, dentre muitos outros.
Entre os curtas, destaque para a produção cubana “As bicicletas de Havana” ( filme gentilmente cedido pela Kauri Multimedia); o delicioso “Os pivetes”, primeiro filme dirigido por François Truffaut; o norte-americano “Todos os corpos na Bike”, tratando de inclusão; o holandês “Mama Agatha” e o clássico de Jacques Tati, “Escola de carteiros”. As exibições terão entrada franca, mediante reserva de ingresso.
No primeiro final de semana do festival, atividades ao ar livre voltadas para crianças e adultos ensinarão a andar de bicicleta, fazer pequenos consertos e melhorar as bikes, além de oferecer dicas sobre pedalar em segurança, com participação de representantes do Detran-DF e do projeto Bike Anjo. Também haverá o lançamento do livro infantil “Pedalar é suave”, uma iniciativa da ONG Rodas da Paz, escrito por Josi Paz, inspirado na história do ciclista, sociólogo e ativista Raul Aragão, voluntário da ONG Rodas da Paz, que foi atropelado e morto, em 2017, na L2 Norte, quando voltava da Universidade de Brasília.
Nos dias 21, 27 e 28, os ‘Encontros Cine Bike’ vão reunir especialistas e usuários de bicicleta para debater sobre “Os avanços dos planos de mobilidade urbana no Brasil”, “A bicicleta como meio de locomoção e liberdade para pessoas com deficiência” e “Ruas e cidades humanizadas – Slowmovement”. Estarão reunidos representantes de entidades relevantes para a área, como a União dos Ciclistas do Brasil e a ONG Rodas da Paz, grande parceira do festival.
De 29 a 31 de julho, o Cine Bike promove a Mostra online, com exibição de 05 títulos selecionados da programação. Os filmes serão disponibilizados para acesso no site do evento, através da plataforma VIMEO no site do festival : www.cinebikebrasil.com.br. Cada título ficará acessível durante 24 horas. A intenção é ampliar ainda mais o alcance e a mensagem do festival. Estão no programa os longas “A alma de um ciclista”, de Nuno Tavares (Portugal, 2021) e “Bike vs Carros”, de Fredrikn Gertten (Suécia, 2015), e os curtas-metragens “O porta-voz” (Austrália, 2013), “Todos os corpos na bike” (EUA, 2020) e “Explorando as ruas de Estocolmo” (Suécia, 2014).
E no dia 30 de julho, fechando a programação presencial do festival, ciclistas de todas as idades serão convidados a participar de um Passeio ciclístico, saindo ( 9h) e retornando ao CCBB Brasília, cumprindo um total de cerca de 6 km de percurso. O passeio contará com o apoio do DETRAN e, ao final, os participantes serão convidados a permanecer no CCBB para uma grande festa junina.
Um festival que deseja atuar por um mundo mais solidário e cidadão, unindo o amor pelo cinema ao prazer de andar de bicicleta. Um espaço para o diálogo sobre o uso de energias renováveis e a utilização da bicicleta como alternativa saudável, limpa e econômica nas cidades brasileiras.
Cine Bike é uma produção da Objeto Sim Projetos Culturais, realização do Centro Cultural Banco do Brasil e conta com o apoio do DETRAN-DF, Embaixadas da Itália, Países Baixos, França, Suécia e Portugal e da ONG Rodas da Paz.
Programação
19/07 – TERÇA-FEIRA
TEATRO
19h30 – Abertura: O garoto e a bicicleta (27’, Ridley Scott, 1965). Livre + A alma de um ciclista (74’, Nuno Tavares, 2021). Livre
*Apresentação da sessão pelo curador Sérgio Moriconi, distribuição de cartazes colecionáveis. Intérprete de libras
20/07 – QUARTA-FEIRA
CINEMA
18h00 – Pânico na cidade (38’, Yann Le Quellec, 2014) + A volta em Minas (21’, Fernando Biagioni, 2021). Livre
20h00 – Bike vs Carros (91’, Fredrik Gertten, 2015). 12 anos
21/07 – QUINTA-FEIRA
CINEMA
18h00 – No rastro das cargueiras (71’, Carol Matias, 2020). 12 anos.
Sessão com a presença da diretora.
20h00 – O garoto da bicicleta (87’, Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, 2011). 14 anos
22/07 – SEXTA-FEIRA
CINEMA
18h00 – Ladrões de bicicleta (93’, Vittorio de Sica, 1948). 12 anos
20h00 – Velotopia (52’, Erik Fretel, 2012). 12 anos
23/07 – SÁBADO
ÁREA EXTERNA
9h30 às 12h00 – Atividades educativas realizadas pelo DETRAN-DF.
Intervenção artística com repentistas, mímicos, bonecos e apresentação teatral. Acesso Livre
10h00 às 12h00 – Oficina de mecânica básica. A oficina pretende ensinar como se virar no caso de um pequeno incidente com a bicicleta, como por exemplo trocar um pneu, remendar, ajustar a corrente, ajuste de freios, entre outros.
15h00 – Oficina “Pedalando com a Bike Anjo”. Atividade para ensinar crianças, jovens e adultos a andarem de bicicleta. Inscrições prévias.
ÁREA EXTERNA – TELA DE LED – VÃO CENTRAL DO CCBB
16h00 – Sessão infantil: Um, dois, árvore (7’, Yulia Aronova, 2014) + A bicicleta do elefante (9’, Olesya Shchukina, 2014) + Escola de Carteiros (15’, Jacques Tati, 1947) + Ciclo (2’15, Sophie Olga de Jong e Sytske Kok, 2019) + Pedalando com Molly (1’46’, Sara Chia-Jewel, 2021) + Ernest e Célestine no inverno (48’, Julien Chheng e Jean-Christophe Roger). Livre
CINEMA
15h30 – Pedalar é suave, de Flora Gondim (26’30, Flora Gondim, 2018) + Lulu vai de bike (15’, Edson Fogaça, 2019)
*Sessão seguida de debate com Saulo Dal Pozzo (editor do filme Pedalar é suave), Edson Fogaça e Luiza Davison (protagonista do filme Lulu vai de bike)
17h00 – Meu segredo italiano (92’, Oren Jacoby, 2014). 12 anos.
ÁREA EXTERNA – TELÃO
18h30 – Porque pedalamos (60’, Gertjan Hulster e Arne Gielen, 2020). Livre
24/7 – DOMINGO
ÁREA EXTERNA
10h00 às 12h00 – Lançamento do livro infantil “Pedalar é suave”, uma iniciativa da ONG Rodas da Paz, escrito por Josi Paz, com a presença do ilustrador, Pedro Sangeon.
– Atividades educativas realizadas pelo DETRAN-DF.
Intervenção artística com repentistas, mímicos, bonecos e apresentação teatral. Acesso Livre
– 11h00 às 12h00 – Oficina “Como melhorar a sua bicicleta” com o ciclista e terapeuta Marcelo Ribeiro. Área externa do CCBB. Inscrições prévias.
15h00 – Oficina “Pedalando com a Bike Anjo”. Atividade para ensinar crianças, jovens e adultos a andarem de bicicleta. Inscrições prévias.
