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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Por uma educação socioambiental cidadã, por Donato Velloso

educação socioambiental cidadã,

Fato comprovado, a cada dia e com mais insistência na mídia pelos especialistas, ecólogos, cientistas, ambientalistas de que as alterações climáticas vêm aumentando o nível dos mares, as crises sociais, desertificação, conflitos pelo uso da água, acidez dos oceanos, os refugiados ambientais, as guerras, agravando os riscos para a sobrevivência das próximas gerações.
Se faz cada vez mais urgente incorporarmos, no nosso dia a dia, o cuidado com o meio ecológico, a conservação dos recursos naturais ao nosso redor, entendê-lo e vivenciá-lo com o coração e, para tanto, é necessário insistir no princípio da precaução, para que os tomadores de decisão implementem processos coletivos de educação ambiental, onde todos os segmentos das comunidades participem.
Só assim minimizaremos os iminentes e graves perigos, sofrimentos, tragédias, perdas de vidas, danos materiais. etc., como as recorrentes em todas as partes do planeta e até mesmo bem perto de nós.
A luta não pode ser de poucos, mas de todos os cidadãos, para encorajar e mostrar que estamos todos no mesmo barco, somos mutuamente interdependentes, sendo nossa responsabilidade conviver com todas as espécies ainda existentes, com carinho, dedicação, amor e compaixão.
Nós imaginamos que somos os senhores de todas as coisas, sem a percepção de que cada um de nós vive nessa única morada, nessa fina casquinha do nosso planeta TERRA; respiramos, bebemos, comemos, consumimos, poluímos, somos habitados e interagimos com milhões de bactérias e microrganismos, e sem perceber que apenas fazemos parte da natureza. Ela pode viver sem nós, como fez por milhões de anos. Nós não podemos viver sem ela.
A exploração insensata dos recursos naturais e as crueldades que os seres vivos sofrem nas mãos dos humanos estão além da nossa compreensão, nisto reside um grande absurdo.
Ao acordarmos para esta realidade, talvez seja muito tarde. Portanto, basta de protelação porque já chegamos a um ponto crítico. E, de fato, a devastação da natureza atingiu, em todos os locais, níveis jamais imaginados no passado.
Nós do LAGOA VIVA e do PACTO DE RESGATE AMBIENTAL temos como preceitos estatutários, dar acesso à informação, trocar saberes sobre programas, projetos, modelos de trabalho, mostrar práticas e estimular atitudes voltadas para o cuidado ambiental local, em especial continuar determinados em contribuir no processo de revitalização de nossos rios e lagoas da bacia hidrográfica de Jacarepaguá.
Seremos sempre gratos a centenas de educadores e parceiros, que possibilitaram proporcionar ao longo dos últimos 14 anos, momentos de ensinamentos, seminários, projetos campanhas, publicações, partilhando informações, ideias, desdobramentos e motivações de práticas. Esta é uma estratégia essencial de engajamento para avançarmos na formação de uma consciência ecológica na nossa população, na busca de um viver mais sustentável.
As intervenções realizadas e as previstas como as 5 ETR(estação de tratamento de resíduos) e a dragagem do complexo lagunar da Barra/Jacarepaguá são necessárias, mas não bastam.
É necessário maior envolvimento da população e do empresariado local, intensificando campanhas, estimulando, apoiando, participando e aportando recursos para projetos de educação socioambiental nas escolas, condomínios, clubes, igrejas e comunidades.
Insisto que temos que atacar a origem, nas dezenas de comunidades ribeirinhas das lagoas e dos rios que vertem dos maciços da Tijuca e Pedra Branca.
Sigo o meu instinto, o meu coração, focando minha atenção e dedicação a CAUSA AMBIENTAL LOCAL, em especial contribuindo no processo de despoluição do complexo lagunar da Barra/Jacarepaguá, uma atitude reparadora a este triste cenário de degradação, para dar sentido a minha curta existência e responsabilidade com meus filhos e netos.
Acredito ser capaz de uma forma modesta que nunca teria imaginado, chegando a escrever estas linhas repetitivas, na esperança de reflexões e ações proativas menos excludentes e predatórias, pois a realidade é mais grave do que conhecemos.
Aos jovens em especial, deixem o que toca os seus corações motivá-los no envolvimento com projetos dignos e éticos.
Por favor, ajudem a parar com esta loucura!!!
Somente a soma das energias dos verdadeiros cidadãos e a união de todos os segmentos comunitários compromissados e empenhadas no cuidado ambiental, podem mudar o rumo da história e poupar milhões de vidas num futuro próximo.
Juntem-se aos que fazem, sem medo.
Pagamentos por serviços ambientais já!!! Aprovação do IMPOSTO DE RENDA ECOLÓGICO JÁ!!!
Donato Velloso, ambientalista, presidente do LAGOA VIVA, diretor de ecodesenvolvimento da Acibarra e da CCJ.
EcoDebate, 04/02/2014

