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terça-feira, 6 de setembro de 2011
Plano Nacional de Resíduos Sólidos: Área de lixão terá de ser recuperada até 2027
É o que prevê o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que entra em consulta pública nesta semana
Com fechamento decretado para agosto de 2014, os lixões ainda serão um problema para as autoridades, que deverão se mobilizar para recuperar as áreas contaminadas até 2027, prevê o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Reportagem de Rafael Moraes Moura, em O Estado de S.Paulo.
O texto do plano, obtido com exclusividade pelo Estado, estabelece, entre outras metas, a redução de 70% da quantidade de lixo seco reciclável (papel, vidro, plástico) enviada a aterros sanitários até 2015 e a manutenção a curto prazo do atual patamar de geração diária de resíduos sólidos urbanos – de 1,1 kg por habitante. O plano será colocado para consulta pública nesta semana no site do Ministério do Meio Ambiente (www.mma.gov.br).
Sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto de 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos determina o fim dos lixões, fixa planos de gestão dos resíduos sólidos e incentiva linhas de financiamento para cooperativas. O plano nacional, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente com o apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e acompanhado por um comitê interministerial que reúne 12 pastas, integra essa política.
O documento lança metas que devem ser cumpridas mediante esforço dos três entes federados (União, Estados e municípios) e será discutido em cinco audiências públicas regionais e em outra em Brasília, no final do ano.
“Os objetivos dizem respeito ao governo federal, aos Estados, aos municípios e aos consumidores. Precisamos de um esforço conjunto”, afirma o secretário de recursos hídricos e ambiente urbano, Nabil Bonduki. “Estou otimista porque a lei está pegando. A consulta pública é um período de aperfeiçoamento das informações”, disse.
Cenários. Para a definição das metas, foram considerados três cenários (mais informações nesta página). Algumas metas definidas também variam de acordo com a região, considerando as especificidades locais.
No Nordeste, por exemplo, o governo federal prevê que a implementação do plano enfrentará mais desafios, por causa, entre outros fatores, do boom econômico na região.
O Nordeste concentra 57% dos lixões de todo País. No cenário classificado de favorável, por exemplo, todos eles deverão ser recuperados até 2027; no intermediário, até 2031; no desfavorável, apenas as regiões Sul e Sudeste conseguiriam cumprir o programado em 2031.
Durante o processo de recuperação dos lixões, as áreas deverão passar por coleta de chorume, drenagem pluvial e cobertura vegetal. Alguns deles podem até virar parques.
O plano prevê redução de 70% dos resíduos recicláveis secos destinados a aterros até 2015, um esforço para que a coleta seletiva impulsione a indústria de reciclagem. A meta é a mesma para os resíduos sólidos úmidos, como restos de comida.
Ao expor o diagnóstico da situação atual, o governo admite que há “desconhecimento ou dificuldades dos gestores, técnicos, educadores, integrantes dos vários setores da sociedade, assim como da população em geral, com relação ao novo modelo de participação social envolvendo o tema”.
“O número de municípios que investem em posturas diferenciadas e consideram de forma inovadora o problema é pequeno. Mesmo a coleta seletiva municipalizada, cujas experiências pioneiras já existem há mais de 20 anos, abrange apenas 18% dos municípios brasileiros, na maioria das vezes de forma parcial e ineficiente”, afirma.
Sobre as campanhas de educação ambiental, há espaço até para autocrítica. “A maioria das experiências tem investido grande parte de seus recursos em ações de educação ambiental restritas ao ambiente escolar, desconsiderando a população e/ou as comunidades diretamente envolvidas com os projetos”, diz Bonduki.
No diagnóstico elaborado pelo Ipea, cogita-se a aplicação de taxas de coleta em municípios de grande porte, mas não se detalha como seria esse processo.
PARA LEMBRAR
O projeto de lei 1991/07, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, ficou parado no Congresso por 18 anos. A demora ocorreu por conta de uma série de emendas recebidas ao longo dos anos e da falta de consenso entre representantes do setor público e privado. A aprovação do projeto de lei no Senado ocorreu em julho de 2010 e, em agosto, foi sancionado pelo presidente Lula.
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FONTE : EcoDebate, 06/09/2011
Com fechamento decretado para agosto de 2014, os lixões ainda serão um problema para as autoridades, que deverão se mobilizar para recuperar as áreas contaminadas até 2027, prevê o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Reportagem de Rafael Moraes Moura, em O Estado de S.Paulo.
O texto do plano, obtido com exclusividade pelo Estado, estabelece, entre outras metas, a redução de 70% da quantidade de lixo seco reciclável (papel, vidro, plástico) enviada a aterros sanitários até 2015 e a manutenção a curto prazo do atual patamar de geração diária de resíduos sólidos urbanos – de 1,1 kg por habitante. O plano será colocado para consulta pública nesta semana no site do Ministério do Meio Ambiente (www.mma.gov.br).
Sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto de 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos determina o fim dos lixões, fixa planos de gestão dos resíduos sólidos e incentiva linhas de financiamento para cooperativas. O plano nacional, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente com o apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e acompanhado por um comitê interministerial que reúne 12 pastas, integra essa política.
O documento lança metas que devem ser cumpridas mediante esforço dos três entes federados (União, Estados e municípios) e será discutido em cinco audiências públicas regionais e em outra em Brasília, no final do ano.
“Os objetivos dizem respeito ao governo federal, aos Estados, aos municípios e aos consumidores. Precisamos de um esforço conjunto”, afirma o secretário de recursos hídricos e ambiente urbano, Nabil Bonduki. “Estou otimista porque a lei está pegando. A consulta pública é um período de aperfeiçoamento das informações”, disse.
Cenários. Para a definição das metas, foram considerados três cenários (mais informações nesta página). Algumas metas definidas também variam de acordo com a região, considerando as especificidades locais.
