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quarta-feira, 3 de junho de 2020

ESTAMOS MAIS ECOLÓGICOS ?

Por Deivison Pedroza* – 
Não faz muito tempo fomos pegos de surpresa com a notícia de que alguns locais que se encontravam em quarentena apresentaram uma melhora em seu cenário ambiental. Seria arriscado demais afirmar que talvez a COVID-19 seja uma resposta do planeta ao comportamento predatório do ser humano?
Se analisarmos o nosso tempo de existência nessa cápsula flutuante no espaço, e compararmos esse tempo com as 24 horas de um dia, veremos que o relógio dedicado a participação do ser humano no planeta seria contabilizado com apenas alguns segundos. Porém, o dano provocado direta e indiretamente pela ação do homem vem acelerando esse ponteiro.
Lugares onde se afirmava não ser possível fazer temperaturas negativas chegou a ficar debaixo de neve. Ciclones na América do Sul também aconteceram, assim como tremores de terra onde não existem falhas geológicas. O planeta vem dando sinais de esgotamento do comportamento humano e sua estúpida lógica de acreditar ser proprietário dele.
O fenômeno do aquecimento global, projeção catastrófica capaz de provocar opiniões tão divididas entre os que não acreditam na possibilidade da interferência humana e aqueles defensores de novas alternativas para diminuir a velocidade do cronômetro que se aproxima do fim, não consegue chegar a um consenso. Sem acordos os países não cumprem o que comprometem em reuniões de discussão do tema, selando acordos ilusórios e sem validade. E então, bastam alterações no tabuleiro econômico para deixar essas políticas de lado, em prol dos interesses individuais de cada nação.
Enquanto vivemos nessa “guerra” ideológica, o planeta segue vendo seus recursos naturais sendo consumidos em uma velocidade maior do que sua capacidade de se regenerar. Porque, apesar das maravilhas que ele é capaz de nos fornecer, a ganância do homem vem ultrapassando o equilíbrio que essa célula tenta a todo custo manter. A cada ano a capacidade de o planeta suprir nossa necessidade é adiada em um mês. Nos falta sabedoria para deixarmos de ser a incongruência da equação.
E tudo isso ocorre enquanto cientistas e ambientalistas tentam nos avisar do perigo que estamos correndo. Lembro de ter lido recentemente sobre a descoberta de vírus desconhecidos que existem há milhares de anos e encontram-se sob a camada de gelo que vem derretendo ano a ano, a chamada Permafrost. Vírus esse que poderia provocar uma pandemia igual ou até mais violenta que a atual.
Sobre o Coronavírus, sabemos que ele já existe há muito tempo, e o que enfrentamos hoje é uma mutação sua. Será então que a COVID-19 não poderia ter sua origem, a causa da sua mutação, da mesma ação humana que desequilibra o meio ambiente? Isso só o tempo e muita pesquisa poderá nos responder.
Imagens de satélite tem nos mostrado que nessas “férias forçadas da humanidade” os indicadores de poluição e emissões dos gases do efeito estufa têm diminuído. A natureza é rápida quando quer recuperar seus espaços. Esperamos que a humanidade saiba respeitar e entender tão rapidamente quanto o meio ambiente seu papel nessa equação, para que possamos aprender a como conviver em harmonia com ele. Caso contrário, quanto tempo ainda nos restará?
*Deivison Pedroza é CEO da Verde Ghaia
#Envolverde

terça-feira, 2 de junho de 2020

MT: Em plena pandemia, madeireiros invadem Terra Indígena Urubu Branco

É urgente a desintrusão e proteção do território, para evitar contaminação e garantir os direitos do povo Apyãwa, aponta o Cimi Regional Mato Grosso