CINEMA
15h00 – Elo Perdido – o Brasil que pedala (30’, Renata Falzoni, 2019) + Explorando as ruas de Estocolmo (13’, Clarence Eckerson Jr., 2014). Livre
17h00 – A rainha bicicleta (52’, Laurent Védrine, 2013). Livre
ÁREA EXTERNA – TELÃO
18h30 – As bicicletas de Belleville (80’, Sylvain Chomet, 2004). 10 anos
26/07 TERÇA-FEIRA
CINEMA
18h00 – O Caminho das nuvens (85’, Vicente Amorim, 2003). 14 anos
20h00 – O Sonho de Wadjda (97’, Haifaa Al Mansour, 2012). 12 anos
27/07 QUARTA-FEIRA
CINEMA
18h00 – As pernas de Amsterdam (13’, Wytse Koetse, 2015) + A alma de um ciclista (74’, Nuno Tavares, 2021). Livre
20h00 – Carrossel da esperança (86’, Jacques Tati, 1949). Livre
28/07 QUINTA-FEIRA
CINEMA
18h00 – As bicicletas de Havana (6’, Ian Clark e Diego Vivanco, 2014) + Todos os corpos na bike (13’21’, Zeppelin Zeerip, 2020) + Mama Agatha (16’, Fado Hindash, 2015) + Pai e filha (8’, Michael Dudok de Wit, 2000). 10 anos
20h00 – A rainha bicicleta (52’, Laurent Védrine, 2013). Livre
29/07 – SEXTA-FEIRA
CINEMA
16h30 – Curtas clássicos: Os pivetes (18’, François Truffaut, 1957) + Escola de Carteiros (15’, Jacques Tati, 1947) + O garoto e a bicicleta (27’, Ridley Scott, 1965). 12 anos
18h00 – O porta-voz (13’, Dean Saffron, 2013) + O homem que vivia em sua bicicleta (3’, Guillaume Blanchet, 2012) + Circulando pelo enquadramento (17’, Cynthia Beatt, 1988). 12 anos
20h00 – O quadro invisível (60’, Cynthia Beatt, 2009). 14 anos
30/07 – SÁBADO
ÁREA EXTERNA
09h00 – PASSEIO CICLÍSTICO – ENCERRAMENTO DA PROGRAMAÇÃO PRESENCIAL DO CINE BIKE – saindo e retornando ao CCBB Brasília. O passeio contará com o apoio do DETRAN.
ENCONTROS CINE BIKE
CINEMA
Dia 21/07
15h30 às 17h00 – “Os avanços dos planos de mobilidade urbana no Brasil”.
Com: Ana Luiza Carboni (União dos Ciclistas do Brasil), Joyce Ibiapina (Bike Anjo) e Cristina Rego de Queiroz (arquiteta e urbanista)
Dia 27/07
15h30 às 17h00 – “A bicicleta como meio de locomoção e liberdade para pessoas com deficiência”.
Com: Júlia Maia (ciclista), Cláudio Civati (representante paraciclismo no DF, Hevelym de Freitas Pereira do (representante do DV na trilha), com mediação de Uirá Lourenço (Criador do blog Brasília para Pessoas. Perfil no face/insta: @brasiliaparapessoas) Encontro com intérprete de libras.
Dia 28/07
15h30 às 17h00- “Ruas e cidades humanizadas – Slowmovement”.
Com: Renata Aragão (Coordenadora Geral da ONG Rodas da Paz), Ana Júlia Pinheiro (Idealizadora da campanha “Paz no Trânsito” de Brasília), e Bruno Amaral, arquiteto e urbanista, coordenador de Mobilidade Ativa na Secretaria de Transporte e Mobilidade do DF. Mediação de Uirá Lourenço (criador do blog Brasília para pessoas. Perfil no face/insta: @brasiliaparapessoas).
MOSTRA DE FILMES ONLINE
De 29 a 31 de julho
SITE www.cinebikebrasil.com.br
*Cada filme ficará disponível para visualização por 24 horas.
29/7 – A alma de um ciclista (74’, Nuno Tavares, 2021)
30/7 – Bike vs Carros (91’, Fredrik Gertten, 2015)
31/7 – Sessão curtas: O porta-voz (13’, Dean Saffron, 2013) + Explorando as ruas de Estocolmo (13’, Clarence Eckerson Jr., 2014) + Todos os corpos na bike (13’21’, Zeppelin Zeerip, 2020)
SINOPSES
A ALMA DE UM CICLISTA
Doc, Portugal, 2021, 74min, Livre
Direção: Nuno Tavares
Sinopse: Através de um grupo de ciclistas “clássicos” e do seu interesse comum pela bicicleta clássica, vamos descobrir valores que estão se perdendo na sociedade moderna, como a importância da amizade, da ecologia, da valorização do antigo, da rejeição ao consumismo e de outras premissas importantes para atingir uma vida mais feliz, mais simples e mais preenchida com o que realmente importa. Neste documentário, as bicicletas nos transportam para a descoberta e reflexão de um outro estilo de vida, de novas relações pessoais, cheias de humanismo, antítese da sociedade “virtual” em que vivemos, muitas vezes feita apenas de aparências.
A RAINHA BICICLETA (LA REINE BICYCLETTE)
Doc, França, 2013, 52min, 14 anos
Direção: Laurent Védrine
Sinopse: Amplamente adotada pelos franceses no dia seguinte ao seu surgimento, no final do século 19, a bicicleta moderna é equipada com pneus, freios, pedais e corrente. Inicialmente uma atividade de lazer para os ricos, rapidamente se democratizou graças à segunda revolução industrial, que a tornou um produto acessível para as classes populares. A bicicleta virou sinônimo de revolução social. Em 1903, a criação do Tour de France transformou o ciclismo em esporte profissional muito popular, o que permitiu a jovens proletários fazerem carreira. O período pós-guerra marcou um declínio acentuado do ciclismo, em virtude da preferência dos franceses pelo automóvel. O carro para todos se transformou num dos credos dos “Trente Glorieuses”. Foi somente em maio de 1968 e com o nascimento da ecologia que a bicicleta experimentou um retorno. O filme apresenta a história social e política da relação dos franceses com a bicicleta, de 1890 aos dias atuais, entre a modernidade, as lutas sociais e a ecologia política.
A VOLTA EM MINAS
Doc, Brasil, 2021, 21min, Livre
Direção: Fernando Biagioni
Com: Fernando Biagioni
Sinopse: A turma do site Bikepacking Brasil (Fernando e Marcelo) embarcou em fevereiro de 2021 em uma viagem de bicicleta através de Minas Gerais. Do extremo norte ao extremo sul do estado, os dois percorreram quase 1500km em 14 dias. O filme apresenta um registro lindo dessa aventura, que emociona quem ama andar em duas rodas. Atravessar Minas Gerais de bicicleta era um sonho antigo que Fernando compartilhava com seu amigo Marcelo. Constantemente conversavam sobre as possibilidades de abrir o que chamava de “nosso quintal” e fazer um filme. Fernando comprou um mapa do estado, pendurou-o na sua sala de estar e, olhando para ele todos os dias, imaginou perspectivas, cenários, pesquisou regiões, características geográficas, terreno, clima e iniciou sua jornada ao lado do amigo Marcelo.