No Nordeste, por exemplo, o governo federal prevê que a implementação do plano enfrentará mais desafios, por causa, entre outros fatores, do boom econômico na região.
O Nordeste concentra 57% dos lixões de todo País. No cenário classificado de favorável, por exemplo, todos eles deverão ser recuperados até 2027; no intermediário, até 2031; no desfavorável, apenas as regiões Sul e Sudeste conseguiriam cumprir o programado em 2031.
Durante o processo de recuperação dos lixões, as áreas deverão passar por coleta de chorume, drenagem pluvial e cobertura vegetal. Alguns deles podem até virar parques.
O plano prevê redução de 70% dos resíduos recicláveis secos destinados a aterros até 2015, um esforço para que a coleta seletiva impulsione a indústria de reciclagem. A meta é a mesma para os resíduos sólidos úmidos, como restos de comida.
Ao expor o diagnóstico da situação atual, o governo admite que há “desconhecimento ou dificuldades dos gestores, técnicos, educadores, integrantes dos vários setores da sociedade, assim como da população em geral, com relação ao novo modelo de participação social envolvendo o tema”.
“O número de municípios que investem em posturas diferenciadas e consideram de forma inovadora o problema é pequeno. Mesmo a coleta seletiva municipalizada, cujas experiências pioneiras já existem há mais de 20 anos, abrange apenas 18% dos municípios brasileiros, na maioria das vezes de forma parcial e ineficiente”, afirma.
Sobre as campanhas de educação ambiental, há espaço até para autocrítica. “A maioria das experiências tem investido grande parte de seus recursos em ações de educação ambiental restritas ao ambiente escolar, desconsiderando a população e/ou as comunidades diretamente envolvidas com os projetos”, diz Bonduki.
No diagnóstico elaborado pelo Ipea, cogita-se a aplicação de taxas de coleta em municípios de grande porte, mas não se detalha como seria esse processo.
PARA LEMBRAR
O projeto de lei 1991/07, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, ficou parado no Congresso por 18 anos. A demora ocorreu por conta de uma série de emendas recebidas ao longo dos anos e da falta de consenso entre representantes do setor público e privado. A aprovação do projeto de lei no Senado ocorreu em julho de 2010 e, em agosto, foi sancionado pelo presidente Lula.
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FONTE : EcoDebate, 06/09/2011
Na África do Sul, caçadores ilegais matam mais de um rinoceronte por dia
As autoridades pretendem retirar preventivamente os chifres dos mamíferos para desencorajar o tráfico incentivado pela demanda asiática
Desde o início do ano, 280 rinocerontes foram mortos ilegalmente na África do Sul, mais de um por dia em média. Nesse ritmo, 2011 será ainda mais mortífero que 2010 (333 animais mortos ilegalmente) e dentro de um ou dois anos a população começará a declinar. A luta contra esse massacre é um quebra-cabeça para as autoridades sul-africanas. Reportagem de Sébastien Hervieu, Le Monde.
Na segunda-feira, 29 de agosto, a ministra do Meio Ambiente, Edna Molewa, levantou a ideia de instaurar uma moratória sobre a caça ilegal de rinocerontes brancos, a principal espécie presente no país: “A caça ilegal e os abusos no sistema de licenças talvez sejam as principais ameaças à sobrevivência dos rinocerontes em estado selvagem em um futuro próximo.”
Um estudo sobre as consequências da remoção dos chifres dos rinocerontes, já praticada em algumas reservas privadas, também foi citado. Os especialistas continuam céticos sobre a factibilidade logística e financeira de tal medida aplicada aos 20 mil rinocerontes que vivem na África do Sul (80% da população mundial). A instalação de chips GPS nos chifres também foi testada. No início dos anos 2000, a unidade sul-africana especializada na proteção de espécies ameaçadas foi dissolvida, e somente 13 rinocerontes haviam sido caçados em 2007 por seus chifres.
Mas essa protuberância de queratina, uma proteína presente nas unhas humanas, é valorizada na Ásia pelas classes médias que hoje não param de aumentar. Símbolo de riqueza, o chifre transformado em pó também é elogiado por suas virtudes medicinais como a – errônea – de curar o câncer.
No mercado negro, seu preço explodiu, a cerca de US$ 50 mil (35 mil euros) por quilo, segundo a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), a organização especializada da ONU.
Depois do Zimbábue, a vizinha África do Sul foi alvo de máfias asiáticas que contratam moradores locais que conhecem o terreno e se dispõem a assumir riscos para ganhar em uma noite vários anos de salário.
Para responder a caçadores que não hesitam mais em utilizar helicópteros para localizar suas presas ou em atacar de noite com óculos infravermelhos, o exército foi mobilizado em abril ao longo da fronteira com Moçambique, no célebre Parque Kruger, do tamanho de Israel. Os casos de caça ilegal diminuíram fortemente.
“Desde o início do ano fizemos muitos esforços e estamos colhendo os frutos”, afirma Wanda Mkutshulwa, porta-voz dos parques nacionais sul-africanos.
Uma cooperação reforçada entre os serviços policiais, judiciais e alfandegários já permitiu prender 155 suspeitos em 2011 (162 em 2010). Penas que vão até dez anos de prisão foram aplicadas. Cerca de 15 caçadores também teriam sido mortos.
Sensibilização
Abrigando um quarto dos rinocerontes da África do Sul, as 400 reservas privadas são mais vulneráveis. “Contratamos guardas de segurança privados, mas custam caro e são insuficientes”, avalia Pelham Jones, da Associação de Proprietários Privados.
Michael Eustace, um economista especializado sul-africano, também é partidário da legalização do mercado: “Com os chifres provenientes das mortes naturais, dos estoques e das remoções pelos fazendeiros, poderíamos alimentar o mercado sem necessidade de matar rinocerontes”, ele explica. “Mas há necessidade de uma regulamentação, com os chifres certificados e identificados.”
