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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ILHA DAS ARANHAS, SC : fogo atinge a vegetação

Olhando de longe até parecia um vulcão, mas era a Ilha das Aranhas, que fica à frente das praias do Santinho e do Rio Vermelho, em Florianópolis, pegando fogo. Os bombeiros foram até o local na tarde de ontem e acabaram com o incêndio – só que o fogo voltou logo depois.

O Arcanjo, o helicóptero da corporação, não podia voltar à ilha porque estava em outras ocorrências.

– O Arcanjo não está habilitado para fazer serviço à noite. Provavelmente o fogo vai se extinguir, já que é uma vegetação rasteira e seca – explicou o major João Batista, comandante de operações aéreas do Corpo de Bombeiros e co-piloto do Arcanjo.

Ainda não se sabe a causa do incidente. Quando os bombeiros chegaram no local, por volta das 14h, não havia ninguém na ilha, nem sequer um barco.

– Não temos como saber ainda a causa do fogo. Mas sozinho não aconteceu. Alguém botou fogo lá – avaliou o major João Batista.



MultimídiaBombeiros chegaram a controlar as chamas, mas novos focos surgiramanteriorlista | imprimir | enviar | letra A - | A +
Fogo atinge a vegetaçãoOlhando de longe até parecia um vulcão, mas era a Ilha das Aranhas, que fica à frente das praias do Santinho e do Rio Vermelho, em Florianópolis, pegando fogo. Os bombeiros foram até o local na tarde de ontem e acabaram com o incêndio – só que o fogo voltou logo depois.

O Arcanjo, o helicóptero da corporação, não podia voltar à ilha porque estava em outras ocorrências.

– O Arcanjo não está habilitado para fazer serviço à noite. Provavelmente o fogo vai se extinguir, já que é uma vegetação rasteira e seca – explicou o major João Batista, comandante de operações aéreas do Corpo de Bombeiros e co-piloto do Arcanjo.

Ainda não se sabe a causa do incidente. Quando os bombeiros chegaram no local, por volta das 14h, não havia ninguém na ilha, nem sequer um barco.

– Não temos como saber ainda a causa do fogo. Mas sozinho não aconteceu. Alguém botou fogo lá – avaliou o major João Batista.
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FONTE : Diário Catarinense, edição de 1/11/2010.

Lei de Zoneamento do Mato Grosso joga no lixo 20 anos de estudos e US$ 30 milhões

Projeto aprovado ignora propostas recolhidas em audiências públicas, carimba os produtos do agronegócio de Mato Grosso com selo da suspeição no mercado internacional e tem poucas chances de aprovação pelo Conama.

O projeto de Zoneamento Socioeconômico e Ecológico (ZSEE) de Mato Grosso, da forma como foi aprovado na segunda-feira, 25, pela Assembleia Legislativa do estado, joga no lixo cerca de US$ 30 milhões investidos em 20 anos de estudos e discussões técnicas. De acordo com Roberto Vicentin, diretor de Zoneamento Territorial do Ministério do Meio Ambiente (MMA), foram realizadas 15 audiências públicas – algumas com tamanha participação que utilizaram estádios de futebol e ginásios de esporte –, e que deram origem a um documento do relator, o então deputado Alexandre Cesar (PT).

“O relator elaborou um substitutivo ao projeto original do Governo do Estado e incorporou grande parte das reivindicações das audiências públicas. A equipe técnica do Estado e nós do MMA avaliamos que aquele substitutivo era um ponto de convergência adequado, porque conciliava a base técnica com as aspirações e reivindicações da sociedade”, afirmou. Segundo o diretor do MMA, esse texto do relator foi atropelado pelo presidente da Comissão Especial de Zoneamento da Assembleia, Dilceu Dalbosco (DEM). “Ele não ficou satisfeito e elaborou, com técnicos que ele contratou, um substitutivo do substitutivo. E submeteu à votação da comissão essa terceira proposta. Não era nem o original do Estado, nem o substitutivo do relator, mas sim uma proposta que, com todas as letras, não tem sustentação técnica.”

A proposta foi duramente criticada também pelo Grupo de Trabalho de Mobilização Social, formado por representantes de instituições ligadas ao meio ambiente, educadores, indígenas, populações tradicionais e agricultura familiar do estado.

"Texto aprovado vai contra o próprio agronegócio"

Para Roberto Vicentin, o ZSEE aprovado vai contra os interesses do próprio agronegócio de Mato Grosso. “Da forma como havia sido apresentado e estava sendo ajustado no primeiro substitutivo do relator, dava um passaporte verde para as commodities de Mato Grosso. Mas, como foi aprovado, carimba a produção do agronegócio local com o selo da suspeição no mercado internacional. Isto porque, possivelmente, não terá respaldo do Conama, por falta de base técnica.”

A primeira votação do segundo substitutivo foi feita na noite de 30 de março, sem qualquer consulta à população. A segunda votação também foi realizada na surdina, sem nenhum aviso prévio. A proposta aprovada apresenta claras divergências em relação ao que foi debatido nas audiências públicas e sugerido pelos estudos. Diversos setores da sociedade mato-grossense apontam graves falhas técnicas, legais e sociais neste documento aprovado.

