Powered By Blogger

quarta-feira, 1 de abril de 2015

“A chave de um país sustentável está em sua biodiversidade”

por Desmond Brown, da IPS
São Vicente e Granadinas instalou painéis fotovoltaicos que produzem 750 quilowatts/hora, reduzindo suas emissões contaminantes em 800 toneladas ao ano. Foto: Kenton X. Chance/IPS
São Vicente e Granadinas instalou painéis fotovoltaicos que produzem 750 quilowatts/hora, reduzindo suas emissões contaminantes em 800 toneladas ao ano. Foto: Kenton X. Chance/IPS

Saint John’s, Antiga e Barbuda, 31/3/2015 – Fomentar a resiliência e conseguir cidades mais sustentáveis, mediante a redução do consumo de água e energia, ao mesmo tempo em que se melhora a qualidade de vida e a participação da comunidade, é o objetivo que se propõe o Departamento de Desenvolvimento Sustentável da Organização dos Estados Americanos (OEA). O chefe da seção de Comunidades Sustentáveis, Risco e Mudança Climática da OEA, Richard Huber, conversou com a IPS nesta cidade, capital de Antiga e Barbuda, sobre eficiência energética e energias renováveis com vistas a concretizar um país sustentável.
IPS: O que é um país sustentável?
RICHARD HUBER: É um país que procura limitar as emissões de dióxido de carbono de forma significativa. Por exemplo, a Costa Rica trata de se converter em um país com zero de emissões, e busca isso obtendo a maioria de sua energia em fontes renováveis, a mais notável a hidrelétrica, mas também solar, eólica e bicombustíveis. Então, um país sustentável em matéria de energias renováveis e eficiência energética será aquele que plantar muitas árvores para capturar carbono, cuidar de seus arrecifes de coral e seus ecossistemas de mangues, os mais importantes mediante programas de parques nacionais e áreas protegidas e sendo muito, muito eficiente para que, digamos em 2020, seja um país com zero em emissão de carbono.
IPS: Como os pequenos Estados insulares do Caribe podem conseguir a sustentabilidade ambiental?
RH: Primeiro deverão que ter um sólido programa de áreas protegidas e parques nacionais, como trabalhamos agora com a Área de Gestão Marinha Oriental, bem como a Bahía Cades, no sul, dois grandes parques que incluem quase 40% do entorno marinho. Na verdade, há a iniciativa Desafio do Caribe em muitos países caribenhos, que começou com o primeiro-ministro de Granada e por meio da qual muitos, muitos deles se comprometem a ter 20% de suas áreas marinhas bem administradas do ponto de vista da proteção e conservação até 2020. Protejam sua biodiversidade. É uma defesa muito boa contra furacões e outras tempestades. Os países que cuidam de seus mangues, sua água potável, seus pântanos herbáceos e suas terras úmidas em geral são os que menos sofreram o impacto do tsunami que golpeou o Pacífico sul. Protejam seus ecossistemas. Em segundo lugar, consigam uma grande eficiência energética. Tratem de promover os automóveis híbridos, veículos com um uso eficiente do combustível e tenham um ótimo programa de transporte público sustentável. Este, de fato, é um grande equalizador da pobreza, ajuda os pobres a chegarem ao trabalho de forma confortável e rápida. Então, ser eficiente no uso da energia e proteger sua biodiversidade são duas coisas importantes e fundamentais para um país sustentável.
IPS: Quais exemplos de sustentabilidade ambiental observou em Antiga?
RH: Percorri junto com Ruth Spencer, consultora que trabalha para ter dez programas de usinas de eletricidade fotovoltaicas nos centros comunitários, nas igrejas e em outros lugares. Fomos ao Projeto Precisão, que não só tem 19 megawatts de energia fotovoltaica, que acredito ser mais eletricidade do que necessitam, como alimentam a rede. Isso é menos de zero carbono porque, na realidade, produzem mais eletricidade do que usam. Também há uma tremenda oportunidade para Antiga no cultivo hidropônico. O problema, por exemplo, com o turismo é que depende de o fornecimento estar disponível quando necessário, e esse é o tipo de coisa que a hidroponia e outras novas tecnologias, bem como a agricultura mais eficiente e sustentável, pode conseguir. A ideia seria conseguir que Antiga e Barbuda fossem mais eficientes do ponto de vista alimentar até 2020.
IPS: Poderia dar exemplos de projetos da OEA no Caribe a esse respeito?
RH: Há a segunda etapa do projeto de comunidades sustentáveis na América Central e no Caribe. Na primeira tivemos 14 iniciativas e nesta dez. Em Dominica apoiamos uma central hidrelétrica, miniusinas de energia hidráulica e também capacitamos e difundimos essa possibilidade entre as populações da bacia dos rios que podem ter sua própria central hidrelétrica em sua comunidade. Outro projeto muito interessante é o de Granada, onde 90% das aves para criação eram importadas porque são muito caras de alimentar. Havia uma iniciativa de um lixão sanitário que cedeu a terra e agora uma pessoa percorre os mercados de peixe recolhendo os dejetos da pesca que antes eram jogados fora, os leva a uma unidade onde são cozidos para fazer alimento para a avicultura. Agora, são importados 70% das aves, em lugar de 90%. E não só isso: a fonte de energia é óleo de motor.
IPS: Qual conselho daria aos países do Caribe em matéria de energias renováveis e eficiência energética?
RH: Primeiro é que se necessita de um entorno habilitador para introduzir as energias renováveis, neste caso principalmente a solar e a eólica. Aqui mesmo, na praia Jabberwock, há quatro moinhos de vento históricos que agora estão em ruínas, mas o fato é que aqui sempre houve muito vento, e continua havendo, e esses montes ao longo da praia seriam um excelente lugar para desenvolver a energia eólica. Também há muito terreno, por exemplo, em volta do aeroporto, uma tremenda quantidade de sol e um espaço onde é possível instalar painéis solares. Começamos a ter projetos desse tipo nos Estados Unidos, de 150 megawatts, que creio ser mais do que a quantia usada em toda Antiga e Barbuda. Nessas grandes usinas, em especial em áreas que já contam com segurança, como ao redor de aeroportos, pode-se introduzir projetos fotovoltaicos de maior escala e alimentar a rede elétrica, e com o tempo começar a abandonar paulatinamente o sistema de geração a base de