A advertência de Fukushima: uma lição para o resto do mundo, por Amy Goodman


Fukushima

A perigosa trajetória que vai das armas nucleares à energia nuclear está a ser questionada por um crescente movimento popular que reclama paz e sustentabilidade. E é uma lição para o resto do mundo.

De Tóquio. – “Escrevo estas palavras da forma mais objetiva possível, na esperança de que sirvam de advertência ao mundo”, escreveu o jornalista Wilfred Burchett de Hiroshima. O seu artigo intitulado “A praga atômica” foi publicado a 5 de setembro de 1945 no jornal “London Daily Express”. Burchett conseguiu evitar o bloqueio militar norte-americano de Hiroshima e foi o primeiro jornalista ocidental que visitou a devastada cidade. Escreveu naquele tempo: “Hiroshima não se parece com uma cidade bombardeada. É como se um rolo compressor gigante lhe tivesse passado por cima e a tivesse esmagado até a fazer desaparecer”.
Viajemos 66 anos no tempo, até ao dia 11 de março de 2011, e situemos-nos a quase 1.000 km ao norte de Hiroshima, na cidade de Fukushima, depois do grande terremoto que sacudiu o leste do Japão e provocou um tsunami nesse dia. Como sabemos agora, o impacto inicial que provocou 19.000 mortos e desaparecidos foi apenas o início. O que começou como um desastre natural converteu-se rapidamente num desastre provocado pelo homem, depois de terem falhado, um após outro, os sistemas da central de energia nuclear Fukushima Daiichi. Três dos seis reatores colapsaram e começaram a libertar radiação para a atmosfera e o oceano.
Três anos mais tarde, o Japão ainda sofre os efeitos do desastre. Mais de 340.000 pessoas converteram-se em refugiados nucleares, e viram-se obrigadas a abandonar os seus lares e o seu sustento. O realizador cinematográfico Atsushi Funahashi dirigiu o documentário “Nação nuclear: a história dos refugiados de Fukushima”. No filme, Funahashi segue os refugiados da localidade de Futaba, onde se encontra a central nuclear Fukushima Daiichi, durante o ano seguinte à catástrofe. O Governo realojou as pessoas que viviam em Futaba numa escola abandonada próximo de Tóquio, onde vivem em sobrelotação, compartilham áreas comuns, várias famílias vivem numa mesma habitação e recebem alimentos em caixas três vezes por dia. Perguntei a Funahashi que perspetivas de futuro têm essas 1.400 pessoas. “Não muitas, realmente. A única coisa que diz o Governo é que durante pelo menos seis anos após o acidente não poderão regressar à sua cidade”.
Aos refugiados foi concedida autorização para regressar aos seus lares para pegar nos seus haveres pessoais, mas apenas durante duas horas. Tal como Wilfred Burchett, Funahashi teve que infringir a proibição do Governo de viajar às zonas devastadas pelo acidente nuclear para poder captar com a sua câmara os momentos dolorosos do regresso ao lar de cada uma das famílias de Futaba. Funahashi contou-me que a família lhe deu uma das quatro autorizações que tinha para poder viajar: “Tentei negociar com o Governo, mas não me deram autorização para entrar. Nenhum jornalista independente ou realizador de cinema obteve autorização para entrar na zona, mas eu fui muito bem com esta família de Futaba. Disseram-me: “Está bem, talvez regressemos lá. Deram-nos quatro autorizações e só utilizaremos duas, então, por que não vamos juntos?” e Funahashi viajou com a família.
A recusa do Governo japonês a dar autorização a Funahashi reflete outro grave problema que surgiu desde que ocorreu o terremoto: o secretismo. O Primeiro-ministro conservador do Japão, Shinzo Abe, promulgou uma controversa lei de segredo de Estado em dezembro do ano passado. Em Tóquio, o professor da Universidade de Sophia Koichi Nakano sustenta a respeito da nova lei: “Naturalmente, a lei diz respeito fundamentalmente a assuntos de segurança e medidas antiterroristas. Mas… tornou-se cada vez mais evidente que a interpretação do que realmente constitui um segredo de Estado pode ser algo muito arbitrário, que os líderes dos Governos definem bastante livremente. Por exemplo, a lei permite a vigilância, sem o seu conhecimento, dos movimentos cidadãos que se opõem à energia nuclear, além da possível detenção dos seus membros”.
Desde que ocorreu o desastre nuclear, surgiu um forte movimento de base que reclama o desmantelamento de todas as centrais nucleares do Japão. O Primeiro-ministro no momento do terramoto, Naoto Kan, explicou como mudou a sua posição sobre a energia nuclear:
“A minha posição antes do 11 de março de 2011 era que, desde que nos assegurássemos de que funcionassem de forma segura, as centrais nucleares podiam e deviam existir. No entanto, depois de ter vivido o desastre do 11 de março, mudei radicalmente de opinião. Os acidentes, como um acidente de avião, podem ocorrer. E, às vezes, centenas de pessoas morrem num acidente, mas nenhum outro acidente ou desastre poderá afetar 50 milhões de pessoas. Talvez uma guerra, mas não há um acidente similar que possa provocar tal tragédia”.
O atual Primeiro-ministro, Shinzo Abe, líder do Governo japonês mais conservador desde a Segunda Guerra Mundial, quer reativar as centrais nucleares do Japão, apesar da forte oposição pública. Em Tóquio, as pessoas manifestam-se diariamente em frente à residência oficial de Abe.
Sentado entre os escombros de Hiroshima em 1945, o jornalista independente Wilfred Burchett escreveu: “Uma pessoa fica com uma sensação de vazio no estômago depois de ver uma devastação desta magnitude provocada pelo homem”. Os dois ataques com bombas atômicas dos Estados Unidos contra a população civil de Hiroshima e Nagasaki continuam a ter graves efeitos na sociedade japonesa até ao dia de hoje. Do mesmo modo, o triplo desastre do terremoto, do tsunami e do atual desastre nuclear afetará várias gerações. A perigosa trajetória que vai das armas nucleares à energia nuclear está a ser questionada por um crescente movimento popular que reclama paz e sustentabilidade. E é uma lição para o resto do mundo.
Artigo publicado em Democracy Now a 16 de janeiro de 2014. Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna. Texto em inglês traduzido por Mercedes Camps para espanhol. Tradução para português de Carlos Santos para Esquerda.net
EcoDebate, 03/02/2014

