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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Fórum das Águas – Cidades Sustentáveis e Desafios, de 21 a 23 de outubro de 2015, em Brumadinho (MG)


interesse público

Com o objetivo de realizar um espaço de discussão e compartilhamento de informação entre profissionais, pesquisadores, alunos e sociedade civil, o Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba – Cibapar – realiza de 21 a 23 de outubro de 2015, o Fórum das Águas “Cidades Sustentáveis e seus Desafios” , no Teatro Inhotim, em Brumadinho (MG).
O Brasil e Minas Gerais têm experimentado um aumento de concentração de população em centros urbanos, o que gera, consequentemente, maior pressão sobre os recursos naturais disponíveis. Os recursos naturais são a base para o desenvolvimento social e econômico das cidades, uma vez que desempenham o papel de prover a população de suas necessidades. Entretanto, os recursos são limitados, e assim, o tema cidades sustentáveis ganhou destaque. Como lidar com os desafios de uma população crescente, concentrada em espaços urbanos que precisam ser abastecidas de água e além de outras necessidades como alimentos e produtos industrializados?
O foco do evento é debater os desafios para a construção de cidades sustentáveis, proporcionando trocas de experiências com boas práticas nacionais e internacionais, debates e ideias, soluções sustentáveis para a produção, consumo mais equilibrado dos recursos naturais no ambiente urbano e maneiras para garantir qualidade de vida para a população. Além de incentivar as políticas de preservação ambiental e mostrar um panorama atualizado sobre a crise hídrica no Estado de Minas Gerais.
Afinal, é a sustentabilidade que garantirá um desenvolvimento econômico e social inclusivo nas nossas cidades para as atuais e futuras gerações.
Sendo a água recurso central de desenvolvimento de um território, foi neste contexto que o III Fórum das Águas foi realizado. O último trouxe o tema “Escassez Hídrica e Saneamento: Impacto e Oportunidades” e os dados do choque de estiagem em 2014.
Programação
Quarta-feira, 21 de Outubro
08h30 – 9h30-Credenciamento e Welcome-coffee
09h45 – 10h – Abertura oficial.
10h05 – 11h55 Comissão Extraordinária de Águas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Iran Barbosa – Deputado estadual de MG
Maria de Fátima Chagas Dias Coelho – Diretora Geral do Instituto Mineiro de Gestão de Águas – IGAM
Vicente Andreu – Presidente da Agência Nacional de Água (ANA)
Hideraldo Buch – Coordenador geral do Fórum Mineiro de Comitês das Bacias Hidrográficas de Minas Gerais
João Alberto – Deputado Estadual de MG
José Carlos Carvalho – Ex-ministro de Meio Ambiente
Marilia Melo –Especialista em Meio Ambiente e Recursos Hídricos
12h00 – 14h Brunch
14h -14h50 | Mr. Albert Appleton – As inovações do sistema de abastecimento de água e esgoto de Nova Iorque na década de 1990.
14h55-15h45 – Gilberto Tiepolo – The Urban Water Blueprint (The Nature Conservancy)
15h45-16h | Coffee-break
16h-16h50 | Márcia Casseb – Iniciativa Cidades Emergentes e Sustentáveis (ICES) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
16h55h – 17h45 | Luis Catarino – Projetos Cidades Sustentáveis – Intermoney.
Quinta-feira, 22 de Outubro
08h45 – 09h55| Credenciamento e Welcome Coffee
10h – 10h50 | Sérgio Abranches – Ecopolitica
11h – 11h55 | André D’Elia – Cineasta “Lei da Água – Novo Código Florestal”
12h – 14h – Almoço
14h – 14h50 | Sérgio Besserman – Desenvolvimento Urbano
14h55 – 15h45 | Pedro Barata – Préciclagem
15h45 – 16h | Coffee Break
16h05 – 16h25 | Mauro Ellovitch – atuação do Ministério Público para projetos em meio ambiente
16h30 -17h30 | Boas práticas e Iniciativas exemplares em “saneamento básico, ecologia e sustentabilidade”:
Felipe Vitorino | Wetland – Águas de Juturnaíba/ Águas do Brasil;
Lucas Kallas | Recuperação ambiental e reaproveitamento de rejeitos na mineração Green Metals
17h30-18h | A sustentabilidade em pauta literária
Alessandro de Sá | Autor de “Somos Senhores do Planeta”
Escola Municipal Padre Vicente Assunção “Coletânea: Agua para a vida”
Sexta-feira, 23 de Outubro
08h45 – 09h55 – Credenciamento e Welcome Coffee
10h – 10h35 – Sérgio Ribeiro – Sub secretário de Água Clima da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Distrito Federal
10h40 – 11h20 – Élbia Ganon – Presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica
11h25 – 12h – Milton Nogueira – Especialista em mudanças climática e sustentabilidade, e consultor internacional de projetos em organizações ambientais.
12h – 14h – Almoço
14h – 14h50- Cléo Pires e Igor Tameirão – Coordenadores do Água nas Escolas da UNESCO/CPLP.
14h55 – 15h45 – Miguel Dória – Política da Educação para as Águas da UNESCO.
15h45 – 16h – Coquetel de encerramento
Informações do Consórcio Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba – Cibapar / Plurale, in EcoDebate, 01/10/2015

