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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Justiça define prazo para que empresas Chevron Brasil, Upstream Frade e Transocean Brasil suspendam atividades


vazamento de óleo

A Quinta Turma Especializada do Tribunal Regional Federal, da 2ª Região (TRF2), em decisão proferida ontem (31), estabeleceu o prazo de 30 dias para que as empresas Chevron Brasil Upstream Frade e Transocean Brasil suspendam suas atividades de extração e transporte de petróleo no Brasil. O colegiado do TRF2 atendeu pedido de liminar do Ministério Público Federal (MPF), feito em agravo de instrumento.
Em abril, o relator do processo no tribunal havia negado o seguimento do agravo, por meio de decisão monocrática. A concessão da liminar ocorre na apreciação do mérito de um agravo interno (uma espécie de pedido de reconsideração) apresentado pelo MPF à Quinta Turma Especializada.
O MPF ajuizou ação civil pública na Justiça Federal do Rio de Janeiro, requerendo a imediata interrupção de todas as atividades de extração e transporte petrolífero das duas empresas. O descumprimento da ordem gerará multa diária de R$ 500 milhões. A primeira instância negara a liminar e, por conta disso, o MPF apresentou o agravo no TRF2.
A Chevron e a Transocean são acusadas de ter causado derramamentos de óleo cru no Campo de Frade, na Bacia de Campos, litoral norte fluminense, em novembro de 2011 e março de 2012. Segundo a denúncia do MPF, o dano ambiental ocorreu em razão de operações de perfuração mal executadas.
Em seu voto, o juiz federal convocado, Ricardo Perlingeiro, rebateu o argumento de que, decidindo sobre a questão, o Judiciário estaria interferindo indevidamente em competência da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Para o magistrado, a Justiça deve atuar quando as medidas da administração pública “ultrapassarem os limites autorizados por lei, desviarem-se de sua finalidade, ou ofenderem direitos fundamentais ou princípios, como os da igualdade, segurança jurídica, confiança legítima, proporcionalidade e razoabilidade”.
Ricardo Perlingeiro chamou atenção para o fato da ocorrência de dois acidentes ambientais com o intervalo de apenas quatro meses. Para ele, isso, aliado à ausência de equipamentos necessários para identificar a origem dos vazamentos e para contê-los, demonstra que as empresas não têm condições, no momento, de operar os poços com segurança ambiental.

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FONTE : reportagem de Douglas Corrêa, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 01/08/2012

Uso de energia solar e eólica pode ter incentivo fiscal


energia eólica

O deputado Leonardo Gadelha (PSC-PB) apresentou o Projeto de Lei 3097/12, que permite deduzir, da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), as despesas com aquisição de bens e serviços destinados à geração de eletricidade a partir de fontes renováveis, como a solar e a eólica.
O projeto beneficia pessoas jurídicas e físicas, e abrange instalações com capacidade instalada de até mil quilowatts. No caso da pessoa jurídica, é permitida a dedução até o limite de 5% do lucro operacional. Para a pessoa física, o limite fixado é de 5% da renda bruta.
Leonardo Gadelha esclarece que sua proposta é similar a projeto da autoria do ex-deputado Marcondes Gadelha (PB), arquivado no início da legislatura.
Aquecimento global
O objetivo do projeto, segundo Gadelha, é incentivar o uso da energia solar e eólica, “especialmente neste momento em que vivemos sob a ameaça de aquecimento global, causado pela excessiva utilização dos combustíveis fósseis, e tendo em vista as dificuldades no licenciamento de grandes hidrelétricas”.
O deputado acentua que as ações relativas a energias limpas vêm crescendo em todo o mundo, ao ponto de a Alemanha estar estudando trocar todas as suas usinas nucleares por outros tipos de instalações geradoras de energia menos poluentes.
“O objetivo maior é facilitar a utilização das energias eólica e solar, contribuindo para que tenhamos um meio ambiente mais limpo e equilibrado, reduzindo o número das usinas termoelétricas, que usam combustíveis fósseis: é primordial evitar o lançamento de gases geradores do aquecimento global na atmosfera”, afirma o deputado.
Tramitação
O projeto tramita em conjunto com o PL 2562/11, que propõe incentivos fiscais para a utilização da energia solar em residências e empreendimentos. Os projetos, que alteram a lei 10.925/04, serão votados pelas comissões de Minas e Energia; de Finanças e Tributação (inclusive no mérito); e de Constituição e Justiça e de Cidadania de forma conclusiva.
Íntegra da proposta: PL-3097/2012

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FONTE : Reportagem – Luiz Claudio Pinheiro
Edição – Regina Céli Assumpção
Matéria da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 01/08/2012

Temporais se tornam mais frequentes e chuva aumenta 30% em São Paulo em 80 anos



Entre 1933 e 2010, o total anual de chuvas aumentou 425 mm na região metropolitana, segundo dados da USP
A terra da garoa virou a megalópole da tempestade. Em cerca de 80 anos, a quantidade de chuva anual que cai na Região Metropolitana de São Paulo, onde um em cada 10 brasileiros vive numa área equivalente a quase 1% do território nacional, aumentou 425 milímetros (mm), metade do que chove em boa parte do semiárido brasileiro. Saltou de uma média anual de quase 1.200 mm na década de 1930 para algo em torno dos 1.600 nos anos 2000. Fazendo uma soma linear, é como se todo ano tivesse chovido 5,5 mm a mais do que nos 12 meses anteriores. A pluviosidade não apenas se intensificou como alterou seu padrão de ocorrência. Não está simplesmente chovendo um pouco mais a cada dia, um efeito que seria pouco perceptível na prática e incapaz de ocasionar alagamentos constantes na região. A quantidade de dias com chuva forte ou moderada cresceu, provocando inclusive tempestades no inverno, época normalmente seca. Em contrapartida, o número de dias com chuva fraca, menor do que 5 mm, diminuiu.
Um regime de extremos, pendular, passou a dominar o ciclo das águas na região metropolitana: quando chove, em geral é muito; mas, entre os dias de grande umidade, pode haver longos períodos de seca. A Grande São Paulo parece caminhar para o pior dos dois mundos, alternando períodos intensos de excesso e de falta de chuva ao longo do ano. “A urbanização e o chamado efeito ilha de calor, além da poluição atmosférica, parecem ter um papel importante na alteração do padrão de pluviosidade em São Paulo, em especial nas estações já normalmente mais úmidas, como primavera e verão”, afirma Maria Assunção da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), autora de um estudo ainda inédito sobre o tema. “Nos meses mais secos, a influência das mudanças globais do clima é responsável por 85% da dinâmica envolvida no aumento de chuvas extremas.” Embora com menos nitidez, a mesma tendência de elevação no número de dias com chuva intensa foi detectada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
O novo padrão pluviométrico em São Paulo não é como uma frente fria passageira. Veio para ficar, segundo modelagens feitas pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CCST-Inpe). As projeções sugerem que a situação atual é uma espécie de prólogo do enredo futuro. Elas sinalizam que deverá ocorrer até o final deste século um aumento no número de dias com chuvas superiores a 10, 20, 30 e 50 mm, ou seja, praticamente em todas as faixas significativas de pluviosidade. Haverá apenas uma diminuição na quantidade de dias com chuvas muito fracas e possivelmente um aumento no número de dias secos. “A sazonalidade das chuvas também deverá mudar”, afirma José Marengo, chefe do CCST, coordenador de um trabalho ainda não publicado sobre as projeções de chuva na região metropolitana. “A quantidade de tempestades fora da época normalmente mais úmida deverá crescer, um tipo de situação que pega a população de surpresa.” As simulações levam em conta apenas os possíveis efeitos sobre o regime pluviométrico da região metropolitana causados pelas chamadas mudanças climáticas globais, sobretudo o aumento nas concentrações dos gases de efeito estufa, que esquentam a temperatura do ar. O peso que a urbanização e a poluição atmosférica podem ter sobre as chuvas da Grande São Paulo não é considerado nas projeções.