Preservação dos polinizadores será política pública no Brasil

por Rafaela Ribeiro, do MMA
Evento reúne especialistas, pesquisadores de universidades e de organismos internacionais e sociedade civil.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) está traçando os contornos gerais para uma política pública voltada aos polinizadores. O assunto está sendo discutido por especialistas na área, pesquisadores de universidades e de organismos internacionais e sociedade civil organizada nesta segunda e terça-feira (30 e 31/03), Em Brasília, durante o seminário Projeto GEF Polinizadores Biodiversidade e Agricultura.
“A idéia é aproveitar toda experiência adquirida, usando-a como pedra fundamental para uma política de valorização e retorno da conservação dos polinizadores do Brasil”, explicou o secretário Substituto de Biodiversidade e Florestas, Sérgio Collaço, na abertura do encontro. São três linhas mestras de trabalho: controle de agrotóxico para evitar impacto nas espécies polinizadoras; reverter e evitar perda das espécies de polinizadores; e conseguir avançar com tecnologias para o uso econômico dos polinizadores.
Preocupação
O representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO Brasil), Alan Jorge Bojanic, demonstrou grande preocupação com a perda de polinizadores. “Os polinizadores são fundamentais para a biologia e para o mundo inteiro”, disse. “Esse projeto tem sido importante para gerar informações úteis que nos oriente.”
Os polinizadores evidenciam a forte relação entre proteção da biodiversidade e produção agrícola. “Alguns resultados mostram aumento de produção de 60 ou 70%”, afirmou Rosa Lemos, representante do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). “É inegável o valor que eles têm para a produção agrícola.”
Foto: http://www.shutterstock.com/
Na maioria dos ecossistemas mundiais, as abelhas são os principais polinizadores. Foto: http://www.shutterstock.com/