Minas Gerais é o estado que mais polui o Rio São Francisco


bacia do rio São Francisco

Estudos divulgados pelo comitê de bacia mostram que Minas é o estado que mais contribui com o volume do Rio da Integração Nacional, e é também o maior responsável pela degradação de suas águas
Uma riqueza jogada pelo ralo, a opulência dos afluentes mineiros do São Francisco é responsável por nada menos que 80,7% da vazão da bacia, mas é também essa água a principal fonte de contaminação do Rio da Integração Nacional.
Só a Bacia do Rio das Velhas, a segunda em volume, depois do Rio Paracatu, descarrega seus 321,9 metros cúbicos por segundo (m3/s) de água cheia de poluição por esgotos – constatada em 54,4% das amostras colhidas em seu percurso – e de mineração, detectada em 28% dos testes, sob a forma de altas cargas de arsênio, um semimetal tóxico que em concentrações elevadas pode provocar câncer de pele, pâncreas e pulmão, abalos ao sistema nervoso, malformação neurológica e abortos.
Poluição em níveis acima dos tolerados pela legislação do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) é encontrada também nas bacias dos rios Paraopeba e Pará, sexto e sétimo maiores afluentes do Velho Chico, respectivamente. Os dados são um retrato atual e preocupante da situação do São Francisco, referentes aos estudos divulgados neste mês pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do manancial (CBHSF) e que foram reunidos pela consultoria Nemus para nortear o Plano de Recursos Hídricos de 2016 a 2025 da entidade.
Leia na íntegra no Jornal Estado de Minas

in EcoDebate, 01/10/2015

Bugios, extintos na floresta há mais de 100 anos, são reintroduzidos no Parque Nacional da Tijuca


bugio
Bugio. Crédito Luísa Genes/Fundação Grupo Boticário

O Parque Nacional da Tijuca (RJ) é a unidade de conservação mais visitada do país, recebendo mais de três milhões de turistas por ano. Porém, florestas que parecem deslumbrantes por fora, como no caso do Parque Nacional, muitas vezes não possuem animais de médio e grande porte que são de grande importância para o funcionamento dos processos ecológicos nos ecossistemas. Por isso, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza apoia o programa de reintrodução de fauna no parque que neste mês de setembro reintroduziu quatro bugios – macaco que é conhecido pela sua vocalização que pode ser ouvida a quilômetros de distância. A espécie era considerada extinta​ na Floresta da Tijuca há mais de 100 anos.
De acordo com o pesquisador responsável e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fernando Fernandez, a preparação para a soltura foi meticulosa. “Juntamos cinco indivíduos e durante oito meses eles interagiram no nosso centro de pesquisa. Isso é muito importante porque os bugios montam grupos sociais, permanecendo juntos na floresta”, explica. Segundo ele, o macho dominante expulsou um dos outros machos do grupo, obrigando a equipe a retirar esse macho expulso do convívio do grupo, pois do contrário ele seria morto.
O próximo passo foi colocar colares de monitoramento nas fêmeas e tornozeleiras nos machos. “Dessa forma, podemos verificar onde eles estão na mata, como estão interagindo entre si e com as outras espécies”, comenta o pesquisador. Ele afirma que, uma semana após a soltura, os bugios estão bem, alimentando-se adequadamente e coexistindo com outros animais. “Ficamos um pouco preocupados quando o grupo encontrou com macacos-prego, que normalmente são mais agressivos, mas não tivemos problemas. Está tudo correndo dentro do planejado”, ressalta.
Fernando Fernandez destaca ainda que a meta é realizar uma soltura a cada ano, por quatro anos consecutivos, para que a população de bugios no Parque Nacional da Tijuca seja autossustentável, dependendo apenas da própria reprodução e não de novas ações externas como reintroduções de mais indivíduos.
Importância para as florestas
Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, afirma que as áreas protegidas brasileiras sofrem de um mal chamado ‘florestas vazias’, no qual por conta da caça predatória, as áreas não possuem animais de médio e grande porte. Essas espécies são fundamentais para a dispersão de sementes das grandes árvores que compõe a floresta e esse fato foi crucial para que a instituição optasse por apoiar financeiramente o projeto de reintrodução de espécies. “Sem essa interação, as árvores de porte maior não tinham como se reproduzir, o que condena a área em longo prazo”, explica.
Malu comenta que antes do bugio, a cutia também foi reintroduzida com sucesso no Parque Nacional da Tijuca, a partir de um projeto apoiado pela instituição. Sobre essa iniciativa, o pesquisador afirma que “essa é outra espécie que dispersa sementes e permite a reprodução das árvores nas florestas e que já está se reproduzindo sem a nossa interferência”, conclui.
Compartilhamento de experiências
Com o objetivo de incentivar iniciativas similares em outras regiões do Brasil, o programa de refaunação, ou seja, reconstrução de faunas nativas em unidades de conservação foi apresentado por Fernandez na oitava edição do Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (VIII CBUC), que aconteceu em Curitiba entre 21 e 25 de setembro.
Segundo ele, esse projeto tem o poder de engajar as pessoas. “Nós recebemos muitos contatos de pessoas querendo no ajudar. Eu acredito que elas sentem falta de fazer algo de concreto pela natureza. Por isso, espero que nossa participação fomente a replicação dessa ação”, ressalta Fernandez.

