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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Amazonas alcança novo patamar em redução de emissões

Titular da Sema, Antônio Stroski, Niki Zola, da Sema e Virgílio Viana, da FAS.
Titular da Sema, Antônio Stroski, Niki Zola, da Sema e Virgílio Viana, da FAS.
Projeto de REDD+ na Reservada de Desenvolvimento Sustentável do Juma, no sul do Amazonas, compensou 400 mil toneladas de CO2, entre 2006 e 2013.
Por Redação da Fundação Amazonas Sustentável – 
Guadalajara, Jalisco – Mexico, 01 de setembro de 2016 – O Brasil fez história ontem (31), quando a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema), por meio do Governo do Estado do Amazonas, e a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), entregaram o primeiro certificado de redução de emissões de carbono para a rede de hotéis Marriott International. A entrega foi feita durante o Climate Summit of the Americas, evento que acontece em Guadalajara, no México. Esta é a primeira vez no Brasil que um certificado de emissões de carbono é entregue por uma parceria entre um governo estadual, uma empresa privada e uma organização não governamental. O certificado é intransferível.
O certificado atesta a redução de 400 mil toneladas de dióxido de carbon (tCO2), relacionadas a atividades realizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Juma, município de Novo Aripuanã, entre 2006 e 2003, por meio de uma parceria entre a Marriott International, a FAS e o Governo do Amazonas. O Projeto de REDD+¹ do Juma ajudou a conter o desmatamento em uma área de mais de 7 mil quilômetros quadrados de floresta nativa, que sofriam pressão significante no noroeste da Amazônia. Hoje, 96% da floresta da RDS do Juma – a casa de mais de 2000 ribeirinhos, em 39 comunidades – permanece conservada.
“A Lei de Serviços Ambientais do Amazonas proporciona que investimentos desta natureza sejam realizados em benefícios das comunidades tradicionais residentes nas unidades de conservação, assim como desenvolver estratégias inovadoras de conservação e controle do desmatamento”, afirmou o Secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Antonio Stroski.
“Este projeto é um marco para o Amazonas, pois além de conter o desmatamento, contribui para a melhoria da educação, saúde, energia e geração de renda para as comunidades ribeirinhas. O ‘projeto Juma’ é emblemático por ter sido o primeiro projeto de REDD+ no Brasil a ter sua validação internacional pelo padrão CCB. Essa entrega abre portas para a captação de novos recursos para conservação ambiental e o desenvolvimetno sustentável na Amazônia”, explicou o superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana.
O apoio da Rede Marriott no Juma iniciou em 2008, com uma doação de U$D 2 milhões para ajudar a proteger a reserva, além da angariação de fundos adicionais em espécie pelos hóspedes de seus hoteis. No Brasil, as unidades Marriott continuam apoiando o projeto e expandindo o uso de produtos sustentáveis apresentados aos clientes. Atualmente, castanhas do Brasil estão presentes em menus de vários restaurantes da rede. Na proxima etapa do projeto, os hóspedes terão a possibilidade de compensar suas emissões de carbono em todo o mundo.