O Projeto Global GEF/PNUMA/FAO Conservação e Manejo de Polinizadores para uma Agricultura Sustentável através da Abordagem Ecossistêmica começou a ser executado em 2010 e termina no final do ano. Visa melhorar a segurança alimentar e nutricional e os modos de vida, por meio da conservação e do uso sustentável dos polinizadores.
Foi implantado em sete países: Brasil, África do Sul, Gana, Índia, Nepal, Paquistão e Quênia. No Brasil, muitas atividades foram apoiadas e implantadas pelo projeto, com destaque para os estudos em áreas de cultivo de algodão, caju, canola, castanha-do-brasil, maçã, melão e tomate.
Saiba mais
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), polinização é a transferência de grãos de pólen das anteras de uma flor para o estigma (parte do aparelho reprodutor feminino) da mesma flor ou de outra flor da mesma espécie. As anteras são os órgãos masculinos da flor e o pólen é a gameta masculino. Para que haja a formação das sementes e frutos é necessário que os grãos de pólen fecundem os óvulos existentes no aparelho reprodutor feminino.
A transferência de pólen para o estigma pode ocorrer das anteras para o estigama da mesma flor ou de flor diferente, mas na mesma planta (autopolinização) ou pode ser feita de uma flor para outra em plantas diferentes (polinização cruzada).
A transferência de pólen pode ser através de fatores bióticos, ou seja, com auxílio de seres vivos, ou abióticos, através de fatores ambientais, esses fatores podem ser: vento (Anemofilia), água (Hidrofilia); insetos (Entomofilia), morcegos (Quiropterofilia), aves (Ornitofilia).
Para atrair os agentes polinizadores bióticos as espécies vegetais oferecem recompensas, pólen, néctar, óleos ou mesmo odores, utilizadas na alimentação ou reprodução dos animais. Contudo, nem todos os animais que procuram as recompensas atuam como polinizadores efetivos, muitos visitantes são apenas pilhadores oportunistas, que roubam a recompensa sem exibir um comportamento adequado para realizar uma polinização eficiente.
Anos de co-evolução entre planta e agente polinizador, favoreceram umas adaptações morfológicas, fisiológicas e comportamental, que algumas vezes tiveram como consequência uma dependência tão estreita que a extinção de um leva a extinção do outro.
Na maioria dos ecossistemas mundiais, as abelhas são os principais polinizadores. Estudos sobre a ação das abelhas no meio ambiente evidenciam a extraordinária contribuição desses insetos na preservação da vida vegetal e também na manutenção da variabilidade genética.
Estima-se existir cerca de 20 mil espécies de abelhas. Contudo este número pode ser duas vezes maior, sendo necessário realizar estudos de levantamento das abelhas e as interações abelha-planta nos diversos biomas. Entretanto, devido à redução das fontes de alimento e locais de nidificação, ocupação intensiva das terras e uso de defensivos agrícolas, as populações de abelhas silvestres têm sido reduzidas drasticamente, colocando em risco todo o bioma em que vivem. Uma das dificuldades em se promover a conservação das abelhas é a falta de conhecimento sobre as mesmas.
Nas regiões tropicais, as abelhas sociais (Meliponina, Bombina e Apina) estão entre os visitantes florais mais abundantes. No Brasil, as abelhas sem ferrão (Meliponina) são responsáveis pela polinização de 40 a 90% das espécies arbóreas. Dessa forma, a preservação das matas nativas é dependente da preservação dessas espécies.
* Editor: Marco Moreira.
** Publicado originalmente no site Ministério do Meio Ambiente.
(Ministério do Meio Ambiente) 