Sobre a Fundação Grupo Boticário: a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.439 projetos de 482 instituições em todo o Brasil. A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis. Na internet: www.fundacaogrupoboticario.org.br .
Colaboração de Maria Luiza Campos, in EcoDebate, 01/10/2015

Metas brasileiras para a COP21: ‘esquecemos de debater o modelo de desenvolvimento’. Entrevista com Maureen Santos


“Do ponto de vista de quais medidas o país vai adotar para chegar a essas metas, não vemos uma mudança, mas sim um aprofundamento de políticas para  setores que vêm violando e impactando sistematicamente o meio ambiente e as populações que nele vivem”, critica a pesquisadora.
Foto: estadao.com.br

As metas brasileiras para a COP-21, que será realizada em dezembro deste ano em Paris, anunciadas pela presidente Dilma Rousseff no último domingo, durante o discurso na Conferência da ONU para aAgenda de Desenvolvimento Pós-2015, em Nova York, apesar de terem sido “maiores do que se esperava”, deixaram de fora uma discussão sobre o modelo de desenvolvimento a ser seguido pelo país, avalia Maureen Santos em entrevista àIHU On-Line.
Segundo ela, a discussão sobre o enfrentamento das mudanças climáticas não pode ficar limitada às metas de redução de gases de efeito estufa, mas também discutir se queremos manter o mesmo modelo de desenvolvimento que vem provocando o problema, e se as medidas que o país irá implementar para alcançar essas metas não perpetuam esse modelo que viola direitos e impacta os territórios no campo e na cidade.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone, Maureen explica que no setor de energia, por exemplo, uma das propostas é incrementar 18% no uso dos agrocombustíveis no mix nacional de energia, a partir do consumo de etanol, agrocombustíveis de segunda geração e biocombustível. “Isso significa que o incremento nessas três fontes de energia levará o país a produzir mais e isso implica em mais monocultivo, danos para o solo, impactos socioambientais, etc. Essa é uma questão que não é discutida, porque o próprio modelo do acordo da COP-21 visa focar apenas nas metas e, desse modo, ficamos numa discussão superficial em relação aos números e esquecemos de debater a questão de fundo, que é o modelo de desenvolvimento”, frisa.
Outro ponto a ser observado, segundo a pesquisadora, diz respeito à medida de reflorestar 12 milhões de hectares até 2030. “Esse reflorestamento não necessariamente está relacionado a florestas nativas, porque não foi feita uma diferenciação entre floresta plantada (palma africana, eucalipto, por exemplo) e floresta nativa. Quando se fala de múltiplos propósitos, isso inclui por exemplo a produção de carvão vegetal, que é item da política nacional de mudanças climáticas de 2009, utilizado na  siderurgia. O fato é que o reflorestamento anunciado não necessariamente será nativo e esse é um gargalo das metas que temos de destacar”, critica.
Maureen esclarece ainda que “do ponto de vista da Convenção em si, os números que o Brasil está colocando sobre a mesa estão de acordo com o que a Convenção deseja”, mas “não se enfrenta o que provocou as mudanças climáticas, não se discute a mudança de padrão de produção e consumo, se discute apenas a descarbonização”, adverte.
Maureen Santos (foto abaixo) é coordenadora do Programa de Justiça Ambiental da Fundação Heinrich Böll Brasil e professora do quadro complementar da graduação em Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio. Possui mestrado em Ciência Política pelo IFCS/UFRJ e graduação em Relações Internacionais pela Universidade Estácio de Sá.
Na última década, dedicou seu trabalho à Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – Fase, realizando formação de base, educação popular e construção de redes e articulações sobre comércio internacional, integração regional, meio ambiente e mudanças climáticas. Monitora as negociações da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – UNFCCC, em especial o tema de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação – REDD e Adaptação. Compôs uma das equipes de pesquisadores do High Level Panel of Food Security da FAO, que produziu relatório sobre mudanças climáticas e segurança alimentar.
Confira a entrevista.
Foto: boell.org.br

