Saiu no Diário Catarinense de ontem1: “O presidente da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), Murilo Flores, diz estar entusiasmado com os resultados do novo sistema de licenciamento ambiental adotado na casa. Além de uma comissão central, foram criadas 14 comissões regionais para análise das licenças a serem emitidas. Ele avalia que, com mais debates, há melhora na qualidade das licenças autorizadas, o que traz ganhos a empreendedores e à sociedade”.
Mais debates???? Será que foi dessa forma que renovaram a licença do lixão de Laguna?
Um licenciamento de verdade envolve conhecimentos jurídicos, técnicos, administrativos, sociais e econômicos, entre outros... Segundo o CONAMA, trata-se de um procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso - Resolução 237/97.
Lendo isso, a gente percebe que a FATMA precisa mesmo é de mais servidores, de gente séria e que entenda do ofício.
Mas, aquilo lá é apenas um órgão politiqueiro, recheado de ‘indicados pelo Rei’, que vergonhosamente possui 22 fiscais para cuidar de toda Santa Catarina.
Na verdade, o regramento jurídico do licenciamento ambiental – cujo espírito é preservar o meio ambiente para as gerações atuais e futuras -, não agrada a todos.
Por isso, governo federal vai flexibilizar o licenciamento para agilizar várias obras de infraestrutura. “Com uma série de Decretos, o Executivo quer tirar dos técnicos ambientais o poder subjetivo de liberar ou barrar obras e tirar dos empreendedores a responsabilidade pelo desenvolvimento socioeconômico da região onde investem, para apertar o controle sobre o que são, de fato, as consequências ambientais das construções”2.
Não é preciso ser ecochato ou especialista em Direito Ambiental pra saber quem vai ganhar com esse “licenciamento flex”.
1 - http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a3211131.xml&template=3916.dwt&edition=16513§ion=129http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a3211131.xml&template=3916.dwt&edition=16513§ion=129
2 - http://economia.ig.com.br/governo+vai+mudar+regras+de+concessao+do+licenciamento+ambiental/n1238018865137.html
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FONTE : Ana Echevenguá, advogada ambientalista, presidente do Instituto Eco&Ação e da Academia Livre das Águas.
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Historinha (pra boi dormir) sobre o lixo de Arroio do Silva - Ana Echevenguá
Vejam uma notícia interessante que saiu no jornal: o município de Arroio do Silva-SC está desenvolvendo o projeto “Cidade Limpa”, de conscientização quanto à destinação correta do lixo. “Milhares de folders foram confeccionados com orientações para manter a cidade limpa e organizada”1. Com o apoio da Preservale que instalou, na cidade, mais de 20 lixeiras para material reciclável.
Já imaginei o balneário cheio de turistas, que triplicaram a produção do lixo, enfeitado com 20 lixeirinhas coloridas.
Iniciativa elogiável? É..., até que é!... Mas, eu considero uma aberração porque sei um pouco mais sobre essa historinha pra boi dormir que as prefeituras criam.
Sabem qual é a “destinação correta” do lixo de Arroio do Silva? Vai tudo pro ‘pátio do vizinho’; pra Araranguá. Prum lixão da iniciativa privada que – no papel – tem o nome pomposo de ‘centro de reciclagem’, construído em cima do antigo lixão de Araranguá (que, até hoje, não foi recuperado).
Esta “destinação correta” custa bem baratinho. Parece que é coisa de sessenta real a tonelage. Tudo oficializado num processo de licitação.
O ‘centro de reciclagem’ é dessa Preservale, que tá distribuindo as lixeiras. Pra empresa, o projeto é ótimo. O pessoal vai lendo os folders, çiconscientizando e o lixo das lixeirinhas será enviado pro lixão.
A regra do jogo da Máfia do Lixo é: quanto mais lixo passa na balança do lixão, mais dinheiro no bolso do dono deste.
É lixão? É. O caso tá na Justiça. Mas, a Preservale tem a licença da FATMA, o órgão estadual que abençoa a maior parte dos crimes ambientais que aqui ocorrem.
Gente, como essas, existem outras histórias bonitinhas sobre o lixo.
