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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

EM PROL DA SUSTENTABILIDADE

por Liszt Vieira, Marijane Lisboa e Roberto Guimarães*
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Estão destruindo o futuro do Brasil e as condições de vida e sobrevivência dos nossos descendentes. É preciso pensar nisso na hora de votar. Foto: http://www.shutterstock.com/
No momento em que se agrava a crise ambiental no Brasil e em todo o mundo, viemos a público alertar os eleitores brasileiros para a necessidade de incorporar princípios de sustentabilidade nas políticas públicas do futuro governo.
Na visão dos governantes, a prioridade é sempre concedida ao crescimento econômico visto em termos quantitativos. Após décadas de dominação neoliberal, o desenvolvimentismo hoje predominante no país insiste em considerar o meio ambiente como entrave ao desenvolvimento.
Os protestos que explodiram no Brasil em Junho de 2013 reivindicavam melhoria na qualidade de vida: transporte, saúde, educação, segurança, enfim, serviços públicos de melhor qualidade. Mas não se observou nenhuma mudança de paradigma e o discurso oficial continua enfatizando o modelo consumista de crescimento.
Poluição, degradação ambiental, sobre-exploração de recursos naturais, aquecimento global, desastres naturais por eventos climáticos extremos, afetam muito mais os pobres do que os ricos. Entretanto, na visão oficial, o desenvolvimento é associado exclusivamente ao aumento do consumo material e não à melhoria na qualidade de vida. O caso do automóvel é um bom exemplo de como o aumento do consumo graças à política míope de incentivos fiscais piorou a qualidade de vida nas grandes cidades. Só em São Paulo os engarrafamentos já superam 300 km de lentidão e calcula-se que a poluição atmosférica provocada por veículos e fontes fixas provoquem a morte de 4.000 pessoas a cada ano.
O Brasil tem cerca de 20% da biodiversidade de todo o Planeta. Entre 2003 e 2008, foi o país que mais criou Áreas Protegidas (Unidades de Conservação). No atual Governo, nenhuma foi criada. As Unidades de Conservação (Parques Nacionais e Estaduais) e as Terras Indígenas vêm sendo criticadas, principalmente pelo agronegócio, por serem protegidas e estarem fora do mercado.
Existem cerca de 400 projetos no Congresso Nacional propondo a “desafetação”, isto é, a retirada de áreas importantes dessas terras protegidas. Entre estes, um dos mais danosos é o que pretende tirar do executivo a atribuição de demarcar e homologar terras indígenas. Se for aprovado, seria esse Congresso, com predominância do agronegócio e das mineradoras, quem passaria a dar a palavra final.
O desmatamento, que vinha diminuindo, recrudesceu. Na Mata Atlântica, o desmatamento aumentou 9% de Julho de 2012 a Junho de 2013. A Amazônia, que já perdeu 14,6% de sua cobertura original, teve redução significativa de desmatamento até 2012. Em 2013, porém, observou-se um aumento do desmatamento da ordem de 28%. O Brasil está destruindo seus recursos naturais para exportação de produtos primários, sem agregação de valor. Sabe-se hoje que a floresta em pé tem mais valor do que abatida. Mesmo que estivesse agregando valor, não se justificaria a destruição. Recursos renováveis precisam de tempo para se renovar. E a destruição da floresta não é só destruição de madeira, mas de fauna, ecossistemas e populações que dela vivem.
Segundo o Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) de Março de 2014, durante o Século XXI os impactos das mudanças climáticas deverão reduzir o crescimento econômico, tornar mais difícil a redução da pobreza, agravar a insegurança alimentar com o aumento no preço dos alimentos, e criar novas “armadilhas” de pobreza, principalmente em áreas urbanas e regiões castigadas pela fome.
Em sua reunião em Berlim, de 7 a 12 de Abril de 2014, o Grupo de Trabalho III do IPCC, dedicado a propor medidas de mitigação das mudanças climáticas, alertou o mundo que, para evitar aumento de temperatura acima de 2°C, será necessário reduzir imediatamente a dependência de combustíveis fósseis e iniciar uma “mudança massiva” para energias renováveis.
No Brasil, as emissões são principalmente provenientes da mudança do uso da terra, em especial a conversão de florestas para uso da agropecuária. O Relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, divulgado em Setembro de 2013, prevê um aumento de 6 graus Celsius na temperatura até 2070, com queda na produção agrícola. A agricultura brasileira pode sofrer prejuízo anual de R$ 7 bilhões. E uma das maiores fontes das emissões se deve ao sistema de transporte motorizado.
