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sábado, 2 de novembro de 2013

Grupos protestam em Paris em apoio a ativistas do Greenpeace presos

Ato ocorre no mesmo dia da viagem do primeiro ministro-francês à Rússia


Manifestação em favor de ativistas mobilizou dezenas em Paris<br /><b>Crédito: </b> Pierre Andrieu / AFP / CP
Manifestação em favor de ativistas mobilizou dezenas em Paris
Crédito: Pierre Andrieu / AFP / CP
Representantes de 30 associações se trancaram em uma prisão simbólica nesta quinta-feira à tarde na Praça da República, em Paris, em apoio aos ativistas do Greenpeace presos na Rússia – entre eles a gaúcha Ana Paula Maciel, acusada formalmente por vandalismo nesta quinta-feira.

"Este caso já durou tempo demais. A única coisa que fizeram foi se manifestar de forma pacífica", ressaltou Jean-François Julliard, diretor do Greenpeace France. O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, viajou nesta quinta para a Rússia.

O líder do Greenpeace convidou os representantes de trinta ONGs de defesa do meio ambiente e dos direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, a Federação Internacional das Ligas dos Direitos Humanos (FIDH) e a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a entrarem em uma cela instalada na praça. "Esta não é uma luta pela ecologia, é uma luta pela democracia", declarou o fotógrafo Yann Arthus- Bertrand, fundador da Fundação GoodPlanet, antes de ficar atrás das grades com uma foto de um dos 30 ativistas do Greenpeace presos na Rússia.

Os ativistas do Greenpeace são "corajosos, teimosos e determinados, mas de uma não-violência absoluta", afirmou Susan George, presidente de honra da organização Attac, desejando "coragem" ao premiê Ayrault para questionar as autoridades russas durante a sua viagem a Moscou.

O navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, foi apreendido em 19 de setembro pela Guarda Costeira russa depois que militantes tentaram escalar uma plataforma gigante russa Gazprom para denunciar os riscos ambientais da exploração de petróleo no Ártico. Os 30 membros da tripulação e dois jornalistas independentes foram detidos em Murmansk e acusados de "vandalismo", crime que pode valer uma pena de sete anos de prisão na Rússia.
Fonte: AFP

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ANDA - 1/11/2013

 
Anda
01/11/2013EDIÇÃO 215
 
 
Os bastidores da crueldade
O que é o Instituto Royal?
Crueldade
Tutora deixa de dar comida por vários dias e cão faminto come guarda-chuva
Inglaterra
Cavalo é encontrado morto por sufocamento após ser amarrado em penhasco
Conscientização
Programa que assegura a proteção de animais silvestres é lançado em São Paulo
Caso Instituto Royal
ONGs esclarecem que cães não podem ser doados
Não possui chip de identificação
Beagle encontrada em São Roque (SP) está sob a guarda de uma ONG
Contra a vivissecção, contra o especismo
 
"'O homem não pode e não deve deliberar sobre a vida de um animal, pois esta é uma prerrogativa divina.' A agência de notícias ANDA, tem prestado um t..."
Feliciano Filho
Deputado estadual PEN/SP
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Centro de Estudos da Metrópole faz diagnóstico abrangente das cidades brasileiras