Para seus adversários, essa medida só faria aumentar a demanda. As autoridades sul-africanas refletem a respeito. Segundo Joseph Okori, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a solução passa pelos países consumidores, como Vietnã ou China: “É preciso sensibilizar essas populações e sobretudo que os que vendem e compram chifres sejam finalmente processados na justiça”.
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FONTE : Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves. Reportegem de Le Monde, no UOL Notícias. EcoDebate, 06/09/2011
Desde o início do ano, 280 rinocerontes foram mortos ilegalmente na África do Sul, mais de um por dia em média. Nesse ritmo, 2011 será ainda mais mortífero que 2010 (333 animais mortos ilegalmente) e dentro de um ou dois anos a população começará a declinar. A luta contra esse massacre é um quebra-cabeça para as autoridades sul-africanas. Reportagem de Sébastien Hervieu, Le Monde.
Na segunda-feira, 29 de agosto, a ministra do Meio Ambiente, Edna Molewa, levantou a ideia de instaurar uma moratória sobre a caça ilegal de rinocerontes brancos, a principal espécie presente no país: “A caça ilegal e os abusos no sistema de licenças talvez sejam as principais ameaças à sobrevivência dos rinocerontes em estado selvagem em um futuro próximo.”
Um estudo sobre as consequências da remoção dos chifres dos rinocerontes, já praticada em algumas reservas privadas, também foi citado. Os especialistas continuam céticos sobre a factibilidade logística e financeira de tal medida aplicada aos 20 mil rinocerontes que vivem na África do Sul (80% da população mundial). A instalação de chips GPS nos chifres também foi testada. No início dos anos 2000, a unidade sul-africana especializada na proteção de espécies ameaçadas foi dissolvida, e somente 13 rinocerontes haviam sido caçados em 2007 por seus chifres.
Mas essa protuberância de queratina, uma proteína presente nas unhas humanas, é valorizada na Ásia pelas classes médias que hoje não param de aumentar. Símbolo de riqueza, o chifre transformado em pó também é elogiado por suas virtudes medicinais como a – errônea – de curar o câncer.
No mercado negro, seu preço explodiu, a cerca de US$ 50 mil (35 mil euros) por quilo, segundo a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), a organização especializada da ONU.
Depois do Zimbábue, a vizinha África do Sul foi alvo de máfias asiáticas que contratam moradores locais que conhecem o terreno e se dispõem a assumir riscos para ganhar em uma noite vários anos de salário.
Para responder a caçadores que não hesitam mais em utilizar helicópteros para localizar suas presas ou em atacar de noite com óculos infravermelhos, o exército foi mobilizado em abril ao longo da fronteira com Moçambique, no célebre Parque Kruger, do tamanho de Israel. Os casos de caça ilegal diminuíram fortemente.
“Desde o início do ano fizemos muitos esforços e estamos colhendo os frutos”, afirma Wanda Mkutshulwa, porta-voz dos parques nacionais sul-africanos.
Uma cooperação reforçada entre os serviços policiais, judiciais e alfandegários já permitiu prender 155 suspeitos em 2011 (162 em 2010). Penas que vão até dez anos de prisão foram aplicadas. Cerca de 15 caçadores também teriam sido mortos.
Sensibilização
Abrigando um quarto dos rinocerontes da África do Sul, as 400 reservas privadas são mais vulneráveis. “Contratamos guardas de segurança privados, mas custam caro e são insuficientes”, avalia Pelham Jones, da Associação de Proprietários Privados.
Michael Eustace, um economista especializado sul-africano, também é partidário da legalização do mercado: “Com os chifres provenientes das mortes naturais, dos estoques e das remoções pelos fazendeiros, poderíamos alimentar o mercado sem necessidade de matar rinocerontes”, ele explica. “Mas há necessidade de uma regulamentação, com os chifres certificados e identificados.”
Para seus adversários, essa medida só faria aumentar a demanda. As autoridades sul-africanas refletem a respeito. Segundo Joseph Okori, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a solução passa pelos países consumidores, como Vietnã ou China: “É preciso sensibilizar essas populações e sobretudo que os que vendem e compram chifres sejam finalmente processados na justiça”.
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FONTE : Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves. Reportegem de Le Monde, no UOL Notícias. EcoDebate, 06/09/2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Energia nuclear argentina contra a corrente
Buenos Aires, Argentina, 5/9/2011 – Enquanto a tendência no mundo industrializado é frear os planos de desenvolvimento da energia nuclear devido ao sinistro de 11 de março no Japão, na Argentina aumenta a capacidade das centrais existentes e são erguidos novos reatores. Alemanha e Suíça estabeleceram prazo fixo para suas centrais, um plebiscito na Itália mostrou uma grande rejeição a esta tecnologia e na França estuda-se reduzir os investimentos no setor.
Entretanto, isso está longe de ocorrer na Argentina, onde o governo de Cristina Fernández assinou, na última semana de agosto, contratos para prolongar a vida útil de uma das duas centrais existentes no país, anunciou que está perto de inaugurar a terceira e promete uma quarta para antes de 2020. E tudo isso apesar de a maioria dos argentinos – embora não o expresse ativamente – estar contra continuar investindo neste tipo de energia cara e perigosa, segundo pesquisa encomendada este ano pelo Greenpeace local. A pesquisa mostra que 66% dos entrevistados consideram a energia nuclear “perigosa” ou “muito perigosa”, 74% afirmam que deveria ser eliminada esta opção da matriz energética e apenas 16% querem aumentá-la.