A agricultura e o setor de energia do Brasil poderão ser fortemente impactados, sob risco de queda brusca do Produto Interno Bruto (PIB) e constantes crises que envolvem o abastecimento energético e segurança alimentar.
Tendo em vista a contribuição da geração hidrelétrica, é comum ouvir que o Brasil tem uma matriz energética relativamente “limpa”, com baixos níveis de emissões de gases de Efeito Estufa por unidade de energia produzida ou consumida. A insistência em alegar que a energia hidrelétrica seria “limpa” porque emitiria poucos gases de Efeito Estufa, ignora os impactos socioambientais dessas mega obras, destruindo grandes extensões de floresta, afetando o regime dos rios e a reprodução da ictiofauna, deslocando e inviabilizando o modo de vida das populações ribeirinhas e indígenas e provocando aumento populacional súbito das cidades próximas, sem que lhes sejam ampliados os equipamentos urbanos como hospitais, escolas e saneamento básico. E tudo isso se faz sem consulta ou repartição de benefícios com populações indígenas e comunidades locais no desenvolvimento dos projetos. Madeira, Xingu e Tapajós, por exemplo, são rios cujas comunidades ribeirinhas e indígenas são grandemente prejudicadas.
Além de garantir o direito à consulta e à repartição de benefícios, uma política de energia sustentável deveria partir da redefinição das prioridades em matéria de demanda energética, visando a redução desse consumo até o ponto em que a produção da energia consumida no país pudesse se dar em bases ambientalmente sustentáveis. Ou seja, inverter os termos da discussão, partindo do questionamento da demanda e não tratando de resolver o problema da oferta para uma demanda que se impõe à margem de um debate sobre o interesse público.
Além disso, a ênfase na construção de mega usinas hidroelétricas oculta a realidade de que a repotencialização das hidrelétricas existentes e o combate às perdas na distribuição reduziriam a necessidade de implantar novas mega usinas, com alto impacto ambiental e social, e eliminariam a utilização das usinas termoelétricas, altamente poluentes.
As termoelétricas, que ocupam atualmente mais de 70 por cento da sua capacidade instalada, já respondem por entre 20 e 30 por cento da geração de energia no Brasil. Mesmo fazendo isso, não se pode abrir mão de combater a oferta de energia para esse produtivismo econômico. Mas há outros aspectos importantes também a serem considerados em uma política energética ambiental, como a sua descentralização e a eficiência energética.
A situação do saneamento básico também não mostra avanços significativos. O Brasil ocupa hoje o 112o lugar entre 200 países. Mesmo que o abastecimento de água alcance 90 por cento da população brasileira, menos da metade dela conta com tratamento de esgoto.
O destino inadequado de lixo, principalmente em lixões, ainda é a realidade para praticamente um terço dos municípios brasileiros. E continua baixo o percentual de coleta seletiva e reciclagem de resíduos, apesar da nova Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Triplicou em nosso país o consumo de agrotóxicos na última década e hoje o Brasil já responde por cerca de 20 por cento do mercado mundial de agrotóxicos e ocupa o primeiro lugar entre os países importadores. Pesquisa recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) revela altos índices de contaminação em 90 por cento das amostras de coletas de produtos de consumo diário como arroz, alface, mamão, pepino, uva e pimentão. E, além disso, aumenta o consumo de alimentos transgênicos, quando pesquisas independentes vêm mostrando que eles podem afetar seriamente a saúde humana e animal.
O Brasil é o terceiro país do mundo em matéria de conflitos ambientais e em menos de um quinto dos casos as soluções encontradas favorecem as comunidades, enquanto a ampla maioria dos casos favorece os interesses econômicos das grandes empresas.
Em resumo, estão destruindo o futuro do Brasil e as condições de vida e sobrevivência dos nossos descendentes. Pense nisso na hora de votar.
* Liszt Vieira é Doutor em Sociologia; Marijane Lisboa é Doutora em Sociologia e Roberto Guimarães é Doutor em Ciência Política.
** Publicado originalmente no site Eco21.
(Eco21)