por José Tadeu Arantes, da Agência Fapesp
cidades Centro de Estudos da Metrópole faz diagnóstico abrangente das cidades brasileiras
Com pesquisas centradas em três eixos temáticos – atividades econômicas e mercado de trabalho; o Estado e suas políticas; e a sociabilidade dos cidadãos –, o CEM rastreia os grandes problemas e o vigoroso potencial das regiões metropolitanas do país. Foto:Leo Ramos/Pesquisa Fapesp
Agência Fapesp – A qualidade da saúde e da educação básica no Brasil registrou sensível melhora nas duas últimas décadas. Essa evolução refletiu no Índice Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), que cresceu de 0,493 para 0,727 entre 1991 e 2010, atingindo um patamar considerado alto na avaliação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em estudo divulgado em julho de 2013. A evolução do IDHM não foi maior porque os índices da qualidade da educação, mesmo tendo crescido, ainda ficaram extremamente baixos.
Indicadores obtidos pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM) em dez anos de pesquisa revelam que, enquanto os ganhos de qualidade no atendimento de saúde foram mais ou menos uniformes para o conjunto dos municípios brasileiros, na educação aprofundaram-se as disparidades. “A desigualdade na saúde básica é menor do que a desigualdade na educação básica”, constata Marta Arretche, coordenadora do CEM, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela Fapesp.
Os municípios com muitos pobres têm dificuldades para melhorar o desempenho de seus estudantes, constatou a pesquisa que avaliou, por meio de 10 indicadores, o desempenho da saúde e da educação básica de todos os municípios brasileiros ao longo da década de 2000. “Se o desempenho da saúde básica está fracamente associado ao percentual de pobres do município, o desempenho dos sistemas municipais de educação básica tem uma associação forte e negativa com a taxa de pobreza”, ela afirma.
A pesquisa, que comparou a trajetória e o desempenho de cada um dos municípios brasileiros, deixou algumas perguntas em aberto. Já existem fortes evidências de que o modelo de universalização tem influência no desempenho de cada um dos sistemas: enquanto a saúde básica tem gestão centralizada no Sistema Único de Saúde (SUS), a educação básica é municipalizada. “É inegável que o SUS tem uma influência muito positiva no melhor desempenho do setor”, diz Arretche. “E, dado que a universalização do ensino fundamental ocorreu por meio da municipalização, as relações entre presença de pobres e desempenho escolar afetam mais fortemente as escolas da rede municipal.”
A pesquisa sobre o desempenho dos sistemas de educação e saúde integra o portfólio de investigação desse CEPID constituído em 2000, no primeiro edital do Programa, com o objetivo de entender os processos de reprodução das desigualdades nas metrópoles e fornecer dados e subsídios para a formulação de políticas públicas.
“Os estudos do Centro foram organizados segundo três grandes eixos temáticos: atividades econômicas e mercado de trabalho; o Estado e suas políticas; e a sociabilidade dos cidadãos”, disse Eduardo Marques, professor livre-docente do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo e coordenador do CEM de 2004 a 2009.
O eixo “atividades econômicas e mercado de trabalho” englobou temas como reestruturação produtiva e competitividade, emprego e desemprego e, mais recentemente, os impactos do aumento da escolaridade da população no mercado de trabalho.
Trajetórias ocupacionais
Nesse eixo temático, uma das pesquisas foi conduzida por Nadya Guimarães, professora titular do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e diretora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos da Metrópole, sediado no CEM, e buscou compreender a intensa reestruturação macroeconômica e micro-organizacional ocorrida no Brasil a partir dos anos 1990. “Em primeiro lugar, analisamos o que se passava com as trajetórias dos indivíduos no mercado de trabalho quando se contraía a atividade produtiva e se ampliava o desemprego, como ocorreu entre nós na primeira metade dos anos 2000”, contou Nadya Guimarães.
“Em parceria com a Fundação Seade [Sistema Estadual de Análise de Dados], fizemos uma pesquisa por amostra domiciliar que alcançou 55 mil indivíduos na região metropolitana de São Paulo, os quais tiveram as suas trajetórias ocupacionais retraçadas desde o Plano Real [1994] até o momento da enquete [2001]”, disse a pesquisadora.
Posteriormente, uma subamostra de casos foi analisada em profundidade e acompanhada entre os anos 2002 e 2005, de modo a explorar como esses indivíduos interpretavam a sua experiência de busca por oportunidades no mercado de trabalho.