IHU On-Line – Qual é o significado das metas brasileiras para a COP-21, anunciadas pela presidente nesta semana, de reduzir em 37% as emissões de gases de efeito estufa até 2025, com base nos níveis de 2005, e em 43% até 2030?
Maureen Santos – No geral, do ponto de vista da negociação, as metas foram maiores do que se esperava que o Brasil fosse colocar na mesa. Ou seja, as metas foram bastante ambiciosas em relação àquelas que outros países em desenvolvimento, em especial os emergentes, vêm anunciando: a China já apresentou suas metas, a África do Sul também, e ainda está faltando a Índia. Em relação aosBRICS, a Rússia também já entregou suas metas, mas naConvenção ela é vista em separado, então não faz sentido comparar as metas da Rússia com os demais países dos BRICS. De todo modo, o Brasil escolheu um momento importante para fazer esse anúncio, na véspera da Assembleia Geral da ONU, e foi a ocasião certa para dar visibilidade a uma meta ambiciosa tanto para se comprometer como para puxar outros países a se comprometerem mais também.
IHU On-Line – Essas são metas factíveis de o país cumprir?
Maureen Santos – O Brasil já assumiu um compromisso voluntário em 2009, e segundo alguns cálculos apresentados pelo governo, já cortou 41% das emissões em função dessas metas voluntárias que tinha assumido anteriormente. Então, o Brasil está num caminho de corte de emissões, e os setores escolhidos para reduzir as emissões são aqueles que estão trabalhando em relação à política aprovada, que é o setor de energia, florestas, agricultura e outros setores como transporte e indústria, que são menos fortes do ponto de vista dos cortes.
IHU On-Line – O que o Brasil deve fazer para reduzir as emissões em 43% até 2030?
Maureen Santos – Uma das medidas propostas é um incremento de 18% no uso dos agrocombustíveis no mix nacional de energia, relacionados a etanol, agrocombustíveis de segunda geração e biocombustível. Isso significa que o incremento nessas três fontes de energia levará o país a produzir mais e isso implica em mais monocultivo, danos para o solo, impactos socioambientais, etc. Essa é uma questão que não é discutida, porque o próprio modelo do acordo da COP-21 visa focar apenas nas metas e, desse modo, ficamos numa discussão superficial em relação aos números e esquecemos de debater a questão de fundo, que é omodelo de desenvolvimento.
Do ponto de vista da meta de corte de emissão, ela é ambiciosa, basta comparar com as metas de outros países já apresentadas, mas do ponto de vista de quais medidas o país vai adotar para chegar a essas metas, não vemos uma mudança que respeite a questão socioambiental. Além de energia, a outra questão proposta para reduzir as emissões tem a ver com as florestas e aí tem um debate relacionado com o novo Código Florestal, porque esse governo inaugurou uma terminologia nova, a qual eu nunca tinha escutado antes, que é “desmatamento ilegal”. Quer dizer, quando o governo diz que vai zerar o desmatamento ilegal até 2030, está dizendo que existe um desmatamento que é legal — mas esse desmatamento legal foi legalizado a partir do novo Código Florestal —, ou seja, criou-se formas de legalizar o desmatamento.
Claro que eles também falam de uma possiblidade de reflorestamento, mas se consolida uma terminologia para dizer que existem dois tipos de desmatamento: um legal e outro ilegal, e o novo Código abriu a brecha para legalizar várias formas de desmatamento. Por exemplo, se você tem uma propriedade na Amazônia, só pode desmatar 20% e o restante tem de ser reserva legal. Mas não necessariamente você tem de desmatar somente 20%, porque é possível comprar títulos de reserva legal de outra propriedade dentro do seu módulo fiscal, via bolsa de ativos ambientais, como, por exemplo, a do Rio de Janeiro, ou seja, são cotas de reserva ambiental (CRA) de uma propriedade que desmatou menos do que poderia. Ou seja, essa prática foi legalizada, embora seja um tipo de desmatamento também.
Outra proposta para alcançar as metas brasileiras diz respeito ao reflorestamento de 12 milhões de hectares de florestas até 2030 para múltiplos propósitos, mas esse reflorestamento não necessariamente está relacionado ao reflorestamento nativo, porque não foi feita uma diferenciação entre floresta plantada (palma africana, eucalipto) e floresta nativa. Quando se fala de múltiplos propósitos, isso inclui a produção de carvão vegetal, que é  item da política nacional de mudanças climáticas de 2009. O fato é que o reflorestamento anunciado não necessariamente será nativo e esse é um gargalo das metas que temos de destacar.
Ainda tem uma porta aberta em relação às hidrelétricas, porque se fala da energia renovável em 45%, mas a presidente Dilma disse categoricamente que ainda continua apostando nas hidrelétricas mesmo incluindo novas fontes, porque o Brasil não poderia, agora, segundo ela, abandonar as hidrelétricas até que as outras fontes de energias possam ter mais produtividade. Esse é um ponto muito negativo que destacamos, em razão dos muitos problemas e violações de direitos e impactos socioambientais que a construção das hidrelétricas, mais recentemente do Rio Madeira e de Belo Monte, vem causando.
Temos também o problema da agricultura de baixo carbono, já existe bastante  crítica formulada sobre isso, porque é voltada para o agronegócio e não se discute de forma séria a mudança no modelo agrícola brasileiro. As alternativas agroecológicas ficam completamente fora destas medidas do ABC.
Então, apesar da meta ambiciosa, existem alguns gargalos e preocupações importantes aos quais temos de dar visibilidade. Por exemplo, o que essas metas brasileiras criarão de mais impactos socioambientais e de violação de direitos no território brasileiro? Do ponto de vista da Convenção em si, os números que o Brasil está colocando sobre a mesa estão de acordo com o que a Convenção deseja, porque se olharmos a tratativa da Convenção, de 1992, é possível ver que elas estão centradas realmente no objetivo de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, e isso muda toda a metodologia de discussão: não se enfrenta o que provocou as mudanças climáticas, não se discute a mudança de padrão de produção e consumo, se discute apenas a descarbonização, não importa se para isso serão cometidas mais violações de direitos e mais impactos socioambientais.

