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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Cão luta pela vida no Rio Pinheiros em São Paulo


Manchetes Socioambientais - 4/jan/2013

Faltam ações, sobram estragos
Dois anos depois da tragédia que matou mais de 900 pessoas na Região Serrana, a maior catástrofe natural já ocorrida no país, chuvas fortes voltaram a castigar o estado no mesmo mês de janeiro, provocando o transbordamento de pelo menos 9 rios de 3 regiões fluminenses, e deixando um morto, oito feridos e 1.845 desalojados ou desabrigados. Na opinião de especialistas, a falta de dragagem dos rios e de outras ações governamentais agravaram as consequências das já previsíveis chuvas de verão: durante todo o dia de ontem, o Sistema de Alerta de Cheias do Instituto do Ambiente (Inea) registrou risco de transbordamento em 14 rios da Baixada Fluminense. Outros 23 rios das regiões Sul Fluminense e Serrana estão em estágio de atenção. A morosidade das intervenções para controle de enchentes e recuperação ambiental de rios de Petrópolis, Teresópolis e Friburgo tem sido tema recorrente de reportagens - O Globo, 4/1, Rio, p.9; FSP, 4/1, Cotidiano, p.C3; OESP, 4/1, Metrópole, p.C3.

'Impactos podem ser minimizados com a recuperação dos rios'
Perguntado durante entrevista se a tragédia ao longo do Rio Capivari, em Duque de Caxias, podia ter sido evitada, o geógrafo Cláudio Egler, afirmou que de certa forma, se o rio estivesse limpo, os impactos seriam menores. "Xerém está na base da encosta, e o fenômeno natural que ocorreu - uma cabeça d'água - só poderia ser minimizado com uma conjunção de fatores. Primeiro, é preciso que a população esteja preparada para agir quando as sirenes soarem. Proteger os rios, evitar que as margens sejam ocupadas, obedecendo ao Código Florestal, também é fundamental. São necessárias obras de engenharia. Não é possível evitar a cabeça d'água, mas a mitigação dos impactos, é possível sim. Um dos caminhos é buscar ao máximo possibilitar renaturalizar os leitos do rios. As mudanças climáticas vão tornar fenômenos como a cabeça d'água mais frequentes e agressivos", disse o geógrafo - O Globo, 4/1, Rio, p.9.

Fim do drama das enchentes depende de ações de longo prazo
"Com a repetição anual do enredo, nem o mais demagogo dos políticos ousa dizer que acabará com as enchentes ou deslizamentos de terra em sua localidade. Mas será que esse longa-metragem de terror não tem mesmo fim? Com medidas estruturais de médio e longo prazo tem, mas falta vontade política. É crime ambiental, por exemplo, ocupar margens de rios ou encostas íngremes, zonas que deveriam estar totalmente preservadas. Qualquer político sério deveria começar a traçar um plano de desocupação dessas regiões. Talvez eles comecem a fazer isso quando forem julgados como criminosos ambientais. Mas há alguns avanços. Hoje, duas ações fundamentais, ao que parece, começam a ser levadas mais a sério pelo poder público -o monitoramento das chuvas e a organização da Defesa Civil", artigo de Eduardo Geraque - FSP, 4/1, Cotidiano, p.C3.

Aberta a temporada de tragédias de verão
"Angra dos Reis em 2010, Teresópolis, Friburgo e Petrópolis em 2011, e, agora, a Baixada Fluminense, com destaque para Xerém, distrito de Caxias, e reflexos na Serra e Angra. Onde e quando será a próxima calamidade? Seja onde for, reunirá características comuns a todas as tragédias provocadas por 'causas naturais', em qualquer ponto do país. A principal é a ocupação irregular dos espaços, em especial encostas e margens de rios. Aqui, unem-se a leniência com a demagogia para permitir a favelização, e até mesmo estimulá-la, em troca de votos. As tais comunidades preservadas por políticos mal intencionados costumam dar as maiores contribuições para as estatísticas das tragédias. Vide o Morro do Bumba, em Niterói, uma favela edificada sobre um lixão que se dissolveu num temporal", editorial - O Globo, 4/1, Opinião, p.18.