Portal EcoDebate - Edição 2.008, de 03 / fevereiro / 2014

Quando prevalecem os interesses econômicos: o caso da energia nuclear no Brasil, artigo de Heitor Scalambrini Costa
A advertência de Fukushima: uma lição para o resto do mundo, por Amy Goodman
A floresta da comunidade quilombola de Jenipapo, por Mayron Régis
Por uma educação socioambiental cidadã, por Donato Velloso
Comissão Europeia propõe, até 2030, corte de 40 % nas emissões de gases de efeito estufa
Uso de sementes transgênicas estéreis (sementes terminator) volta a ser discutido na Câmara
Amazonas: Agricultores familiares se preparam para a transição agroecológica
Novos formatos para ver o mundo e a vida, artigo de Washington Novaes
Nível do Sistema Cantareira é o menor dos últimos 10 anos e Sabesp cria estratégia para baixar consumo de água
A elevada fatura da Fratura Hidráulica (Fracking)
MS: Intimidação de comunidade tradicional por empresa agropecuária será alvo de inquérito policial

“Compreendemos desenvolvimento sustentável como sendo socialmente justo, economicamente inclusivo e ambientalmente responsável. Se não for assim não é sustentável. Aliás, também não é desenvolvimento. É apenas um processo exploratório, irresponsável e ganancioso, que atende a uma minoria poderosa, rica e politicamente influente.” [Henrique Cortez, 2005]

sábado, 1 de fevereiro de 2014

O GRITO DO BICHO - 1/2/2014

Crueldade contra um gatinho.... o safado está preso - Marselhe - França
  • A patifaria de venda dos animais no Mercado Central de Aracaju continua - SE

  • Filhotes de cães são abandonados em meio ao lixo - Cianorte - PR

  • Diga NÃO aos cavalos de Paquetá - Rio de Janeiro

  • Resgate de um jumentinho pela ONG Hope for Paws

  • Caminhada contra maus tratos aos animais reúne cerca de 2600 participantes - SP

  • Vídeos curiosos: golfinhos e surfistas na mesma onda... lindo! - EUA

  • Foto do dia: para quem se acha única no pedaço.... kakakakaka.....