“A estratégia ambiental a longo prazo da Marriott está focada em apoiar os esforços inovadores de conservação, que se estendem para além das portas dos nossos hotéis”, declara Niki Zoli, diretora de responsabilidade social e envolvimento da comunidade da Marriott International.
“A Marriott foi um apoiador inicial do projeto Juma, e continuamos vendo os benefícios de investir na proteção da Amazônia – para as milhares de pessoas que vivem nas comunidades do Juma, assim como no planeta”, finaliza.
A cerimônia foi realizada durante Reunião Anual da Força Tarefa dos Governadores sobre o Clima e Florestas, no México, em paralelo à Cúpula do Clima das Américas, em Guadalajara, México. Além do Secretário de Estado do Meio Ambiente, Antônio Stroski, do superintendente geral da FAS, Virgílio Viana, a Diretora de Responsabilidade Social e Envolvimento da Comunidade da Marriott International, Niki Zoli irá aceitar o certificado em nome da Marriott.
O projeto Juma REDD + foi o primeiro projeto no mundo a ser “nível ouro” no Padrão Clima, Comunidade e Biodiversidade (CCBS). O objetivo do projeto é apoiar a RDS do Juma, como parte de uma estratégia global para deter o desmatamento no estado do Amazonas, evitando a emissão de aproximadamente 3,6 milhões de toneladas de carbono (2006-2016), que seriam emitidos pela extração ilegal de madeira. Em 2050 é esperado para reduzir cerca de 190 milhões de toneladas de CO2.
A avaliação do projeto pelo Governo do Estado demonstra que esta parceria tem mostrado resultados positivos, diminuindo as emissões de CO2, melhorando o bem-estar das comunidades ribeirinhas, e fazendo do projeto Juma REDD + um modelo internacional para inspirar outros países e comunidades.
Base jurídica
A emissão de certificados para reduções das emissões de gases do efeito estufa obtidas no projeto Juma está embasada no artigo 17 da Lei 4.266, de 1° de dezembro de 2015.
Marriott International, Inc. (NASDAQ: MAR) é uma empresa global líder  em hospedagem com sede em Bethesda, Md , EUA, com mais de 4.500 propriedades em 88 países e territórios. A Rede Marriott Internacional informou uma receita de mais de US $ 14 bilhões no ano fiscal de 2015. A companhia opera e franqueia hotéis e licencia resorts de 19 marcas. Para mais informações ou reservas, visite o site emwww.marriott.com , e para as últimas notícias sobre a empresa , visite www.marriottnewscenter.com.
A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) é uma organização brasileira não governamental, sem fins lucrativos, de utilidade pública estadual e federal. Foi criada em fevereiro de 2008, por meio de uma parceria entre o Banco Bradesco e o Governo do Estado do Amazonas. Posteriormente, passou a contar com o apoio da Coca-Cola Brasil (2009), do Fundo Amazônia/BNDES (2010) e da Samsung (2010), além de outras 114 parcerias em programas e projetos desenvolvidos.
A missão da FAS é promover o envolvimento sustentável, a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida das comunidades ribeirinhas do Estado do Amazonas. As principais iniciativas são implementadas por meio do Programa Bolsa Floresta (PBF), Programa de Educação e Saúde (PES), e Programa de Soluções Inovadoras (PSI). Atualmente, a FAS beneficia 574 comunidades ribeirinhas no Estado do Amazonas, beneficiando cerca de 40 mil pessoas. (#Envolverde)