Energia

Obras de linha de energia atrasarão ainda mais em 2013
O atraso na construção de linhas de transmissão de energia impedirá que parques eólicos comecem a operar neste ano -como já ocorreu em 2012- e causará um prejuízo de cerca de cerca de R$ 600 milhões ao consumidor. A estimativa é da Abeeólica (Associação Brasileira de Energia Eólica). A entidade também calcula que 70% das linhas que deveriam ser entregues em 2013 não ficarão prontas dentro do cronograma. O atraso será de 15 meses, em média. Como as empresas responsáveis pelas usinas devem concluir as obras no prazo, elas terão direito de receber do governo mesmo sem os parques estarem operando - FSP, 4/1, Mercado, p.B2.

Chuva 'irregular' complica setor elétrico
As previsões de chuvas para os meses de janeiro e fevereiro não são muito positivas para o setor elétrico brasileiro. Segundo dados da Climatempo, nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste as chuvas continuarão sendo irregulares e insuficientes para a recuperação adequada dos reservatórios, que estão em níveis bastante reduzidos. As represas do Nordeste estão com 31,9% de armazenamento e as dos Sudeste/Centro-Oeste, com 28,9%. O meteorologista da Climatempo Alexandre Nascimento explica que o principal problema é que as pancadas mais fortes de chuva têm ocorrido em pontos pequenos. É o caso, por exemplo, da Baixada Fluminense. "Se você verificar uns 30 a 40 quilômetros dali, não tem chovido na mesma proporção", diz ele. "É mais ou menos isso que esperamos para o mês de janeiro. As chuvas intensas serão mais irregulares" - OESP, 4/1, Economia, p.B4.


Geral

Posseiros têm que desocupar área indígena no interior de MT até hoje
Posseiros do distrito de Posto da Mata (MT), principal foco de resistência à operação de retirada de não índios da terra indígena Marãiwatsédé, têm até hoje para deixar o local. Diante do ultimato da Justiça Federal, muitos estão desmontando casas e carregando caminhões para saírem da localidade, em Alto Boa Vista, nordeste de Mato Grosso. O distrito era o principal foco de tensão até a semana passada, quando forças federais de segurança tomaram o posto de combustível que serviu de base de resistência dos posseiros durante um mês. A área, que está sendo desocupada, tem 165 mil hectares e foi reconhecida em novembro passado como terra indígena xavante. Posseiros ocupam o local desde 1992. A terra indígena foi homologada em 1998 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso - FSP, 4/1, Poder, p.A7.

BNDES libera R$ 1,35 bi para despoluir Tietê
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou ontem o empréstimo de R$ 1,35 bilhão para financiar a terceira fase do Projeto Tietê. A previsão é de que nos próximos três anos o volume de tratamento do Rio Tietê chegue a 84% na Região Metropolitana de São Paulo. O programa de despoluição, iniciado em 1992, consumiu US$ 1,6 bilhão (pouco mais de R$ 3 bi) nas duas etapas anteriores, segundo a Sabesp. O valor anunciado pelo BNDES para esta etapa, que começou a ser implementada em 2009, servirá para cobrir o contrato da Sabesp com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além da ampliação do volume de tratamento dos dejetos despejados no rio, está previsto o aumento da cobertura dos serviços de coleta do esgoto - dos 84% atuais para 87%. A meta do Projeto Tietê é de que o rio esteja completamente despoluído até 2020 - OESP, 4/1, Vida, p.A16.