“Quando o governo diz que vai zerar o desmatamento ilegal até 2030, está dizendo que existe um desmatamento que é legal”

IHU On-Line – O que seria um modelo de desenvolvimento sustentável adequado para atingir essa meta? Que questões ficaram de fora como alternativas para reduzir as emissões?
Maureen Santos – O cálculo das metas brasileiras foi feito a partir de uma metodologia criada pelo governo em colaboração com algumas instituições, relativas ao que o governo pensa que pode fazer, ou seja, é um cálculo feito dentro da política que vem sendo trabalhada nos últimos seis anos. Mas, se realmente formos enfrentar um debate para a transição para um novo modelo, teríamos de rever tudo isso. Eu não posso dizer o que temos de fazer para chegar a essas metas  que eles criaram, porque daí seria necessário criar outras metas, não? Incorporando outras análises e implementando ações e metodologias que vão completamente em outra direção. Mas investir em um novo modelo passa por toda a discussão de uma matriz energética nacional que seja diversificada, descentralizada, que possa atrair outras fontes que não sejam essas que usamos no Brasil – porque a matriz energética brasileira ainda é baseada centralmente em energia fóssil. Não estou falando de energia elétrica, mas da matriz geral.
Para pensar em uma alternativa, teríamos de discutir por que estamos produzindo tanta energia e pra quem. Aqueles cálculos anuais nos informam que o Brasil precisa de X quantidade de energia a mais para não ter apagão, mas se formos ver o uso residencial de energia elétrica no Brasil, ele é em torno de 12%. Então se produz um modelo de energia para beneficiar as empresas de alumínio, a siderurgia, os setores  que demandam mais energia, como o agronegócio brasileiro. Ou seja, existe um modelo que precisa dessa produção de energia. Portanto, não é só uma discussão de entrar em uma economia de baixo carbono, porque esse baixo carbono não está sendo acompanhado por medidas socioambientais que realmente transitarão por um novo modelo; ao contrário, a aposta que está sendo feita vai trazer mais violações nos territórios.

