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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Novo Código Florestal não anula multas aplicadas com base na antiga lei

por (Redação do STJ)
codigoflorestal Novo Código Florestal não anula multas aplicadas com base na antiga leiMesmo com a entrada em vigor do novo Código Florestal (Lei 12.651/12), os autos de infração emitidos com base no antigo código, de 1965, continuam plenamente válidos. Esse é o entendimento unânime da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A Turma rejeitou petição de um proprietário rural que queria anular auto de infração ambiental que recebeu e a multa de R$ 1,5 mil, decorrentes da ocupação e exploração irregulares, anteriores a julho de 2008, de Área de Preservação Permanente (APP) nas margens do rio Santo Antônio, no Paraná.
Na petição, o proprietário argumentou que o novo Código Florestal o isentou da punição aplicada pelo Ibama, pois seu ato não representaria mais ilícito algum, de forma que estaria isento das penalidades impostas. Segundo sua tese, a Lei 12.651 teria promovido a anistia universal e incondicionada dos infratores do Código Florestal de 1965.
O relator do caso, ministro Herman Benjamin, afirmou que no novo código não se encontra a alegada anistia universal e incondicionada. Apontou que, ao contrário do que alega a defesa do proprietário rural, o artigo 59 da nova lei “mostra-se claríssimo no sentido de que a recuperação do meio ambiente degradado nas chamadas áreas rurais consolidadas continua de rigor”.
Suspensão das penalidades
Herman Benjamin, renomado especialista em direito ambiental, ressaltou que para ocorrer a isenção da punição, é preciso um procedimento administrativo no âmbito do Programa de Regularização Ambiental (PRA), após a inscrição do imóvel no Cadastro Ambiental Rural, com a assinatura de Termo de Compromisso (TC), que vale como título extrajudicial.
A partir daí, as sanções são suspensas. Havendo cumprimento integral das obrigações previstas no PRA ou no TC, apenas as multas serão convertidas em serviços de preservação, melhoria e qualidade do meio ambiente.
“Vale dizer, a regra geral é que os autos de infração lavrados continuam plenamente válidos, intangíveis e blindados, como ato jurídico perfeito que são – apenas sua exigibilidade monetária fica suspensa na esfera administrativa, no aguardo do cumprimento integral das obrigações estabelecidas no PRA ou no TC”, explicou o ministro.
Para fundamentar sua interpretação, Benjamin afirmou que, “se os autos de infração e multas tivessem sido invalidados pelo novo código ou houvesse sido decretada anistia ampla ou irrestrita das violações que lhes deram origem, evidenciaria contradição e ofensa à lógica jurídica a mesma lei referir-se a ‘suspensão’ e ‘conversão’ daquilo que não mais existiria”.
Regularização ambiental
Herman Benjamin destacou que, conforme o novo código, a regularização ambiental deve ocorrer na esfera administrativa. Para ele, é inconveniente e despropositado pretender que o Poder Judiciário substitua a autoridade ambiental e passe a verificar, em cada processo, ao longo de anos, a plena recuperação dos ecossistemas degradados e o cumprimento das obrigações instituídas no PRA ou TC.
No caso julgado, não há nem mesmo comprovação de que o proprietário rural tenha aderido aos programas, condição indispensável para ter direito aos benefícios previstos na lei.
Conflito intertemporal de leis
O tema do conflito intemporal de normas urbanística-ambientais já foi tratado pela Segunda Turma, conforme lembrou Herman Benjamin. A conclusão é a de ser inviável a aplicação de norma mais recente com a finalidade de validar ato praticado na vigência de legislação anterior que, expressamente, contrariou a lei então em vigor.
Desta forma, a matéria em discussão deve ser tratada nos termos propostos desde o início do processo, com fundamento na legislação então vigente, e não de acordo com alteração superveniente.
O ministro reconhece que não há “solução hermenêutica mágica” que esclareça, de imediato e globalmente, todos os casos de conflito intertemporal entre o atual e o novo Código Florestal.
Contudo, ele estabeleceu um esquema básico, de acordo com as normas gerais do direito brasileiro. O novo código não pode retroagir para atingir o ato jurídico perfeito, direitos ambientais adquiridos e a coisa julgada. Também não pode reduzir, de tal modo e sem as necessárias compensações ambientais, o patamar de proteção de ecossistemas frágeis ou espécies ameaçadas de extinção.
Reconsideração
Antes de analisar o mérito, Benjamin constatou que a petição apresentada tinha nítido caráter de pedido de reconsideração de acórdão da Segunda Turma. Nesse ponto, a jurisprudência do STJ estabelece ser manifestamente incabível pedido de reconsideração de decisão proferida por órgão colegiado.
No julgamento anterior, a Turma negou recurso especial em que o proprietário rural pretendia anular o auto de infração ambiental e o pagamento de indenização pelo reflorestamento da APP que havia em sua propriedade.
* Publicado originalmente no site STJ e retirado do site CarbonoBrasil.
(CarbonoBrasil)