Setor de energia eólica vai investir R$ 15 bilhões em 2014

Por Cristina Indio do Brasil, da Agência Brasil31
energiaeolica 120830 albertocoutinho govba cc Setor de energia eólica vai investir R$ 15 bilhões em 2014
Em dez anos, a energia eólica deve corresponder a 11% da matriz energética brasileira. Foto: Alberto Coutinho/SecomGovBA/Creative Commons
O setor de energia eólica vai investir neste ano cerca de R$ 15 bilhões e a perspectiva é manter este patamar de investimentos nos próximos anos, incluindo a participação nos leilões de energia promovidos pelo governo, de acordo com a presidenta da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeolica), Elbia Melo. Em dez anos, a energia eólica deve corresponder a 11% da matriz energética brasileira, segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Para Elbia, um dos maiores desafios do setor no Brasil é o desenvolvimento da cadeia produtiva para garantir o andamento dos projetos e manter o índice de nacionalização, critérios básicos para conseguir financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Ela concorda com a exigência, mas lembrou que a cadeia produtiva tem que evoluir rapidamente para que os projetos possam entregar a energia contratada nos leilões.
“É um desafio que chamamos de emergencial. Temos que vencer rapidamente. Ano passado nós vendemos 4,7 gigawatts (GW). Isso significa que temos que fabricar equipamentos. O adensamento da cadeia produtiva talvez hoje seja o ponto de maior atenção. Não entendemos como um ponto intransponível, mas como uma questão que temos que vencer, que discutir e trazer soluções de curto prazo para seguir na trajetória de consolidação que a indústria está indo de sustentabilidade de longo prazo “, disse à Agência Brasil.
O chefe do departamento da área de operações industriais do BNDES, Guilherme Tavares Gandra, explicou que o critério foi adotado em 2012 dentro da modelagem dos financiamentos para incentivar o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional. “Desde o início da metodologia temos cerca de 22 novas unidades industriais e 15 expansões. Estamos falando aqui de 37 projetos de investimentos”, disse, destacando que os projetos não se concentram em apenas um tipo de segmento.”Tem investimento em fornecedores de pás, de torres. Houve uma abrangência em grupos de componentes que é muito interessante”.
Na avaliação de Elbia Melo, com a diversificação da matriz energética brasileira que já está acontecendo, no futuro, a tendência é a redução da participação das hidrelétricas e de aumento das fontes renováveis. “Nesse processo a energia eólica é a atriz principal. Ela vai ser rapidamente a segunda fonte a participar da matriz. Do ponto de vista da oferta, nós não temos problema em termos de potencial. É essa a posição que o setor eólico está buscando garantir e nós temos todas as condições de fazer isso. O setor eólico está em um momento virtuoso e vai continuar nesta trajetória tendo em vista a base que a indústria construiu no Brasil”, explicou.
Segundo a presidenta, um fator importante que será trabalhado neste momento é encaminhar ao governo o pedido de escalonar as entregas de energia do que foi vendido nos leilões. “Essa é uma demanda importante que a indústria vai levar para o governo. Não fica em um período único e as fábricas têm tempo de programar a sua produção”, esclareceu.
O escalonamento, de acordo com ela, poderia favorecer também a solução de um outro gargalo do setor, que é a logística do transporte de equipamentos. A característica dos produtos é de grande dimensão e peso, como as torres das turbinas de geração da energia eólica e rotores, entre outras peças.
* Edição: Fábio Massalli.
** Publicado originalmente no site Agência Brasil.
(Agência Brasil)

Alertas de desmatamento tiveram aumento de 9% até agosto

por Redação do MMA
areadevastada Alertas de desmatamento tiveram aumento de 9% até agosto
A área devastada: mão de ferro contra desmatadores
Presa quadrilha que desmatava em assentamentos, terras indígenas e em duas florestas nacionais para lotear e vender terras públicas.
A área dos alertas de desmatamento na Amazônia Legal aumentou 9% entre julho de 2013 a agosto de 2014. Os dados são do Deter, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que registra, em tempo real, as áreas possivelmente desmatadas ou degradadas no bioma e serve para orientar as ações de fiscalização. O Pará é o estado com a maior área de alertas. A região do município de Novo Progresso, às margens BR-163, responde por 20% das detecções em toda a Amazônia Legal e 63% no estado. Rondônia e Amazonas também registraram aumento nos alertas. No Mato Grosso, houve queda de 17%.
O município foi alvo da maior operação de repressão ao desmatamento de 2014. “A resposta do governo veio com mão de ferro: desbaratamos a maior organização criminosa que explorava o desmatamento no sul do Pará”, afirmou nesta sexta-feira (29/08) o diretor do Departamento de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo.
Quadrilha
A expectativa é que em setembro os alertas caiam, avalia Evaristo. “Eles (os desmatadores) agora não terão acesso ao dinheiro que financia o desmatamento”, acrescentou Evaristo. ”Quem estiver derrubando a floresta vai interromper o corte porque não terá como receber pelo trabalho ilegal.”
Polícia Federal, Ibama, Ministério Público e Receita realizaram na última quinta-feira (28/09) a Operação Castanheira, no município de Novo Progresso, no Pará, desarticulando uma quadrilha que desmatava em assentamentos, terras indígenas e em duas florestas nacionais para lotear e vender terras públicas. Oito integrantes da organização criminosa foram detidos em três estados, bens e contas bancárias bloqueadas e seis ainda estão foragidos. Evaristo explicou que já foram realizadas outras ações contra os desmatadores, mas eles se reorganizavam e voltavam a desmatar.
Segundo a Polícia Federal, os prejuízos para a União chegam a R$500 milhões. Os presos vão responder por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, invasão de terras públicas e falsificação e podem pegar até 50 anos de prisão. O trabalho de investigação que desmontou a espinha dorsal da organização criminosa começou em março e teve seu desfecho esta semana, mas o Ibama manterá a fiscalização rigorosa em Novo Progresso.
O Deter detecta áreas maiores que 25 hectares, mas sem diferenciar áreas onde a supressão da vegetação é autorizada pelo governo ou ilegal. O sistema não se destina a medir as taxas de desmatamento, o que é feito pelo Prodes anualmente.
* Publicado originalmente no site Ministério do Meio Ambiente.
(Ministério do Meio Ambiente)