“Se produz um modelo de energia para manter o modelo de desenvolvimento que está beneficiando empresa de alumínio, superempresas de bens que demandam mais energia, todo o agronegócio brasileiro”

IHU On-Line – A crise econômica será um impeditivo para fazer essa discussão hoje?
Maureen Santos – Com certeza. Se já temos dificuldades de trazer essa discussão nos últimos anos,  então, será mais difícil ainda daqui para a frente. E nesse momento temos de ter cuidado com os oportunismos, porque agora reaparecem todas as bandeiras ligadas à economia verde, para implementar uma economia descarbonizada como se o centro do problema ambiental fosse somente o carbono. Com esse discurso, cria-se uma oportunidade de gerar novos lucros, porque estão sendo criados novos setores, os quais assumem um discurso de “mais limpos ou mais verdes”, quando, na verdade, não o são. Está sendo perpetuado um novo modelo, mas com outro nome.
IHU On-Line – Como as metas brasileiras devem ser avaliadas em relação às metas de outros países em desenvolvimento e desenvolvidos, como África, China, países dos BRICs, por exemplo?
Maureen Santos – Ainda estou estudando isso. Se pegarmos os índices dos países, é possível verificar que eles são muito diferentes, porque cada país apresenta as metas da sua forma. A Rússia, por exemplo, apresentou suas metas em um documento de três páginas. Então, é bem complicado, até porque a linha de base de cada país é diferente; o ano que eles colocam prazo para atingir as metas, é diferente. Esse é um problema que a Convenção enfrentará, e já está enfrentando, de estabelecer uma metodologia para poder equalizar esses dados e tentar colocá-los no mesmo patamar.
Então, o que percebemos é que, em relação à meta geral, o Brasil foi bem ambicioso, comparado a outros países. Mas claro que cada país tem as suas dificuldades. A África do Sul tem um problema sério com uso de carvão mineral, há toda uma indústria e todo um modelo baseado na utilização do carvão como principal fonte de energia. Portanto, esse é um gargalo importante que terá que ser enfrentado, e as metas da África do Sul incluem coisas relacionadas a isso. Mas esse ponto é diferente no Brasil, porque aqui não se utiliza carvão mineral. O Brasil também tem suas questões próprias, em especial ligadas às florestas e agricultura.
O grupo da sociedade civil, Carta de Belém, formado por movimentos sociais, organizações não governamentais, grupos de mulheres e sindicatos, tem se debruçado sobre esse debate socioambiental mais de fundo, no sentido de pensar mudanças de modelo e novas formas de transição para não ficar nessa discussão construída a partir da narrativa do carbono  que virou sinônimo de aquecimento global e das mudanças climáticas, e dos impactos que isso terá.
O Brasil, é importante destacar, no documento em que apresentou suas metas, não explora soluções de mercado, como se vê nas negociações da Convenção, com a discussão das compensações (offsettings), mas também não fecha as portas para essa temática, ou seja, deixou a porta aberta para a negociação a partir do que os outros países apresentarão durante a COP-21. Mas o grupo Carta de Belém vem dialogando com o governo brasileiro sobre isso, no sentido de apontar o fracasso que esses mecanismos mercadológicos vêm tendo e os problemas que novos podem acarretar.
Por Patricia Fachin
(EcoDebate, 01/10/2015) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.
[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

COP21: Especialistas querem inclusão de metas de redução de gases em política nacional