Pecuária, ameaça e oportunidade

A América Latina produz 23% da carne bovina do mundo, que é a ponteira da próspera pecuária regional, embora a atividade ameace sua sustentabilidade. Na foto, um pequeno rebanho busca abrigo em torno da única árvore no pasto, noPampa argentino. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS
A América Latina produz 23% da carne bovina do mundo, que é a ponteira da próspera pecuária regional, embora a atividade ameace sua sustentabilidade. Na foto, um pequeno rebanho busca abrigo em torno da única árvore no pasto, noPampa argentino. Foto: Fabiana Frayssinet/IPS
A pecuária proporciona multimilionários dividendos à América Latina, mas também um amplo e variado impacto ambiental que torna urgente sua transformação em uma atividade sustentável que seja ecologicamente amigável, socialmente aceita e economicamente rentável.
Por Orlando Milesi, da IPS – 
Santiago, Chile, 31/8/2016 – “A América Latina não pode continuar ignorando, do ponto de vista de suas políticas públicas, os desafios de uma pecuária que seja sustentável”, opinou à IPS o biólogo Javier Simonetti, acadêmico do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade do Chile.
A pecuária tem vários custos na região, “mas estes são sanáveis e redutíveis na hierarquia de mitigação. Sou razoavelmente otimista”, afirmou Simonetti.A pecuária latino-americana é um setor estratégico para a segurança alimentar da região e do mundo. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 25% das calorias e 15% das proteínas consumidas pelos latino-americanos são de origem animal.
O setor pecuário contribui com 46% do produto interno bruto (PIB) agrícola da região, embora se trate de uma atividade concentrada em cinco países(Brasil, Uruguai, Paraguai, México e Argentina, pela ordem), que detêm 75% da produção. Aproximadamente 80% dos produtores de carne da região são pequenos agricultores familiares, que desenvolvem uma tradição pecuária extensiva e rural.
No entanto, o aumento crescente da demanda mundial por produtos de origem animal gerou importante impacto ambiental, que pode se agravar caso se concretizem os prognósticos segundo os quais a demanda mundial aumentará em até 70%até 2050. “O processo de expansão da pecuária que vivem os países da América Latina representa tanto uma oportunidade como uma ameaça para o desenvolvimento sustentável da região”, apontou à IPS a oficial de Saúde e Proteção Animal da FAO, Deyanira Barrero.
“Por um lado, é uma oportunidade para gerar riqueza e mitigar a pobreza se forem tomadas as decisões políticas adequadas e promovidos sistemas de produção pecuária sustentáveis e amigáveis com o ambiente. Por outro lado, é uma ameaça, se a expansão da atividade continuar sem considerar custos ambientais e potenciais efeitos de marginalização dos pequenos produtores”, advertiu Barrero.
A América Latina, com apenas 13,5% da população do planeta, produz pouco mais de 23% da carne bovina e de búfalo e 21,4% da carne de ave do mundo, sendo o maior exportador desses produtos, enquanto também se mantém como importante produtor e exportador de carne de porco e lácteos. Mas o lado negativo dessa expansão é que 70% das pastagens da região apresentam nível moderado ou severo de degradação.
Barrero pontuou, na sede regional da FAO, em Santiago, que os principais custos ambientais associados à pecuária na América Latina estão relacionados com os níveis de desmatamento, degradação dos solos e das pradarias, perda de biodiversidade, redução do recurso hídrico e emissões de gases de efeito estufa (GEI).
Segundo números da FAO, o setor pecuário incide de maneira importante na mudança climática, com emissões estimadas em 7,1 giga toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano, que representam 14,5% das emissões de GEI induzidas pelo ser humano. A produção de carne e leite de vaca responde pela maioria das emissões, pois contribui com 41% e 29%, respectivamente.
Na América Latina, as áreas mais suscetíveis à ampliação da fronteira agrícola e pecuária correspondem a ecossistemas da Amazônia no Brasil, o Chaco americano na Argentina, Paraguai e Bolívia, e as zonas áridas e semiáridas de Argentina e Chile. Por isso, afirmam os especialistas, devem ser adotadas ações decididas para que o crescimento do setor seja feito de modo ambientalmente sustentável e que contribua, ao mesmo tempo, para a mitigação da mudança climática, da pobreza e para melhorar a saúde humana.
Nessa linha, os pequenos produtores são fundamentais para atenuar as ameaças, disse Barreto. “Os produtores pecuários familiares estão mais expostos aos riscos da mudança climática, mas são atores essenciais na sua mitigação toda vez que se presume que algumas práticas mais comuns entre estes poderiam ser favoráveis à proteção do ambiente, acrescentou.Por essa razão, são necessárias políticas de apoio, marcos institucionais e incentivos adequados, e uma governança mais proativa para se alcançar sua integração e evitar a marginalização.