O ZSEE é um instrumento de grande importância para o planejamento estratégico do estado. Ele identifica potencialidades, vulnerabilidades e define a forma mais correta para o uso dos recursos naturais. No estado de Mato Grosso, pesquisadores e especialistas realizaram diversos estudos, ao longo de 20 anos, para trazer uma proposta viável de ZSEE, que atendesse à realidade econômica e socioambiental, mas esses estudos foram completamente desconsiderados na elaboração do substitutivo de Dalbosco. Agora o texto vai para sanção do governador.

“Houve um grande esforço do ex-governador Blairo Maggi para colocar o Mato Grosso na vanguarda da sustentabilidade, de livrar o estado da mancha de estado que mais desmatava, de levar essa nova política ao conhecimento internacional, de buscar uma boa proximidade com as ONGs socioambientalistas, e tudo isso ficará comprometido se o estado emplacar uma lei dessa natureza. Houve uma inversão radical da rota”, afirma Vicentin.

Proposta aprovada ‘rasga’ US$ 30 milhões

O ex-deputado Alexandre Cesar (PT), autor da primeira proposta para o ZSEE de Mato Grosso, afirma que o substitutivo aprovado alterou as bases técnicas e científicas da proposta original e entrou em flagrante contradição com a legislação federal. E, segundo ele, ainda joga fora o dinheiro investido. “Esse projeto rasga, literalmente, US$ 30 milhões investidos em estudos para formular uma proposta de zoneamento coerente. Agora, estamos longe de ter um ato jurídico que garanta o desenvolvimento sustentável do estado”.

Alexandre afirma ainda que o texto aprovado faz parte de uma estratégia para que Mato Grosso continue sem um ZSEE. “Este projeto nunca será aprovado pelo Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) da maneira como está. Eu não tenho dúvidas de que isso faz parte de uma estratégia de setores que não querem que o estado tenha seu zoneamento”.

Todo o processo de discussão do zoneamento no estado foi marcado por forte participação do setor do agronegócio, de acordo com o diretor Vicentin, do MMA. “Eles se mobilizaram de forma legítima. O problema é que diante de uma correlação de forças desfavorável, os movimentos sociais, a agricultura familiar, os segmentos populares urbanos e a academia ficaram em situação extremamente desvantajosa. Porque predominou força da mobilização política, o poder econômico muito assimétrico. Então era natural naquelas audiências públicas uma pressão muito forte desses segmentos do agronegócio para alterar o enquadramento das áreas do estado nas diferentes categorias de uso que o zoneamento possibilitaria. Isso ocorria, sempre, no sentido de diminuir as condicionantes e as restrições que o zoneamento indicava.”

O zoneamento inicial, elaborado pelo Executivo, englobava diversas áreas numa categoria de uso mais restrito, que exigia maiores cuidados para determinados tipos de atividades. E o chamado setor produtivo pressionava nas audiências para que essas áreas mudassem de categoria – que passassem da categoria 2 para a categoria 1.

“A nomenclatura denomina a categoria 1 como áreas consolidadas. Então eles queriam jogar todas as áreas para as áreas consolidadas. Porque, supostamente, ao enquadrar uma determinada área ou um município na categoria de áreas consolidadas, haveria menos restrições para o uso dessas propriedades, dessas terras, sendo que na categoria 2 já havia exigência de cuidados e medidas de proteção ambiental, que na leitura feita pelo setor do agronegócio, implicaria maiores restrições e dificuldades para as atividades econômicas”, explica Vicentin.

Por trás de tudo, o novo Código Florestal

O diretor entende que por trás de tudo está a confiança do setor do agronegócio na aprovação do novo Código Florestal. “Eles apostam que o novo Código vai liberar geral, deixar tudo como está. Nesse caso, acreditam que quem desmatou, além de não ser obrigado a recuperar, não terá de pagar multa, vai ser perdoado. Uma atitude irresponsável contra o meio ambiente e contra os próprios negócios deles. Não se dão conta de que agindo assim estão comprometendo do ponto de vista comercial o agronegócio do Mato Grosso.”

Ele também vê dificuldades para que o Conama dê respaldo ao zoneamento da forma como foi aprovado pela Assembléia Legislativa. “A gente não pode falar nem decidir pelo Conama, mas para aprovar, o conselho vai precisar do parecer do Ministério do Meio Ambiente. E será muito difícil a comissão coordenadora do zoneamento, que envolve 14 ministérios, recomendar favoravelmente, sendo que o zoneamento não foi feito de acordo as diretrizes e as bases técnicas."
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FONTE : Fernanda Bellei e Julio Cezar Garcia, do ISA.(Envolverde/ISA).

O lixo como um bem econômico gerador de empregos

Especialistas destacam que além da sociedade ter que repensar seus hábitos de consumo é preciso que o governo e a iniciativa privada percebam que a reciclagem é uma grande oportunidade de novos negócios e uma ferramenta promotora da cidadania.