A ONU lança o desafio: 500 dias para um mundo sustentável

por Lúcia Chayb e René Capriles, da Eco21
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Filhotes de onça. Foto: Salviano Machado
A edição de agosto de 2014 da Eco21, uma das principais publicações sobre meio ambiente e sustentabilidade no Brasil, traz excelentes textos. Veja abaixo o editorial e o índice.
Em Setembro de 2000, na ONU, 191 nações firmaram um compromisso para combater a extrema pobreza, melhorar a saúde universal e garantir a estabilidade ambiental, entre outros graves problemas da sociedade. Esta promessa acabou se concretizando nos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que deveriam ser alcançados até 2015.
No mês de julho, quase coincidindo com o Dia da Sobrecarga da Terra, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon fez um balanço global sobre os esforços feitos para alcançar essas metas e, perante 500 jovens de todo o mundo, lançou o desafio dos “500 dias de ação” até 2015. Na ocasião, a brasileira Ana Cristina Oliveira, perguntou como um cidadão pode fazer a diferença. Ban respondeu que apenas economizar água ou apagar as luzes, beneficiará mais de 1 bilhão de pessoas. “As ações realizadas agora salvarão vidas, construirão uma base sólida para o desenvolvimento sustentável muito além de 2015 e ajudarão a estabelecer as bases para a paz e a dignidade humana duradouras”, disse.
Ao lembrar o 7º Objetivo – “Garantir a sustentabilidade ambiental”, Ban alertou que a má gestão ambiental obstaculiza o desenvolvimento econômico e social sustentável. “Em particular, devemos agir urgentemente para limitar o aumento da temperatura global e reforçar a resiliência aos impactos climáticos. Compartilhamos da responsabilidade de promover o desenvolvimento sustentável equitativo. Temos que agir em conjunto e intensificar os nossos esforços”.
Os indicadores para este Objetivo são justamente “indicativos” para a esfera pública. Sem a adoção de sérias políticas ambientais, nada se conservará adequadamente, assim como sem a posse da terra e da moradia, poucas pessoas terão condições sadias no seu entorno. Como os políticos no mundo atual não procuram a harmonia com a natureza, este será um Objetivo frustrado.
O lado positivo é que América Latina reduziu pela metade a pobreza extrema e registrou bons resultados na luta contra a malária, tuberculose e HIV. Entretanto, algumas metas relacionadas aos problemas evitáveis, como a redução da mortalidade infantil e materna e o acesso ao saneamento estão “retrocedendo”, disse Ban.
Em Setembro, o mundo deverá tratar da criação de uma agenda pós-2015 mais abrangente denominada Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), proposta na RIO+20. Ela terá obrigatoriamente o objetivo de livrar a humanidade da pobreza e da fome.
A “Minuta Zero” sobre os ODS, apresentada à ONU em Julho de 2014, prevê 17 Objetivos e 169 Metas, com 15 anos de prazo. O documento é resultado de um amplo processo denominado Pacto Global da ONU que já envolveu cerca de 2 milhões de pessoas em consultas como o “World We Want” e “MY World”. Diante dos graves problemas ambientais que estamos vivenciando: falta de água, saneamento básico, desmatamento, defaunação, desertificação, etc., a sustentabilidade é a única força para concretizar um futuro que respeite os limites dos recursos do Planeta.
Infelizmente, salvo raras exceções os políticos no Brasil não consideram nas suas campanhas que este seja o mais importante tema a ser levantado.
Índice
4 Liszt Vieira – Em Prol da Sustentabilidade
6 Roberto Malvezzi – O Deus de Marina Silva e a conjuntura eleitoral
8 Alexandra Grossman – Al Gore lança desafio contra mudanças climáticas
10 José Eli da Veiga – Vergonha que pode virar trunfo
12 Decio Tubbs Filho – Água: como será o amanhã?
13 Heitor Scalambrini Costa – A crise hídrica em São Paulo
14 Fabio Feldmann – Falta de água: não podemos desperdiçar essa crise
15 José Carlos Oliveira – Câmara quer a água entre direitos sociais
16 José R. R. Coelho – Educação evitaria o fracasso dos acordos ambientais
17 Ariovaldo Caodaglio – O desafio iminente da sustentabilidade
18 Reinaldo Canto – A Lei de resíduos sólidos não foi cumprida. E agora?
20 Mariana Kaipper Ceratti – Vento a favor das energias limpas no Brasil
22 Hazel Henderson – A pacífica transição da era nuclear para a solar
24 Washington Novaes – Caminho do futuro nas novas energias
26 Documento – SOS Mata Atlântica propõe 14 metas para os candidatos
28 Patrícia Ribeiro – WWF Brasil lança propostas aos candidatos de 2014
29 Inês Zanchetta – Sociedade civil quer agenda sustentável para as eleições
30 José Guilherme Barbosa Ribeiro – Ser sustentável é rentável
34 Júlio Ottoboni – Sudeste: rumo a desertificação
36 Luciano Cunha – Entrevista com Peter Singer
38 Michael Baltzer – ONGs alertam sobre a silenciosa extinção dos tigres
39 Mônica Ferreira – Nascem filhotes de onça em parque da Vale no Pará
40 Sônia T. Felipe – Pecuária e devastação ambiental
42 Gabriel Figueira – Bolsa de Valores Ambientais cria índice para recicláveis
44 Marcus Eduardo de Oliveira – Ultrapassamos os limites
45 Bruno Moraes – Dia da Sobrecarga da Terra
46 Isabela Santos – Conservação da natureza perdeu 5,2 milhões de hectares
49 Marcia Hirota – Como é o ar que você respira?
50 Leonardo Boff – A paz perene com a natureza e a Mãe Terra
* Para assinar clique aqui.
(Eco21)

