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domingo, 27 de março de 2022
Planeta Lolla coloca sustentabilidade em foco no Lollapalooza Brasil
Além do espaço que foca na sustentabilidade, festival terá Rock and Recycle by Braskem explicando a importância do descarte correto
O Lollapalooza Brasil se preocupa em montar um line-up para ninguém botar defeitos. Assim como a música é pensada nos mínimos detalhes, as ações de sustentabilidade também fazem parte da programação do festival. Com isso, o evento volta a montar o Planeta Lolla, área destinada a organizações empenhadas em causas sociais e ambientais, levando para dentro do Lolla BR ações engajadoras. Nos dias 25, 26 e 27 de março, todos os presentes no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, terão a oportunidade de conhecer as causas de organizações como ACTC – Casa do Coração, AMPARA Animal, CABELEGRIA, Greenpeace, Instituto PROA e TETO.
Outra frente que soma a sustentabilidade do festival é a Braskem, que será responsável pela conscientização sobre a importância do descarte correto e da reciclagem durante o festival. Ao se dirigir aos estandes do Rock and Recycle by Braskem para entregar os seus resíduos plásticos, o público poderá acumular pontos e trocar itens descartados por brindes na Rock and Recycle Store. São brindes relacionados à música, como fones de ouvido, palhetas de guitarra e discos de vinil, além de itens como viseiras, capas de chuva e até pares de ingressos para os dias restantes do evento. A expectativa da Braskem é coletar um montante superior às 46 toneladas de resíduos coletadas em 2019, quando foi realizada a última edição do festival. Iniciativas como as do Lollapalooza Brasil reforçam os esforços da Braskem pela sustentabilidade e a economia circular.
Durante os três dias de Lollapalooza Brasil, o público poderá saber no Planeta Lolla mais sobre a ACTC – Casa do Coração, que atende crianças e adolescentes que apresentam quadro clínico de cardiopatia grave, oferecendo hospedagem, alimentação e atendimento interdisciplinar para pacientes não residentes na cidade de São Paulo, beneficiárias do Sistema Único de Saúde, em tratamento nos principais centros médicos que atendem casos de alta complexidade.
Outra parceira presente será a AMPARA, que é a maior organização de proteção animal do Brasil e tem a missão de transformar a sociedade através de ações preventivas focadas em educação, controle populacional e adoção de cães e gatos. Combater as mais variadas formas de violência contra a fauna, com foco em conservação ao reabilitar espécies silvestres para que possam ser devolvidas à natureza e também oferecer bem-estar aos animais condenados ao cativeiro.
Com o objetivo de criar oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional para jovens de baixa renda de escolas públicas, ajudando-os a se tornarem protagonistas de suas próprias histórias e ingressarem no mercado de trabalho, o Instituto PROA apresentará os seus principais projetos durante o Lolla BR.
Uma das organizações mais conhecidas, o Greenpeace também estará no festival explicando como atua na defesa do meio ambiente de maneira independente, promovendo conhecimento, conscientização pública, mobilização social e articulação política na área socioambiental.
A TETO também trabalha pela construção de um país justo e sem pobreza. A associação mobiliza voluntários para atuar lado a lado de moradoras e moradores em comunidades precárias de diferentes Estados. Juntos, constroem soluções concretas e emergenciais que proporcionam melhorias nas condições de moradia e habitat destes territórios.
Quem completa o Planeta Lolla é a CABELEGRIA, ONG que arrecada cabelos, confecciona e distribui perucas para pacientes com câncer via Correios e por meio de Bancos de Perucas (itinerante e fixos).
Importante ressaltar que a segurança dos fãs, dos artistas e do staff é a principal prioridade do Lollapalooza Brasil, por isso o festival tem uma equipe 100% dedicada em estabelecer os cuidados e em colocar em prática os protocolos necessários. Já é sabido que para acessar o Lollapalooza Brasil, o público precisará apresentar o comprovante de vacinação (físico ou virtual) com, no mínimo, duas doses da vacina contra a Covid-19. Também será recomendado o uso de máscara no Autódromo de Interlagos. O Lollapalooza Brasil está em contato constante com os órgãos oficiais de saúde e de segurança pública e seguirá as recomendações vigentes no momento de sua realização.
Produzido por Perry Farrell, William Morris Endeavor Entertainment (WME), TIME FOR FUN e C3 Presents, o Lollapalooza Brasil conta com patrocínio master da Budweiser, Chevrolet Onix, adidas, DORITOS® e Vivo, patrocínio de Coca-Cola, McDonald’s, apoio de Tanqueray, Johnnie Walker, NewOn, Sadia, Samsung, Braskem e SPTuris. O Instagram é o social media partner e os serviços médicos são fornecidos pelo Hospital Sancta Maggiore. Globo, Multishow, 89 FM – A Rádio Rock, Rádio Mix – 106.3 e Rádio Mix RJ são media partners.
Confira a programação completa do Lollapalooza Brasil 2022:
25 de março, sexta-feira
The Strokes, Doja Cat, Machine Gun Kelly, Alan Walker, Chris Lake, Jack Harlow, Marina, LP, Turnstile, Caribou, The Wombats, Pabllo Vittar, Ashnikko, Matuê, 070 Shake, Jetlag, VINNE, jxdn, Beowülf, Detonautas, Edgar, Meca, Barja
26 de março, sábado
Miley Cyrus, A$AP Rocky, A Day To Remember, Alok, Alexisonfire, Alessia Cara, Deorro, Emicida, Two Feet, Remi Wolf, Silva, Jão, Boombox Cartel, Chemical Surf, Terno Rei, DJ Marky, Victor Lou, Clarice Falcão, Jup do Bairro, MC Tha, Lamparina, Ashibah, Fatnotronic, WC no Beat and Kevin o Chris + Haikaiss + PK + Felp 22 + MC TH + Hyperanhas
27 de março, domingo
Foo Fighters, Martin Garrix, Alesso, The Libertines, Black Pumas, Kaytranada, IDLES, Kehlani, Goldfish, Gloria Groove, Djonga, Cat Dealers, Rashid, Fresno, Marina Sena, Planta & Raiz, Lagum, Evokings, Aliados, Fancy Inc, MALIFOO, menores atos, FractaLL x Rocksted
Lollapalooza Brasil
Dias 25, 26 e 27 de março de 2022
Local: Autódromo de Interlagos, Av. Sen. Teotônio Vilela, 261 – Interlagos, São Paulo
Informações: https://www.lollapaloozabr.com/
Siga nas redes: @lollapaloozabr
Sobre o Lollapalooza Brasil
O Lollapalooza coleciona grandes feitos e inovações que marcam a maneira como o entretenimento ao vivo é feito mundo afora. Com a chegada do festival no Brasil, em 2012, ele revolucionou (e renovou) esse setor por aqui e não demorou muito para que se tornasse um dos mais relevantes da América Latina. Em constante evolução e aprimoramento da experiência, o Lollapalooza Brasil passou a ser realizado no Autódromo de Interlagos (São Paulo), em uma área de 600 mil metros quadrados, em 2014, mesmo ano em que passou a ser um evento neutro em carbono. A neutralização das emissões foi feita a partir da alocação definitiva de créditos de carbono originados em um projeto ambiental certificado pela ONU. Com apresentações divididas entre quatro palcos simultâneos, o Lolla passou a ter três dias de festival em 2018, quando bateu um público recorde, gerando um impacto de mais de R$ 152 milhões na economia da cidade de São Paulo, com gastos em hospedagem, alimentação, transporte e lazer, de acordo com levantamento inédito da Prefeitura. Em 2019, o evento reuniu mais de 246 mil pessoas no Autódromo de Interlagos e mais de 4,5 milhões de pessoas acompanharam as 67 atrações pela televisão. Agora, em um momento de retomada do setor de entretenimento, o festival prepara um reencontro com o seu público com uma edição à altura da saudade que todos estão dos shows presenciais.