Simonetti alertou que “a pecuária gera um conjunto de problemas ambientais e sociais que não são devidamente incorporados em nenhuma política pública. Com alguns incentivos ou orientações, ou mesmo restrições, poderiam perfeitamente deixar de ser um problema para serem, pelo menos, neutros”, destacou.O especialista recordou que no Chile, por exemplo, são gastos cerca de 15 mil litros de água para cada quilo de carne produzido, e ressaltou que, “se não modificarmos esse enorme gasto com água, iremos mal não só como país, mas como mundo inteiro. Por isso, todos precisam sentar e conversar”.
Atendendo à urgência, em junho, durante a Sexta Reunião da Agenda Global da Pecuária Sustentável, realizada no Panamá, os governos da região destacaram a necessidade de se articular suas políticas pecuárias com as de desenvolvimento rural, social e ambiental, para alcançar a sustentabilidade nessa atividade.Também acordaram garantir a participação ativa da região na formulação e execução dos planos de trabalho da Agenda Global, a partir das prioridades definidas pelos países na Comissão de Desenvolvimento Pecuário para a América Latina e o Caribe, cuja secretaria técnica é exercida pela FAO.
Para os especialistas, o conhecimento local e a diversidade dos sistemas produtivos familiares são as principais ferramentas para diminuir os riscos associados à mudança climática e aos desastres naturais.
“As políticas de adaptação à mudança climática devem considerar a relação entre vulnerabilidade agroclimática e segurança alimentar e também impulsionar programas específicos de adaptação à mudança climática em zonas rurais”, indicou Barrero. Isso deve acontecer “valorizando-se o uso de raças locais adaptadas que foram conservadas pelos pequenos produtores, bem como o uso sustentável de cultivos agrícolas locais tolerantes à seca e que servem de fonte para alimentação humana e animal”, enfatizou.
A especialista da FAO destacou que essa é uma responsabilidade de todos os atores da sociedade. “A mudança climática é uma questão mundial e as cadeias de suprimento na pecuária estão cada vez mais conectadas em nível internacional. Para serem eficazes e justas, as medidas de mitigação também devem ser globais”, concluiu.
Integrantes de uma pequena cooperativa avícola em El Salvador, que gera renda para o grupo de mulheres que promoveu a iniciativa e para suas famílias. A América Latina é o maior exportador mundial de carne de ave. Foto: Edgardo Ayala/IPS
Integrantes de uma pequena cooperativa avícola em El Salvador, que gera renda para o grupo de mulheres que promoveu a iniciativa e para suas famílias. A América Latina é o maior exportador mundial de carne de ave. Foto: Edgardo Ayala/IPS
Iniciativas para a sustentabilidade
Na América Latina existem alternativas animadoras, dos setores público e privado, para encarar a sustentabilidade do setor pecuário.Na Costa Rica e no Uruguai, por exemplo, o trabalho intersetorial entre os ministérios de Agricultura e do Ambiente permitiu implantar algumas estratégias com a elaboração das Ações Nacionais de Mitigação Apropriadas.
O biólogo Javier Simonetti também mencionou o caso da Argentina, onde um grupo liderado por David Bilenca, pesquisador e acadêmico da Universidade de Buenos Aires, trabalha noPampa modificando as rotações e a carga animal.Isso gerou pastos com diferentes alturas, que permitem manter uma enorme riqueza de aves nativas. “Eles estão usando as aves como indicador de biodiversidade, e conseguiram modificar o efeito da pecuária tradicional sobre a avifauna”, destacou.
No sul do Chile, pecuaristas começaram a fazer mudanças no manejo das rotações para conseguir o mesmo: manter a qualidade das pastagens e reduzir o impacto da diversidade biológica. Christian Hepp, coordenador de Sistemas Pecuários, do governamental Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Chile, disse à IPS que,no país, ao contrário de outros da região, as limitações de superfície produtiva promoveram a intensificação dos sistemas pecuários mais do que sua expansão territorial.
“Trata-se de otimizar o uso da superfície disponível, já que essa atividade compete com outros setores produtivos, como a agricultura, o setor florestal e o imobiliário”, explicou Hepp, destacando que, embora existam no Chile muitos tipos e sistemas de produção, “uma visão de futuro necessariamente deve considerar os aspectos ambientais e sociais, além da viabilidade técnico-econômica”.
Para Hepp, na América Latina, “a sociedade está cada vez mais exigente quanto aos produtos de origem animal atenderem as condições de não serem nocivos, apresentarem boas práticas produtivas e atenção a temáticas novas, como o bem-estar animal”.E acrescentou que “as estratégias devem, provavelmente, se focar em uma forte capacitação com programas de extensão e transferência tecnológica, modelos de produção pecuária limpa, terrenos certificados em termos sanitários, sistemas de rastreamento completo e aplicação de boas práticas pecuárias”.Envolverde/IPS