Sustentabilidade precisa ficar mais sexy, dizem especialistas

por Redação do Akatu
bodeDebate Sustentabilidade precisa ficar mais sexy, dizem especialistas
Público integrou-se ao debate de especialistas em sustentabilidade
Em debate sobre consumo na Virada Sustentável 2014, especialistas buscam formas de motivar a sociedade a abraçar a sustentabilidade 
Neste momento em que os recursos naturais estão sendo explorados a uma taxa maior que a capacidade de reposição, gerando desequilíbrio no meio ambiente e na sociedade, os especialistas vêem uma oportunidade. “Se por um lado as pessoas estão cansadas do papo chato da sustentabilidade, por outro lado, há muita gente que não quer mais ser oprimida pelo consumismo. É nessa angústia que está a nossa chance de mobilizar as pessoas”, diz Aron Belinky, do GVCes – Centro de Estudos de Sustentabilidade da Escola de Administração da Faculdade Getúlio Vargas (FGV).
Belinky foi um dos participantes do debate Bode na Sala: uma conversa quente sobre o tema consumo, promovido pela revista Página 22, nesta sexta-feira (29/8) no Centro Cultural São Paulo (CCSP), na programação da Virada Sustentável 2014. Ele citou a pesquisa Rumo à Sociedade do Bem-estar do Akatu, em que os caminhos para a sociedade do bem-estar mostraram-se mais desejados pela população que os do consumismo. “A entrega do bem-estar é uma forma de vender nosso peixe”, disse o consultor.
Falar de alimentação é uma abordagem que pode levar a população a refletir sobre seus atos de consumo e sobre a sustentabilidade, na visão de Maluh Barciotte, do Instituto de Estudos Contemporâneos, que também participou da roda de conversa do Bode na Sala. “Se você faz um evento sobre mudanças climáticas, ninguém aparece. Mas se você faz um evento sobre alimentos que aborde a mesma questão, vai encher de gente. Saúde tem tudo a ver com sustentabilidade”, diz Maluh.
bodedesenho Sustentabilidade precisa ficar mais sexy, dizem especialistas
Desenhos foram feitos durante o debate pela Moon Design de Informações
Ariel Kogan, da Open Knowledge Foundation Network, enxerga diversos caminhos concretos que permitem às empresas e consumidores conciliar consumo e sustentabilidade. “A economia compartilhada, por exemplo, é um caminho sem volta. Já vemos muitas iniciativas de uso compartilhado de espaços de trabalho, de bicicletas e carros e de hospedagem.” Kogan também mencionou cases de empresas como a Guayakí, que vende erva-mate, e a Patagônia, marca de roupas, que obtém diferencial competitivo investir na regeneração do meio ambiente ou sociedade.
Na visão da Natura, empresa do ramo de cosméticos, os fabricantes têm responsabilidade de oferecer a melhor informação sobre seus produtos aos consumidores, diz Denise Alves, diretora da sustentabilidade da Natura. “Precisamos buscar a transparência, informar o consumidor sobre a matéria prima, a cadeia de valor, a pegada ecológica. O problema é que ainda não há padronização para isso e, assim, as pessoas não conseguem comparar os produtos”, diz. A ética na propaganda também é importante quando o assunto é consumo consciente, afirma Denise. “A publicidade não deve induzir ao consumismo ou manipular.”
Para Lia Diskin, presidente da Associação Palas Athena, as pessoas têm buscado o consumo para preencher o espaço da perda do senso de comunidade. “Nós não nos sentimos mais importantes para a comunidade e para a família. Esse sentimento, nós tentamos compensar fazendo compras. Buscamos não apenas o consumo voraz de produtos, mas de vínculos, ideias e experiências – como o consumo de drogas ilícitas que provocam experiências.”
Demonizar a publicidade não é um bom caminho, na visão de Lia. “nosso desafio é conseguirmos atrair as pessoas da mesma forma, com nossas mensagens. ” Aron Belinky, do GVCes, concorda: “Precisamos nos valer de outras linguagens além da palavra para comunicar a importância do tema. A arte, os números, as trocas são formas que podem trazer uma experiência positiva para essas pessoas que precisam ser sensibilizadas.”
* Publicado originalmente no site Akatu.
(Akatu)