Verde escasso na metrópole de concreto e asfalto: se 25% do território da Grande São Paulo fosse coberto por árvores, a temperatura média cairia até 2,5ºC
Uma das grandes dificuldades de fazer grandes estudos, capazes de revelar flutuações climáticas do passado e servir de baliza para projeções futuras, é a ausência de séries históricas longas e confiáveis, com informações diárias sobre a incidência de chuvas. Sem elas, não é possível fazer uma análise estatística robusta e ter uma visão clara sobre quanto chovia e como se distribuía a pluviosidade ao longo dos anos e das estações climáticas (primavera, verão, outono e inverno). Os especialistas são unânimes em apontar essa deficiência no Brasil. A série com dados de melhor qualidade sobre chuvas num ponto do território nacional é a fornecida pela estação meteorológica do IAG, que fica no Parque do Estado, no bairro da Água Funda, zona Sul da cidade de São Paulo. Os registros se iniciaram em 1933, quando a unidade foi inaugurada, e prosseguem até hoje.
Outro fator reveste os dados fornecidos pela estação meteorológica do IAG de um caráter único. Os registros foram obtidos dentro de uma grande área verde da cidade de São Paulo que não mudou radicalmente seu perfil ao longo de quase oito décadas – uma raridade numa megalópole que não possui muitos parques e jardins. Em outras palavras, embora a cidade tenha sofrido um forte processo de urbanização e de impermeabilização do solo no século passado, as condições naturais nos arredores da estação do Parque do Estado não se alteraram radicalmente. Dessa forma, faz sentido comparar os dados do presente com os do passado, visto que o ambiente local é mais ou menos o mesmo. “Na zona Norte de São Paulo, no Mirante de Santana, existe uma estação meteorológica com medições desde os anos 1950”, afirma Pedro Leite da Silva Dias, pesquisador do IAG-USP e diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), no Rio de Janeiro, também autor do estudo sobre a evolução das chuvas na região metropolitana. “Mas lá só havia matas algumas décadas atrás e hoje tem prédio do lado da estação.”
Devido à riqueza de dados fornecidos pela estação do IAG no Parque do Estado, Assunção e seus colaboradores puderam enxergar detalhes e tendências mais sutis no regime das chuvas ao longo das últimas oito décadas. Entre 1935 e 1944 choveu, em média, mais do que 40 mm em cerca de 30 dias, com grande concentração de pluviosidade nos meses de verão e, em menor escala, na primavera e no outono. Durante o período não houve registros de episódios de pluviosidade dessa intensidade nos meses de inverno. A situação começou a mudar a partir de meados dos anos 1940. Desde então, em todas as décadas ocorreu, em média, ao menos uma chuva desse porte no inverno. Entre 2000 e 2009, o número total de jornadas com tempestades acima de 40 mm esteve na casa de 70 eventos. Uma tendência similar se repete quando se analisa década a década a ocorrência de chuvas diárias acima de 60 e de 80 mm.
De forma geral, dois fatores principais podem estar relacionados com a alteração no regime de chuvas na região metropolitana: as mudanças climáticas globais, um fenômeno de grande escala, e o efeito ilha de calor, de caráter localizado e típico das megacidades. Os dois atuam em conjunto. Um potencializa os efeitos do outro e, em geral, é difícil traçar uma linha divisória entre ambos. Segundo Marengo, a maioria dos modelos climáticos indica que haverá um aumento na quantidade de chuva desde a bacia do Prata até o Sudeste do Brasil nas próximas décadas. Dentro dessa moldura mais ampla, surge a questão específica do clima nas grandes cidades, em especial do efeito ilha de calor, que, ao tornar mais quentes as áreas extremamente urbanizadas, também funciona como um ímã de chuvas.
Brisa marinha mais úmida
A temperatura superficial do oceano Atlântico no litoral paulista aumentou cerca de um grau entre os anos de 1950 e 2010. Passou de 21,5°C para 22,5°C. Pode parecer pouco, mas uma das consequências desse aquecimento é aumentar a taxa de evaporação da água do oceano, combustível que torna a brisa marinha ainda mais carregada de umidade. Esse processo tem repercussões sobre o clima acima da serra do Mar, no planalto onde fica a região metropolitana.
Por que boa parte das chuvas na Grande São Paulo ocorre entre o meio e o final da tarde, depois das 15 ou 16 horas? Essa é a hora em que a brisa marinha, quente e úmida, vinda da Baixada Santista, termina de subir a serra e atinge a megalópole. “A zona Sudeste é geralmente o primeiro lugar da capital que sente os efeitos da brisa”, comenta Maria Assunção. A estrutura interna das cidades, com muitos prédios altos, altera a direção dos ventos e pode até provocar a ascensão da brisa marinha em certoss pontos da região metropolitana e favorecer localmente a formação de nuvens de chuvas. A poluição urbana, sobretudo os aerossóis, pode tanto favorecer como inibir a ocorrência de tempestades sobre as cidades, dependendo de sua quantidade.
Estudos feitos nos Estados Unidos na década de 1990 sugerem que parte do aumento de pluviosidade em algumas regiões metropolitanas, como na de Saint Louis, se deve à sua crescente urbanização. Nessa área do estado de Missouri, onde vivem cerca de 2,9 milhões de pessoas, as chuvas aumentaram entre 5% e 25% nas últimas décadas. Um estudo do ano passado, conduzido em grandes cidades da Índia, conclui que as alterações no regime pluviométrico dessas concentrações urbanas derivam mais das flutuações naturais do clima do que de fenômenos locais.
Estratégias de mitigação
No caso da Região Metropolitana de São Paulo, o trabalho da USP encontrou uma forte correlação entre seu processo de urbanização e as alterações no regime das chuvas. Os episódios de chuvas extremas, acima de 40 mm, se acentuam à medida que a população de São Paulo e de suas cidades vizinhas cresce e os territórios desses municípios viram praticamente uma única mancha de ocupação contínua, com pouco verde, muito asfalto e repleta de fontes de poluição e calor. De 1940 a 2010, a população da região metropolitana aumentou 10 vezes, de 2 para 20 milhões de habitantes. A mancha urbana cresceu 12 vezes entre 1930 e 2002, de 200 para 2.400 quilômetros quadrados. A temperatura média anual de São Paulo subiu 3°C entre 1933 e 2009, de acordo com os registros da estação do IAG no Parque do Estado e o total de chuvas aumentou em um terço. “Antes estudávamos esse processo de forma teórica”, afirma Pedro Leite da Silva Dias. “Agora temos mais dados, inclusive de fontes digitais.”
Mitigar o efeito ilha de calor pode ser uma forma de reduzir os episódios de chuvas extremas nos centros urbanos. O físico Edmilson Dias de Freitas, do IAG-USP, tem testado algumas medidas em simulações computacionais para ter uma ideia de seu impacto sobre o clima da Região Metropolitana de São Paulo. Pintar de branco as superfícies das casas e prédios não seria um procedimento eficaz. “A poluição e os eventos meteorológicos escurecem o branco rapidamente em São Paulo”, diz Freitas. “Não há como manter isso.” A medida mais eficaz seria aumentar a cobertura vegetal da cidade. Segundo as simulações, se 25% da área da região metropolitana fosse tomada por árvores, a temperatura média poderia ser reduzida entre 1,5°C e 2,5°C. Um clima mais ameno reduziria o efeito ilha de calor e talvez não atraísse tanta chuva para a região. Hoje as áreas verdes não representam nem 10% da Grande São Paulo.
Por tabela, se houvesse mais parques e menos áreas impermeabilizadas na maior metrópole brasileira, o efeito mais perverso das tempestades também seria minimizado: as chuvas intensas produziriam menos enchentes e alagamentos. O solo exposto absorve mais as águas que caem sobre ele. “São Paulo fere um princípio básico de drenagem: a água da chuva tem de se infiltrar no solo onde ela cai”, diz a engenheira civil Denise Duarte, professsora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, que colabora com colegas do IAG. “Aqui, com boa parte da cidade impermeabilizada, a água é simplesmente escoada.” A chuva de um lugar é transferida para outro, em geral os situados em pontos baixos da mancha urbana.
Os Projetos
1 Narrowing the Uncertainties on Aerosol and Climate Changes in São Paulo State – Nuance-SPS – n° 08/58104-8
2 Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option – n° 08/58161-1
Modalidade
1 e 2 Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais – Projeto Temático
Coordenadores
1 Maria de Fátima Andrade – IAG-USP
2 José Marengo – Inpe
Investimento
1 R$ 570.084,46
US$ 2.654.199,16
2 R$ 1.264.027,66
O valor atual de aproximadamente 1.600 mm anuais de chuva registrado na estação do IAG funciona como uma referência genérica ao regime pluviométrico vigente na região metropolitana. Numa área que hoje se estende por 8 mil quilômetros quadrados e engloba os territórios de 39 municípios, a quantidade de chuva realmente medida ano a ano em cada estação meteorológica pode variar bastante. Um trabalho do CCST traça uma espécie de distribuição geográfica da pluviosidade na Grande São Paulo a partir de séries históricas, com o total diário de chuva, fornecidas por 94 estações meteorológicas do Departamento de Águas e Energia (DAEE) do Estado de São Paulo e da Agência Nacional de Águas (ANA). Dados de um período de 25 anos, entre 1973 e 1997, foram utilizados no trabalho.
Nas zonas mais úmidas, em geral pontuadas por serras e montanhas, a pluviosidade anual pode chegar a 2.400 mm, quantidade de chuva parecida com a da floresta amazônica. Esse é caso da porção da Grande São Paulo cortada pela serra do Mar, que pega o trecho sul da capital paulista e parte de cidades como São Bernardo do Campo e Rio Grande da Serra, e também de trechos de Santana do Parnaíba e Cajamar, no oeste da região metropolitana. Nas áreas menos úmidas, como uma grande parte de Mogi das Cruzes, o índice de chuvas pode ficar na casa dos 1.300 mm por ano. Entre esses dois extremos há vários níveis intermediários de pluviosidade.
“Essa diferença de níveis de chuvas se mantém ao longo do ano e em todas as estações climáticas”, diz Guillermo Obregón, do CCST, principal autor do estudo sobre a distribuição geográfica da chuva na região metropolitana. “Nos locais mais úmidos predominam as chuvas orográficas ou de relevo.” Esse mecanismo faz as massas de ar quente e úmido subirem ao se chocar com elevações topográficas, condensarem-se e gerarem precipitações frequentes. Seja por seus prédios e asfalto, seja por suas áreas montanhosas, a Grande São Paulo parece estar no caminho das chuvas.
Artigos científicos
1 SILVA DIAS, M.A.F. et al. Changes in extreme daily rainfall for São Paulo, Brazil. Climatic Change. no prelo. 2012.
2 MARENGO, J. A. et al. The climate in future: projections of changes in rainfall extremes for the Metropolitan Area of São Paulo (Masp). Climate Research. no prelo. 2012