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O objetivo é dificultar alterações na proposta de redução dos gases do efeito estufa que o País vai levar à Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP21), que acontece em dezembro, em Paris.
O secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, defendeu nesta terça-feira (29) que o compromisso em reduzir 43% das emissões de gases do efeito estufa até 2030, apresentado pela presidente Dilma Rousseff, no último domingo (27), seja incluído na Lei da Política Nacional sobre Mudança do Clima (12.187/09).
“Em um momento de crise, transformar o compromisso em lei, e válido para território nacional, nos prepara para novos avanços”, disse o especialista em climatologia.
”Só que a gente não precisa se limitar, e nem acredito que aquilo que o Brasil se dispôs a fazer represente toda a nossa capacidade de redução de emissões; a gente pode fazer mais”, acrescentou, durante debate na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.
Credibilidade do Brasil
Já para Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da ONG SOS Mata Atlântica, a credibilidade do País na Conferência sobre o Clima depende também do respeito às leis domésticas.
“Foi sancionada a lei que punha fim aos lixões nos municípios, e lixão gera gás metano, além de várias contaminações de lençóis freáticos, e agora tramita na Casa uma moratória para esses lixões. Com o Código Florestal é a mesma coisa: nós tínhamos de cumprir o CAR (Cadastro ambiental Rural), mas agora já existe projeto de lei prorrogando os prazos. Então o Brasil perde credibilidade, quando edita leis, estabelece prazos e, ele mesmo, não cumpre as leis internas”, criticou.
Ribeiro acredita que a inclusão em lei garante o cumprimento das metas anunciadas para mitigar a poluição. “As metas foram feitas em momento de crise ética, econômica e política, por isso o risco de não passarem de discurso”, disse. “O sistema Cantareira, por exemplo, está com 21% de sua cobertura florestal, um dia ele acaba… Então, será que nós vamos conseguir tirar do papel esse desafio?”, ponderou.
Congresso excluído
O coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Sarney Filho (PV-MA), concordou com esses argumentos. “É uma maneira de o Congresso participar mais ativamente dessa discussão, já que não fomos incluídos no debate antes do anúncio da meta. O governo nunca foi claro no que iriam dizer, e nunca deixaram uma brecha para que a gente pudesse colocar outras questões”, salientou o parlamentar.
Para Carlos Rittl, as metas de redução do desmatamento podem ser ampliadas para incluir o Cerrado. “O desmatamento ilegal está na proposta do Brasil apenas para a Amazônia, mas, numa legislação discutida aqui no Congresso, a gente pode fazer com que abranja outros ecossistemas”. A proposta do governo também inclui o fim do desmatamento ilegal no País até 2020.
Já para o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental (IPAM), Paulo Moutinho, é preciso acelerar o cumprimento de metas para a Amazônia. “Não dá para esperar até 2030 para reduzir o desmatamento ilegal; estamos apenas acabando com a floresta de forma mais lenta”, afirmou, ao ressaltar que 60% do território indígena já são afetados por seca grave.
“Em anos de muito fogo, a Amazônia perde quase 10% de seu PIB, US$ 5 bilhões; já o SUS perdeu ao longo desses anos mais de R$15 milhões tratando pessoas com problemas respiratórios em razão da fumaça”, alertou.
Emissões pré 2020
Durante debate com deputados, o diretor do Departamento de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Adriano Santhiago de Oliveira, informou que, de 2005 a 2012, o País teve redução de 41% na emissão de gases do efeito estufa, em função da queda do desmatamento da Amazônia. Resultado positivo se comparado ao aumento da poluição em 28%, na China, e 36%, na Índia, no mesmo período. “Nenhum País do mundo alcançou reduções maiores que 40%”.
“O compromisso brasileiro de reduzir em 35% e 43% os gases de efeito estufa é ainda mais ambicioso se considerarmos a intensidade da emissão sobre o PIB. Calculada assim, nossa redução seria de 63%, em 2025, e de 70%, em 2030, em relação ao nível de emissão de 2005; já na China essa redução seria de 60%”, destacou Santhiago.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Newton Araújo
Informações da Agência Câmara Notícias, in EcoDebate, 01/10/2015

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editor da revista eletrônica EcoDebate, ISSN 2446-9394

in EcoDebate, 01/10/2015

Hospital São Pio X e plantas medicinais, artigo de Roberto Naime


Imagem: Plantas medicinais: o saber sustentado na prática do cotidiano popular, Esc. Anna Nery vol.15 no.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2011