E que, por renderem votos e muito dinheiro pra poucos, ganham espaço na mídia.
Só não entendo uma coisa: por que o morador de Araranguá aceita isso passivamente?
1 - http://www.grupocorreiodosul.com.br/jornal/noticias/politica/prefeituradoarroiodosilvalan-aacampanhacidadelimpa/.
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FONTE : Ana Echevenguá, advogada ambientalista, presidente do Instituto Eco&Ação e da Academia Livre das Águas.
Já imaginei o balneário cheio de turistas, que triplicaram a produção do lixo, enfeitado com 20 lixeirinhas coloridas.
Iniciativa elogiável? É..., até que é!... Mas, eu considero uma aberração porque sei um pouco mais sobre essa historinha pra boi dormir que as prefeituras criam.
Sabem qual é a “destinação correta” do lixo de Arroio do Silva? Vai tudo pro ‘pátio do vizinho’; pra Araranguá. Prum lixão da iniciativa privada que – no papel – tem o nome pomposo de ‘centro de reciclagem’, construído em cima do antigo lixão de Araranguá (que, até hoje, não foi recuperado).
Esta “destinação correta” custa bem baratinho. Parece que é coisa de sessenta real a tonelage. Tudo oficializado num processo de licitação.
O ‘centro de reciclagem’ é dessa Preservale, que tá distribuindo as lixeiras. Pra empresa, o projeto é ótimo. O pessoal vai lendo os folders, çiconscientizando e o lixo das lixeirinhas será enviado pro lixão.
A regra do jogo da Máfia do Lixo é: quanto mais lixo passa na balança do lixão, mais dinheiro no bolso do dono deste.
É lixão? É. O caso tá na Justiça. Mas, a Preservale tem a licença da FATMA, o órgão estadual que abençoa a maior parte dos crimes ambientais que aqui ocorrem.
Gente, como essas, existem outras histórias bonitinhas sobre o lixo.
E que, por renderem votos e muito dinheiro pra poucos, ganham espaço na mídia.
Só não entendo uma coisa: por que o morador de Araranguá aceita isso passivamente?
1 - http://www.grupocorreiodosul.com.br/jornal/noticias/politica/prefeituradoarroiodosilvalan-aacampanhacidadelimpa/.
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FONTE : Ana Echevenguá, advogada ambientalista, presidente do Instituto Eco&Ação e da Academia Livre das Águas.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
FLORIANÓPOLIS : Andarilhos ecológicos conscientizadores
Com comédia, o projeto Chico e Benta vão Pescar busca chamar a atenção para a poluição nas praias.
Uma família de argentinos e um casal de pescadores, segurando uma cesta com peixes de plásticos coloridos, entoavam, ontem, em roda e de mãos dadas, um lema na praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis. – La gente unida jamás tendrá basura (lixo)! – diziam, em coro, vibrando de alegria.
A cena faz parte da esquete (peça de teatro curta) do projeto de educação ambiental Chico e Benta Vão Pescar, desenvolvido em 11 praias da Ilha de Santa Catarina, por meio da parceria entre a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) e a Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap).
A família de Buenos Aires, que passa férias no balneário do Norte da Ilha pelo oitavo ano, deu gargalhadas com o casal de pescadores Chico e Benta, personagens da peça.
– Eles são engraçados e esta é uma maneira muito legal de conscientizar as pessoas para não jogarem lixo na praia – disse Liliana Liloff, 44 anos, ao lado dos filhos Camila, 14 anos, Ignacio, 10, e Catalina, três anos.
O marido, Mariano Perco, 52 anos, falou que só joga resíduos na praia quem é descuidado, porque lugar é o que não falta para depositá-los:
– Aqui tem lixeiras bem perto, não precisa caminhar cem metros para encontrá-las. Não há desculpa para não jogar lixo no lugar certo.
Bióloga e educadora ambiental da Floram há 15 anos, Sayonara de Castilhos Amaral, 50 anos, empresta seu legítimo sotaque mané de quem nasceu no Bairro Cpoeiras para dar vida a Benta. O amigo Valdinei Marques, 32 anos, monitor ambiental, idealizador e coordenador do Museu do Lixo da Comcap, faz o papel de Chico.