Se você pegar a lata do lixo de sua casa e começar a analisar um a um os objetos contidos nela perceberá algo estranho. Você irá retirar, por exemplo, uma garrafa plástica, que só por estar vazia não significa que tenha deixado de ser uma garrafa. O mesmo serve para outras vasilhas, que se por acaso não podem ser reaproveitadas podem ser recicladas facilmente. Praticamente para tudo que você retirar do saco, latinhas, papéis e até mesmo materiais orgânicos, já existem tecnologias de reciclagem e reaproveitamento.

Então onde está o “lixo”? Onde estão as coisas que tão apressadamente descartamos sem ao menos nem pensar se ainda serviriam para algo?

Se tudo que encontramos na nossa lata de lixo já pode ser reutilizado e reciclado não seria um erro que essas mesmas coisas acabem empilhadas num lixão qualquer poluindo nosso solo e água?

Claro que é um erro! Mais que isso, é uma ignorância deixar toda essa riqueza esquecida nos aterros mundo a fora. É preciso que os governos, empresas e pessoas acordem para essa realidade.

É esse alerta que especialistas reunidos em Florianópolis para a 7º Conferência Lixo Zero Internacional querem passar a toda a sociedade.

“Falta bom senso nessa questão que literalmente está sob nossos narizes. Todo o santo dia jogamos algo fora que possui um potencial imenso de ainda ser útil. Nosso planeta é finito, não podemos mais nos dar ao luxo de simplesmente ignorar os recursos presentes nos resíduos”, explicou Richard Anthony, presidente da Zero Waste International Alliance.

Oportunidades

O Brasil aparece nesse cenário de reaproveitar o lixo como um dos países mais promissores do planeta. Com a recém aprovação da lei dos resíduos sólidos e sua provável regulamentação em novembro, os governos e empresas terão o dever de recolher, reaproveitar ou reciclar tudo o que for possível. Apenas o que realmente não puder ser reutilizado deverá ir para aterros sanitários que seguirão rígidas normas ambientais. Os lixões como conhecemos não poderão mais existir.

No prazo de dois anos, se uma cidade não cumprir sua parte, o governo federal terá o poder de não repassar mais os recursos para a gestão do lixo. Sem esses recursos o município não conseguirá recolher seus resíduos e incorrerá em crime ambiental, cabendo inclusive a prisão do prefeito.

“Mas o principal objetivo da lei não é colocar gente na cadeia. Trata-se de um projeto moderno que busca incentivar a criação de uma indústria nacional de reciclagem e tratamento de resíduos”, explicou Walfrido Assunção Ataíde, consultor que trabalhou ao lado dos parlamentares para formular a nova política.

Entre as oportunidades destacadas por Ataíde está a criação de escolas, cursos e especializações voltadas para a capacitação de pessoas para trabalhar com o reaproveitamento de resíduos.

“Iremos precisar de mais engenheiros sanitários, químicos e biólogos para esse ramo que de certa forma deve se transformar em um novo fornecedor de matéria-prima para a cadeia de produção”, afirmou.

Outra grande lacuna que deverá ser preenchida será a criação de uma indústria para reciclar equipamentos eletro-eletrônicos.

“A lei enfrenta um problema que é a falta de empresas capazes de reciclar computadores, pilhas e baterias. Por isso os fabricantes desses produtos ganharão um pouco mais de tempo até serem cobrados pela destinação de suas mercadorias. Existe muito dinheiro nessa área esperando por alguém com visão. É um novo nixo de mercado que quem chegar primeiro irá ter uma grande vantagem”, disse o consultor.

Nesse quesito vale destacar o trabalho já existente do Comitê para Democratização da Informática (CDI), que desde 1995 é um dos pioneiros na inclusão digital, recolhendo computadores e destinando-os para comunidades carentes e escolas. A ONG já está presente em 13 países e afetou a vida de mais de um milhão de pessoas.

Iniciativas

A nova lei também vai estimular a formação de cooperativas de catadores e reciclagem assim como a criação de entidades que trabalhem com os resíduos, como o CDI.

Um bom exemplo de iniciativa que deve sair ganhando com a lei é o Espaço Recicle, criado pelo engenheiro Rodrigo Sabatini.

A idéia é simples, as pessoas levam materiais já devidamente separados para os trailers do Espaço Recicle espalhados em pontos estratégicos da cidade. Esses resíduos são pesados e convertidos em pontos que ficam acumulados em um cartão magnético.

O Espaço Recicle repassa então os resíduos coletados para empresas parceiras, que os transformam em produtos como camisetas, bolsas e brinquedos.

Mais tarde, a pessoa pode trocar os pontos no cartão por essas mercadorias. O modelo já está presente em Florianópolis.

“É engraçado como todo mundo que vem conversar comigo quer ajudar, quer participar. Não entendo como com tantas pessoas boas nós deixamos a situação do planeta ficar tão ruim. Acredito que temos que deixar de lado um pouco o discurso e partir para a ação. O mundo precisa de mais pessoas que façam as coisas acontecer”, concluiu Sabatini.
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FOTO : Fabiano Ávila - (Envolverde/Carbono Brasil)

Batalha entre floresta e gado na Amazônia

"Agarre na mão de Deus”, disse sua mãe ao falecer. Só mais tarde compreendeu que ela, enquanto agonizava com falência dos rins, o exortava a continuar seu trabalho de evangelização católica. Era 1980, e viviam isolados no seringal de Iracema, como uma grande família formada por dezenas de adultos, meninos e meninas, sobrevivendo do que a selva amazônica oferecia e da venda de látex natural extraído da seringueira.