Torcer a favor
"Todos sabem que o PIB mede quantidade, e não qualidade da atividade econômica. Seu aumento não representa necessariamente melhoria em educação, saúde e outras dimensões relevantes da vida, pode até embutir uma degradação cujo efeito nefasto será sentido no futuro. Apostar apenas nele, contra ou a favor, é manter a ilusão do crescimento que impede a visão do desenvolvimento sustentável e da mudança civilizatória necessária para enfrentar a crise global. Desmatamento gera emprego e renda? Pois imaginemos a quantidade e a qualidade muito maior do trabalho e da riqueza gerados pelo sábio aproveitamento das florestas. Grandes usinas são necessárias à produção de energia para as indústrias? Imaginemos a energia limpa, abundante e distribuída para todos que pode ser gerada em pequenas unidades regionais de matrizes diversas: água, vento, sol e plantas, diminuindo a dependência dos combustíveis fósseis", artigo de Marina Silva - FSP, 4/1, Opinião, p.12.
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FONTE : Manchetes Socioambientais, Boletim de 4/jan/2013.

Portal EcoDebate- Edição 1.749, de 04 / janeiro / 2013

Quais respostas dependem da educação, artigo de Nei Alberto Pies
OMB – Ordem dos Médicos do Brasil? artigo de Vasco Vasconcelos
Oceano Ártico: Geografia e História, por Adilson Mikami
Destruição causada pelo temporal, que atingiu Xerém, foi tragédia anunciada, diz especialista
Projeto de Lei proíbe agrotóxicos com suspeita de causarem danos à saúde e ao meio ambiente
Especial 2012: Balanço político e o caráter conservador do governo
Especial 2012: Os dilemas da economia mundial e as respostas do governo brasileiro
Mauritânia proíbe uso de sacolas plásticas para salvar bois e ovelhas
Trabalho escravo contamina cadeia produtiva do país
Questão indígena: violações, condicionantes…, por Kenarik Boujikian Felippe e Luiz Henrique Eloy Amado
Rendimento familiar e isolamento afetam desenvolvimento escolar, aponta IBGE
Mais de 72 mil candidatos tiraram nota zero na redação do Enem
Entre paulistanos que se alimentam fora de casa, quase 60% apresentaram problemas relacionados ao sobrepeso
Conheça os benefícios da erva cidreira

Portal EcoDebate- Edição 1.748, de 03 / janeiro / 2013


Problemas do setor elétrico, artigo de Heitor Scalambrini Costa
Oito sinais dos tempos e dos lugares, artigo de Gilvander Luís Moreira
A longevidade na visão de um ortopedista, artigo de Juracy Nunes
Lista Brasileira de Resíduos Sólidos é publicada pelo Ibama
Rio São Francisco pode ser extinto, diz biólogo
Sob ameaça de madeireiros e pecuaristas, agricultores tentam criar novo modelo de desenvolvimento na Amazônia
Especial 2012: Agendas ambiental e indígena sofrem retrocessos em 2012
Especial 2012: Matriz energética de costas para o futuro
Especial 2012: Indígenas: estorvo ou nova concepção de mundo?
Especial 2012: O modelo neodesenvolvimentista do governo Dilma
Balanço anual do macro: estamos indo de mal a pior, artigo de Leonardo Boff
Pagamento por serviços ambientais, artigo de Paulo R. Haddad
Caixa suspende novos financiamentos à MRV Engenharia, incluída na lista de trabalho escravo
Cientistas estudam o uso de canabidiol no tratamento de esquizofrenia

Portal EcoDebate- Edição 1.747, de 02 / janeiro / 2013

Decrescimento com prosperidade, artigo de José Eustáquio Diniz Alves
Te cuida, 2013! artigo de Montserrat Martins
Lixo: Responsabilidade Partilhada, por Marçal Rogério Rizzo; Camila Brunassi de Araujo e Gláucia Nakamura Takata
Comércio ilegal de animais silvestres movimenta R$ 39 bilhões em todo mundo
Estudo aponta relação entre variações climáticas e casos de dengue no Rio
A NESA afirma que sim, mas o Sistema de Transposição de Embarcações não funciona em Belo Monte
Multiplicação de conhecimentos proporciona continuidade dos Sistemas Agroflorestais
Professora, parente de casal de extrativistas assassinado no PA em 2011, também é ameaçada
Todos os dias, cerca de 360 crianças e adolescentes são vítimas de violência no país
A cada dia, oito casos de violência contra homossexuais são denunciados ao Disque 100
Mais de um terço dos incluídos na ‘lista suja’ da escravidão são pecuaristas
Inclusões na ‘lista suja’ reforçam relação entre escravidão e crimes ambientais
Nota de Pesar e Repúdio ao Assassinato do Dirigente do MST Mamede Gomes de Oliveira
2013: Próspero Ano Novo para Todos os Seres Vivos, por José Eustáquio Diniz Alves

