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terça-feira, 3 de agosto de 2010

O BEIJA-FLOR QUE FALA COM DIMITRI...

Pois a Iracema Dantas de Araújo é uma grande amiga que conheci, ao acaso, no mundo virtual. É professora, escritora, tradutora. Atenta a tudo que se passa no mundo. Seu marido é gaúcho e colorado de carteirinha ! Eles residem em Goiânia, Goiás.
Alma sensível, Iracema é engajada nas lutas ecológicas e de defesa de animais, não raro estando nas páginas dos jornais de Goiânia com seus textos. Gentilmente, mandou-me seu último livro em edição bilíngue. Por sua interferência já tive textos meus publicados na imprensa de Goiânia. Está aqui no sofá da minha sala a almofada vermelha que ela mandou de presente para a minha mulher, assim como pendurada no teto está a mandala também vermelha enviada por ela. Vera Maria retribuiu com toalhinha com o nome de Iracema bordado.
Enfim, somos amigos reais sem nunca termos nos visto.
Hoje recebi e-mail dela contando sobre a singela história ocorrida na rua com um amigo russo que mora em Goiânia, chamado Dimitri, casado com Iraci.
Vou transcrever a história do Dimitri, que se naturalizou brasileiro aos 74 anos, pelo que ela tem de delicada, terna e bela numa época onde a violência infesta qual praga os noticiários da mídia.
Este é o e-mail que Dimitri escreveu para Iracema :

De: ushakovdimitry
Data: 2 de agosto de 2010 18:44
Assunto: caldas novas
Para: iracemada@gmail.com

Iracema, ... toda tardinha vou comprar pão no supermercado da 23, na esquina tem muitos fios de energia, e tem sempre beija-flor pequeno, preto, c/rabinho em forma de tesoura, eu paro e dou um chauzinho c/2 dedos, o indicador e o médio, pois o beija-flor hoje deu um leve trinado e sacudiu o rabinho; eu repeti o chauzinho pra ver o que acontece; o passarinho repetiu o trinado e sacudiu o rabinho de novo. Vê como é a natureza!!
abço dimitry/iraci

Meus Deus !!! Quiçá para cada soldado que se mata estupidamente no Iraque existissem mil Dimitris pela face da Terra e um milhão de Iracemas em cada canto do planeta !
A vida estaria salva !

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AUTOR : James Pizarro

Unesco retira Galápagos de lista de patrimônios em risco


Arquipélago no Equador tem 19 ilhas e uma reserva marinha; decisão foi anunciada durante reunião da agência em Brasília.

O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco anunciou ter retirado o arquipélago de Galápagos, no Equador, da lista de patrimônios em risco.

Segundo uma nota da Unesco, a decisão foi tomada com base nos esforços do governo equatoriano de combater ameaças geradas por espécies invasoras, turismo desenfreado e a sobrepesca.

Tumbas

Galápagos tem 19 ilhas e uma reserva marinha. O anúncio da Unesco foi feito em Brasília, onde especialistas da agência estão reunidos.

Galápagos se tornou patrimônio mundial em 1978. O local foi descrito pela Unesco como um "museu vivo e um show da evolução".

Em 2007, o arquipélago foi colocado na lista de risco.

Durante a reunião da Unesco, os 21 membros do Comitê do Patrimônio Mundial informaram que as Tumbas dos Reis Buganda, localizadas na capital de Uganda, Campala, passaram a patrimônio em perigo. O sítio tem quatro tumbas reais e sofreu um incêndio no prédio principal em março passado.

Para ouvir esta notícia clique: http://downloads.unmultimedia.org/radio/pt/real/2010/1007297i.rm ou acesse: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/detail/182807.html
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FONTE : Mônica Villela Grayley, Rádio ONU em Nova York (Envolverde/Rádio ONU)

A terra está anêmica

Os oceanos são o sangue da Terra, e o plâncton, os glóbulos vermelhos. A presença destes organismos diminuiu mais de 40% desde 1950, especialmente devido à mudança climática, afirmam cientistas. “O filoplâncton é uma parte fundamental de nosso sistema de apoio à vida no planeta. Produz metade do oxigênio que respiramos absorve dióxido de carbono e mantém nossos peixes”, explicou Boris Worm, da Universidade de Dalhousie, do Canadá, e um dos mais destacados especialistas em oceanos.