Em conversa com a IPS, o engenheiro Ernesto Boerio, do Greenpeace, recordou que o plano nuclear, que esteve parado nos anos 1990, voltou em 2006 e se expande vigoroso, apesar do impacto do terremoto e posterior tsunami de março nas centrais japonesas de Fukushima. “Por necessidade de eletricidade, o governo avança em todas as frentes, mas porque, na Argentina, o setor nuclear tem seu peso, seu poder, e conseguiu continuar influindo sobre a direção política para manter os investimentos”, acrescentou.
A Argentina é um dos três países latino-americanos, junto com Brasil e México, que podem desenvolver um programa nucelar e, embora esse projeto hoje tenha fins pacíficos, nasceu sob a órbita militar com a ideia de dominar a tecnologia. Desde 1974, opera no país Atucha I, na província de Buenos Aires, a apenas cem quilômetros da capital nacional, com potência de 370 megawatts (MW), e desde 1984 está funcionando Embalse, na província de Córdoba, com 648 MW.
Na década de 1990 o plano parou, mas, em 2006, foi retomada a obra interrompida de Atucha II, que será inaugurada no ano que vem e fornecerá 745 MW. Além disso, está em estudo uma quarta central, com 1.000 MW, para 2020. Atualmente, a contribuição nuclear para a matriz energética argentina é de 5% a 7%. Com Atucha II, que fica ao lado de Atucha I, chegaria a 12%. Também existe um novo protótipo de reator projetado na Argentina, o Carem. É pequeno, de 50 MW, e para pesquisas, mas, segundo Boerio, pode ser convertido em uma central.
Neste contexto, o governo acaba de assinar acordos para prolongar a vida útil de Embalse e aumentar sua potência. O Ministério do Planejamento e os órgãos governamentais do setor se comprometeram a investir US$ 1,366 bilhão, dos quais US$ 440 milhões são contratos com firmas estrangeiras, para prolongar a vigência de Embalse.
A iniciativa causou indignação na Fundação para a Defesa do Ambiente (Funam), com sede em Córdoba, onde fica Embalse. A organização denunciou que a decisão do governo é “ilegal”, segundo disse à IPS seu diretor, Raúl Montenegro. “Além de não fazer o estudo de impacto ambiental correspondente, não houve nenhum tipo de consulta e nem audiência pública. Parece que esse tipo de ferramentas de controle são apenas enfeites quando se trata de energia nuclear”, ressaltou.
Para Montenegro, que recebeu o prêmio Nobel Alternativo em 2004, “o programa nuclear argentino continua tendo o mesmo componente de autoritarismo e de segredo com que nasceu durante governos militares”. E acrescentou que “é como se a democracia não tivesse chegado à área nuclear. Em lugar de organismos nucleares se democratizarem, conseguiram convencer os governos constitucionais a manterem procedimentos secretos e não realizar consultas”.
Montenegro não descarta a existência de funcionários que acreditam de boa fé na energia nuclear como símbolo do desenvolvimento, mas disse que não há nenhuma relação entre o “raquítico” aporte de 5% ou 7% de eletricidade e o custo que tem o programa. “Na Argentina, o desenvolvimento não nasceu com a ideia de produzir eletricidade”, alertou, dizendo que não só o governo “se deixou convencer pelo lobby nuclear como a sociedade não teve um debate amplo sobre este tema”, acrescentou. Para este ativista, Embalse é particularmente perigosa por estar sobre uma falha onde foram registrados tremores de diversa magnitude no Século 20. Além disso, recordou que a central apresentou múltiplos incidentes por falta de projeto nos reatores.
Entretanto, não é só a usina que causa preocupação, mas os depósitos de combustível esgotado, que estão junto das centrais e que mantêm o risco por 240 mil anos. Essa ameaça se multiplica ao prolongar a vida útil de Embalse, alertou Montenegro. As autoridades asseguram que para essa prolongação serão feitos estudos sísmicos em Embalse, mas o ativista recordou que não é apenas esta a ameaça. Também pode haver incidentes internos, atentados terroristas ou acidentes aéreos sobre a central.
A Funam denunciou que os moradores da área de Embalse e os vizinhos de Atucha não estão preparados para um acidente. As simulações são feitas apenas a dez quilômetros à sua volta, mas em caso de um acidente a radiação pode chegar a 500 quilômetros, alertou. “Não preparam as pessoas para não levantarem o assunto, mas o risco existe e é aterrador”, advertiu a entidade. Somente em Rosário, segundo a Funam, uma cidade muito povoada da província de Santa Fé, o risco é múltiplo porque está ao alcance de Embalse e de Atucha que se prepara para ser um parque atômico, como o de Fukushima.
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FONTE : Envolverde/IPS.
Entretanto, isso está longe de ocorrer na Argentina, onde o governo de Cristina Fernández assinou, na última semana de agosto, contratos para prolongar a vida útil de uma das duas centrais existentes no país, anunciou que está perto de inaugurar a terceira e promete uma quarta para antes de 2020. E tudo isso apesar de a maioria dos argentinos – embora não o expresse ativamente – estar contra continuar investindo neste tipo de energia cara e perigosa, segundo pesquisa encomendada este ano pelo Greenpeace local. A pesquisa mostra que 66% dos entrevistados consideram a energia nuclear “perigosa” ou “muito perigosa”, 74% afirmam que deveria ser eliminada esta opção da matriz energética e apenas 16% querem aumentá-la.
Em conversa com a IPS, o engenheiro Ernesto Boerio, do Greenpeace, recordou que o plano nuclear, que esteve parado nos anos 1990, voltou em 2006 e se expande vigoroso, apesar do impacto do terremoto e posterior tsunami de março nas centrais japonesas de Fukushima. “Por necessidade de eletricidade, o governo avança em todas as frentes, mas porque, na Argentina, o setor nuclear tem seu peso, seu poder, e conseguiu continuar influindo sobre a direção política para manter os investimentos”, acrescentou.