Manchetes Socioambientais - 2/jan/2013

Belo e preocupante sinal de alerta ambiental
Os pedaços de gelo que despencam do glaciar San Rafael, uma das principais atrações da parte norte da Patagônia chilena, representam, para cientistas, um claro sinal de alerta. No fim de novembro, 20 equipes de pesquisadores dedicados às regiões polares da Terra divulgaram um documento que reúne 40 estudos feitos ao longo de duas décadas sobre o derretimento de calotas e geleiras. Após análises de imagens das agências espaciais da Europa e dos Estados Unidos, a conclusão é preocupante: o nível dos oceanos subiu 11,1 milímetros em 20 anos, valor superior ao esperado para o período. Segundo os cientistas, o Polo Norte tem apresentado derretimento mais acelerado que a Antártida. Na Groenlândia, a perda da cobertura de gelo é cinco vezes mais veloz hoje do que era há 20 anos - OESP, 1/1, Viagem, p.V6.

A guerra do fim do mundo
"Pensemos em 2013 como o ano zero da batalha sobre a mudança climática, na qual ou ganhamos de lavada ou perdemos feio. É terrível dizer isso, mas não tão terrível quanto os vídeos mostrando glaciares desaparecendo, a capa de gelo da Groenlândia derretendo, os mapas do futuro da Europa no qual estar no sul do continente durante o calor será catastrófico, sem falar das zonas equatoriais. A luta de classes do século 21 está invadindo o mundo natural. Veremos então com clareza como a grande batalha ambiental do nosso tempo se refere ao dinheiro, quem se beneficia com a destruição do ambiente (bem poucos) e quem perde (todos os outros daqui para a frente e quase todos os seres vivos). O furacão Sandy e a seca que destruiu as safras na região atravessada pelo Mississippi, que afetou mais de 60% deste país, deixaram claro que a mudança climática está aqui e agora". artigo de Rebecca Solnit - OESP, 30/12, Aliás, p.J10.


Povos Indígenas

Mesmo regularizadas, terras indígenas motivam conflitos
A saída dos não índios da Terra Indígena Marãiwatsédé, em Mato Grosso, não significa fim dos problemas para os índios xavantes. Das 20 terras indígenas mais desmatadas em 2011, 15 estavam totalmente regularizadas e, mesmo assim, enfrentavam conflitos, principalmente invasão para extração ilegal de madeira. Marãiwatsédé foi a terra indígena mais desmatada em 2011, seguida pela TI Cachoeira Seca do Iriri, no Pará. De acordo com dados da Funai, das 689 terras indígenas cadastradas, apenas 61% estão com o procedimento administrativo de regularização fundiária concluído, com registro na Secretaria do Patrimônio da União - ou seja, 422 delas. Mesmos nas terras já regularizadas, há problemas, com 20% ocupados por não índios. Ações judiciais postergam a saída de posseiros, e são constantes as invasões das TI por madeireiros e garimpeiros, deixando os índios à mercê de conflitos fundiários - O Globo, 29/12, País.

Forças federais ocupam entrada de terra indígena
As forças federais que trabalham na retirada de não índios da Terra Indígena Marãiwatsédé conseguiram ocupar o distrito de Posto da Mata, no Mato Grosso. A estratégia era ocupar o local num momento em que poucas pessoas estivessem presentes para evitar confrontos. Posto da Mata é a principal entrada para a TI Marãiwatsédé, onde estão localizadas pelo menos 12 das grandes fazendas e posses de tamanho médio de políticos locais. Na última sexta-feira, um caminhão da Funasa, que transportava sete toneladas de alimentos para comunidades indígenas do Mato Grosso, foi saqueado, e seus dois ocupantes foram vítimas de cárcere privado e tortura. Eles foram levados por um fazendeiro até Porto Alegre do Norte, onde foram liberados, disse Paulo Maldos, da Secretaria Nacional de Articulação Nacional - O Globo, 31/12, País, p.4.