Sobre o Lollapalooza
Criado por Perry Farrell, em 1991, como um festival itinerante, o Lollapalooza continua a ser inovador na cena dos festivais após 25 anos desde sua criação. Ao longo da sua história ele foi o “primeiro” em muitas ocasiões: foi o primeiro a reunir artistas de vários gêneros no mesmo evento; a viajar; se estender para vários dias; a ter um segundo palco; a ter um segundo dia; a misturar arte e ativismo; a compensar suas emissões de gás carbônico; a colocar artistas de música eletrônica no palco principal; a criar uma programação familiar; a se instalar em um centro urbano; a se expandir internacionalmente. Ao se estabelecer em Chicago, virou um renomado festival e exportou a sua excelência para outros países, como Chile, Brasil, Argentina, Alemanha, França e Suécia, tornando-se um dos principais destinos para amantes de música nos Estados Unidos e no exterior. Para comemorar o seu 25º aniversário, o Lollapalooza Chicago se estendeu para 4 dias, em 2016, com mais de 170 artistas se apresentando em 8 palcos.
#Envolverde
sábado, 26 de março de 2022
Como a permacultura pode ser aplicado em uma escola
Por Renata G. Ferreira –
A história começa com Maria Claúdia, coordenadora, e Flávia Rodrigues, diretora da EMEI Capitão Alberto Mendes Júnior. Juntas, elas iniciaram um trabalho de encantamento e acolhimento na escola, através do alinhamento dos profissionais, crianças e famílias.
Mas algo a mais precisava ser feito. O lado externo da escola não representava toda a transformação humana que elas buscavam. Uma área em particular gerava incômodo: um pedaço de terra dura, que só produzia bagunça e muita lama quando chovia. Um espaço que estava ali, parado e sem vida.
Em busca de uma solução, elas procuraram especialistas e ouviam sempre: “coloque cimento!”. Entendendo a necessidade de trazer mais vida para o espaço, tentaram fazer uma horta tradicional que não teve um bom resultado, e o desconforto continuava. Até que depois de tanto buscarem elas encontraram a permacultura.
Foi por iniciativa da Maria Claúdia e da Flávia Rodrigues que profissionais de permacultura começaram a visitar o espaço. Casando perfeitamente com o que elas buscavam, uma relação de harmonia, com o benefício de trazer soluções práticas, que podiam ser implementadas ali.
Muito além do espaço físico
Quando falamos de permacultura, estamos olhando para as relações humanas e não humanas. Portanto, o intuito não é apenas encontrar fórmulas prontas para resolver problemas. A base de tudo é partir do questionamento: porque estamos fazendo isso? Como pode ser melhorado?
Os problemas na vida escolar tradicional
Maria Claudia compartilhou que as pessoas acreditam que o trabalho com sustentabilidade é plantar e coletar o lixo corretamente, porém, vai muito além disso. Entendendo esse aspecto amplo, que envolve relações humanas da sustentabilidade, elas encontraram alguns pontos de estresse na escola que deveriam ser trabalhados:
Relação tóxica com as crianças – baseada no adultocentrismo, repleta de julgamentos.
Alimentação – uma dinâmica não saudável tanto pelo tempo para comer, quanto pela escolha dos alimentos, que tem como principal oferta os ultraprocessados.
Consumo desenfreado – sem reflexão, influenciado pela mídia (o desejo de consumir marcas), usando datas comemorativas descartando a diversidade étnica. Tudo isso refletindo também na geração de resíduos.
É importante lembrar que esse não é um problema apenas daquela EMEI, nem sequer somente das EMEI ou da educação pública em geral. Nossa educação tradicional ainda se depara com esses problemas quase como via de regra.
A educação infantil muitas vezes está pautada – mesmo que inconscientemente – na extrema obediência. As crianças estão ali para serem moldadas para o mundo adulto de consumo, sendo, desde cedo, reféns de uma indústria lucrativa de alimentos e produtos.
As soluções que a permacultura pode trazer para a escola
Quando falamos de aplicação da permacultura no âmbito escolar, é possível trabalhar muito além do espaço físico. Como vimos acima, existiam muitos nós na escola que precisam ser desatados, sem isso de nada adianta ter ações pontuais, como a coleta seletiva ou ter uma horta, porque acabamos esbarrando na cultura do local.
Por isso, uma das primeiras iniciativas da Maria Cláudia e da Flávia, foi começar a trabalhar a cultura escolar com os pais e colaboradores da escola. Os eventos que acontecem ali são uma maneira de exemplificar o que está sendo feito no ambiente de forma geral.
Veja como acontece as festas colaborativas e sem lixo na escola:
Relação de respeito com as crianças – ali a criança é responsável por ajudar a montar e desmontar a festa, mas ela não faz isso sozinha, todos os adultos (pais e colaboradores) estão fazendo a sua parte.
Alimentação saudável e afetiva – nenhum alimento que entra na escola pode ser prejudicial para a criança. Nas festas não há salgadinho, doce ou refrigerante. As comidas são feitas de forma colaborativa, cada mãe leva um prato, sendo assim, todos podem se servir do que quiserem, sem precisar comprar nada com fichas na escola.