É Valdinei quem confecciona os figurinos e os adereços de plástico chamados de peixeplasco. Para cada fruto do mar que criou, ele deu um nome diferente, fazendo referência aos objetos que encontra na beira do mar.
– Algumas pessoas costumam jogar lixo no mar, e a única coisa que o Chico pesca são sandálias, tampinhas e camisinhas – disse Benta.
Além de conscientizar, eles pedem para os banhistas passarem adiante as informações do teatro.
– Tem gente que é malcriada. Mas se vocês falarem três, quatro vezes, a pessoa vai ficar com vergonha – reforça Benta aos visitantes.
Escolas e associações podem solicitar a apresentação do Chico e da Benta, no telefone: (48) 3338-0021.
Sem peixe não dá pesca
Na história, Chico e Benta são um casal de pescadores do “Pântano do Sule”, como falam. Benta, a mulher dedicada, parou de fazer renda para ajudar o marido a conversar com as pessoas na praia e pedir para elas não jogarem lixo na areia e no mar.
A iniciativa dos personagens surgiu porque, com a poluição, Chico não tinha mais peixe para pescar, só lixo.
Para incrementar a brincadeira de conscientização, eles carregam, em uma bolsa, redes de pesca, tarrafas e os peixeplasco. Com os objetos, fazem uma encenação mostrando que, ao invés de peixes frescos, o que sai do mar é somente plástico, deixado na praia pelos banhistas.
– Não dá para comer peixeplasco, gasta o dente. Por isso, ganhei este presente de Natal do Chico – diz Benta, mostrando duas dentaduras e arrancando gargalhadas dos argentinos.
Com a poluição, os únicos peixes que Chico encontra no mar são os peixeplasco. Eles representam o lixo encontrado nas praias de Florianópolis. Conheça as “espécies” criada para a peça:
- berbitampa (tampas de garrafas pet)
- peixedalia (sandália)
- siritampa (tampas de garrafa pet)
- peixeluz (lâmpada)
- peixecinto (cinto)
- peixesinha (camisinhas)
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FONTE : Diário Catarinense, edição de 16/02/2011.
Uma família de argentinos e um casal de pescadores, segurando uma cesta com peixes de plásticos coloridos, entoavam, ontem, em roda e de mãos dadas, um lema na praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis. – La gente unida jamás tendrá basura (lixo)! – diziam, em coro, vibrando de alegria.
A cena faz parte da esquete (peça de teatro curta) do projeto de educação ambiental Chico e Benta Vão Pescar, desenvolvido em 11 praias da Ilha de Santa Catarina, por meio da parceria entre a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) e a Companhia de Melhoramentos da Capital (Comcap).
A família de Buenos Aires, que passa férias no balneário do Norte da Ilha pelo oitavo ano, deu gargalhadas com o casal de pescadores Chico e Benta, personagens da peça.
– Eles são engraçados e esta é uma maneira muito legal de conscientizar as pessoas para não jogarem lixo na praia – disse Liliana Liloff, 44 anos, ao lado dos filhos Camila, 14 anos, Ignacio, 10, e Catalina, três anos.
O marido, Mariano Perco, 52 anos, falou que só joga resíduos na praia quem é descuidado, porque lugar é o que não falta para depositá-los:
– Aqui tem lixeiras bem perto, não precisa caminhar cem metros para encontrá-las. Não há desculpa para não jogar lixo no lugar certo.
Bióloga e educadora ambiental da Floram há 15 anos, Sayonara de Castilhos Amaral, 50 anos, empresta seu legítimo sotaque mané de quem nasceu no Bairro Cpoeiras para dar vida a Benta. O amigo Valdinei Marques, 32 anos, monitor ambiental, idealizador e coordenador do Museu do Lixo da Comcap, faz o papel de Chico.
É Valdinei quem confecciona os figurinos e os adereços de plástico chamados de peixeplasco. Para cada fruto do mar que criou, ele deu um nome diferente, fazendo referência aos objetos que encontra na beira do mar.