Para melhor entender a especificidade de São Paulo, os pesquisadores conduziram estudo similar, em parceria com colegas japoneses e franceses, nas regiões metropolitanas de Tóquio e de Paris. Tais metrópoles estavam igualmente sujeitas a mudanças importantes nas condições de acesso ao trabalho e ao crescente risco de desemprego, mas se distinguiam do caso brasileiro pela robustez dos seus sistemas políticos de proteção – público, no caso francês, e privado, no caso japonês.
“Observamos que, em São Paulo, as trajetórias eram marcadas por intensas transições entre ocupação, desemprego e inatividade, dando lugar a percursos ocupacionais erráticos, movidos pela premência de obter, a qualquer custo, a sobrevivência imediata”, disse Nadya Guimarães. “Isso refletia a natureza restrita das políticas de proteção aos desempregados, tanto no que respeitava à sua capacidade de incluir os potenciais demandantes, quanto no que concernia aos benefícios como o seguro- desemprego ou o sistema público de apoio à requalificação, intermediação e colocação de mão de obra”, acrescentou.
A pesquisa constatou que eram as redes pessoais de sociabilidade os mecanismos pelos quais os indivíduos procuravam e encontravam não apenas o trabalho, mas também o suporte imediato para encarar o desemprego ou a inatividade.
“Na região metropolitana de São Paulo, onde 8 em cada 10 entrevistados afirmaram procurar trabalho por meio de seus familiares, amigos e conhecidos, e 7 em cada 10 diziam ter encontrado o seu último trabalho recorrendo a redes pessoais, eram esses mecanismos informais os mais eficazes para ultrapassar o desemprego. Mas nossos dados mostraram também que as oportunidades de emprego criadas nesses circuitos de sociabilidade eram de baixa qualidade e menor durabilidade”, prosseguiu a pesquisadora.
Estudos comparativos evidenciaram que tal característica era recorrente nas demais metrópoles brasileiras, porém, em intensidade variável, sendo tanto mais relevante quanto mais precários e pouco formalizados eram os mercados – assim, era mais eficaz no Nordeste (notadamente em Recife e Salvador) do que no Sudeste e no Sul (em especial, Porto Alegre).
Intermediação de trabalho vira atividade emergente
Em um segundo momento, os pesquisadores analisaram a reconfiguração das relações de trabalho no Brasil, na segunda metade dos anos 2000. “Observamos, pela análise de estatísticas do Ministério do Trabalho e do Emprego (RAIS-Migra), que, quando se ampliaram os empregos formais no Brasil, havia crescido muito mais rapidamente um tipo especial de emprego com carteira assinada: aquele propiciado pelo que denominamos ‘intermediadores de oportunidades de trabalho’, como as agências de emprego ou as empresas de trabalho temporário”, informou Nadya Guimarães.
“Em um mercado caracterizado pela força das redes pessoais de sociabilidade, cresciam, e de modo acelerado, os mecanismos mercantis que ligavam os indivíduos que procuravam empregos aos postos de trabalho disponíveis”, disse a pesquisadora.
Um novo levantamento amostral, com cerca de 1.600 casos, entre trabalhadores à procura de emprego em agências da região metropolitana de São Paulo no ano de 2004 revelou que se tratava de uma força de trabalho mais jovem, crescentemente feminina e mais escolarizada, que se encontrava em busca, no mais das vezes, de seu primeiro emprego.
“A maioria deles encontrava, por meio dos intermediários, o seu primeiro posto formalmente registrado de trabalho. Mas os vínculos eram de muito pequena duração e os ganhos salariais eram muito menores do que aqueles experimentados pelo salário mínimo no pós 2005”, disse Nadya Guimarães.
Por outro lado, as empresas dedicadas à intermediação de trabalho haviam se transformado em um poderoso segmento da atividade econômica, organicamente integrado aos que contratavam os seus serviços, como os pesquisadores puderam verificar utilizando a Pesquisa da Atividade Econômica Paulista.
“Mais do que isso”, sublinhou Nadya Guimarães, “nesse ramo de atividade, o Brasil se destacava entre os países líderes no cenário internacional do trabalho intermediado. Exploramos estatísticas comparativas internacionais para os anos 2008 a 2010 e vimos que o Brasil ombreava com países reconhecidos no mundo do trabalho intermediado e temporário, como Japão, Inglaterra, Espanha, Holanda e Estados Unidos, tanto pelo número de agências de emprego e pelo número de trabalhadores intermediados como por sua participação na receita gerada pelo setor em escala internacional. Ou seja, no mesmo movimento de crescimento econômico pelo qual o emprego se ampliava, as relações de trabalho pareciam progressivamente se reconfigurar, diversificando-se pari passu com a dinâmica econômica.”
Leia mais sobre o Centro de Estudos da Metrópole: Educação, desigualdade e sistema de cotas e Uma sociedade com 12,4 milhões de favelados.
Mais informações aqui.
* Publicado originalmente no site Agência Fapesp.
(Agência Fapesp)