Muito além do consumo – não existem prendas nas festas, incentivando a brincadeira apenas pelo prazer de brincar.
Escola sem lixo – as festinhas que recebem mais de 1.000 pessoas não geram nenhum descartável. Todos levam suas canecas e o que for necessário para comer, caso alguém não tenha levado, a escola empresta. Cada pessoa higieniza o que usou.
Colaboração – a ideia é que ninguém saia de uma festa sentindo-se extremamente cansado, por isso, tudo é construído coletivamente, distribuindo tarefas e possibilitando a autonomia.
As professoras garantem que as crianças e a família se divertem na festa. A coordenadora Maria Claúdia ainda destaca que é importante nos questionarmos de onde vem a ideia de que festa é apenas com doce e presente. Na volta para o simples abre-se o espaço para relações mais equilibradas e profundas.
Todas essas ações não ficam limitadas apenas a um dia, elas são o reflexo de toda a mudança que foi feita na rotina da escola: comida mais saudável, menos lixo, colaboração.
Os desafios da mudança
A mudança realmente não é simples, ela mexe em crenças profundas que às vezes carregamos por toda a vida, coisas que são parte de nós e nos fazem sentir que temos uma identidade.
Na EMEI Capitão Alberto Mendes Júnior um dos maiores desafios é com o engajamento das professoras. O currículo de uma EMEI já é pautado em vários métodos de ensino modernos e afetuosos, mas que muitas vezes não é realizado por falta de preparo da equipe.
Isso é algo normal e esperado, já que a formação de professores, em grande parte, ainda é feita pelos métodos tradicionais. Mesmo que exista um incômodo com esse formato pelos profissionais, mudar nem sempre é fácil.
Por outro lado, para essa escola em particular, o trato com os pais foi muito mais fácil. Apresentar soluções práticas, simples e baratas, faz com que exista um engajamento maior destes.
Para esses desafios a escola usou como base organizações e profissionais que estão na vanguarda do estudo sobre a infância e a pedagogia. Para além da permacultura, o Instituto Alana, Cidade Escola Ayni, a educadora Ana Paula Zatta, e métodos como a sociocracia, Dragon Dreaming, mediação de conflito, Comunicação Não Violenta (CNV), foram algumas das principais fontes de inspiração e apoio nessa transição.
Trazer as informações de forma simples, atrelada com as práticas do dia a dia facilita muito nesse processo. É também essencial a escuta e o acolhimento, onde surgirão soluções realmente viáveis para aquele ambiente e pessoas, o que cria bases sólidas para a mudança.
Como crescer com os conflitos
Um dos principais passos para trazer uma cultura regenerativa e positiva para a escola foi olhar para os conflitos. Lembra do exemplo que dei da caixa de problemas? Maria Cláudia e Flávia abriram o livro de reclamação da escola e durante dois anos ficaram estudando as queixas que estavam ali.
Elas aprenderam que não adiantava buscar soluções fora, que todas as questões e problemas partiam de dentro da escola. Com essa abertura e observação intencional a escola foi aprendendo com os conflitos como tomar rotas diferentes, chegando a soluções coletivas.
As crianças também estão incluídas nessa dinâmica. É extremamente importante considerá-las como participantes da rotina escolar. Então, tudo o que acontece na escola está aberto para elas, como as reformas que são feitas no período de aula, mães voluntárias que costuram em espaço coletivo e liberdade para entrar em todos os espaços seguros e ouvir todas as conversas dos adultos.
Os conflitos, se forem vistos de maneira formativa, são um ótimo modo de sabermos onde precisamos começar as transformações.
Profissionais de permacultura precisam se profissionalizar
A coordenadora e diretora da escola revelam uma percepção que é importante para quem é profissional da permacultura. Muita mão de obra não podia ser contratada pela falta de CNPJ, emissão de Nota Fiscal e forma de pagamento. É essencial que as pessoas interessadas nessa área comecem a se regularizar, a fim de chegar em mais lugares com uma metodologia tão importante.
Outro ponto interessante é destacar que, apesar de ser um projeto lindo e que traz transformações positivas, não é livre de problemas. Discussão entre equipes, discordância de que caminhos devem ser tomados e outros conflitos surgiram na EMEI Capitão Alberto Mendes Júnior e poderão surgir em qualquer escola.
Alinhe bem os objetivos, levando em consideração as necessidades e realidade da escola. O importante não é que tudo saia perfeito, mas que possamos crescer e evoluir em todo esse processo. Se puder ser de uma forma leve, melhor ainda!
Transformando a estrutura escolar com base na permacultura
Depois de decidirem chamar profissionais da permacultura para a escola, não só a horta foi modificada, como vários espaços ganharam novas estruturas para um fluxo mais livre e ordenado das crianças.
O que foi feito na estrutura externa:
Captação de água.
Composteira onde as próprias crianças podem colocar os resíduos.
Anfiteatro feito com pneus e acabamento de barro.
Quiosque com telhado de palha.
Ambiente para a fogueira – que as crianças adoram.
Estrutura de barro e tinta natural no parquinho para brincar.
Quiosque com telhado verde e captação de água.
Área verde com plantas, telhas de barro e corrimão de bambu, que ajudam a delimitar o espaço, cuidando da segurança da criança e mantendo uma boa circulação.
O que foi feito na sala de aula com base na permacultura e disciplina positiva:
Maior uso de brinquedos de madeira e elementos naturais.
Saída da tradicional lousa.
Saída de grande parte das mesas e cadeiras, deixando mais espaço livre.
Salas que são divididas em ambientes, facilitando a livre escolha, a brincadeira e a construção de narrativa.
Colocação de piso de madeira para as crianças brincarem mais no chão.
Divisão de grupos para ir até o refeitório. Cada sala libera um pequeno grupo de uma vez, fazendo com que crianças de sala diferentes possam interagir.
Como reflete nas crianças:
Elas estão mais participativas e responsáveis pelos cuidados na escola.
São guardiãs do jardim e regam as plantas.
Estabeleceram uma relação de respeito com os animais, protegendo-os.
Circulam de forma mais organizada, ao mesmo tempo que estão mais livres e têm mais elementos para brincar.
Estão mais investigativos com a Natureza, tornando o intervalo um momento de aprendizado.