Mais águas na Guanabara
As chuvas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a segunda maior do país com 12,5 milhões de habitantes, parecem exibir tendências semelhantes às de São Paulo. Embora a capital fluminense não disponha de uma série histórica sobre pluviosidade tão longa e confiável como a do IAG-USP, duas estações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) instaladas no Rio de Janeiro fornecem dados de qualidade razoável sobre ao menos quatro décadas de chuva.
De acordo com os registros obtidos entre 1967 e 2007 pela estação mantida no Alto da Boa Vista, a quantidade de água despejada sobre esse bairro da zona Norte da capital fluminense nos dias de forte tempestade elevou-se, em média, 11,7 mm ao ano. A estação fica no Parque Nacional da Tijuca, uma das maiores florestas urbanas do planeta. “Houve uma tendência de aumento da pluviosidade total na região metropolitana e as áreas de floresta, como o Alto da Boa Vista, se tornaram mais úmidas”, afirma a meteorologista Claudine Dereczynski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), principal autora do estudo, ainda não publicado.
A outra estação do Inmet se situa em Santa Cruz, bairro com menos áreas verdes da zona Oeste. Nessa região, os sinais de intensificação das chuvas foram discretos, segundo as informações coletadas entre 1964 e 2009, e não foram considerados estatisticamente significativos. “No Rio, os dados climáticos das últimas décadas sinalizam mais claramente um aumento na temperatura local e de forma mais fraca uma elevação da quantidade de chuvas”, diz Claudine. Simulações feitas por pesquisadores do Inpe e da UFRJ projetam para as próximas décadas um aumento na intensidade e na frequência tanto dos dias de chuva intensa como dos de seca. A pluviosidade apresenta tendência a se tornar mais mal distribuída ao longo do ano e a se concentrar fortemente em alguns dias.