Testemunha indígena
"Quando cheguei a Manaus, encontrei o sertanista Gilberto Pinto Figueiredo Costa, ele tinha uns 30 anos. Éramos subordinados aos generais. Nosso contato com os índios waimiri-atroari era para montar postos de defesa. Eles não queriam fazer amizade. Em outubro de 1968, os militares contrataram o padre italiano Giovanni Calleri com a missão de amansar os waimiri-atroari para abrir a picada da estrada BR-174. O padre chegou à aldeia atirando de fuzil. Quando retornei a Manaus, em 1987, encontrei 375 índios na reserva [antes havia 1.500]. Eles disseram que houve ataques dos soldados. Prefiro que a Comissão apure, sem fazer alarde, e identifique como foram os métodos das mortes dos waimiri-atroari", disse o indigenista José Porfírio Fontenele de Carvalho, que vai falar à Comissão da Verdade sobre as mortes de índios no período da ditadura militar - FSP, 30/12, Poder, p.A14.


Política Ambiental

Pagamento por serviços ambientais
"A elaboração e a implementação de sistemas de pagamentos por serviços ambientais passam por diferentes fases ou etapas e há muitas lições a serem aprendidas a partir de um número crescente e diversificado de experiências internacionais. Sem dúvida, um dos desafios mais complexos é a avaliação econômica dos serviços ambientais, uma vez que ainda não há luzes que possam vir do sistema de contas nacionais do País. De qualquer forma, é preciso intensificar a mobilização política para a criação de um sistema de pagamentos por serviços ambientais no Brasil a fim de melhor preservar, conservar e restaurar os nossos ativos ambientais. Basta lembrar que os ciclos dos recursos naturais e os ciclos de nossa vida constituem o mesmo conjunto para os viventes e para os que vão nascer", artigo de Paulo R. Haddad - OESP, 2/1, Economia, p.B2.

Ambientalismo republicano
"Confesso que, até há bem pouco tempo, eu tinha receio de entrar no Ministério do Meio Ambiente. Mais do que não ser convidada, eu temia uma agressão física dos radicais que agora perderam espaço para o ambientalismo republicano. O ministério era uma extensão de ativistas radicais originários de diversas ONGs, todas comprometidas com o acirramento da irracional disputa entre ambientalismo e produção. Mas, para meu espanto, foi no Ministério do Meio Ambiente que realizamos uma reunião histórica em meados de novembro. Técnicos do governo sentaram-se para ouvir a CNA a convite da ministra, que queria saber o que pensam e querem os produtores rurais para o futuro. Hoje, já há o reconhecimento de que produção agrícola e preservação caminham juntas. A sociedade que deseja a estabilidade da produção de alimentos também cobra cuidado com o ambiente", artigo de Kátia Abreu - FSP, 29/12, Mercado, p.A17.

A desregulamentação ambiental
"Nos últimos anos o Brasil vem caminhando na direção da desregulamentação ambiental. E as conquistas que davam o rumo de uma economia social e ambientalmente sustentável invertem-se na contramão da História. A desregulamentação ambiental é um arriscado atalho para a aceleração do crescimento - que se tornou uma obsessão nacional. Mas esse caminho não tem sido uma opção apenas de governos e parlamentos. Ela espelha, acima de tudo, um comportamento apático e inerte da sociedade brasileira, que parece estar entorpecida com as benesses imediatas do capital, independentemente do que isso possa representar para as futuras gerações", artigo de Rogerio Rocco - O Globo, 1/1, Opinião, p.15.