Noronha Carbono Zero quer fazer do arquipélago o primeiro território carbono-neutro do Brasil

por Redação do EcoD
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Morro Dois Irmãos visto da Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha. Paradisíaco, arquipélago ainda precisa resolver problemas ambientais. Foto: Henrique Vicente
Tornar o arquipélago de Fernando de Noronha o primeiro território carbono-neutro do país em cinco anos, o que inclui a compensação com plantio de mata atlântica para as atividades onde a emissão não puder ser reduzida e investimentos em energia renovável. Esse é o objetivo do projeto Noronha Carbono Zero, lançado na quinta-feira, 31 de outubro, durante a abertura da conferência Pernambuco no Clima, que reúne especialistas para discutir mudanças climáticas e aquecimento global.
Noronha emite por ano 32.310 toneladas de CO2 equivalente (soma de todos os gases que provocam o efeito estufa). Isso corresponde a oito toneladas de CO2 por pessoa por ano, valor superior à média anual per capita no Brasil, de 2,3 toneladas. Segundo o secretário do Meio Ambiente de Pernambuco, Sérgio Xavier, o transporte aéreo é o principal responsável pela produção de CO2 (53%), seguido pela geração de energia (32%) e itens como agricultura, transporte marítimo e produção de resíduos (15%).
“Será um caso concreto para servir de paradigma para cidades, estados e países”, afirmou o governador Eduardo Campos. Ele observou que o uso do biocombustível em vez do combustível fóssil para as aeronaves vai depender das empresas áreas, que poderão receber algum benefício para fazer a mudança. Noronha tem uma usina termelétrica. A ideia é substituir a fonte energética pela solar e eólica. Duas usinas solares estão sendo implementadas, com investimentos de R$ 18 milhões e deverão atender a 15% da atual demanda energética.
O projeto de redução de carbono ainda será apresentado e discutido com a comunidade da ilha. “Vamos discutir alternativas e tentar convencer empresas e a sociedade a contribuir com a redução das emissões”, ressaltou Sérgio Xavier.
Se as recomendações não forem seguidas, será preciso plantar por ano o equivalente a 120 campos de futebol de mata atlântica durante 30 anos para compensar o carbono produzido no local.
Problemas com resíduos
Enquanto não zera suas emissões de CO2, Noronha tem que lidar com outros problemas ambientais motivados pelo avanço do turismo. A frota de veículos local praticamente dobrou entre 2001 e 2013 .
Também houve um aumento no número de pousadas e turistas, o que eleva o volume de lixo. Fernando de Noronha produz entre 180 e 200 toneladas de lixo por mês. Parte é tratada no arquipélago e o restante é levado para o continente.
Política
O plano Noronha Carbono Zero foi anunciado pouco tempo depois de o governador Eduardo Campos (PSB) fechar aliança política com a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PSB), buscando lançar pontes ao público ambientalista. Desenvolvimentista, ele não teve a preocupação com o meio ambiente como uma das bandeiras no seu primeiro mandato e recebe críticas de ambientalistas por iniciativas como a autorização, em 2010, da derrubada de 600 hectares de manguezal no complexo portuário e industrial de Suape, na região metropolitana. No segundo mandato, criou a secretaria de meio ambiente e tem buscado mudar a política ambiental do Estado.
O deputado federal Alfredo Sirkis (PV) enfatizou que o “Pernambuco no Clima” não tem caráter político eleitoral. Ele frisou que o evento foi planejado há um ano e é um desdobramento da Rio+20. “Não tem política, não tem campanha eleitoral”, afirmou. “As democracias são formatadas para pensar no curto prazo, normalmente o curto prazo é o eleitoral. O que estamos fazendo em Pernambuco é liderança”, completou Fábio Feldmann, ex-deputado federal pelo PV.
* Publicado originalmente no site EcoD.
(EcoD)