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FONTE : atéria de Marcos Pivetta, na Edição 195 da Revista FAPESP, publicada pelo EcoDebate, 01/08/2012

Pagar para conservar florestas reduziria a extinção de plantas e animais

Investir na redução das emissões causadas pelo desmatamento evitaria o desaparecimento de mais de três quartos das espécies, segundo estudo

Mudanças na cobertura florestal. De cima para baixo: ano 2000, cenário previsto para 2040, para 2070 e 2100
Conceder pagamentos a quem preserva intactas as florestas de todo o planeta realmente evitaria a extinção de plantas e animais? Segundo levantamento mais detalhado já feito sobre o assunto, publicado neste domingo (5) na Nature Climate Change, é provável que a medida impeça que uma em cada quatro espécies de seres vivos que vivem em florestas desapareça até o ano de 2100. Um grupo de pesquisadores, incluindo um brasileiro, analisou os possíveis impactos do mercado de carbono para manter as florestas de pé, livres do desmatamento e da degradação – duas ações que emitem gases de efeito estufa. O estudo sobre o impacto do mecanismo que recompensa financeiramente países dispostos a reduzir as emissões de gases provenientes do desflorestamento, chamado Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD), aponta para uma possível extinção em massa caso nada seja desembolsado.
Nesse trabalho os pesquisadores usaram um modelo de uso do solo – desenvolvido por pesquisadores do Instituto Internacional para Análises de Sistemas Aplicados (IIASA), da Áustria – que levou em consideração informações sobre distribuição das espécies e dados sobre a redução do desflorestamento evitado por meio do REDD. “Encontramos um quadro bem grave”, afirma o economista Bernardo Baeta Neves Strassburg, diretor-executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade, no Rio de Janeiro, e o coordenador do estudo. O trabalho usou como base de estudo 4.514 espécies de mamíferos e anfíbios que dependem exclusivamente de florestas. Os resultados apontam para a extinção de até 27% deles apenas em consequência do desmatamento. Em outra análise focada em plantas e animais endêmicos, os pesquisadores viram que até 36 mil espécies seriam extintas até o fim do século se nada for feito contra o desmatamento.
Mais espécies seriam preservadas conforme maiores os valores pagos por tonelada de gás carbônico absorvida pela floresta se mantida viva. Por exemplo, se cada tonelada de gás carbônico que deixasse de ser emitida pela preservação das florestas custasse US$ 25, isso evitaria a extinção de 85% a 94% das espécies em um século e deixariam de ser emitidos 4,3 bilhões de toneladas do gás por ano até 2020. Como o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) considera economicamente viável iniciativas de mitigação de até US$ 100, o número de espécies preservadas pode ser ainda maior.
Esse mecanismo sozinho não resolveria todos os problemas. A análise mostra que a REDD seria efetiva em evitar extinções em todo o planeta, mas algumas áreas, como a mata atlântica (do Brasil) e as florestas do sudeste asiático, demandariam esforços adicionais. “Nesses locais com grande pressão populacional ou econômica a REDD florestal não resolve todo o problema das extinções”, diz o economista. Ele sugere que sejam realizadas iniciativas complementares. “O esforço do reflorestamento seria importante, principalmente, para a preservação da mata atlântica que conta apenas com cerca de 10% da sua cobertura inicial.”
Além disso, a REDD só contempla florestas. Outros ambientes naturais ricos em biodiversidade, mas pobres em estoque de carbono, poderiam permanecer ameaçados. É o caso do cerrado brasileiro. “Outras estratégias, incluindo a ampliação de REDD para outros biomas, deveriam ser pensadas para preservá-los”, ressalta o economista.
Existe, também, o temor de que a REDD prejudique a agricultura de maneira indireta. Se preservar a floresta gerar mais lucro do que plantar alimentos, a área cultivada poderia ser insuficiente para alimentar a população mundial. Atualmente, o mundo tem 7 bilhões de pessoas e a população continua em crescimento. Para evitar problemas como uma elevação do preço dos alimentos ou a escassez deles, a sugestão de Strassburg é utilizar áreas subaproveitadas, principalmente as terras já dedicadas à criação de gado. “Nosso país tem baixíssima produtividade na pecuária”, diz o economista.
Por enquanto, o mercado internacional de carbono parece estagnado. “Ele está em stand by em escala global pela falta de acordos entre os países”, conta. A Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas aprovou a criação de um sistema de incentivos financeiros para evitar as emissões de carbono provenientes do desmatamento e degradação florestal que deve fazer parte do próximo acordo climático internacional. Antes mesmo de ser amplamente adotada, a REDD segue em fase de aprimoramento. “Algumas alternativas têm se mostrado promissoras como acordos entre países como a Noruega e Brasil ou até entre estados, como Califórnia, nos Estados Unidos, e Acre, no Brasil”, conta o pesquisador. Nesses casos, as nações desenvolvidas investem para que detentores de florestas, como o Brasil, as mantenham preservadas.
O economista, que conseguiu unir na profissão as duas áreas do conhecimento que o atraíam desde adolescente, acredita que com boas intenções “é possível chegar a algum lugar, mas se chegará mais perto da proteção das matas quanto mais forem valorizadas as florestas com informações científicas e políticas públicas”. Para Strassburg, “à medida que se paga mais por tonelada de carbono, a floresta se torna mais valiosa e, consequentemente, o desmatamento é reduzido”.

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FONTE : matéria de Isis Nóbile Diniz, na Revista FAPESP Online, publicada pelo EcoDebate, 01/08/2012

Após ampliar aporte para a energia eólica, BNDES foca a solar


energia solar

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já liberou R$ 1,1 bilhão em financiamentos para projetos de energia eólica neste ano e prevê crescimento de 30% frente os R$ 2,2 bilhões de 2011.
Na esteira do sucesso da energia eólica, cuja capacidade instalada saltou três vezes de 2009 até agora, o chefe do Departamento de Fontes Alternativas de Energia do BNDES, Antonio Tovar, espera analisar ainda este ano o primeiro projeto de energia solar no banco de fomento.
Segundo Tovar, o mais provável é que o projeto seja de uma fábrica de placas solares, com a demanda impulsionada pelo modelo de geração distribuída. O grupo Tecnometal, que também atua em eólica e tem fábrica de painéis em Campinas (SP), já foi credenciado no Finame, linha de crédito automática do BNDES para máquinas e equipamentos.
Na geração distribuída, consumidores de energia, como supermercados, shopping centers e residências, instalam painéis solares em suas coberturas e, além de gerar eletricidade para consumo próprio, fornecem para o sistema de distribuição, abatendo do que pagam pela energia.
Em abril, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o Sistema de Compensação de Energia, com regras para a geração distribuída. Com isso, segundo Tovar, o desenvolvimento da energia solar torna-se viável. A tendência é algumas empresas – inclusive distribuidoras – especializarem-se na instalação de unidades geradoras para consumidores interessados.
“A solar hoje é a eólica há cinco anos”, disse Tovar. Até 2009, o parque eólico brasileiro desenvolveu-se com subsídios do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Naquele ano, o BNDES liberou só R$ 230 milhões em financiamentos. Desde então, a energia eólica tornou-se competitiva, com leilões regulares, atraindo uma cadeia de fornecedores. A capacidade instalada saltou de cerca de 500 megawatts (MW), em 2009, para em torno de 1.600 MW hoje. Se a previsão se concretizar, o BNDES liberará R$ 2,86 para o setor.
A energia contratada garantirá capacidade instalada de 8.100 MW até 2016, caso todos os projetos sejam finalizados. No fim do ano, a capacidade deverá chegar a 3.000 MW, mas pode haver atrasos por falta de sistemas de transmissão. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), 600 dos 1.805 MW contratados no leilão de 2009 e previstos para este ano estão ameaçados pelo problema.
Com o crescimento da energia eólica, o País tem hoje oito empresas com fábricas de aerogeradores e componentes, em diferentes estágios, com capacidade de produzir equipamentos para instalar 4.100 MW ao ano.
O BNDES apoia a instalação de fábricas mas, segundo Tovar, a maior parte dos financiamentos vai para os geradores. O banco também investe via BNDESPar, diretamente ou por meio de fundos de investimentos. A BNDESPar detém fatias da Renova Energia e da Tecsis, fabricante de pás.