Madeira apreendida em operação da Polícia Civil na TI Urubu Branco, em maio de 2020. Foto: povo Tapirapé
Madeira apreendida em operação da Polícia Civil na TI Urubu Branco, em maio de 2020. Foto: povo Tapirapé
Enquanto membros do governo federal sinalizam em reunião que querem aproveitar o momento da pandemia para deixar passar “a boiada” da desregulamentação, fragilizando ainda mais os órgãos que deveriam agir na proteção do meio ambiente e dos direitos, os invasores das terras indígenas seguem efetivando suas ações.
No dia 26 de maio, durante uma operação da Polícia Civil, houve a apreensão de pessoas que estavam extraindo ilegalmente madeira da Terra Indígena (TI) Urubu Branco, município de Confresa, Mato Grosso. Foram encontrados dois barracos de madeira que serviam de moradia e cozinha para os invasores, motosserras e muitas toras de pau-brasil cortadas. Lideranças Apyãwa (Tapirapé) expressaram sua indignação diante do fato de estarem recolhidos em quarentena por causa da pandemia provocada pelo coronavírus e serem surpreendidos com esta nova invasão de seu território.
Esta terra indígena, onde há sete aldeias com cerca de 1000 Apyãwa, foi demarcada e homologada em 1998. Desde 1993, quando os Apyãwa retomaram seu território tradicional, aconteceu um processo de invasão por parte de criadores de gado que se instalaram na parte norte da área, derrubando grandes extensões de mata para implementar pastagens.
Esses ocupantes ilegais permanecem na terra indígena amparados por diversas liminares judiciais. Entretanto, em 4 de março deste ano, uma decisão da Justiça Federal da 1ª. Região[1] determinou a retirada de todos os invasores da TI Urubu Branco, decisão não cumprida até o momento.
Árvore derrubada no interior da TI Urubu Branco, invadida por madeireiros em meio à pandemia de covid-19. Foto: povo Tapirapé
Árvore derrubada no interior da TI Urubu Branco, invadida por madeireiros em meio à pandemia de covid-19. Foto: povo Tapirapé
Junto com a presença invasiva de criadores de gado, tem ocorrido invasões sistemáticas de madeireiros que contratam peões para extraírem ilegalmente madeira no interior da terra indígena. No dia 5 de abril de 2019, a Polícia Federal apreendeu quatro pessoas que estavam extraindo madeira na TI Urubu Branco. No dia 3 de maio, menos de um mês depois, o Ibama também realizou uma operação na TI Urubu Branco, na qual aprendeu 12 pessoas, três tratores e três caminhões e destruiu três barracos dos peões. As pessoas estavam armadas. No local havia muitas toras de pau-brasil, jatobá e outras de madeiras de valor.
Porém, o barulho de motosserras continuava e no dia 7 de maio de 2019 os Apyãwa resolveram fazer uma vistoria por eles mesmos. Encontraram um peão, lapidando toras de madeira. Os Apyãwa apreenderam este rapaz e o levaram para a aldeia, entregando-o depois para a Polícia Civil. Observaram muitas madeiras cortadas, encontraram mais dois acampamentos que foram destruídos e observaram cercas separando lotes dentro da terra indígena.
Ainda em 2019, além das invasões, os Apyãwa também sofreram com as queimadas em seu território, e foram a Brasília junto a outros povos da região do Araguaia para cobrar dos órgãos públicos medidas de proteção, fiscalização e combate aos incêndios.
Os peões que são presos em cada operação logo são soltos e nunca se chega aos mandantes dos crimes ambientais e de invasão do território. E agora, em maio de 2020, novamente, se constatam os mesmos crimes sendo praticados, configurando um processo de impunidade que vem desde a década de 1990.
Neste período, em que os casos de contaminação pela covid-19 avançam na região nordeste de Mato Grosso, faz-se urgente a ação dos órgãos federais para a desintrusão e proteção da TI Urubu Branco. É uma ação necessária para reduzir os riscos de contaminação do povo Apyãwa e resguardar o direito originário deste povo ao seu território.

Cuiabá, 29 de maio de 2020

Conselho Indigenista Missionário – Regional Mato Grosso


[1] Ação Civil Pública nº 1002196-43.2019.4.01.3605

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/06/2020
MT: Em plena pandemia, madeireiros invadem Terra Indígena Urubu Branco, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 2/06/2020, https://www.ecodebate.com.br/2020/06/02/mt-em-plena-pandemia-madeireiros-invadem-terra-indigena-urubu-branco/.