Amazônia

Obra do PAC causa conflito na Amazônia
A construção de uma linha de transmissão de energia de 1.800 km, ligando o sudeste do Pará a Macapá e a Manaus, se tornou um foco de conflito com moradores. Obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o linhão do governo federal passa por unidades de conservação e, segundo moradores, tem provocado desmatamento e poluição. Também atravessa terras de agricultores, que reivindicam indenização justa. A objetivo da linha de transmissão de R$ 3,4 bilhões é baratear o custo da energia e integrar Amazonas, Amapá e oeste do Pará ao Sistema Interligado Nacional, que coordena a geração pelo país. A construção começou em dezembro de 2010. Os conflitos podem atrasar sua conclusão, prevista para maio. O Ministério de Minas e Energia afirma que a obra do linhão Tucuruí-Macapá-Manaus foi projetada para ter o "mínimo impacto ambiental" - FSP, 30/12, Poder, p.A12 e A13.

'A maior prova de que sou ameaçada é a morte de minha irmã e meu cunhado'
Citada no último relatório da Anistia Internacional sobre a situação dos defensores de direitos humanos na América Latina, a professora Laísa Santos Sampaio, ameaçada de morte por defender a Floresta Amazônica, ainda não conseguiu proteção do governo. Enquanto aguarda em Nova Ipixuna (PA), teme ter o mesmo destino de sua irmã e de seu cunhado, assassinados por causa de disputas de terra na região. Os extrativistas Maria do Espírito Santo e José Cláudio Ribeiro foram mortos em 2011, nessa mesma cidade. Laísa tem seu caso reavaliado pelo Programa de Proteção de Defensores de Direitos Humanos, do governo federal - em uma análise preliminar, a proteção foi negada. Além da menção no relatório da Anistia Internacional, corre na internet uma petição pública para que ela receba proteção imediata. Dos cinco suspeitos da morte do casal, dois continuam soltos - OESP, 30/12, Vida, p.A16.


Transposição do Rio São Francisco

Governo desembolsa 18% do previsto no ano e obra de transposição avança pouco
O ritmo lento das obras da transposição do Rio São Francisco reflete as dificuldades que o governo vem enfrentando para levar adiante os investimentos na área de infraestrutura no País. Até 20 de dezembro, só 18% do Orçamento disponibilizado para 2012 havia sido desembolsado pelo Ministério da Integração Nacional. A execução se restringiu, basicamente, a restos a pagar dos anos anteriores. Com isso, o cronograma da megaobra de Dilma começou a ser afetado. Uma nova licitação foi lançada no final do ano e pode levar para 2014 a inauguração do trecho piloto da obra, antes previsto para entrar em funcionamento em dezembro. O governo, apesar disso, mantém para 2015 a previsão de conclusão total da obra - que é a maior do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Nordeste - OESP, 31/12, Nacional, p.A4.

Obra do 'Velho Chico' retalha propriedades
As obras estão atrasadas e paradas em vários trechos, mas sertanejos que tiveram propriedades cortadas pelos canais da transposição do rio São Francisco querem saber como chegarão ao outro lado de suas terras quando a água começar a correr. A preocupação dos moradores é que eles sejam obrigados a andar quilômetros na caatinga para chegar à parte isolada de suas propriedades. O clima é de apreensão, pois a maioria não tem carro e carrega nos braços ou em carroças a lenha para os seus fogões e a vegetação nativa usada como ração. Iniciada em 2007, com previsão de conclusão para 2012, a transposição de parte das águas do rio São Francisco está com 43% das obras concluídas. Vários trechos estão abandonados - FSP, 1/1, Poder, p.A5.


Geral

STF mantém agenda de temas polêmicos em 2013
Os processos sobre a legalidade da demarcação de áreas quilombolas pela União e a proibição do uso do amianto poderão ser concluídos pelo STF neste ano. A corte decidiu que essas causas têm repercussão geral. Significa que as decisões tomadas nesses processos servirão de base para definição de milhares de outros casos semelhantes pelo país. O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, já anunciou que o julgamento das ações judiciais com repercussão geral é a "prioridade número um" da corte em 2013 - FSP, 1/1, Poder, p.A4.