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FONTE : matéria em O Estado de São Paulo, socializada pelo Jornal da Ciência / SBPC, JC e-mail 4551.
EcoDebate, 01/08/2012

Após o desastre nuclear de Fukushima, Japão recua em relação à ideia de um futuro não nuclear


Usina de Fukushima, após o desastre nuclear. Foto no Der Spiegel
Usina de Fukushima, após o desastre nuclear. Foto no Der Spiegel

Após a catástrofe nuclear de Fukushima, o Japão dirigiu sua atenção para as fontes de energia renováveis. No entanto, serão necessários anos para o desenvolvimento de tais tecnologias. Enquanto isso, o país está importando uma quantidade cada vez maior de combustíveis fósseis e cogitando retomar o seu projeto de energia nuclear. Matéria de Wieland Wagner, em Der Spiegel, publicada pelo UOL Notícias.
Yasuyuki Ikegami tem sido muito solicitado desde o desaste ocorrido na usina nuclear de Fukushima. Ikegami, que é especialista em energia marinha, passou anos estudando maneiras de gerar eletricidade a partir da energia das ondas e das marés. Um ano após o desastre nuclear do Japão, a pesquisa dele está mais em voga do que nunca.
A catástrofe levou os japoneses a se concentrarem nas tecnologias de energias renováveis. O país já foi um dos pioneiros nessa área, mas isso foi antes de os japoneses terem se dedicado de corpo e alma à energia atômica.
Ikegami tem exibido protótipos no seu centro de pesquisas na cidade de Saga, no sudoeste do Japão. Desde o desastre de Fukushima, várias prefeituras estão competindo para que as regiões marítimas ao largo das suas costas sejam escolhidas como áreas de testes desses projetos. Mas Ikegami teme que o entusiasmo do Japão pela energia alternativa possa em breve se dissipar.
Os temores dele devem-se, em parte, ao fato de o primeiro-ministro Yoshihiko Noda ter recentemente feito com que dois reatores da usina nuclear de Ohi, no oeste do Japão, cujo funcionamento havia sido interrompido, voltassem a operar. A medida abalou as esperanças de que houvesse uma rápida adoção das fontes de energia renováveis no Japão, apesar de centenas de milhares de pessoas terem saído às ruas de Tóquio na semana passada para protestar contra a energia nuclear –um fato surpreendente em um país como o Japão, que sempre viu essa fonte de energia com bons olhos.
O governo já está avaliando a possibilidade de recolocar outros reatores nucleares em operação. Antes do acidente de Fukushima, o Japão satisfazia cerca de 30% da sua demanda por eletricidade com a energia nuclear, enquanto que as fontes de energia renováveis respondiam por aproximadamente 10% do suprimento total. Mas, se a energia hidroelétrica não for incluída na lista, as fontes de energia renováveis irão corresponder a apenas cerca de 1% do total.
Lições tiradas do desastre
No entanto, as luzes não se apagaram no Japão após Fukushima e durante um breve período o país pareceu estar extraordinariamente preparado para tirar lições do desastre. Pouco depois da crise do petróleo, no início da década de 70, executivos de companhias e cientistas apresentaram ideias concorrentes para que o país pudesse economizar energia elétrica e desenvolver fontes alternativas de energia.
O debate intensificou-se devido a uma nova lei que entrou em vigor no dia 1º de julho. Ela exige que os nove monopólios regionais de energia elétrica do Japão comprem a energia derivada de fontes renováveis a preços comparativamente elevados de produtores privados e que adicionem essa energia às suas redes de distribuição.
Ryuzo Furukawa, 40, também tornou-se subitamente um especialista muito solicitado. Este professor gosta de conhecer os visitantes no Laboratório Ecológico da Universidade Tohoko, na cidade de Sendai, no norte do país. Em busca da arte perdida da procura de um estilo de vida sustentável, Furukawa realizou uma ampla pesquisa junto a cidadãos japoneses de mais de 90 anos de idade. “Para conservarmos energia, nós temos que ressuscitar os valores de boa vizinhança”, conclui ele. Em cidades como Sendai, por exemplo, o professor deseja criar instalações públicas nas quais os moradores possam recarregar juntos os seus telefones celulares e aprimorar a apreciação coletiva do valor da eletricidade.
Enquanto isso, Ikegami, o especialista em energia marinha, deseja seguir o exemplo da União Europeia, que conta com uma estação experimental para o aproveitamento da energia das ondas e das marés ao largo da costa da Escócia. No Japão, os pescadores locais frequentemente impedem a aprovação de tais instalações experimentais. Por causa disso, a produtora japonesa Kawasaki Heavy Industries, por exemplo, também tem que testar a sua tecnologia para a utilização da energia marinha na costa da Escócia, e não no litoral do Japão.
“A energia marinha proporciona à indústria japonesa novas oportunidades de crescimento”, argumenta Ikegami, observando que companhias de construção naval, como a Mitsubishi, poderiam aplicar seus conhecimentos na construção de usinas para geração de eletricidade a partir das ondas do mar. Segundo Ikegami, o Japão não tem tempo a perder, especialmente porque a sua rival, a China, há muito começou a desenvolver tais tecnologias.
A terra dos vulcões e das fontes termais
Os japoneses também estão levando as energias solar e eólica novamente a sério. Um consórcio japonês pretende construir a maior instalação de energia eólica do mundo ao largo da costa de Fukushima.
Ao contrário do governo nacional, a prefeitura de Fukushima, onde o acidente nuclear ocorreu, tem repudiado oficialmente a energia nuclear. Como o oceano é muito profundo na área, as turbinas eólicas serão instaladas sobre plataformas flutuantes.
“Megasolar” é outra expressão que tem circulado no país desde o desastre de Fukushima. Em várias regiões, os políticos locais estão descobrindo a construção de parques solares como um novo setor econômico. Os analistas estimam que a capacidade de energia solar do Japão possa ser quadruplicada, chegando a 19 gigawatts até 2016. Companhias japonesas como a Sharp também esperam se reposicionar globalmente com usinas solares de grande dimensão. Assim como os alemães, os japoneses sentem-se pressionados pela concorrência chinesa de baixo custo no setor de usinas nucleares menores.
A energia geotérmica também está se transformando em uma parcela importante do conjunto de fontes de energia do Japão. A terra dos vulcões e das fontes termais conta com o terceiro maior potencial geotérmico do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos e a Indonésia. Para se beneficiar desse recurso energético abundante, o governo japonês pretende abrir mais parques nacionais no norte do país para o desenvolvimento da energia geotérmica.
Mas provavelmente serão necessárias décadas para que as tecnologias alternativas fiquem suficientemente maduras para substituir a energia nuclear, afirma Atsushi Tsutsumi. Este professor de engenharia industrial prefere concentrar-se no aumento da eficiência energética. No seu escritório na Universidade de Tóquio, Tsutsumi utiliza um conjunto de diagramas complicados para explicar a sua tecnologia, que possibilita a recaptura e a reutilização da energia térmica que é perdida em processos como a produção do etanol. O seu novo método já está sendo utilizado em uma fábrica no sul do Japão.