“Um oceano com menos fitoplâncton funcionará de forma diferente”, explicou Boris, coautor de um novo estudo sobre o tema, publicado na semana passada na revista científica Nature. “O plâncton é equivalente ao pasto, às arvores e a outras plantas na terra”, ilustrou o oceanógrafo Marlon Lewis, também coautor do informe. “É perturbador se dar conta de que perdemos metade das zonas verdes dos oceanos. Parece que a taxa de redução do plâncton está aumentando”, afirmou.

A mudança climática está aquecendo os oceanos à média de 0,2 grau centigrados por década. A água mais quente tem menos nutrientes e, por ser leve, tende a ficar perto da superfície, acima da mais fria. Esta estratificação do oceano é um problema para o plâncton, que precisa de luz e só sobrevive nos primeiros 100 a 200 metros de profundidade. O plâncton fica sem nutrientes para se alimentar, a menos que as águas mais profundas se misturem com as que estão na superfície.

Na última década, foi observado que a estratificação dos oceanos é um fenômeno que ocorre em áreas cada vez maiores. O fitoplâncton é um conjunto de pequenos organismos vegetais e animais, que vivem perto da superfície dos oceanos e são a base alimentar de muitos peixes. Provavelmente, é o grupo de organismos que mais trabalha no planeta, e não apenas se alimentam de quase tudo o que vive nos oceanos, como também absorvem e capturam CO² da atmosfera. Além disso, desprendem dimetil sulfureto, substância química que flutua na superfície do oceano e evapora para contribuir com a formação de nuvens. Sem o plâncton, a Terra seria um lugar muito diferente.

Os pesquisadores passaram três anos analisando e resumindo uma coleção sem precedentes de informação oceanográfica histórica e recente, incluindo quase meio milhão de medições da transparência da água nos últimos 120 anos. Antes, a informação sobre a situação do plâncton em nível planetário ia só até 1997, quando foram lançados satélites especiais. Boris, Marlon e seu colega Daniel Boyce concluíram que a maior parte da redução do fitoplâncton ocorreu em regiões polares e tropicais, e em oceanos abertos.

Também constataram uma relação direta entre as crescentes temperaturas da superfície e a diminuição do fitoplâncton na maior parte do planeta, sobretudo perto do Equador. “Nos perguntamos qual seria o impacto do aumento das temperaturas no oceano”, disse Boris à IPS em uma entrevista em Potsdam, na Alemanha. Além da redução do plâncton, foi observada uma queda no número de espécies em águas tropicais e um aumento nas águas temperadas. Como na terra, certas espécies marinhas são muito sensíveis à temperatura e vão para outro lugar se a região que habitam se torna muito quente.

Outra importante mudança verificada nos oceanos é o drástico aumento no número e no tamanho de áreas mortas, isto é, com muito pouco oxigênio para que haja vida. O lançamento de fertilizantes e esgotos contribuem com um grande crescimento do plâncton, que, no entanto, morre rapidamente e é consumido por bactérias que esgotam o oxigênio. O Golfo do México tem uma zona morta de 22 mil quilômetros quadrados a cada primavera devido à vazão do Rio Mississippi.

A estratificação marinha, quando a água mais quente fica acima da mais fria, rica em nutrientes, também cria zonas mortas e diminui o surgimento de plâncton, ressalta Boris. Essas áreas eram raras há 40 anos, mas agora somam várias centenas. Se não houver uma ação urgente, a mudança climática continuará esquentando os oceanos, aumentando a estratificação e produzindo mais e maiores zonas mortas, com um grande impacto na pesca, alerta um estudo, de 2009, na Nature Geoscience. Demorará milhares de anos para que os oceanos esfriem, por isso é imperativo acionar um freio de emergência para deter as emissões que provocam o aquecimento global, concluiu o estudo.