Periferias são mais vulneráveis ao coronavírus

covid-19
Informalidade e desigualdade urbana sãos as principais causas
Por Lola Dias
Escuta-se desde o início da pandemia no Brasil, quais são as medidas de prevenção recomendadas para conter o novo coronavírus – usar máscara e álcool em gel, lavar as mãos e o rosto com frequência e praticar o distanciamento social. Mas nem todas essas práticas estão ao alcance de moradores de comunidades e periferias das cidades.
Grande parte desta população tem dificuldades de acesso aos produtos que garantem a desinfecção. Ficar em casa muitas vezes não é uma opção, por trabalharem pelo sustento diariamente, além disso, as moradias geralmente têm poucos cômodos e o abastecimento de água é intermitente.
“Várias são as dificuldades para a contenção, em síntese podemos dizer que a impossibilidade de manter o distanciamento social, a falta de uma renda fixa ou até mesmo dos benefícios para a sobrevivência, são as principais dificuldades para controlar a doença na periferia”, explica Cristiano Caveião, doutor em enfermagem e coordenador da área da saúde do Centro Universitário Internacional Uninter.
O professor reforça que mesmo com dificuldade é importante manter ações de prevenção. “Manter hábitos de higienização frequente das mãos com água e sabão, evitar aglomerações e saídas de suas residências, deixar os ambientes ventilados e também intensificar a higiene da residência”, comenta.
Mulheres são as mais vulneráveis
No fim de abril, o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) recomendou, em um relatório, que os governos adotem políticas de assistência específicas para os segmentos mais vulneráveis socialmente, principalmente mulheres residentes em periferias e favelas.
Segundo o levantamento elas necessitam desta assistência uma vez que formam a linha de frente do trabalho de cuidado não remunerado de familiares e amigos. Destacou também que o grupo é predominante em atividades remuneradas com maiores riscos de contágio — as mulheres correspondem a 80% e 90% das enfermeiras, técnicas de enfermagem e cuidadoras, além de faxineiras e domésticas.
Evolução da pandemia
Para Caveião, a pandemia ainda não evoluiu em todo o país, muitas pessoas precisarão dos serviços de saúde e não encontrarão recursos nestes locais para o atendimento necessário. “Muitos não estão levando a sério o isolamento e transitam sem nenhum cuidado, outros saem de suas residências porque são obrigados, para conseguirem o seu sustento e de sua família. Viveremos em períodos alternados de distanciamento social e retorno das atividades”, afirma.

Nota da redação:

Sobre o mesmo tema sugerimos que leia, também:

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/06/2020
Periferias são mais vulneráveis ao coronavírus, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 2/06/2020, https://www.ecodebate.com.br/2020/06/02/periferias-sao-mais-vulneraveis-ao-coronavirus/.