Entretanto, as companhias e os governos municipais frequentemente carecem de uma estrutura legal concreta e de incentivos fiscais para possibilitar o investimento em novas formas de energia e tecnologia. “O Japão necessita de uma filosofia”, afirma Tsutsumi. Somente no mês que vem, quase um ano e meio após o desastre de Fukushima, o governo do Japão pretende revelar sua nova estratégia energética para o futuro, cobrindo um período que vai até 2030.
Pouco espaço para debate
Especialistas em Tóquio estão atualmente discutindo qual deveria ser exatamente o pacote de fontes de energia utilizado pelo Japão. O ministro do Meio Ambiente, Goshi Hosono, apoia um plano segundo o qual a parcela reservada à energia nuclear diminua para 15%. Mas quem estaria disposto a acreditar nele, especialmente após sua proposta anterior de limitar o tempo de vida útil das usinas nucleares a 40 anos? Tóquio está agora cogitando arquivar esse limite e adotar períodos de vida útil mais longos. No futuro, decisões quanto à vida útil dos reatores serão tomadas por uma nova agência de segurança nuclear, que deverá começar a funcionar neste ano.
Ao contrário da chanceler alemã Angela Merkel, os políticos japoneses jamais anunciaram uma abolição gradativa da energia nuclear. Tudo o que eles fizeram foi cancelar temporariamente essa tecnologia polêmica –usando uma abordagem bastante japonesa que enfatiza a harmonia coletiva e deixa pouco espaço para debates.
O lobby nuclear, que inclui desde as poderosas empresas de energia elétrica até a mídia subserviente, e que é conhecido no Japão como a “vila atômica” (“Genpatsu Mura”), vem simplesmente atuando com mais discrição por saber muito bem o quanto o desastre de Fukushima e as suas consequências afetaram o povo japonês.
Segundo estimativas oficiais, cerca de 160 mil moradores foram obrigados a abandonar as áreas contaminadas pela radiação e muitos não poderão retornar durante décadas. Notícias periódicas sobre casos de contaminação de alimentos também têm feito com que o medo da população persista.
Isso faz com que vários municípios e comunidades hesitem em concordar com a reativação de mais usinas nucleares. Segundo pesquisas de opinião, mais da metade dos japoneses se opõe à reativação das usinas nucleares. O governo espera reverter essa tendência com a reativação dos reatores da usina de Ohi. O primeiro-ministro Noda chegou a ignorar as advertências dos sismólogos de que a usina de Ohi pode estar situada sobre uma falha tectônica ativa.
Milhares de manifestantes contra a energia nuclear protestam regularmente perto do gabinete de Noda em Tóquio. Mas os políticos japoneses ainda não aprenderam a levar a sério os seus cidadãos preocupados. No dia de um recente protesto, Noda manifestou surpresa com o “grande barulho” lá fora, segundo o jornal “Asahi Shimbun”.
Preocupação com as folhas de balanço
O premiê está com pressa. Os oponentes da energia nuclear suspeitam que Noda esteja determinado a desmentir a alegação deles de que é possível sobreviver ao verão japonês sem a eletricidade gerada pelos reatores nucleares.
Os japoneses geralmente usam seus aparelhos de ar-condicionado a toda potência nos meses de julho e agosto. Os especialistas preveem que, nos horários de pico, a demanda por eletricidade possa exceder perigosamente a capacidade na área de Osaka. Mas, mesmo após os pequenos passos que o Japão deu no sentido de retomar o uso da energia nuclear aos níveis anteriores, o fornecimento anda complicado. Empresas e residências continuam enfrentando problemas durante um enervante verão marcado pela economia de energia elétrica.
Muitas fábricas compraram seus próprios geradores para protegerem-se de apagões. Outras esperam evitar gargalos na produção com a adoção de turnos de trabalho nos fins de semana. Alguns executivos estão cogitando transferir suas fábricas para o exterior.
O governo teme também que as usinas nucleares que tiveram as operações interrompidas quebrem as folhas de pagamento das principais empresas de energia elétrica. A Companhia de Energia Elétrica de Tóquio, a operadora do reator que foi destruído em Fukushima, foi praticamente nacionalizada. A companhia está se deparando com pedidos de indenização no valor de bilhões de euros. As empresas de energia elétrica também estão reclamando dos custos crescentes das importações de petróleo e gás natural, que elas utilizam para alimentar suas usinas convencionais de geração de eletricidade. Muitas dessas usinas foram reativadas apressadamente após o acidente de Fukushima.
A parcela referente ao gás natural liquefeito como fonte de energia elétrica do Japão aumentou recentemente para quase 40%. Mas são os consumidores que vão acabar arcando com o prejuízo, e a Companhia de Energia Elétrica de Tóquio já está planejando impor aumentos substanciais das suas tarifas.
A dependência crescente desta nação insular da energia importada está gerando também temores quanto à segurança nacional. O Japão, que possui poucos recursos minerais próprios, importa mais de 80% do seu petróleo do Oriente Médio.
“Abundância de emprego”
As usinas convencionais de geração de energia elétrica do país estão atualmente operando a plena capacidade. Serviços de manutenção importantes foram adiados. “Nós imploramos a todos os deuses do mundo para que nos proporcionem temperaturas favoráveis, e rezamos para que não haja problemas técnicos”, diz Makoto Yagi, presidente da Companhia de Energia Elétrica Kansai, que cobre o oeste do Japão.
Ao expor cenários terríveis de um verão sem energia nuclear, Yagi desempenhou um papel fundamental para a reativação dos reatores de Ohi. Muitos moradores da cidade de 8.500 habitantes, com suas grutas cobertas por florestas, estão aliviados pelo fato de a usina nuclear –a única grande empregadora da região– ter voltado a operar.
Por outro lado, Jiku Miyazaki, 68, é há muito tempo um inimigo da usina nuclear de Ohi. Após o desastre de Fukushima, este monge budista e sua mulher, Soshin, passaram a sentir-se suficientemente confiantes para manifestar abertamente as suas preocupações. Em ocasiões passadas eles tiveram que arrecadar verbas para ajudar membros da congregação de seu templo, muitos dos quais trabalhavam para a companhia. A cidade inteira depende de subsídios do governo e da Companhia de Energia Elétrica Kansai.
Embora o monge pretenda continuar fazendo advertências sobre os perigos da energia nuclear, ele sabe também que fatos estabelecidos têm mais força do que apelos morais. O monge passa com a sua minivan em frente aos belos edifícios que Ohi pôde construir com o dinheiro advindo da sua indústria nuclear. “Esta é a prefeitura”, diz Miyazaki, apontando para um enorme edifício que, em certos países, poderia abrigar o parlamento.
Miyazaki continua dirigindo por ruas bem pavimentadas até chegar ao centro cultural e ao complexo esportivo adjacente, ambos construídos com verbas da indústria nuclear. “Muita gente na minha congregação nutre secretamente dúvidas quanto à energia nuclear”, diz Miyazaki. “Mas essas pessoas temem ainda mais perder os seus empregos”. Entretanto, o monge acredita que haverá uma abundância de emprego em Ohi durante as próximas décadas. “Se eles suspenderem a operação dos reatores, demolirem as instalações e se livrarem de todo o lixo nuclear, haverá muitos empregos.”