  • Obrigado pela divulgação do nosso trabalho e acompanhe a coluna "Ultimas Notícias" .

  • Como montar uma empresa de biodiesel reciclado?

    Publicado . em Lixo & Reciclagem
    Todo mundo já sabe que é possível reciclar óleo de fritura saturado, mas ainda não estamos acostumados com a transformação em biodiesel.
    Pois saiba que pode ser uma atividade lucrativa. Seguem algumas informações básicas ao interessado em entrar nesse ramo.
    Microusinas
    Para processar biodiesel com óleo de fritura, existem pequenas máquinas, com capacidade de cerca de 400 litros dia, e baixo custo. Sendo para uso próprio, não há burocracia, entretanto se for para comercializar, há necessidade da autorização da ANP e da Receita Federal, que para liberar a comercialização do B100, o biodiesel puro, exige o cumprimento vários itens de especificações.
    Processo
    O óleo é submetido a um tratamento de purificação. Um filtro retira componentes sólidos, depois é extraída a água. Vem a decantação, para separar o que ainda houver de sujeira, e a centrifugação. A umidade é inimiga número 1 do processo mais viável de produção, a transesterificação.
    Se sobrar água, o óleo consegue apenas virar sabão. Para adquirir todo o maquinário para reciclagem, o investimento será de milhares de reais. O óleo limpo é vendido por centavos, então é importante ter a assessoria de profissionais para descobrir o ponto de equilíbrio do negócio.
    Um litro de óleo saturado gera cerca de 800 ml de biodiesel.
    O óleo reciclado pode ser comercializado também para a indústria química, de cosméticos e de ração, já que utilizam óleo na composição de seus produtos.
    O excedente da comercialização de biocombustível pode ser usado para tudo o que for consumido na usina, incluindo o aquecimento de caldeiras, e nos veículos relacionados à sua produção.
    Para quem quer experimentar o negócio com pouco investimento, uma boa dica é coletar óleo de cozinha usado. Quando se certificar que consegue um bom volume periódico, entre em contato com quem já recicla o material, assim é possível entrar no ramo, lucrando com a venda.
    Este artigo não tem pretensão de substituir uma consultoria profissional. Serve apenas para esclarecer pontos básicos para empreendedores e curiosos.
    Este vídeo português ilustra o processo de produção do biodiesel. Veja:

    Fonte: Setor Reciclagem.

    O surgimento da vida é um evento raro ou algo inevitável?