Brasil Novo (PA) sai da lista de municípios que mais desmatam na Amazônia

por Leticia Leite, do ISA
Produtores com Cadastro Ambiental Rural voltam a ter linhas de crédito e poderão participar de programas de restauração florestal.
A saída do embargo vai possibilitar aos produtores rurais do município paraense de Brasil Novo acesso à linhas de crédito preferenciais previstas para os chamados “municípios verdes” e a inclusão dessas propriedades em programas de restauração florestal, destinados à redução do passivo ambiental.
Na batalha para se tornar um “município verde” a Secretaria do Meio Ambiente de Brasil Novo declarou ter investido R$180 mil para realizar 450 Cadastros Ambientais Rurais, em seis meses. Desta forma, o município conseguiu dobrar o número de cadastros e atingiu a meta de 80% das propriedades cadastradas no mês de setembro, assegurando sua saída da lista dos maiores desmatadores.
Brasil Novo já iniciou quatro projetos piloto de restauração florestal, em parceria com o ISA e a Universidade Federal do Pará, campus Altamira. “Com o auxílio da universidade, o município vai iniciar imediatamente a restauração de APPs (Áreas de Preservação Permanente) em cinco propriedades para que sirvam de modelo para outros produtores”, explica Zelma Campos, secretária municipal do Meio Ambiente.
produtores 300x225 Brasil Novo (PA) sai da lista de municípios que mais desmatam na Amazônia
O ISA tem apoiado a Secretaria de Meio Ambiente do município no planejamento das ações estratégicas para a conservação ambiental. “Depois de atingir a meta dos cadastros, os gestores dos municípios e produtores começam a pensar em políticas e projetos de incentivo à adequação ambiental”, relata Juan Doblas, especialista em geoprocessamento do ISA. Ele ministra oficinas aos produtores da região com o objetivo de mapear as atividades rurais no município.
O projeto faz parte do pacto de combate e controle do desmatamento e regularização ambiental, parceria entre a Secretaria do Meio Ambiente, produtores, sindicatos, sociedade civil e representantes municipais para retirar Brasil Novo da lista dos 45 municípios que mais desmatam na Amazônia, lançado em abril deste ano (Saiba mais). “Os mapas são um pontapé inicial, fundamental para o planejamento do Zoneamento Ecológico Econômico municipal, ferramenta imprescindível para a política local, que vai ajudar gestores e produtores rurais a definir atividades que caminhem para a preservação ambiental da região”, avalia Doblas.
Brasil Novo conta com um passivo ambiental significativo, 41% do município está desmatado. Nas propriedades com maior passivo, os cursos d’água e nascentes ficaram desprotegidas devido ao desmatamento associado com a pecuária e não existe nelas uma quantidade significativa de floresta.“As consequências negativas são evidentes: erosão, assoreamento dos rios, dificuldades no abastecimento das comunidades, mudança no regime local de chuvas”, explica Doblas.”Temos um passivo de 41%, mas também temos 49% de mata preservada, e é pela garantia desta preservação que vamos trabalhar“, afirma Zelma Campos .
A lista dos municípios desmatadores da Amazônia foi criada em 2008 pelo Ministério do Meio Ambiente. Naquele ano, somavam 48. De lá para cá, alguns conseguiram sair da lista. (Veja aqui os municípios que continuam na lista e são denominados municípios prioritários da Amazônia pelo Ministério do Meio Ambiente). Em abril de 2011, por exemplo, Querência, em Mato Grosso, foi um dos municípios que deixou a lista e contou com apoio da equipe do ISA.
Os que não conseguiram estão embargados. O embargo é resultado da Resolução nº 3545/08 do Conselho Monetário Nacional, que condiciona a obtenção de financiamento rural na Amazônia à apresentação de documentos que comprovem a regularidade ambiental do imóvel. A medida é uma forma de estimular a preservação das florestas e conter o desmatamento.
* Publicado originalmente no site Instituto Socioambiental.
(ISA)