A Argentina é um dos três países latino-americanos, junto com Brasil e México, que podem desenvolver um programa nucelar e, embora esse projeto hoje tenha fins pacíficos, nasceu sob a órbita militar com a ideia de dominar a tecnologia. Desde 1974, opera no país Atucha I, na província de Buenos Aires, a apenas cem quilômetros da capital nacional, com potência de 370 megawatts (MW), e desde 1984 está funcionando Embalse, na província de Córdoba, com 648 MW.
Na década de 1990 o plano parou, mas, em 2006, foi retomada a obra interrompida de Atucha II, que será inaugurada no ano que vem e fornecerá 745 MW. Além disso, está em estudo uma quarta central, com 1.000 MW, para 2020. Atualmente, a contribuição nuclear para a matriz energética argentina é de 5% a 7%. Com Atucha II, que fica ao lado de Atucha I, chegaria a 12%. Também existe um novo protótipo de reator projetado na Argentina, o Carem. É pequeno, de 50 MW, e para pesquisas, mas, segundo Boerio, pode ser convertido em uma central.
Neste contexto, o governo acaba de assinar acordos para prolongar a vida útil de Embalse e aumentar sua potência. O Ministério do Planejamento e os órgãos governamentais do setor se comprometeram a investir US$ 1,366 bilhão, dos quais US$ 440 milhões são contratos com firmas estrangeiras, para prolongar a vigência de Embalse.
A iniciativa causou indignação na Fundação para a Defesa do Ambiente (Funam), com sede em Córdoba, onde fica Embalse. A organização denunciou que a decisão do governo é “ilegal”, segundo disse à IPS seu diretor, Raúl Montenegro. “Além de não fazer o estudo de impacto ambiental correspondente, não houve nenhum tipo de consulta e nem audiência pública. Parece que esse tipo de ferramentas de controle são apenas enfeites quando se trata de energia nuclear”, ressaltou.
Para Montenegro, que recebeu o prêmio Nobel Alternativo em 2004, “o programa nuclear argentino continua tendo o mesmo componente de autoritarismo e de segredo com que nasceu durante governos militares”. E acrescentou que “é como se a democracia não tivesse chegado à área nuclear. Em lugar de organismos nucleares se democratizarem, conseguiram convencer os governos constitucionais a manterem procedimentos secretos e não realizar consultas”.
Montenegro não descarta a existência de funcionários que acreditam de boa fé na energia nuclear como símbolo do desenvolvimento, mas disse que não há nenhuma relação entre o “raquítico” aporte de 5% ou 7% de eletricidade e o custo que tem o programa. “Na Argentina, o desenvolvimento não nasceu com a ideia de produzir eletricidade”, alertou, dizendo que não só o governo “se deixou convencer pelo lobby nuclear como a sociedade não teve um debate amplo sobre este tema”, acrescentou. Para este ativista, Embalse é particularmente perigosa por estar sobre uma falha onde foram registrados tremores de diversa magnitude no Século 20. Além disso, recordou que a central apresentou múltiplos incidentes por falta de projeto nos reatores.
Entretanto, não é só a usina que causa preocupação, mas os depósitos de combustível esgotado, que estão junto das centrais e que mantêm o risco por 240 mil anos. Essa ameaça se multiplica ao prolongar a vida útil de Embalse, alertou Montenegro. As autoridades asseguram que para essa prolongação serão feitos estudos sísmicos em Embalse, mas o ativista recordou que não é apenas esta a ameaça. Também pode haver incidentes internos, atentados terroristas ou acidentes aéreos sobre a central.
A Funam denunciou que os moradores da área de Embalse e os vizinhos de Atucha não estão preparados para um acidente. As simulações são feitas apenas a dez quilômetros à sua volta, mas em caso de um acidente a radiação pode chegar a 500 quilômetros, alertou. “Não preparam as pessoas para não levantarem o assunto, mas o risco existe e é aterrador”, advertiu a entidade. Somente em Rosário, segundo a Funam, uma cidade muito povoada da província de Santa Fé, o risco é múltiplo porque está ao alcance de Embalse e de Atucha que se prepara para ser um parque atômico, como o de Fukushima.
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FONTE : Envolverde/IPS.
Dia Mundial da Amazônia: “pulmão do mundo” apela por preservação
O 5 de setembro marca o Dia Mundial da Amazônia, data escolhida por ter sido nesse dia, em 1850, que a Lei n° 582 criou a Província do Amazonas, separando a região da então Província do Pará. Trata-se da maior floresta tropical úmida do planeta, com cerca de 5,5 milhões de quilômetros quadrados (km²) distribuídos por nove países: Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.
Mais de 3 milhões da área total da floresta encontram-se em território brasileiro.
Mais de 3 milhões dessa área estão em território brasileiro, nos estados de Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins, Amapá, Acre, Pará e parte do Maranhão. A Floresta Amazônica é o bioma mais extenso do mundo e ocupa metade do Brasil. A região é composta por uma biodiversidade única, distribuída por diversos tipos de ecossistemas.
Biodiversidade e extensão do bioma têm proporções gigantescas.
A Amazônia conta com 40 mil espécies de plantas catalogadas, mas a biodiversidade é tanta, que milhares de espécies sequer foram reconhecidas. Também é neste bioma que encontramos a maior variedade de aves, primatas, roedores, répteis, insetos e peixes de água doce do planeta. Para se ter uma ideia, um quarto da população de macacos do mundo está na Amazônia. Além dos primatas, são mais de 300 espécies de mamíferos, como a onça-pintada, a ariranha e o bicho preguiça. A floresta abriga cerca de 3 mil espécies diferentes. A região também é rica em peixes ornamentais, que são comercializados para ser criados em aquários.