    Publicado . em Ciência & Tecnologia
    Por Natalie Wolchover
    Por que a vida existe? Hipóteses populares creditam o feito a uma sopa primordial, um relâmpago e um golpe colossal de sorte. Mas se uma nova teoria provocativa estiver correta, a sorte pode ter pouco a ver com isso. Em vez disso, de acordo com o físico que propõe a ideia, a origem e evolução subsequente da vida segue as leis fundamentais da natureza e “deveria ser tão pouco surpreendente como rochas rolando ladeira abaixo”.
    Do ponto de vista da física, há uma diferença essencial entre os seres vivos e aglomerados de átomos de carbono inanimados: os primeiros tendem a ser muito melhores em captar a energia do seu ambiente e dissipar essa energia na forma de calor. Jeremy England, um professor assistente no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA), de 31 anos, derivou uma fórmula matemática que ele acredita que explica essa capacidade.
    A fórmula, com base na física estabelecida, indica que, quando um grupo de átomos é impulsionado por uma fonte externa de energia (como o sol ou um combustível químico) e rodeado por um banho de calor (como o oceano ou atmosfera) muitas vezes, aos poucos, ele se reestrutura a fim de dissipar cada vez mais energia. Isto poderia significar que, sob certas condições, a matéria inexoravelmente adquire o atributo físico chave associado com a vida.
    “Você começa com um grupo aleatório de átomos, e se você brilhar uma luz sobre ele por muito tempo, não deve ser tão surpreendente que você obtenha uma planta”, disparou England em entrevista à revista “Quanta”.
    A teoria da England pretende fundamentar, ao invés de substituir, a teoria da evolução de Darwin pela seleção natural, que fornece uma descrição poderosa da vida ao nível dos genes e populações. “Eu certamente não estou dizendo que as ideias darwinistas estão erradas”, explicou. “Pelo contrário, estou apenas dizendo que do ponto de vista da física, você pode chamar a evolução darwiniana de um caso especial em um fenômeno mais geral”.
    Sua ideia, detalhada em um artigo recente e em uma palestra que ele está dando em universidades ao redor do mundo, gerou polêmica entre seus colegas.
    England deu “um passo muito corajoso e muito importante”, disse Alexander Grosberg, professor de física na Universidade de Nova York (EUA), que tem acompanhado o trabalho do cientista desde seus estágios iniciais. A “grande esperança” é que ele tenha identificado o princípio físico subjacente dirigindo a origem e evolução da vida, relata Grosberg.
    “Jeremy é o mais brilhante jovem cientista com quem eu já me deparei”, elogiou Attila Szabo, um biofísico no Laboratório de Química Física do Instituto Nacional de Saúde (EUA), que se correspondeu com England sobre sua teoria após conhecê-lo em uma conferência. “Fiquei impressionado com a originalidade das ideias”.
    Outros, como Eugene Shakhnovich, um professor de química, biologia química e biofísica da Universidade de Harvard (EUA), não estão convencidos. “As ideias de Jeremy são interessantes e potencialmente promissoras, contudo neste momento são extremamente especulativas, especialmente quando aplicadas a fenômenos da vida”, pondera Shakhnovich.
    Os resultados teóricos de England são considerados válidos de forma geral. É a sua interpretação – que sua fórmula representa a força motriz por trás de uma classe de fenômenos na natureza que inclui a vida – que ainda não foi provada. Mas já há ideias sobre como testar essa interpretação no laboratório.
    “Ele está tentando algo radicalmente diferente”, explica Mara Prentiss, professora de física na Universidade de Harvard que está contemplando tal experimento depois de aprender sobre o trabalho de England. “Eu acho que ele tem uma ideia fabulosa. Certo ou errado, a investigação vai valer muito a pena”.
    No coração da ideia de England está a segunda lei da termodinâmica, também conhecida como a lei da entropia crescente ou “flecha do tempo”. As coisas quentes esfriam, o gás se difunde através do ar, ovos são mexidos, mas nunca espontaneamente se separam. Em suma, a energia tende a se dispersar ou espalhar-se com o tempo. Entropia é uma medida desta tendência, quantificando o quão dispersa a energia está entre as partículas num sistema, e o quanto as partículas estão difusas no espaço. Ela aumenta como uma simples questão de probabilidade: há mais maneiras da energia ser espalhada do que ser concentrada.
    Assim, à medida que partículas em um sistema se movimentam e interagem, elas vão, por puro acaso, tender a adotar configurações em que a energia se espalha para fora.
    Eventualmente, o sistema chega a um estado de entropia máxima chamado “equilíbrio termodinâmico”, no qual a energia é distribuída de maneira uniforme. Uma xícara de café e a sala no qual está localizada ficam com a mesma temperatura, por exemplo. Enquanto o copo e o quarto são deixados em paz, este processo é irreversível. O café nunca aquece espontaneamente de novo porque as probabilidades são esmagadoramente empilhadas contra a possibilidade da energia do quarto concentrar aleatoriamente em seus átomos.