Brasil recebe prêmio das Nações Unidas por projeto de gestão da água

por Edgard Júnior, da Rádio ONU
Itaipu Binacional ganha prêmio pela boa gestão de recursos hídricos. Foto: ONU/Evan Schneider
Itaipu Binacional ganha prêmio pela boa gestão de recursos hídricos. Foto: ONU/Evan Schneider
Diretor-geral da partre brasileira da Itaipu Binacional, Jorge Samek, recebeu distinção em Nova York; programa “Cultivando Água Boa”, do oeste do Paraná, foi escolhido entre dezenas de iniciativas semelhantes pelo mundo.
O Brasil recebeu esta segunda-feira na ONU o prêmio “Água para Vida”, dado à Itaipu Binacional por causa da boa gestão de recursos hídricos. A distinção foi entregue à liderança da empresa em reconhecimento ao programa “Cultivando Água Boa”, que é realizado no oeste do Paraná.
O diretor-geral da parte brasileira da empresa, Jorge Samek, falou à Rádio ONU sobre a iniciativa.
Produção agrícola
“Limitamos um território, que chamamos de Bacia do Paraná 3, é uma área de 1,3 milhão de hectares. Tem muitos países no mundo com uma área menor do que essa que atuamos. É uma área também que está concentrada a maior produção agrícola, a maior produção de suínos, de aves, de gado de leite, de soja, milho. Uma área muito produtiva do Estado do Paraná, no Brasil e também no Paraguai, no distrito de Alto Paraná.”
O diretor-geral da Itaipu Binacional afirmou que são 65 ações desenvolvidas pela empresa com mais de 2,4 mil participantes atuando na região.
Nascentes
Ele afirmou ainda que todas as nascentes localizadas na área estão recuperadas, assim como da mata ciliar, onde correm rios e riachos, numa ação em defesa do meio ambiente com dois objetivos: produzir e ao mesmo tempo preservar.
O embaixador do Brasil na ONU, Antonio Patriota, participou do encontro sobre a gestão da água, nesta segunda-feira. Ele disse que o país se orgulha do programa que tem como objetivo a proteção e gestão integradas de bacias e rios cobrindo 29 cidades e mais de 1 milhão de pessoas.
A Itaipu Binacional é uma empresa que pertence ao Brasil e ao Paraguai. Jorge Samek explicou que 20% da energia consumida no território brasileiro vêm da hidrelétrica. Ela também é responsável por 80% do fornecimento do lado paraguaio.
O diretor-geral, disse que a empresa atende a 65 milhões de pessoas em toda a região.
* Publicado originalmente no site da Rádio ONU.
(Rádio ONU) 