Com a pandemia e o distanciamento social, bullying migrou para os meios digitais

bullying
A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Raquel Kobashi Gallinati, faz um alerta em meio à pandemia: o bullying, que ocorria de forma presencial, migrou para os meios digitais, com resultados ainda mais prejudiciais às vítimas.
Por Marcel Cordella
“O bullying, que antes ocorria principalmente na escola, se transformou no cyberbullying, e agora existe nas redes sociais, grupos de whatsapp e todos os meios onde os agressores consigam acesso às suas vítimas”, explica a delegada.
Apesar do bullying em si e do cyberbullying não serem tipificados como crimes no Brasil, as ações podem ser configuradas como os crimes contra a honra, como calúnia, difamação, injúria ou até mesmo injúria racial, dependendo do que foi escrito ou gravado em áudios e publicado.
“Com a apresentação simples de prints de páginas de redes sociais onde ocorreu o cyberbullying, é possível comprovar a materialização dos crimes”, explica Raquel. “Se o autor for adulto, será feita a ocorrência de acordo com o crime cometido. Se for adolescente, será registrado o ato infracional correlato ao crime, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente”.
A delegada classifica o bullying e o cyberbullying como doenças sociológicas, onde a única intenção do agressor é humilhar a vítima. Como a internet faz parte do cotidiano dos jovens e teve seu uso intensificado na quarentena, a migração do bullying para os meios digitais foi natural, aumentando, inclusive, a sensação de impunidade.
“Os adolescentes são muito influenciáveis e o bullying tem como característica a necessidade da humilhação pública, então os grupos de whatsapp e as redes sociais são ambientes onde os agressores encontram o público que eles precisam. É uma forma de demostrar poder sobre o outro”.
A legislação brasileira prevê o combate ao bullying na Lei 13.185/2015, que o define como todo ato de violência física ou psicológica intencional e repetitiva.
O artigo 2° da lei considera bullying quando ocorre intimidação, humilhação, discriminação, ataques físicos, insultos pessoais, comentários sistemáticos e apelidos pejorativos, ameaças, desenhos depreciativos, expressões preconceituosas e isolamento social consciente e premeditado.
Outra lei, a 13.663/2018, exige que escolas promovam medidas de conscientização e combate à violência, inclusive o bullying. “Precisamos de uma legislação que normatize o cyberbullying como crime, porque ele causa um dano moral e psicológico imensurável nas vítimas”, avalia Raquel.
Para a delegada, os pais devem ficar atentos às atividades dos filhos na internet e verificar celulares e e-mails. As escolas também têm o dever de capacitar seus colaboradores para lidar com o problema.
“Com o cyberbullying, as vítimas estão expostas 24 horas por dia e não estão seguras nem dentro de casa. Muitas vezes essa vítima não suporta mais a humilhação e tenta suicídio. Precisamos orientar nossos jovens e ensinar valores e empatia, para que o bullying não tenha mais espaço na nossa sociedade”, conclui a delegada Raquel Gallinati.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/06/2020
Com a pandemia e o distanciamento social, bullying migrou para os meios digitais, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 2/06/2020, https://www.ecodebate.com.br/2020/06/02/com-a-pandemia-e-o-distanciamento-social-bullying-migrou-para-os-meios-digitais/.

EcoDebate - Edição 3.443 de 02/ junho / 2020


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
“Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

FIQUE AO LADO DOS IANOMAMI !


James,
Os Yanomami não querem morrer.


Mas eles correm risco de genocídio. A Terra Indígena Yanomami tem, hoje, mais 20 mil garimpeiros que levam a Covid-19 para dentro da floresta e aldeias. Com a pandemia do novo coronavírus, esse problema histórico tornou-se uma crise humanitária e de saúde pública. 
Para dimensionar o impacto da pandemia disseminada pelos garimpeiros, o ISA produziu um estudo com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e revisão da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que aponta que 40% dos yanomami que vivem próximos a zonas de garimpo podem ser contaminados. São mais de 5 mil pessoas, de um universo de cerca de 26 mil, que é a população total da TIY. 
Para evitar essa tragédia, o Fórum de Lideranças Yanomami e Ye’kwana lança hoje a campanha #ForaGarimpoForaCovid. 
Participe da campanha e assine a petição. Pressione o governo para uma ação de desintrusão, que retire os invasores do território. Essa medida é indispensável para que os Yanomami possam fazer o seu isolamento social, necessário para evitar a transmissão da Covid-19.  A doença já provocou três mortes entre os Yanomami e há outros 44 casos confirmados entre os Yanomami e Ye’kwana.
A petição será enviada para Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados; Davi Alcolumbre, Presidente do Senado Federal; Eduardo Fortunato Bim, Presidente do IBAMA; Fernando Azevedo, Ministro da Defesa e Forças Armadas; André Mendonça, Ministro da Justiça e Segurança Pública; e General Hamilton Mourão, Vice-presidente da República.
Você também pode pressionar essas autoridades no Twitter e compartilhar a petição em suas redes, para que um número cada vez maior de pessoas se mobilize!.
Você pode ajudar a impedir o genocídio Yanomami. Assine e compartilhe a petição, vamos juntos pressionar o governo e garantir a sobrevivência do povo Yanomami.



Marcos Wesley
Instituto Socioambiental - ISA
Mais informações sobre o ISA.
Dúvidas ou comentários, ligue ou envie um whatsapp (11) 93500 1149 e fale com Mariana Barros ou escreva para
relacionamento@socioambiental.org












segunda-feira, 1 de junho de 2020

EcoDebate - Edição 3.442 de 01/ junho / 2020


Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
“Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]