    Embora a entropia deva aumentar ao longo do tempo em um sistema isolado, ou “fechado”, um sistema “aberto” pode se manter baixa – ou seja, a energia divide de forma desigual entre os seus átomos -, aumentando grandemente a entropia de seus arredores. Em sua influente monografia de 1944, “O que é vida?”, o eminente físico quântico Erwin Schrödinger argumentou que isso é o que os seres vivos devem fazer. Uma planta, por exemplo, absorve luz solar extremamente enérgica, a utiliza para construir os açúcares, e ejeta a luz infravermelha, uma forma muito menos concentrada de energia. A entropia total do universo aumenta durante a fotossíntese à medida que a luz solar se dissipa, assim como a planta previne-se da decomposição através da manutenção de uma estrutura interna ordenada.
    A vida não viola a segunda lei da termodinâmica, porém até recentemente os físicos não tinham sido capazes de usar termodinâmica para explicar por que ela deve surgir, em primeiro lugar. Nos dias de Schrödinger, eles poderiam resolver as equações da termodinâmica somente para sistemas fechados em equilíbrio. Na década de 1960, o físico belga Ilya Prigogine fez progressos ao prever o comportamento de sistemas abertos fracamente impulsionados por fontes de energia externas (pelo qual ganhou o Prêmio Nobel de Química em 1977). Mas o comportamento de sistemas que estão longe do equilíbrio, os quais estão ligados ao meio ambiente exterior e fortemente impulsionados por outras fontes de energia, não poderia ser previsto.
    Esta situação mudou na década de 1990, devido, principalmente, ao trabalho de Chris Jarzynski, agora na Universidade de Maryland (EUA), e Gavin Crooks, agora no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (EUA). Jarzynski e Crooks mostraram que a entropia produzida por um processo termodinâmico, tais como o arrefecimento de uma xícara de café, corresponde a uma razão simples: a probabilidade dos átomos de sofrer o processo dividido pela sua probabilidade de sofrer o processo inverso (isto é, interagindo espontaneamente, de tal maneira que o café aquece). Com o aumento de produção de entropia, o mesmo acontece com esta relação: o comportamento de um sistema torna-se mais e mais “irreversível”. A fórmula simples, ainda que rigorosa poderia, em princípio, ser aplicada a qualquer processo termodinâmico, não importa o quão rápido ou longe do equilíbrio. “Nossa compreensão da mecânica estatística longe do equilíbrio melhorou muito”, conta Grosberg.
    England, que é formado em bioquímica e física, começou seu próprio laboratório no MIT há dois anos e decidiu aplicar o novo conhecimento da física estatística para a biologia.
    Usando formulação de Jarzynski e Crooks, ele derivou uma generalização da segunda lei da termodinâmica, que vale para sistemas de partículas com certas características: os sistemas são fortemente impulsionados por uma fonte de energia externa, como uma onda eletromagnética, e podem despejar calor em um banho circundante. Esta classe de sistemas inclui todas as coisas vivas. England, então, determinou como esses sistemas tendem a evoluir ao longo do tempo à medida que aumentam a sua irreversibilidade. “Podemos mostrar de forma muito simples a partir da fórmula que os resultados evolutivos mais provavelmente vão ser os que absorveram e dissiparam mais energia a partir de unidades externas do ambiente no caminho para chegar lá”, disse ele. A descoberta faz um sentido intuitivo: partículas tendem a dissipar mais energia quando ressoam com uma força motriz, ou movem-se na direção em que estão sendo empurradas, e são mais propensas a se mover nessa direção do que qualquer outra em qualquer momento.
    “Isso significa que aglomerados de átomos cercados por um banho em alguma temperatura, como a atmosfera ou o oceano, devem tender ao longo do tempo a organizarem-se para ressoar cada vez melhor com as fontes de trabalho mecânico, eletromagnético ou químico em seus ambientes”, explicou England.
    A autorreplicação (ou reprodução, em termos biológicos), o processo que leva à evolução da vida na Terra, é um tal mecanismo pelo qual um sistema pode dissipar uma quantidade crescente de energia ao longo do tempo. Como England colocou, “uma ótima maneira de dissipar mais é fazer mais cópias de si mesmo”.
    Em um artigo de setembro no periódico “Journal of Chemical Physics”, ele informou o valor mínimo teórico de dissipação que pode ocorrer durante a autorreplicação das moléculas de RNA e células bacterianas, e mostrou que está muito próximo dos valores reais que estes sistemas dissipam ao replicar. Também mostrou que o RNA, o ácido nucleico que muitos cientistas acreditam que serviu como o precursor para a vida baseada em DNA, é um material de construção particularmente barato. Uma vez que o RNA surgiu, ele argumenta, a sua “tomada darwiniana” não foi, talvez, surpreendente.