Aldeci Cerqueira Maia, o “Nenzinho”, tinha 18 anos e havia se casado há pouco quando sua mãe morreu. Extrator de borracha desde os nove anos, guarda até hoje, “como um talismã”, uma das primeiras pelotas que fez com esse produto. Seus avós foram “soldados da borracha”, levados do Nordeste para a Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) para abastecer de borracha os exércitos aliados.

Mais tarde, o Estado do Acre começou a receber novos visitantes interessados, não nos frutos da floresta, mas em derrubá-la e implantar a pecuária e alguma plantação. Os assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) restringiam o seringal. Quando, em 1986, o Incra se preparava para ocupar parte dos seringais para assentar os agricultores, os cultivadores de borracha ameaçados de expulsão uniram-se no “empate”, uma forma de resistência pacífica que levou multidões a se opor ao desmatamento.

“Conseguimos parar a expropriação do Incra”, disse Nenzinho, mas foi preciso uma longa luta até que o triunfo se formalizasse na criação da Reserva Extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em 2002. Resex é uma área de proteção ambiental onde seus moradores tradicionais têm direito ao uso sustentável dos recursos naturais e benefícios como subsídios ao preço da borracha. Esta foi a vitória do “empate”, um invento de Chico Mendes, herói dos povos da floresta amazônica, no qual os seringueiros formavam barreiras humanas para impedir o corte da floresta.

Mas a criação dessas reservas custou sangue e conflitos. Chico Mendes foi assassinado em 1988 por pecuaristas em Xapuri, cidade do leste do Acre. Oito anos antes, já haviam matado Wilson Pinheiro, outro líder de seringueiros e trabalhadores rurais. O primeiro legado de ambos foi a criação, em 1990, da Resex Chico Mendes, com 970.570 hectares, onde vivem hoje cerca de 1.800 famílias.

Nenzinho sobreviveu a duas ameaças de morte, uma delas por ter denunciado um delegado por caça ilegal. Mas sempre contou com a proteção e o apoio do padre Paolino Baldassari, cura italiano já octogenário mas ativo, que formou gerações de ativistas católicos e animou todas as lutas dos pobres em Sena Madureira, município sede da Resex Cazumbá-Iracema.

O sucesso da resistência do seringal Iracema e de sua própria liderança, Nenzinho atribui à pregação religiosa iniciada por sua mãe e seguida por ele, sempre sob orientação de padre Paolino. “O ser humano não vive apenas de pão, e tampouco só de oração”, disse ter aprendido Nenzinho, que decidiu também cuidar da saúde de seus vizinhos, capacitando-se como agente sanitário e depois enfermeiro.

As visitas frequentes a todas as famílias locais o fizeram padrinho de meninos e meninas de 56 famílias. “Era compadre de todos”, contou. Porém, uma brutal queda no preço da borracha na década de 1990 ameaçou desfazer sua comunidade. Muitos abandonavam o seringal. Os persistentes criaram uma cooperativa e Nenzinho, com as facilidades de agente de saúde da prefeitura, transportava a produção de todos para vender na cidade, fazendo com que economizassem custos e tempo.

O transporte por animais demorava quase um dia inteiro, já que não havia estradas, apenas caminhos escorregadios quando chovia. Em 1992, o preço caiu mais ainda e “não havia compradores”. Nenzinho decidiu salvar um mínimo da comunidade convidando dez famílias a se somarem à extração de castanha com o que ele e seus parentes conseguiam alguma renda, graças à sorte de viver junto a um grande castanhal. Como a colheita de castanha se limita ao primeiro trimestre, também recorreu ao cultivo de arroz, feijão, banana e outros alimentos no restante do ano.

“Foi difícil” mudar os hábitos de extratores acostumados à carne de caça. “Tivemos que aprender a comer outras coisas. Eu mesmo precisei me domesticar”, admitiu Nenzinho. Outro triunfo foi a abertura de um ramal viário até a Resex, “uma missão impossível, mas realizada”. Em 1997, chegou o primeiro automóvel, entre choros “de emoção”, contou. “O transporte é tudo”, afirmou, embora a terra escorregadia impeça o tráfego de veículos a maior parte do ano.

Cazumbá-Iracema também foi a “primeira comunidade extrativista a ter ensino médio no Acre”, destacou orgulhoso. São 15 alunos no secundário e 96 no ensino primário, informou a professora Algecida Cerqueira, em sua casa de madeira, no povoado principal da Resex. “Nasci aqui e fundei a escola em 1993”, contou, dizendo que a juventude “quer ficar aqui”, ao contrário dos filhos de camponeses assentados nos arredores. Um exemplo é Ronaldo Santos, de 18 anos, que pensa em estudar biologia em alguma cidade e depois voltar para pesquisar “a floresta cheia de mistérios”.