Canoada vai se despedir da Volta Grande do Xingu

por Leticia Leite, do ISA
Canoada Bye Bye Xingu irá percorrer trecho impactado por Belo Monte e promover diálogos sobre o futuro da Amazônia. Serão mais de 100 km em canoas tradicionais guiadas por indígenas e ribeirinhos
A Volta Grande, um trecho de 100 km de um dos mais belos e importantes rios brasileiros, o Rio Xingu, será barrada para abastecer a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Para despedir-se de uma paisagem que será definitivamente transformada quando Belo Monte entrar em operação, o ISA e a Associação Indígena Miratu Yudjá Xingu (Aimyx) programaram a canoada Bye Bye Xingu. Sem fins lucrativos, a canoada é ativista e irá reunir entre os dias 7 e 11 de setembro indígenas, pescadores, ribeirinhos e ativistas de várias regiões do Brasil. Promoverá assim, um encontro de pessoas com modos de vida distintos e que acreditam na importância da valorização da diversidade socioambiental do Brasil.
corredeira Canoada vai se despedir da Volta Grande do Xingu
Corredeira na Volta Grande do Rio Xingu

Instalada em uma região da Amazônia praticamente à margem do Estado, Belo Monte tem se tornado símbolo de inadimplência socioambiental. A canoada busca chamar a atenção para os problemas que os povos e comunidades do Xingu enfrentam há mais de 30 anos, quando a possibilidade de construção de uma usina na região foi anunciada. A proposta é promover um diálogo diferente com quem se dispuser a vir para Altamira e seguir em uma viagem pela cultura local e impactos da construção da terceira maior hidrelétrica do mundo.
O percurso
A preparação começa dia 7 de setembro, no Centro de Formação Bethânia, um espaço que pertence a Prelazia do Xingu e fica a 7 km do centro de Altamira. É lá que os participantes receberão as primeiras instruções dos guias locais e organizadores da expedição.
A largada será na manhã do dia 8 de setembro. A partir das 6h30 os participantes estarão reunidos no porto de Altamira. Serão três dias de remada, 112 km percorridos em canoas tradicionais da região, guiadas por indígenas, ribeirinhos e pescadores experientes na navegação no Xingu.
As canoas irão passar em frente a barragem principal do rio e ao sítio Pimental, canteiro de obra onde está sendo erguida a casa de força secundária da usina e ao lado do mecanismo de transposição terrestre de barcos, que tem sido avaliada como um transtorno para as comunidades afetadas.
A expedição vai beirar a TI Paquiçamba, território do povo Juruna e passará pela região da cachoeira Jeriquá, um dos mais belos trechos da Volta Grande, formado por cachoeiras, pedrais, bancos de areia e ilhas. Confira no mapa abaixo.
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Rodas de conversa sobre impactos da hidrelétrica em Terras Indígenas, alternativas energéticas e o futuro da Amazônia vão acontecer todas as noites durante a expedição. A primeira delas vai contar com a presença do ambientalista do Greenpeace Ricardo Baitelo.
Os participantes da canoada
As pessoas que se interessaram em participar da canoada vêm de várias regiões do Brasil, preocupadas com o rio e os povos do Xingu, e com as decisões políticas que envolvem o futuro da Amazônia.
Para poderem participar, fizeram uma pré-inscrição no site do evento, que foi submetida à avaliação dos organizadores.
Cada participante pagou uma taxa de inscrição para cobrir os custos logísticos da atividade como locação e transporte das canoas, fabricação de remos, alimentação e hospedagem. Vale lembrar mais uma vez que a canoada não tem fins lucrativos.
Servico Canoada vai se despedir da Volta Grande do Xingu