Minério de ferro ganha mais relevância nos planos de mineradoras e siderúrgicas
O minério de ferro deve ganhar no próximo ano uma importância ainda maior nos investimentos tanto de mineradoras quanto de siderúrgicas brasileiras. Com seus mercados ainda tentando se recuperar, as empresas decidiram focar seus investimentos em segmentos mais rentáveis - e o minério de ferro, apesar da queda recente nos preços, ainda tem uma margem de lucro muito positiva. Conhecida por investimentos bilionários e diversificados, a Vale já informou que fará aportes menores daqui para a frente e que dará foco total para o minério de ferro. No início de dezembro, quando apresentou seu programa de investimentos, a empresa afirmou que o projeto Serra Sul, o S11D, em Carajás, receberá atenção total da companhia. A expectativa é de que esse projeto ajude a Vale a reduzir seus custos e, ao mesmo tempo, amplie a qualidade do minério - OESP, 29/12, Negócios, p.B9.

Setor de energia tem 'vistoria-surpresa'
As empresas do setor elétrico passam por "vistorias-surpresas" para avaliar o funcionamento dos sistemas e a manutenção dos equipamentos. A ordem é da presidente Dilma, que pretende limitar ao máximo as chances de um novo apagão no país. A orientação do Planalto foi dada ao Ministério de Minas e Energia, responsável por coordenar as vistorias. Desde setembro, quando Dilma anunciou que haveria um corte médio de 20% nas tarifas de energia aos consumidores a partir deste ano, ocorreram seis blecautes de grandes proporções em diversos Estados brasileiros. A operação pente-fino teve início depois que a região Nordeste ficou sem energia pela segunda vez em 2012, há cerca de um mês. As análises começaram a ser feitas nas empresas de transmissão de energia. As geradoras entrarão em uma segunda etapa das vistorias - FSP, 2/1, Mercado, p.A10.

Gargalo ambiental no Rodoanel
"O cumprimento do cronograma das obras do Trecho Leste do Rodoanel Mário Covas está ameaçado pela lentidão do processo de licenciamento ambiental. Representantes do consórcio SPMar, responsável pela construção, asseguram que, se até o início de janeiro as licenças para dois lotes das pistas não forem concedidas, máquinas serão paralisadas e haverá dispensa de operários. Os prejuízos provocados pela demora vão além das demissões e do custo das horas de máquinas paradas. Somam-se a eles o impacto negativo no transporte de carga de todo o País, que conta com a entrega desses 44 quilômetros de pistas prometidos para o primeiro trimestre de 2014. Se o governador Geraldo Alckmin deseja mesmo acelerar, como tem dito, as obras do Trecho Norte e a construção do Ferroanel, deve se esforçar para melhorar o emperrado sistema de licenciamento ambiental", editorial - OESP, 29/12, Notas e Informações, p.A3.
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FONTE : Manchetes Socioambientais, Boletim de 2/janeiro/2013.

Manchetes Socioambientais - 3/janeiro/2013


Reservatórios do Nordeste caem abaixo do nível crítico e acendem sinal de alerta
Os reservatórios do Nordeste terminaram o ano de 2012 abaixo do limite de segurança para o abastecimento do mercado. De acordo com relatórios do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a capacidade de armazenamento das usinas da região fechou o mês de dezembro em 32,2%. O limite mínimo estabelecido era de 34%. No sistema Sudeste/Centro-Oeste, a situação não é muito diferente. As hidrelétricas encerraram o ano com uma reserva média de água de 28,8% - apenas 0,8 ponto porcentual acima da curva de aversão ao risco. O nível de armazenamento é semelhante ao de 2000 (28,52%), antes de o governo federal ser obrigado a decretar o racionamento de 2001. Desde o final de outubro, todas as térmicas existentes no País (sejam a óleo combustível, diesel, carvão ou gás) estão em operação - OESP, 3/1, Economia, p.B1.

