Powered By Blogger

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Atropelamentos em rodovias ameaçam antas no Cerrado

 Pesquisas da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB/IPÊ) revelam que a espécie corre sério risco nas estradas do Mato Grosso do Sul

Junho, 2016 – Resultados prévios de pesquisas realizadas pela Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB), do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, apontam que a sobrevivência da anta brasileira no Cerrado do Mato Grosso do Sul (MS) está sob constante ameaça, devido a ações humanas. Na região, uma série de atividades coloca a vida da espécie em risco, como a remoção de florestas para o desenvolvimento do agronegócio (cana de açúcar, soja entre outras culturas). Entretanto, a ameaça que mais tem chamado a atenção dos pesquisadores nos últimos anos são os atropelamentos nas rodovias que cortam o estado.
Em apenas sete trechos de estradas do Mato Grosso do Sul (BR-267, BR-163, MS-040, MS-145, MS-134 e dois trechos da BR-262), no período de 3 anos de monitoramento (iniciados no ano de 2013), os pesquisadores da INCAB encontraram 117 antas mortas por atropelamento, inclusive filhotes. Isso significa uma média de quase 4 indivíduos por mês, em uma extensão de cerca de 1.450 quilômetros de rodovias.
“O histórico anterior de atropelamentos de antas em diversas regiões do Brasil já nos indicava que o número de animais mortos por essa razão seria grande. Especialmente por se tratar de uma região com um ambiente muito alterado e paisagem extremamente antropizada e cortada por rodovias muito movimentadas e totalmente sem sinalização para a presença de animais. Entretanto, o dado é assombroso. Vale ressaltar que as 117 antas mortas são apenas a ponta do iceberg, uma vez que certamente houve outras, cujas mortes não foram detectadas por nossa equipe. Adiciona-se à perda das antas a perda de vidas humanas. Registramos 14 óbitos de pessoas envolvidas em colisões com antas em rodovias do MS”, alerta a coordenadora da INCAB/IPÊ, Patrícia Medici.
Ameaça para antas, ameaça para o CerradoAnta
A anta é um animal de ciclo reprodutivo muito longo, são de 13 a 14 meses para a gestação de um único filhote, que pode sobreviver ou não. A espécie é considerada a “jardineira das florestas” pelo seu alto potencial de dispersar sementes que dão origem a novas árvores e plantas dentro de suas áreas de uso. Perder até 4 indivíduos a cada mês coloca este animal em uma situação de alto risco tanto para sua sobrevivência como espécie quanto para a manutenção de nossas florestas.
“A anta é um dos grandes responsáveis pela formação e manutenção da biodiversidade. Perder um único indivíduo na natureza significa diminuir consideravelmente as nossas chances de conservar nossas florestas, o que é um risco também para o Cerrado, o bioma mais ameaçado de extinção no Brasil”, defende Patrícia.
As carcaças frescas de antas atropeladas são submetidas a necropsia e amostradas como parte dos estudos de saúde desenvolvidos pela equipe de veterinários da INCAB. Diversas amostras biológicas coletadas durante as necropsias são analisadas para a presença de produtos químicos e agrotóxicos. “Basicamente 100% delas são positivas para os mesmos incluindo organofosforados, carbamatos e metais pesados, indicando que os agrotóxicos presentes em lavouras encontram-se no organismo dos indivíduos. Ainda não sabemos o impacto disso para a saúde das antas, mas certamente é um indicador relevante”, diz Patrícia.
Com a grave ameaça nessas rodovias, os pesquisadores correm contra o tempo para que as antas sobrevivam no Cerrado de MS. Além de monitorar os atropelamentos, desde janeiro de 2015, a INCAB realiza também capturas de indivíduos para pesquisa. Ao longo de 2 mil km² nessa área recortada por plantações e pecuária, as antas capturadas recebem colares para monitoramento via satélite (com o objetivo de investigar como os animais utilizam a paisagem) e são avaliadas com relação à saúde (presença de doenças infecciosas, intoxicação por agrotóxicos entre outros parâmetros indicativos de saúde) e genética. .
Até o momento, 10 antas (cinco machos e cinco fêmeas) foram capturadas: oito adultas – que foram equipadas com colar – e duas subadultas que, por estarem ainda em fase de crescimento, não receberam colar e foram somente amostradas para os estudos de saúde e genética.
Os resultados de todas essas linhas de pesquisa integrados (monitoramento de atropelamentos, utilização da telemetria para estudos de uso de espaço e da paisagem antropizada e análises de saúde e genética) serão utilizados para buscar estratégias de mitigação das ameaças afetando a espécie na região. Eles já fazem parte do maior e mais completo banco de dados sobre a anta brasileira no mundo, resultado de 20 anos de trabalho da INCAB, completados em 2016.
Video relata atropelamentos: https://www.youtube.com/watch?v=y9Vdst2Z21c