A voz do jovem no debate educacional

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock
Por Marina Lopes, do Porvir –
Movimento Mapa Educação apresenta resultados obtidos pela pesquisa que ouviu o que estudantes de diversas regiões do país esperam e pensam sobre educação.
Após apontar os principais gargalos e desafios do ensino público no Brasil, o Movimento Mapa Educação lançou um manifesto que pretende trazer a voz do jovem para o centro do debate educacional. Com a proposta de ampliar o protagonismo e a participação dos estudantes na agenda política nacional, o manifesto apresenta os resultados de uma pesquisa que rodou o país para identificar as opiniões e perspectivas do jovem em relação à educação.
Entre os 11.519 jovens brasileiros que responderam a pesquisa, 95% disseram ter vontade de mudar a educação brasileira. Distribuídos em diversas regiões do país, com idades entre 9 e 24 anos, eles apresentaram quais são as suas principais dificuldades educacionais e também destacaram outros temas, como a influência da participação da família, a relação com os professores e a infraestrutura das escolas.
Embora os respondentes sejam uma amostra específica dos jovens brasileiros, por se tratar de uma pesquisa online que foi divulgada com a ajuda de embaixadores e parceiros, os resultados apontam que a qualidade da escola e o interesse nos estudos podem variar conforme a renda e tipo de escola do estudante (pública ou privada).
A forma como os alunos avaliam a infraestrutura das suas escolas também muda de acordo com o perfil socioeconômico, indicando que os alunos com maior renda dizem com mais frequência que as instalações escolares não são ruins e não faltam materiais didáticos. Em contrapartida, outras variáveis não apresentam influência clara de renda, como a avaliação do conteúdo escolar.
Além dos resultados da pesquisa, o manifesto também reúne percepções dos jovens que foram identificadas por meio de entrevistas com estudantes de diferentes contextos e perfis. “Nas entrevistas, encontramos alunos bem insatisfeitos com a questão dos conteúdos [apresentados] em sala de aula. Eles consideram que o conteudismo atrapalha bastante e que as aulas estão muito saturadas”, observa a universitária Janaína Bergoli Galeazzi, graduanda na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo e coordenadora de logística do Movimento Mapa Educação.
No mesmo caminho, o manifesto também aponta que os jovens demonstram estar interessados em participar da construção dos seus próprios conhecimentos e de alguma forma contribuírem para a melhoria da educação. “O jovem quer e pode ser protagonista da educação no Brasil. Ele pode colocar a educação como prioridade na agenda política nacional”, destaca Janaína, ao mencionar sobre os objetivos que motivaram a criação do manifesto.
Nos próximos meses, o Movimento Mapa Educação também pretende levar a educação para o debate político durante as eleições municipais. Serão gravados vídeos com os principais candidatos de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, que irão responder perguntas feitas por jovens de todo o país. (Porvir/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Porvir.