Emissões batem recorde, mas estariam desacelerando

por Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
emissoes2013 Emissões batem recorde, mas estariam desacelerando
Liberação mundial de gases do efeito estufa chega a 34,5 bilhões de toneladas em 2012, porém o aumento registrado em relação ao ano anterior foi de 1,1%, menos da metade da média da década, 2,9%.
A popularização das energias renováveis, a expansão do uso do gás de xisto e os investimentos em eficiência energética estão sendo apontados como os principais responsáveis pela desaceleração nas emissões mundiais de gases do efeito estufa (GEEs), mesmo em um ano em que a economia global cresceu 3,5%.
É a conclusão a que chegaram pesquisadores da Agência de Análise Ambiental dos Países Baixos (PBL) e do Centro de Pesquisas Conjuntas da Comissão Europeia (JRC) no relatório “Tendências das emissões globais de CO2 2013”, divulgado nesta quinta-feira (31).
Veja aqui um infográfico interativo com os principais resultados do relatório.
De acordo com o documento, foram emitidas 34,5 bilhões de toneladas de GEEs em 2012, sendo que 90% desse total é consequência da queima de combustíveis fósseis. Trata-se da maior quantidade de GEEs já liberada na atmosfera pela humanidade em um ano.
Porém, os pesquisadores destacam que houve uma significante desaceleração no aumento das emissões, passando de um crescimento de 2,9% em média nos últimos dez anos, para apenas 1,1% no ano passado.
“Isso sinaliza uma mudança em direção às atividades humanas menos intensivas em termos de uso de combustíveis fósseis, além de demonstrar os impactos do crescimento das fontes renováveis e das políticas de eficiência energética”, explica um comunicado divulgado com o relatório.
Analisando por países, a China e os Estados Unidos seguem sendo os principais responsáveis pelas emissões mundiais. Os chineses respondem por 29% do total de GEEs liberados, enquanto os norte-americanos foram responsáveis por 15%.
Mas mesmo nesses países, houve desaceleração nas emissões.
A China chegou a 9,9 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, representando um crescimento de 3% em relação a 2011. A média de aumento nas emissões do gigante asiático era de 10% por ano na última década. Os pesquisadores apontam que a queda no ritmo de crescimento se deu pelos investimentos massivos em fontes alternativas de energia, eficiência energética e na expansão da hidroeletricidade, que subiu 23%.
Já os Estados Unidos apresentaram uma queda de 4% nas emissões, para 5,2 bilhões de toneladas, o menor nível desde 1993. A principal causa seria a substituição do carvão pelo gás de xisto.
A União Europeia também apresentou redução nas emissões, passando de 3,79 bilhões de toneladas em 2011 para 3,74 bilhões de toneladas no ano passado. O bloco responde por 11% das emissões globais.
O Brasil ainda emite muito menos do que as outras grandes economias mundiais, alcançando a marca de 460 milhões de toneladas em 2012. Porém, o crescimento nas emissões brasileiras tem sido constante desde 2009, quando foram emitidas 380 milhões de toneladas.
O relatório afirma que, se uma série de tendências se confirmarem, as emissões mundiais tendem a seguir desacelerando.
Entre essas tendências estão:
A China conseguir alcançar sua meta de atingir seu máximo consumo de energia em 2015, reduzindo após isso a intensidade de energia de sua economia.
Os Estados Unidos continuarem sua transição para uma matriz menos dependente do carvão, seja apostando no gás do xisto ou em fontes alternativas.
Os países-membros da União Europeia concordarem em restaurar a eficiência do Esquema Europeu de Comércio de Emissões (EU ETS).
O amadurecimento de tecnologias variadas de geração e de eficiência energética, como o barateamento de fontes alternativas e processos mais limpos de queima de combustíveis fósseis.
“Sem o uso de tecnologias renováveis (eólica, solar, biocombustíveis e hidroeletricidade), as emissões mundiais de CO2 seriam, potencialmente, cerca de 5% mais altas do que as atuais”, conclui o relatório.
* Publicado originalmente no site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil)