Os especialistas também alertaram sobre a crescente acidificação da água marinha por causa da liberação de CO². A cada dia, os oceanos absorvem 30 milhões de toneladas de dióxido de carbono, o que inevitavelmente aumenta sua acidez e reduz a quantidade de carbonato de cálcio de que necessitam alguns tipos de plâncton e outras espécies para formarem suas carapaças e seus esqueletos. Não há discordância sobre esta química básica. O único debate gira em torno do grau e do tempo do impacto. Recente pesquisa no Ártico – já informada pela IPS – sugere que dentro de dez anos várias partes desse oceano serão extremamente ácidas para a sobrevivência da maioria das espécies.

Segundo Marlon, a acidificação é uma grande ameaça para algumas espécies de plâncton, mas afirmou que seu estudo não conseguiu especificar os impactos. A única forma de reduzir a acidificação dos oceanos é com reduções substanciais nas emissões de CO², concluíram especialistas como o australiano Ove Hoegh-Guldberg, diretor do Instituto sobre a Mudança Climática da australiana Universidade de Queensland. Ove é coautor da uma revisão de dezenas de estudos sobre o estado dos oceanos publicada na revista Science de 18 de junho. A pesquisa apresenta uma imagem perturbadora, e alerta para a iminência de uma “fundamental e irreversível transformação ecológica”, jamais vista em milhões de anos.
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FONTE : Stephen Leahy, da IPS (Envolverde/IPS)

MAIS UMA VERGONHA NACIONAL !

Técnicas modernas revelam a presença de novos contaminantes ambientais

Graças ao desenvolvimento de novas técnicas de análises químicas e biológicas, um mundo pouco conhecido de contaminantes ambientais, alguns deles comprovadamente prejudiciais a seres vivos, está sendo revelado. São substâncias oriundas de produtos de higiene pessoal e cosméticos, fármacos, praguicidas e nanomateriais, por exemplo. Para a bióloga e especialista em toxicologia, Gisela de Aragão Umbuzeiro, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ainda é cedo, no entanto, para dizer se esses compostos podem causar problemas ao homem. Ela falou sobre o tema em sua conferência Contaminantes emergentes para a zona costeira, proferida na 62ª Reunião Anual da SBPC, que se realizou em Natal.

Segunda Gisela, até há pouco tempo a química estava na era do miligrama, depois passou para a do micrograma e agora chegou a do nanograma – que trabalha com a matéria na escala de moléculas e átomo. Hoje é possível detectar a presença de determinadas substâncias em concentrações ínfimas no ambiente, principalmente na água.


Entre as que mais preocupam estão os chamados interferentes endócrinos, que são hormônios como estrógenos (responsáveis pelo desenvolvimento sexual feminino) e andrógenos (responsáveis pelas características do sexo masculino), além tiroxina e triiodotironina, que estimulam diversas células do corpo e controlam o crescimento, a reprodução, o desenvolvimento e o metabolismo. Livres no ambiente, eles causam problemas nos sistemas reprodutivos de peixes, aves, anfíbios, répteis e até roedores.

O tributilestanho, mais conhecido como TBT, é outro contaminante emergente que vem sendo estudado. “Trata-se um biocida, usado em tintas para cascos de navios, que evitam a incrustação por cracas”, explicou Gisela. “Estudos feitos pelo pesquisador Marcos Antônio Fernandez, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), detectaram, em moluscos, o aparecimento de características sexuais masculinas, como pênis, em indivíduos do sexo feminino.”

Ela citou ainda como contaminante recém detectado, o triclosan, um bactericida de amplo espectro, usado em medicamentos e produtos de higiene pessoal, como pastas de dente, enxágue bucal, cremes para pele, sabonetes desinfetantes, desodorantes, roupas de cama, roupas esportivas, sapatos e carpetes. Na presença de luz solar, ele se transforma em dioxina, que é altamente tóxica.