    A química da sopa primordial, mutações aleatórias, geografia, eventos catastróficos e inúmeros outros fatores contribuíram para os detalhes da diversidade de flora e fauna da Terra. Entretanto, de acordo com a teoria de England, o princípio subjacente à condução de todo o processo é a adaptação orientada à dissipação da matéria.
    Este princípio se aplica à matéria inanimada também. “É muito tentador especular sobre que fenômenos da natureza podemos agora abrigar sob esta grande tenda de organização adaptativa movida pela dissipação”, confessou England. “Muitos exemplos poderiam apenas estar bem debaixo do nosso nariz, mas porque não temos olhado para eles, não os notamos”.
    Os cientistas já observaram a autorreplicação em sistemas não vivos. Segundo a nova pesquisa liderada por Philip Marcus, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), e relatada na revista “Physical Review Letters” em agosto passado, vórtices em fluidos turbulentos replicam-se espontaneamente sugando a energia de cisalhamento do fluido circundante. E em um artigo publicado online na semana passada no portal “Proceedings of the National Academy of Sciences”, Michael Brenner, professor de matemática e física aplicada na Universidade de Harvard, e seus colaboradores apresentaram modelos teóricos e simulações de microestruturas que se autorreplicam. Estes aglomerados de microesferas especialmente revestidas dissipam energia ao forçar esferas próximas a formar agrupamentos idênticos. “Isto se conecta muito com o que Jeremy está dizendo”, afirma Brenner.
    Além da autorreplicação, maiores organizações estruturais são outro meio pelo qual os sistemas fortemente impulsionados incrementam sua capacidade de dissipar energia. A planta, por exemplo, é muito melhor na captura e roteamento de energia solar através de si mesma do que uma pilha de átomos de carbono não estruturados. Assim, England argumenta que, sob certas condições, a matéria irá espontaneamente se auto-organizar. Esta tendência pode explicar a ordem interna dos seres vivos e de muitas estruturas inanimadas também. “Flocos de neve, dunas de areia e vórtices turbulentos todos têm em comum o fato de serem estruturas surpreendentemente padronizadas que surgem em sistemas de muitas partículas impulsionados por algum processo de dissipação”, especula. Condensação, vento e uma draga viscosa são os processos relevantes nestes casos particulares.
    A vida na Terra surgiu por acaso?
    “Ele está me fazendo pensar que a distinção entre vida e matéria inanimada não é nítida”, revelou Carl Franck, um físico biológico na Universidade de Cornell (EUA). “Estou particularmente impressionado com esta noção quando se considera sistemas tão pequenos como circuitos químicos envolvendo algumas biomoléculas”.
    A ideia ousada da England provavelmente enfrentará um exame minucioso nos próximos anos. Ele está atualmente executando simulações de computador para testar sua teoria de que os sistemas de partículas adaptam as suas estruturas para se tornarem melhores na dissipação de energia. O próximo passo será a realização de experimentos em sistemas vivos.
    Prentiss, que dirige um laboratório de biofísica experimental na Universidade de Harvard, diz que a teoria de England poderia ser testada comparando células com mutações diferentes e procurando uma correlação entre a quantidade de energia que as células dissipam e as suas taxas de replicação. “É preciso ter cuidado, porque qualquer mutação poderia fazer muitas coisas”, reflete a pesquisadora. “Contudo, se alguém fizesse muitos desses experimentos em sistemas diferentes e se [a dissipação e sucesso de replicação] forem de fato correlacionados, isto sugeriria que este é o princípio de organização correto”.
    Brenner disse que espera ligar a teoria de England às suas próprias construções de microesferas e determinar se a teoria prediz corretamente que os processos de autorreplicação e automontagem podem ocorrer – “uma questão fundamental na ciência”, opina.
    Ter um princípio fundamental da vida e da evolução daria aos pesquisadores uma perspetiva mais ampla sobre o surgimento da estrutura e funções nos seres vivos. “A seleção natural não explica certas características”, especificou Ard Louis, um biofísico da Universidade de Oxford (Reino Unido). Estas características incluem uma mudança hereditária da expressão dos genes chamada de metilação, o aumento da complexidade na ausência de seleção natural e certas mudanças moleculares que Louis estudou recentemente.
    Se a abordagem da England resistir a mais testes, poderia permitir aos cientistas pensar de modo mais geral, em termos de organização orientada pela dissipação. Eles podem descobrir, por exemplo, que “a razão pela qual um organismo mostra característica X em vez de Y pode não ser porque X é mais apto do que Y, mas porque restrições físicas tornaram mais fácil para X evoluir do que para Y”, disse Louis.
    “As pessoas muitas vezes ficam presas ao pensar sobre os problemas individuais”, explica Prentiss. Queira as ideias de England venham a ser exatamente certas ou não, diz a cientista, “pensar de forma mais ampla é a forma pela qual muitas descobertas científicas são feitas”.