Estudo aponta que ecossistemas de água doce da Amazônia são vulneráveis à degradação ambiental

por Redação do IPAM Amazônia
Segundo especialistas, conservação florestal deve incluir o manejo de bacias hidrográficas
Um estudo publicado na revista científica Conservation Letters esta semana constatou que os ecossistemas de água doce na Amazônia são altamente vulneráveis à degradação ambiental. Ecossistemas de rios, lagos e pantanal—que abrangem aproximadamente um quinto da área da bacia amazônica–estão sendo cada vez mais degradados pelo desmatamento, poluição, construção de barragens e hidrovias, e sobre-exploração de espécies vegetais e animais.
O estudo foi conduzido pelo Dr. Leandro Castello, pesquisador associado do Woods Hole Research Center (WHRC), em colaboração com cientistas de diversas instituições nos Estados Unidos e no Brasil, entre eles o Institut de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Universidade da Califórnia em Santa Barbara (UCSB), e The Nature Conservancy (TNC).
Danos aos ecossistemas de água doce da Amazônia têm grande impacto a muitos amazônidas, que historicamente têm sido tão dependentes de bens e serviços dos ecossistemas de água doce que chegaram a ser chamados dos “povos da água”. O atual consumo médio per capita de peixe na Amazônia Brasileira é de 94 kg / ano pelas populações ribeirinhas, que é quase seis vezes a média mundial. O aumento da pressão da pesca diminuiu o tamanho das espécies exploradas, em parte devido ao esgotamento progressivo de espécies de grande porte e alto valor. Um século atrás, o comprimento médio máximo das principais espécies colhidas na bacia era de mais ou menos 206 centímetros, hoje ele é de aproximadamente 79 cm.
A ciência e as políticas públicas ambientais na Amazônia têm se concentrado em grande parte nas florestas, e sua biodiversidade e carbono. Três décadas de esforços têm gerado uma compreensão da ecologia da floresta, e levado ao estabelecimento de uma rede de áreas protegidas, em grande parte destinadas a preservar as florestas e sua biodiversidade. Pouca atenção, porém, tem sido dada aos ecossistemas de água doce, que através do ciclo hidrológico são interligados a outros ecossistemas locais e mais distantes, sendo altamente sensíveis a uma ampla gama de impactos humanos.
“Apesar de algumas proteções terrestres que são sofisticadas para os padrões globais, este artigo mostra as principais lacunas na proteção de sistemas e espécies de água doce na Amazônia”, comentou Robin Abell, biólogo Sênior em Conservação de Água doce da World Wildlife Fund. A bacia do Rio Madeira, por exemplo, está ameaçada pela exploração do petróleo, desmatamento e construção de represas em suas cabeceiras, apesar de áreas protegidas cobrirem 26% da área da bacia. “As pressões detalhadas pelos autores precisam ser tratadas agora, antes que as oportunidades de conservação sejam perdidas”, advertiu Abell. “A restauração pode ser muito mais cara do que a proteção.”
mapa Estudo aponta que ecossistemas de água doce da Amazônia são vulneráveis à degradação ambiental

mapa2 Estudo aponta que ecossistemas de água doce da Amazônia são vulneráveis à degradação ambiental