Quênia: escola que reaproveita água da chuva é uma das mais sustentáveis do mundo

por Redação do EcoD
O Green Building Council (USGBC), órgão norte-americano especializado em construções ambientalmente corretas, certificou a Escola Primária Nyiro Uaso, situada em uma região de semiárido do Quênia, como uma das duas escolas mais sustentáveis do mundo – a outra fica localizada em Hong Kong. E nota-se facilmente o porquê: o colégio africano conta com um sistema que capta, filtra e armazena a água da chuva.
A escola capta toda a água da chuva, o suficiente para abastecer todo o consumo do próprio ambiente. Além disso, o sistema utilizado para a realização dessa prática é mais barato que o normal, utiliza matérias-primas locais e foi projetado para ser replicado.
quenia Quênia: escola que reaproveita água da chuva é uma das mais sustentáveis do mundo
O processo de reutilização da água da chuva é suficiente para atender aos alunos e irrigar hortas. Foto: Reprodução/Facebook

Os responsáveis por essa estrutura são os arquitetos britânicos Jane Harrison e David Turnbull. Segundo eles, a escola consegue coletar cerca de 350 mil litros anualmente.
Como? O sistema utiliza um tanque de armazenamento de grande porte, instalado embaixo de um pátio central. A água cai dos seus telhados para o quintal, por onde passa por um sistema de filtragem à base de argila (parecido com o processo do filtro comum). Lá o material é revestido com uma solução de prata fina que age como um antibiótico.
O processo é suficiente para atender aos alunos e para irrigar hortas. Outra característica interessante da escola é a parede que a circunda – ela mantém os estudantes protegidos contra pessoas e animais (incluindo elefantes) indesejados, e também produz um micro-clima que “permite que a escola funcione como uma espécie de ambiente interior-exterior”, afirma Harrison em um artigo publicado pelo USGBC.
Casos no Brasil
Em maio de 2012, São Paulo inaugurou a primeira escola pública com certificado de Alta Qualidade Ambiental (Aqua) do país. A Escola Estadual Ilha de Juventude, na Vila Brasilândia, teve o projeto arquitetônico avaliado pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini. Entre os quesitos analisados estavam economia de água e energia, baixo impacto ambiental em todas as fases da obra e disposição adequada de resíduos, além de níveis de conforto e soluções arquitetônicas projetadas com foco na saúde dos alunos.
Um ano antes, o Rio de Janeiro inaugurava a primeira escola ecológica do país, em um dos bairros mais vulneráveis do Rio de Janeiro, Santa Cruz, na zona oeste da cidade. O Colégio Estadual Erich Walter Heine tem instalações que captam a água da chuva para ser usada nos sanitários, jardins e na limpeza da escola, com economia de 50% da água potável. As lâmpadas LED em todo o edifício reduzem em até 80% o consumo de energia.
O Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) – Escola Sustentável, lançado em junho pelo governo federal, promete garantir R$ 100 milhões em recursos para que as escolas desenvolvam projetos voltados para a sustentabilidade. A iniciativa já pré-selecionou 10 mil instituições de ensino, de 310 municípios em estado de vulnerabilidade ambiental.
Assista a um vídeo que apresenta o início de uma aula na escola:

* Publicado originalmente no site EcoD.
(EcoD)