De acordo com Gisela, há muito meios dos contaminantes emergentes chegarem ao ambiente, como o descarte de medicamentos não utilizados, a urina e as fezes de humanos e animais, além dos efluentes da agricultura e indústria. Um projeto de pesquisa que vem sendo realizado em São Paulo, do qual a professora da Unicamp participa, já analisou mais de 200 amostras de água. “Em mais de 80% delas foi encontrada a presença de contaminantes emergentes”, disse ela.

Apesar disso, por enquanto não há motivo para pânico. “Embora muitas dessas substâncias estejam no ambiente há muito tempo, não há registros de terem causados problemas em humanos”, tranquilizou. “Mesmo assim, é preciso estudá-los para verificar que efeitos podem ter para a saúde e qual a concentração segura para as pessoas.”
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FONTE : Informe da 62ª Reunião Anual da SBPC, publicado pelo EcoDebate, 03/08/2010

Expansão de cidades do interior de SP leva ao crescimento de aparições de felinos e lobos em áreas urbanas

Expansão de condomínios aumenta aparição de onças – Condomínio avança em hábitat de onça – Em uma manhã de segunda-feira, em setembro de 2009, Anhanguera parou o trânsito. A onça-parda, um macho, foi atropelada na altura do km 71 da rodovia de mesmo nome. Quebrou caninos, sofreu contusões e hoje é monitorada 24 horas por veterinários. Aguarda a chance de voltar à natureza.

Sua história se assemelha à de Goiabeira, outra onça-parda. O felino foi encontrado no quintal de uma casa em Jundiaí (SP). Acuado por humanos, subiu em uma goiabeira e ali ficou até ser capturado pelo Corpo de Bombeiros e levado à Associação Mata Ciliar, que mantém o Centro Brasileiro para Conservação dos Felinos Neotropicais e abriga também Anhanguera. Reportagem de Andrea Vialli, no O Estado de S.Paulo.


O acelerado processo de urbanização de regiões do interior paulista, como Jundiaí, Vinhedo, Louveira e Campinas, está fazendo com que uma cena inusitada se torne cada vez mais comum: a aparição de onças em áreas urbanas. Apenas nos últimos dois meses, três onças-pardas apareceram nessas regiões. E, no último fim de semana, também dois lobos-guarás.

Segundo informações do Centro Nacional de Conservação e Pesquisa de Mamíferos Carnívoros (Cenap), ligado ao MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, nos últimos três anos tem ocorrido uma média de três aparições de onças em áreas urbanizadas a cada dois meses.

“Nos meses de inverno, especialmente entre julho e setembro, esses encontros se tornam mais frequentes.Há muitas queimadas, o que provoca um deslocamento maior dos animais”, explica Rogério Cunha de Paula, analista ambiental do Cenap. Segundo a ONG Pró-Carnívoros, nos últimos dois anos foram registradas 20 aparições de onças-pardas em áreas urbanas de São Paulo e Minas Gerais. “Os animais estão encurralados”, resume Fernando Azevedo, pesquisador da Pró-Carnívoros.

Condomínios. Além das queimadas, a expansão dos condomínios residenciais – muitos com apelo ecológico – e dos canaviais está reduzindo o hábitat dos animais. “É um problema sério. Em 12 anos de atividades, nunca havíamos recebido chamados para resgatar onças. Há um ano isso se tornou comum”, diz Cristina Adania, coordenadora de fauna da Associação Mata Ciliar. Doutora em felinos pela Universidade de São Paulo (USP), a veterinária critica a expansão dos condomínios que avançam sobre áreas remanescentes de Mata Atlântica. “As pessoas querem viver próximas à natureza, mas se assustam quando se deparam com um macaco ou onça no quintal. São os bichos que estão em uma encruzilhada”, diz Cristina. “As poucas áreas verdes que sobraram viraram jardins particulares dos condomínios”, critica.

A Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, que compartilha com os municípios o licenciamento ambiental dos condomínios, minimiza o problema. “A maioria dos empreendimentos usa áreas degradadas, onde a paisagem já foi modificada, evitando ao máximo a supressão da vegetação”, diz Claudia Schaalmann, especialista em fauna da Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais da secretaria. Ela adverte, porém, que é preciso que os empreendimentos monitorem a fauna e implantem corredores que facilitem o deslocamento dos animais.
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FONTE : EcoDebate, 03/08/2010

Novo Código Florestal Brasileiro dá margem para a continuação dos desmatamentos

O projeto de reformulação do novo Código Florestal Brasileiro aprovado pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados no início de julho dá muitas margens para a continuidade de desmatamentos dos biomas brasileiro para a atividade agropecuária. A avaliação é da secretária de biodiversidade e floresta do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Maria Cecília Wey de Brito.

“Nós entendemos que é possível haver um consenso entre os ambientalistas e ruralistas para que cheguemos a um bom Código Florestal Brasileiro que faça com que a agricultura brasileira e o meio ambiente possam coexistir”, analisa. “Acreditamos que ainda haverá muito espaço para discussão da proposta do novo Código, que apresenta diversas brechas para desmatamentos e que esperamos que sejam revertidas”, afirmou ela na mesa-redonda da qual participou sobre o tema, no dia 29 de julho, durante a 62ª Reunião Anual da SBPC – evento que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência realiza até hoje (30/07) no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal (RN).


De acordo com a especialista, um dos principais pontos de discórdia do MMA em relação ao relatório final da proposta de alteração do Código Florestal Brasileiro apresentada pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) é sobre a dispensa da necessidade de reserva legal e de recomposição florestal para propriedades com até quatro módulos fiscais – os chamados pequenos proprietários. Segundo ela, nunca se cogitou a possibilidade de não se exigir dos agricultores a reserva legal, que é fundamental para sua conservação e trocas genéticas entre algumas espécies nos biomas. E que os técnicos do ministério também não estão dispostos a abrir mão da obrigatoriedade de recomposição florestal de áreas utilizadas para a produção agrícola.

“Nós temos uma lógica que é a de permitir algumas coisas, mas somente para os agricultores familiares, e não para todo e qualquer agricultor e tipo de empresa agrícola” conta. “O que nós tínhamos como perspectiva de negociação com os ruralistas é que as pequenas propriedades, classificadas a luz do conceito de agricultura familiar, deveriam fazer a recomposição florestal, mas de uma forma um pouco mais flexível do ponto de vista do que deveria ser plantado. Porém, a proposta do deputado permite que não só a agricultura familiar, mas toda e qualquer propriedade possa ter esse benefício”, avalia.

A especialista aponta que o conceito de pequena propriedade utilizado no relatório final do parlamentar não se baseia em nenhum dos estabelecidos pelas três legislações ambientais brasileiras sobre o assunto: a Lei da Agricultura Familiar, o próprio Código Florestal Brasileiro e a recente Lei da Mata Atlântica. Mas reconhece que a existência de três conceitos diferentes sobre o tema cunhados somente nos últimos dez anos inviabiliza a existência de um parâmetro único que possa nortear as discussões sobre a proposição de reformas da legislação ambiental brasileira.

Contraponto – Na opinião do ex-ministro da agricultura no governo Geisel, Alysson Paulinelli, que também participou da mesa-redonda, o conceito de agricultura familiar é um imbróglio em relação ao qual o próprio MMA tem dúvidas. E que a legislação ambiental brasileira foi feita na base do “achismo” e sem fundamentação científica.

“Quem está fazendo as leis florestais no Brasil não conhece nada dos biomas e do processo de desenvolvimento agrícola do País”, afirma. “O atual Código Florestal Brasileiro coloca os produtores rurais na ilegalidade, porque é impossível cumpri-lo”, conclui.
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FONTE : Informe da SBPC, publicado pelo EcoDebate, 03/08/2010