Finalmente, em 2002, o governo federal decretou a criação da desejada Resex Cazumbá-Iracema, com 750.975 hectares. Isso lhes dá subsídios que elevam para R$ 3,20 a renda obtida por um quilo de borracha, 2,7 vezes o preço do mercado, mas equivalente a apenas um terço do poder de venda de 1980, segundo Nenzinho. O seringueiro hoje cuida de sua Resex como funcionário do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão do Ministério do Meio ambiente encarregado das unidades de conservação, como Resex, Parques e Florestas Nacionais.

A população local aumentou para 320 famílias que, para melhorar sua renda, tentam diversificar a produção. Além da castanha e da pequena agricultura, desenvolvem o artesanato, especialmente com o emborrachado, de látex com o qual fazem grandes pinturas e mouse pads em forma de árvores amazônicas. Na Resex Chico Mendes já se usa o látex para fabricar camisinha e a “folha defumada”, espécie de couro vegetal usado para fazer calçados.

Contudo, parece insuficiente. Há dois anos foram descobertas milhares de cabeças de gado e uma grande área desmatada na reserva, violando os objetivos da área protegida. O Incra executou no Acre projetos de “colonização” e criou assentamentos causando um amplo desmatamento ao longo das estradas nas décadas de 1970 e 1980, mas depois mudou sua forma de atuar, incorporando a dimensão ambiental e aproximando-se do espírito das Resex, explicou João Ricardo de Oliveira, chefe de Planejamento do Instituto no Estado.

O objetivo do regime militar da época era ocupar a Amazônia, com a filosofia de “integrar para não entregar” a soberania da região, e também assentou milhares de deslocados por projetos hidrelétricos no sul, sem nenhuma preocupação ambiental, explicou. No Acre chegaram menos deslocados do que no vizinho Estado de Rondônia, que foi um exemplo negativo do amplo desmatamento e disseminação da malária.

Agora, procura-se criar uma Zona Econômica Ecológica no Acre, e os assentamentos evitam áreas de floresta nativa ou são feitos de forma sustentável, assegurou. O novo modelo será testado logo no assentamento dos “basivianos”, camponeses brasileiros expulsos da faixa fronteiriça com a Bolívia. “Temos uma lista de 417 famílias”, disse João Ricardo.
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FONTE : Mario Osava, da IPS. (Envolverde/IPS).

Peixes e petróleo

O petróleo que flutua nas águas norte-americanas do Golfo do México é um remanescente do vazamento da empresa British Petroleum (BP). Mas ali é possível pescar.

Nova Orleans, Estados Unidos, 1º de novembro (Terramérica).- Enormes manchas de petróleo aparecem à simples vista, sobrevoando o delta do Rio Mississippi. Mas as autoridades do Estado de Lousiana autorizam a pesca em boa parte dessa área. O Terramérica percorreu a área em avião no dia 23. Quatro dias antes, o coordenador federal da limpeza do vazamento causado pela multinacional British Petroleum (BP), Paul Zukunft, declarou que havia pouco petróleo recuperável na superfície do Golfo do México.

O petróleo começou a vazar no dia 20 de abril, quando a plataforma de exploração Deepwater Horizon, que a BP arrendava da empresa suíça Transocean, explodiu e, dois dias depois, afundou. Apenas em julho foi possível deter o vazamento. Para alguns, foi o mais grave da história, embora ainda seja difícil estimar quanto petróleo se misturou às águas.

A East Bay e a West Bay são duas baías que, como indicam seus nomes, ficam a leste e oeste do Southwest Pass, o principal canal de navegação na desembocadura do Mississippi, no Golfo do México. Entre as duas, são cerca de 112 quilômetros quadrados de águas. Enquanto East Bay está fechada para a pesca, West Bay estava aberta quando o Terramérica divisou a mancha, embora um dia antes o pessoal de limpeza da BP tivesse informado a um jornal local que ali havia petróleo.

“Literalmente, vão pescar petróleo”, disse durante o voo o ativista Jonathan Henderson, da Gulf Restoration Network, ao ver alguns camaroneiros trabalhando na área coberta de petróleo. Também preocupa o efeito dos dispersantes tóxicos que a BP empregou para mandar o combustível para as profundezas.

“O colapso do ecossistema causado pelo uso de dispersantes terá efeitos imediatos e de longo prazo para as tradicionais comunidades pesqueiras do Golfo do México”, disse ao Terramérica Clint Guidry, da Associação de Camaroneiros da Lousiana. “Desde o primeiro dia, há uma operação de relações públicas para diluir a responsabilidade da BP. O departamento de relações públicas disse que a área é segura para pescar e que é seguro comer o que for pescado, mas essa não é a realidade”, afirmou.