[EcoDebate] Num país com biodiversidade tão extremada, representada por uma flora quase infinita e típica de cada um dos biomas que constituem seu ecossistema, é lógico que ocorram iniciativas indutoras do uso de plantas com propriedades medicinas E com uma cultura tradicional tão rica e permanentemente evoluindo alimentada por populações já seculares, não é de surpreender que se trate da importância deste uso funcional. Além do enaltecimento à temática tão cara e tão peculiar à realidade do país, também devem ser realizadas concretas evidenciações de realidades que se observam.
Os usos dos princípios ativos encontrados em plantas medicinais, utilizadas para curar e prevenir diversos tipos de patologias é possivelmente prática muito antiga, até mesmo milenar, sendo utilizada pela espécie humana desde os primórdios da civilização. Os primeiros registros escritos possivelmente se associem com texto documentado no século primeiro da era cristã, por um médico de origem grega, chamado Dioscórides.
A trajetória evolutiva da civilização traz conceitos muito intrigantes, próximos de apropriações típicas da realidade atual para antigas crenças, antes associadas com o imaginário e lendas mitológicas. Se acreditou que os sinais externos de forma das plantas poderia trazer indicações sobre a efetividade das propriedades medicinais e funcionalidades determinativas sobre os órgãos humanos que poderiam ser beneficiados. Não se sabe a realidade desta crença.
Foi somente com a evolução da química, já durante o século XVII, que se descobriu que a ação terapêutica propiciada pelas plantas, se devia a presença de certos compostos em suas folhas, raízes ou caules, que foi denominada de princípio ativo, da mesma forma que se conhece hoje.
Somente no século passado é que se consolidaram as extrações vegetais, que permitiram a produção dos remédios a base de plantas, também conhecidos como fitoterápicos. Também são comuns bebidas extraídas de plantas, como café ou chá, que possuem substâncias estimulantes ao sistema nervoso central.
O cultivo da terra entre as primeiras civilizações estabelecidas, quando os hábitos ainda se dividiam entre o sedentarismo gregário e hábitos do nomadismo, como a extração da natureza, através de caça ou simples coleta, era mais tipicamente atribuição feminina. As mulheres observando atentamente com a argúcia que é própria do gênero feminino, os processos naturais e suas inter-relações cósmicas com fases lunares e outros requisitos, desenvolveram originalmente um conhecimento muito valioso dos efeitos, ritmos e ciclos observados.
E criaram hábitos de vida muito próprios e peculiares, compartilhados na vida comunitária, com laços muito fortes e efetivos, necessários na empreitada humana de gregarização ou fixação à terra. Tudo iniciou com as necessidades impostas pela gravidez, menstruação e fecundidade, mas rapidamente evoluiu para todas as dimensões humanas.
Estas concepções rapidamente deixam de pertencer ao universo feminino e se compartilham entre os dois gêneros nas comunidades tradicionais, sendo transmitidas entre as diversas gerações através de práticas integradas e de exercício da oralidade. Na modernidade, o desenvolvimento de medicações alopáticas com a síntese e a combinação de moléculas, não deve ser interposta como alternativa de eficientização, para populações que possam adquirir medicamentos em detrimento da fitoterapia. Quando os fitoterápicos apresentam eficácia devem ser usados indistintamente. Quando não apresentam, não devem ser empregados por ninguém.
Neste sentido, deve ser saudada a portaria interministerial 2.960 do ano de 2.008, assinada pelo Ministério da Saúde e mais 9 ministérios, que institui o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). Coordenado pelo Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos, o programa objetiva ampliar a lista de fitoterápicos ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Se poderia digredir pelas plantas já utilizadas, como a espinheira santa ou outras, de grande eficácia terapêutica já comprovada, mas não vem ao caso, mas o texto poderia se transformar em longa enciclopédia descritiva.
É o momento de ressaltar e evidenciar também as amplas práticas procedidas pela Farmácia de Plantas Medicinais do Hospital Pio X, mantido pela arquidiocese de Goiânia. Amplas práticas de tradição cultural, principalmente derivadas da flora desenvolvida no cerrado, são apropriadas e desenvolvidas sob supervisão científica nesta instituição, que já é referência na utilização de fitoterápicos. O site da arquidiocese de Goiânia informa que a Farmácia é dirigida por Dom Eugênio Rixen, mas conta com grande apoio e repercussão em todo o corpo médico da instituição.
Viviane Custódia Borges, em sua tese de doutorado em Geografia, denominada “Pequi, Jatobá e Algodãozinho…A Biodiversidade do Cerrado na Medicina Natural”, no Instituto de Estudos Sócio Ambientais da Universidade de Goiás, resgata toda dimensão e amplitude de uma diretriz há muito adotada pela pastoral da saúde da arquidiocese goiana. As plantas medicinais demonstram a profunda vinculação da evolução civilizatória com a natureza em sua essência e esta relação não se reduz a dimensões utilitárias. Exibe a robustez de uma teia cultural, minuciosamente arquitetada, valorizando as interpretações das dimensões naturais.
Afirmando que a gestão da biodiversidade, é pilar da constituição da cultura local, sendo agregada aos conhecimentos tradicionais e suas formas regionais de relação com os diferentes ecossistemas, Viviane Custódia Borges manifesta que o trabalho da pastoral da saúde, e se acrescenta, do próprio hospital Pio X, resgata a tradição e fortalece a resistência das populações, edificadas sob o prisma de uma mesma unidade territorial e tradição cultural.
Fica claramente estabelecido que os fluxos sociais advindos desta interação sistêmica permitem fortalecer e perpetuar as atividades de educação e saúde que envolvem as comunidades, com sua farmacologia fitoterápica tradicional, produzindo remédios caseiros de comprovada eficiência.
Desde os colonizadores portugueses, as tradições de uso de plantas medicinais já são muito desenvolvidas e estimuladas. Estas realidades todas, trazem novas perspectivas para a melhoria da qualidade ambiental e da qualidade de vida de todas as populações que podem ser beneficiadas por estas ações.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Celebração da vida [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 01/10/2015
"Hospital São Pio X e plantas medicinais, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, 1/10/2015, http://www.ecodebate.com.br/2015/10/01/hospital-sao-pio-x-e-plantas-medicinais-artigo-de-roberto-naime/.