HABITAÇÃO COM ÁGUA

por Mario Mantovani*
Passados 40 anos das primeiras iniciativas de organização da ocupação do solo no Estado de São Paulo, continuamos a conviver com um modelo de habitação que não contempla a proteção e a recuperação de áreas verdes e de mananciais como de interesse social.
Criada na década de 70, a Lei dos Mananciais (Lei 1172/76), rigorosa e bastante restritiva, foi sistematicamente ignorada pelos municípios, o que resultou na ocupação desordenada de regiões de mananciais que deveriam ser preservadas para a garantia da prestação de serviços ambientais essenciais à população, como o abastecimento de água. Nos dias de hoje, e apesar da crise da água, a história se repete. Como resultado, temos todos os mananciais da região metropolitana de São Paulo frágeis ou ameaçados, longe de serem prioridade na agenda dos nossos governantes.
A Constituição brasileira define que o uso e a ocupação do solo são competências dos municípios. Assim, os Estados, que têm uma legislação ambiental que pressupõe o ordenamento mais restritivo, não fiscaliza esses locais, por esta ser uma atribuição das prefeituras, que por sua vez tão pouco demonstram interesse, capacidade técnica e estrutura para fazer essa gestão do território como deveriam. Temos, então, as conhecidas “terras de ninguém”, desvalorizadas do ponto de vista imobiliário e ignoradas sob o aspecto de sua relevância ambiental.
Dada a situação, coube a sociedade, por iniciativas independentes, a defesa desses mananciais, a exemplo do movimento que tem se mobilizado pela criação do Parque dos Búfalos, uma das últimas áreas verdes, com 994 mil m2, na Cidade Ademar, extremo sul de São Paulo, escolhida pela Prefeitura, Governo Estadual e Federal para construção de um conjunto habitacional do programa Minha Casa Minha Vida. Ao custo de R$ 380 milhões, o projeto prevê a construção de 193 torres, com 3860 apartamentos e capacidade para cerca de 15 mil moradores. Tamanho equivalente ao de uma pequena cidade do interior paulista, como Salesópolis ou Pirapora do Bom Jesus.
O curioso é que essa é uma área de proteção e recuperação de mananciais da represa Billings, que neste ano passou a ser vista como alternativa para aliviar a crise da água que atinge São Paulo. Estão ali treze nascentes que abastecem a já tão fragilizada e poluída represa. A questão é até quando continuaremos com esse modelo de construção de moradias a qualquer custo?
A depender da Justiça, parece que essa história começa a ser reescrita. No dia 19 de fevereiro, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) concedeu liminar mantendo a área do Parque dos Búfalos preservada, sem construções, sob alegação dos impactos ambientais do projeto. A Prefeitura ainda pode recorrer da decisão.
Porém, na contramão do que espera a sociedade, surge o decreto nº 55.955, assinado pelo prefeito Fernando Haddad (PT), em 27 de fevereiro, que libera a construção de escolas, quadras esportivas, creches e postos de saúde em áreas protegidas, como unidades de proteção integral, parques e Áreas de Preservação Permanente.
Garantir a preservação permanente e a integridade das áreas protegidas é dever dos Governantes e, principalmente, é a nossa garantia de água, saúde e bem-estar. Precisamos de moradias e de equipamentos sociais que venham a ser implantados em harmonia, equilíbrio e respeito ao ambiente e à legislação. Mananciais são áreas de interesse e função social essenciais.
* Mario Mantovani, 59, geógrafo e ambientalista, é diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica. As ações da Fundação dependem da ajuda de pessoas e empresas para continuar. Saiba como você pode apoiar em www.sosma.org.br/apoie.
* Publicado originalmente na Folha e republicado no site SOS Mata Atlântica.
(SOS Mata Atlântica) 