Fazem feira de troca de brinquedos, ajudando na capacidade de negociação e cooperação
A EMEI Capitão Alberto Mendes Júnior, que hoje recebe 600 crianças divididas em dois turnos (crianças de 4 e 5 anos), sonha que um dia possam estar mais abertos para as visitações e para semear sementinhas em outras escolas.
Uma coisa que me deixou um profundo ensinamento foi quando Maria Cláudia se referiu às crianças, dizendo que quer ensinar que elas têm a escolha e a liberdade, mas também a responsabilidade consigo mesma e com o outro.
Que possamos tomar este ensinamento para nós e sermos mais responsáveis e positivos neste mundo!
#Envolverde
Razer celebra 1 milhão de árvores salvas e anuncia nova meta de proteção florestal
Com objetivo inicial alcançado, Razer amplia seus esforços de sustentabilidade para proteger dez milhões de árvores em parceria com a Conservation International
A Razer, marca líder mundial em estilo de vida para gamers, comemora o objetivo alcançado de um milhão de árvores protegidas, um marco estabelecido como parte de uma campanha de sustentabilidade realizada em parceria com a ONG Conservation International. Para celebrar o feito, a Razer anuncia o lançamento do aguardado moletom do mascote Sneki Snek e revela uma meta ainda mais ambiciosa, a de salvar dez milhões de árvores.
A parceria entre a Razer e a Conservation International faz parte do #GoGreenWithRazer, um plano de sustentabilidade de dez anos desenvolvido pela empresa com o intuito de preservar a natureza e proteger o meio ambiente. Junto com a comunidade de usuários Razer, as organizações vêm ajudando a conservar cerca de 1600 hectares de floresta, o que corresponde a aproximadamente três mil campos de futebol. A campanha tem sido impulsionada pelo sucesso do mascote de sustentabilidade da Razer, o Sneki Snek, que tem mobilizado os fãs da marca em prol da conservação das árvores. O personagem, que foi criado a partir de um esboço feito por um dos designers da Razer, já viralizou em inúmeros memes, virou tatuagens reais e até ganhou uma fanpage criada pela comunidade. Para cada produto Sneki Snek vendido, a Razer doa uma parte dos lucros para apoiar o trabalho da Conservation International pela proteção das florestas em todo o planeta.
“Não conseguiríamos alcançar este incrível resultado sem o apoio da nossa comunidade apaixonada”, diz Addie Tan, diretora associada de Desenvolvimento de Negócios da Razer. “Na verdade, nosso objetivo inicial era salvar 100.000 árvores, mas junto com os fãs da Razer atingimos esse objetivo em questão de semanas e então percebemos que, juntos, poderíamos realizar muito mais. Agora que ajudamos a salvar um milhão de árvores, estamos empolgados com o que está por vir e nos preparando para o próximo desafio: salvar dez vezes mais.”
Diante do novo desafio, a a Razer manterá a tradição de celebrar marcos importantes com o lançamento de produtos exclusivos do Sneki Snek, que chegarão para os fãs a cada 250 mil novas árvores salvas. Com parte dos lucros direcionados à Conservation International, o impacto ambiental previsto para a nova fase da campanha deve representar a conservação de mais de 16.000 hectares de floresta e a preservação de diversas espécies ameaçadas de extinção que dependem desse ecossistema para sobreviver.
“Proteger a natureza é uma das coisas mais importantes que podemos fazer para lidar com as mudanças climáticas e apoiar a biodiversidade”, disse Sarah Cragg, diretora de Marketing e Parcerias para a região da Ásia-Pacífico da Conservation International. “O esforço da Razer está ajudando a aumentar a conscientização sobre os desafios enfrentados pelo nosso planeta e dá para as pessoas uma oportunidade de agir. Estamos profundamente gratos pelo engajamento da comunidade e empolgados em levar esse desafio para o próximo nível.”
Como parte das iniciativas da campanha #GoGreenWithRazer, mais do que empoderar a comunidade, a Razer busca oferecer um caminho para os fãs fazerem a diferença e contribuirem com causas verdes, além de espalhar conhecimento. Ano passado, a Razer lançou uma série de desenhos animados do Sneki Snek justamente com o objetivo de ensinar a comunidade sobre os desafios ambientais que ameaçam nosso planeta e o que pode ser feito para ajudar. O primeiro episódio foi sobre Desmatamento e destacou a importância de se preservar o habitat de tantas espécies de animais.
Para mais informações sobre os esforços de sustentabilidade da Razer, clique aqui.
Para ajudar a Razer e a Conservation International a salvar árvores, clique aqui.
Sobre a Razer
A Razer é a marca líder mundial em estilo de vida para gamers e seu logotipo, uma cobra de três cabeças, é um dos mais reconhecidos símbolos entre a comunidade global de jogadores e profissionais de e-Sports. Com uma base de fãs presente em todos os continentes, a empresa projetou e construiu o maior ecossistema de hardware, software e serviços para gamers do mundo.
A premiada linha de produtos da Razer vai de periféricos gamer de alto desempenho (para PC e consoles) aos poderosos laptops Razer Blade. Já a plataforma de software da Razer, que tem mais de 150 milhões de usuários, inclui o Razer Synapse (um sistema gratuito para configuração de recursos de seus produtos), o Razer Chroma (tecnologia proprietária de retroiluminação RGB) e o Razer Cortex (software desenvolvido para melhorar o desempenho de games e que atua no centro de toda a experiência do jogador).
Entre os serviços oferecidos pela Razer está o Razer Gold, um dos principais créditos virtuais unificados do mundo para gamers, e a Razer Fintech, uma das maiores redes de pagamento digital no Sudeste Asiático. Fundada em 2005 com sedes em Irvine, (California) e Cingapura, além de sedes regionais em Hamburgo e Shangai, a Razer tem 18 escritórios em todo o mundo e é reconhecida como a marca líder para jogadores nos EUA, Europa e China. A Razer está listada na bolsa de valores de Hong Kong.
#Envolverde
Peça de teatro provoca discussão sobre meio ambiente em escolas de MG
Com organização da Cia. Candongas, o “Circuito Copasa de Meio Ambiente” circulará com a fábula infantil por escolas públicas mineiras em dois turnos a partir da próxima segunda-feira, começando por Timóteo, no Vale do Aço
Na próxima segunda-feira (28), o espetáculo “O Monstro do Lixo”, organizado e produzido pela Cia. Candongas e patrocinado pela Copasa, circulará por sete cidades mineiras e visitará nove escolas públicas, municipais e estaduais, do Vale do Aço e Região Sudoeste. Serão 18 apresentações ao todo, começando por Timóteo e passando também por Coronel Fabriciano, Caratinga, Guaranésia, São Sebastião do Paraíso, Itaú de Minas e Cássia.