Criado o primeiro mapa-mundi de águas subterrâneas

Com a crescente demanda global por água – especialmente tendo em vista as mudanças climáticas – este estudo fornece informações importantes para os gestores de recursos hídricos e desenvolvedores de políticas, bem como para pesquisas de campo, na hidrologia, ciência atmosférica, geoquímica e oceanografia.
A equipe, liderada por Tom Gleeson, da Universidade de Vitória, no Canadá, usou vários conjuntos de dados (incluindo dados de perto de um milhão de bacias hidrográficas) e mais de 40.000 modelos de águas subterrâneas para compor o mapa-múndi das águas subterrâneas.
O mapa ilustra o qual seria a profundidade, se pegássemos toda a água subterrânea moderna e a colocássemos por cima do continente.
Os cálculos estimam um volume total de cerca de 23 milhões de quilômetros cúbicos de água subterrânea.
Para comparação, se fosse possível retirar essa água e depositá-la sobre a parte seca da Terra, ela poderia produzir um dilúvio que cobriria todos os continentes com uma profundidade de 180 metros – ou poderia elevar os níveis do mar em 52 metros se fosse espalhada sobre o globo inteiro.
Idade das águas
Do total das águas subterrâneas da Terra, apenas cerca de 0,35 milhão de quilômetros cúbicos é mais jovem do que 50 anos de idade.
Essa fração de “água jovem” recarrega-se através das chuvas e dos cursos d’água em uma escala temporal de algumas décadas, representando assim a parte potencialmente renovável das águas subterrâneas. Segundo Gleeson, as águas mais profundas são salgadas demais, isoladas e estagnadas, e deveriam ser vistas como recursos não-renováveis.
O volume da água subterrânea moderna supera todos os outros componentes do ciclo hidrológico ativo e é um recurso renovável. Contudo, como está mais perto das águas de superfície e se move mais rapidamente do que as águas subterrâneas antigas, ela é também mais vulnerável às alterações climáticas e à contaminação por atividades humanas.
Entenda como ocorre a contaminação:

Bibliografia:
The global volume and distribution of modern groundwater
Tom Gleeson, Kevin M. Befus, Scott Jasechko, Elco Luijendijk, M. Bayani Cardenas
Nature Geoscience
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/ngeo2590
(Envolverde)

EcoDebate - Edição 2.539 de 02/ junho / 2016

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
“Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]

quarta-feira, 1 de junho de 2016



 
Anda
01/06/2016EDIÇÃO 810
 
 
CONTEÚDO ANDA
Gorila Harambe era explorado desde filhote e conhecido como "o gigante gentil"
CONTEÚDO ANDA
Orangotango explorado por zoo mostra compaixão ao dividir comida com outros primatas 
CONTEÚDO ANDA
Menino de seis anos faz apelo emocionante pelos animais e meio ambiente 
CONTEÚDO ANDA
Grupo de proteção animal pede apoio diante de extrema seca na Etiópia 
CONTEÚDO ANDA
Primeira série sobre veganismo do mundo deve estrear na rede A&E 
CONTEÚDO ANDA
Ativistas lançam petições e clamam por justiça pela morte do gorila Harambe 
Heróis reais
 