    Fonte: HypeScience / Quanta.

    Brasil aparece em 77º em ranking de desempenho ambiental

    Publicado . em Sustentabilidade
    Índice avaliou 178 países em diversas categorias, sendo que o Brasil se destaca negativamente principalmente na questão do saneamento básico, no desmatamento e na tendência de aumento da intensidade de carbono na economia.
    Por Fabiano Ávila
    Pesquisadores das Universidades de Yale e Colúmbia, ambas nos Estados Unidos, em parceria com o Fórum Econômico Mundial, divulgaram nesta semana o Environmental Performance Index 2014 (EPI), classificando 178 países de acordo com dois grandes temas: “Proteção da saúde humana das ameaças da natureza”, que inclui questões como saneamento básico e impactos da poluição do ar e da água; e  “Vitalidade dos ecossistemas”, que engloba, entre outros fatores, leis de proteção da biodiversidade e impactos da matriz energética no meio ambiente.
    Considerando todos os critérios, a Suíça aparece como o líder do ranking, seguida por Luxemburgo, Austrália, Singapura e República Tcheca.
    “Muitos dos países que figuram no topo neste ano são os mesmos de edições passadas. Isso demonstra como um bom desempenho ambiental está relacionado com políticas de longo prazo que priorizem a proteção dos ecossistemas e que comprometam investimentos neste sentido”, afirmou Angel Hsu, principal autor do índice.
    Entre as grandes potências, a Alemanha é a melhor classificada, em sexto lugar. O Reino Unido está em 12º, o Japão, em 26º, a França, em 27º, e os Estados Unidos, em 33º.

    Já os países emergentes apresentaram modestas melhoras no ranking, mas ainda ocupam baixas posições, devido principalmente à sua urbanização desordenada, crescimento acelerado – movido muitas vezes pela destruição de ecossistemas – e pela ausência de leis de proteção ambiental.
    A África do Sul está em 72º, a Rússia, em 73º, o Brasil, em 77º, a China, em 118º e a Índia aparece bem ao fim da lista, em 155º.
    A posição ruim do Brasil se justifica pelo seu péssimo desempenho em alguns dos critérios. Em mortalidade infantil, por exemplo, apesar dos avanços dos últimos anos, o país ainda é o 95º no ranking. Em acesso a saneamento básico, que também resulta na alta mortalidade infantil, é o 98º.
    Em “tendência para o aumento de intensidade de carbono”, o Brasil está em 93º, um sinal de que a economia e o setor de energia estão seguindo um caminho de mais emissões de gases do efeito estufa, algo que é facilmente constatado pelo maior uso de termoelétricas e pelas promessas do governo de mais investimentos em carvão.
    Mas a pior classificação do país é em “mudança de cobertura florestal”, 105º, destacando o aumento do desmatamento no ano passado, que pode estar relacionado com o enfraquecimento do Código Florestal, alterado em 2012.
    No entanto, nem tudo é ruim para o Brasil; aparecemos em primeiro no item “poluição do ar – exposição a particulados (PM 2,5)”. Isso se deve ao grande número de habitantes do país que não vive metrópoles, e que, portanto, não está exposto a tanta poluição de automóveis e fábricas. A nossa atual matriz energética baseada em hidroeletricidade também explica o bom resultado.
    Todas as cinco piores nações do ranking, Somália, Mali, Haiti, Lesoto e Afeganistão, estão envolvidas em conflitos civis ou em caos social devido a catástrofes naturais. É o caso do Haiti, que ainda está buscando se recuperar do terremoto de 2010, um reflexo de que, sem estabilidade política e institucional, não há proteção do meio ambiente, afirma o EPI.
    “O nosso índice pode ajudar a direcionar os esforços internacionais na busca por cumprir as Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Porém, ainda vemos que existe uma falta de estrutura política para que se acelere a transformação necessária para um modelo econômico e social realmente sustentável”, concluiu Hsu.

    Fonte: IHU / MST / CarbonoBrasil.