Com o intuito de alcançar o maior número de crianças possível, a fábula infantojuvenil será apresentada duas vezes em cada instituição, contemplando os turnos da manhã e da tarde.
“’O Monstro do Lixo’ foi inspirado em festas e folguedos populares de Minas Gerais e com linguagem poética, ludicidade e músicas animadas, o espetáculo propõe uma reflexão sobre a forma que cuidamos do nosso meio ambiente, tratamos o nosso lixo e nos preocupamos com a manutenção da vida em nosso planeta. O foco é o consumo e a produção desenfreada de rejeitos”, afirma a organização do espetáculo.
Na história, Guarda Mor e Bastião são marujos que narram o sofrimento da Mãe Terra quando as matas são devastadas, os bichos fogem e os rios morrem. A Mãe Terra alerta que todo o seu sofrimento vem dos rejeitos do Monstro do Lixo — grande serpente inspirada em dragões chineses e confeccionada com materiais reciclados. À medida que a narrativa se desenvolve, os marujos percebem que o Monstro não é o causador do sofrimento da Mãe Terra. Os grandes vilões da história são a compra e a produção desordenada, o desperdício e falta de reciclagem e reutilização do lixo.
“O Monstro do Lixo” tem direção e dramaturgia de Guilherme Théo e produção de Juliana Ribas. O elenco é composto por Cláudia Henrique, Guilherme Théo e Gustavo Bartolozzi. Ainda, todos os adereços e figurinos, bem como os instrumentos musicais utilizados na peça são confeccionados com materiais reciclados e/ou reutilizados e são assinados pelo artista plástico, Adriano Borges da Cruz.
A turnê “O monstro do lixo” conta com o patrocínio da Copasa, que abraçou a causa por meio dos projetos e processos de educação ambiental da empresa, seguindo sua premissa de sensibilizar e conscientizar as pessoas a respeito da importância da água para a vida. “Buscamos sistematicamente contribuir para a formação de cidadãos aptos à ação proativa, bem como a identificação e solução de problemas socioambientais do cotidiano.”
“Justamente por isso, e acreditar em trazer o que há de melhor, nós, por meio de projetos, procuramos estar sempre atentos e preparados, seja cuidando da água ou estimulando e patrocinando a cultura e a identidade da alma mineira. Assim, é com grande alegria e orgulho que patrocinamos, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, o projeto Cia Candongas e mais essa turnê incrível”, afirma a Copasa.
Confira a programação completa:
Circuito Vale do Aço:
Timóteo (28 e 29 de março)
Escola Municipal Maria Aparecida Martins Prado, localizada na avenida Pinheiro, 2001 — Alphaville, e Escola Municipal de Timóteo, localizada na rua Rio São Francisco, 140 — Alvorada.
Coronel Fabriciano (30 e 31 de março):
Escola Municipal Maria das Graças Ferreira, localizada na rua Áustria, 692 – Corrego Alto, e Escola Municipal Otávio Cupertino dos Reis, localizada na rua Padre Camilo Didone, Bairro – Jardim Primavera
Caratinga (1 de abril):
Ginásio Dário da Anunciação Grossi, localizado na avenida Moacyr de Matos, 49 — Centro
Circuito Sudoeste de Minas:
Guaranésia (25 de abril):
Escola Municipal Olavo Vilas Boas, localizada na rua Bartolomeu Lauria, 60.
São Sebastião do Paraíso (26 de abril):
Escola Municipal Ibrantina Amaral, localizada na rua Antônio Ananias, 690.
Itaú de Minas (27 de abril):
Escola Municipal Monsenhor Ernesto Cavicchioli, localizada na rua José Taliberti Sobrinho, 401.
Cássia (28 de abril):
Escola Municipal Allan Kardec, localizada na rua Silene Farah, 22.
A ação será realizada no âmbito da Lei Federal de Incentivo à Cultura celebrado entre a Companhia Candongas e Outras Firulas e a União, por intermédio do Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura e Secretaria da Economia Criativa. Além disso, conta com o patrocínio do Governo Federal e da Copasa e o apoio do Governo de Minas Gerais, Pessoa Comunicação, Café Pingado e Lab Front.
Serviço:
Turnê “O Monstro do Lixo”
Local: Timóteo, Coronel Fabriciano, Caratinga, Guaranésia, São Sebastião, Itaú de Minas e Cássia
Data: De 28 de março a 28 de abril
Organização: Cia. Candongas
Patrocínio: Copasa
#Envolverde
Entenda os motivos das mulheres serem tão impactadas pela emergência climática
Por Tatiane Matheus (*) para o ClimaInfo –
As consequências da emergência climática refletem, entre muitos exemplos, em uma maior incidência de pandemias, enchentes, deslizamentos, furacões, enfim, eventos extremos da natureza. As mulheres estão entre os grupos mais vulneráveis à crise climática em diferentes aspectos. Também são as responsáveis pelas tarefas de reprodução e de cuidados da vida. Deixando claro que isso não tem a ver com gênero, mas sim com a estrutura da nossa sociedade.
Diante disso, os mais excluídos são mais vulneráveis e tudo isso reflete em quem está nesse trabalho de cuidado. Ou seja, as mulheres. Aproximadamente 80% das pessoas deslocadas pelas mudanças climáticas são mulheres, de acordo com o relatório Women in Finance Climate Action Group. As consequências podem ser devastadoras como ao que foi recentemente divulgado no ClimaInfo que, em comunidades agrícolas no Zimbábue, jovens mulheres e crianças estão entrando na prostituição depois que secas e enchentes destruíram suas plantações e sua subsistência. Não precisamos ir tão longe, vimos durante a pandemia mulheres, de todas as classes sociais, largando seu trabalho para cuidar dos filhos e idosos da família – refletindo a economia de cuidado (trabalho, majoritariamente feito por mulheres, de dedicação à sobrevivência, ao bem-estar e/ou à educação de pessoas).
Diante destes e de muitos outros exemplos, enxergar e querer trazer soluções sem levar essa desigualdade em conta é somente tratar o tema sem a seriedade que merece para trazer soluções, de fato, efetivas. Raça, etnia, classe social, região, religião, por exemplo, podem fazer com que esses impactos da emergência climática sejam vivenciados de formas e intensidades distintas (e até mais intensas) pelas mulheres. Na verdade, estamos falando de todas as mulheres, mas que por outros fatores têm percepções e sofrem desses impactos de maneiras e intensidades diferentes.