Saiba mais
Quem são os Juruna
Juruna é o nome pelo qual o povo Yudjá da Volta Grande ficou conhecido nos contatos com os brancos. Os Yudjá, conhecidos por serem exímios navegadores, canoeiros, são também chamados de “os donos do rio”, pelo fato de, no passado, terem cruzado da foz as cabeceiras do Rio Xingu. Ao lado dos Arara da Volta Grande, são os grupos indígenas que vivem mais próximos dos canteiros de obras. Além de já conviverem com os impactos da obra há pouco mais de 10 km de suas terras, também terão de conviver com cerca de 80% de redução do fluxo de água após o barramento do rio. Será um grande teste de resistência da biodiversidade e dos povos que vivem neste trecho da Amazônia.
História
Imaginem um povo cuja população era de 2 mil pessoas em 1842 e em 2010 soma 348. Uma história marcada por aprisionamento, escravização, guerra e deslocamentos progressivos por conta das frentes de expansão econômica que marcam o processo de colonização da Amazônia.
Os Yudjá que hoje habitam o norte do Parque Indígena do Xingu (PIX) são descendentes dos índios que fugiram desta invasão. Os Juruna da Volta Grande do Xingu são o povo que resistiu, que permaneceu em seu território, mas foi absorvido pelo ciclo da borracha na região a partir do final do século XIX. Resistiram também aos mais diversos impactos da construção da rodovia Transamazônica e as pressões ao longo das últimas décadas devido a intensa grilagem e roubo de madeira em suas terras.
Com Belo Monte, os Juruna se veem, mais uma vez, ameaçados. As famílias dependem da pesca artesanal e ornamental para alimentação e geração de renda. Os estudos de impacto ambiental da Volta Grande do Xingu são inconclusivos. Nem os cientistas e nem os indígenas sabem, neste momento, as dimensões do impacto que a usina poderá causar no rio, com a possível extinção de espécies endêmicas, que só existem nesta região do planeta.
Sobre o ISA e Belo Monte
Hoje, Belo Monte é uma obra sub judice, e mais de 20 ações sem decisão final tramitam no Judiciário a respeito de violações às populações da região afetadas pela usina.
O ISA denuncia permanentemente as irregularidades do processo de Belo Monte desde que o governo autorizou o leilão da usina, em 2010. E publicou análises de todos os pareceres do Ibama sobre as condicionantes da usina. (Clique para ver o infográfico que mostra condicionantes não cumpridas).
As denúncias apontam que as mais graves inadimplências estão relacionadas aos povos indígenas. Os programas de prevenção ou diminuição dos impactos relacionados à saúde indígena e à proteção territorial e dos recursos naturais dos índios, por exemplo, só saíram do papel mais de dois anos após o início da instalação da usina. O resultado já se reflete na saúde destes povos. Em 2012, nove em cada 10 crianças das aldeias atingidas por Belo Monte apresentaram diarreia aguda por mais de uma vez.
* Publicado originalmente no site Instituto Socioambiental. 
(ISA)

ÁGUA : COMO SERÁ O AMANHÃ ?

por Decio Tubbs Filho*
aguaAltodoTiete Água: Como será o amanhã?
Alto Tietê, que também abastece região metropolitana. Foto: Reprodução/Tijolaço