“Pulmão do mundo”
A importância da Floresta Amazônica vai muito além dos países nos quais ela está inserida geograficamente, segundo especialistas. Entre as razões-chave para o mundo todo preservá-la, destacam-se as seguintes:
* A floresta exerce papel fundamental no ciclo de carbono que influi na formação do clima mundial.Apenas para se ter noção dos cerca de 200 bilhões de toneladas de gás carbônico absorvidos por vegetação tropical em todo o mundo, 70 bilhões são armazenados pelas árvores amazônicas.
*Atualmente, estima-se que a Amazônia absorva cerca de 10% das emissões globais de CO2 oriundos da queima de combustíveis fósseis.
* A região amazônica deverá agir como um “ponto de inflexão” para o clima global. Segundo estudo divulgado em fevereiro de 2010 por cientistas da Universidade de Oxford, do Instituto Potsdam e de outros centros de pesquisa, a Floresta Amazônica é a segunda área do planeta mais vulnerável à mudança climática depois do Oceano Ártico. A ideia central é que o aumento do desmate deve gerar um ciclo vicioso: a grande redução na área da floresta geraria um aumento significativo nas emissões de CO2, que por sua vez elevariam as temperaturas globais, que assim causariam secas.
* A biodiversidade gigantesca do bioma, que ainda faz dele o mais rico do mundo em recursos naturais.
Situação atual
A Floresta Amazônica está distribuída em diversos tipos de ecossistemas, de florestas fechadas de terra firme, com árvores com 30 a 60 metros de altura, às várzeas ribeirinhas, dos campos aos igarapés. Devido a essa riqueza e biodiversidade, o extrativismo vegetal tornou-se a principal atividade econômica da região, e também o principal foco de disputa entre nativos, governo e indústrias nacionais e internacionais. Ao todo, são mais de 200 espécies diferentes de árvores por hectare que são foco direto do desmatamento, principalmente as madeiras nobres, como o mogno e o pau-brasil.
Ribeirinho navega sobre um dos muitos rios que compõem a região da floresta.
Mais de 60% da área já desmatada na Amazônia foram transformados em pastos, segundo levantamento divulgado no dia 2 de setembro, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Dos 720 mil quilômetros quadrados de florestas derrubados até 2008 (uma área equivalente ao tamanho do Uruguai), a maior parte foi convertida para a pecuária (62,1%).
Em 21% da área desflorestada, o Inpe e a Embrapa registraram vegetação secundária, áreas que se encontram em processo de regeneração avançado ou que tiveram florestas plantadas com espécies exóticas. Essas áreas, segundo Gilberto Câmara, do Inpe, poderão representar oportunidades de ganhos para o Brasil nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas, porque funcionam como absorvedoras de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases de efeito estufa.
Países amazônicos e Rio+20
Representantes dos sete países membros da região amazônica estiveram reunidos, no dia 1º de setembro, a fim de estabelecerem entendimentos para fechar uma posição a ser levada à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que será realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro.
O encontro em Brasília também serviu para definir uma pauta comum de cooperação pela preservação do bioma. Promovida pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), a reunião de coordenação da agenda ambiental objetivou a troca de experiências e intercâmbio entre as diferentes políticas para o setor.
Os países amazônicos aprovaram uma recomendação em prol do engajamento dos estados integrantes da OTCA na preparação da Rio+20. Para o diretor do Departamento de Articulação de Ações para a Amazônia, Mauro Pires, que abriu o encontro, “a ideia é buscar o alinhamento das distintas agendas ambientais dos países que fazem parte da Amazônia”. O secretário geral da OTCA, Embaixador Alexandro Gordilho, ressaltou a importância de sistematizar as informações e os mecanismos de coordenação das autoridades de meio ambiente do tratado.
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FONTE : publicado originalmente no site EcoD.
Mais de 3 milhões da área total da floresta encontram-se em território brasileiro.
Mais de 3 milhões dessa área estão em território brasileiro, nos estados de Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins, Amapá, Acre, Pará e parte do Maranhão. A Floresta Amazônica é o bioma mais extenso do mundo e ocupa metade do Brasil. A região é composta por uma biodiversidade única, distribuída por diversos tipos de ecossistemas.
Biodiversidade e extensão do bioma têm proporções gigantescas.
A Amazônia conta com 40 mil espécies de plantas catalogadas, mas a biodiversidade é tanta, que milhares de espécies sequer foram reconhecidas. Também é neste bioma que encontramos a maior variedade de aves, primatas, roedores, répteis, insetos e peixes de água doce do planeta. Para se ter uma ideia, um quarto da população de macacos do mundo está na Amazônia. Além dos primatas, são mais de 300 espécies de mamíferos, como a onça-pintada, a ariranha e o bicho preguiça. A floresta abriga cerca de 3 mil espécies diferentes. A região também é rica em peixes ornamentais, que são comercializados para ser criados em aquários.
“Pulmão do mundo”
A importância da Floresta Amazônica vai muito além dos países nos quais ela está inserida geograficamente, segundo especialistas. Entre as razões-chave para o mundo todo preservá-la, destacam-se as seguintes:
* A floresta exerce papel fundamental no ciclo de carbono que influi na formação do clima mundial.Apenas para se ter noção dos cerca de 200 bilhões de toneladas de gás carbônico absorvidos por vegetação tropical em todo o mundo, 70 bilhões são armazenados pelas árvores amazônicas.
*Atualmente, estima-se que a Amazônia absorva cerca de 10% das emissões globais de CO2 oriundos da queima de combustíveis fósseis.
* A região amazônica deverá agir como um “ponto de inflexão” para o clima global. Segundo estudo divulgado em fevereiro de 2010 por cientistas da Universidade de Oxford, do Instituto Potsdam e de outros centros de pesquisa, a Floresta Amazônica é a segunda área do planeta mais vulnerável à mudança climática depois do Oceano Ártico. A ideia central é que o aumento do desmate deve gerar um ciclo vicioso: a grande redução na área da floresta geraria um aumento significativo nas emissões de CO2, que por sua vez elevariam as temperaturas globais, que assim causariam secas.