O machismo estrutural tira mulheres até mesmo dos empregos considerados verdes. Por exemplo, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis, Irena, as mulheres ocupam apenas 32% dos empregos relacionados às energias renováveis no mundo. No Brasil, as mulheres também são a minoria. Entretanto, também falta paridade de gênero nas esferas de decisão.
Ao refletirmos sobre e sob o olhar de gênero e clima é fundamental acrescentar a esta análise o como o racismo institucional, estrutural e ambiental influenciam as decisões sobre licenças ambientais, as leis de proteção ambiental e até mesmo as permissões de uso da terra. No Brasil, ainda existem os reflexos e as consequências — na estrutura da nossa sociedade — da cultura escravocrata do período do Brasil colônia. O racismo ambiental também deve ser levado em conta na análise de gênero e clima. Como explica a filósofa e antropóloga brasileira Lélia Gonzalez, o lugar em que nos situamos determinará nossa interpretação sobre o duplo fenômeno do racismo e do sexismo.
O levantamento feito pelo Fórum de Mulheres para Economia e Sociedade (WFES) apontou que três em cada quatro mulheres adotaram um novo comportamento para preservar o meio ambiente. Este protagonismo em ações regenerativas da terra está também da forma a qual nossa sociedade está estruturada. E ainda reforça a ideia de que as mulheres na nossa sociedade são as responsáveis pelo trabalho de cuidado também e não remunerado (ou muito pouco), tanto quanto elas são as mais atingidas por estarem desempenhando essas tarefas.
Há várias ações que devem ser adotadas. Desde aumentar a participação das mulheres nas esferas de decisão relacionadas às ações que serão implementadas para combater à emergência climática, políticas públicas que levem as questões de gênero e as suas interseccionalidades para aí sim trazer essa equidade; pensar no âmbito econômico; levar em conta esses impactos desiguais nas ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
*Tatiane Matheus é jornalista e pesquisadora no Instituto ClimaInfo
#Envolverde
Mulher não dorme, cochila
Por Liliana Peixinho * –
Estatísticas, fatos, registros sobre desrespeito, violência, exploração, negação de direitos à mulher, são diários, constantes e históricos.
Firme, forte, sem desistir do seu papel agregador, a mulher segue na luta, em atuação permanente em todas as áreas da vida: na Academia, na ciência, na política, no esporte, nas artes, na pesquisa avançada, no intercâmbio entre países, nas residências, na agricultura, no artesanato, na moda, na culinária, nos cuidados e afetos.
Protagonismos x Retrocessos
A força interna da mulher canaliza energias que passam pelo cérebro, na razão do cuidado; vai para os músculos, na emergência em fazer tarefas, enfrentar desafios; e persiste, insiste, diante das necessidades do cuidar, proteger, realizar. E superar-se, a cada novo desafio.
Performances que, às vezes, no drible ao tempo, deixam marcas, cicatrizes expostas, dores, sofrimento, perdas irrecuperáveis.
Seja no céu, no mar ou na terra, a mulher, historicamente, mostra sua coragem e força em compromisso coletivo para o Bem-viver. São diversas as lutas históricas em desafios constantes.
Mães sem renda, com renca de filhos, pais desempregados, sem moradias decentes, amontoados uns sobre outros, exploração no trabalho, violências diversas, Brasil e mundo afora, nos chamam a atenção, diária e historicamente.
Que futuro pode ter a humanidade em cenários tão perversos?
Mães que se veem sem alternativas e saem ao raiar do sol de suas moradias, madrugadas insones, em via crucis de baldeação de transportes coletivos, para chegar até outro bairro, em residência alheia, para cuidar dos filhos de outras mães em troca de salário mínimo – remuneração insuficiente até para a mínima dignidade, como a garantia de uma alimentação saudável.
É foco das minhas pautas, como jornalista independente, no Movimento AMA- Amigos do Meio Ambiente e outros coletivos em que atuo, há mais de 20 anos, observar, retratar e compartilhar histórias de vida de mulheres/mães em seus entornos sociais. Dessas e outras experiências em Imersões Comunitárias escrevo o livro: “A 25a Hora”.
Entraves Sociais
Ao longo da pandemia Covid-19, até mesmo para receber o “Auxílio Emergencial” do governo, a luta é árdua. A burocracia, o descaso, o faz de conta dificultam o acesso aos sistemas de benefícios sociais lentos, ineficientes, perversos. Nesse cenário, as crianças ficam desprotegidas desde o início da vida: no aleitamento materno, na vacinação, nos afetos, na alfabetização, nas relações familiares e outras garantias educativas que sustentam histórias de vida, sem as garantias das retaguardas sociais.
Nos anos 1990, acompanhei os trabalhos de coletivos sociais Brasil afora na mudança do obsoleto Código de Menores para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A lei trazia como proposta o compromisso de garantir e avançar em direitos que sacudiriam o tripé: Família/Sociedade/Estado em suas responsabilidades conjuntas no cumprimento do dever de educar em ambientes integrados.
Os esforços foram diversos e continuam. Se olharmos com cuidado ao nosso redor, veremos o quanto estamos distantes da mínima garantia para a dignidade da vida.
Múltiplas Labutas
Dessa interação com diversas mulheres, na labuta diária, entre os seus múltiplos papéis –afazeres domésticos, cuidado com a família, trabalho fora de casa, plantões solidários de vidas – retratei em várias matérias a rotina de mulheres que não dormem, apenas cochilam no seu cotidiano de dias curtos e noites longas.
A mídia, movimentos sociais, coletivos diversos, reforçam o proativismo feminino em seus múltiplos papéis. O reconhecimento desse perfil da mulher, apesar de visível, não tem correspondência aos esforços históricos de lutas nas diversas frentes. A mulher não precisa mais dar provas de sua capacidade para encarar, realizar desafios. A proporção entre o tempo histórico para fortalecer e elevar esse perfil, e a garantia de estruturas sociais dignas do esforço, são injustas, não suprem as reais necessidades cotidianas. Chega a ser abusiva, exploradora.
Tempo para Si
Mas, a mulher, depois de tanta luta, estaria a pedir um tempo para si mesma?
O protagonismo feminino precisa ser traduzido em direitos, que continuam sendo negados. A desvalorização da mão de obra, do suor, da entrega ao trabalho, em todas suas múltiplas jornadas, tem elevado os níveis de dores ao insuportável.