As águas de East e West Bay estão sob jurisdição do Departamento de Vida Silvestre e Pesca da Louisiana (LDWF), enquanto a área mais afastada da costa pertence à órbita federal. No mesmo dia em que o Terramérica avistou a mancha de combustível, um piloto do LDWF havia sobrevoado a área e afirmado que não havia petróleo. Este funcionário “deveria ter fechado a baía para pesca” e não o fez, disse Henderson. “Não entendo como pode ter sobrevoado a área e não ver a mancha. É um ato criminoso”, acrescentou.

O Terramérica tentou, sem êxito, comunicar-se com o funcionário do LDWF. A resposta foi que “não estava disponível para dar declarações”. O site do LDWF tem um número de telefone para informar o encontro de restos de petróleo. Quando o Terramérica ligou, a resposta veio de um centro de chamadas da BP. No dia 23 de outubro, a guarda-costeira indicou que a substância que flutuava em uma extensa área de West Bay era um “banco de algas”.

“A guarda-costeira deveria mudar a cor de seu uniforme, porque trabalha para a BP. Sabemos disso desde que tudo começou. Ninguém acredita em nada do que dizem sobre este desastre petroleiro”, disse Dean Blanchard, dono da empresa pesqueira Dean Blanchard Seafood Inc., de Grand Isle. “Eu recolhi um pouco de água e tinha aspecto de petróleo, parecia petróleo, tinha um vermelho amarronzado, como todo petróleo que vimos misturado à água”, disse ao Terramérica o pescador David Arenesen, de Venice.

A camada de petróleo “tinha espessura de, pelo menos, 2,5 centímetros e se estendia por milhas”, acrescentou. O pescador Gary Robinson, que se dedica à captura de cavala nas proximidades de Venice, disse ao Terramérica que nunca vira uma mancha como essa, que, segundo ele, tinha mais de 12 centímetros de espessura. A área de East Bay parece estar coberta por um petróleo degradado em várias cores.

Em uma viagem de cruzeiro de um mês, pesquisadores do Estado da Georgia detectaram petróleo no fundo marinho, supostamente do vazamento da BP. Embora funcionários do governo duvidem que haja combustível no leito do mar, os cientistas disseram que as amostras exalavam o mesmo cheiro de “uma oficina mecânica”. Os pesquisadores pegaram 78 amostras de sedimentos, e apenas cinco continham organismos vivos. Todas deveriam ter formas de vida, disse a cientista Samantha Joye, da Universidade da Georgia. A área afetada é um “cemitério de macrofauna”, acrescentou.

* O autor é correspondente da IPS.

Crédito da imagem: Erika Blumenfeld/IPS

Legenda: As águas marinhas cobertas pelo petróleo derramado pela BP perto de Southwest Pass, em Louisiana.

LINKS

Pescadores do Mississippi não confiam em descontaminação
http://envolverde.com.br/materia.php?cod=79863&edt=

Preocupam os efeitos de longo prazo no Golfo
http://envolverde.com.br/materia.php?cod=78810&edt=

Imprensa proibida na área de vazamento no Golfo do México
http://envolverde.com.br/materia.php?cod=77409&edt=

Autópsia ambiental no Golfo do México
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3576

Petróleo envenena cadeia alimentar do Golfo
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3551

O tsunami da British Petroleum
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3519

Limpeza orgânica de vazamento de petróleo
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=887

Gulf Restoration Network, em inglês
http://healthygulf.org/

Associação de Pescadores de Camarão da Louisiana, em inglês
http://www.louisianashrimp.org/

Departamento de Vida Silvestre e Pesca da Louisiana, em inglês
http://www.wlf.louisiana.gov/

Escritório Nacional de Administração Oceânica e Atmosférica, em inglês
http://www.noaa.gov/
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FONTE : Dahar Jamai - artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde. (Envolverde/Terramérica).

O DNA da biodiversidade

O Protocolo de Nagoya de Acesso e Participação nos Benefícios dos recursos genéticos foi o êxito mais ambicioso da cúpula da biodiversidade, realizada no Japão.

Nagoya, Japão, 1º de novembro (Terramérica).- Os delegados na 10ª Conferência das Partes do Convênio sobre Diversidade Biológica aprovaram um plano raquítico para a hercúlea tarefa de frear o desaparecimento de espécies. O pacto sobre recursos genéticos foi a exceção. Os representantes de mais de 190 países concordaram em colocar sob regime de proteção 17% das terras e 10% dos mares e oceanos até 2020. Atualmente, estão protegidos menos de 10% das terras e menos de 1% dos mares. O objetivo inicial era chegar a 25% e 15%, respectivamente.

No acordo está incluído o Protocolo de Nagoya de Acesso e Participação nos Benefícios dos Recursos Genéticos, o êxito mais notável da COP 10, que de todo modo foi negociado por 18 anos. Este documento estabelece mecanismos para utilizar o material genético de plantas, animais e micróbios na produção de alimentos, remédios, insumos industriais, cosméticos e em muitas outras aplicações. Por “acesso” entende-se a forma como esses recursos são obtidos, e “a divisão dos benefícios” significa como são distribuídos os ganhos provenientes desse uso.