A BICICLETA DO ELEFANTE (THE ELEPHANT AND THE BICYCLE)
Animação, Bélgica/França, 2014, 9min, Livre
Direção: Olesya Shchukina
Sinopse: Um elefante vive na cidade entre pessoas normais e trabalha como varredor. Um dia, ele vê um enorme quadro de avisos que anuncia uma bicicleta que parece ser perfeita para seu tamanho. A partir deste minuto, a vida do elefante muda: ele quer ter a todo o custo aquela bicicleta! Mas quando tudo fazia parecer que ele finalmente iria realizar o seu sonho, o destino lhe prega uma peça. Essa linda animação ajuda as pessoas a verem que muitos indivíduos fazem coisas para outras, e essas pessoas são generosas e solidárias.
AS BICICLETAS DE BELLEVILLE (LES TRIPLETTES DE BELLEVILLE)
Animação, França, 2004, 80min, 10 anos
Direção: Sylvain Chomet
Sinopse: Champion (Michel Robin) é um menino solitário, que só sente alegria quando está em cima de uma bicicleta. Percebendo a aptidão do garoto, sua avó começa a incentivar seu treinamento, para fazê-lo um verdadeiro campeão e poder participar da Volta da França (Tour de France), principal competição ciclística do país. Porém, durante a disputa, Champion é sequestrado. Sua avó e seu cachorro Bruno partem então em sua busca, indo parar em uma megalópole localizada além do oceano, chamada Belleville. O filme tem um humor muito particular, elegante, de gags inventivas, de pouco ou nenhum diálogo, mas sempre muito crítico. Um humor ala Monsieur Hulot, a criação mais célebre do francês Jacques Tati.
AS BICICLETAS DE HAVANA (HAVANA BIKES)
Cuba, 2014, 6min, 10 anos
Direção: Ian Clark e Diego Vivanco
Sinopse: Os mecânicos de bicicleta da capital cubana têm ajudado a manter viva a cultura da bicicleta, apesar da dificuldade de encontrar as peças necessárias, permitindo que milhares de cidadãos usem diariamente esse meio de transporte. E mais: a situação provoca invenções próprias, como os ônibus-bicicleta, caminhões-bicicleta e táxi-bicicleta que fazem parte do transporte público da cidade e têm se convertido num símbolo da capital cubana. Um “mecânico de bicicletas” de Havana chega a consertar, em apenas em um dia, até 50 bicicletas. O filme rendeu aos diretores o Prêmio do Júri na quarta edição do Bike Short Film Festival.
AS PERNAS DE AMSTERDAM (DE BENEN VAN AMSTERDAM)
Doc, Holanda, 2015, 13min, 10 anos
Direção: Wytse Koetse
Sinopse: Retrato dos reparadores de bicicletas mais autênticos de Amsterdã. No ritmo acelerado do dia a dia da capital holandesa, Frans van der Meer dirige sua loja de bicicletas de 90 anos como um dos reparadores de bicicletas mais legítimos da cidade. Frans não apenas conhece seu ofício, mas também abriga um pedaço da velha Amsterdã, onde a cidade é como uma vila, onde os vizinhos são como uma família e as bicicletas são como pernas. O filme foi vencedor do Goldene Kurbel no Festival Internacional de Cinema de Ciclismo em 2015, muito em função da variedade de cenas de trabalho que ele captura, como também da visão que dá do conhecido “bairro de ciclismo” de Amsterdã.
BIKES VS CARROS
Doc, Suécia, 2015, 91min, 12 anos
Duração: Fredrik Gertten
Sinopse: Em tempos de uma crise generalizada, é necessário relacionar algumas discussões no que tange ao clima, recursos naturais e cidades. A indústria automobilística cresce desenfreadamente. Ciclistas militantes buscam mudanças radicais na mobilidade das grandes cidades. As diferenças do uso de bicicletas e de carros são gritantes na comparação entre algumas cidades, como São Paulo e Copenhague. Os carros atropelam pedestres e ciclistas em todos as partes do globo todos os dias, poluem o meio ambiente, provocam doenças respiratórias, principalmente em crianças e idosos, contribuem para o aquecimento do planeta — para ficar apenas nessa meia dúzia de problemas graves — e ainda assim continua havendo todo um sistema que os apoia e que impulsiona o crescimento desenfreado deles até o dia em que tudo entrará em colapso.
CARROSSEL DA ESPERANÇA (JOUR DE FÊTE)
Comédia, França, 1949, 86min, Livre
Direção: Jacques Tati
Sinopse: Em uma aldeia da França, um cinema é instalado. Um filme norte-americano sobre o serviço postal do país está passando. François, o antiquado carteiro do lugar, se esforça em aprender com os americanos como modernizar o serviço postal de sua cidade. François (Jacques Tati) é sabidamente um carteiro francês distraído e frequentemente interrompe suas tarefas para conversar com os habitantes da pequena cidade onde vive. Ele observa atenciosamente Marcel (Paul Frankeur) e Roger (Guy Decomble) montarem sua feira. Nos dias que se seguem à projeção do filme, François inicia uma nova jornada em sua bicicleta.
CICLO (CYCLE)
Animação, Holanda, 2019, 2min15seg, Livre
Direção: Sophie Olga de Jong e Sytske Kok
Sinopse: Uma pequena história contada como se fosse um ciclo em espiral sobre uma menina que aprende a andar de bicicleta com seu avô e descobre que é onde a estrada termina que começa a verdadeira aventura. Este delicado e extraordinário pequeno filme participou de alguns dos principais festivais mundiais do gênero, entre eles, Nederlands Film Festival, ChildrenFilm Festival Seattle, Anima Brussels, Anima Mundi, Cinanima (Portugal/Espanha).
CIRCULANDO PELO ENQUADRAMENTO (CYCLING THE FRAME)
Doc/Ensaio, Alemanha, 1988, 17min, 12 anos
Direção: Cynthia Beatt
Elenco: Tilda Swinton
Sinopse: Em 1988, a atriz Tilda Swinton percorreu o Muro de Berlim de bicicleta, acompanhada pela cineasta Cynthia Beatt. Começando e terminando no Portão de Brandemburgo, ela nos leva a uma jornada ao mesmo tempo idílica, surreal, caprichosa e deprimente. Enquanto viaja por campos e bairros históricos, o Muro é uma presença constante na paisagem. Mas Swinton não é uma turista passiva. Ela provocativamente tira uma Polaroid de uma torre de guarda da Alemanha Oriental e acena a foto para os guardas, faz uma pausa para colher ervas finas sob os olhos de outra torre e recita poesia. “Cycling the frame” é um documento histórico fascinante, sobretudo quando pensamos que o Muro – aparentemente tão sólido e permanente – seria rompido apenas um ano depois e desapareceria.
ELO PERDIDO – O BRASIL QUE PEDALA
Doc, Brasil, 2019, 30min, Livre
Direção: Renata Falzoni
Sinopse: Em um Brasil cada vez mais motorizado, onde carros e motos são tidos como prioridade nas ruas, milhares de brasileiros permanecem dando preferência à utilização de bicicletas como principal meio de locomoção. Mais do que uma simples escolha, a alternativa reflete um momento peculiar do país, além de levantar reflexões a respeito da crescente industrialização. Aproveitando o tema atualíssimo da mobilidade, o novo documentário de Renata Falzoni vem a calhar. Falzoni é uma das primeiras mulheres a se dedicar ao jornalismo esportivo, fotógrafa, videorrepórter, bike repórter, cicloativista e também uma das pioneiras na valorização do uso da bicicleta no Brasil.