O que ainda se vê é a submissão de mulheres, que se veem acuadas diante de provedores materiais. É uma escravidão, em agenda pesada na qual ela até tenta amenizar, mas, sem opções para priorizar-se, colocar-se no topo, antes de qualquer outra atividade. Antes dela, existem outros: a família, o patrão, os colegas de trabalho, a mãe, o pai, o neto, o sobrinho, a amiga, num ritmo de atenção e cuidados sem fim. A 25a hora é acionada, com frequência, em dias onde 24 horas não têm sido suficientes para tanta sobrecarga de atividades.
Ouço e leio por aí que a mulher moderna é aquela que se permite ser um pouco relapsa. Relapsa? Que luxo poderia ser! Mas não pode, ou ela não se permite. Precisa estar bela, e até escrava de alguns comportamentos, para atender padrões estéticos externos. O consolo é ver movimentos libertários dos padrões do culto à beleza, por meio da valorização do todo, onde a estética é apenas um detalhe dentre muitos outros aspectos importantes no cuidado integral à vida.
Em trabalho de Imersões Jornalísticas Comunitárias, Sertão adentro Brasil afora, observo por que mulheres não se permitem ser relapsas. Como se permitir, fazer de conta que não vê, sente, ouve, o que estão a necessitar filhos e filhos à sua frente?
Como deixar de lado famílias inteiras, numerosas, para educar, dar de comer, vestir, cuidar, promover a saúde, em ambientes de muita carência?
Como ser “relapsa” com determinadas demandas para pensar em si, vendo o companheiro desempregado, a despensa vazia, os filhos puxando a barra da saia, chorando de dor, de fome?
Drible no Tempo
A mulher, com essa natureza de resistir, alimenta forças invisíveis para se levantar e seguir nos desafios.
O que vejo são mulheres mãe solo, ou ao lado de maridos, filhos e parentes, lutando pela vida, aparentemente incansáveis.
Vejo mulheres que são mães, avós, filhas, netas, sobrinhas, esposas, em filas gigantes, em via crucis diárias para garantir direitos; vejo mulheres com pesos sobre a cabeça, andando quilômetros, em suor e cansaço; vejo mulheres com bacias cheias de roupas para lavar, esfregar, estender, pegar do varal, dobrar, guardar organizar; vejo mulheres sempre carregadas de peso nos ombros, nos quadris; vejo mulheres driblando a vida para amortecer dores. Mulheres, novas e idosas, sob o sol a pino à procura de feijão, farinha, frutas. Mulheres das roças, das cidades, das metrópoles.
Mulheres que criam, transformam, improvisam, inventam, tentam, conseguem e resistem às dores de perdas. Mulheres que tentam sair de perversos ciclos de negação de direitos.
E, nesse cenário, a realidade de trabalho da mulher nordestina, brasileira, africana, asiática e mundo afora, está a nos indignar em tanta desumanidade.
Depois de tanto correr, lutar, desafiar, se entregar inteira, na criação, cuidados com filhos e filhos, sobrinhos, netos, vizinhos, a guerreira, a que não pára, ainda não se permite dizer não.
Vôos Altos Pés no Chão
Aquelas que conseguiram ter acesso à informação de qualidade, que galgaram espaços de decisão em empresas, em instituições, na Ciência, na Política, no Esporte, na Cultura, não atuam em exclusividade. Estão, como outras, a desempenhar múltiplas funções, em sobrecargas de trabalho que estressam, adoecem, pela constante abnegação do seu tempo, a outrem.
Mulheres que carregam o peso de estar a encontrar tempo para promover o cuidado com a família e a carreira; em entrega ao acompanhamento da educação e afetos; mulheres que tentam driblar o tempo para a fundamental formação de valores que a família requer.
Parceria Harmonia
E quando observamos o comportamento de homens comprometidos, parceiros, lado a lado, desses desafios nas atividades domésticas, no trabalho externo, nas ruas, é tempo de alimentarmos a esperança de que a distribuição dos trabalhos independe de gênero, competência, tradição, e sim do compromisso e consciência coletiva das responsabilidades.
Legendas fotos:
01- Lucia Marisy Souza Ribeiro de Oliveira- Professora Dra-
Pro Reitora de Extensão da Univasf. Desenvolve diversos projetos ligados à Extensão Comunitária de valorização a Ecossistemas como Caatinga e Bacias do Rio São Francisco- Pernambuco e Bahia.
02- Luciana Chinaglia Quintão – Economista, fundadora e presidente da ONG Banco de Alimentos, há 23 anos na luta contra a fome e o desperdicio, em conceito transversal “Alimentar, Educar e Transformar”.
03- Alda Miller – Socióloga (pós graduada em economia e desenvolvimento sustentável), permacultora, especialista em questões de gênero, ex-candidata à prefeita de Porto Alegre, mãe, avó-cuidadora do neto, cidadã ativa, Ambientalista. Rio Grande do Sul
04- Karen Alejandra Calvo Díaz – Filóloga, pesquisadora mundo afora, professora, comunicadora, filha cuidadora da mãe. Costa Rica.
05- Iza Calbo -Jornalista, poeta, mãe, avó, amiga, cidadã, cuidadora do pai, equilibrista na vida. Salvador- Bahia
06- Dona Isaura- Anfitriã da histórica Greve de fome do bispo Dom Cappio, pela Revitalização do Rio São Francisco- Cabrobó -Pernambuco.( com Leticia Teixeira )
07- Edna Matos – jornalista e analista de sistemas. Pesquisadora em Tradução Literária, cultura escrita e humanidades digitais na Universidade de Salamanca- Espanha.
08-Marilene Brito Brito- Professora comunitária, artesã, bonequeirhla,
Criadora de bonecas terapêuticas ecológicas. Zona rural – Feira de Santana-Ba
09- Dona Iracema- 88 anos, artesã, cultivadora de plantas, mãe, viúva, bisavó, amiga, cidadã que não pára de se movimentar.
10- Julia- Agricultora familiar, mãe, esposa, avó, que levanta com o o raiar Sol na labuta diária. Bebedouro- Monte Santo- Bahia
11- Francineide Marques – advogada, Doutoranda em Difusão do Conhecimento, pesquisa em Filosofia África, mãe, avó, cidadã de luta por garantia de direitos! Salvador-BA
12- Elizabeth Oliveira -Jornalista, especializada em pautas socioambientais, mãe, cuidadora da mãe, cidadã de luta! Rio de Janeiro.