– Algumas pessoas costumam jogar lixo no mar, e a única coisa que o Chico pesca são sandálias, tampinhas e camisinhas – disse Benta.
Além de conscientizar, eles pedem para os banhistas passarem adiante as informações do teatro.
– Tem gente que é malcriada. Mas se vocês falarem três, quatro vezes, a pessoa vai ficar com vergonha – reforça Benta aos visitantes.
Escolas e associações podem solicitar a apresentação do Chico e da Benta, no telefone: (48) 3338-0021.
Sem peixe não dá pesca
Na história, Chico e Benta são um casal de pescadores do “Pântano do Sule”, como falam. Benta, a mulher dedicada, parou de fazer renda para ajudar o marido a conversar com as pessoas na praia e pedir para elas não jogarem lixo na areia e no mar.
A iniciativa dos personagens surgiu porque, com a poluição, Chico não tinha mais peixe para pescar, só lixo.
Para incrementar a brincadeira de conscientização, eles carregam, em uma bolsa, redes de pesca, tarrafas e os peixeplasco. Com os objetos, fazem uma encenação mostrando que, ao invés de peixes frescos, o que sai do mar é somente plástico, deixado na praia pelos banhistas.
– Não dá para comer peixeplasco, gasta o dente. Por isso, ganhei este presente de Natal do Chico – diz Benta, mostrando duas dentaduras e arrancando gargalhadas dos argentinos.
Com a poluição, os únicos peixes que Chico encontra no mar são os peixeplasco. Eles representam o lixo encontrado nas praias de Florianópolis. Conheça as “espécies” criada para a peça:
- berbitampa (tampas de garrafas pet)
- peixedalia (sandália)
- siritampa (tampas de garrafa pet)
- peixeluz (lâmpada)
- peixecinto (cinto)
- peixesinha (camisinhas)
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FONTE : Diário Catarinense, edição de 16/02/2011.
O extraordinário impacto do lixo
Pode apostar que, quanto mais lixo produzimos, pior estamos nos alimentando.
Na semana passada fui ver um filme que deveria ser exibido em todas as escolas do país! "Lixo Extraordinário", documentário que concorre ao Oscar 2011, mostra a vida dos catadores de material reciclável no aterro sanitário do Gramacho, um dos maiores do mundo, no Rio. Também mostra como a arte pode virar a realidade dessas pessoas de cabeça para baixo.
Quando a gente produz nosso lixo diário, dificilmente pensa no impacto que esses dejetos vão ter para o ambiente e para a vida de outras pessoas. Além de separar os recicláveis (o que já deveria ser uma prática regular em todos os cantos do planeta), a própria maneira como consumimos, produzimos lixo e nos livramos dele deveria ser revista.
É uma cadeia de produção assustadora! O que isso tem a ver com saúde? Tudo! Pode apostar que, quanto mais lixo produzimos, pior estamos nos alimentando!
Outro filme que me veio à cabeça quando vi "Lixo Extraordinário" foi o já clássico "Ilha das Flores" (1989), curta do diretor gaúcho Jorge Furtado que, contando a saga de um tomate, faz uma crítica ácida à nossa sociedade de consumo. Cheque aqui.
A questão ambiental ocupa cada vez mais espaço em nossas vidas. Água, energia, lixo e aquecimento global são temas que vamos ter de encarar. A ligação de tudo isso com nosso estilo de vida, nossa saúde e nosso comportamento não é uma discussão tão óbvia, mas é fundamental. Essa "ecologia" humana já é uma das bolas da vez!
Talvez o mais bonito desse filme seja justamente focar as pessoas, no impacto que o lixo produz em suas vidas, no resgate da sua auto-estima, no poder de compreensão do que é a arte e em como ela pode ser transformadora. Na semana passada, voando para o Rio encontrei um dos personagens (o Tião). Virei tiete! Como o cara é bacana! O lixo pode ser mesmo extraordinário!