ESCOLA DE CARTEIROS
Ficção, França, 1947, 15min, Livre
Direção: Jacques Tati
Sinopse: Em 1943, Jacques Tati refugia-se numa aldeia no centro da França. Tornando-se próximo desta extraordinária comunidade, decide fazer seus primeiros filmes ali. “Escola de Carteiros” e “Há Festa na Aldeia” (Carrossel da Esperança) têm a mesma personagem do carteiro acrobático que sonha fazer a sua distribuição mais rápida do que os carteiros americanos. Dono de um senso de tempo e espaço aguçado, Tati concebia com precisão geométrica seus cenários em tom bem-humorado, ironizando certos absurdos sociais impostos em nome da modernidade. No curta “Escola de Carteiros”, primeiro filme que dirigiu (1947), o atrapalhado carteiro tenta fazer seu trabalho da maneira mais eficiente possível, apesar de sua “bicicleta rebelde”.
EXPLORANDO AS RUAS DE ESTOCOLMO (EXPLORING THE STREETS OF STOCKHOLM)
Doc, Suécia, 2014, 13 min, Livre
Direção: Clarence Eckerson Jr.
Sinopse: O filme mostra Estocolmo como uma cidade para pessoas e as ações voltadas para o transporte ativo: caminhadas e bicicletas. Também aborda a política para zerar os acidentes com mortes, a chamada “vision zero”.
LADRÕES DE BICICLETA
Drama, Itália, 1948, 93min, 12 anos
Direção: Vittorio de Sica
Sinopse: Desempregado, Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani) está eufórico quando finalmente encontra trabalho colocando cartazes pela cidade de Roma, destruída pela guerra. Sua esposa Maria (LianellaCarell) vende os lençóis da família para resgatar a bicicleta de Antonio da loja de penhor, para que ele possa aceitar o trabalho. Porém, o desastre ataca, quando a bicicleta de Antonio é roubada. O filme se passa na Itália durante o período pós-guerra, sendo um dos exemplos do neorrealismo italiano. Foi um dos primeiros longas-metragens a vencer o Oscar de melhor filme estrangeiro.
LULU VAI DE BIKE
Docudrama, Brasil, 2019, 15min, 12 anos
Direção: Edson Fogaça
Sinopse: É o aniversário de Lulu e ela tem um compromisso no outro lado da cidade. Seus avós querem buscá-la de carro, mas ela prefere ir de bicicleta! No caminho, ela encontra amigos e conhece pessoas, o que a faz chegar atrasada ao evento. Lulu é Luisa Davidson, filha do biólogo Pedro Davison, que morreu atropelado aos 25 anos, enquanto pedalava em Brasília, em 19 de agosto de 2006. Em homenagem a Pedro foi aprovada a Lei 13.508/2017, que celebra o Dia Nacional do Ciclista. Em 15 minutos, o filme mostra Lulu fazendo um trajeto em Brasília numa bicicleta de aluguel com destino à celebração da passagem do pai e do aniversário dela. O local escolhido é o mesmo Eixão Sul, local do atropelamento. Ela reúne-se com amigos e família para depositar flores junto à Ghost Bike que foi colocada no local como forma de lembrar a tragédia.
MAMA AGATHA
Doc, Holanda/Jordânia, 2015, 16min, Livre
Direção: Fado Hindash
Sinopse: Agartha Frimpong, apelidada de Mama Agatha, é uma ganense de 59 anos que dirige um programa de treinamento em bicicleta para mulheres migrantes e refugiadas no sul de Amsterdã. Uma ‘mãe comunitária’ com uma personalidade grandiosa, ela ensina a um grupo de mulheres do Paquistão, Marrocos, Somália, China e outros lugares uma das habilidades holandesas mais básicas: andar de bicicleta. O curso de verão da Mama Agatha termina com uma colorida cerimônia de formatura, onde as mulheres migrantes recebem seus diplomas e saem para as ruas de Amsterdã em suas bicicletas novas. Premiado em diversos festivais, este pequeno documentário acompanha Mama Agatha e seus alunos, ao longo de 12 semanas, em sua jornada desde os primeiros passos com a bicicleta até a formatura.
MEU SEGREDO ITALIANO (MY ITALIAN SECRET: GLI EROI DIMENTICATI)
#Envolverde
Coalizão Brasil apresenta proposta para a regulamentação da Política Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais a deputados
Encontro na Câmara contará com representantes das frentes parlamentares Ambientalista e da Agropecuária, além de depoimentos sobre experiências com PSA no Maranhão e na Mata Atlântica
A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura vai realizar, na próxima quinta-feira (7), um café da manhã na Câmara dos Deputados, das 8h30 às 10h30, no Salão Freitas Nobre (subsolo do Anexo IV). O objetivo é apresentar aos parlamentares a nota técnica, elaborada pela Coalizão Brasil, com 10 propostas para a regulamentação da Lei 14.119/2021. Os interessados em comparecer ao evento devem preencher um formulário, disponível aqui.
José Carlos da Fonseca, cofacilitador da Coalizão, fará a abertura do evento, seguido por pronunciamentos de deputados federais envolvidos com a agenda agroambiental – Rodrigo Agostinho (PSB-SP) e Camilo Capiberibe (PSB-AP), da Frente Parlamentar Ambientalista, e Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), da Frente Parlamentar da Agropecuária.
Em seguida, a proposta da Coalizão será apresentada por Erika Pinto, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e colíder da Força-Tarefa (FT) PSA. Em outro bloco, as contribuições do movimento serão complementadas pela colíder da FT, Ana Tulia de Macedo, coordenadora de Relações Governamentais da Natura & Co, que trará a visão do setor privado, e pelo advogado Tácito Matos, que abordará o viés jurídico e tributário.
O encontro será encerrado por narrativas de experiências com PSA no Maranhão e na Serra da Mantiqueira (Mata Atlântica), feitas respectivamente por Marco Antonio Fujihara, coordenador-executivo do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, e Rubens Benini, líder de Florestas e Restauração da The Nature Conservancy (TNC) na América Latina.
A Lei 14.119/2021 institui a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, o Cadastro Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (CNPSA) e o Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais (PFPSA). A Coalizão entregou sua nota técnica e uma minuta de decreto para regulamentação do PSA para diversos órgãos do governo a partir do dia 15 de junho, iniciando pelo Ministério do Meio Ambiente, responsável pela implementação da agenda.
Os serviços ambientais são aqueles gerados por atividades humanas que favorecem a manutenção, a recuperação ou a melhoria dos serviços ecossistêmicos (ciclo de nutrientes, formação dos solos, controle natural de pragas e doenças, polinização, equilíbrio climático, disponibilidade de recursos hídricos, entre outros). Manter a integridade dos ecossistemas, preservar a biodiversidade, frear o desmatamento, plantar árvores, reduzir o uso de agrotóxicos, recuperar a qualidade da água e dos solos e manejar de forma sustentável os recursos naturais são exemplos de ações provedoras de serviços ambientais.