Desenvolvimento limpo, o que se espera agora

 Placar da votação de 31 de agosto no Senado. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Placar da votação de 31 de agosto no Senado. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Nota da Coordenação do Observatório do Clima a propósito do resultado do julgamento no Senado.
O julgamento do Senado Federal que cassou nesta quarta-feira o mandato de Dilma Rousseff e transferiu a Presidência a seu vice, Michel Temer, não põe fim às múltiplas crises que o Brasil atravessa.
O país segue imerso em uma grave crise econômica, política e ética. A saída para as três passa por um compromisso nacional com o desenvolvimento limpo – nas várias acepções do termo.
Desenvolvimento limpo é uma das chaves para a recuperação da economia. Indústrias de energia renovável, como a eólica, seguem gerando emprego mesmo durante a recessão. O país tem oportunidades imensas a partir das metas com que se comprometeu no Acordo de Paris: pode criar uma economia florestal digna da maior extensão de florestas tropicais do mundo e pode dinamizar sua agropecuária e sequestrar carbono ao mesmo tempo ao recuperar 30 milhões de hectares de pastagens degradadas. Vários estudos têm mostrado que há ganhos econômicos na redução das ineficiências que nos fazem emitir CO2 demais. E há ganhos econômicos e sociais na adoção de políticas ambiciosas de adaptação e redução de vulnerabilidades à mudança do clima.
Mas desenvolvimento limpo também é o remédio contra a crise política e moral. O modelo que nos traz a degradação dos ecossistemas, as grandes obras que violam direitos, a aposta total nos combustíveis fósseis e as seguidas tentativas de retrocesso na legislação ambiental é o mesmo que produz a corrupção que afeta todo o sistema político.
Romper com esse modelo, ao mesmo tempo aproveitando as vantagens comparativas do Brasil na nova economia, seria o caminho virtuoso para qualquer governo brasileiro.(Observatório do Clima/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

Secas E Enchentes: Dois Sintomas Da Perda De 70% Das Áreas Úmidas Na Bacia Do Rio Dos Sinos, RS