*********************
FONTE : Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. A partir do seu trabalho no Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas da USP (Prosex), virou referência no Brasil sobre saúde e comportamento do jovem. Além da prática de consultório, mantém programas em TV e rádio e colaborações em jornais, revistas e sites. Este artigo foi publicado originalmente no caderno Folhateen do Jornal Folha de S.Paulo, na edição de dia 14/02/2011. (Envolverde/Instituto Akatu).
Na semana passada fui ver um filme que deveria ser exibido em todas as escolas do país! "Lixo Extraordinário", documentário que concorre ao Oscar 2011, mostra a vida dos catadores de material reciclável no aterro sanitário do Gramacho, um dos maiores do mundo, no Rio. Também mostra como a arte pode virar a realidade dessas pessoas de cabeça para baixo.
Quando a gente produz nosso lixo diário, dificilmente pensa no impacto que esses dejetos vão ter para o ambiente e para a vida de outras pessoas. Além de separar os recicláveis (o que já deveria ser uma prática regular em todos os cantos do planeta), a própria maneira como consumimos, produzimos lixo e nos livramos dele deveria ser revista.
É uma cadeia de produção assustadora! O que isso tem a ver com saúde? Tudo! Pode apostar que, quanto mais lixo produzimos, pior estamos nos alimentando!
Outro filme que me veio à cabeça quando vi "Lixo Extraordinário" foi o já clássico "Ilha das Flores" (1989), curta do diretor gaúcho Jorge Furtado que, contando a saga de um tomate, faz uma crítica ácida à nossa sociedade de consumo. Cheque aqui.
A questão ambiental ocupa cada vez mais espaço em nossas vidas. Água, energia, lixo e aquecimento global são temas que vamos ter de encarar. A ligação de tudo isso com nosso estilo de vida, nossa saúde e nosso comportamento não é uma discussão tão óbvia, mas é fundamental. Essa "ecologia" humana já é uma das bolas da vez!
Talvez o mais bonito desse filme seja justamente focar as pessoas, no impacto que o lixo produz em suas vidas, no resgate da sua auto-estima, no poder de compreensão do que é a arte e em como ela pode ser transformadora. Na semana passada, voando para o Rio encontrei um dos personagens (o Tião). Virei tiete! Como o cara é bacana! O lixo pode ser mesmo extraordinário!
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FONTE : Jairo Bouer é médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. A partir do seu trabalho no Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas da USP (Prosex), virou referência no Brasil sobre saúde e comportamento do jovem. Além da prática de consultório, mantém programas em TV e rádio e colaborações em jornais, revistas e sites. Este artigo foi publicado originalmente no caderno Folhateen do Jornal Folha de S.Paulo, na edição de dia 14/02/2011. (Envolverde/Instituto Akatu).
Os culpados das próximas enchentes
Será que o brasileiro tem uma tara especial para fazer sua casa ou muitas vezes barraco em lugares perigosos?
Sorte grande. Há mais de 15 dias que não há enchentes no Rio. O morro do Bumba, em Niteroi já está esquecido. O mesmo pode-se dizer dos deslizamentos de Ilha Grande. Quem ainda se lembra? Das avalanches de Friburgo e Teresópolis ainda há lembranças, mas mesmo estas começam a esvair-se. Quantos mortos foram mesmo? 500, 700? Mas agora parou. São Pedro está calmo.
Mas afinal quem são os culpados por essas tragédias?
Fala-se de aquecimento global, calotas polares, problemas que o sistema capitalista não está interessado em solucionar. E aí se fazem grandes seminários para descobrir a raiz destes desastres. Como se já não estivéssemos cansados de saber.
Será que o brasileiro tem uma tara especial para fazer sua casa ou muitas vezes barraco em lugares perigosos? Será que é uma mania de irresponsabilidade do nosso povo? Aliás, por que o brasileiro adora morar em favelas? Será que se diverte em construir barracos na beira de córregos, de esgotos, em encostas impossíveis?
Se assim o fosse, seria um povo de estranhas manias. Mas não é.
O Ministério das Cidades diz que há 10 milhões de moradias em condições precárias no Brasil. Se diz 10, com certeza são 20. O recém empossado ministro de Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante, fala de 5 milhões de famílias convivendo com o perigo de enchentes ou deslizamentos de encostas, ou qualquer outro desastre “natural”.