“Estes esforços, no entanto, precisam ser estimulados e compensados. Uma política pública voltada a esta finalidade é um sinal de que o país está no trilho do desenvolvimento sustentável e a favor do direito das futuras gerações herdarem um ambiente equilibrado e saudável”, diz Erika Pinto, colíder da Força-Tarefa PSA da Coalizão Brasil e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). “É também um sinal de que todos os setores da economia precisam cooperar para viabilizar esta agenda e, assim, minimizar as ameaças à segurança alimentar, hídrica, energética e de renda devido à perda e degradação maciça de serviços ecossistêmicos nos biomas brasileiros.”
“O incentivo econômico e a segurança jurídica para iniciativas de pagamentos por serviços ambientais são fundamentais para se promover a mudança de comportamento em prol da provisão e da recuperação dos serviços gerados pela natureza”, explica Rachel Biderman, cofacilitadora da Coalizão Brasil. “Estes pagamentos podem ser a chave para a manutenção de recursos fundamentais para mitigar as mudanças climáticas, prover alimentos em larga escala e evitar futuras pandemias pelo excesso de desmatamento”.
A Política Nacional de PSA reconhece o setor privado e organizações da sociedade civil como organizadores, financiadores e gestores de projetos de PSA, além de indutores de mercados voluntários. A lei prioriza comunidades tradicionais, povos indígenas e agricultores familiares nas iniciativas voltadas à conservação dos ecossistemas, dos recursos hídricos, do solo, da biodiversidade, do patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado em todo o território nacional.
Nos últimos meses, membros de duas forças-tarefa da Coalizão Brasil (PSA e Mercados de Carbono) elaboraram num esforço conjunto as principais recomendações para a regulamentação da lei de PSA. Este processo envolveu mais de 90 representantes de 49 entidades, entre empresas, organizações da sociedade civil, do setor financeiro e da economia.
“A regulamentação da lei confere efetividade à política pública, de modo a não apenas orientar, mas também incentivar atividades imprescindíveis à realização da vocação do país para mercados verdes nacionais e internacionais, incluindo o mercado de carbono”, pondera Andreia Bonzo Azevedo, colíder do Fórum de Políticas Públicas e Instrumentos Econômicos da Coalizão Brasil e diretora adjunta do Programa de Segurança Climática do Instituto Igarapé.
As recomendações da Coalizão Brasil pretendem garantir:
que a lei incentive a conservação dos ecossistemas, dos recursos hídricos, do solo, da biodiversidade, do patrimônio genético e do conhecimento tradicional associado em todo o território nacional;
que a política de incentivos proposta pela lei seja inclusiva e capaz de atribuir valor aos esforços de comunidades tradicionais, povos indígenas, produtores familiares e proprietários de reservas particulares do patrimônio natural (RPPN);
que os contratos de PSA adotem medidas capazes de assegurar o respeito às salvaguardas socioambientais, a comprovação de resultados, o alinhamento das iniciativas aos princípios, diretrizes e objetivos definidos pela lei;
que a legislação torne o pagamento de serviços ambientais (PSA) atraente para o setor financeiro e o mercado financeiro. Para isso, é necessário garantir, dentre outros fatores, segurança jurídica, sistema de governança robusto, cláusulas contratuais essenciais, orientação sobre áreas prioritárias e atividades elegíveis.
Há um volume bilionário de recursos que poderão ser canalizados para o Programa Federal de PSA. Um dos mais importantes potenciais financiadores é o Fundo Global para o Meio Ambiente, que, em sua oitava edição (2022-2026), está mobilizando US$ 5,25 bilhões para apoiar questões ambientais globais e iniciativas nacionais de desenvolvimento sustentável. Outro grande investidor é o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que, em dezembro do ano passado, destinou US$ 1,3 bilhão para ações de desenvolvimento sustentável no Brasil. Estes fundos mantêm um forte compromisso de alcançar resultados mensuráveis e elevados padrões de transparência e prestação de contas.
Confira as 10 recomendações da proposta da Coalizão:
Promover o Cadastro Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (CNPSA) como um repositório de informações de programas e projetos de PSA de todo o país, e não restrito apenas àqueles ligados ao Programa Federal de PSA;
Garantir o caráter retroativo dos incentivos tributários de isenção de tributos e contribuições federais (PIS, COFINS, CSLL e IRPJ) incidentes nos pagamentos de PSA;
Adotar salvaguardas ambientais para que os contratos públicos ou privados de PSA resguardem direitos de povos indígenas, agricultores familiares e comunidades tradicionais;
Ampliar as modalidades de pagamento de PSA, abrangendo os direitos relacionados aos pagamentos que poderiam ser dados em penhor ou alienação fiduciária em garantia de financiamentos, de contratos de seguros, emissão de títulos ou outras formas de captação de recursos.
Definir critérios que comprovem os resultados dos projetos e programas de PSA, a partir da adoção de padrões de Medição, Quantificação, Verificação, Registro e Transparência (MQVRT) dos ativos ambientais, dos serviços ambientais e/ou dos serviços ecossistêmicos;
Instituir a Comissão Nacional do Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais (CN-PFPSA), assim como as regras gerais sobre sua governança e competência;
Ampliar as atividades elegíveis para PSA no âmbito do Programa Federal de Pagamento por Serviços Ambientais, incluindo aquelas ligadas ao tratamento de resíduos, melhoria dos solos e dos recursos hídricos, práticas do setor agropecuário, entre outras;
Estabelecer cláusulas obrigatórias aos contratos de PSA constituídos no âmbito do programa federal além daquelas já previstas na lei, com regras de controle e comprovação dos serviços ambientais prestados, entre outras;
Elencar novas oportunidades para a captação de recursos que poderão ser destinados ao Programa Federal de PSA, como verbas provenientes de pagamentos por compensações ambientais;
Estabelecer prioridades para investimentos em PSA no âmbito do programa federal, dando atenção especial a iniciativas desenvolvidas em áreas de formação de corredores de biodiversidade, ou aqueles envolvendo Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), entre outros.
A nota técnica com a íntegra das recomendações pode ser conferida aqui.
Sobre a Coalizão Brasil
A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura é um movimento multissetorial composto por mais de 300 organizações, entre entidades do agronegócio, empresas, organizações da sociedade civil, setor financeiro e academia, cujo objetivo é propor ações favoráveis ao desenvolvimento de uma economia de baixo carbono.
#Envolverde
Queda de balão e uso irregular do fogo estão entre os principais motivos das ocorrências de incêndios florestais em SP
Em 2021, mais de 76% das 239 ocorrências tiveram como causa ações humanas que poderiam ter sido evitadas; Policia Militar Ambiental já apreendeu cerca de 60 balões somente neste ano
ncêndios criminosos provenientes da queda de balão, uso irregular do fogo em atividades agropecuárias e o vandalismo estão entre os motivos que mais causam incêndios florestais em São Paulo, segundo dados do Painel Geoestatístico dos Incêndios Florestais em Unidades de Conservação e Áreas Protegidas publicado pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente.
Em 2021, por exemplo, mais de 76% dos 239 focos tiveram como causa ações humanas que poderiam ter sido evitadas, que culminaram com a queima de mais de 12 mil hectares de mata, sendo 9.986 dentro das Unidades de Conservação- UCs e 2.893 nas zonas de amortecimento. Em 2022, das 14 ocorrências registradas até agora, maior parte também está relacionada ao uso irregular do fogo.