O aproveitamento dos recursos genéticos deve muito aos conhecimentos empíricos adquiridos pelos povos indígenas durante séculos de uso e observação. Os povos originários se consideram depositários e protetores de boa parte da biodiversidade do mundo e dos conhecimentos tradicionais. Sem um acordo internacional formal como este, é impossível terem esse papel reconhecido e que seja detida a exploração de materiais e técnicas, que ocorre há décadas diante de seus narizes.

“O Protocolo de Nagoya é um tratado magnífico. Fizemos história aqui”, disse Gurdial Singh Nijar, delegado malaio representando o grupo Ásia-Pacífico. “Com este tratado esperamos apagar a palavra biopirataria do vocabulário do mundo”, afirmou. A biopirataria é praticada por empresas que se beneficiam do conhecimento indígena sobre as virtudes das espécies biológicas, mas sem seu consentimento e sem compartilhar os lucros.

“Podemos viver com o Protocolo de Nagoya”, disse ao Terramérica a ativista Joji Cariño, da indígena Fundação Tebtebba, com sede nas Filipinas. O acordo sobre um tema complexo e polêmico foi alcançado no último minuto, graças à intervenção do ministro do Meio Ambiente do Japão, Ryu Matsumoto, segundo disseram delegados, como Nijar. “Representa um grande triunfo e, no geral, é muito bom”, afirmou Preston Hardison, da tribo tulalip, dos Estados Unidos.

“O Protocolo de Nagoya coloca os povos indígenas em condições de falar diretamente aos Estados sobre nossos direitos aos recursos genéticos e o valor do conhecimento tradicional no uso dos mesmos”, disse Hardison ao Terramérica. China e Índia queriam nacionalizar os recursos genéticos fronteiras adentro. União Europeia (UE), Canadá e Austrália, que possuem grandes indústrias farmacêuticas e cosméticas, apresentaram dura resistência às tentativas de incluir os produtos bioquímicos derivados de plantas e outras espécies, destacou Hardison.

Segundo Christine Von Weizsäcker, porta-voz da Aliança do Convênio da Diversidade Biológica (CDB Alliance), uma coalizão de organizações não governamentais, “este é um grande avanço para os países em desenvolvimento”. Em entrevista ao Terramérica, Weizsäcker declarou que “está longe de ser perfeito, mas oferece uma sólida base para o trabalho futuro”.

Para entrar em vigor, o Protocolo de Nagoya deve ser ratificado pelos países, e os governos terão de adotar leis e regulamentações nacionais sobre acesso e divisão dos benefícios para colocá-lo em prática. Desde logo, como ocorre com muitos tratados internacionais, os países podem escolher ignorá-lo, pois não contém nenhuma cláusula vinculante, destacou Hardison.

Embora pareça incrível, este documento pode ser o mais forte dos três pilares do Convênio sobre a Diversidade Biológica. O segundo pilar é o plano estratégico com 20 objetivos a cumprir antes de 2020, e cuja finalidade central é chegar a esse ano com um ritmo de extinção de espécies que seja a metade do atual.

“Acreditamos que ainda são necessárias metas muito mais ambiciosas para sustentar a ampla gama de serviços essenciais que os ecossistemas prestam ao bem-estar humano”, disse Russell Mittermeier, presidente da organização não governamental Conservation International, com sede nos Estados Unidos. “A conservação e o uso sustentável da biodiversidade precisa que o setor público realize investimentos catalisadores, estratégicos e bem dirigidos”, disse Mittermeier em um comunicado

Talvez, o pilar mais fraco seja o terceiro, o financiamento para implementar o Protocolo e o plano estratégico. No momento são destinados US$ 3 bilhões anuais à assistência ao desenvolvimento em matéria de biodiversidade e conservação. Os especialistas concordam que a quantia deveria ficar entre US$ 30 bilhões e US$ 300 bilhões. Contudo, em Nagoya não se conseguiu esse compromisso. “Precisamos aproveitar a energia desta reunião, onde vimos compromissos significativos e uma renovada vontade política, bem como dinheiro real” procedente de, por exemplo, Japão, disse Jane Smart, da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Há duas semanas, quando começou a conferência em Nagoya, muitos países africanos, asiáticos e latino-americanos insistiram na importância de o Norte industrial assumir compromissos financeiros firmes. Como os Estados Unidos não são membro do Convênio sobre a Diversidade Biológica, a maior parte do dinheiro deve vir da UE, que sofre o impacto da recessão econômica. O bloco não assumiu novos compromissos financeiros. Segundo fontes das delegações, os países do Sul em desenvolvimento aceitaram que o prazo para esses compromissos se estenda até a próxima COP, que acontecerá na Índia em 2012. E, por outro lado, os governos das nações ricas aprovaram o Protocolo de Nagoya.

“A África exige que os doadores aumentem suas contribuições. Sem financiamento, este será um acordo vazio”, disse James Seyani, do Malaui, e porta-voz dos países africanos. “Estamos orgulhosos por haver um acordo sobre acesso e divisão de benefícios. Mas, voltamos a solicitar às nações doadoras que respondam ao nosso pedido de desenvolvimento de capacidades, para que possamos implementar este pacto em nossos países”, declarou Seyani no encerramento da conferência.

* O autor é correspondente da IPS.