Governo quer fiscalização mais rígida nas empresas de energia
O governo vai rever procedimentos e aprimorar a fiscalização das subestações do sistema de transmissão de energia elétrica para evitar que apagões como os que atingiram o País nos últimos quatro meses do ano voltem a ocorrer. As mudanças, resultado da operação pente-fino, vão deixar mais claras as responsabilidades das empresas e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), cobrar relatórios mais objetivos, resolver problemas de comunicação entre os sistemas das companhias e exigir equipes 24 horas por dia nas subestações mais importantes. "Verificar da forma como fazíamos não impediu que houvesse um problema no sistema. Então, vamos incluir determinadas rotinas no processo de fiscalização", afirmou o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner - OESP, 3/1, Economia, p.B1.


Geral

Metano diminui vantagem de gás natural
A comunidade científica americana acendeu novamente o alarme contra as emissões de metano registradas em campos de petróleo e gás. O tema volta à pauta em meio às discussões sobre os benefícios ambientais (menos emissões de gases-estufa) trazidos pelo aumento da produção de gás natural. Os pesquisadores, em colaboração com a Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA (Noaa) e a Universidade do Colorado, manifestaram primeiramente sua preocupação em fevereiro do ano passado, com um estudo destacando que 4% do metano produzindo em um campo próximo a Denver, capital do estado do Colorado, escapava para a atmosfera. Se o metano estiver vazando em taxas semelhantes em campos semelhantes no resto do país, o dano ambiental neutralizaria as conquistas obtidas no combate às mudanças climáticas trazidas pelo abandono crescente do uso de carvão para a geração de eletricidade - O Globo, 3/1, Ciência, p.27.

Rio cobra taxa para visita em áreas de conservação
A Secretaria do Ambiente (SEA) do Rio de Janeiro se prepara para restringir e cobrar pelo acesso a algumas localidades turísticas do Estado. Lei publicada na semana passada no Diário Oficial traz as regras criadas para limitar a circulação de pessoas em áreas de conservação. As primeiras a adotarem o sistema serão o recém-criado Parque Estadual da Pedra Selada e a Estrada Parque Visconde de Mauá, na região do Vale do Paraíba. "O limite e o pagamento não são somente para o parque, mas para uma região. Mesmo quem não entrar no Parque da Pedra Selada vai ter restrição para usar a estrada-parque", afirmou o secretário Carlos Minc. A justificativa é prevenir impactos ambientais negativos da visitação desordenada. Há planos para restringir o acesso à Ilha Grande, à estrada Paraty-Cunha, que leva ao Parque Nacional da Serra da Bocaina, e ao Parque do Desengano, no norte - OESP, 3/1, Vida, p.A11.

Quilombolas fazem protesto contra Marinha ao lado de retiro de Dilma
Moradores da Comunidade Quilombola de Rio dos Macacos, que fica ao lado da Base Naval de Aratu, em Salvador, aproveitaram a presença da presidente Dilma Rousseff nas instalações da Marinha para protestar, ontem cedo, contra atos de violência que dizem estar sofrendo por parte dos moradores da base. O grupo se reuniu na Praia de São Tomé de Paripe, ao lado do muro que separa o local da Praia de Inema - à qual só têm acesso os militares. A Comunidade de Rio dos Macacos é alvo de disputas entre os moradores e os militares desde a década de 1960, quando a Prefeitura de Salvador fez a doação da área da base para a Marinha - OESP, 3/1, Nacional, p.A6; FSP, 3/1, Poder, p.A7.

Caixa volta a suspender crédito para MRV
Pela segunda vez em seis meses, a construtora MRV tem suspensos financiamentos concedidos pela Caixa por entrar na lista do Ministério do Trabalho de empregadores que contratam em condições análogas à escravidão. O principal foco da MRV são os imóveis de perfil econômico, cobertos pelo programa habitacional do governo Minha Casa, Minha Vida. De acordo com a Caixa, não serão avaliados novos empreendimentos da construtora até que a companhia saia do cadastro do ministério. Os contratos já em vigor continuam valendo. É possível ainda que o Banco do Brasil, também público, suspenda os financiamentos, embora não forneça detalhes sobre o assunto - FSP, 3/1, Mercado, p.B2; OESP, 3/1, Negócios, p.B9; O Globo, 3/1, Economia, p.24.

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FONTE : Manchetes Socioambientais - Boletim de 3/janeiro/2013.