A principal ameaça aos ecossistemas de água doce da Amazônia é a alteração em larga escala da hidrologia natural da bacia. “Há um total de 154 usinas hidrelétricas em operação, 21 em construção, e planos de construir 277 barragens adicionais no futuro. Há também milhares de pequenas barragens localizadas em pequenos córregos para fornecer água para o gado”, observou a co-autora Marcia Macedo, do WHRC. “Esses projetos de infraestrutura, em conjunto com o desmatamento induzido por alterações regionais das chuvas, poderiam mudar fundamentalmente a hidrologia de sistemas de água doce da Amazônia”, acrescentou. O estudo sugere que, se não controlada, estas alterações hidrológicas poderiam interromper migrações de peixes e os rendimentos associados à pesca, ameaçando a subsistência ribeirinha e segurança alimentar.
A proteção adequada dos ecossistemas de água doce da Amazônia requer ampliação do foco de gestão ambiental vigente centrado na floresta e as estratégias de conservação para abranger os ecossistemas aquáticos. Se construirmos sobre áreas protegidas já existentes, é possível desenvolver uma estrutura de manejo e conservação que protege os ecossistemas aquáticos e terrestres, efetivamente protegendo o sistema rio-floresta da Amazônia. A bacia amazônica abrange seis países, com o Brasil, Bolívia, Peru com a maior parte do território. Assim, “além dos esforços nacionais de conservação e gestão, a pan-Amazonica de manejo de bacias é indispensável”, disse a co-autora Dr. Laura Hess do Instituto de Pesquisa da Terra, da Universidade da Califórnia (UCSB).
“Há questões ambientais em todos os lugares, mas o caso de ecossistemas de água doce da Amazônia é diferente, porque ninguém fala sobre isso. Seu problema tem ficado escondido”, disse Castello. Enfatizando a necessidade de uma mudança de foco, acrescentou, “avanços significativos na conservação da Amazônia têm sido sobre o desmatamento porque o desmatamento tem sido estudado e monitorado ano após ano. Agora precisamos fazer o mesmo para estes ecossistemas aquáticos”.
Para acessar o estudo, clique aqui.
(IPAM Amazônia)

COMPAM DISPONIBILIZA PÁGINA NA INTERNET

A home page “alternativa” do COMPAM pretende reunir documentos, como atas, e divulgar a história e informações em geral. Foto reproduzida do Jornal Diário Popular, 1994.
A proposta é que tal instrumento digital dê publicidade aos documentos produzidos e divulgue os atos e decisões do Conselho Municipal de Proteção Ambiental (COMPAM), prestando um serviço de interesse público, uma vez que tais documentos, via de regra, não são acessíveis aos interessados (nem mesmo para os conselheiros e conselheiras ambientais), contrariando o que determina a lei vigente. E, muitas informações sobre os debates e deliberações no COMPAM, por interesses políticos e econômicos, acabam chegando de forma absolutamente distorcida, para não falar em mentirosa, ao público. O que gera diversos mitos e inverdades sobre as decisões do Conselho.
Outra motivação decore do fato de que a Prefeitura Municipal de Pelotas, apesar de possuir uma Home Page, não faz a atualização das informações relativas ao COMPAM desde 2009 (http://www.pelotas.rs.gov.br/politica_urbana_ambiental/qualidade_ambiental/compam/compam.htm), apesar dessa se resumir a publicação de uma Resolução, informação importante, mas por demais diminuta em relação aos trabalhos e a relevância do COMPAM para a politica ambiental local. A atualização anterior era de 2005 e também se resumia a publicação de uma Resolução do COMPAM.
Assim, a ideia da home page “alternativa” do órgão máximo da politica ambiental local vem sendo discutida há anos, mas somente agora foi possível coloca-lá em pratica, uma vez que a Secretaria Municipal de Qualidade Ambiental (SQA), demonstrando desinteresse pela disponibilização das informações do COMPAM na rede mundial de computadores, não aportou o apoio devido e necessário para que a mesma acontecesse. Contudo, após um grande esforço de instituições da Coordenação do COMPAM e do plenário, a referida home page se encontra disponível na internet.
Cabe lembrar que a obrigação legal de manter uma HP, bem como em garantir todos os instrumentos e condições necessárias para que o COMPAM funcione e cumpra sua função legal, é do órgão ambiental municipal, no caso a SQA, a qual não tem atendido tal obrigatoriedade na sua plenitude.
Mas o descaso da SQA não para por ai. O COMPAM aguarda, há mais de quatro anos o cumprimento do compromisso assumido por tal órgão ambiental para compra de equipamentos necessário para qualificar o funcionamento desse parlamento ambiental local. Após longo período de tramitação do processo de compra, ao final do ano passado, a administração municipal arquivou o pedido de empenho necessário para a compra desses equipamentos. Contudo, em reunião da Coordenação do COMPAM, a SQA se comprometeu a retomar o processo de compra dos equipamentos em 2013. Porém, não há prazo informado para sua conclusão.
Acesse a pagina do COMPAM em http://www.compampelotas.com.br/
Portal EcoDebate- Edição 1.768, de 01 / fevereiro / 2013
  