O Brasil, reconhecidamente, é um país de imensas reservas hídricas, detentor de 12% da água doce do Planeta e, certamente, seríamos um país sem problemas neste setor, mas, infelizmente, as reservas não são distribuídas uniformemente em nosso território e tampouco seu uso é planejado e gerenciado de forma adequada.
O ano de 2014 ficará marcado, na gestão hídrica, não por qualquer grande avanço, mas por nos ter apresentado uma nova realidade: a escassez hídrica na região mais desenvolvida do país. Apregoada por tantos estudiosos do tema, finalmente ela chegou às duas maiores regiões metropolitanas brasileiras, originada na maior estiagem já observada na Bacia do Rio Paraíba do Sul, a crise da água, agora, passou a fazer parte do nosso cotidiano e as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e São Paulo descobriram-se interdependentes deste rio.
Além destas áreas metropolitanas, outras cidades da região Sudeste também foram impactadas pela escassez, resultando numa crise inédita que, entretanto, foi pontuada mais pelo embate político do que pelas propostas concretas para evitar sua repetição futura.
Descontando o mau humor do clima e seus efeitos hidrológicos críticos, parte dessa crise poderia ter sido amenizada caso fossem consideradas as estratégias apontadas pelos gestores e a construção de uma agenda objetivando a intervenção positiva no ciclo hidrológico para atenuar os efeitos climáticos.
Embora inúmeros alertas tenham sido emitidos, ainda são discretas as ações significativas, concretas, em grande escala e permanentes para esclarecer a população sobre a necessidade do uso racional da água e o mais grave: crescemos iludidos por uma cultura perdulária fundamentada na ideia da abundância hídrica.
Significa dizer que a atual crise pode ser vitrine anunciadora de situações futuras, podendo se repetir, ainda que relacionada somente às incertezas climáticas.
Um outro obstáculo identificado neste cenário é a ausência do tema água no cotidiano do cidadão comum, da classe política e em muitos programas governamentais. Exceção feita às situações críticas como as vivenciadas atualmente pelo Rio de Janeiro e São Paulo, e, mesmo assim, por conta da perspectiva de racionamento.
Até hoje fomos inábeis para demonstrar ao cidadão comum a importância da gestão hídrica. Pouco é conhecido sobre os avanços e conquistas desse sistema, por exemplo, com relação à importância da participação nos Comitês de Bacia, corresponsáveis pelas decisões na gestão hídrica e onde as decisões podem ser compartilhadas. Portanto, atrair a sociedade civil para essa discussão é um desafio a ser enfrentado.
Por outro lado, jamais houve, por parte dos nossos governantes em geral, um compromisso sério e duradouro para com o tema da água (e por que não incluir a questão ambiental também?), e vem de muito tempo, das favelas cariocas ao Semiárido nordestino, a estratégia de abordar a “gestão hídrica” atenuando as situações críticas com ações pontuais e demagógicas, tais como a inauguração de uma bica d’água ou um chafariz.
Diante destes fatos, é pouco provável que os recursos hídricos sejam protagonistas ou ganhem destaque nas campanhas eleitorais que ora se iniciam. No entanto, diversas regiões brasileiras apresentam ou irão apresentar dificuldades relacionadas à disponibilidade de água, quer devido à quantidade ou à qualidade.
Apesar de contarmos com planos de recursos hídricos em diferentes escalas, do Plano Nacional de Recursos Hídricos aos inúmeros Planos Regionais de Bacia Hidrográfica, instrumentos orientadores da gestão das águas e construídos a partir de um amplo processo de discussão com a sociedade, a realidade dos recursos hídricos é outra e aquém das ações preconizadas por esses documentos.
Ainda que se possa avaliar que parte destes planos é de difícil implementação, a maioria estabelece ações orientadoras factíveis. No entanto, mesmo considerando o Estado do Rio de Janeiro, onde há a cobrança pelo uso dos recursos hídricos, superficiais e subterrâneos, os recursos arrecadados pela cobrança são reduzidos para realizar as ações necessárias, notadamente quando se fala em saneamento ambiental.
Assim, é nossa obrigação, mais uma vez, tentar clamar aos nossos futuros governantes a necessidade de incluir em seus programas de governo a gestão hídrica como ferramenta essencial para o desenvolvimento social e econômico do Estado do Rio e dos outros Estados do Brasil.
Por fim, não nos basta permanecer apenas na pergunta, como no clássico samba enredo da escola de samba do Rio de Janeiro, União da Ilha do Governador (1978), que indaga: “Como será o amanhã? Responda quem puder…”! Conhecemos muitas das respostas e devemos aprender com a atual crise, incluindo a gestão dos recursos hídricos no cotidiano da sociedade e na agenda política, de modo que não seja mais ignorada ou postergada.
* Decio Tubbs Filho é professor do Departamento de Geociências da UFRural RJ e Diretor-Geral do Comitê Guandu.
** Publicado originalmente no site Eco21.
(Eco21)