Por que milhões de pessoas vivem nessa situação?
Dados do IBGE revelam que há no país mais de 40 milhões de trabalhadores que não podem nem sonhar em morar decentemente. São pessoas que ganham, de acordo com o órgão, até um salário mínimo por mês. Mas isso é um luxo frente aos 30 milhões de pessoas que vivem, ou melhor, sobrevivem ou vegetam com até R$ 140 mensais. Com esse salário dá para escolher onde morar?
E ainda há “otoridade” que diz que os pobres são culpados de morar em áreas de risco. Essas pessoas, que moram em condomínios fechados, muito bem planejados e seguros, não veem que as nossas cidades não tem plano urbanístico. Não querem ver que há vereadores, deputados ou nobre senadores que, em troca de votos dos moradores das encostas perigosas, autorizam qualquer tipo de construção, antes da próxima enchente. O problema não é que o povo tem tara pela irresponsabilidade. É o sistema todinho a ser mudado. Por este povo das encostas. Um dia.
****************************
FONTE : Vito Giannotti, escritor e Coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação. (Publicado originalmente na edição 415 do Brasil de Fato - http://www.brasildefato.com.br/node/5648). (Envolverde/Brasil de Fato).
Sorte grande. Há mais de 15 dias que não há enchentes no Rio. O morro do Bumba, em Niteroi já está esquecido. O mesmo pode-se dizer dos deslizamentos de Ilha Grande. Quem ainda se lembra? Das avalanches de Friburgo e Teresópolis ainda há lembranças, mas mesmo estas começam a esvair-se. Quantos mortos foram mesmo? 500, 700? Mas agora parou. São Pedro está calmo.
Mas afinal quem são os culpados por essas tragédias?
Fala-se de aquecimento global, calotas polares, problemas que o sistema capitalista não está interessado em solucionar. E aí se fazem grandes seminários para descobrir a raiz destes desastres. Como se já não estivéssemos cansados de saber.
Será que o brasileiro tem uma tara especial para fazer sua casa ou muitas vezes barraco em lugares perigosos? Será que é uma mania de irresponsabilidade do nosso povo? Aliás, por que o brasileiro adora morar em favelas? Será que se diverte em construir barracos na beira de córregos, de esgotos, em encostas impossíveis?
Se assim o fosse, seria um povo de estranhas manias. Mas não é.
O Ministério das Cidades diz que há 10 milhões de moradias em condições precárias no Brasil. Se diz 10, com certeza são 20. O recém empossado ministro de Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante, fala de 5 milhões de famílias convivendo com o perigo de enchentes ou deslizamentos de encostas, ou qualquer outro desastre “natural”.
Por que milhões de pessoas vivem nessa situação?
Dados do IBGE revelam que há no país mais de 40 milhões de trabalhadores que não podem nem sonhar em morar decentemente. São pessoas que ganham, de acordo com o órgão, até um salário mínimo por mês. Mas isso é um luxo frente aos 30 milhões de pessoas que vivem, ou melhor, sobrevivem ou vegetam com até R$ 140 mensais. Com esse salário dá para escolher onde morar?
E ainda há “otoridade” que diz que os pobres são culpados de morar em áreas de risco. Essas pessoas, que moram em condomínios fechados, muito bem planejados e seguros, não veem que as nossas cidades não tem plano urbanístico. Não querem ver que há vereadores, deputados ou nobre senadores que, em troca de votos dos moradores das encostas perigosas, autorizam qualquer tipo de construção, antes da próxima enchente. O problema não é que o povo tem tara pela irresponsabilidade. É o sistema todinho a ser mudado. Por este povo das encostas. Um dia.
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FONTE : Vito Giannotti, escritor e Coordenador do Núcleo Piratininga de Comunicação. (Publicado originalmente na edição 415 do Brasil de Fato - http://www.brasildefato.com.br/node/5648). (Envolverde/Brasil de Fato).