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FONTE :
Tradutor: UOL
EcoDebate, 01/08/2012

La Economía Verde se llama Poder Corporativo, por Elizabeth Peredo

Estamos asistiendo a una profundización demencial del paradigma capitalista y de su ámbito de dominio que ha desplazado sin pena ni pestañeo el concepto de sustentabilidad para usarlo en el campo de las finanzas, disfrazando su afán de lucro con el argumento de incorporar las externalidades ambientales. Argumentos para justificar una angurria fuera de toda proporción: casi todo lo que existe en el mundo cumple un servicio y es una mercancía, todo será considerado una inversión, todo cuenta como dinero. El próximo paso será conquistar nuestra imaginación.

[Ecoportal.net] Un documento denominado “Declaración del Capital Natural (Un compromiso del sector financiero para Río+20 y más allá)”, promovido por las Naciones Unidas mediante la Iniciativa Financiera del Programa para el Medio Ambiente, la Fundación Getulio Vargas de Itamaratí del Brasil y el Global Canopy Programe en el Foro Corporativo por la Sustentabilidad, ha empezado a ser visible en el marco de la Conferencia de las Naciones Unidas sobre Río+20 en paralelo a los documentos emanados de la negociación y proponiendo una declaración que debe ser firmada por las instituciones financieras internacionales y las corporaciones.
El documento, fruto de 18 meses de preparación del sector financiero, compromete a los signatarios a cuidar los recursos naturales, en particular el agua, y aunque está presentado como una iniciativa sustentable, acompaña al lobby que las transnacionales han estado haciendo en las negociaciones dando cuenta de una de las certezas que tenemos, pero que aún es poco visible en los debates entre los países: la ONU está en manos del gran capital corporativo y financiero. Los debates y negociaciones que allí se desarrollan se encuentran en su cancha.
La declaración propuesta señala la ruta de los nuevos consensos que se están desarrollando entre los representantes del capital financiero, y dice textualmente en su encabezado que se propone crear un “compromiso de la comunidad financiera (que parece sustituir ahora a la ‘comunidad internacional’) a reconocer y reafirmar la importancia del capital natural en el mantenimiento de una economía global sostenible” (ahora es explícito que es la economía y no el medio ambiente la que debe ser sostenible).
Y no es casual: las 100 economías más grandes del mundo son hoy corporaciones transnacionales, no tienen banderas (sí, logos, slogans y mensajes de propaganda), no son democráticas (tienen dueño, directorio y funcionarios), no consultan a nadie para acomodarse hasta donde les alcancen las piernas, y si pueden les sacan dinero a los países del Sur y a los pueblos del Norte para consolidarse o seguir acumulando capital (son dueñas del dinero, de los bancos, de las tierras, de la justicia, de la tecnología, de las maquinarias; tienen acuerdos de libre comercio a su favor, reglas de protección de inversiones y tribunales a su medida). Según información proporcionada por el TNI y el Grupo ETC, 10 de las corporaciones más ricas son de energía; al menos 10 corporaciones más fuertes están vinculadas a la producción de alimentos y el comercio del agua, y concentran millones de hectáreas en el Sur global; otras tantas tienen el monopolio de las patentes y otras, muy fuertes y poderosas, están obsesionadas con la geoingeniería. Todas ellas presentes en el entorno de las Conferencias de la ONU para asegurar su situación de poder y conceder lo menos posible a la creación de mecanismos efectivos que se orienten a salir de la crisis.
Paralelos con la Cumbre del 92
Cuando, en 1992, se hizo la Declaración de Río y se estableció la Agenda 21, la finalidad era enfrentar la ya entonces preocupante devastación ambiental, las inequidades sociales y la pobreza. La ingenuidad de los pueblos y la maquinaria montada para marearlos nos hizo creer que la fórmula mágica del “desarrollo sostenible” combinando “economía, sociedad y medio ambiente” —bajo la directriz de “consumir lo suficiente para satisfacer las necesidades del presente, sin comprometer las necesidades de las generaciones del futuro”—, sería suficiente para resolver los problemas planteados.
En paralelo, arrancaba el Consenso de Washington concebido pocos años antes (a finales de los 80) y ya estaba en pleno apogeo la multiplicación de las instituciones, leyes, acuerdos, mecanismos financieros, sistemas de condicionalidades e ideologías —que no podían faltar— para aprovechar de esta narrativa y asegurarse de que la fórmula “sin inversión privada no hay desarrollo” les permitiera tener todas las facilidades para lucrar a costa de la destrucción planetaria y la violación de los derechos humanos.
Por tanto, el “desarrollo sostenible” sobre el que se sigue insistiendo tenía ya varias debilidades de fondo: desde concebir una noción de crecimiento económico sin límites ni conciencia de la interdependencia entre especies y con los ecosistemas, ignorar las fuerzas del mercado y el proceso de liberalización de la economía, hasta pensar ingenuamente que las palabras son suficientes y no es preciso atacar las causas estructurales del sistema.
Hoy estamos en una situación algo similar, sólo que aún más grave, porque la crisis ecológica y financiera —que ellos mismos han provocado— opera como un fuerte justificativo para avalar una nueva maquinaria denominada “economía verde” (o como quiera llamarse) que pretende incorporar a la naturaleza en la fórmula para asegurar, esta vez, la “sostenibilidad de la economía global”.
Por tanto, el “desarrollo sostenible” sobre el que se sigue insistiendo tenía ya varias debilidades de fondo: desde concebir una noción de crecimiento económico sin límites, hasta pensar ingenuamente que las palabras son suficientes y no es preciso atacar las causas estructurales del sistema.
Un sistema de lucro inédito