"Eu acho que é da maior importância uma agência como a ANDA que traz exclusivamente notícias, informações sobre os animais porque é uma coisa que não se ..."
Laerte Coutinho
Cartunista
+ LEIA MAIS
FaÃ?a  aqui sua doaÃ?Ã?o
R2PRO
HostGator
 

Estudo alerta para o risco de aquecer o adoçante sucralose


FacebooTwittGoogleLinkedIWhatsAGoogle GmaYahoo PrintFrienCompartilh

Por Karina Toledo | Agência FAPESP

Grupo da Unicamp mostra que a substância se degrada a 98ºC, liberando compostos organoclorados com potencial ação irritante e cancerígena (Foto: Jornal da Unicamp)

Um estudo feito na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revelou que o adoçante artificial sucralose – o mais consumido no mundo e, até agora, considerado pelas agências sanitárias o mais seguro – pode se tornar instável e liberar compostos potencialmente tóxicos ao ser aquecido a 98 ºC.
Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram publicados na revista Scientific Reports, do grupo Nature.
“Trabalhos anteriores haviam mostrado que a sucralose se degrada em altas temperaturas – não usuais no dia a dia. Porém, observamos que isso também ocorre a 98 ºC, calor facilmente atingível durante o preparo de alimentos. Foi uma surpresa”, disse Rodrigo Ramos Catharino, professor na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) e coordenador do Laboratório Innovare de Biomarcadores da Unicamp.
A sucralose é uma substância criada em laboratório a partir da modificação química da molécula de sacarose, o açúcar de mesa. À estrutura original são acrescentados três átomos de cloro, o que aumenta em 400 vezes o dulçor e impede a sucralose de se decompor durante a digestão e de ser usada como fonte de energia pelo organismo.
Seu uso é liberado sem restrições pelos principais órgãos de segurança alimentar no mundo, incluindo o Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, o Joint Expert Committee on Food Additivies (JECFA), da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil.
Porém, ao aquecer a substância em banho-maria por cerca de 2 minutos, os pesquisadores da Unicamp notaram a liberação de compostos organoclorados tanto no gás proveniente da fervura como na fase sólida, ou seja, no caramelo que se formou após a fusão da sucralose.
Essa classe de compostos é considerada potencialmente tóxica e tem efeito cumulativo no organismo. As análises foram feitas com auxílio de técnicas como termogravimetria, espectrometria de massas e espectroscopia no infravermelho.
“No gás, observamos a presença de ácido clorídrico, que pode ser irritante se inalado. Na fase sólida, encontramos hidrocarbonetos policíclicos aromáticos clorados (HPACs), uma classe de substâncias recentemente descoberta, sobre a qual se sabe muito pouco”, disse Catharino.
Segundo o pesquisador, o efeito mutagênico e carcinogênico de compostos correlatos aos HPACs, como os HPAs (hidrocarbonetos policíclicos aromáticos), já está bem estabelecido na literatura científica. As principais fontes de exposição a esses mutagênicos são a poluição ambiental proveniente da queima de combustíveis fósseis e o cigarro.
“São necessários novos estudos para avaliar os efeitos dos HPACs no organismo humano. Mas é bem provável que, por causa da presença de átomos de cloro nas moléculas, elas sejam ainda mais reativas que os HPAs clássicos”, disse.
Doce risco
As análises que deram origem ao artigo foram feitas durante o doutorado de Diogo Noin de Oliveira, no âmbito de um Projeto Temático dedicado a investigar disfunções mitocondriais e processos metabólicos associados a doenças como diabetes, obesidade e dislipidemia – “Metabolismo energético, estado redox e funcionalidade mitocondrial na morte celular e em desordens cardiometabólicas e neurodegenerativas“.
“Decidimos estudar os adoçantes por serem produtos muito usados por portadores dessas doenças. Começamos pela sucralose, o mais consumido de todos. Como temos a intenção de usar a substância em experimentos com animais, na formulação de ração, achamos melhor antes caracterizar o produto e fazer testes de estabilidade”, contou Catharino.
Uma das principais formas de se medir a estabilidade de um composto, explicou o pesquisador, é aquecê-lo. No experimento feito em laboratório, foi usada a sucralose comercial pura – a mesma empregada pela indústria farmacêutica e alimentícia no preparo de seus produtos.
“É um pouco diferente da sucralose encontrada nas gôndolas dos supermercados, que vem misturada com outros aditivos para ganhar corpo. Se esses aditivos protegem a sucralose da degradação pelo aquecimento ou se potencializam o efeito tóxico do adoçante é algo que ainda não sabemos. Precisa ser estudado”, explicou o pesquisador.
Na próxima etapa da pesquisa, o grupo pretende testar o efeito do caramelo formado pela fusão da sucralose em culturas de células humanas e em experimentos com camundongos. Além disso, os cientistas intencionam verificar se, ao ser aquecida junto com alimentos, a sucralose também se degrada e libera compostos organoclorados.
Entre os passos futuros está ainda a análise da estabilidade e dos subprodutos gerados pela degradação de outras classes de adoçantes artificiais.
Em um estudo publicado em 2012 na revista Food Chemistry, o grupo mostrou que a estévia – adoçante natural extraído da plantaStevia rebaudiana – torna-se instável em contato com alimentos ácidos, como refrigerante ou café, liberando glicose e também um esteviol com potencial efeito cancerígeno e abortivo.
“É importante frisar que nosso objetivo não é prejudicar os produtores desses produtos ou a indústria de alimentos e sim alertar o consumidor para que faça um uso consciente”, disse Catharino.
O artigo Thermal degradation of sucralose: a combination of analytical methods to determine stability and chlorinated byproducts(doi:10.1038/srep09598), de Diogo N. de Oliveira, Maico de Menezes e Rodrigo R. Catharino, pode ser lido emwww.nature.com/articles/srep09598.
in EcoDebate, 01/06/2016