Somente nos cinco primeiros meses deste ano, segundo dados da Policia Militar Ambiental, foram apreendidos cerca de 60 balões por meio dos patrulhamentos e atividades de inteligência e fiscalização. O número equivale a quase 53% do total de balões recolhidos no ano de 2021. Ao todo, 115 pessoas foram autuadas. Importante destacar que fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios tanto florestais quanto urbanos é crime ambiental com pena de um a três anos de prisão ou multa.
O incêndio florestal prejudica a vegetação e causa a morte de animais silvestres, além de aumentar a poluição do ar, diminuir a fertilidade do solo, oferecer risco de queimaduras, acidentes com vítimas e causarem problemas de saúde na população.
Pensando nisso, desde 2010, o estado de São Paulo instituiu o Sistema Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, que visa, dentre outras ações, a diminuir os focos de incêndio no estado e estimular o desenvolvimento de alternativas ao uso do fogo para o manejo agrícola, pastoril e florestal.
Esse sistema, chamado de Operação Corta-Fogo, é composto por diversos órgãos e desenvolve uma série de atividades de forma permanente, de acordo com as necessidades e priorizações que cada período exige, dentro de um cronograma ao longo do ano.
Fases da Corta-Fogo
Fase verde (janeiro a março, novembro e dezembro): essa fase é dividida em duas etapas. A primeira delas, de janeiro a março, é dedicada a atividades de planejamento e início das medidas de prevenção e preparação. No final do ano, é realizada uma avaliação da temporada de incêndios e são iniciados os preparativos para o ano seguinte.
Fase amarela (abril e maio): a fase amarela requer foco nas ações preventivas e de preparação para enfrentar os incêndios florestais. Nessa fase, as atividades de treinamento, capacitação, elaboração e revisão de planos preventivos e de contingência ganham prioridade.
Fase vermelha (de junho a outubro): nessa fase, as ações de combate ao fogo e de fiscalização repressiva são priorizadas e as estratégias de comunicação e campanhas preventivas ganham reforço.
Participam da operação
A Operação Corta-Fogo conta com o apoio de diversos órgãos estaduais como a Coordenadoria Estadual de Proteção Defesa Civil (CEPDEC), o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar Ambiental, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e a Fundação Florestal (FF). A coordenação do sistema é realizada pela Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente, por intermédio da Coordenadoria de Fiscalização e Biodiversidade (CFB). A articulação entre essas instituições ocorre por meio do Comitê Executivo, que tem como objetivo delinear ações integradas e complementares.
#Envolverde
Extração ilegal de madeira na Amazônia tem análise restrita por insuficiência de dados públicos
Estudo avaliou que nenhum dos nove estados da região libera devidamente as informações sobre a cadeia madeireira
Enquanto a devastação da floresta amazônica avança em ritmo acelerado, o baixo nível de transparência dos estados sobre o setor madeireiro segue estagnado. Uma pesquisa que analisou a evolução da atividade na Amazônia entre 1980 e 2020 revelou que há problemas no controle da cadeia nos nove estados que compõem a região, além de restrições de acesso a dados públicos. E isso mesmo após uma década da implementação da Lei de Acesso à Informação (LAI).
A consequência da baixa transparência é a impossibilidade de checar o quanto dos 462 mil hectares que tiveram extração de madeira na Amazônia entre agosto de 2019 e julho de 2020, o dado mais atual, foram explorados de forma irregular. O que prejudica a proteção da floresta e de seus povos, a imagem do país e os consumidores.
Produzido pela Rede Simex, que reúne quatro instituições ambientais: Imazon, Idesam, Imaflora e ICV, o estudo avaliou os estados em seis indicadores relacionados à divulgação de dados das autorizações para exploração florestal e do Documento de Origem Florestal (DOF) ou da Guia Florestal (GF). Tanto o DOF quanto a GF são documentos obrigatórios para o transporte e o armazenamento de matérias-primas, produtos e subprodutos florestais desde o local de extração ou beneficiamento até o destino final. Com acesso a esses dados, seria possível cruzá-los com as áreas de exploração madeireira indicadas pelas imagens de satélite e verificar as ilegalidades.
“A transparência e o acesso à informação são condições fundamentais para a promoção da legalidade e da sustentabilidade do setor florestal madeireiro. É importante que os dados estejam abertos à toda a sociedade, contribuindo para a rastreabilidade da produção de madeira na Amazônia e valorizando o manejo florestal sustentável”, ressalta Vinícius Silgueiro, coordenador de inteligência territorial do ICV.
Estados têm diferentes níveis de transparência
Na análise de cada estado, três deles não divulgam nem as autorizações e nem os documentos de transporte: Acre, Amapá e Maranhão, sendo os piores na avaliação de transparência. Já Roraima, Rondônia e Tocantins têm os dados das autorizações acessíveis, mas não são atuais e estão incompletos, além de não divulgarem informações sobre o DOF. Cenário que é ainda mais preocupante em Rondônia, pois o estado concentra a terceira maior área com extração de madeira na Amazônia.
No caso do Amazonas, o segundo estado com a maior área de exploração madeireira na região, os dados das autorizações são acessíveis e atuais, porém estão incompletos. Além disso, o Amazonas é outro estado que não divulga informações sobre o DOF. Vale ressaltar que o DOF é um sistema federal e cuja disponibilização das informações tem sido realizada pelo Ibama.
A maior transparência é do Pará e de Mato Grosso, com destaque positivo para o segundo estado. Isso porque o Pará dá acesso tanto aos dados das autorizações quanto das Guias Florestais, porém apenas os primeiros são atuais e completos. Já em Mato Grosso, estado responsável por mais da metade da área com exploração madeireira na Amazônia, os dados das autorizações e das Guias Florestais são acessíveis e atuais, mas não é possível fazer um download único da base de dados dessas guias devido ao grande volume de informações.
Níveis de acesso a dados madeireiros por estado na Amazônia:
Fonte: Pesquisa “A Evolução do Setor Madeireiro na Amazônia entre 1980 a 2020 e as oportunidades para seu desenvolvimento inclusivo e sustentável na próxima década”, da Rede Simex (Imazon, Idesam, Imaflora e ICV)
Rastreabilidade para combater fraudes
Além da baixa transparência, outro problema apontado na pesquisa é que os sistemas de controle oficiais “ainda não se encontram completamente blindados de fraudes documentais e de contaminação de suas cadeias produtivas com madeira de origem ilegal”. Por isso, os pesquisadores apontam a rastreabilidade como uma solução para combater o ingresso de madeira irregular no mercado.
“Hoje existem ferramentas e metodologias que permitiriam uma melhor rastreabilidade dos produtos madeireiros que se originam da Amazônia, passando aos compradores e consumidores finais uma maior segurança de que estão adquirindo madeira produzida de acordo com as regulações e legislações vigentes. Entretanto, as falhas de transparência relacionadas aos dados dos sistemas oficiais de controle fazem com que essas cadeias de produção não possam ser efetivamente mapeadas”, explica Marco Lentini, do Imaflora.
Nova onda de boom-colapso da exploração madeireira
A pesquisa também mostra que a extração madeireira migrou para as regiões mais centrais da Amazônia. Em 2019, um levantamento já havia indicado que os principais polos de produção se encontravam em uma nova fronteira, localizada ao longo do oeste do Pará, sul do Amazonas e noroeste de Mato Grosso e do Acre. A fronteira antiga, no leste do Pará, tem atualmente poucos polos madeireiros, um resultado da exploração predatória sem manejo que leva à exaustão dos recursos e a um colapso da atividade nessas regiões.