Especismo e ecocídio: a destruição da Amazônia, artigo de José Eustáquio Diniz Alves
Valores Éticos do Brasil, artigo de Millos Augusto Stringuini
Oceano Ártico: Oceanografia, por Adilson Mikami
Pesca industrial e mudanças climáticas vão diminuir tamanho de peixes em 50 anos, prevê estudo
Novo Código Florestal não anula multas aplicadas com base na antiga lei, decide STJ
MPF/RJ quer fim de obras do Porto do Açu que causaram degradação ambiental
Balanço de Carbono: Estudo revelou que entre 9,1 a 16,9% da mortalidade de árvores no Amazonas é omitida
Belo Monte: Norte Energia descumpre mais uma vez acordo com índios e MPF/PA pede multa milionária
Aumento do trabalho escravo em áreas urbanas preocupa, diz secretário
Justiça Federal recebeu denúncia contra acusados por trabalho escravo em carvoaria de Pirajuí, SP
Internet pode inspirar novas formas de educação
Pesquisa revela perfil de suicídio de idosos no Brasil
TV Bandeirantes deverá esclarecer população sobre liberdade de consciência e de crença no Brasil

Manchetes Socioambientais - 1/fev/2013

Unica e governo discutem política para o etanol
Mais importante que o aumento de 6,6% no preço da gasolina e da elevação da mistura de etanol no combustível de 20% para 25% foi a sinalização dada pelo governo para criar um marco regulatório para o biocombustível. "As medidas anunciadas são importantes para a safra deste ano, mas não são suficientes para a retomada de investimentos de peso no setor", disse Elizabeth Farina, presidente da Unica. Para ela, novos negócios dependerão de um conjunto de regras que dê mais segurança e uma visão de longo prazo para o investidor. Depois da forte expansão em meados da década passada, com a chegada de novos grupos no País, o setor entrou numa crise sem precedentes. Muitas usinas quebraram, outras foram vendidas e os investimentos minguaram. Resultado: o Brasil teve de importar etanol dos EUA e frear o consumo interno - OESP, 1/2, Economia, p.B4.

Comédia de erros
"Os subsídios e isenções tributárias são dados para informar à economia sobre a direção que o governo pensa ser a mais adequada ao longo prazo. Até agora, os sinais dados foram que se deve consumir bastante gasolina, abandonar o álcool, emitir mais gases de efeito estufa, gastar o volume de dinheiro que for necessário para que o petróleo da Venezuela tenha uma usina no Brasil, e reduzir a tributação que seria destinada aos investimentos das rodovias e transportes coletivos. E o dono do carro continua achando a gasolina cara demais", coluna de Míriam Leitão - O Globo, 1/2, Economia, p.26.

Percepções por vezes enganosas
"Estima-se que a demanda global de energia venha a crescer aproximadamente 50% nos próximos 25 anos, de algo como 500 quatrilhões de BTUs para cerca de 750 quatrilhões. A participação percentual de projetos de energia renovável no mix global ainda deverá ficar abaixo dos 15%, enquanto os combustíveis fósseis permanecerão fornecendo mais de 75% das necessidades de energia mundial. O mundo deverá ver o consumo de petróleo aumentar de 86 milhões de barris por dia para 108 milhões nos próximos 20 anos. A produção em águas profundas, a extração de óleos ultrapesados e os projetos de "shale oil", todos com elevados custos de implantação e operação, serão os maiores responsáveis pelo aumento da oferta. O uso de petróleo está longe de ser reduzido e a probabilidade de termos no futuro baixos preços desse produto é quase inexistente", artigo de Rodolfo Landim - FSP, 1/2, Mercado, p.B6.


Florestas

Código Florestal
A declaração da procuradora Sandra Cureau de que entrou com três ações de inconstitucionalidade contra o Código Florestal para ter mais chance de êxito repercutiu mal no STF. "Processo não pode ter sabor lotérico", disse Marco Aurélio Mello. O ministro criticou a escolha de três relatores (Gilmar Mendes, Luiz Fux e Rosa Weber). "A racionalidade cai por terra" - FSP, 1/2, Painel, p.A4.