Olá, James.

Há poucos dias, aconteceu a III Semana do Extrativismo, na Terra do Meio, uma das regiões mais bem preservadas da Amazônia paraense. O encontro reuniu mais de 100 indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares para trocar experiências e fortalecer cadeias de produtos da floresta que unem a preservação com a produção sustentável. 

Nós do ISA somos o principal parceiro e organizador da Semana do Extrativismo, um dos eventos mais importantes de articulação das diferentes cadeias de valor dos produtos do extrativismo na Terra do Meio, no Pará. 

Confira um vídeo que preparamos com as principais histórias por trás da Semana do Extrativismo:
Há mais de 20 anos o ISA tem uma forte atuação na região com as comunidades locais. Acreditamos que é no uso tradicional da floresta, feito pelos povos da região, que ela se mantém viva. Colabore com iniciativas como essa se filiando ao ISA. Acesse o sitehttps://filiacao.socioambiental.org/ ou clique no botão abaixo:
Quero me filiar ao ISA!
Aproveite para conferir também o especial publicado no nosso Medium sobre a Semana do Extrativismo.

Contamos com você!

Abraços,



André Villas-Bôas
Secretário Executivo
Instituto Socioambiental - ISA


Mais informações sobre o ISA.
Dúvidas ou comentários, ligue (11) 3515 8938 e fale com Ariel Gajardo ou escreva para ariel@socioambiental.org.

EcoDebate - Edição 2.538 de 01/ junho / 2016

Desejamos a todos(as) um bom dia e uma boa leitura
“Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Cortez, Henrique, 2005]