O voluntariado e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

por Maria Elena Pereira Johanpeter*
Foto: http://www.shutterstock.com/
Foto: http://www.shutterstock.com/
Em 2015 acaba o prazo definido para as metas dos Objetivos do Milênio – ODM, e, em continuidade, deverão entrar em vigor os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS. Deve ser ressaltado que os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS, que estão se apresentando como 17 e 169 metas, ainda estão em discussão, por essa razão, as opiniões de todos os segmentos da comunidade global, incluindo as crianças e adolescentes são importantes e deverão ser ouvidas e incluídas. Relembrando que o desenvolvimento sustentável é aquele que permite melhorar as condições de vida no presente, sem que sejam comprometidos os recursos das futuras gerações.
A proposta dos 189 países que compõem a Organização das Nações Unidas – ONU é atingir os seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável de 2015 a 2030: 1 – Acabar com a pobreza, 2 – Acabar com a fome, 3 – Vida saudável, 4 – Educação de qualidade, 5 – Igualdade de gênero, 6 – Água e saneamento básico para todos, 7 – Energia moderna e duradoura, 8 – Trabalho digno, 9 – Tecnologia em benefício de todos, 10 – Reduzir a desigualdade, 11 – Cidades adequadas para viver, 12 – Consumo responsável, 13 – Frear as mudanças climáticas, 14 – Proteger o mar, 15 – Cuidar da terra, 16 – Viver em paz, 17 – Conseguir novas parcerias.
Sam Kahamba Kutesa, presidente da Assembleia Geral da ONU, na abertura da 69ª sessão, disse que “esta é uma oportunidade histórica de formular uma agenda de desenvolvimento pós-2015 que seja transformativa, que traga resultados tangíveis na luta contra a pobreza e que conduza à melhoria de vida de todos as pessoas sem excessão”, trabalho em progresso nos últimos anos que culminará na Assembleia Geral de setembro de 2015.
A Conferência Mundial de Juventude de 2014, que aconteceu recentemente no Sri Lanka, foi bem articulada, tendo de lá saído a Carta Colombo, a qual também é conhecida como Plano de Ação Colombo, resultando no compromisso e consenso entre ONU, governos e jovens, com recomendações da juventude na agenda pós-2015, contendo suas demandas, anseios e desejos para que tenha a participação dos jovens em todos os níveis e agendas globais que dialoguem com as prioridades dos jovens de todo o mundo.
O propósito de termos feito a exposição acima, é para mostrar que todos querem ser partícipes tanto nas decisões, no advocacy, quanto na implementação, no protagonismo. É assim a participação do VOLUNTARIADO, tanto em nível nacional quanto internacional. O reconhecimento da ONU é importantíssimo pois, segundo Helen Clark, administradora do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP – United Nations Development Program), há elos muito fortes entre o voluntariado, o desenvolvimento humano e a paz. O voluntariado deixou de ser considerado como um fator secundário e passou a ser reconhecido como o caminho principal, para a solução de muitas mazelas das comunidades.
Até algumas décadas atrás o voluntariado era visto como uma ação apenas de pessoas com boas condições financeiras e ou pessoas boazinhas. Atualmente, tanto no Brasil, com 25% de sua população se dedicando ao voluntariado, quanto no mundo, o voluntariado é entendido como exercício de cidadania. São cidadãos preocupados com as necessidades de suas comunidades e que compreendem que é preciso haver a união entre governo, empresas e sociedade civil para o apoio à busca das soluções dos problemas sociais.
O conceito de voluntariado, em qualquer parte do mundo, diz que é uma ação realizada sem expectativas de recompensa financeira. Que ela, sem dúvida alguma, produz benefícios tangíveis e intangíveis não apenas para os beneficiários, mas também para os voluntários. E, principalmente deve ser realizado por vontade própria. No Brasil, o voluntariado já fez a transição, da cultura do “o que eu ganho com isso”? para a cultura “em que eu posso ajudar”?
O voluntariado no Brasil está provando que não importa classes sociais, não importa ideologias. Que ele é sincero e livre, quando nós nos unimos e nos dedicamos ao outro. Quando colocamos como propósito máximo, a essência humana. Pois o nosso desenvolvimento só acontece através do desenvolvimento do outro. O conceito de RSI – Responsabilidade Social Individual, nos mostra que é muito importante criarmos um capital social em nosso país porque “trabalhar os valores internos, faz despertar na pessoa o seu verdadeiro valor, o que a torna mais ativa e socialmente transformadora do mundo ao seu redor”. Valores, sabemos,passam pela ética, pela moral, pela idoneidade, pelo respeito em todos os sentidos e pelos nossos direitos e deveres de cidadania.
Vejam o depoimento forte de uma aluna de 14 anos: “Eu vi que a ONG Parceiros Voluntários reúne adolescentes na ação AS TRIBOS NAS TRILHAS DE CIDADANIA, para aprender a cuidar do mundo, para termos no futuro um mundo melhor. Que temos que ter respeito com às pessoas e com as coisas e também temos que correr atrás dos nossos direitos e sonhos, todavia, praticando os nossos DEVERES”.
O agir ou não agir de cada um, segundo o sociólogo Bernardo Toro, é que consolida ou transforma a ordem social em que vivemos. Nos países onde os cidadãos estiverem engajados e trabalhando para vencer seus próprios desafios, o desenvolvimento e a paz serão mais duradouros.
* Maria Elena Pereira Johannpeter é presidente (Voluntária) da ONG Parceiros Voluntários e colunista de Plurale.
** Publicado originalmente no site Plurale.
(Plurale) 