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Inpe produz vídeo que mostra os deslizamentos causados pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro
Os deslizamentos causados pelas chuvas em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, em janeiro, podem ser melhor observados em um vídeo produzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a partir da imagem de satélite aplicada sobre um modelo que confere perspectiva 3D.
Chamada pelos especialistas de DEM (sigla em inglês para Modelo Digital de Elevação), a técnica, que reproduz a distribuição espacial das características do relevo, permite um “voo virtual” sobre a região.
No vídeo, que pode ser visto em www.youtube.com/watch?v=Dkn1vhCFspI, foi utilizado o modelo DEM disponível no Google Earth, e a primeira imagem sem a interferência de nuvens após o desastre foi obtida em 20 de janeiro pelo satélite de alta resolução GeoEye.
A imagem GeoEye, processada e analisada pelos técnicos do Inpe, foi fornecida pela United States Geological Survey (USGS) por meio do International Charter Space & Major Disasters – um consórcio que reúne instituições de agências espaciais do mundo todo, entre elas o Inpe.
O Inpe já havia apresentado um conjunto de imagens que devem auxiliar os trabalhos da Defesa Civil do Rio de Janeiro. Nas imagens de alta resolução é possível ver detalhes dos deslizamentos causados pelas intensas chuvas.
Assim que ocorreu a tragédia na região serrana, técnicos do instituto começaram a processar e analisar dados de satélite que possam auxiliar nos trabalhos de recuperação das cidades.
Um lote de imagens de média resolução foi entregue à Defesa Civil fluminense apenas uma semana depois do desastre. Já as imagens de alta resolução, que devem orientar o trabalho de campo de técnicos do órgão, foram entregues em 2 de fevereiro.
Em formato melhor, para download, algumas das imagens estão disponíveis em: www.dpi.inpe.br/public/MCT_Envento_rio_Jan2011
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FONTE : Agência FAPESP, publicada pelo EcoDebate, 15/02/2011.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
FLORIANÓPOLIS : DESAFIO SOLAR BRASIL
Competição de barcos movidos a energia solar é realizada pela primeira vez na Capital e aponta caminhos para o futuroComeçou ontem, em Florianópolis, o Desafio Solar Brasil. O campeonato de barcos elétricos abastecidos com energia solar vai até o próximo sábado, no Lagoa Iate Clube (LIC). É a oportunidade de testar projetos de universidades brasileiras que pesquisam a tecnologia para que, no futuro, possamos ter embarcações não poluentes para uso comercial.
Participam barcos dos departamentos de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), campus Florianópolis, e de Engenharia da Mobilidade, de Joinville, além de outros 10 montados por instituições do Rio.
A competição será realizada no prazo de sete dias. Ontem foi a vez de inspecionar os barcos e apresentar os projetos. Hoje começa o rali, com provas de até 36 quilômetros, além de contornos de boias nas águas da Lagoa da Conceição, no Canto e na Costa da Lagoa.
Inspirado no Frisian Solar Challenge – competição realizada a cada dois anos na Holanda –, a versão brasileira foi criada pelo Polo Náutico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que organizou o evento em 2009, em Paraty. São duas categorias: monocascos e catamarãs (embarcações com dois cascos). Entre as equipes, a que somar o melhor tempo final é a vencedora. A disputa é uma forma de fazer os universitários buscarem a superação nos projetos para beneficiar o meio ambiente.
Como a equipe Vento Sul, da UFSC, ganhou o troféu pela primeira colocação com seu catamarã em 2009 e 2010, Florianópolis foi escolhida para sediar a primeira etapa da competição deste ano. Haverá ainda mais duas fases da prova até o fim do ano, no Rio de Janeiro, mas os locais e datas ainda não foram confirmados. Não há premiação em dinheiro.
– Barco solar é o futuro. A manutenção é baixa, a energia é de graça e não polui – explica o coordenador do desafio na Região Sul, Tassio Simioni.
O QUE É ENERGIA SOLAR
- Com o uso de equipamentos de captação é possível transformar energia solar em outros tipos de energia, como elétrica e de calor – normalmente usada para aquecer água. A vantagem da energia solar é ser uma fonte limpa e renovável. A desvantagem é o custo para captação.