Secas e enchentes: dois sintomas da perda de 70% das áreas úmidas na Bacia do Rio dos Sinos. Entrevista especial com Rafael Gomes de Moura
Nos últimos 30 anos, a Bacia hidrográfica do Rio dos Sinos perdeu 70% dos seus banhados, e os impactos dessa redução de áreas úmidas são visíveis nos municípios da região, especialmente nos períodos de seca e enchentes, diz Rafael Gomes de Moura em entrevista por telefone à IHU On-Line. “No verão passado, por exemplo, Novo Hamburgo e São Leopoldo tiveram dificuldades muito grandes no tratamento da água justamente por conta do baixo nível do rio e da falta de áreas úmidas na Bacia. Já nos períodos de cheias, como ocorreu neste ano e no ano passado, acontece o processo inverso, de inundação nas cidades”, relata.
diminuição dos banhados também afeta a flora e a fauna no entorno da Bacia, especialmente a reprodução dos peixes. “As áreas de banhado servem como criadouros de peixes, além de serem um habitat que concentra uma biodiversidade biológica muito grande. (…) À medida que se reduzem essas áreas de alimentação, se reduz também o habitat de alimentação e reprodução dos peixes. Não vemos o impacto disso de modo mais visível porque na Bacia do Rio dos Sinos não existem tantos pescadores, mas quem pesquisa a área de peixes percebe que houve uma redução de peixes na Bacia”, afirma.
De acordo com ele, o processo de redução das áreas úmidas da Bacia está em curso desde a década de 80, quando houve a expansão das cidades na região, e os banhados que já “foram suprimidos não serão recuperados”. O que se pode fazer, frisa, é preservar os 30% de áreas úmidas existentes através dos Planos Diretores das Cidades.
Rafael Gomes de Moura é graduado em Biologia pela Unisinos, onde também cursou o doutorado na mesma área, com a tese intitulada Análise espacial da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Como você chegou à conclusão de que 70% dos banhados da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos foram perdidos?
Rafael Gomes de Moura – Eu fiz doutorado em Biologia na Unisinos, com a orientação do professor Uwe Schulz. Minha pesquisa consistiu em fazer um mapeamento da distribuição dos peixes na Bacia do Rio dos Sinos, e para isso precisei investigar qual era a situação dos banhados e da mata ciliar dentro da Bacia. O mapeamento dos banhados foi feito através da análise de imagens históricas da Bacia, disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE.
Então, analisei imagens das décadas de 1970 e 1980, e consegui classificar os banhados da Bacia a partir da análise das imagens do ano de 1985. Posteriormente, para identificar quais foram os anos em que houve maior impacto nos banhados, fiz uma classificação em períodos de 10 em 10 anos, analisando, portanto, as imagens dos anos de 1995 e 2005. O resultado desse mapeamento nos surpreendeu bastante.
IHU On-Line – Quais são as implicações ambientais dessa conclusão para a Bacia do Rio dos Sinos?
Rafael Gomes de Moura – A perda das áreas de banhados acarreta outros impactos, alguns dos quais aBacia já vem sofrendo atualmente. As áreas de banhado servem como criadouros de peixes, além de serem um habitat que concentra uma biodiversidade biológica muito grande. Nessas áreas se desenvolve uma cadeia alimentar que fornece nutrientes para todo o sistema biológico do rio ao longo da Bacia; além disso, os banhados servem como filtros de toxinas e contribuem com os ciclos biológicos dentro de um sistema aquático.
Assim, a perda dessas áreas, além de causar um impacto em toda a biodiversidade da Bacia, causa um impacto direto principalmente na qualidade da água, pois em rios sem banhados a qualidade da água é muito ruim. Entre os principais problemas que já se evidencia na Bacia do Rio dos Sinos, destaca-se a baixa reprodução dos peixes e problemas de oxigenação da água. Isso porque no verão a água esquenta muito e o nível de oxigênio diminui, provocando a mortandade dos peixes. Esse é um sintoma claro de um rio sem banhado.
As áreas de banhados fazem o papel de uma “esponja”, concentrando e acumulando água. Portanto, sem essas áreas, os rios ficam mais retilíneos. Hoje, a água produzida na Bacia do Rio dos Sinos é escoada diretamente para o Guaíba, ou seja, não se acumula mais água na Bacia, porque as áreas de infiltração, que são as áreas de várzea, viraram cidades. O problema disso é que nas épocas de seca não se tem água filtrada na Bacia e, portanto, quando a água do rio baixa, as regiões de agricultura sofrem com a falta de água e, com isso, a produção agrícola diminui. Além disso, a qualidade da água fica muito ruim. No verão passado, por exemplo, Novo Hamburgo e São Leopoldo tiveram dificuldades muito grandes no tratamento da água justamente por conta do baixo nível do rio e da falta de áreas úmidas na Bacia.
Já nos períodos de cheias, como ocorreu neste ano e no ano passado, se dá o processo inverso, deinundação das cidades. Isso acontece porque o excesso de água deixa de ir para as áreas de várzea – porque elas não existem mais – e passa a ir para as cidades. Antes, as áreas de banhados concentravam esse excesso de água.
IHU On-Line – Em que regiões da Bacia houve mais perda de banhados e, de outro lado, em que regiões os banhados ainda estão conservados?
Rafael Gomes de Moura – É possível verificar quais são essas áreas através da análise das imagens de satélite do Google, mas eu não fiz diretamente esse estudo. Mas em geral os municípios de Novo Hamburgo, São Leopoldo, Esteio e Sapucaia do Sul são os que mais cresceram nas regiões de várzea. Além desses, os municípios de Parobé e Igrejinha também carecem de áreas de banhados, porque cresceram muito.