Energia mais barata, perto de quem consome

por Washington Novaes*
energiaPasso importante para enfrentar a questão energética no Brasil foi dado há poucos dias pelo Ministério de Minas e Energia, ao autorizar (pela Portaria 44/15) distribuidoras de energia elétrica a contratar em leilão a “energia excedente de autogeradores”, como shopping centers, indústrias, hotéis , cooperativas e outros. E é importante por dois motivos centrais: 1) libera a compra de cerca de 3,2 GW já disponíveis nesses setores e não utilizados, que certamente ajudarão a enfrentar a atual crise energética, decorrente de vários fatores, a começar pela redução de água nos reservatórios (que levou à utilização da cara energia de termoelétricas, movidas principalmente a carvão e diesel); e 2) conduz em direção a um modelo mais adequado e necessário para a matriz energética nacional.
Hoje, a compra da energia produzida por microgeradores e sua distribuição – além do consumo no local da produção – depende de autorização em cada Estado. Mas a autorização em nível nacional certamente induzirá a produção no rumo desejável em todo o País. Porque a microgeração e seu consumo próximo da produção são o caminho inevitável e moderno. Megaobras, que exigem também megalinhas de transmissão caríssimas, são uma via cada vez mais anacrônica. Seja pelos vultosos capitais que exigem – e que precisam ser remunerados pelos consumidores -, seja pelos altos investimentos na transmissão e na distribuição, seja pelo desperdício e pelo não uso em certas etapas.
Além disso, a microgeração e o consumo no local disponibilizam essa energia, sem custos elevados, também nas propriedades rurais e comunidades isoladas. Com o adicional de permitirem a geração da energia a partir de resíduos – inclusive de animais como bovinos, suínos, aves – disponíveis nos próprios estabelecimentos rurais.
E que podem contar também com bagaço e palha de cana, casca de arroz, efluentes no processamento de produtos como a mandioca, entre outros. Eles podem resultar em biogás e, por meio deste, na geração de energia. E ainda na redução da demanda por lenha em processos industriais, como a secagem de grãos; a produção de biofertilizantes; a refrigeração de granjas, evitando a morte de animais. Não bastasse, a microgeração ainda pode proporcionar renda adicional ao produtor, ao vender à distribuidora mais próxima o excedente que não utilizaria em sua própria área. Não pagará pelo consumo de energia e ainda terá renda adicional.
Caminhos como esse ficaram claros no Estado do Paraná, a partir do Centro Internacional do Biogás, que associou Itaipu à Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), a várias universidades aqui e fora e também à Embrapa. Por aí se caminhou para a instalação de microgeradores em vários condomínios de agricultores associados e também agricultores individuais de grande porte – e o modelo já foi exportado até para o Uruguai.
Agora, caberá à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) medir o potencial da microgeração, instalar equipamentos de controle dessa geração, padronizar modelos para os contratos e autorizar o início das chamadas públicas.
Grande parte do mundo caminha a passos rápidos para a adoção das chamadas energias renováveis, diante da impossibilidade de seguir com os modelos poluentes, baseados principalmente na queima de petróleo e carvão. A geração de energia solar, eólica e de biomassas, em especial, cresce em alta velocidade. Com a resistência de alguns países e produtores nos formatos antigos, mas diante de circunstâncias incontornáveis, como a inegável contribuição dessas fontes poluentes para o aumento da temperatura e das mudanças climáticas no planeta. A transformação já levou até mesmo a uma queda de mais de 50% nas cotações do petróleo. Levou também à geração de energia – principalmente nos Estados Unidos – a partir do gás resultante do fraturamento de rochas. Mas que enfrenta forte e crescente resistência, diante dos efeitos indesejados – problemas com recursos hídricos, poluição química resultante de produtos usados nessa técnica e outros.
O Brasil também tem avançado na produção de energia eólica, apesar da falta de linhas de transmissão e outras estruturas (já tem 4.888 MW implantados, mais 126,7% em 2014; para 2015 estão previstos mais 3.267 MW; para 2021, nada menos que 15.563 MW). As geradoras de energia a partir de radiação solar evitaram já há dois anos a emissão de 11.229 toneladas equivalentes de dióxido de carbono. Em 2014 a geração de energia a partir de biomassas chegou a 20,8 mil GWh, ou 21% mais que em 2013. E ainda poderemos ter usinas movidas pelas marés, por bagaço de cana e outros resíduos. Sem deixar de mencionar a possibilidade de utilizar briquetes – resultantes da compactação de resíduos vegetais – para substituir a lenha. Principalmente na região do Semiárido, ainda é forte o uso de lenha nas cozinhas domésticas.
As agências reguladoras Aneel e ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e a Empresa de Planejamento Energético (EPE) publicaram recentemente resoluções normativas discutidas em audiências públicas, de suma importância para termos no País um bom arcabouço regulatório, determinando as condições para investimentos em microgeração, que, localizada nos centros de carga, como dizem os especialistas, ou junto ao consumo, não necessitam de investimentos em transmissão e distribuição.
E ainda é preciso avançar, sob este ângulo, nas questões entrelaçadas dos recursos hídricos e do clima, tão graves e urgentes. Cientistas têm advertido: sem desmatamento zero na Amazônia e no Cerrado não haverá solução para as questões do clima no Brasil; e já somos um dos países mais atingidos por desastres climáticos (a área urbana exposta a inundações no mundo triplicará até 2030, diz o Global Change). Também não se deve esperar uma solução milagrosa para os problemas da água. Eles ainda estarão presentes nos próximos anos.
* Washington Novaes é jornalista.
** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.
(O Estado de S. Paulo) 