“Com esse avanço, a exploração madeireira está se aproximando de áreas conservadas como as do Norte do Pará, onde há o maior bloco de áreas protegidas do mundo. E, também, está migrando para o sul do Amazonas, região onde há uma nova fronteira de desmatamento. A pressão sobre essas florestas ameaça diretamente a vida dos povos e comunidades tradicionais. Por isso, precisamos de medidas que tornem o manejo florestal mais sustentável e mais atrativo economicamente”, afirma Dalton Cardoso, pesquisador do Imazon.
Manejo florestal aliado à bioeconomia
O estudo também aborda a necessidade de criação de uma agenda positiva para a exploração madeireira, que pode ser aliada à bioeconomia. No Brasil, conforme a publicação, o comércio de produtos florestais não madeireiros movimenta aproximadamente R$ 1,89 bilhão por ano, mas ainda é muito impulsionado pela castanha do Pará e pelo açaí.
É possível, conforme os pesquisadores, realizar investimentos para que outros produtos tenham suas cadeias desenvolvidas e aliadas ao manejo florestal sustentável. “Existe hoje uma demanda crescente por produtos da floresta que não se limitam somente à madeira, que sejam oriundos de fontes comprovadamente responsáveis e que reconheçam o valor de toda a cadeia produtiva, como os gerados a partir de sementes e frutos. Os óleos, os artesanatos, e os cosméticos são exemplos disso. Portanto, se integrarmos as demandas da bioeconomia à cadeia madeireira, é possível gerar transformações socioambientais positivas na trajetória de uso e de conservação da Amazônia”, afirmam os pesquisadores Tayane Carvalho e Pablo Pacheco, do Idesam.
Além disso, o sucesso para o mercado sustentável de recursos florestais, madeireiros e não madeireiros, dependerá do aprimoramento dos sistemas de controle dos órgãos ambientais, da transparência das bases de dados de manejo e do monitoramento remoto das florestas.
Clique aqui para ler o estudo completo: https://imazon.org.br/imprensa/extracao-ilegal-de-madeira-na-amazonia-tem-analise-restrita-por-insuficiencia-de-dados-publicos/
#Envolverde
terça-feira, 5 de julho de 2022
O desafio de conciliar água e energia em tempos de crises hídricas
Por Reinaldo Canto para a Envolverde* –
Durante três dias em junho (de 13 a 15), nas instalações da Itaipu Binacional no Brasil e no Paraguai, foi realizado a primeira edição do Simpósio Global de Soluções Sustentáveis para Água e Energia parceria da empresa hidrelétrica com a UNDESA – Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas.
Diante dos efeitos cada vez mais dramáticos causados pelas mudanças climáticas, o que antes pareciam ser as melhores soluções, passaram a ser questionadas em função de seus impactos.
Em função da exuberância dos rios brasileiros a energia hidrelétrica desde há muito tempo era vista como um caminho seguro por muitas lideranças do país, mesmo tendo em vista os prejuízos ambientais e sociais provocados por essas imensas obras que, invariavelmente, trouxeram inúmeros problemas resultando em perdas enormes para populações ribeirinhas e profundos impactos a flora e fauna. Mas os desenvolvimentistas concluíam, então, que os custos compensavam os benefícios.
Eis que as cada vez mais constantes crises hídricas passaram a colocar em xeque a produção de energia utilizando um insumo vital para a sobrevivência de todas as espécies, inclusive a nossa.
Os representantes dos 22 países que participaram do Simpósio, vindos dos setores público e privado, estavam cientes dessas consequências, mas também da importância que a energia gerada pelas hidrelétricas segue representando nesse cenário de urgente necessidade de reduzirmos o uso de fósseis. Conciliar todas essas questões, portanto, foi o desafio do encontro em Foz do Iguaçu, no Paraná e em Hernandárias, do lado paraguaio.
Para Minoru Takada, líder de Energias Renováveis do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (UNDESA) é possível avançar em gestões mais eficientes “Existem soluções em água e energia que nos mostra como somos capazes de alcançar um desenvolvimento sustentável”.
A troca de experiências e informações mostradas nos três dias de simpósio apontaram caminhos possíveis para conciliar a exploração energética da água sem comprometer as outras fundamentais funções do insumo. Ações como o aprimoramento da conservação da água, uso de novas tecnologias e a atenção especial ao cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU com destaque para os ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e ODS 7 (Energia Acessível e Limpa), estiveram entre as principais conclusões que estão sendo colocadas em prática e replicadas.
Conclusões e Compromisso
O especialista em Desenvolvimento Sustentável da Undesa, Martin Niemetz apresentou ao final do encontro um documento aprovado por todos os participantes com os pontos considerados fundamentais, entre eles, a necessária sinergia para a cooperação na mitigação de problemas climáticos; o fortalecimento de políticas de longo prazo para as questões envolvendo água e energia e a ampliação dos esforços que requerem também a destinação de mais recursos financeiros com objetivos como o de acelerar o investimento em novas tecnologias e soluções como o uso do hidrogênio verde (elemento químico mais abundante na natureza).
Segundo o diretor de Coordenação brasileiro da Itaipu, Luiz Felipe Carbonell, a maior hidrelétrica do país pode desempenhar um papel importante para que tanto o Brasil como o Paraguai a cumprir as metas globais e sintetiza sobre as conclusões do Simpósio, “pudemos ver exemplos bem-sucedidos de manejo de territórios e de água. Essas iniciativas são fundamentais para estabelecermos estratégias para ultrapassar possíveis crises”.
Em tempos de aquecimento global encontros como esse tem importância vital para discutir e implementar mudanças urgentes que definirão o futuro do nosso planeta e, claro, de todos nós seus habitantes.
*O jornalista esteve presente ao simpósio a convite da Itaipu
#Envolverde
Estudo mostra impactos do desmatamento para a saúde
Por WWF Brasil –
O desmatamento, as queimadas, a poluição do ar, a alteração das temperaturas e as novas doenças decorrentes de modificações de ecossistemas têm afetado a saúde e o bem-estar da população em geral. “O que as florestas e o desmatamento têm a ver com nossa saúde” é o tema da nota técnica que o WWF-Brasil, que mostra essa íntima relação.
O documento aponta a importância da floresta e dos demais ecossistemas naturais para o bem-estar humano e os problemas que sua destruição causam para quem vive nesses ambientes e até mesmo distante.
O estudo mostra que o ar da floresta Amazônica é muito limpo, especialmente na estação chuvosa, quando as precipitações removem aerossóis da atmosfera. No entanto, essa característica se modifica com as queimadas: a fumaça decorrente dos incêndios na Amazônia é altamente tóxica, causando falta de ar, tosse e danos pulmonares à população, e respondem por 80% do aumento regional da poluição por partículas finas, afetando 24 milhões de pessoas que vivem na região.