* A biodiversidade gigantesca do bioma, que ainda faz dele o mais rico do mundo em recursos naturais.
Situação atual
A Floresta Amazônica está distribuída em diversos tipos de ecossistemas, de florestas fechadas de terra firme, com árvores com 30 a 60 metros de altura, às várzeas ribeirinhas, dos campos aos igarapés. Devido a essa riqueza e biodiversidade, o extrativismo vegetal tornou-se a principal atividade econômica da região, e também o principal foco de disputa entre nativos, governo e indústrias nacionais e internacionais. Ao todo, são mais de 200 espécies diferentes de árvores por hectare que são foco direto do desmatamento, principalmente as madeiras nobres, como o mogno e o pau-brasil.
Ribeirinho navega sobre um dos muitos rios que compõem a região da floresta.
Mais de 60% da área já desmatada na Amazônia foram transformados em pastos, segundo levantamento divulgado no dia 2 de setembro, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Dos 720 mil quilômetros quadrados de florestas derrubados até 2008 (uma área equivalente ao tamanho do Uruguai), a maior parte foi convertida para a pecuária (62,1%).
Em 21% da área desflorestada, o Inpe e a Embrapa registraram vegetação secundária, áreas que se encontram em processo de regeneração avançado ou que tiveram florestas plantadas com espécies exóticas. Essas áreas, segundo Gilberto Câmara, do Inpe, poderão representar oportunidades de ganhos para o Brasil nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas, porque funcionam como absorvedoras de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases de efeito estufa.
Países amazônicos e Rio+20
Representantes dos sete países membros da região amazônica estiveram reunidos, no dia 1º de setembro, a fim de estabelecerem entendimentos para fechar uma posição a ser levada à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que será realizada em junho de 2012, no Rio de Janeiro.
O encontro em Brasília também serviu para definir uma pauta comum de cooperação pela preservação do bioma. Promovida pela Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), a reunião de coordenação da agenda ambiental objetivou a troca de experiências e intercâmbio entre as diferentes políticas para o setor.
Os países amazônicos aprovaram uma recomendação em prol do engajamento dos estados integrantes da OTCA na preparação da Rio+20. Para o diretor do Departamento de Articulação de Ações para a Amazônia, Mauro Pires, que abriu o encontro, “a ideia é buscar o alinhamento das distintas agendas ambientais dos países que fazem parte da Amazônia”. O secretário geral da OTCA, Embaixador Alexandro Gordilho, ressaltou a importância de sistematizar as informações e os mecanismos de coordenação das autoridades de meio ambiente do tratado.
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FONTE : publicado originalmente no site EcoD.
Manejo sustentável de florestas nativas tem baixa produtividade
Manejo insustentável – Sistema feito para preservar florestas permitindo exploração comercial das árvores tem baixa produtividade
Um estudo da USP mostrou que o manejo sustentável de florestas nativas é, ao menos do ponto de vista econômico, insustentável.
A ideia do manejo é extrair as árvores para exploração comercial de forma controlada, com impacto ambiental mínimo, para garantir a preservação da floresta.
O sistema é considerado como um caminho para gerar renda e frear o desmatamento ilegal na Amazônia. Reportagem de Rodrigo Vargas, na Folha de S.Paulo.
Mas, segundo a pesquisa, o modelo atual não permite a regeneração das árvores mais valiosas e tende a perder rentabilidade após o primeiro corte para comercialização da madeira.
A insustentabilidade econômica, aponta o estudo da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), pode fazer fracassar a política federal de concessão de florestas, além de impulsionar a busca por novas áreas de exploração.
“O manejo atual é baseado em um ciclo de corte de 30 anos. O que constatamos foi que esse intervalo não permite a recuperação das espécies com maior interesse comercial”, diz o coordenador da pesquisa, Edson Vidal.
As espécies mais afetadas são ipê-roxo (Tabebuia impetiginosa), jatobá (Hymenaea courbaril), freijó-cinza (Cordia goeldiana) e cedro-vermelho (Cedrela odorata).
No caso do jatobá, o rendimento em uma mesma área cai 80% entre o primeiro e o segundo corte, diz Vidal.
O ipê é ainda mais problemático: uma área que renda 100 m3 hoje produzirá apenas 4 m3 em 30 anos.
“Nossa preocupação é que, na ausência dessas árvores mais valorizadas, pode haver pressão [exploração ilegal] sobre novas áreas da floresta”, diz o pesquisador.
MÉTODO
As estimativas de recuperação de florestas onde é feito o manejo sustentável foram obtidas ao longo de dez anos em uma área de 200 hectares no município de Paragominas (PA).
Localizada em uma fazenda particular, a área foi dividida em três segmentos: 70 hectares foram explorados do modo tradicional; 100 hectares tiveram árvores retiradas seguindo técnicas de redução de impacto e 30 hectares foram mantidos intactos, para comparação.
Os resultados foram obtidos a partir da área explorada de forma menos agressiva. Segundo o professor, isso indica que as boas práticas de manejo não são suficientes para assegurar a recomposição e o valor comercial das florestas.
O estudo sugere a adoção de ciclos de corte (intervalo entre um corte e outro) específicos por espécie ou grupo de espécies. No caso do jatobá, 50% da produtividade original pode ser retomada em 60 anos, diz a pesquisa.
Os resultados foram recebidos com contrariedade por representantes do setor florestal. O pesquisador, porém, afirma que o estudo não desaconselha o manejo.
“Eu acredito no manejo, mas não vou deixar de apontar as questões que preocupam. É preciso mostrar à sociedade que algumas coisas precisam ser melhoradas.”