Crédito para a floresta
"A queda fenomenal do desmatamento na Amazônia, de 27 mil km², em 2004, para menos de 5 mil km², em 2012, teve muitas causas. Entre elas, parece ter sido particularmente eficaz a restrição do crédito rural para propriedades em situação ambiental irregular. A comprovação está em um estudo do Núcleo de Avaliação de Políticas Climáticas da PUC-RJ. O trabalho se debruça sobre os efeitos da resolução 3.545 do Banco Central, de 2008. O trabalho concluiu que R$ 2,9 bilhões deixaram de ser emprestados à região, entre 2008 e 2011, por força da resolução. Como resultado, nos anos seguintes um total de 2.700 km² de desmatamento teria sido evitado, uma vez que os fazendeiros dispunham de menos capital para ampliar atividades. A saída racional, assim, está na regularização ambiental das fazendas para obter crédito e investi-lo na melhoria da produtividade", editorial - FSP, 1/2, Editoriais, p.A2.


Geral

Polícia Civil prende suspeito de mandar matar líder do MST
A Polícia Civil prendeu ontem um homem suspeito de ser o mandante do assassinato de Cícero Guedes dos Santos, líder do MST em Campos (RJ). Segundo a polícia, José Renato Gomes de Abreu pretendia assumir a liderança do movimento. Ele foi indiciado sob suspeita de homicídio doloso. Cícero foi morto no último sábado - FSP, 1/2, Poder, p.A9; O Globo, 1/2, Rio, p.16.

Cidades levam a aumento de circulação de calor na Terra
Além das emissões de gases-estufa vindas de trânsito, indústrias e outras fontes de poluição, os grandes centros urbanos ainda contribuem de outra forma com as mudanças climáticas. Ignorado na maioria dos prognósticos, o consumo de energia gera um calor que viaja pelo planeta por correntes atmosféricas e oceanos, chegando a regiões distantes das metrópoles. Embora este consumo de energia mundial seja enorme - certa de 16 milhões de megawatts por ano -, ele corresponde a apenas 0,3% do calor transportado mundo afora. Ainda assim, somente este percentual pode aumentar a temperatura da Terra em 1 grau Celsius nas próximas décadas, segundo estudo publicado esta semana na revista Nature Climate Change - O Globo, 1/2, Ciência, p.34.

Quando entenderemos que o tempo escasseia?
"Segundo o economista polonês Michal Kalecki, uma ideia precisa do tempo de uma nova geração (duas décadas) para se afirmar, ser aceita. E por aí vamos, sem nenhum acordo na convenção, que apenas acena para 2015 com um compromisso obrigatório para todos os países de reduzirem suas emissões, e ainda assim para vigorar somente em 2020. Agora, a ONU, ao lançar o Ano Internacional da Cooperação pela Água, diz que, se nada for feito para disciplinar o consumo, até 2025 dois terços da população mundial sofrerão com a escassez. Pelo andar da carruagem, Kalecki ainda era otimista. Duas décadas não bastam, se nem a iminência de catástrofes nos move. Inclusive no Brasil, já que estamos em sexto lugar entre os países com mais desastres climáticos", artigo de Washington Novaes - OESP, 1/2, Espaço Aberto, p.A2.

A mudança que faltou
"O Brasil não é o mesmo. Só não vê que mudou quem não se conforma com um governo apoiado por camadas populares. A lista de feitos é grande. Para finalizar, destaco a mudança que faltou. O PT vai ser responsabilizado por não ter usado sua legitimidade para apontar no rumo de um novo modelo. O modelo econômico reativado aponta as mesmas opções de antes: exportações baseadas em 'commodities' minerais e agrícolas, agronegócio, projetos sob a liderança de grupos econômicos e financeiros, energia ao custo de impactos socioambientais. Um modelo responsável pela crise social, ambiental e climática que a humanidade enfrenta. O desafio, após dez anos de governo do PT, é criar uma onda de mudanças democráticas no país, em termos de mudança estrutural, de direitos e de participação cidadã, de sustentabilidade da sociedade com respeito ao nosso patrimônio natural. Não temos como avançar em justiça social sem enfrentar a questão da sustentabilidade. Isto ainda está longe do ideário do PT", artigo de Cândido Grzybowski - O Globo, 1/2, Opinião, p.23.                
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FONTE : Manchetes Socioambientais, Boletim de 1/fev/2013.