Outro dado apresentado é que durante a “estação das queimadas” na Amazônia brasileira (entre julho e outubro), aproximadamente 120 mil pessoas são hospitalizadas anualmente devido a problemas de asma, bronquite e pneumonia. Durante períodos de incêndios intensos, principalmente em eventos de seca extrema, os poluentes da queima de biomassa podem aumentar as taxas de mortalidade cardiorrespiratória, bem como induzir danos genéticos que contribuem para o desenvolvimento de câncer do pulmão.
Além das doenças causadas pelo fogo, o desmatamento pode aumentar a transmissão de doenças infecciosas e até o surgimento de novas doenças. Um aumento de 10% no desmatamento leva a um aumento de 3,3% na incidência da malária, por exemplo. Pesquisas na Amazônia peruana mostraram a existência de números maiores de larvas em poças d’água morna parcialmente abrigadas do sol, como as que se formam na beira de estradas abertas dentro da mata, e em água acumulada em meio a detritos, que não é consumida pelas árvores.
Durante o último século, em média, dois novos vírus por ano se espalharam de hospedeiros animais para as populações humanas – é o caso do Ebola, MERS, SARS e zika. O risco de surgimento de novas zoonoses em florestas tropicais é maior, por causa da sua grande diversidade de roedores, primatas e morcegos, mas também pelas suas altas taxas de desmatamento e degradação que levam à fragmentação dos habitats e à proximidade das populações, impulsionada pela expansão agropecuária.
A atual pandemia de Covid-19 é provavelmente resultado da pressão humana sobre os ecossistemas naturais. Na data da publicação desta matéria, mais de 6 milhões de óbitos por Covid-19 tinham sido registrados no mundo. A nota técnica também aponta que as queimadas florestais na Amazônia podem ter aumentado o risco de infecção pelo vírus pela resposta inflamatória persistente que elas provocam, agravando ainda mais a situação de saúde da população deste bioma.
Para Mariana Napolitano, gerente de ciências do WWF-Brasil, é inegável que as florestas são uma fonte de benefícios para o ser humano, e sua degradação e supressão podem trazer riscos graves à saúde humana. “O Brasil está entre os países campeões de desmatamento de floresta e outros biomas. Essas perdas impactam diretamente o clima e favorecem o surgimento de novas zoonoses provenientes do desequilíbrio ambiental. Cuidar do planeta é efetivamente cuidar da saúde”.
Outra informação que o documento traz é que o ambiente natural afeta o bem-estar individual e coletivo. Existem inúmeras evidências que destacam a importância da natureza para promover uma melhora nos estados de ânimo e bem-estar. A experiência na natureza está associada a uma melhora em vários índices de saúde, como a diminuição da pressão arterial, a redução dos hormônios associados ao estresse, a melhora dos batimentos cardíacos, do humor, da função cognitiva, dentre outros aspectos.
A dinâmica de expansão pecuária-agricultura é considerada a principal causa do desmatamento no Brasil e das emissões de carbono. Na Amazônia, entre 2000 e 2020, mais de 40 milhões de hectares de florestas foram convertidas em pastagens. Ao contrário das monoculturas de commodities agrícolas produzidas nessas áreas desmatadas, o extrativismo e os sistemas agroflorestais protegem a agrobiodiversidade, sustentam a subsistência humana, segurança alimentar e soberania, e protegem serviços ecossistêmicos importantes, como conservação do solo e da água.
O levantamento aponta que algumas ações podem ajudar a manter os serviços ecossistêmicos das florestas e evitar os riscos de sua destruição. Entre elas estão a conservação das florestas, o melhor manejo da paisagem em áreas de atividades agropecuárias, a restauração das florestas desmatadas ou degradadas, inclusive as próximas de centros urbanos.
Os sistemas agroflorestais são apontados como uma das soluções para a produção sustentável. O levantamento ressalta aspectos positivos dos sistemas agrícolas amazônicos: são altamente sofisticados e incluem uma multiplicidade de plantas cultivadas, manejo complexo da paisagem, articulação com outras atividades de subsistência (caça, pesca, extrativismo) e diversas estratégias e práticas de manejo que refletem pelo menos 12.000 anos de interação com plantas e paisagens por povos indígenas e comunidades tradicionais.
Sobre a nota técnica: o levantamento bibliográfico teve apoio financeiro da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, em nome do governo federal alemão, com redação do Núcleo de Conteúdos Ambientais – NUCA (Maura Campanili), sob coordenação do WWF-Brasil (Mariana Napolitano Ferreira e Daniel E Silva), a partir do relatório técnico do Prof. Marcos Heil Costa (Universidade Federal de Viçosa).
Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 25 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática.
#Envolverde
Número de queimadas aumenta no Cerrado e na Amazônia na primeira metade de 2022
Por WWF Brasil –
Cerrado teve mais de 10 mil focos entre janeiro e junho, pior marca para o período desde 2010, com aumento de 13% em comparação a 2021; aumento na Amazônia foi de 17
Nos seis primeiros meses de 2022, o número de queimadas aumentou 13% no Cerrado e 17% na Amazônia, em comparação ao mesmo período no ano passado, de acordo com o Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O desmatamento também apresenta tendência de alta recorde nos dois biomas.
No Cerrado, foram detectados 10.869 focos de queimadas entre o início de janeiro e o fim de junho, um aumento de 13% em comparação ao mesmo período de 2021, quando foram registrados 9.568 focos. É o maior número para o período desde 2010.
Os valores registrados em junho de 2022 permaneceram estáveis em relação aos de 2021. Entre 1 e 30 de junho de 2022, foram detectados 4.239 focos no Cerrado, contra 4.181 no ano passado – um aumento de 1,4%.
Na Amazônia, o número acumulado de queimadas nos seis primeiros meses do ano foi de 7.533 – um aumento de 17% em comparação ao mesmo período em 2021, quando foram detectados 6.387 focos de queimadas. Em junho de 2022, foram registrados 2.562 focos, contra 2.305 em 2021 – um aumento de 11%.
Desmatamento
Os dados do DETER/INPE para desmatamento foram atualizados até o dia 24 de junho. Mas, mesmo faltando uma semana para fechar o mês, o Cerrado teve em 2022 o pior mês de junho já registrado desde o início do monitoramento no bioma. Foram desmatados 752 km2. A área sob alerta de desmatamento em junho de 2022 aumentou 55% em comparação a junho do ano passado.
No acumulado do início do ano até o dia 24 de junho, o Cerrado também teve o pior início de ano desde o lançamento do DETER no bioma. Foram desmatados 3.364 km2 desde o início de 2022 – um aumento de 34% em relação ao mesmo período em 2021.
Na Amazônia, o mês de junho apresentou uma redução de 17% no número de alertas de desmatamento, em comparação com junho de 2021. No acumulado de alertas desde o início do ano, porém, a Amazônia teve o pior início de ano desde o lançamento do DETER: 3.750 km2, um aumento de 4% em relação ao mesmo período no em 2021.
“Com Bolsonaro correndo atrás nas pesquisas, os grileiros, os garimpeiros e todos que navegam na impunidade hoje reinante estão sentindo que precisam correr para consolidar seus crimes, com receio de que um novo governo possa acabar com essa festa. É uma verdadeira corrida contra o Brasil e até o final do ano vamos ver o tamanho desse desastre,” afirma Raul do Valle, especialista em políticas públicas do WWF-Brasil.
Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 25 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática. Saiba mais em wwf.org.br
#Envolverde
Assinar:
Postagens (Atom)