FALTA INVESTIMENTO
- A equipe Babitonga, do Departamento da Mobilidade da UFSC de Joinville trabalhou mais de 12 horas por dia no último mês para aprontar o barco. Os recursos vieram da iniciativa privada. Painéis e cascos foram fornecidos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ferramentas e peças foram doados por empresas.
NA LAGOA DO PERI
- O Laboratório de Energia Solar (Labsolar) da UFSC está desenvolvendo um barco com capacidade para cinco pessoas para ser utilizado pelo Instituto Ekko Brasil, que monitora as lontras da Lagoa do Peri. O projeto facilitará o trabalho dos pesquisadores, que utilizam canoas para percorrer os 5,2 quilômetros quadrados da lagoa.
COMO FUNCIONA
- O barco de seis metros de comprimento por 2,3 metros de largura conta com seis placas de silício, responsáveis por captar a energia solar – que é transformada em elétrica – e carregar as baterias. Na água, também fazem o motor elétrico, ligado à hélice, movimentar o barco. Os cascos são feitos de materiais leves, como fibra de vidro. A velocidade chega a 15 quilômetros por hora.
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FONTE : Diário Catarinense, 14/02/2011.
Participam barcos dos departamentos de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), campus Florianópolis, e de Engenharia da Mobilidade, de Joinville, além de outros 10 montados por instituições do Rio.
A competição será realizada no prazo de sete dias. Ontem foi a vez de inspecionar os barcos e apresentar os projetos. Hoje começa o rali, com provas de até 36 quilômetros, além de contornos de boias nas águas da Lagoa da Conceição, no Canto e na Costa da Lagoa.
Inspirado no Frisian Solar Challenge – competição realizada a cada dois anos na Holanda –, a versão brasileira foi criada pelo Polo Náutico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que organizou o evento em 2009, em Paraty. São duas categorias: monocascos e catamarãs (embarcações com dois cascos). Entre as equipes, a que somar o melhor tempo final é a vencedora. A disputa é uma forma de fazer os universitários buscarem a superação nos projetos para beneficiar o meio ambiente.
Como a equipe Vento Sul, da UFSC, ganhou o troféu pela primeira colocação com seu catamarã em 2009 e 2010, Florianópolis foi escolhida para sediar a primeira etapa da competição deste ano. Haverá ainda mais duas fases da prova até o fim do ano, no Rio de Janeiro, mas os locais e datas ainda não foram confirmados. Não há premiação em dinheiro.
– Barco solar é o futuro. A manutenção é baixa, a energia é de graça e não polui – explica o coordenador do desafio na Região Sul, Tassio Simioni.
O QUE É ENERGIA SOLAR
- Com o uso de equipamentos de captação é possível transformar energia solar em outros tipos de energia, como elétrica e de calor – normalmente usada para aquecer água. A vantagem da energia solar é ser uma fonte limpa e renovável. A desvantagem é o custo para captação.
FALTA INVESTIMENTO
- A equipe Babitonga, do Departamento da Mobilidade da UFSC de Joinville trabalhou mais de 12 horas por dia no último mês para aprontar o barco. Os recursos vieram da iniciativa privada. Painéis e cascos foram fornecidos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ferramentas e peças foram doados por empresas.
NA LAGOA DO PERI
- O Laboratório de Energia Solar (Labsolar) da UFSC está desenvolvendo um barco com capacidade para cinco pessoas para ser utilizado pelo Instituto Ekko Brasil, que monitora as lontras da Lagoa do Peri. O projeto facilitará o trabalho dos pesquisadores, que utilizam canoas para percorrer os 5,2 quilômetros quadrados da lagoa.
COMO FUNCIONA
- O barco de seis metros de comprimento por 2,3 metros de largura conta com seis placas de silício, responsáveis por captar a energia solar – que é transformada em elétrica – e carregar as baterias. Na água, também fazem o motor elétrico, ligado à hélice, movimentar o barco. Os cascos são feitos de materiais leves, como fibra de vidro. A velocidade chega a 15 quilômetros por hora.
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FONTE : Diário Catarinense, 14/02/2011.
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