Geração de energia solar em casa faz bem ao planeta e ao bolso

 

por Redação do CicloVivo
energia1 Geração de energia solar em casa faz bem ao planeta e ao bolsoEm 2012, a Aneel aprovou as regras que regulamentam a geração de energia solar em casa. Agora, a eletricidade produzida por você mesmo pode diminuir o preço da conta de luz, zerar a tarifa e até mesmo render créditos com as distribuidoras.
As mudanças aprovadas pela agência reguladora servem como incentivo às energias alternativas que têm geração totalmente sustentável: a principal delas é a solar, a mais fácil de ser incorporada, não só nas grandes fazendas solares, mas também em prédios e casas das grandes cidades brasileiras. “É cada vez maior o número de interessados em produzir energia para uso doméstico, seja pelos benefícios ambientais, seja para suprir eventuais desligamentos da rede elétrica”, diz o site da empresa Minha Casa Solar, que comercializa sistemas de microgeração fotovoltaica no Brasil.
Uma residência que possui painéis solares deixa de utilizar a energia fornecida pelas distribuidoras, e, assim, reduz imediatamente a conta de luz. Isso porque, quando transformado em eletricidade, o sol alimenta os aparelhos ligados naquele momento. Se houver sobras de energia, as quantias serão lançadas na rede da companhia de distribuição, que retornará a quantidade excedente como crédito nas próximas tarifas a serem cobradas.
Se, num primeiro momento, a microgeração de energia solar demanda um investimento alto, a economia na conta de luz vira o jogo nos próximos meses: o investimento inicial gira em torno de R$ 15 mil a R$ 40 mil, dependendo do tamanho da residência e do padrão de consumo dos moradores. Entretanto, o cliente pode criar um sistema simples, formado por um ou dois painéis fotovoltaicos e, aos poucos, ir aumentando a quantidade de módulos.
* Publicado originalmente no site CicloVivo e retirado do site Mercado Ético.
(Mercado Ético)

RIQUEZA NO LIXO

por Luciene de Assis, do MMA
Wilson Riqueza no lixo
Wilson aos prefeitos: lixões estão com os dias contados. Foto: Paulo de Araújo/MMA
Resíduos sólidos não aproveitados dão prejuízo de R$ 10 bilhões anuais ao país
O Brasil joga no lixo, a cada ano, cerca de R$ 10 bilhões por falta de reciclagem e destinação adequada de resíduos sólidos, e de uma política de logística reversa que gerencie o retorno de embalagens e outros materiais descartados de volta à indústria. É esta realidade que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) pretende transformar com a implantação, em todo o país, da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), tema de oficina realizada no início da tarde desta quinta-feira, 30, último dia do II Encontro Nacional de Prefeitos e Prefeitas, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.
Dentro da PNRS, a meta do governo federal é eliminar os lixões de todos os municípios brasileiros até o final de 2014, explicou o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano (SRHU) do MMA, Pedro Wilson Guimarães. Os governos estaduais e municipais deverão providenciar a substituição dos lixões por aterros sanitários, pois, a partir de 2014, a liberação de recursos da União estará condicionada à existência de planos estaduais e municipais de gestão de resíduos sólidos e de saneamento básico. De acordo com anúncio feito pela presidenta Dilma Rousseff, na segunda-feira, durante a abertura do encontro, os prefeitos terão, em 2013, R$ 35.5 bilhões para investir em obras de saneamento, pavimentação e mobilidade urbana selecionadas no final de 2012.
Desperdício
“Os lixões são um problema sério que precisa ser enfrentado por todos os gestores”, disse o analista de Infraestrutura da SRHU, Eduardo Rocha Dias Santos. Ele afirmou que os prejuízos são enormes para o meio ambiente, com queda na qualidade de vida, no bem estar e na saúde pública, além de gerar desperdícios econômicos e impactos sociais significativos. A proposta é não gerar resíduos sólidos, mas reduzir, reutilizar e reciclar, tratando e dando destinação adequada.
Santos salientou que apenas a Lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, não é suficiente para implantar o que se deseja. “Mas já é um começo”, admitiu. A lei define o compartilhamento de responsabilidades entre as três esferas de governo, o planejamento de ações de gestão e a implantação de infraestrutura adequada, priorizando-se a educação ambiental e a cobrança pela prestação desse serviço público com o objetivo de dar sustentação financeira à PNRS.
* Publicado originalmente no site Ministério do Meio Ambiente.
(Ministério do Meio Ambiente)