Mapa disponível no portal do projeto Comitêsinos
IHU On-Line – De que modo a redução dos banhados tem impactado a reprodução dos peixes na Bacia do Rio dos Sinos?
Rafael Gomes de Moura – O impacto se dá principalmente na reprodução dos peixes. Essas áreas de banhado, além de servirem como área de reprodução, produzem macroinvertebrados — insetos aquáticos muito grandes —, os quais se reproduzem por conta da quantidade de plantas que servem de alimentos para eles. Então, à medida que se reduzem essas áreas de alimentação, se reduz também o habitat de alimentação e reprodução dos peixes. Não vemos o impacto disso de modo mais visível porque na Bacia do Rio dos Sinos não existem tantos pescadores, mas quem pesquisa a área de peixes percebe que houve uma redução de peixes na Bacia.
IHU On-Line – Diante desse diagnóstico, o que é possível fazer?
Rafael Gomes de Moura – Os banhados que foram suprimidos não serão recuperados porque, nas áreas onde havia esses banhados, hoje existem cidades. Houve um processo de aterro nessas áreas, o fluxo do rio já foi alterado e a dinâmica topográfica também. Portanto, o processo é irreversível. O que se pode fazer hoje — e é isso que o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos – Comitesinosestá fazendo — é conservar os aproximadamente 30% de áreas úmidas que ainda temos dentro da Bacia do Rio dos Sinos.
IHU On-Line – É possível conciliar a preservação dessas áreas com a contínua expansão das cidades?
Rafael Gomes de Moura – Acredito que há uma forma de conservar essas áreas úmidas através dosPlanos Diretores dos Municípios, os quais podem ser mais focados para garantir essa conservação. Se nos anos 80 tivéssemos Planos Diretores que informassem e delimitassem as regiões de banhado, teríamos tido condições de preservar essas áreas e certamente hoje teríamos uma gestão ambiental da Bacia completamente diferente.
Precisamos pensar daqui para frente, porque os banhados são fundamentais para preservar a água da Bacia. A Bacia do Rio dos Sinos é uma área completamente atípica em relação a outras bacias hidrográficas, pois ela ainda produz água nas suas nascentes, que estão na região da serra.

(EcoDebate, 01/09/2016) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

EcoDebate - Edição 2.601 de 01/ setembro / 2016

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

Agapan debate a importância de cuidarmos do Guaíba



Os problemas que moradores de Porto Alegre e de cidades vizinhas vêm enfrentando em relação à qualidade da água disponibilizada para o consumo residencial não é novidade, visto que já foram amplamente divulgados nas redes sociais, pela imprensa e mesmo aqui pela Agapan.

Mas onde está a origem deste problema? Por que o Guaíba permanece poluído há décadas? Por que as medidas saneadoras não passam de meros paliativos, que não resolvem o problema da poluição da água? O que estão fazendo os gestores públicos responsáveis por esta situação? Qual o papel das comunidades que necessitam da água e exercem impactos sobre o manancial? Essas e muitas outras questões serão tratadas durante o Agapan Debate que será realizado no dia 12 de setembro, às 19h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Urfrgs. O tema desta terceira edição de 2016 do evento é Água: a importância de cuidarmos do Guaíba.

Para debater a questão, foram convidados os engenheiros Sebastião Pinheiro (Agapan) e Antonio Benetti (IPH/Ufrgs). A mediação ficará por conta do professor engenheiro Darci Campani (Agapan).

Sebastião Pinheiro é engenheiro agrônomo, tem dezenas de publicações no Brasil e no exterior, é assessor de várias organizações de países da América Latina em questões de agrotóxicos, transgênicos e agricultura ecológica. É Cidadão Emérito de Porto Alegre e tem diversas distinções profissionais. Conselheiro da Agapan.

Antônio Benetti é engenheiro civil, mestre em Recursos Hidricos e Saneamento Ambiental (Ufrgs), doutor pela Cornell University (USA), professor Associado do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH/Ufrgs), com várias publicações científicas no Brasil e no exterior.

O Agapan Debate é realizado pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e tem o apoio da Assessoria de Gestão Ambiental e do GT de Saúde Urbana da Ufrgs.






Fonte: Imprensa Agapan

Contatos:
Jornalistas Heverton Lacerda (51 9862.7228) e Adriane Bertoglio Rodrigues (51 9813.1785).