Según han manifestado los impulsores de esta declaración que incluye a los “buenos” de la película porque accedieron a hablar del medio ambiente y sustentabilidad —uno de los signatarios es la Coca Cola Company—, se pretende “hacer entender que ‘activos’ como el agua, el aire, el suelo y los bosques son un ‘capital fundamental’ y advertir cómo esos recursos afectan los negocios de las empresas”… “De la misma forma que un inversionista quiere preservar su patrimonio y vivir de la ganancia que le genera, el desafío es ahora no depredar recursos naturales para obtener un beneficio…”.
Entonces, hablar hoy de sostenibilidad podría equivaler a hablar de factibilidad o rentabilidad. Da lo mismo. Podríamos hasta decir que el mundo es 80% factible y rentable si se invierte en servicios ambientales de los bosques o las abejas, y 20% factible si no se invierte en ellas. Podríamos hablar de los intereses y ganancias que se estarían perdiendo si no se cuantifica y declara el servicio que proporcionan nuestras montañas y paisajes cuanto antes. Podríamos imaginarnos que en cualquier rato nos querrán demandar ante una corte si no cuidamos la belleza escénica de algún paraje en nuestro territorio.
Estamos asistiendo a una profundización demencial del paradigma capitalista y de su ámbito de dominio que ha desplazado sin pena ni pestañeo el concepto de sustentabilidad para usarlo en el campo de las finanzas, disfrazando su afán de lucro con el argumento de incorporar las externalidades ambientales. Argumentos para justificar una angurria fuera de toda proporción: casi todo lo que existe en el mundo cumple un servicio y es una mercancía, todo será considerado una inversión, todo cuenta como dinero. El próximo paso será conquistar nuestra imaginación.
Las negociaciones y la vida real
Algunos países en el G-77 se han propuesto redefinir la economía verde y salvarla de un enfoque mercantilista. Brasil ha lanzado un documento de propuesta de declaración que permanece anclado en el concepto de “crecimiento económico sostenido” y que hace muchas concesiones a este nuevo modelo, dejando atrás acuerdos que podrían ser sustanciales en regular a las corporaciones y limitar a los países desarrollados para recuperar las proporciones que exige el pago de la deuda ecológica e histórica; algunas corrientes de activistas se han concentrado en rechazarla y demonizarla para que las Cumbres y las negociaciones concluyan con un rotundo “no” a la economía verde.
Pero la vida real está diseñada ya para que una vez terminada la semana de debates, negociaciones y reuniones paralelas, tanto la cooperación para el desarrollo, la cooperación no gubernamental, los gobiernos nacionales y los locales, los bancos, los mercados financieros, las corporaciones y las empresas, los países y las comunidades ingresen de uno u otro modo en los escenarios preparados con oculta paciencia con el fuerte argumento de “salvar a la Madre Tierra” de la destrucción.
La tan mentada Madre Tierra ahora ya tiene un lugar en el lenguaje del documento presentado por Brasil, que reconoce que podría ser un sujeto de derechos, lo que es un gran avance pero no necesariamente significa que se los va a respetar. Aunque se aprobara, no sería suficiente para parar a las transnacionales y el extractivismo base de muchas economías en el mundo y que en el documento se reconoce como un motor para el desarrollo y la lucha contra la pobreza. Ni siquiera en Bolivia o Ecuador, donde existen articulados constitucionales y leyes al respecto, han sido respetados, y allí se persiste en la explotación minera e hidrocarburífera a costa de la Madre Tierra y la salud de las personas. Ni qué decir de los países desarrollados, donde la explotación minera, la energía nuclear o la explotación del carbón amenazan sus ecosistemas y la salud de la gente, como es el caso de las comunidades del valle de Ohio que viven la devastación y el envenenamiento por esta industria. Estados Unidos, por ejemplo (con razón no quiere firmar el Protocolo de Kyoto), depende en un 49% de la salvaje explotación del carbón para su energía, uno de los sistemas más contaminantes y destructivos del medio ambiente y la salud.
Visibilizar la amenaza, identificar los escenarios y confiar en nuestras fuerzas
Así como están las cosas, sería quizá pertinente distinguir algunas estrategias de resistencia sabiendo que las negociaciones y los debates en Naciones Unidas son apenas uno de los escenarios de esta problemática global, el más desgastado y ahora cooptado por el interés transnacional y la ideología del desarrollismo, que se está convirtiendo peligrosamente en un lugar de palabras repetidas y vaciadas de contenido con altavoz. Una retórica difícil de asir y sobre todo de controlar desde la sociedad civil; sus resultados, cualquiera que fueran, serán pasibles de ser atrapados por el sistema de lucro.
Un otro escenario —mucho más relevante— es el de la economía, que nos lleva a considerar seriamente el poder de las corporaciones con sus negocios y sus reglas en todas partes, un terreno muy concreto de acción que debe recoger la experiencia de innumerables luchas exitosas en parar el poder corporativo y que está llevando a resistir la explotación minera, la mercantilización del agua, de la salud, de la vida; al mismo tiempo, este escenario incluye las economías no visibles que funcionan y dan vida a formas solidarias de organización social y que pocas veces son reivindicadas como caminos posibles para la restauración y resignificación de la economía y del tejido social.
Un tercer ámbito es el de los imaginarios, el de las subjetividades, la cultura y, por tanto, uno de los más importantes, porque acompañan los hábitos sociales y pueden ser engranajes de una vida o de consumo o de cuidado, de violencia o de solidaridad, de dominio y sumisión o de democracia y participación. En este terreno, la construcción de relaciones equitativas entre géneros, entre etnicidades, generaciones y otras diversas, podría contribuir sustancialmente a una relación más armónica con la naturaleza, o, al menos, preparar la subjetividad para ello.
Los intereses que están detrás de la economía verde no son algo etéreo; y no porque no se los explicite dejarán de existir en su esencia. La economía verde es el nuevo ropaje del poder corporativo, lleva su nombre inscrito con sangre de los pueblos en la frente, y es allí donde la resistencia al nuevo modelo será más eficaz. No en los foros ni declaraciones, no en el resultado de la negociación, ni en los discursos de resistencia abstracta, sino en la defensa de los territorios, del agua, de las semillas, de los servicios públicos, de la vida, de la economía solidaria, del reconocimiento al trabajo impago de las mujeres, en la resistencia a la minería extractivista e irresponsable, a las plantas nucleares, al lucro de las empresas con la energía y el agua, en defensa de los pueblos en el día a día.
La economía verde viene con nombre y apellido: se llama Poder Transnacional, y nos hemos mirado frente a frente: Los hemos frenado algunas veces, les hemos obligado a retirarse. La indignación y la conciencia sobre el daño que causan existen y son inmensas en el mundo. Es allí donde vamos a permanecer, pues nosotros y nosotras, que no queremos convertirnos en sofisticados profetas del desastre, nos otorgamos el derecho también a redefinir la sustentabilidad como la tarea de resistir el modelo creando las bases de la justicia, la equidad y la cultura del cuidado y la restauración, sentando bases éticas, principios de coherencia y ejemplos de consecuencia capaces de sembrar esperanza para nuestros hijos e hijas en el futuro. www.ecoportal.net

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FONTE :
Revista Ideele
www.revistaideele.com
Artigo socializado pelo Ecoportal.net e publicado pelo EcoDebate, 01/08/2012