Diretor do serviço florestal defende modelo de negócio
Para o diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Antonio Carlos Hummel, a estimativa de que algumas espécies de árvores não vão se recompor em 30 anos é certeira, mas não deve ser “motivo de alarme” para o setor.
Responsável pelo programa de concessão de Florestas Públicas Federais, Hummel argumenta que o manejo sustentável envolve hoje mais de 50 espécies, em um mercado “dinâmico”.
“Daqui a 30 anos, o mercado será outro. Espécies que hoje são valorizadas podem perder espaço para outras. O importante é que o manejo continuará a ser um bom negócio, e a reserva de biodiversidade será mantida”, diz.
Hummel afirma não ver risco de uma eventual queda de rentabilidade impulsionar a exploração ilegal. “Em 30 anos, o consumidor será muito mais exigente em relação à origem da madeira.”
João Carlos Baldasso, presidente do Cipem (entidade que reúne oito sindicatos de madeireiros de Mato Grosso), diz que as constatações do estudo da USP serão “reguladas pelo mercado”.
“Se faltar ipê, teremos outra madeira para ofertar, e ela será valorizada. Há poucos anos, ninguém diria que o cumaru teria a valorização que tem hoje.”
Baldasso, que também preside o Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal, questiona o “espectro limitado” da pesquisa.
“Uma área de cem hectares em Paragominas não pode servir de base para toda a Amazônia”, afirma.
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FONTE : EcoDebate, 05/09/2011
Um estudo da USP mostrou que o manejo sustentável de florestas nativas é, ao menos do ponto de vista econômico, insustentável.
A ideia do manejo é extrair as árvores para exploração comercial de forma controlada, com impacto ambiental mínimo, para garantir a preservação da floresta.
O sistema é considerado como um caminho para gerar renda e frear o desmatamento ilegal na Amazônia. Reportagem de Rodrigo Vargas, na Folha de S.Paulo.
Mas, segundo a pesquisa, o modelo atual não permite a regeneração das árvores mais valiosas e tende a perder rentabilidade após o primeiro corte para comercialização da madeira.
A insustentabilidade econômica, aponta o estudo da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), pode fazer fracassar a política federal de concessão de florestas, além de impulsionar a busca por novas áreas de exploração.
“O manejo atual é baseado em um ciclo de corte de 30 anos. O que constatamos foi que esse intervalo não permite a recuperação das espécies com maior interesse comercial”, diz o coordenador da pesquisa, Edson Vidal.
As espécies mais afetadas são ipê-roxo (Tabebuia impetiginosa), jatobá (Hymenaea courbaril), freijó-cinza (Cordia goeldiana) e cedro-vermelho (Cedrela odorata).
No caso do jatobá, o rendimento em uma mesma área cai 80% entre o primeiro e o segundo corte, diz Vidal.
O ipê é ainda mais problemático: uma área que renda 100 m3 hoje produzirá apenas 4 m3 em 30 anos.
“Nossa preocupação é que, na ausência dessas árvores mais valorizadas, pode haver pressão [exploração ilegal] sobre novas áreas da floresta”, diz o pesquisador.
MÉTODO
As estimativas de recuperação de florestas onde é feito o manejo sustentável foram obtidas ao longo de dez anos em uma área de 200 hectares no município de Paragominas (PA).
Localizada em uma fazenda particular, a área foi dividida em três segmentos: 70 hectares foram explorados do modo tradicional; 100 hectares tiveram árvores retiradas seguindo técnicas de redução de impacto e 30 hectares foram mantidos intactos, para comparação.
Os resultados foram obtidos a partir da área explorada de forma menos agressiva. Segundo o professor, isso indica que as boas práticas de manejo não são suficientes para assegurar a recomposição e o valor comercial das florestas.
O estudo sugere a adoção de ciclos de corte (intervalo entre um corte e outro) específicos por espécie ou grupo de espécies. No caso do jatobá, 50% da produtividade original pode ser retomada em 60 anos, diz a pesquisa.
Os resultados foram recebidos com contrariedade por representantes do setor florestal. O pesquisador, porém, afirma que o estudo não desaconselha o manejo.
“Eu acredito no manejo, mas não vou deixar de apontar as questões que preocupam. É preciso mostrar à sociedade que algumas coisas precisam ser melhoradas.”
Diretor do serviço florestal defende modelo de negócio
Para o diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Antonio Carlos Hummel, a estimativa de que algumas espécies de árvores não vão se recompor em 30 anos é certeira, mas não deve ser “motivo de alarme” para o setor.
Responsável pelo programa de concessão de Florestas Públicas Federais, Hummel argumenta que o manejo sustentável envolve hoje mais de 50 espécies, em um mercado “dinâmico”.
“Daqui a 30 anos, o mercado será outro. Espécies que hoje são valorizadas podem perder espaço para outras. O importante é que o manejo continuará a ser um bom negócio, e a reserva de biodiversidade será mantida”, diz.
Hummel afirma não ver risco de uma eventual queda de rentabilidade impulsionar a exploração ilegal. “Em 30 anos, o consumidor será muito mais exigente em relação à origem da madeira.”
João Carlos Baldasso, presidente do Cipem (entidade que reúne oito sindicatos de madeireiros de Mato Grosso), diz que as constatações do estudo da USP serão “reguladas pelo mercado”.
“Se faltar ipê, teremos outra madeira para ofertar, e ela será valorizada. Há poucos anos, ninguém diria que o cumaru teria a valorização que tem hoje.”
Baldasso, que também preside o Fórum Nacional das Atividades de Base Florestal, questiona o “espectro limitado” da pesquisa.
“Uma área de cem hectares em Paragominas não pode servir de base para toda a Amazônia”, afirma.
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FONTE : EcoDebate, 05/09/2011
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