13- Gladys Barbosa – Assistente Administrativa, mãe, amiga, dona de casa, educadora, chefe de família. Cidadã lutadora desde a adolescência!
14- Cylene Dantas Da Gama – Boston University- Latin American History and Politics. Idealizadora do “Dia da Mulher do Campo” .Reconhecida como “A Mulher do Ano” por defesa de direitos. São Paulo.
15-Dona Zefa- Artesã, Agricultora, esposa, cozinheira, lavadeira, mãe, amiga. Lutadora incansável. Barreira do Tubarão- Hiliópolis-Bahia
*Crédito da imagem destacada: Alen Peixinho / Publicitário
* Liliana Peixinho – Jornalista, especialista em Jornalismo Científico e Tecnológico, Mídia, Meio Ambiente e Sustentabilidade. Ativista socioambiental. Fundadora de mídias independentes: Movimento AMA- Amigos do Meio Ambiente, Mídia Orgânica, REAJA, Catadora de
Sonhos, Cuidar do Cuidador, RAMA- Rede de Articulação e Mobilização Ambiental, O outro no Eu.
#Envolverde
Menos de 7% dos rios da Mata Atlântica apresentam água de boa qualidade
Levantamento da organização não governamental (ONG) SOS Mata Atlântica revelou que somente 6,8% dos rios da Mata Atlântica do país apresentam água de boa qualidade.
A pesquisa não identificou corpos d’água com qualidade ótima. Mais de 20% dos pontos de rios analisados apresentam qualidade de água ruim ou péssima, ou seja, sem condições para usos na agricultura, na indústria ou para abastecimento humano, enquanto em 72,6% dos casos as amostras podem ser consideradas regulares.
Os dados constam da nova edição da pesquisa O Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica, realizada pelo programa Observando os Rios da SOS Mata Atlântica. A entidade avalia que o Brasil ainda está distante de atingir o ideal de água em quantidade e qualidade para os diversos usos. O levantamento é divulgado no Dia Mundial da Água, comemorado nesta terça-feira (22).
“Os resultados de 2021 nos mostram que a gente continua numa situação de alerta em relação à água, aos nossos rios, já que menos da metade da população brasileira tem acesso ao serviço de esgotamento sanitário. E os rios vão nos contar o que está acontecendo”, disse o coordenador do programa Observando os Rios, Gustavo Veronesi.
Ele explicou que o retrato da qualidade da água nas bacias da Mata Atlântica é um alerta para a condição ambiental da maioria dos rios nos estados do bioma. A inadequação da água para usos múltiplos e essenciais pode ser, segundo a entidade, consequência de fatores como a poluição, a degradação dos solos e das matas nativas, além das precárias condições de saneamento.
Veronesi acrescentou que as populações mais pobres são as mais afetadas pelas deficiências de estrutura de atendimento ao fundamental, que são água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos e manejo de águas de chuva, pilares do saneamento básico.
Os indicadores foram obtidos entre janeiro e dezembro de 2021 por 106 grupos voluntários de monitoramento da qualidade da água. Foram realizadas 615 análises em 146 pontos de coleta de 90 rios e corpos d’água de 65 municípios em 16 estados do bioma Mata Atlântica. Esses estados são Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
De acordo com a SOS Mata Atlântica, houve pouca alteração em relação aos resultados do período anterior de monitoramento, no ano passado, com alguns casos localizados. As análises comparativas dos anos de 2020 e 2021 consideram os indicadores aferidos em 116 pontos fixos de monitoramento. Em 2021, foram nove pontos com qualidade boa (em 2020 eram 12); 84 com qualidade regular (80 em 2020); 22, ruins (21 no ano anterior) e apenas uma péssima, enquanto em 2020 foram três.
Sobre o fato de não haver grandes avanços de um ano para outro, Veronesi ressaltou que o processo de recuperação é muito mais lento que a ocorrência da poluição. “Um serviço de saneamento é muito demorado para dar resultado, vide o projeto de despoluição do Rio Tietê, são 30 anos para a gente conseguir aferir melhoras em alguns pontos, em alguns rios das bacias do Alto e Médio Tietê.
“Sujar um rio é questão de segundos, é fácil. Agora limpar, despoluir, é muito mais demorado, porque depende do tempo de a natureza também se autodepurar e a gente parar também, a nossa natureza humana parar de sujar. O Rio não é sujo, quem suja somos nós. Somos os responsáveis pela sujeira e também pela limpeza, então é um esforço de toda a sociedade e, óbvio, o poder público tem papel central”.
Como exemplo positivo, a entidade destacou o Lago do Ibirapuera, localizado na capital paulista, onde a água passou de regular para boa, com relatos de aparecimento de peixes em sua foz. Outra evolução ocorreu no Tietê, em Santana do Parnaíba, saída da Grande São Paulo, que sempre recebeu muita carga de esgoto e lixo da região metropolitana e sempre vinha com qualidade péssima ou ruim ao longo do tempo. No entanto, este ano melhorou para qualidade regular, o que significa, segundo Veronesi, que as obras de saneamento estão fazendo efeito.
Por outro lado, uma situação que chamou a atenção da entidade foi a piora na qualidade dos rios em Mato Grosso do Sul, na região de Bonito. “Quando a gente fala dessa localidade, as pessoas logo pensam nas águas cristalinas que existem lá, principalmente o Rio Bonito. Houve piora em todos os pontos de monitoramento daquele estado. Os quatro pontos em que a gente podia fazer comparação em relação ao período anterior tiveram piora na média da qualidade.”
Segundo ele, este resultado mostra que a qualidade da água pode ser relacionada ao desmatamento, “porque também o Atlas da Mata Atlântica vem notando que essa é uma região que sofre bastante com desmatamento ilegal – isso vem acontecendo – e, quando você muda, tira a floresta, que é um filtro para a água e muda o uso do solo, isso causa impacto. O rio nos conta tudo, nos diz o que está acontecendo em uma bacia hidrográfica”, disse.
Para Veronesi, uma das soluções passa por conter o desmatamento ilegal. “Isso é uma questão que deveria ser de primeira ordem, de primeira necessidade, até por questões de emergência climática, e a Mata Atlântica é um dos biomas mais importantes para a gente conter o aquecimento global”, disse. Ele citou a necessidade de políticas públicas mais efetivas relacionadas ao reflorestamento, à preservação das áreas de proteção permanente e à restrição do uso de agrotóxicos.
Por Camila Boehm, Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/03/2022
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