México puxa fila de emergentes e registra compromisso para acordo de Paris

por Redação do Observatório do Clima
México. Foto: Divulgação
México. Foto: Divulgação
País promete reduzir 25% de suas emissões até 2030
O México tornou-se no sábado (28/03) o primeiro país em desenvolvimento a registrar junto às Nações Unidas sua proposta de contribuição nacionalmente determinada (INDC) para o acordo do clima de Paris. O registro cumpre o convite da ONU para que todos os maiores emissores do planeta registrassem sua meta até o fim do primeiro trimestre de 2015.
A INDC mexicana se propõe a reduzir, até 2030, 22% de seus gases de efeito estufa em relação ao que emitiria se nada fosse feito. Nesse cenário, as emissões absolutas mexicanas sobem até 2026 e passam a declinar daí em diante. O país chegaria a 2030 emitindo 973 milhões de toneladas de CO2 e outros gases na ausência de novas medidas. Com a proposta, deverá chegar a 762 milhões de toneladas.
Os mexicanos também inovaram ao incluir o chamado carbono negro (fuligem) na meta. Produzido em processos de combustão pouco eficientes, esse poluente tem vida curta na atmosfera, mas ajuda a reter o calor. O México se propôs a cortar 51% das emissões de carbono negro, o que, somado aos gases-estufa, eleva o compromisso de mitigação para 25% (829 milhões de toneladas de gases-estufa e carbono negro, contra 1,11 bilhão de toneladas no cenário tendencial).
O país latino-americano também adotou uma série de outros compromissos em redução de emissões e adaptação, além de uma legislação nacional abrangente sobre o tema, aprovada em 2014. Um desses compromissos – no qual o Brasil deveria se inspirar – foi o de reduzir o desmatamento a zero até 2030.
A INDC afirma, ainda, que a redução global mexicana pode aumentar na negociação do acordo de Paris, chegando a 40% se o tratado for ambicioso e contiver medidas como um preço de carbono, taxas de fronteira para produtos intensivos em CO2 e transferência de tecnologia.
“Os mexicanos dão uma sinalização positiva para o clima, em especial ao propor uma meta condicional mais ambiciosa e ao reafirmar seu compromisso com o desmatamento zero. Mostram que ainda se mantêm fiéis ao espírito da conferência de Cancún, em 2010, quando sua liderança foi fundamental para salvar as negociações internacionais do clima”, afirmou Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. “No entanto, se formos considerar apenas equidade e o que é necessário para manter o aquecimento na meta de menos de 2oC neste século, o compromisso é menos do que o que o México deveria fazer.” (Observatório do Clima/ #Envolverde)
* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.
(Observatório do Clima)