Crédito da imagem: Mauricio Ramos/IPS

Legenda: Indígena chiapaneca recolhendo água, México.

LINKS

Como barrar a extinção dos vertebrados
http://envolverde.com.br/materia.php?cod=82877&edt=33

Mudar o desenvolvimento para salvar a biodiversidade
http://envolverde.com.br/materia.php?cod=82756&edt=33

Geoengenharia para um clima desesperador
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3633

Canadá exclui indígenas de negociações
http://envolverde.com.br/materia.php?cod=82567&edt=33

Última chance para salvar a diversidade biológica
http://envolverde.com.br/materia.php?cod=82486&edt=33

Biodiversidade à beira do despenhadeiro
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=3627

Nagoya dá à luz tratado sobre biossegurança
http://envolverde.com.br/materia.php?cod=82282&edt=33

Biodiversidade 2010 : Arca multicor – Cobertura especial da IPS Notícias, em espanhol
http://www.ipsnoticias.net/_focus/biodiversidad/index.asp

A vida na primeira página: Guia para noticiar sobre biodiversidade, pdf em espanhol
http://www.ipsnoticias.net/_adv/Biodiversidad2010.pdf

Convênio sobre a Diversidade Biológica, em espanhol, inglês e francês
http://www.cbd.int/

Fundação Tebtebba, em inglês
http://www.tebtebba.org/

CBD Alliance, em inglês
http://www.cbdalliance.org/

Conservation International, em inglês
http://www.conservation.org/Pages/default.aspx

União Internacional para a Conservação da Natureza, em espanhol, inglês e francês
http://www.iucn.org/es/
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FONTE : Stephen Leahy - artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde. (Envolverde/Terramérica).

Comida industrializada contém altos níveis de conservantes, corantes e outras substâncias sintéticas

Seu gosto pode ser delicioso, mas o excesso de conservantes, corantes e outras substâncias sintéticas fazem dos lanches fast-food verdadeiras bombas para a saúde.

Um simples pedaço de nugget contém pelo menos 20 ingredientes, dependendo da rede de lanchonetes. Esta foi uma das descobertas do jornalista David Zinczenko, autor do livro "Eat This, Not That", que faz uma análise dos piores alimentos da indústria alimentícia:

Nuggets:

A receita original, que une frango, pão e óleo, já não existe há tempos nas lanchonetes. O nugget industrializado tem pelo menos 20 ingredientes (alguns chegam a ter 35), entre eles água, dextrose, óleo de girassol, conservantes, açúcar e fosfato de sódio. Em um único pedaço, é possível encontrar a carne de pelo menos sete galinhas diferentes.

Sanduíche de salame:

A maioria das carnes processadas vendidas em lanchonetes e grandes redes de fast-food tem a mistura de porco e outras carnes para baratear seu custo. O salame, principalmente o de baixa qualidade, costuma ser feito de restos do boi, geralmente sobras de músculo, coração e tripa. Uma fatia de salame costuma ter cerca de 15 ingredientes e muito muito sal. Também contém nitrito e nitrato de sódio, conservantes considerados cancerígenos pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Hambúrguer:

Estes pedaços de carne estão cada vez mais contaminados graças à produção em larga escala, que aumenta a proliferação de bactérias nas fábricas. Muitas companhias utilizam a amônia na carne para evitar a proliferação de E.coli e salmonella, duas bactérias que causam intoxicação alimentar. O problema é que acabamos ingerindo carne com detergente. Um outro alerta: nos Estados Unidos, estudos já demonstraram que um único hambúrguer tem pedaços de pelo menos 100 bois.

Sanduíches feitos com pão integral:

Não caia nesta pegadinha!!! A maioria dos pães integrais nas redes de fast-food tem menos de 2% de grãos integrais, ou seja, não são nada saudáveis. Além disso, contém substâncias que não são encontradas nos pães caseiros, como o sulfato de amônia, o sulfato de cálcio e o xarope de milho de alta frutose. Em uma pesquisa na rede Subway americana, Zinczenko descobriu que a coloração escura de alguns pães não era por causa dos grãos integrais. A rede utilizava um corante caramelo para deixar as fatias com uma cara mais saudável.

Balas coloridas:

O excesso de corantes nas balas e nos chocolates com casquinhas coloridas é péssimo para as crianças. Um estudo publicado no jornal científico 'Lancet', mostra que eles podem aumentar a hiperatividade e os problemas de comportamento nos pequenos. Além disso, são riquíssimos em açúcar. Um pacote pequeno de bala, por exemplo, pode conter mais açúcar do que duas barras de chocolate.

Salgadinhos e batatas chips:

O típico salgadinho industrializado contém nada menos do que 39 ingredientes. Destes, apenas três são encontrados no supermercado: a batata, o queijo e o óleo de soja. A maioria tem gordura hidrogenada e glutamato monossódico (MSG), usado para realçar o sabor e estimular o apetite. Estudos ligam o glutamato a enxaquecas, alergias, irritabilidade, tonteiras e até dores no peito.
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FONTE : Publicada em 18/10/2010, às 12h13m, O Globo